Arão ficou em silêncio.
Levítico 10. 3
Dois filhos do sacerdote Arão, irmão de Moisés, entraram na presença do Senhor na tenda da congregação de maneira inadequada e, por esse motivo, foram fulminados. De uma só vez, Arão perdeu dois filhos.
Você consegue imaginar o tamanho do seu luto?
As coisas ainda ficam mais difíceis com as ordens que Arão recebeu de não prantear seus filhos. Tudo o que lhe resta é ficar em silêncio com sua dor e seu sofrimento.
Quando as coisas são difíceis e tudo está doendo, você sabe, é muito difícil ficar em silêncio. Nosso desejo é chorar em alta voz, gritar por socorro, chamar os amigos para desabafar e mesmo orar de maneira honesta e dolorosa diante de Deus.
A Arão foi dito que ele não podia fazer nada disso. Só lhe restava ficar em silêncio.
Não posso imaginar quão dolorosa foi essa situação. Mas sei dizer como é duro encarar a dor e os sofrimento sozinho, em silêncio, sem um companheiro para estender o ombro para chorar ou a mão para auxiliar na caminhada, sem um amigo para desabafar, sem um conselheiro para orientar.
É extremamente doloroso e difícil. A solidão e o silêncio amplificam a dor. Não poder falar sobre o que lhe causa sofrimento é causa de mais sofrimento. É como se houvesse uma voz constante exigindo que não derramemos lágrimas, não choremos, não falemos dos nossos problemas.
O que nos resta, numa situação como essa, é aprender. Aprender no silêncio de um coração que sente. Aprender na reflexão e meditação dolorida diante de Deus. Aprender a suportar o que nos pesa para podermos, assim, caminhar para longe do lugar onde estamos - e que nos causa dor e silêncio.
Há silêncios que vemos como se nos fossem impostos, tal qual o de Arão.
Há silêncios que nos impomos por perceber que o melhor caminho é, ainda que doa, uma reflexão silenciosa. O silêncio pode nos auxiliar a entender já que não há vozes para se misturarem com aquela da nossa reflexão.
O silêncio pode ser sua opção diante da dor. Mas saiba que calar toda a dor o tempo todo faz muito mal para a alma.
Esta semana ouvi de uma psicóloga que determinada pessoa em sofrimento não queria mais falar sobre o assunto que lhe provocava dor - como se isso fosse bom. Você pode não querer falar, você pode querer enterrar a dor, o luto, o sofrimento no seu passado - mas se você não o encara, não lida com ele, ele vai condicionar o seu presente e o seu futuro. Se você não lida com a dor ela estará presente para sempre.
Há silêncios que nos fazem mal porque são fruto de nossa solidão. A solitude pode ser uma opção, mas a solidão resulta geralmente da nossa dificuldade de criar e manter laços.
Passar pela dor, sem amigos, pode ser insuportável.
Mas em todos os cenários, resta o amigo mais fiel, o ouvido mais preparado, o ombro mais largo para nosso choro, a mão mais delicada para as nossas lágrimas, a palavra mais poderosa para o nosso consolo.
É difícil passar pela dor em silêncio e solidão - seria quase impossível se, além disso, passássemos sem o cuidado e a proteção de Deus.
Ainda que tudo seja silêncio e dor, Jesus está conosco - Ele sabe muito bem o que é isso:
Cerca das três horas da tarde, Jesus gritou bem alto: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”, que quer dizer: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”.
Marcos 15.34
Na hora mais difícil, saber que o Senhor está conosco faz toda diferença. Lembre disso.
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5.2.17
4.2.17
A carta
Senhor Jesus,
Hoje eu senti vontade de escrever uma carta para o Senhor. Não sei bem porque nem sei direito o que direi.
Tu me chamaste, há duas décadas, para uma vida vivida na Tua presença e oferecendo, não somente a Ti, mas ao próximo os dons e os talentos que, sei, Tu me deste.
Há duas décadas eu tenho prazer em ler, meditar e refletir nas Tuas Escrituras - e, é claro, que em 20 anos muitas de minhas crenças fundadas em interpretação da Bíblia se modificaram porque eu mudei, minhas concepções de leitura mudaram, as interpretações mudaram.
Conheci gente - muita gente - que me ajudou a ser quem sou hoje. Não apenas pessoas que cruzaram meu caminho e tocaram a minha vida presencialmente - em salas de aula, em espaços religiosos ou na pura amizade. Houve pessoas que cruzaram a minha vida apenas virtualmente - na forma de um texto, de uma proposta, de um livro.
Todos esses são capazes de nos mudar, Senhor. E eu sei que cada um deles fez o Teu trabalho de transformar um garoto de 17 anos em um servo de 37.
Houve amigos e familiares que chegaram e que se foram. Houve mortes reais e simbólicas que mexeram comigo. Houve lutos e perdas, celebrações e alegrias. Houve aprendizado na dor e na festa. Em todo o tempo, mesmo quando eu não sabia, Tu estavas comigo.
Hoje eu penso no Senhor não como aquele que vai operar um milagre extraordinário para nos livrar da dor e do sofrimento. Para mim, o Senhor é o amigo que segura a minha mão quando dói e quando eu estou com medo, é o companheiro que me beija e abraça quando tudo deu certo e eu festejo.
Por isso, Senhor Jesus, hoje eu quero agradecer pelo Teu cuidado constante comigo. Especialmente nos últimos meses, somente ao Senhor posso tributar o estar vivo. Foi o Senhor que esteve comigo nos piores momentos e me empurrou de volta à vida. Afinal, eu sei que o Senhor é a vida.
É a experiência que temos com o Senhor Ressuscitado que é capaz de mudar para sempre o nosso viver. É saber que o Senhor está vivo que pode nos ajudar a não desistir da vida. É saber que no terceiro dia o Senhor se pôs de pé que nos ajuda a festejar a vida e saber que a dor do momento não é eterna: no terceiro dia ela vai ser substituída pela festa de viver.
Tem sido essa a minha experiência, Senhor. A experiência com o Senhor que está vivendo - um eterno e constante convite à vida.
Lembro que quando estudei o “Celebração da Disciplina” de Richard Foster passei a usar a imaginação na minha relação contigo. Lembro de uma manhã em que estava no púlpito da igreja e o louvor tocava um reggae. Lembro que imaginei o Senhor entrando no templo pela porta da frente e vindo até o púlpito dançando, em festa.
Essa é a imagem que eu quero do Senhor hoje.
Obrigado por tudo. Sempre.
Daniel Dantas Lemos
Hoje eu senti vontade de escrever uma carta para o Senhor. Não sei bem porque nem sei direito o que direi.
Tu me chamaste, há duas décadas, para uma vida vivida na Tua presença e oferecendo, não somente a Ti, mas ao próximo os dons e os talentos que, sei, Tu me deste.
Há duas décadas eu tenho prazer em ler, meditar e refletir nas Tuas Escrituras - e, é claro, que em 20 anos muitas de minhas crenças fundadas em interpretação da Bíblia se modificaram porque eu mudei, minhas concepções de leitura mudaram, as interpretações mudaram.
Conheci gente - muita gente - que me ajudou a ser quem sou hoje. Não apenas pessoas que cruzaram meu caminho e tocaram a minha vida presencialmente - em salas de aula, em espaços religiosos ou na pura amizade. Houve pessoas que cruzaram a minha vida apenas virtualmente - na forma de um texto, de uma proposta, de um livro.
Todos esses são capazes de nos mudar, Senhor. E eu sei que cada um deles fez o Teu trabalho de transformar um garoto de 17 anos em um servo de 37.
Houve amigos e familiares que chegaram e que se foram. Houve mortes reais e simbólicas que mexeram comigo. Houve lutos e perdas, celebrações e alegrias. Houve aprendizado na dor e na festa. Em todo o tempo, mesmo quando eu não sabia, Tu estavas comigo.
Hoje eu penso no Senhor não como aquele que vai operar um milagre extraordinário para nos livrar da dor e do sofrimento. Para mim, o Senhor é o amigo que segura a minha mão quando dói e quando eu estou com medo, é o companheiro que me beija e abraça quando tudo deu certo e eu festejo.
Por isso, Senhor Jesus, hoje eu quero agradecer pelo Teu cuidado constante comigo. Especialmente nos últimos meses, somente ao Senhor posso tributar o estar vivo. Foi o Senhor que esteve comigo nos piores momentos e me empurrou de volta à vida. Afinal, eu sei que o Senhor é a vida.
É a experiência que temos com o Senhor Ressuscitado que é capaz de mudar para sempre o nosso viver. É saber que o Senhor está vivo que pode nos ajudar a não desistir da vida. É saber que no terceiro dia o Senhor se pôs de pé que nos ajuda a festejar a vida e saber que a dor do momento não é eterna: no terceiro dia ela vai ser substituída pela festa de viver.
Tem sido essa a minha experiência, Senhor. A experiência com o Senhor que está vivendo - um eterno e constante convite à vida.
Lembro que quando estudei o “Celebração da Disciplina” de Richard Foster passei a usar a imaginação na minha relação contigo. Lembro de uma manhã em que estava no púlpito da igreja e o louvor tocava um reggae. Lembro que imaginei o Senhor entrando no templo pela porta da frente e vindo até o púlpito dançando, em festa.
Essa é a imagem que eu quero do Senhor hoje.
Obrigado por tudo. Sempre.
Daniel Dantas Lemos
3.2.17
Sejam santos
Sejam santos porque eu sou santo.
Levítico 11. 45
Quando lemos o livro de Levítico encontramos um tipo de religiosidade e de fé peculiarmente relacionada ao rituais sagrados e as formas de tecnologias religiosas: o texto está repleto de orientações sobre como realizar o culto, que roupas os sacerdotes devem vestir, em que momentos devem se banhar, que animais podem ser sacrificados, quais não podem ser comidos, e segue.
Para os sacerdotes que escreveram o Levítico, ser santo é seguir o manual de vida espiritual, religiosa e os cultos conforme prescritos. Ser santo é viver de acordo com as leis e os ritos.
É nesse contexto que surge o chamado:
Sejam santos porque eu sou santo.
Quando os sacerdotes, os judeus religiosos liam esse chamado só podiam entender de uma forma: sigamos a lei, cada um de seus preceitos, obedeçamos a ordem do culto, ofereçamos cada sacrifício prescritos, então estaremos agradando a Deus e sendo santos.
Era assim nos dias de Jesus, mesmo que fariseus e saduceus tivessem interpretações teológicas distintas, ambos ainda vivenciavam um formato legalista de servir a Deus.
Jesus não nega a necessidade de sermos santos. Ele nega a forma como achavam que seríamos. Ele nega o rito estrito, a lei que estava acima das pessoas, o peso da letra sobre a vida.
Enquanto no mesmo livro de Levítico (15. 25 - 30) se afirma que uma mulher que tenha fluxo contínuo de sangue estaria impura enquanto sangrasse, tornando impuros todos e tudo que a tocasse, Jesus não se preocupa com isso quando cura uma mulher assim (Mt. 9, Mc. 5, Lc. 8).
Enquanto o Levítico 13-14 discorre sobre a lepra e sua impureza, inclusive delimitando quando e como o doente seria considerado curado e puro, Jesus não ligava para tais rituais quando curava os tantos leprosos que curou em seu ministério.
O ser santo, em Jesus, ia muito além da normatização do rituais e leis e do respeito a eles. Ser santo é muito mais que isso - a começar pela compreensão de que o ser humano não é definido pela lei, mas sim a lei se relativiza em favor do homem.
Foi assim com o sábado e com a mulher adúltera (Jo. 8).
Lembro, então, da parábola do samaritano (Lc. 10:30-37), na qual Jesus denuncia a religiosidade dos judeus (um levita e um sacerdote poderiam ter ajudado o homem ferido, mas passaram ao largo para não se contaminar com o sangue derramado) em favor daquilo que vale e que foi feito por um herege apóstata, o samaritano.
Sempre me chamou atenção uma coisa nesse texto: a pergunta que Jesus faz, no final da parábola, ao mestre da lei com quem conversa, me incomoda porque não era a que eu esperaria. Ela mudo enfoque - há um homem ferido e três passaram por perto, mas só um ajudou. Para mim, a pergunta deveria ser: “qual dos três considerou o homem ferido como seu próximo?” Mas a pergunta de Jesus inverte a ordem:
“O que você acha? Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?”
Lucas 10. 36
Em vez de olhar para os três homens, olha para o ferido. Qual dos três é o seu próximo?
Você lembra o que motiva Jesus a contar a parábola? Um mestre da lei se aproxima e pergunta o que era preciso fazer para herdar a vida eterna (Lc. 10. 25). Jesus responde questionando-o sobre o que ele pensa que diz a lei:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
Lucas 10. 27
Jesus elogia a resposta e diz que ele tem de fazer aquilo mesmo para ser salvo. O mestre fica desconcertado e pergunta:
“Como saber quem é o próximo?”
Lucas 10. 29
É para responder essa pergunta que Jesus conta a parábola.
O próximo, no contexto, é alguém que devemos amar como a nós mesmos. Por isso, se eu olho a estória do ponto de vista do homem ferido (Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?), ela não me diz apenas que o samaritano é o seu próximo que deve ser amado como si mesmo.
Ela diz também que os religiosos não são - e logo, não dever amados. Em outras palavras, Jesus diz que não devemos amar uma religião ou religiosos que passam ao largo de nós sem nos socorrer.
No fundo, também, toda essa história leva mais longe a questão do Levítico e da relativização da lei por Jesus.
Sejam santos porque eu sou santo.
Não é o ritual, a prática religiosa, as vestes, o culto, a norma, o seguimento estrito da letra que nos faz santos como o Senhor é santo.
Em Jesus, o Santo, o Senhor, ser santo é, simplesmente, amar. O seguimento estrito e legalista de ritos e leis nos afasta do próximo e da santida e nos torna indignos do amor.
O que importa, o que nos faz santos, o que nos aproxima de Deus, é aquilo que resume toda a lei e os profetas:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
Levítico 11. 45
Quando lemos o livro de Levítico encontramos um tipo de religiosidade e de fé peculiarmente relacionada ao rituais sagrados e as formas de tecnologias religiosas: o texto está repleto de orientações sobre como realizar o culto, que roupas os sacerdotes devem vestir, em que momentos devem se banhar, que animais podem ser sacrificados, quais não podem ser comidos, e segue.
Para os sacerdotes que escreveram o Levítico, ser santo é seguir o manual de vida espiritual, religiosa e os cultos conforme prescritos. Ser santo é viver de acordo com as leis e os ritos.
É nesse contexto que surge o chamado:
Sejam santos porque eu sou santo.
Quando os sacerdotes, os judeus religiosos liam esse chamado só podiam entender de uma forma: sigamos a lei, cada um de seus preceitos, obedeçamos a ordem do culto, ofereçamos cada sacrifício prescritos, então estaremos agradando a Deus e sendo santos.
Era assim nos dias de Jesus, mesmo que fariseus e saduceus tivessem interpretações teológicas distintas, ambos ainda vivenciavam um formato legalista de servir a Deus.
Jesus não nega a necessidade de sermos santos. Ele nega a forma como achavam que seríamos. Ele nega o rito estrito, a lei que estava acima das pessoas, o peso da letra sobre a vida.
Enquanto no mesmo livro de Levítico (15. 25 - 30) se afirma que uma mulher que tenha fluxo contínuo de sangue estaria impura enquanto sangrasse, tornando impuros todos e tudo que a tocasse, Jesus não se preocupa com isso quando cura uma mulher assim (Mt. 9, Mc. 5, Lc. 8).
Enquanto o Levítico 13-14 discorre sobre a lepra e sua impureza, inclusive delimitando quando e como o doente seria considerado curado e puro, Jesus não ligava para tais rituais quando curava os tantos leprosos que curou em seu ministério.
O ser santo, em Jesus, ia muito além da normatização do rituais e leis e do respeito a eles. Ser santo é muito mais que isso - a começar pela compreensão de que o ser humano não é definido pela lei, mas sim a lei se relativiza em favor do homem.
Foi assim com o sábado e com a mulher adúltera (Jo. 8).
Lembro, então, da parábola do samaritano (Lc. 10:30-37), na qual Jesus denuncia a religiosidade dos judeus (um levita e um sacerdote poderiam ter ajudado o homem ferido, mas passaram ao largo para não se contaminar com o sangue derramado) em favor daquilo que vale e que foi feito por um herege apóstata, o samaritano.
Sempre me chamou atenção uma coisa nesse texto: a pergunta que Jesus faz, no final da parábola, ao mestre da lei com quem conversa, me incomoda porque não era a que eu esperaria. Ela mudo enfoque - há um homem ferido e três passaram por perto, mas só um ajudou. Para mim, a pergunta deveria ser: “qual dos três considerou o homem ferido como seu próximo?” Mas a pergunta de Jesus inverte a ordem:
“O que você acha? Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?”
Lucas 10. 36
Em vez de olhar para os três homens, olha para o ferido. Qual dos três é o seu próximo?
Você lembra o que motiva Jesus a contar a parábola? Um mestre da lei se aproxima e pergunta o que era preciso fazer para herdar a vida eterna (Lc. 10. 25). Jesus responde questionando-o sobre o que ele pensa que diz a lei:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
Lucas 10. 27
Jesus elogia a resposta e diz que ele tem de fazer aquilo mesmo para ser salvo. O mestre fica desconcertado e pergunta:
“Como saber quem é o próximo?”
Lucas 10. 29
É para responder essa pergunta que Jesus conta a parábola.
O próximo, no contexto, é alguém que devemos amar como a nós mesmos. Por isso, se eu olho a estória do ponto de vista do homem ferido (Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?), ela não me diz apenas que o samaritano é o seu próximo que deve ser amado como si mesmo.
Ela diz também que os religiosos não são - e logo, não dever amados. Em outras palavras, Jesus diz que não devemos amar uma religião ou religiosos que passam ao largo de nós sem nos socorrer.
No fundo, também, toda essa história leva mais longe a questão do Levítico e da relativização da lei por Jesus.
Sejam santos porque eu sou santo.
Não é o ritual, a prática religiosa, as vestes, o culto, a norma, o seguimento estrito da letra que nos faz santos como o Senhor é santo.
Em Jesus, o Santo, o Senhor, ser santo é, simplesmente, amar. O seguimento estrito e legalista de ritos e leis nos afasta do próximo e da santida e nos torna indignos do amor.
O que importa, o que nos faz santos, o que nos aproxima de Deus, é aquilo que resume toda a lei e os profetas:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
1.2.17
Ídolos
Ele derreteu todo aquele ouro e modelou, com uma ferramenta de escultor, a forma de um bezerro.
A reação do povo foi de entusiasmo: “São esses os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”.
Êxodo 32. 4
O capítulo 32 do livro de Êxodo tem uma mensagem muito clara para mim: mesmo diante da mais poderosa manifestação de Deus podemos construir uma religião, com nossas próprias mãos, que, mesmo se referindo a Ele, se afasta dEle. Uma religião que chama pelo nome de Deus um ídolo feito por mãos humanas.
O episódio me diz que não adianta estar diante de Deus: vamos sempre querer construir nosso próprio caminho religioso. A religião é, normalmente, um mecanismo humano que tenta ligar homens com homens para se aproximarem do Eterno, da Realidade Última da Existência.
Como em Babel (Gn. 11), construímos um edifício, uma torre, com tijolos que nós mesmos queimamos. Queremos chegar no céu, queremos alcançar Deus, queremos tornar nossos nomes conhecidos.
Mais que isso.
Se eu não sei o que aconteceu a Moisés, a tantos dias oculto na montanha enquanto conversa com Deus, se eu me sinto perdido, eu quero uma religião na qual eu controle as regras, os ritos, os processos e, se possível, o próprio Deus.
O bezerro é feito pelas ofertas dadas pelo povo. Feito pelo sacerdote. Nomeado pelo sacerdote:
“São esses os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”
É o sacerdote que anuncia que no dia seguinte haverá uma festa em honra ao Deus que os tirou do Egito - Yahweh. O sacerdote nomeia o Deus que ele mesmo fabricou: não é qualquer Deus, qualquer bezerro, mas é Yahweh, o Deus que os tirou do Egito.
Sinto que muito de nossa vida religiosa segue assim: mesmo diante do Deus vivo, somos incapazes de vê-lo e, assim, construímos ídolos que chamamos pelo nome desse Deus, mesmo que tenha pouco a ver com Ele.
Muito da nossa espiritualidade depende de uma imagem acerca de Deus que muitas vezes não corresponde àquela revelada nas Escrituras e em Jesus.
Muito da nossa espiritualidade depende de uma religiosidade que construímos com nossas próprias mãos, a partir daquilo que oferece o povo que crê, manipulado no fogo pelos sacerdotes.
Muito da nossa espiritualidade, diante do Deus vivo, caminha a passos largos para longe dEle.
Jesus tratou disso em outra região montanhosa, no meio do território dos samaritanos, ao lidar com um povo que, ele mesmo, se organizou em torno de uma proposta religiosa derivada do culto a Deus na forma de um bezerro (1 Rs 12. 29):
Mulher, acredite, está chegando a hora em que vocês, samaritanos, irão adorar o Pai, mas não neste monte nem em Jerusalém. Vocês adoram como que tateando no escuro. Nós, judeus, adoramos na clara luz do dia. O caminho de Deus para a salvação veio por meio dos judeus. Mas chegará o momento — na verdade, já chegou — em que não importará como vocês são chamados ou onde irão adorar.
O que conta para Deus é quem você é e como vive. Seu culto deve envolver o seu espírito na busca da verdade. Este é o tipo de gente que o Pai está procurando: aquele que é simples e honesto na presença dele, em seu culto. Deus é Espírito, e quem o adora deve fazê-lo de maneira genuína, algo que venha do espírito, do mais íntimo do ser”.
João 4. 21-24
Que nossa adoração prescinda de qualquer ídolo ou imagem de Deus que construamos por nossa própria força. Que nossa adoração venha do espírito, do mais íntimo de nosso ser, sempre.
A reação do povo foi de entusiasmo: “São esses os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”.
Êxodo 32. 4
O capítulo 32 do livro de Êxodo tem uma mensagem muito clara para mim: mesmo diante da mais poderosa manifestação de Deus podemos construir uma religião, com nossas próprias mãos, que, mesmo se referindo a Ele, se afasta dEle. Uma religião que chama pelo nome de Deus um ídolo feito por mãos humanas.
O episódio me diz que não adianta estar diante de Deus: vamos sempre querer construir nosso próprio caminho religioso. A religião é, normalmente, um mecanismo humano que tenta ligar homens com homens para se aproximarem do Eterno, da Realidade Última da Existência.
Como em Babel (Gn. 11), construímos um edifício, uma torre, com tijolos que nós mesmos queimamos. Queremos chegar no céu, queremos alcançar Deus, queremos tornar nossos nomes conhecidos.
Mais que isso.
Se eu não sei o que aconteceu a Moisés, a tantos dias oculto na montanha enquanto conversa com Deus, se eu me sinto perdido, eu quero uma religião na qual eu controle as regras, os ritos, os processos e, se possível, o próprio Deus.
O bezerro é feito pelas ofertas dadas pelo povo. Feito pelo sacerdote. Nomeado pelo sacerdote:
“São esses os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”
É o sacerdote que anuncia que no dia seguinte haverá uma festa em honra ao Deus que os tirou do Egito - Yahweh. O sacerdote nomeia o Deus que ele mesmo fabricou: não é qualquer Deus, qualquer bezerro, mas é Yahweh, o Deus que os tirou do Egito.
Sinto que muito de nossa vida religiosa segue assim: mesmo diante do Deus vivo, somos incapazes de vê-lo e, assim, construímos ídolos que chamamos pelo nome desse Deus, mesmo que tenha pouco a ver com Ele.
Muito da nossa espiritualidade depende de uma imagem acerca de Deus que muitas vezes não corresponde àquela revelada nas Escrituras e em Jesus.
Muito da nossa espiritualidade depende de uma religiosidade que construímos com nossas próprias mãos, a partir daquilo que oferece o povo que crê, manipulado no fogo pelos sacerdotes.
Muito da nossa espiritualidade, diante do Deus vivo, caminha a passos largos para longe dEle.
Jesus tratou disso em outra região montanhosa, no meio do território dos samaritanos, ao lidar com um povo que, ele mesmo, se organizou em torno de uma proposta religiosa derivada do culto a Deus na forma de um bezerro (1 Rs 12. 29):
Mulher, acredite, está chegando a hora em que vocês, samaritanos, irão adorar o Pai, mas não neste monte nem em Jerusalém. Vocês adoram como que tateando no escuro. Nós, judeus, adoramos na clara luz do dia. O caminho de Deus para a salvação veio por meio dos judeus. Mas chegará o momento — na verdade, já chegou — em que não importará como vocês são chamados ou onde irão adorar.
O que conta para Deus é quem você é e como vive. Seu culto deve envolver o seu espírito na busca da verdade. Este é o tipo de gente que o Pai está procurando: aquele que é simples e honesto na presença dele, em seu culto. Deus é Espírito, e quem o adora deve fazê-lo de maneira genuína, algo que venha do espírito, do mais íntimo do ser”.
João 4. 21-24
Que nossa adoração prescinda de qualquer ídolo ou imagem de Deus que construamos por nossa própria força. Que nossa adoração venha do espírito, do mais íntimo de nosso ser, sempre.
30.1.17
Sábado
Guardem o dia de sábado, para que sempre seja santo. Trabalhem seis dias e, nesse tempo, façam tudo que for necessário. Mas o sétimo dia é o sábado do Eterno, o Deus de vocês. Não realizem nenhuma espécie de trabalho, nem vocês, nem seu filho, nem sua filha, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seus animais, nem mesmo o estrangeiro em visita à sua cidade. Porque, em seis dias, o Eterno fez o céu, a terra, o mar e tudo que neles há e descansou no sétimo dia. Portanto, o Eterno abençoou o dia de sábado e o separou como dia santo.
Êxodo 20. 8-11
Jesus enfrenta o sábado em todo o seu ministério - não para negar sua importância, mas para relativizá-lo diante da forma estrita com que a ortodoxia religiosa lidava com o tema.
O refrão de Jesus era que o sábado foi feito por causa do homem, não o homem por causa do sábado.
O sábado é descanso e celebração. Não é necessariamente um dia da semana, mas aponta para essa dupla necessidade que o ser humano tem.
Quanto de nossa vida espiritual e emocional adoeceu porque não guardamos um sábado? Trabalhamos muito, levamos trabalho para casa e, quando deveríamos estar descansando, curtindo a família ou celebrando ao Senhor, seguimos trabalhando.
Quantos fins de semana perdidos em trabalhos?
Quantos cultos que não fomos por causa de trabalho?
Quantos momentos de devoção pessoal foram perdidos porque precisávamos trabalhar?
Quanto de nosso trabalho roubou nossa vida, nosso descanso, nossa celebração, nossa saúde?
O sábado nos lembra que precisamos ter um momento de, fechada porta do quarto, falarmos na intimidade com o Senhor, louvarmos, ouvirmos sua voz falada na Palavra de Deus.
O sábado nos lembra que precisamos ir à praia, ao parque, ao cinema, viajar, descansar, dormir sem ter hora para acordar.
O sábado nos lembra de olhar os olhos de nossa família, nossos cônjuges, nossos pais, nossos filhos, nossos amigos.
O sábado nos lembra que o tempo passa, mas haveremos de reservar um tempo para cuidar de nós e dos outros.
O sábado nos lembra que o mundo veloz, líquido, superficial, passageiro no qual nos inserimos não há de ser o definidor de nossa existência, de nossas relações, de nossa religião.
O sábado nos lembra que é necessário desacelerar.
O sábado é a marca que pontua e faz pulsar o relógio de nossa vida - minuto a minuto, hora a hora, a cada momento.
O sábado nos lembra de mergulhar nas profundezas de um rico relacionamento com Deus.
Portanto, o Eterno abençoou o dia de sábado e o separou como dia santo.
Êxodo 20. 8-11
Jesus enfrenta o sábado em todo o seu ministério - não para negar sua importância, mas para relativizá-lo diante da forma estrita com que a ortodoxia religiosa lidava com o tema.
O refrão de Jesus era que o sábado foi feito por causa do homem, não o homem por causa do sábado.
O sábado é descanso e celebração. Não é necessariamente um dia da semana, mas aponta para essa dupla necessidade que o ser humano tem.
Quanto de nossa vida espiritual e emocional adoeceu porque não guardamos um sábado? Trabalhamos muito, levamos trabalho para casa e, quando deveríamos estar descansando, curtindo a família ou celebrando ao Senhor, seguimos trabalhando.
Quantos fins de semana perdidos em trabalhos?
Quantos cultos que não fomos por causa de trabalho?
Quantos momentos de devoção pessoal foram perdidos porque precisávamos trabalhar?
Quanto de nosso trabalho roubou nossa vida, nosso descanso, nossa celebração, nossa saúde?
O sábado nos lembra que precisamos ter um momento de, fechada porta do quarto, falarmos na intimidade com o Senhor, louvarmos, ouvirmos sua voz falada na Palavra de Deus.
O sábado nos lembra que precisamos ir à praia, ao parque, ao cinema, viajar, descansar, dormir sem ter hora para acordar.
O sábado nos lembra de olhar os olhos de nossa família, nossos cônjuges, nossos pais, nossos filhos, nossos amigos.
O sábado nos lembra que o tempo passa, mas haveremos de reservar um tempo para cuidar de nós e dos outros.
O sábado nos lembra que o mundo veloz, líquido, superficial, passageiro no qual nos inserimos não há de ser o definidor de nossa existência, de nossas relações, de nossa religião.
O sábado nos lembra que é necessário desacelerar.
O sábado é a marca que pontua e faz pulsar o relógio de nossa vida - minuto a minuto, hora a hora, a cada momento.
O sábado nos lembra de mergulhar nas profundezas de um rico relacionamento com Deus.
Portanto, o Eterno abençoou o dia de sábado e o separou como dia santo.
22.1.17
Frágil
Chorei muito porque ninguém era capaz de abrir o livro para lê-lo. Mas um dos Anciãos disse: “Não chore. Olhe — o Leão da Tribo de Judá, a Raiz da Árvore de Davi, venceu. Ele pode abrir o livro e romper os selos”.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Apocalipse 5. 4-6
A manhã deste domingo (22/1) começou bastante chuvosa. Raios e trovões rasgavam os céus de Natal, assustando e fascinando uma cidade que não costuma ser habituada a tanto barulho de chuva.
Raios e trovões sempre fascinaram a humanidade pelo que representam de poder e energia. O fogo que cai do céu ainda hoje mata muita gente, mas nos tempos antigos, inclusive bíblicos, era visto como a manifestação poderosa da divindade. Em 1 Reis 18, é um raio que consome a oferta de Elias para provar que só Iahweh é Deus, não Baal.
Costumamos, pela majestade, relacionar o grande poder, as grandes manifestações, raios e trovões, a Deus. É por isso que a visão de João em Apocalipse 5 é tão impressionante.
João chora porque não se vê no céu ninguém que seja capaz de desatar os selos que envolvem o livro - que entendemos se referir ao desenrolar da história. Um Ancião destaca, no entanto:
“Não chore. Olhe — o Leão da Tribo de Judá, a Raiz da Árvore de Davi, venceu. Ele pode abrir o livro e romper os selos”
Há um vencedor que pode abrir o livro: Ele é um Leão, é da Descendência de Davi, Ele venceu, Ele é Jesus. Poderoso para romper os selos.
João ergue os olhos. Não vê um Thor que manda raios e trovões com seu martelo. Não vê uma nuvem assustadora. Não vê fogo correndo em forma de lava. Não sente um vento impetuoso. Não olha para um luz ou glória capaz de cegar. Não vê nada que lhe dê medo.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Ele viu um Cordeiro como que tivesse sido morto. Existe algo mais dócil, frágil que um cordeiro morto?
Quem venceu, quem merece a adoração de homens e anjos, não é um violento leão, um emissor de raios, um guerreiro vistoso. Quem venceu foi um Cordeiro morto.
A força da vitória que encontramos em Jesus é a força da fragilidade de um Cordeiro oferecido em sacrifício voluntariamente.
A vitória, na dimensão de Jesus, passa por assumir a mansidão, a suavidade, a fragilidade de quem, como cordeiro, se oferece voluntariamente a ser sacrificado por amor.
Vence o frágil, não o poderoso.
Vence o que se entrega, não o que combate.
Vence o que ama, não o que guerreia.
Vence o Cordeiro: a história pertence a Ele e aos que entenderam que a sua força é ser frágil.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Apocalipse 5. 4-6
A manhã deste domingo (22/1) começou bastante chuvosa. Raios e trovões rasgavam os céus de Natal, assustando e fascinando uma cidade que não costuma ser habituada a tanto barulho de chuva.
Raios e trovões sempre fascinaram a humanidade pelo que representam de poder e energia. O fogo que cai do céu ainda hoje mata muita gente, mas nos tempos antigos, inclusive bíblicos, era visto como a manifestação poderosa da divindade. Em 1 Reis 18, é um raio que consome a oferta de Elias para provar que só Iahweh é Deus, não Baal.
Costumamos, pela majestade, relacionar o grande poder, as grandes manifestações, raios e trovões, a Deus. É por isso que a visão de João em Apocalipse 5 é tão impressionante.
João chora porque não se vê no céu ninguém que seja capaz de desatar os selos que envolvem o livro - que entendemos se referir ao desenrolar da história. Um Ancião destaca, no entanto:
“Não chore. Olhe — o Leão da Tribo de Judá, a Raiz da Árvore de Davi, venceu. Ele pode abrir o livro e romper os selos”
Há um vencedor que pode abrir o livro: Ele é um Leão, é da Descendência de Davi, Ele venceu, Ele é Jesus. Poderoso para romper os selos.
João ergue os olhos. Não vê um Thor que manda raios e trovões com seu martelo. Não vê uma nuvem assustadora. Não vê fogo correndo em forma de lava. Não sente um vento impetuoso. Não olha para um luz ou glória capaz de cegar. Não vê nada que lhe dê medo.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Ele viu um Cordeiro como que tivesse sido morto. Existe algo mais dócil, frágil que um cordeiro morto?
Quem venceu, quem merece a adoração de homens e anjos, não é um violento leão, um emissor de raios, um guerreiro vistoso. Quem venceu foi um Cordeiro morto.
A força da vitória que encontramos em Jesus é a força da fragilidade de um Cordeiro oferecido em sacrifício voluntariamente.
A vitória, na dimensão de Jesus, passa por assumir a mansidão, a suavidade, a fragilidade de quem, como cordeiro, se oferece voluntariamente a ser sacrificado por amor.
Vence o frágil, não o poderoso.
Vence o que se entrega, não o que combate.
Vence o que ama, não o que guerreia.
Vence o Cordeiro: a história pertence a Ele e aos que entenderam que a sua força é ser frágil.
17.1.17
Problemas
Não que os problemas devam surpreendê-los. Vocês sabem que estamos sujeitos a essas situações, que fazem parte do nosso chamado.
(…)
Em qualquer situação, acordados com os vivos ou dormindo com os mortos, estamos vivos com ele!
1 Tessalonicenses 3. 3; 5. 10
Você já deve ter visto por aí inúmeros televangelistas, igrejas e religiões prometendo uma vida sem dor e sem sofrimento. Basta seguir determinado ritual, certas regras, realizar certo sacrifício e, pronto, a vida a partir dali será de tranquilidade.
Se não deu certo para você, o problema é seu. Algum pecado escondido, a falta de fé, não realizou o ritual corretamente - não importa: o culpado pelo seu sofrimento é você mesmo e mais ninguém.
A ideia de que realizar certas práticas seria suficiente para garantir uma bênção sem fim da Divindade e uma vida sem sofrimentos não é nova e, infelizmente, aparece em muitos contextos do Antigo Testamento - que são, aliás, a base do discurso religioso que explora tais ideias hoje em dia.
Claro que há textos, como o livro de Jó, em que não restam dúvidas de que o sofrimento, a dor, os problemas não derivam de nada que o fiel fez. São contingências da vida que atacam, inclusive, um homem dito como justo por Deus duas vezes no início de seu livro.
Para nós é mais fácil acreditar que há uma fórmula mágica de se enfrentar a dor e o sofrimento. Tantas orações, quantos sacrifícios, tais palavras mágicas e, por um milagre, a dor e o sofrimento se foi.
Para mim, o pior efeito da dor, do sofrimento e dos problemas é a sensação de transitoriedade que termina por fazer com que nada na vida seja encarado como real. Como sabemos que nenhuma dor, sofrimento ou problema dura para sempre, podemos ter a tendência de suspender a vida pelo tempo de sua duração. E aí deixamos de viver todos os momentos de verdade - somente como uma etapa, passageira e provisória, na direção do mundo sem dor.
A dor, o sofrimento e os problemas não são alienígenas de nossa existência e, ainda não durem para sempre, não justificam que vivamos a vida como provisória.
Não que os problemas devam surpreendê-los. Vocês sabem que estamos sujeitos a essas situações, que fazem parte do nosso chamado.
1 Tessalonicenses 3. 3
São parte da vida. Não uma parte fácil, não uma parte que seja natural saber lidar. Nada disso. A dor é parte da vida, mas não é fácil. Às vezes, vai nos sugar toda energia. Às vezes, vai nos deixar perdidos, sem saber como agir. Os problemas podem, inclusive, nos submergir. O sofrimento pode levar você ao fundo do poço.
Eles fazem parte da vida e Paulo nos informa que devemos estar prontos para quando eles acontecerem para não sermos surpreendidos.
Mas como é possível lidar com cada um deles?
Não vejo como ser possível afirmar que há somente um jeito de lidar com o sofrimento, mas podemos lidar com a dor a partir do momento que entendemos que ela faz parte da vida - não é uma intrusa que qualquer ritual vá fazer desaparecer e, nem sempre, ela emerge por culpa nossa.
Mas a fé em Jesus oferece um ponto de apoio fundamental para lidarmos com a dor, o sofrimento e com qualquer problema que nos sufoque:
Em qualquer situação, acordados com os vivos ou dormindo com os mortos, estamos vivos com ele!
1 Tessalonicenses 5. 10
Em qualquer situação, estamos vivos com Ele. A vida dEle vive em nós. A eternidade dentro de nosso ser.
Por pior que seja a dor, por maior que seja o problema, por incontrolável que seja o sofrimento, Ele está conosco. Nossa vida está nEle. É nEle que vivemos.
Mesmo que a estrada atravesse
o vale da Morte,
Não vou sentir medo de nada,
porque caminhas do meu lado.
Teu cajado fiel
me transmite segurança.
Salmo 23. 4
(…)
Em qualquer situação, acordados com os vivos ou dormindo com os mortos, estamos vivos com ele!
1 Tessalonicenses 3. 3; 5. 10
Você já deve ter visto por aí inúmeros televangelistas, igrejas e religiões prometendo uma vida sem dor e sem sofrimento. Basta seguir determinado ritual, certas regras, realizar certo sacrifício e, pronto, a vida a partir dali será de tranquilidade.
Se não deu certo para você, o problema é seu. Algum pecado escondido, a falta de fé, não realizou o ritual corretamente - não importa: o culpado pelo seu sofrimento é você mesmo e mais ninguém.
A ideia de que realizar certas práticas seria suficiente para garantir uma bênção sem fim da Divindade e uma vida sem sofrimentos não é nova e, infelizmente, aparece em muitos contextos do Antigo Testamento - que são, aliás, a base do discurso religioso que explora tais ideias hoje em dia.
Claro que há textos, como o livro de Jó, em que não restam dúvidas de que o sofrimento, a dor, os problemas não derivam de nada que o fiel fez. São contingências da vida que atacam, inclusive, um homem dito como justo por Deus duas vezes no início de seu livro.
Para nós é mais fácil acreditar que há uma fórmula mágica de se enfrentar a dor e o sofrimento. Tantas orações, quantos sacrifícios, tais palavras mágicas e, por um milagre, a dor e o sofrimento se foi.
Para mim, o pior efeito da dor, do sofrimento e dos problemas é a sensação de transitoriedade que termina por fazer com que nada na vida seja encarado como real. Como sabemos que nenhuma dor, sofrimento ou problema dura para sempre, podemos ter a tendência de suspender a vida pelo tempo de sua duração. E aí deixamos de viver todos os momentos de verdade - somente como uma etapa, passageira e provisória, na direção do mundo sem dor.
A dor, o sofrimento e os problemas não são alienígenas de nossa existência e, ainda não durem para sempre, não justificam que vivamos a vida como provisória.
Não que os problemas devam surpreendê-los. Vocês sabem que estamos sujeitos a essas situações, que fazem parte do nosso chamado.
1 Tessalonicenses 3. 3
São parte da vida. Não uma parte fácil, não uma parte que seja natural saber lidar. Nada disso. A dor é parte da vida, mas não é fácil. Às vezes, vai nos sugar toda energia. Às vezes, vai nos deixar perdidos, sem saber como agir. Os problemas podem, inclusive, nos submergir. O sofrimento pode levar você ao fundo do poço.
Eles fazem parte da vida e Paulo nos informa que devemos estar prontos para quando eles acontecerem para não sermos surpreendidos.
Mas como é possível lidar com cada um deles?
Não vejo como ser possível afirmar que há somente um jeito de lidar com o sofrimento, mas podemos lidar com a dor a partir do momento que entendemos que ela faz parte da vida - não é uma intrusa que qualquer ritual vá fazer desaparecer e, nem sempre, ela emerge por culpa nossa.
Mas a fé em Jesus oferece um ponto de apoio fundamental para lidarmos com a dor, o sofrimento e com qualquer problema que nos sufoque:
Em qualquer situação, acordados com os vivos ou dormindo com os mortos, estamos vivos com ele!
1 Tessalonicenses 5. 10
Em qualquer situação, estamos vivos com Ele. A vida dEle vive em nós. A eternidade dentro de nosso ser.
Por pior que seja a dor, por maior que seja o problema, por incontrolável que seja o sofrimento, Ele está conosco. Nossa vida está nEle. É nEle que vivemos.
Mesmo que a estrada atravesse
o vale da Morte,
Não vou sentir medo de nada,
porque caminhas do meu lado.
Teu cajado fiel
me transmite segurança.
Salmo 23. 4
16.1.17
Mais importante que tudo
Sim, todas as coisas que um dia considerei importantes nada mais valem na minha vida. Comparado com o alto privilégio de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor, em primeira mão, tudo o mais é insignificante — esterco. Joguei tudo no lixo para abraçar Cristo e ser abraçado por ele.
Filipenses 3.8-9
Em setembro de 1996, aos 17 anos, eu enfrentava uma crise existencial, talvez típica da adolescência. A morte de um colega de escola em um acidente de carro fez a crise aprofundar. Tudo estava em crise para mim, a partir da fé e do modo de ver a vida. Ali eu era um adolescente espírita que colocava em xeque sua própria concepção de Deus.
No feriado de 7 de setembro, fui para um acampamento evangélico. Aquela foi a experiência arrebatadora e transformadora da minha vida - aquilo que costumamos chamar de conversão.
Lembro que na noite do sábado, 7, eu fui dormir me sentindo incomodado porque havia uma doce alegria no ar, ela me envolvia, eu me via alegre, mas parecia que ela não era capaz de entrar no meu coração. Todas aquelas experiências me faziam cantar, quando sozinho no acampamento, uma canção que aprendi na escola: “Meu Deus é bom para mim/ comigo vai/ tão forte brilha o sol e a chuva cai/ amor tão grande assim/ só Cristo tem por mim/ direi até o fim:/ Meu Deus é bom para mim”.
Na manhã do domingo, minha cabeça girava em mil ideias - mas todas elas me impulsionando a um desejo e uma vontade cada vez mais incontrolável: deixar tudo de lado para abraçar e seguir Cristo. Queria sentir aquela alegria entrar em mim e em meu coração!
Foi a primeira vez que tive em mim o mesmo sentimento que Paulo expressa aos Filipenses:
Sim, todas as coisas que um dia considerei importantes nada mais valem na minha vida. Comparado com o alto privilégio de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor, em primeira mão, tudo o mais é insignificante — esterco. Joguei tudo no lixo para abraçar Cristo e ser abraçado por ele.
Deparar-se com Jesus, com o Deus bom e amoroso, muda as prioridades de nossa vida. Experimentar o Deus vivo brilhando, vibrando, amando dentro de nós é um impulso incontrolável para que nos rendamos e mudemos as prioridades do nosso viver. Viver é Cristo e somente Cristo! Tudo o mais é esterco.
Falei que em 1996 aquela foi a minha primeira experiência. Houve outras. Isso para mim significou sempre que a decisão de "abraçar Cristo e ser abraçado por ele” não é única e de uma vez por todas.
Somos lembrados todos os dias para deixar a alegria entrar no coração, considerar Jesus como mais importante que tudo e, todos os dias, mais uma vez abraçá-lo e deixar-se abraçar por ele.
Além disso, há aqueles momentos em que diversas circunstâncias da vida nos afastam desse abraço. Eu tive alguns desses momentos na vida - seguidos de novas descobertas do amor sem fim de Jesus e do seu abraço carinhoso.
Um desses momentos ocorreu em 2013, na cidade de Fortaleza. No fundo de uma rede, eu me perguntava sobre o sentido da vida. A partir dali, comecei um novo processo de conversão. Converti-me novamente ao Senhor - entreguei meu coração a ele de novo. Pouco a pouco, voltei a entender que tudo o mais é esterco diante do amor de Jesus.
Esse é o meu momento de novo - após passar pela pior das crises pessoais, juntando os pedaços, redescobrindo que Jesus é mais importante do quaisquer outras coisas. Abraçá-lo e deixar-se abraçar por ele.
Quando estiver em pedaços, relembre que cada pedaço é esterco diante de Jesus, de seu amor, de sua vida em nós. Essa ressurreição está disponível para todos nós.
Sim, todas as coisas que um dia considerei importantes nada mais valem na minha vida. Comparado com o alto privilégio de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor, em primeira mão, tudo o mais é insignificante — esterco. Joguei tudo no lixo para abraçar Cristo e ser abraçado por ele.
Filipenses 3.8-9
Em setembro de 1996, aos 17 anos, eu enfrentava uma crise existencial, talvez típica da adolescência. A morte de um colega de escola em um acidente de carro fez a crise aprofundar. Tudo estava em crise para mim, a partir da fé e do modo de ver a vida. Ali eu era um adolescente espírita que colocava em xeque sua própria concepção de Deus.
No feriado de 7 de setembro, fui para um acampamento evangélico. Aquela foi a experiência arrebatadora e transformadora da minha vida - aquilo que costumamos chamar de conversão.
Lembro que na noite do sábado, 7, eu fui dormir me sentindo incomodado porque havia uma doce alegria no ar, ela me envolvia, eu me via alegre, mas parecia que ela não era capaz de entrar no meu coração. Todas aquelas experiências me faziam cantar, quando sozinho no acampamento, uma canção que aprendi na escola: “Meu Deus é bom para mim/ comigo vai/ tão forte brilha o sol e a chuva cai/ amor tão grande assim/ só Cristo tem por mim/ direi até o fim:/ Meu Deus é bom para mim”.
Na manhã do domingo, minha cabeça girava em mil ideias - mas todas elas me impulsionando a um desejo e uma vontade cada vez mais incontrolável: deixar tudo de lado para abraçar e seguir Cristo. Queria sentir aquela alegria entrar em mim e em meu coração!
Foi a primeira vez que tive em mim o mesmo sentimento que Paulo expressa aos Filipenses:
Sim, todas as coisas que um dia considerei importantes nada mais valem na minha vida. Comparado com o alto privilégio de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor, em primeira mão, tudo o mais é insignificante — esterco. Joguei tudo no lixo para abraçar Cristo e ser abraçado por ele.
Deparar-se com Jesus, com o Deus bom e amoroso, muda as prioridades de nossa vida. Experimentar o Deus vivo brilhando, vibrando, amando dentro de nós é um impulso incontrolável para que nos rendamos e mudemos as prioridades do nosso viver. Viver é Cristo e somente Cristo! Tudo o mais é esterco.
Falei que em 1996 aquela foi a minha primeira experiência. Houve outras. Isso para mim significou sempre que a decisão de "abraçar Cristo e ser abraçado por ele” não é única e de uma vez por todas.
Somos lembrados todos os dias para deixar a alegria entrar no coração, considerar Jesus como mais importante que tudo e, todos os dias, mais uma vez abraçá-lo e deixar-se abraçar por ele.
Além disso, há aqueles momentos em que diversas circunstâncias da vida nos afastam desse abraço. Eu tive alguns desses momentos na vida - seguidos de novas descobertas do amor sem fim de Jesus e do seu abraço carinhoso.
Um desses momentos ocorreu em 2013, na cidade de Fortaleza. No fundo de uma rede, eu me perguntava sobre o sentido da vida. A partir dali, comecei um novo processo de conversão. Converti-me novamente ao Senhor - entreguei meu coração a ele de novo. Pouco a pouco, voltei a entender que tudo o mais é esterco diante do amor de Jesus.
Esse é o meu momento de novo - após passar pela pior das crises pessoais, juntando os pedaços, redescobrindo que Jesus é mais importante do quaisquer outras coisas. Abraçá-lo e deixar-se abraçar por ele.
Quando estiver em pedaços, relembre que cada pedaço é esterco diante de Jesus, de seu amor, de sua vida em nós. Essa ressurreição está disponível para todos nós.
Sim, todas as coisas que um dia considerei importantes nada mais valem na minha vida. Comparado com o alto privilégio de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor, em primeira mão, tudo o mais é insignificante — esterco. Joguei tudo no lixo para abraçar Cristo e ser abraçado por ele.
15.1.17
Glória, pecado, perdão
E proclamavam uns aos outros:
“Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos de Anjos.
Sua glória deslumbrante enche toda a terra”.
Isaías 6. 3
O ser humano finito que se depara com a Santidade de Deus, a Realidade Última da Existência, a Sua ação poderosa e amorosa, sofre um impacto imensurável.
Foi assim, por exemplo, no episódio da pesca maravilhosa conforme contada por Lucas. Após testemunhar o milagre, Pedro ficou atônito (Lc. 5. 8):
Assim que presenciou aquilo, Simão Pedro ajoelhou-se diante de Jesus e pediu: “Senhor, afaste-se de mim. Sou um pecador e o senhor é santo demais para mim. Deixe-me sozinho”.
Deparar-se com Deus sempre representou um pavor de morte: como pode viver um pecador diante do Deus vivo e santo?
No relato de Juízes sobre Gideão (6), o mesmo sentimento de pavor se faz sentir quando o futuro juiz de Israel compreende que está diante do Senhor (Jz 6. 21-23):
O anjo do Eterno estendeu a ponta do cajado que carregava e tocou a carne e o pão. Na mesma hora, saíram chamas da pedra, e elas queimaram a carne e o pão, enquanto o anjo do Eterno sumia de vista. Gideão finalmente entendeu que aquele era o anjo do Eterno!
Gideão disse: “Ah! Senhor, Eterno! Eu vi teu anjo face a face!”.
Mas o Eterno o tranquilizou: “Não se preocupe. Não se apavore. Você não morrerá”.
Estar diante do Santo é perceber-se pecador. A luz que brilha na santidade, revela os recônditos da alma, faz parecer que os nossos piores e mais sujos segredos estão revelados, expostos em braça pública. A sensação é de que morreremos diante do Santo.
No livro de Êxodo (33), Moisés pede a Deus para ver a sua face, mas não era possível que isso se desse (Ex 33. 18-20):
Moisés, então, disse: “Por favor, permita que eu veja a tua glória”.
O Eterno respondeu: “Farei passar minha bondade diante de você. Pronunciarei o nome, o Eterno, bem na sua frente. Tratarei bem os que eu quiser tratar bem e serei bom com quem eu quiser ser bom”.
O Eterno continuou: “Mas você não poderá ver meu rosto. Ninguém pode me ver e continuar vivo”.
Estar na presença de Deus foi, para esses homens, temível. Prostraram-se aterrorizados. Isaías ainda afirma (Is. 6. 5):
Eu disse:
“Juízo! É o dia do juízo!
Estou perdido!
Cada palavra que falei na vida era podridão,
soou como blasfêmia!
E o povo com que vivo fala da mesma maneira,
são palavras que corrompem e profanam.
E agora olhei diretamente para Deus!
O Rei! O Senhor dos Exércitos de Anjos!”
A maravilha desse Deus cuja glória resplandece em toda a terra, que revela à sua luz os nossos piores segredos, que nos mostra diante dEle a nossa limitação e fragilidade, é que Ele estende a mão, perdoando (Is. 6. 6):
Então, um dos serafins voou até mim. Ele segurava na mão uma brasa que havia tirado do altar com uma tenaz. Tocou minha boca com ela e disse:
“Esta brasa tocou seus lábios.
Sua culpa se foi,
seus pecados foram apagados”.
O toque do perdão é o mesmo toque que nos impulsiona ao serviço - “Eu irei. Envia-me!” (Is. 6. 8).
Esse é o pano de fundo ideal para entendermos a riqueza da glória de Deus que se manifesta inteira e unicamente em Jesus Cristo. Nele reconhecemos a sua glória. Ele expõe os nossos segredos sujos - aos seus olhos, tudo está revelado. Ele é a face de Deus que podemos olhar sem temer a morte porque assumiu a nossa humanidade para que isso se tornasse possível.
A face visível de Deus é amor, perdão, restauração. É o toque nos lábios que apaga a culpa, faz esquecer o pecado, santifica a vida, enche o coração e, na dimensão do toque amoroso, nos leva ao serviço em amor.
Em Jesus, o temor e o pavor de morte que impactam os mortais pecadores em sua relação com Deus não têm mais sentido. Em Jesus, o que tem sentido é encontrar um Deus que ama, perdoa e acolhe, mesmo o pior dentre todos nós.
Mas Cristo nos uniu por meio de sua morte na cruz. A cruz nos leva a abraçar uns aos outros, e faz cessar a hostilidade. Cristo veio e pregou a paz a estrangeiros como vocês, que não são judeus, e também aos judeus, que já conheciam Deus. Ele nos tratou como iguais e nos fez iguais. Por meio dele, compartilhamos do mesmo Espírito e temos igual acesso ao Pai.
Efésios 2. 16-18
“Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos de Anjos.
Sua glória deslumbrante enche toda a terra”.
Isaías 6. 3
O ser humano finito que se depara com a Santidade de Deus, a Realidade Última da Existência, a Sua ação poderosa e amorosa, sofre um impacto imensurável.
Foi assim, por exemplo, no episódio da pesca maravilhosa conforme contada por Lucas. Após testemunhar o milagre, Pedro ficou atônito (Lc. 5. 8):
Assim que presenciou aquilo, Simão Pedro ajoelhou-se diante de Jesus e pediu: “Senhor, afaste-se de mim. Sou um pecador e o senhor é santo demais para mim. Deixe-me sozinho”.
Deparar-se com Deus sempre representou um pavor de morte: como pode viver um pecador diante do Deus vivo e santo?
No relato de Juízes sobre Gideão (6), o mesmo sentimento de pavor se faz sentir quando o futuro juiz de Israel compreende que está diante do Senhor (Jz 6. 21-23):
O anjo do Eterno estendeu a ponta do cajado que carregava e tocou a carne e o pão. Na mesma hora, saíram chamas da pedra, e elas queimaram a carne e o pão, enquanto o anjo do Eterno sumia de vista. Gideão finalmente entendeu que aquele era o anjo do Eterno!
Gideão disse: “Ah! Senhor, Eterno! Eu vi teu anjo face a face!”.
Mas o Eterno o tranquilizou: “Não se preocupe. Não se apavore. Você não morrerá”.
Estar diante do Santo é perceber-se pecador. A luz que brilha na santidade, revela os recônditos da alma, faz parecer que os nossos piores e mais sujos segredos estão revelados, expostos em braça pública. A sensação é de que morreremos diante do Santo.
No livro de Êxodo (33), Moisés pede a Deus para ver a sua face, mas não era possível que isso se desse (Ex 33. 18-20):
Moisés, então, disse: “Por favor, permita que eu veja a tua glória”.
O Eterno respondeu: “Farei passar minha bondade diante de você. Pronunciarei o nome, o Eterno, bem na sua frente. Tratarei bem os que eu quiser tratar bem e serei bom com quem eu quiser ser bom”.
O Eterno continuou: “Mas você não poderá ver meu rosto. Ninguém pode me ver e continuar vivo”.
Estar na presença de Deus foi, para esses homens, temível. Prostraram-se aterrorizados. Isaías ainda afirma (Is. 6. 5):
Eu disse:
“Juízo! É o dia do juízo!
Estou perdido!
Cada palavra que falei na vida era podridão,
soou como blasfêmia!
E o povo com que vivo fala da mesma maneira,
são palavras que corrompem e profanam.
E agora olhei diretamente para Deus!
O Rei! O Senhor dos Exércitos de Anjos!”
A maravilha desse Deus cuja glória resplandece em toda a terra, que revela à sua luz os nossos piores segredos, que nos mostra diante dEle a nossa limitação e fragilidade, é que Ele estende a mão, perdoando (Is. 6. 6):
Então, um dos serafins voou até mim. Ele segurava na mão uma brasa que havia tirado do altar com uma tenaz. Tocou minha boca com ela e disse:
“Esta brasa tocou seus lábios.
Sua culpa se foi,
seus pecados foram apagados”.
O toque do perdão é o mesmo toque que nos impulsiona ao serviço - “Eu irei. Envia-me!” (Is. 6. 8).
Esse é o pano de fundo ideal para entendermos a riqueza da glória de Deus que se manifesta inteira e unicamente em Jesus Cristo. Nele reconhecemos a sua glória. Ele expõe os nossos segredos sujos - aos seus olhos, tudo está revelado. Ele é a face de Deus que podemos olhar sem temer a morte porque assumiu a nossa humanidade para que isso se tornasse possível.
A face visível de Deus é amor, perdão, restauração. É o toque nos lábios que apaga a culpa, faz esquecer o pecado, santifica a vida, enche o coração e, na dimensão do toque amoroso, nos leva ao serviço em amor.
Em Jesus, o temor e o pavor de morte que impactam os mortais pecadores em sua relação com Deus não têm mais sentido. Em Jesus, o que tem sentido é encontrar um Deus que ama, perdoa e acolhe, mesmo o pior dentre todos nós.
Mas Cristo nos uniu por meio de sua morte na cruz. A cruz nos leva a abraçar uns aos outros, e faz cessar a hostilidade. Cristo veio e pregou a paz a estrangeiros como vocês, que não são judeus, e também aos judeus, que já conheciam Deus. Ele nos tratou como iguais e nos fez iguais. Por meio dele, compartilhamos do mesmo Espírito e temos igual acesso ao Pai.
Efésios 2. 16-18
14.1.17
O Amor que salva
Vocês conhecem a graça generosa do Senhor Jesus Cristo. Ele era rico, mas deu tudo por nós. Tornou-se pobre para que nós nos tornássemos ricos.
2 Coríntios 8. 9
O nome do Amor é entrega.
François Varillon dizia que Deus é o Amor Todo-Poderoso e que Ele era capaz de fazer qualquer coisa que o Amor fosse capaz de fazer. O Seu Poder está restrito ao Seu Amor. Afinal, “Deus é amor” (1 Jo 4. 8), provavelmente a melhor definição conceitual de Sua Pessoa nas Escrituras.
Mas a melhor história de amor de Deus, que fatalmente confirma o Seu Amor Todo-Poderoso, é a Encarnação de Jesus.
Jesus é reconhecido pelos primeiros cristãos como Aquele em quem estava toda a plenitude da Divindade (Cl 2. 9), a perfeita semelhança de Deus (Hb. 1. 3) que montou sua tenda entre nós na pessoa de seu Filho (Jo. 1. 14). Deus só pode ser visto quando olhamos para Jesus.
Para viver essa história de Amor e de Entrega, Jesus se esvaziou de si mesmo (Fp. 2. 6-8). O seu esvaziar-se é sua entrega. Sua entrega é o Amor que salva.
Vocês conhecem a graça generosa do Senhor Jesus Cristo. Ele era rico, mas deu tudo por nós. Tornou-se pobre para que nós nos tornássemos ricos.
A salvação começa no Amor que se entrega e que, para se entregar, se esvazia. Era rico, mas deu tudo por amor a nós. Tornou-se pobre para que, pela graça, fossemos ricos do seu amor.
O Amor que salva é o amor que se entrega integralmente ao ser amado.
O Amor que salva é o amor que não tem por seu nenhuma coisa, mas vive em função do outro, para resgatá-lo, transformá-lo.
O Amor que salva é o amor que vê o outro em primeiro lugar. É o que toca o outro e, ao tocá-lo, muda o outro.
O Amor que salva é o amor que relativiza as leis, as regras e a moral em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que risca a terra e liberta a adultera - não só do seu pecado, mas especialmente do destino a que lhe reservou a lei escrita.
O Amor que salva é o amor que se torna impuro, tocando a mulher do fluxo de sangue, o esquife do filho da viúva, a mão da filha de Jairo - torna-se impuro pela cura e salvação.
O Amor que salva é o amor que faz no sábado o que a lei proíbe porque o sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.
O Amor que salva é o amor que partilha a mesa com pecadores e a escória social, porque amor só é amor se amar aquele que ninguém mais ama.
O Amor que salva é o amor da entrega radical e absoluta, do esvaziamento completo, do empobrecimento em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que enche de graça o mundo. Enche de beleza, de paz, de liberdade, de inspiração, de amor.
O Amor que salva é o amor que nos impulsiona a irmos e fazermos coisas ainda maiores que essas.
O Amor que salva é o amor que nos faz amar - com entrega, esvaziamento, empobrecimento -, e, amando, vivermos mergulhados no Rio de Amor, que pode ser a nossa forma de conhecer a Deus.
2 Coríntios 8. 9
O nome do Amor é entrega.
François Varillon dizia que Deus é o Amor Todo-Poderoso e que Ele era capaz de fazer qualquer coisa que o Amor fosse capaz de fazer. O Seu Poder está restrito ao Seu Amor. Afinal, “Deus é amor” (1 Jo 4. 8), provavelmente a melhor definição conceitual de Sua Pessoa nas Escrituras.
Mas a melhor história de amor de Deus, que fatalmente confirma o Seu Amor Todo-Poderoso, é a Encarnação de Jesus.
Jesus é reconhecido pelos primeiros cristãos como Aquele em quem estava toda a plenitude da Divindade (Cl 2. 9), a perfeita semelhança de Deus (Hb. 1. 3) que montou sua tenda entre nós na pessoa de seu Filho (Jo. 1. 14). Deus só pode ser visto quando olhamos para Jesus.
Para viver essa história de Amor e de Entrega, Jesus se esvaziou de si mesmo (Fp. 2. 6-8). O seu esvaziar-se é sua entrega. Sua entrega é o Amor que salva.
Vocês conhecem a graça generosa do Senhor Jesus Cristo. Ele era rico, mas deu tudo por nós. Tornou-se pobre para que nós nos tornássemos ricos.
A salvação começa no Amor que se entrega e que, para se entregar, se esvazia. Era rico, mas deu tudo por amor a nós. Tornou-se pobre para que, pela graça, fossemos ricos do seu amor.
O Amor que salva é o amor que se entrega integralmente ao ser amado.
O Amor que salva é o amor que não tem por seu nenhuma coisa, mas vive em função do outro, para resgatá-lo, transformá-lo.
O Amor que salva é o amor que vê o outro em primeiro lugar. É o que toca o outro e, ao tocá-lo, muda o outro.
O Amor que salva é o amor que relativiza as leis, as regras e a moral em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que risca a terra e liberta a adultera - não só do seu pecado, mas especialmente do destino a que lhe reservou a lei escrita.
O Amor que salva é o amor que se torna impuro, tocando a mulher do fluxo de sangue, o esquife do filho da viúva, a mão da filha de Jairo - torna-se impuro pela cura e salvação.
O Amor que salva é o amor que faz no sábado o que a lei proíbe porque o sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.
O Amor que salva é o amor que partilha a mesa com pecadores e a escória social, porque amor só é amor se amar aquele que ninguém mais ama.
O Amor que salva é o amor da entrega radical e absoluta, do esvaziamento completo, do empobrecimento em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que enche de graça o mundo. Enche de beleza, de paz, de liberdade, de inspiração, de amor.
O Amor que salva é o amor que nos impulsiona a irmos e fazermos coisas ainda maiores que essas.
O Amor que salva é o amor que nos faz amar - com entrega, esvaziamento, empobrecimento -, e, amando, vivermos mergulhados no Rio de Amor, que pode ser a nossa forma de conhecer a Deus.
12.1.17
A morte foi derrotada
Finalmente foi a Morte derrotada pela Vida!
1 Coríntios 15. 54
O francés Michel Henry diz que a verdade do cristianismo não é o túmulo vazio, ou a encarnação, ou a morte de Jesus. Henry diz que a verdade do cristianismo é que homens e mulheres acreditaram que Jesus, morto na cruz no conluio entre religiosos e romanos, ressuscitou e está vivo. Há uma sutil diferença, mas uma diferença que pode impactar tudo: o fundamental não é o túmulo vazio mas a experiência de que Jesus está vivo.
Eu posso encontrar o túmulo vazio, posso comprovar a ressurreição e posso nunca ter a experiência de que Jesus está vivo.
Crer que a verdade do cristianismo é o fato histórico da ressurreição pode nos conduzir a uma desenfreada busca por encontrar provas de que ela houve. A possibilidade dessa busca racional me afastar da experiência espiritual com o Jesus vivo é concreta.
Crer que a verdade do cristianismo é a fé de que Jesus está vivo pode mudar nossas vidas. Sou cristão porque creio que Ele está vivo.
Ter a experiência de que Jesus está vivo é vencer a morte no dia a dia. Porque, “finalmente foi a morte derrotada pela vida!”
Impossível para mim não comparar tais questões ao meu recente quadro de saúde.
Pela quarta vez em oito anos eu vivenciei um ciclo depressivo - dessa vez, o mais grave, não apenas pela reincidência como também pelo enorme tempo que eu levei para iniciar um tratamento de verdade.
Entre setembro e novembro de 2016 a situação ficou ainda mais grave e eu confesso ter perdido as contas das minhas tentativas de morrer. Entrei em tratamento médico apenas no fim de outubro.
Sem muito esforço, ao esticar meus dedos, eu era capaz de tocar a morte naqueles dias. Sentia a minha vida frágil, por um fio, e foi muito difícil não sucumbir. A única imagem que me vinha como comparação da fragilidade de minha vida naqueles dias eram os últimos dias de vida de minha avó, em 2015, quando a gente via sua vida se esvaindo, e um pequeno fio cada vez mais frágil segurando-a por aqui.
A morte era vívida. E doía muito.
Como se sai desse cenário de morte?
O caminho é múltiplo (tratamento médico, psicológico, amor, amizade), mas todos eles apontam para o fato de que, em Jesus, a morte foi derrotada pela vida!
Lembro de um domingo, em um dos meus piores momentos, em que cheguei em uma igreja e escrevi um pedido de oração: Cura. Após o culto, fomos a uma lanchonete e comecei a me incomodar enormemente com aquela situação: tudo parecia muito vivo e divertido, mas para mim estava absolutamente sem graça. Sai de lá amaldiçoando a doença e dizendo a um amigo que não aguentava mais estar doente e achar sem graça momentos tão bons como aquele.
A vida estava chamando.
Dali por diante, a vida, e não mais a morte, me envolveu com seus braços amorosos.
A experiência de Jesus vivo, vencedor da morte, voltou a fazer sentido para mim.
Naquela noite, na minha vida, a morte foi derrotada.
A vida anuncia
que renuncia à morte
(Perdoando o Adeus, O Teatro Mágico)
1 Coríntios 15. 54
O francés Michel Henry diz que a verdade do cristianismo não é o túmulo vazio, ou a encarnação, ou a morte de Jesus. Henry diz que a verdade do cristianismo é que homens e mulheres acreditaram que Jesus, morto na cruz no conluio entre religiosos e romanos, ressuscitou e está vivo. Há uma sutil diferença, mas uma diferença que pode impactar tudo: o fundamental não é o túmulo vazio mas a experiência de que Jesus está vivo.
Eu posso encontrar o túmulo vazio, posso comprovar a ressurreição e posso nunca ter a experiência de que Jesus está vivo.
Crer que a verdade do cristianismo é o fato histórico da ressurreição pode nos conduzir a uma desenfreada busca por encontrar provas de que ela houve. A possibilidade dessa busca racional me afastar da experiência espiritual com o Jesus vivo é concreta.
Crer que a verdade do cristianismo é a fé de que Jesus está vivo pode mudar nossas vidas. Sou cristão porque creio que Ele está vivo.
Ter a experiência de que Jesus está vivo é vencer a morte no dia a dia. Porque, “finalmente foi a morte derrotada pela vida!”
Impossível para mim não comparar tais questões ao meu recente quadro de saúde.
Pela quarta vez em oito anos eu vivenciei um ciclo depressivo - dessa vez, o mais grave, não apenas pela reincidência como também pelo enorme tempo que eu levei para iniciar um tratamento de verdade.
Entre setembro e novembro de 2016 a situação ficou ainda mais grave e eu confesso ter perdido as contas das minhas tentativas de morrer. Entrei em tratamento médico apenas no fim de outubro.
Sem muito esforço, ao esticar meus dedos, eu era capaz de tocar a morte naqueles dias. Sentia a minha vida frágil, por um fio, e foi muito difícil não sucumbir. A única imagem que me vinha como comparação da fragilidade de minha vida naqueles dias eram os últimos dias de vida de minha avó, em 2015, quando a gente via sua vida se esvaindo, e um pequeno fio cada vez mais frágil segurando-a por aqui.
A morte era vívida. E doía muito.
Como se sai desse cenário de morte?
O caminho é múltiplo (tratamento médico, psicológico, amor, amizade), mas todos eles apontam para o fato de que, em Jesus, a morte foi derrotada pela vida!
Lembro de um domingo, em um dos meus piores momentos, em que cheguei em uma igreja e escrevi um pedido de oração: Cura. Após o culto, fomos a uma lanchonete e comecei a me incomodar enormemente com aquela situação: tudo parecia muito vivo e divertido, mas para mim estava absolutamente sem graça. Sai de lá amaldiçoando a doença e dizendo a um amigo que não aguentava mais estar doente e achar sem graça momentos tão bons como aquele.
A vida estava chamando.
Dali por diante, a vida, e não mais a morte, me envolveu com seus braços amorosos.
A experiência de Jesus vivo, vencedor da morte, voltou a fazer sentido para mim.
Naquela noite, na minha vida, a morte foi derrotada.
A vida anuncia
que renuncia à morte
(Perdoando o Adeus, O Teatro Mágico)
7.1.17
No coração quebrantado
O coração quebrantado, disposto a amar,
não escapa, nem por um minuto, da percepção de Deus.
Salmo 51.17
Dizem que conhecer a opulência de Roma em seu tempo teve profundo impacto em Francisco de Assis. Havia um contraste imenso entre o que ele e sua ordem entendia do evangelho (como a necessidade de imitar a pobreza de Cristo) e a riqueza da corte do Vaticano.
Aquela riqueza era sinal de poder, mas manifestava também uma certa concepção de relacionamento com Deus. Basicamente, uma visão que atribui aos templos um lugar especial para nos encontremos com o Senhor, que lida com os bens como manifestação de sua graça e com a riqueza como demonstração de sua majestade.
Em suma, a meu ver, esse contraste atualiza a conversa entre Jesus e a mulher samaritana (Jo. 4). O debate é sobre onde e de que forma deve ser o culto e o relacionamento com Deus: na simplicidade ou na opulência? Na basílica ou na caverna? Com ouro ou com madeira?
O que conta para Deus é quem você é e como vive. Seu culto deve envolver o seu espírito na busca da verdade. Este é o tipo de gente que o Pai está procurando: aquele que é simples e honesto na presença dele, em seu culto. Deus é Espírito, e quem o adora deve fazê-lo de maneira genuína, algo que venha do espírito, do mais íntimo do ser.
João 4. 22-23
Jesus esclarece definitivamente: a relação com Deus é espírito, não depende nem se relaciona a nenhuma forma exterior, nenhum templo, nenhuma regra - se relaciona unicamente ao coração. É no coração que nos encontramos com o Deus de Jesus.
E o caminho começa com aquilo que diz o Salmista:
O coração quebrantado, disposto a amar,
não escapa, nem por um minuto, da percepção de Deus.
O caminho começa com um coração que se quebranta, que não é orgulhoso, que conhece a si mesmo, que sabe suas próprias falhas, que reconhece sua fragilidade e sua ignorância. Um coração que chora porque dói, mas se alegra porque é grato. Um coração que reconhece e confessa os pecados, que aceita o perdão. Um coração, em suma, que abraça a humanidade sem discutir muitas coisas.
Esse é um coração disposto a amar porque é um coração que se sabe nenhum pouco melhor do que ninguém. Um coração que reconhece seu lugar, sua pessoa, que sabe de si e, sabendo de si, pode mergulhar em uma relação amorosa com Deus e com o próximo.
É esse coração que não pode se esconder do olhar amoroso de Deus, que não escapa de sua graça, de seu cuidado. É esse coração que Deus encontra. É nesse coração que a graça e a verdade se beijam. É aí que há culto, que há celebração, que há gozo, que há paz.
É no coração quebrantado e alcançado por Deus que Senhor mergulhar para se relacionar conosco, nos amar, nos tocar, promover a festa de um culto que seja verdadeira adoração e que nos impulsione, a cada instante, para a vida verdadeira - a vida que foi tocada e movida pela eternidade.
não escapa, nem por um minuto, da percepção de Deus.
Salmo 51.17
Dizem que conhecer a opulência de Roma em seu tempo teve profundo impacto em Francisco de Assis. Havia um contraste imenso entre o que ele e sua ordem entendia do evangelho (como a necessidade de imitar a pobreza de Cristo) e a riqueza da corte do Vaticano.
Aquela riqueza era sinal de poder, mas manifestava também uma certa concepção de relacionamento com Deus. Basicamente, uma visão que atribui aos templos um lugar especial para nos encontremos com o Senhor, que lida com os bens como manifestação de sua graça e com a riqueza como demonstração de sua majestade.
Em suma, a meu ver, esse contraste atualiza a conversa entre Jesus e a mulher samaritana (Jo. 4). O debate é sobre onde e de que forma deve ser o culto e o relacionamento com Deus: na simplicidade ou na opulência? Na basílica ou na caverna? Com ouro ou com madeira?
O que conta para Deus é quem você é e como vive. Seu culto deve envolver o seu espírito na busca da verdade. Este é o tipo de gente que o Pai está procurando: aquele que é simples e honesto na presença dele, em seu culto. Deus é Espírito, e quem o adora deve fazê-lo de maneira genuína, algo que venha do espírito, do mais íntimo do ser.
João 4. 22-23
Jesus esclarece definitivamente: a relação com Deus é espírito, não depende nem se relaciona a nenhuma forma exterior, nenhum templo, nenhuma regra - se relaciona unicamente ao coração. É no coração que nos encontramos com o Deus de Jesus.
E o caminho começa com aquilo que diz o Salmista:
O coração quebrantado, disposto a amar,
não escapa, nem por um minuto, da percepção de Deus.
O caminho começa com um coração que se quebranta, que não é orgulhoso, que conhece a si mesmo, que sabe suas próprias falhas, que reconhece sua fragilidade e sua ignorância. Um coração que chora porque dói, mas se alegra porque é grato. Um coração que reconhece e confessa os pecados, que aceita o perdão. Um coração, em suma, que abraça a humanidade sem discutir muitas coisas.
Esse é um coração disposto a amar porque é um coração que se sabe nenhum pouco melhor do que ninguém. Um coração que reconhece seu lugar, sua pessoa, que sabe de si e, sabendo de si, pode mergulhar em uma relação amorosa com Deus e com o próximo.
É esse coração que não pode se esconder do olhar amoroso de Deus, que não escapa de sua graça, de seu cuidado. É esse coração que Deus encontra. É nesse coração que a graça e a verdade se beijam. É aí que há culto, que há celebração, que há gozo, que há paz.
É no coração quebrantado e alcançado por Deus que Senhor mergulhar para se relacionar conosco, nos amar, nos tocar, promover a festa de um culto que seja verdadeira adoração e que nos impulsione, a cada instante, para a vida verdadeira - a vida que foi tocada e movida pela eternidade.
5.1.17
Pés no chão
Por que estão parados, olhando para o céu?
Atos 1. 11
Por que seguir Jesus? Qual a razão de termos um compromisso com Deus a partir da compreensão cristã de que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus? Quais as nossas motivações para sermos cristãos?
O livro de Atos, segunda parte do relato de Lucas - que começou no evangelho, começa com a despedida de Jesus Ressurrecto de seus discípulos. Jesus informa sobre a vinda do Espírito Santo sobre sua comunidade e o seu papel na missão que esta comunidade tem a desempenhar - “Vocês vão receber o Espírito Santo e, quando ele vier, vocês serão minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até mesmo os confins da terra” (At. 1. 8).
Após isso, os discípulos virão Jesus subir aos céus e desaparecer nas nuvens - ao mesmo tempo dois homens, que identificamos como anjos, se postam ao seu lado e os questionam:
Por que estão parados, olhando para o céu?
Qual a razão de seguir Jesus?
Não tenho dúvidas que se fizesse uma enquete e contasse com a honestidade de cristãos, em geral, as respostas circulariam em torno da salvação da alma do inferno e o benefício nesta vida em forma de bens, saúde, felicidade. Em quaisquer casos, me parece, a tendência dos cristãos é alienar-se do mundo, da vida presente, empurrando toda e qualquer consequência ou objetivo de sua ação religiosa ou para bênçãos ou, mais frequentemente, para o pós-morte.
Quando pensam em Espírito Santo, falam de dons, de revelações, curas.
Em outras palavras, como seguidores de Jesus vivemos olhando para o céu. Lembro de uma canção antiga em que a cantora enfatizava que queria ir para lá e lamentava não poder ainda estar lá - lá, no caso, era o céu.
Essas ideias não combinam com o que o Novo Testamento nos fala sobre ser seguidor de Jesus, em particular no texto que eu destaquei.
Em primeiro lugar, seguir a Jesus tem a ver com entender que o Espírito Santo está conosco como o Poder de Deus para nos impulsionar à missão a que o Mestre nos chamou. O Espírito está conosco para nos estimular de que vale a pena viver por essa causa - é uma causa pela qual vale a pena viver e, eventualmente, valeria a pena morrer. Ele é a energia dentro de nós para dizer: o evangelho de Jesus é o melhor projeto de vida, não encontraria nada melhor que seguí-Lo e preciso contar isso a outras pessoas, seja em Jerusalém, Judéia, Samaria ou nos confins do mundo conhecido. É o Espírito que nos diz: vale a pena.
Além disso, as palavras dos anjos devem servir para que compreendamos: olhar para o céu é perda de tempo. Seguir Jesus é ser chamado à vida e a vida acontece aqui e agora. Tire os olhos dos céus e coloque os dois pés firmes na terra.
Não somos chamados para seguir Jesus nem recebemos o Espírito Santo para esquecermos de viver neste mundo, manifestando o evangelho neste lugar, dizendo a todos que vale a pena seguir Jesus, vale a pena viver por Ele e para Ele - que a vida, não a morte ou o céu, é melhor andando com Jesus e com o seu Espírito a encher nosso coração.
Por que valeria a pena decidir-se pelo seguimento a Jesus? Porque a vida é mais rica e mais vida ao lado dele, na dimensão do Espírito Santo e o impulsionado por Ele todos os dias.
Atos 1. 11
Por que seguir Jesus? Qual a razão de termos um compromisso com Deus a partir da compreensão cristã de que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus? Quais as nossas motivações para sermos cristãos?
O livro de Atos, segunda parte do relato de Lucas - que começou no evangelho, começa com a despedida de Jesus Ressurrecto de seus discípulos. Jesus informa sobre a vinda do Espírito Santo sobre sua comunidade e o seu papel na missão que esta comunidade tem a desempenhar - “Vocês vão receber o Espírito Santo e, quando ele vier, vocês serão minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até mesmo os confins da terra” (At. 1. 8).
Após isso, os discípulos virão Jesus subir aos céus e desaparecer nas nuvens - ao mesmo tempo dois homens, que identificamos como anjos, se postam ao seu lado e os questionam:
Por que estão parados, olhando para o céu?
Qual a razão de seguir Jesus?
Não tenho dúvidas que se fizesse uma enquete e contasse com a honestidade de cristãos, em geral, as respostas circulariam em torno da salvação da alma do inferno e o benefício nesta vida em forma de bens, saúde, felicidade. Em quaisquer casos, me parece, a tendência dos cristãos é alienar-se do mundo, da vida presente, empurrando toda e qualquer consequência ou objetivo de sua ação religiosa ou para bênçãos ou, mais frequentemente, para o pós-morte.
Quando pensam em Espírito Santo, falam de dons, de revelações, curas.
Em outras palavras, como seguidores de Jesus vivemos olhando para o céu. Lembro de uma canção antiga em que a cantora enfatizava que queria ir para lá e lamentava não poder ainda estar lá - lá, no caso, era o céu.
Essas ideias não combinam com o que o Novo Testamento nos fala sobre ser seguidor de Jesus, em particular no texto que eu destaquei.
Em primeiro lugar, seguir a Jesus tem a ver com entender que o Espírito Santo está conosco como o Poder de Deus para nos impulsionar à missão a que o Mestre nos chamou. O Espírito está conosco para nos estimular de que vale a pena viver por essa causa - é uma causa pela qual vale a pena viver e, eventualmente, valeria a pena morrer. Ele é a energia dentro de nós para dizer: o evangelho de Jesus é o melhor projeto de vida, não encontraria nada melhor que seguí-Lo e preciso contar isso a outras pessoas, seja em Jerusalém, Judéia, Samaria ou nos confins do mundo conhecido. É o Espírito que nos diz: vale a pena.
Além disso, as palavras dos anjos devem servir para que compreendamos: olhar para o céu é perda de tempo. Seguir Jesus é ser chamado à vida e a vida acontece aqui e agora. Tire os olhos dos céus e coloque os dois pés firmes na terra.
Não somos chamados para seguir Jesus nem recebemos o Espírito Santo para esquecermos de viver neste mundo, manifestando o evangelho neste lugar, dizendo a todos que vale a pena seguir Jesus, vale a pena viver por Ele e para Ele - que a vida, não a morte ou o céu, é melhor andando com Jesus e com o seu Espírito a encher nosso coração.
Por que valeria a pena decidir-se pelo seguimento a Jesus? Porque a vida é mais rica e mais vida ao lado dele, na dimensão do Espírito Santo e o impulsionado por Ele todos os dias.
4.1.17
Salvação
Hoje é dia salvação nesta casa!
Lucas 19. 9
Ao ser anunciado, o Filho de Deus recebe dois nomes. Obviamente, o nome de Jesus, dado pelo anjo Gabriel (Lc. 1. 31). Mateus 1. 23 refere a profecia de Isaías e oferece o nome Emanuel. Emanuel significa “Deus conosco”. Jesus, “Deus salva”.
Em resumo, a vinda e a vida de Jesus significavam a presença de Deus no meio de nós, tornando-se um de nós, um Deus que no nosso meio nos salva.
Onde Jesus esteve, trouxe salvação.
Salvação, nos evangelhos, tem a ver com uma saída para a dor, para o sofrimento, para a doença e para a desesperança. Salvação é um convite e mobilização para uma vida mais intensa e verdadeira. Ser salvo é ser chamado a viver e viver com intensidade. Ser salvo é ser libertado da morte.
O relato sobre Zaqueu testemunha do Deus que salva, do Deus que está conosco e que promove vida e salvação só por estar presente.
O chefe dos cobradores de impostos queria tanto ver Jesus que subiu em uma árvore. Jesus também queria ver Zaqueu - mais que isso, Jesus queria partilhar o pão com Zaqueu.
A salvação começa com o acolhimento, com os braços apertos, com a disposição de compartilhar o pão, com o compromisso de estar junto, com a ausência de olhos que julguem, mas com a presença de mãos que ajudam.
A salvação entrou na casa de Zaqueu. A salvação pode sempre entrar em nossas casas.
Quando a abrimos ao Messias e, mais que isso, quando a abrimos ao perdão, à comunhão, ao acolhimento, ao partir do pão.
Na minha experiência pessoal, já vi Jesus nas casas de pessoas que me socorreram, já deixei de ver na casa de cristãos que viraram as costas.
Recentemente, no meio de uma severa depressão, publiquei um bilhete suicida no Facebook e fui me matar. Uma de incontáveis tentativas - a única, no entanto, que tornei pública. Poucos dias depois, desativei temporariamente minhas redes sociais. Precisava me cuidar e vi Jesus em muitos que me estenderam a mão, me ofereceram o ombro e têm me ajudado a salvar-me.
No entanto, de imediato e por dias seguidos, tive conversas, recebi mensagens e comentários tenebrosos, feitos em nome de Jesus. Dolorosos.
A maior parte, pessoas me dando lições e me passando carões. Outra parte, pessoas duvidando de mim e de minha doença. Uma terceira, pessoas me ensinando como encontrar Jesus.
Todos os três tipos de comentário me fizeram muito mal. Faziam-me pensar que as pessoas nunca leram em suas Bíblias sobre não pisar a cana quebrada nem apagar o pavio que fumega (Mt. 12.20). Mais que isso: tais pessoas me faziam pensar onde estava Jesus, o Deus conosco? Onde estava a graça da salvação a ser trazida pelos cristãos a alguém em tão terrível situação?
Quando Jesus entra numa casa, Ele traz salvação porque Ele é a salvação. Ele nos salva da dor, da morte, da escuridão. Mas só há um jeito de Ele entrar nas casas, como fez na de Zaqueu, nos dias atuais: através de mim e de você. Só tem um jeito de Jesus ser conhecido: através dos seus discípulos.
A minha pergunta é: que Jesus nós temos levado à casa das pessoas? O que é Deus conosco e nos salva ou um que pisa a cana quebrada e apaga o pavio que fumega?
Jesus está aqui: Hoje é dia salvação nesta casa!
Lucas 19. 9
Ao ser anunciado, o Filho de Deus recebe dois nomes. Obviamente, o nome de Jesus, dado pelo anjo Gabriel (Lc. 1. 31). Mateus 1. 23 refere a profecia de Isaías e oferece o nome Emanuel. Emanuel significa “Deus conosco”. Jesus, “Deus salva”.
Em resumo, a vinda e a vida de Jesus significavam a presença de Deus no meio de nós, tornando-se um de nós, um Deus que no nosso meio nos salva.
Onde Jesus esteve, trouxe salvação.
Salvação, nos evangelhos, tem a ver com uma saída para a dor, para o sofrimento, para a doença e para a desesperança. Salvação é um convite e mobilização para uma vida mais intensa e verdadeira. Ser salvo é ser chamado a viver e viver com intensidade. Ser salvo é ser libertado da morte.
O relato sobre Zaqueu testemunha do Deus que salva, do Deus que está conosco e que promove vida e salvação só por estar presente.
O chefe dos cobradores de impostos queria tanto ver Jesus que subiu em uma árvore. Jesus também queria ver Zaqueu - mais que isso, Jesus queria partilhar o pão com Zaqueu.
A salvação começa com o acolhimento, com os braços apertos, com a disposição de compartilhar o pão, com o compromisso de estar junto, com a ausência de olhos que julguem, mas com a presença de mãos que ajudam.
A salvação entrou na casa de Zaqueu. A salvação pode sempre entrar em nossas casas.
Quando a abrimos ao Messias e, mais que isso, quando a abrimos ao perdão, à comunhão, ao acolhimento, ao partir do pão.
Na minha experiência pessoal, já vi Jesus nas casas de pessoas que me socorreram, já deixei de ver na casa de cristãos que viraram as costas.
Recentemente, no meio de uma severa depressão, publiquei um bilhete suicida no Facebook e fui me matar. Uma de incontáveis tentativas - a única, no entanto, que tornei pública. Poucos dias depois, desativei temporariamente minhas redes sociais. Precisava me cuidar e vi Jesus em muitos que me estenderam a mão, me ofereceram o ombro e têm me ajudado a salvar-me.
No entanto, de imediato e por dias seguidos, tive conversas, recebi mensagens e comentários tenebrosos, feitos em nome de Jesus. Dolorosos.
A maior parte, pessoas me dando lições e me passando carões. Outra parte, pessoas duvidando de mim e de minha doença. Uma terceira, pessoas me ensinando como encontrar Jesus.
Todos os três tipos de comentário me fizeram muito mal. Faziam-me pensar que as pessoas nunca leram em suas Bíblias sobre não pisar a cana quebrada nem apagar o pavio que fumega (Mt. 12.20). Mais que isso: tais pessoas me faziam pensar onde estava Jesus, o Deus conosco? Onde estava a graça da salvação a ser trazida pelos cristãos a alguém em tão terrível situação?
Quando Jesus entra numa casa, Ele traz salvação porque Ele é a salvação. Ele nos salva da dor, da morte, da escuridão. Mas só há um jeito de Ele entrar nas casas, como fez na de Zaqueu, nos dias atuais: através de mim e de você. Só tem um jeito de Jesus ser conhecido: através dos seus discípulos.
A minha pergunta é: que Jesus nós temos levado à casa das pessoas? O que é Deus conosco e nos salva ou um que pisa a cana quebrada e apaga o pavio que fumega?
Jesus está aqui: Hoje é dia salvação nesta casa!
3.1.17
Próximo a Deus
Então, vocês se verão do lado de fora, ao relento, estranhos em relação à graça. Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas passarão na frente de vocês em direção ao Reino de Deus. Vocês verão estrangeiros, vindos de todas as partes do mundo, sentados à mesa do Reino de Deus, enquanto vocês vão estar do lado de fora, espiando pela janela — tentando descobrir o que aconteceu.
Lucas 13. 28-29
O que nos aproxima de Deus?
As respostas humanas são variadas e historicamente diversas, mas resumem-se, em geral, no mesmo sentimento de religiosidade e espiritualidade - dos tempos primitivos até aqui.
No Gênesis, a religião se inicia com Enos: “Foi nessa época que as pessoas começaram a orar e a prestar culto ao Eterno” (Gn.4. 26).
A religião é um movimento humano na tentativa de encontrar relação com a Realidade Última da Existência, o Eterno, a Divindade. Desde que se deparou com o seus limites, o principal deles a morte, o ser humano estabeleceu tentativas de rituais e cerimônias para apaziguar Deus ou para que houvesse com Ele algum tipo de relacionamento.
Com o tempo, os modos religiosos politeístas foram sendo suplantados por formas monoteístas de relacionamento religioso.
Até que surge uma nova modalidade de crença em Deus, talvez inédita. Os hebreus passaram a acreditar que, mais do que um movimento humano na direção do Eterno, a religião era um movimento do Eterno na direção do humano.
Faz tempo que venho observando a aflição do meu povo no Egito. Ouvi o povo clamar por livramento das mãos dos seus senhores e conheço muito bem o sofrimento dos israelitas. Agora desci para ajudá-los, para livrá-los do domínio do Egito, tirá-los daquele país e levá-los para uma terra boa, ampla, cheia de leite e mel, hoje habitada por cananeus, hitititas, amores, ferezeus, heveus e jebuseus (Ex. 3. 7-8)
Como esse povo não iria se achar especial? Como não pensaria que nascer hebreu era suficiente para ter relacionamento íntimo com Deus? Como não estabelecer a regra de que seus rituais e seus cultos eram os únicos possíveis para que o ser humano pudesse conhecer o Eterno?
Tal processo de institucionalização da fé e da religião é uma realidade até os dias atuais - agora, talvez, outras religiões se arvoram também como as únicas possíveis e corretas.
Era assim nos dias de Jesus e a sua parábola denuncia tal questão.
Então, vocês se verão do lado de fora, ao relento, estranhos em relação à graça. Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas passarão na frente de vocês em direção ao Reino de Deus. Vocês verão estrangeiros, vindos de todas as partes do mundo, sentados à mesa do Reino de Deus, enquanto vocês vão estar do lado de fora, espiando pela janela — tentando descobrir o que aconteceu.
Os religiosos de Israel acreditavam que o que lhes garantiria um lugar no Reino de Deus era o pertencimento étnico ao povo judeu e o seguimento de suas regras e condutas religiosas.
Jesus alerta, no entanto, que o acesso ao Reino de Deus é a graça e é de graça - não existe garantia étnica ou religiosa: "vocês se verão do lado de fora, ao relento, estranhos em relação à graça”.
Pelo contrário: até os mais inesperados convidados estarão à mesa do Reino de Deus. Os que se fiam na religião tentarão descobrir o que aconteceu, enquanto aqueles que a religião desprezaria sentarão ao lado de Jesus.
A relação íntima com Deus por meio de Jesus está aberta a quem deseja, para além das circunstâncias e regras religiosas.
Este é o tipo de gente que o Pai está procurando: aquele que é simples e honesto na presença dele, em seu culto. Deus é Espírito, e quem o adora deve fazê-lo de maneira genuína, algo que venha do espírito, do mais íntimo do ser (Jo. 4. 23-24).
Religião alguma supera o coração como instrumento adequado para que estabeleçamos uma relação íntima com o Eterno.
Lucas 13. 28-29
O que nos aproxima de Deus?
As respostas humanas são variadas e historicamente diversas, mas resumem-se, em geral, no mesmo sentimento de religiosidade e espiritualidade - dos tempos primitivos até aqui.
No Gênesis, a religião se inicia com Enos: “Foi nessa época que as pessoas começaram a orar e a prestar culto ao Eterno” (Gn.4. 26).
A religião é um movimento humano na tentativa de encontrar relação com a Realidade Última da Existência, o Eterno, a Divindade. Desde que se deparou com o seus limites, o principal deles a morte, o ser humano estabeleceu tentativas de rituais e cerimônias para apaziguar Deus ou para que houvesse com Ele algum tipo de relacionamento.
Com o tempo, os modos religiosos politeístas foram sendo suplantados por formas monoteístas de relacionamento religioso.
Até que surge uma nova modalidade de crença em Deus, talvez inédita. Os hebreus passaram a acreditar que, mais do que um movimento humano na direção do Eterno, a religião era um movimento do Eterno na direção do humano.
Faz tempo que venho observando a aflição do meu povo no Egito. Ouvi o povo clamar por livramento das mãos dos seus senhores e conheço muito bem o sofrimento dos israelitas. Agora desci para ajudá-los, para livrá-los do domínio do Egito, tirá-los daquele país e levá-los para uma terra boa, ampla, cheia de leite e mel, hoje habitada por cananeus, hitititas, amores, ferezeus, heveus e jebuseus (Ex. 3. 7-8)
Como esse povo não iria se achar especial? Como não pensaria que nascer hebreu era suficiente para ter relacionamento íntimo com Deus? Como não estabelecer a regra de que seus rituais e seus cultos eram os únicos possíveis para que o ser humano pudesse conhecer o Eterno?
Tal processo de institucionalização da fé e da religião é uma realidade até os dias atuais - agora, talvez, outras religiões se arvoram também como as únicas possíveis e corretas.
Era assim nos dias de Jesus e a sua parábola denuncia tal questão.
Então, vocês se verão do lado de fora, ao relento, estranhos em relação à graça. Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas passarão na frente de vocês em direção ao Reino de Deus. Vocês verão estrangeiros, vindos de todas as partes do mundo, sentados à mesa do Reino de Deus, enquanto vocês vão estar do lado de fora, espiando pela janela — tentando descobrir o que aconteceu.
Os religiosos de Israel acreditavam que o que lhes garantiria um lugar no Reino de Deus era o pertencimento étnico ao povo judeu e o seguimento de suas regras e condutas religiosas.
Jesus alerta, no entanto, que o acesso ao Reino de Deus é a graça e é de graça - não existe garantia étnica ou religiosa: "vocês se verão do lado de fora, ao relento, estranhos em relação à graça”.
Pelo contrário: até os mais inesperados convidados estarão à mesa do Reino de Deus. Os que se fiam na religião tentarão descobrir o que aconteceu, enquanto aqueles que a religião desprezaria sentarão ao lado de Jesus.
A relação íntima com Deus por meio de Jesus está aberta a quem deseja, para além das circunstâncias e regras religiosas.
Este é o tipo de gente que o Pai está procurando: aquele que é simples e honesto na presença dele, em seu culto. Deus é Espírito, e quem o adora deve fazê-lo de maneira genuína, algo que venha do espírito, do mais íntimo do ser (Jo. 4. 23-24).
Religião alguma supera o coração como instrumento adequado para que estabeleçamos uma relação íntima com o Eterno.
2.1.17
Maturidade
Diferentemente da cultura dominante, que sempre os arrasta para baixo, ao nível da imaturidade, Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.
Romanos 12. 2
Sou professor e, como professor, tenho um objetivo principal em sala de aula, independente de qual seja a disciplina que esteja ministrando - e esse objetivo nada tem a ver com o conteúdo ou desempenho acadêmico da turma, com notas, com aprovação ao fim do semestre.
Meu objetivo, aliás, também não tem nada a ver com a receptividade e aprovação dos estudantes ou dos colegas ao meu trabalho.
Como professor meu propósito principal é que, ao fim do semestre, cada estudante possa sair como um ser humano melhor, mais maduro e mais pronto para a vida.
Logo, cada conteúdo que eu tenho de ministrar por causa da estrutura curricular e ementa das disciplinas é abordado na perspectiva de saber como aquilo pode impactar - e de que forma - na nossa vida.
Antes de formar jornalistas, meu objetivo é ajudar pessoas a alcançarem sua maturidade.
Sei que nem sempre é possível e sei que, como professor, sou falho inclusive na maturidade, humildade e nas minhas condições em sala de aula.
Exemplo disso foi-me relatado por um amigo na universidade que, falando sobre um determinado aluno meu, me disse que insatisfeito com minhas brincadeiras tal estudante pensou em me processar. Eu que sempre procuro respeitar os limites que os estudantes me põem, aprendi da necessidade de cuidar disso mais atentamente.
Sou consciente, portanto, que por mais que tente arrastar os meus estudantes a um nível mais alto e maduro, provavelmente algumas vezes estarei arrastando-os para baixo e, na maior parte do tempo, não serei capaz de levá-los tão alto assim. Porque esse é o papel de Deus.
Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.
O mundo à nossa volta, às vezes até os nossos amigos, sempre nos arrastará para baixo. E experimentaremos aquela frustrante sensação de nos esforçarmos muito para sermos alguém melhor, para sairmos do lugar em que estamos, do nosso passo empacado, e, de repente, sermos abatidos em pleno voo pelo petardo de alguém que, conscientemente ou não, quer nos ver no chão.
De um lado, isso devia nos fazer preocupar com aqueles amigos, parentes ou profissionais que elevamos à categoria de conselheiros, e afastar do papel todos aqueles que não ajudam a vida a fluir mais alto, mais perto de Deus.
De outro, podemos nos render diante de Deus. Não há ninguém melhor que Ele para cuidar de nós. Ele extrairá de nós o melhor que nós somos. Ele nos fará maduros. Essa é sua vontade perfeita, boa e agradável.
Se o perfeito Deus tem uma vontade boa e agradável e ela inclui extrair o melhor de vocês e desenvolver em você uma verdadeira maturidade, não há ninguém mais a quem você deveria confiar a vida.
Não se deixe arrastar-se ao nível da imaturidade, mas abra seu coração ao perfeito cuidado do Senhor.
Romanos 12. 2
Sou professor e, como professor, tenho um objetivo principal em sala de aula, independente de qual seja a disciplina que esteja ministrando - e esse objetivo nada tem a ver com o conteúdo ou desempenho acadêmico da turma, com notas, com aprovação ao fim do semestre.
Meu objetivo, aliás, também não tem nada a ver com a receptividade e aprovação dos estudantes ou dos colegas ao meu trabalho.
Como professor meu propósito principal é que, ao fim do semestre, cada estudante possa sair como um ser humano melhor, mais maduro e mais pronto para a vida.
Logo, cada conteúdo que eu tenho de ministrar por causa da estrutura curricular e ementa das disciplinas é abordado na perspectiva de saber como aquilo pode impactar - e de que forma - na nossa vida.
Antes de formar jornalistas, meu objetivo é ajudar pessoas a alcançarem sua maturidade.
Sei que nem sempre é possível e sei que, como professor, sou falho inclusive na maturidade, humildade e nas minhas condições em sala de aula.
Exemplo disso foi-me relatado por um amigo na universidade que, falando sobre um determinado aluno meu, me disse que insatisfeito com minhas brincadeiras tal estudante pensou em me processar. Eu que sempre procuro respeitar os limites que os estudantes me põem, aprendi da necessidade de cuidar disso mais atentamente.
Sou consciente, portanto, que por mais que tente arrastar os meus estudantes a um nível mais alto e maduro, provavelmente algumas vezes estarei arrastando-os para baixo e, na maior parte do tempo, não serei capaz de levá-los tão alto assim. Porque esse é o papel de Deus.
Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.
O mundo à nossa volta, às vezes até os nossos amigos, sempre nos arrastará para baixo. E experimentaremos aquela frustrante sensação de nos esforçarmos muito para sermos alguém melhor, para sairmos do lugar em que estamos, do nosso passo empacado, e, de repente, sermos abatidos em pleno voo pelo petardo de alguém que, conscientemente ou não, quer nos ver no chão.
De um lado, isso devia nos fazer preocupar com aqueles amigos, parentes ou profissionais que elevamos à categoria de conselheiros, e afastar do papel todos aqueles que não ajudam a vida a fluir mais alto, mais perto de Deus.
De outro, podemos nos render diante de Deus. Não há ninguém melhor que Ele para cuidar de nós. Ele extrairá de nós o melhor que nós somos. Ele nos fará maduros. Essa é sua vontade perfeita, boa e agradável.
Se o perfeito Deus tem uma vontade boa e agradável e ela inclui extrair o melhor de vocês e desenvolver em você uma verdadeira maturidade, não há ninguém mais a quem você deveria confiar a vida.
Não se deixe arrastar-se ao nível da imaturidade, mas abra seu coração ao perfeito cuidado do Senhor.
31.12.16
Médico
Jesus escutou a crítica e reagiu: “Quem precisa de médico: quem é saudável ou quem é doente?"
Marcos 2.17
Quem pede ajuda é quem reconhece que não é capaz de fazer algo ou mudar uma situação sozinho ou, especificamente, sem o auxílio daquele a quem se demanda a ajuda.
Pedir ajuda é, portanto, um duplo reconhecimento. De um lado, ao pedir ajuda reconheço minha fragilidade.
Por outro, reconheço que o outro tem, sobre mim, um poder que eu não tenho. Peço ajuda de quem pode ou sabe mais que eu.
Na época que estudava para o vestibular, há duas décadas, montamos um grupo de estudo em que nos ajudávamos mutuamente - naquilo que eu era mais forte que meus colegas, eu os ajudava. No que eu era mais fraco, recebia ajuda. Lembro que uma amiga me ensinava biologia, matéria em que eu me via pior.
Ajudar é um ato de amor, carinho, atenção, ainda que possa ser mobilizado por motivações as mais toscas ou egoístas. No entanto, em geral, ajudo porque me importo com o outro.
E quem não precisa de ajuda? Quem se sente bem, autossuficiente, saudável, forte. Não precisa de ajuda aquele que olha para si e para o outro e não vê, no outro, nada que lhe possa ajudar.
Jesus era constantemente criticado por andar ao lado da escória da sociedade. No texto de Marcos 2, ele foi à casa de um cobrador de impostos e os representantes do sistema religioso o criticam por isso.
A resposta de Jesus é de uma riqueza de graça e vida ímpar. Ele está ali para ajudar pessoas doentes. E naquela casa, cada um e cada uma, sabe que é alguém que precisa de ajuda. Reconhece sua fragilidade, sua culpa, sua dor, seu pecado - sabe que Jesus pode ajudá-lo e curá-lo.
A esses Jesus pode socorrer - os que sabem que precisam de socorro, aqueles que carregam o peso de dor do sofrimento em que se encontra, quem entendeu que não vai se livrar do mal que o aflige sozinho.
Mas Jesus não pode ajudar quem não sabe que não precisa de ajuda. Não existe ninguém tão saudável que dispense o socorro do Senhor - mas existe gente tão arrogante que se sinta tão saudável que não precise do Mestre.
Na cena de Marcos, os líderes religiosos assumem uma postura crítica contra Jesus e os cobradores de impostos. Ao agirem assim, se colocam como moralmente superiores àqueles pecadores. Os moralmente superiores são salvos, santos, curados, saudáveis. Ao avaliar daquela forma aqueles com quem Jesus anda, é como quem dissessem: “Somos perfeitos, tão superiores a vocês que podemos julgá-los”.
Quem não se sente doente, não procurará um médico porque não precisa.
Quem se sabe enfermo reconhece tal necessidade.
Aí reside a diferença entre andar ou não com Jesus. Quem se sente espiritualmente perfeito, santo e saudável, andará sempre para mais longe de Jesus. Quem sabe de sua própria fragilidade saberá que somente em Jesus há cura e restauração para a sua vida.
Quem sabe que é frágil, sabe que não pode abrir mão de andar com o Médico dos Médicos. Quem não se reconhece doente, é autossuficiente demais para fazer algum movimento na direção de Jesus. Sua autossuficiência será uma barreira entre ele e o Mestre.
Que em 2017 nos saibamos todos doentes em busca do Médico.
Marcos 2.17
Quem pede ajuda é quem reconhece que não é capaz de fazer algo ou mudar uma situação sozinho ou, especificamente, sem o auxílio daquele a quem se demanda a ajuda.
Pedir ajuda é, portanto, um duplo reconhecimento. De um lado, ao pedir ajuda reconheço minha fragilidade.
Por outro, reconheço que o outro tem, sobre mim, um poder que eu não tenho. Peço ajuda de quem pode ou sabe mais que eu.
Na época que estudava para o vestibular, há duas décadas, montamos um grupo de estudo em que nos ajudávamos mutuamente - naquilo que eu era mais forte que meus colegas, eu os ajudava. No que eu era mais fraco, recebia ajuda. Lembro que uma amiga me ensinava biologia, matéria em que eu me via pior.
Ajudar é um ato de amor, carinho, atenção, ainda que possa ser mobilizado por motivações as mais toscas ou egoístas. No entanto, em geral, ajudo porque me importo com o outro.
E quem não precisa de ajuda? Quem se sente bem, autossuficiente, saudável, forte. Não precisa de ajuda aquele que olha para si e para o outro e não vê, no outro, nada que lhe possa ajudar.
Jesus era constantemente criticado por andar ao lado da escória da sociedade. No texto de Marcos 2, ele foi à casa de um cobrador de impostos e os representantes do sistema religioso o criticam por isso.
A resposta de Jesus é de uma riqueza de graça e vida ímpar. Ele está ali para ajudar pessoas doentes. E naquela casa, cada um e cada uma, sabe que é alguém que precisa de ajuda. Reconhece sua fragilidade, sua culpa, sua dor, seu pecado - sabe que Jesus pode ajudá-lo e curá-lo.
A esses Jesus pode socorrer - os que sabem que precisam de socorro, aqueles que carregam o peso de dor do sofrimento em que se encontra, quem entendeu que não vai se livrar do mal que o aflige sozinho.
Mas Jesus não pode ajudar quem não sabe que não precisa de ajuda. Não existe ninguém tão saudável que dispense o socorro do Senhor - mas existe gente tão arrogante que se sinta tão saudável que não precise do Mestre.
Na cena de Marcos, os líderes religiosos assumem uma postura crítica contra Jesus e os cobradores de impostos. Ao agirem assim, se colocam como moralmente superiores àqueles pecadores. Os moralmente superiores são salvos, santos, curados, saudáveis. Ao avaliar daquela forma aqueles com quem Jesus anda, é como quem dissessem: “Somos perfeitos, tão superiores a vocês que podemos julgá-los”.
Quem não se sente doente, não procurará um médico porque não precisa.
Quem se sabe enfermo reconhece tal necessidade.
Aí reside a diferença entre andar ou não com Jesus. Quem se sente espiritualmente perfeito, santo e saudável, andará sempre para mais longe de Jesus. Quem sabe de sua própria fragilidade saberá que somente em Jesus há cura e restauração para a sua vida.
Quem sabe que é frágil, sabe que não pode abrir mão de andar com o Médico dos Médicos. Quem não se reconhece doente, é autossuficiente demais para fazer algum movimento na direção de Jesus. Sua autossuficiência será uma barreira entre ele e o Mestre.
Que em 2017 nos saibamos todos doentes em busca do Médico.
30.12.16
Vida e morte
Ele não está mais aqui
Mateus 28. 6
Quando Paulo, no relato do livro de Atos, chega à Atenas, se impressiona com a intensa religiosidade da cidade, repleta de altares para deuses diversos, inclusive um deus desconhecido, do qual o apóstolo se aproveita para anunciar Jesus.
De modo semelhante, quando chegamos a uma cidade como Salvador e suas centenas de igrejas históricas ficamos impressionados e sensibilizados. Em Salvador, a forte presença visual das religiões de matriz africana também deixam sua marca indelével em nossas almas.
O ser humano é religioso. Ele sente a necessidade de transcender a si e aos seus próprios limites.
Diante do limite extremo que é a morte, o ser humano precisa encontrar uma resposta que lhe possibilite seguir vivendo.
Diante de limites proporcionados pelo sofrimento, buscamos sentido e significado.
Quando sentimos as maiores dores, queremos saídas.
As saídas buscadas e encontradas podem não ser religiosas e, assim mesmo, darem conta das nossas necessidades. Ainda que sejam saídas espirituais - no sentido de transcender os limites, não na crença em Deus ou deuses -, podem ser saídas que abdiquem do metafísico, do que vai além do histórico e material.
As saídas, em geral, no entanto, são religiosas.
Lembro do dia que conheci um senhor que enfrenta um violento câncer e, no meio da dor, tem buscado seu alívio em um centro espírita, ao mesmo tempo que ouve a pregação de um padre no rádio e visita uma missa de cura em uma igreja de Natal. Ao falar sobre minha igreja, interessou-se em conhecer um de nossos cultos.
O fenômeno religioso é ancestral. Ele começou em tempos pré-históricos e foi adquirindo características e tecnologias cada vez mais complexas ao longo dos milênios. Para termos a religião como a temos no século XXI muita coisa evoluiu por toda a parte.
No entanto, nem toda religião responde às questões mais fundamentais da vida humana. Aliás, nem toda religião responde com vida às nossas demandas e, penso, essa é uma questão muito mais pessoal do que ligada a qualquer sistema de fé em que tenhamos nos enredado. É uma escolha nossa optar pela vida ou pela morte até em termos de fé.
Muitos religiosos fazem opção pela morte, mesmo entre os cristãos. Ou, antes, principalmente entre os cristãos. Só encontram um Jesus morto na cruz ou vão atrás de seu corpo no sepulcro. Só pensam naquilo que acham que lhes acontecerá depois de sua morte. Alienam-se da vida em busca de um Deus que não vive ou não tem o que lhes dizer acerca da vida. Gastam seu tempo pensando em tudo, menos vivendo. Vivem além da vida.
As mulheres foram no domingo de Páscoa ao sepulcro em busca de um Jesus morto, em uma fé morta, um Deus que não estava mais na vida.
O anjo lhes diz: “Ele não está mais aqui”. Ele não está morto.
Não encontramos Jesus em uma religião que diga muito sobre a morte. Não o encontramos em um sepulcro. Não vivenciamos uma fé viva na perspectiva de um Deus morto, de um Jesus enterrado.
“Ele não está mais aqui”.
A fé deve nos convidar à vida, nos conduzir a ela, nos fazer experimentar e mergulhar cada vez mais na vida. Jesus não está no sepulcro. Ele está vivo.
A nossa opção de fé pode ser pela vida. Pode ser para vivermos. Pode ser para que nossa intensidade se derrame em mais e mais vida e compromisso com o viver.
Porque, diante do sepulcro e da morte, podemos dizer de Jesus: “Ele não está mais aqui”.
Que Ele esteja em nossas vidas.
Mateus 28. 6
Quando Paulo, no relato do livro de Atos, chega à Atenas, se impressiona com a intensa religiosidade da cidade, repleta de altares para deuses diversos, inclusive um deus desconhecido, do qual o apóstolo se aproveita para anunciar Jesus.
De modo semelhante, quando chegamos a uma cidade como Salvador e suas centenas de igrejas históricas ficamos impressionados e sensibilizados. Em Salvador, a forte presença visual das religiões de matriz africana também deixam sua marca indelével em nossas almas.
O ser humano é religioso. Ele sente a necessidade de transcender a si e aos seus próprios limites.
Diante do limite extremo que é a morte, o ser humano precisa encontrar uma resposta que lhe possibilite seguir vivendo.
Diante de limites proporcionados pelo sofrimento, buscamos sentido e significado.
Quando sentimos as maiores dores, queremos saídas.
As saídas buscadas e encontradas podem não ser religiosas e, assim mesmo, darem conta das nossas necessidades. Ainda que sejam saídas espirituais - no sentido de transcender os limites, não na crença em Deus ou deuses -, podem ser saídas que abdiquem do metafísico, do que vai além do histórico e material.
As saídas, em geral, no entanto, são religiosas.
Lembro do dia que conheci um senhor que enfrenta um violento câncer e, no meio da dor, tem buscado seu alívio em um centro espírita, ao mesmo tempo que ouve a pregação de um padre no rádio e visita uma missa de cura em uma igreja de Natal. Ao falar sobre minha igreja, interessou-se em conhecer um de nossos cultos.
O fenômeno religioso é ancestral. Ele começou em tempos pré-históricos e foi adquirindo características e tecnologias cada vez mais complexas ao longo dos milênios. Para termos a religião como a temos no século XXI muita coisa evoluiu por toda a parte.
No entanto, nem toda religião responde às questões mais fundamentais da vida humana. Aliás, nem toda religião responde com vida às nossas demandas e, penso, essa é uma questão muito mais pessoal do que ligada a qualquer sistema de fé em que tenhamos nos enredado. É uma escolha nossa optar pela vida ou pela morte até em termos de fé.
Muitos religiosos fazem opção pela morte, mesmo entre os cristãos. Ou, antes, principalmente entre os cristãos. Só encontram um Jesus morto na cruz ou vão atrás de seu corpo no sepulcro. Só pensam naquilo que acham que lhes acontecerá depois de sua morte. Alienam-se da vida em busca de um Deus que não vive ou não tem o que lhes dizer acerca da vida. Gastam seu tempo pensando em tudo, menos vivendo. Vivem além da vida.
As mulheres foram no domingo de Páscoa ao sepulcro em busca de um Jesus morto, em uma fé morta, um Deus que não estava mais na vida.
O anjo lhes diz: “Ele não está mais aqui”. Ele não está morto.
Não encontramos Jesus em uma religião que diga muito sobre a morte. Não o encontramos em um sepulcro. Não vivenciamos uma fé viva na perspectiva de um Deus morto, de um Jesus enterrado.
“Ele não está mais aqui”.
A fé deve nos convidar à vida, nos conduzir a ela, nos fazer experimentar e mergulhar cada vez mais na vida. Jesus não está no sepulcro. Ele está vivo.
A nossa opção de fé pode ser pela vida. Pode ser para vivermos. Pode ser para que nossa intensidade se derrame em mais e mais vida e compromisso com o viver.
Porque, diante do sepulcro e da morte, podemos dizer de Jesus: “Ele não está mais aqui”.
Que Ele esteja em nossas vidas.
29.12.16
Poder
Quando desceram a montanha para se reunir aos outros discípulos, viram-se rodeados por uma multidão imensa, que debatia com os líderes religiosos. Assim que viu Jesus, o povo ficou animado. Correram para ele e o saudaram. Ele perguntou: “O que está acontecendo? Por que toda esta agitação?”.
Um homem da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe meu filho, que foi deixado mudo por um demônio. Toda vez que o demônio se apossa dele, joga-o ao chão. O menino baba, range os dentes e fica rígido como uma tábua. Falei com teus discípulos, esperando que o libertassem, mas não puderam”.
Jesus suspirou, inconformado: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso? Tragam o menino aqui!”. Eles o trouxeram. Quando o demônio viu Jesus, apossou-se do menino, que ficou babando e se contorcendo no chão.
Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo isso acontece?”.
“Desde que era pequeno. Muitas vezes o demônio o joga no fogo ou no rio para matá-lo. Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Assim que Jesus disse essas palavras, o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
Percebendo que a plateia ficava cada vez maior, Jesus deu ordens expressas ao espírito maligno: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno: sai dele e não volte!”. Com muito estardalhaço, o espírito saiu. O menino estava pálido como um defunto, de modo que as pessoas começaram a dizer: “Ele está morto”. Mas, tomando-o pela mão, Jesus o levantou. O menino ficou em pé.
Marcos 9. 14-27
Um homem da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe meu filho, que foi deixado mudo por um demônio. Toda vez que o demônio se apossa dele, joga-o ao chão. O menino baba, range os dentes e fica rígido como uma tábua. Falei com teus discípulos, esperando que o libertassem, mas não puderam”.
Jesus suspirou, inconformado: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso? Tragam o menino aqui!”. Eles o trouxeram. Quando o demônio viu Jesus, apossou-se do menino, que ficou babando e se contorcendo no chão.
Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo isso acontece?”.
“Desde que era pequeno. Muitas vezes o demônio o joga no fogo ou no rio para matá-lo. Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Assim que Jesus disse essas palavras, o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
Percebendo que a plateia ficava cada vez maior, Jesus deu ordens expressas ao espírito maligno: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno: sai dele e não volte!”. Com muito estardalhaço, o espírito saiu. O menino estava pálido como um defunto, de modo que as pessoas começaram a dizer: “Ele está morto”. Mas, tomando-o pela mão, Jesus o levantou. O menino ficou em pé.
Marcos 9. 14-27
Pensei sobre esse texto hoje.
Jesus desce do monte da transfiguração e se depara com uma confusão: um pai levou seu filho epiléptico para ser curado pelos discípulos, que não tiveram sucesso.
Independente do relato, Marcos constrói uma relação óbvia que é um desafio para nós. Ele estabelece dois pares paralelos que apontam direto para nós, no século XXI:
Poder ---------------------- Impotência
Fé --------------------------- Incredulidade
No texto é evidente: quem tem fé, pode. Quem não tem, não pode.
Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Por isso, diz o pai: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
O que é mais desafiador nesse texto, a meu ver? A quem você acha que Jesus dirige essas palavras: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso?”?
Quem não pode fazer nada em favor do menino doente? Quem foi impotente por ser incrédulo?
Não foi a multidão: foram os discípulos.
É dos discípulos que Jesus está falando.
É de mim e de você.
Quantos deixamos de ajudar porque não cremos e, sem crer, não podemos?
Alguns domingos atrás, eu fui a Igreja e, pela primeira vez, escrevi um pedido de oração com duas questões - uma delas, a cura da depressão. Quem me conhece de perto sabe o que eu penso sobre pedidos de oração assim.
No entanto, eu cri: algo ia acontecer com o meu pedido.
Quando sai da igreja naquela noite e fui lanchar com uma turma de amigos, não senti nenhum prazer naquilo - o que me incomodou profundamente.
“Não aguento mais essa doença. Quero ficar bom”, disse.
Escrever o pedido de oração foi o primeiro passo - de lá para cá, tudo só fica mais claro, leve, luminoso. Em paz.
Por isso, faça como o pai, em resposta a Jesus:
“Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
Jesus desce do monte da transfiguração e se depara com uma confusão: um pai levou seu filho epiléptico para ser curado pelos discípulos, que não tiveram sucesso.
Independente do relato, Marcos constrói uma relação óbvia que é um desafio para nós. Ele estabelece dois pares paralelos que apontam direto para nós, no século XXI:
Poder ---------------------- Impotência
Fé --------------------------- Incredulidade
No texto é evidente: quem tem fé, pode. Quem não tem, não pode.
Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Por isso, diz o pai: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
O que é mais desafiador nesse texto, a meu ver? A quem você acha que Jesus dirige essas palavras: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso?”?
Quem não pode fazer nada em favor do menino doente? Quem foi impotente por ser incrédulo?
Não foi a multidão: foram os discípulos.
É dos discípulos que Jesus está falando.
É de mim e de você.
Quantos deixamos de ajudar porque não cremos e, sem crer, não podemos?
Alguns domingos atrás, eu fui a Igreja e, pela primeira vez, escrevi um pedido de oração com duas questões - uma delas, a cura da depressão. Quem me conhece de perto sabe o que eu penso sobre pedidos de oração assim.
No entanto, eu cri: algo ia acontecer com o meu pedido.
Quando sai da igreja naquela noite e fui lanchar com uma turma de amigos, não senti nenhum prazer naquilo - o que me incomodou profundamente.
“Não aguento mais essa doença. Quero ficar bom”, disse.
Escrever o pedido de oração foi o primeiro passo - de lá para cá, tudo só fica mais claro, leve, luminoso. Em paz.
Por isso, faça como o pai, em resposta a Jesus:
“Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
Apenas um carpinteiro
Não demorou, porém, já estavam falando mal dele: “Ora, ele é apenas um carpinteiro — o filho de Maria. Nós o conhecemos desde menino. Conhecemos também seus irmãos, Tiago, José, Judas e Simão, e suas irmãs. Quem ele pensa que é?”. Mesmo sem conhecê-lo direito, eles o desprezavam.
Marcos 6. 3
Nós somos preconceituosos.
Lembro de ter chegado ano passado em São Paulo, no aeroporto de Guarulhos. Enquanto esperava o ônibus da companhia aérea que me levaria até Congonhas, um moço se aproximou da fila pedindo ajuda. Levava nas costas um saco plástico com suas coisas.
Era uma segunda pela manhã e na noite anterior ele dormira sob a marquise de uma igreja em Guarulhos. Envolvido com tráfico de drogas, alguns meses antes, com a vida ameaçada, pegou os últimos lucros e se internou numa clínica evangélica de recuperação de dependentes químicos. Era tudo o que tinha - e tudo o que sobrou quando saiu da clínica estava naquele saco.
Saiu de lá, também, convertido, mas ainda passando apertos com a fome e, às vezes, com a abstinência.
Na noite do domingo, participou do culto naquela igreja, sendo relativamente bem recebido. Ao fim do culto, porém, ninguém se importou de verdade com ele e suas necessidades. Todos se foram e ele foi ficando. Ajeitou-se para dormir ali mesmo.
Tudo o que queria era conseguir retornar à sua cidade natal para rever a mãe.
Em menos de dez minutos de conversa com o rapaz, eu fui abençoado. A minha sensação era de que diante de mim estava Jesus em pessoa.
Nós somos preconceituosos.
Olhamos para alguém na situação daquele rapaz e o desprezamos no ato. No que seriamos abençoados em contato com ele? Eu fui muito abençoado.
Lembro de uma época em que numa das igrejas das quais fui membro, todo domingo à noite um fedido morador de rua sentava-se em um dos bancos para assistir o culto. Ninguém sentava-se ao seu lado e, algumas vezes, ainda havia um movimento para retirá-lo do templo. Não perguntávamos seu nome, não o apresentávamos como visitante.
Uma noite recebemos um deputado federal no culto. Toda honra foi dada àquele visitante, contrastando com aquele pobre andrajoso que estava no mesmo templo, no mesmo culto.
Jesus era de Nazaré - uma vila de artesãos tão desprezível que somente depois do ano 100 da era cristã constou nos mapas do Império Romano. Literalmente um vilarejo tão periférico que estava fora dos mapas.
A profissão de artesão, carpinteiro, só estava acima dos mendigos na escala social da Palestina nos dias de Jesus, lado a lado com os pescadores.
Um vila periférica na periferia do mundo. Uma profissão subalterna.
São os moradores dessa vila que desprezam Jesus - “apenas um carpinteiro”.
Esse homem, “apenas um carpinteiro”, é em quem “habita em corpo humano toda a plenitude de Deus” (Cl. 2. 9, NVT).
Preconceituosos, os conterrâneos de Jesus desprezaram o próprio Deus encarnado por seus preconceitos, seus esquemas de mundo, suas concepções teóricas e conceituais acerca da vida, que enquadravam o seu viver, não permitiam reconhecer nada relevante em um carpinteiro nazareno. “Quem ele pensa que é?”
Será que você já foi desprezado desta maneira? Já foi enquadrado e classificado assim? É ruim, não é?
Acho que nada pode apagar a dor e o constrangimento de ser vítima assim de preconceito, mas a experiência de Jesus pode nos ajudar a significar de uma maneira nova tal sofrimento.
Jesus de Nazaré, o Deus encarnado, Salvador do mundo, sofreu o mesmo que nós.
Quando nos sentirmos assim, quando fizerem o mesmo conosco, sabemos que o temos ao nosso lado. Ele nos conhece e à nossa dor. Seu cuidado, seu amor, seu carinho, nos ajudarão a entender: somos mais do que aquilo que o preconceito, que o enquadramento dos outros, dizem de nós. Somos mais do que a figura que pintaram da gente. Somos mais do que aquilo a que nos querem submeter.
Jesus é mais do que “apenas um carpinteiro” de Nazaré.
Somos mais que os rótulos dizem.
Marcos 6. 3
Nós somos preconceituosos.
Lembro de ter chegado ano passado em São Paulo, no aeroporto de Guarulhos. Enquanto esperava o ônibus da companhia aérea que me levaria até Congonhas, um moço se aproximou da fila pedindo ajuda. Levava nas costas um saco plástico com suas coisas.
Era uma segunda pela manhã e na noite anterior ele dormira sob a marquise de uma igreja em Guarulhos. Envolvido com tráfico de drogas, alguns meses antes, com a vida ameaçada, pegou os últimos lucros e se internou numa clínica evangélica de recuperação de dependentes químicos. Era tudo o que tinha - e tudo o que sobrou quando saiu da clínica estava naquele saco.
Saiu de lá, também, convertido, mas ainda passando apertos com a fome e, às vezes, com a abstinência.
Na noite do domingo, participou do culto naquela igreja, sendo relativamente bem recebido. Ao fim do culto, porém, ninguém se importou de verdade com ele e suas necessidades. Todos se foram e ele foi ficando. Ajeitou-se para dormir ali mesmo.
Tudo o que queria era conseguir retornar à sua cidade natal para rever a mãe.
Em menos de dez minutos de conversa com o rapaz, eu fui abençoado. A minha sensação era de que diante de mim estava Jesus em pessoa.
Nós somos preconceituosos.
Olhamos para alguém na situação daquele rapaz e o desprezamos no ato. No que seriamos abençoados em contato com ele? Eu fui muito abençoado.
Lembro de uma época em que numa das igrejas das quais fui membro, todo domingo à noite um fedido morador de rua sentava-se em um dos bancos para assistir o culto. Ninguém sentava-se ao seu lado e, algumas vezes, ainda havia um movimento para retirá-lo do templo. Não perguntávamos seu nome, não o apresentávamos como visitante.
Uma noite recebemos um deputado federal no culto. Toda honra foi dada àquele visitante, contrastando com aquele pobre andrajoso que estava no mesmo templo, no mesmo culto.
Jesus era de Nazaré - uma vila de artesãos tão desprezível que somente depois do ano 100 da era cristã constou nos mapas do Império Romano. Literalmente um vilarejo tão periférico que estava fora dos mapas.
A profissão de artesão, carpinteiro, só estava acima dos mendigos na escala social da Palestina nos dias de Jesus, lado a lado com os pescadores.
Um vila periférica na periferia do mundo. Uma profissão subalterna.
São os moradores dessa vila que desprezam Jesus - “apenas um carpinteiro”.
Esse homem, “apenas um carpinteiro”, é em quem “habita em corpo humano toda a plenitude de Deus” (Cl. 2. 9, NVT).
Preconceituosos, os conterrâneos de Jesus desprezaram o próprio Deus encarnado por seus preconceitos, seus esquemas de mundo, suas concepções teóricas e conceituais acerca da vida, que enquadravam o seu viver, não permitiam reconhecer nada relevante em um carpinteiro nazareno. “Quem ele pensa que é?”
Será que você já foi desprezado desta maneira? Já foi enquadrado e classificado assim? É ruim, não é?
Acho que nada pode apagar a dor e o constrangimento de ser vítima assim de preconceito, mas a experiência de Jesus pode nos ajudar a significar de uma maneira nova tal sofrimento.
Jesus de Nazaré, o Deus encarnado, Salvador do mundo, sofreu o mesmo que nós.
Quando nos sentirmos assim, quando fizerem o mesmo conosco, sabemos que o temos ao nosso lado. Ele nos conhece e à nossa dor. Seu cuidado, seu amor, seu carinho, nos ajudarão a entender: somos mais do que aquilo que o preconceito, que o enquadramento dos outros, dizem de nós. Somos mais do que a figura que pintaram da gente. Somos mais do que aquilo a que nos querem submeter.
Jesus é mais do que “apenas um carpinteiro” de Nazaré.
Somos mais que os rótulos dizem.
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