Arão ficou em silêncio.
Levítico 10. 3
Dois filhos do sacerdote Arão, irmão de Moisés, entraram na presença do Senhor na tenda da congregação de maneira inadequada e, por esse motivo, foram fulminados. De uma só vez, Arão perdeu dois filhos.
Você consegue imaginar o tamanho do seu luto?
As coisas ainda ficam mais difíceis com as ordens que Arão recebeu de não prantear seus filhos. Tudo o que lhe resta é ficar em silêncio com sua dor e seu sofrimento.
Quando as coisas são difíceis e tudo está doendo, você sabe, é muito difícil ficar em silêncio. Nosso desejo é chorar em alta voz, gritar por socorro, chamar os amigos para desabafar e mesmo orar de maneira honesta e dolorosa diante de Deus.
A Arão foi dito que ele não podia fazer nada disso. Só lhe restava ficar em silêncio.
Não posso imaginar quão dolorosa foi essa situação. Mas sei dizer como é duro encarar a dor e os sofrimento sozinho, em silêncio, sem um companheiro para estender o ombro para chorar ou a mão para auxiliar na caminhada, sem um amigo para desabafar, sem um conselheiro para orientar.
É extremamente doloroso e difícil. A solidão e o silêncio amplificam a dor. Não poder falar sobre o que lhe causa sofrimento é causa de mais sofrimento. É como se houvesse uma voz constante exigindo que não derramemos lágrimas, não choremos, não falemos dos nossos problemas.
O que nos resta, numa situação como essa, é aprender. Aprender no silêncio de um coração que sente. Aprender na reflexão e meditação dolorida diante de Deus. Aprender a suportar o que nos pesa para podermos, assim, caminhar para longe do lugar onde estamos - e que nos causa dor e silêncio.
Há silêncios que vemos como se nos fossem impostos, tal qual o de Arão.
Há silêncios que nos impomos por perceber que o melhor caminho é, ainda que doa, uma reflexão silenciosa. O silêncio pode nos auxiliar a entender já que não há vozes para se misturarem com aquela da nossa reflexão.
O silêncio pode ser sua opção diante da dor. Mas saiba que calar toda a dor o tempo todo faz muito mal para a alma.
Esta semana ouvi de uma psicóloga que determinada pessoa em sofrimento não queria mais falar sobre o assunto que lhe provocava dor - como se isso fosse bom. Você pode não querer falar, você pode querer enterrar a dor, o luto, o sofrimento no seu passado - mas se você não o encara, não lida com ele, ele vai condicionar o seu presente e o seu futuro. Se você não lida com a dor ela estará presente para sempre.
Há silêncios que nos fazem mal porque são fruto de nossa solidão. A solitude pode ser uma opção, mas a solidão resulta geralmente da nossa dificuldade de criar e manter laços.
Passar pela dor, sem amigos, pode ser insuportável.
Mas em todos os cenários, resta o amigo mais fiel, o ouvido mais preparado, o ombro mais largo para nosso choro, a mão mais delicada para as nossas lágrimas, a palavra mais poderosa para o nosso consolo.
É difícil passar pela dor em silêncio e solidão - seria quase impossível se, além disso, passássemos sem o cuidado e a proteção de Deus.
Ainda que tudo seja silêncio e dor, Jesus está conosco - Ele sabe muito bem o que é isso:
Cerca das três horas da tarde, Jesus gritou bem alto: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”, que quer dizer: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”.
Marcos 15.34
Na hora mais difícil, saber que o Senhor está conosco faz toda diferença. Lembre disso.
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5.2.17
3.2.17
Sejam santos
Sejam santos porque eu sou santo.
Levítico 11. 45
Quando lemos o livro de Levítico encontramos um tipo de religiosidade e de fé peculiarmente relacionada ao rituais sagrados e as formas de tecnologias religiosas: o texto está repleto de orientações sobre como realizar o culto, que roupas os sacerdotes devem vestir, em que momentos devem se banhar, que animais podem ser sacrificados, quais não podem ser comidos, e segue.
Para os sacerdotes que escreveram o Levítico, ser santo é seguir o manual de vida espiritual, religiosa e os cultos conforme prescritos. Ser santo é viver de acordo com as leis e os ritos.
É nesse contexto que surge o chamado:
Sejam santos porque eu sou santo.
Quando os sacerdotes, os judeus religiosos liam esse chamado só podiam entender de uma forma: sigamos a lei, cada um de seus preceitos, obedeçamos a ordem do culto, ofereçamos cada sacrifício prescritos, então estaremos agradando a Deus e sendo santos.
Era assim nos dias de Jesus, mesmo que fariseus e saduceus tivessem interpretações teológicas distintas, ambos ainda vivenciavam um formato legalista de servir a Deus.
Jesus não nega a necessidade de sermos santos. Ele nega a forma como achavam que seríamos. Ele nega o rito estrito, a lei que estava acima das pessoas, o peso da letra sobre a vida.
Enquanto no mesmo livro de Levítico (15. 25 - 30) se afirma que uma mulher que tenha fluxo contínuo de sangue estaria impura enquanto sangrasse, tornando impuros todos e tudo que a tocasse, Jesus não se preocupa com isso quando cura uma mulher assim (Mt. 9, Mc. 5, Lc. 8).
Enquanto o Levítico 13-14 discorre sobre a lepra e sua impureza, inclusive delimitando quando e como o doente seria considerado curado e puro, Jesus não ligava para tais rituais quando curava os tantos leprosos que curou em seu ministério.
O ser santo, em Jesus, ia muito além da normatização do rituais e leis e do respeito a eles. Ser santo é muito mais que isso - a começar pela compreensão de que o ser humano não é definido pela lei, mas sim a lei se relativiza em favor do homem.
Foi assim com o sábado e com a mulher adúltera (Jo. 8).
Lembro, então, da parábola do samaritano (Lc. 10:30-37), na qual Jesus denuncia a religiosidade dos judeus (um levita e um sacerdote poderiam ter ajudado o homem ferido, mas passaram ao largo para não se contaminar com o sangue derramado) em favor daquilo que vale e que foi feito por um herege apóstata, o samaritano.
Sempre me chamou atenção uma coisa nesse texto: a pergunta que Jesus faz, no final da parábola, ao mestre da lei com quem conversa, me incomoda porque não era a que eu esperaria. Ela mudo enfoque - há um homem ferido e três passaram por perto, mas só um ajudou. Para mim, a pergunta deveria ser: “qual dos três considerou o homem ferido como seu próximo?” Mas a pergunta de Jesus inverte a ordem:
“O que você acha? Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?”
Lucas 10. 36
Em vez de olhar para os três homens, olha para o ferido. Qual dos três é o seu próximo?
Você lembra o que motiva Jesus a contar a parábola? Um mestre da lei se aproxima e pergunta o que era preciso fazer para herdar a vida eterna (Lc. 10. 25). Jesus responde questionando-o sobre o que ele pensa que diz a lei:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
Lucas 10. 27
Jesus elogia a resposta e diz que ele tem de fazer aquilo mesmo para ser salvo. O mestre fica desconcertado e pergunta:
“Como saber quem é o próximo?”
Lucas 10. 29
É para responder essa pergunta que Jesus conta a parábola.
O próximo, no contexto, é alguém que devemos amar como a nós mesmos. Por isso, se eu olho a estória do ponto de vista do homem ferido (Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?), ela não me diz apenas que o samaritano é o seu próximo que deve ser amado como si mesmo.
Ela diz também que os religiosos não são - e logo, não dever amados. Em outras palavras, Jesus diz que não devemos amar uma religião ou religiosos que passam ao largo de nós sem nos socorrer.
No fundo, também, toda essa história leva mais longe a questão do Levítico e da relativização da lei por Jesus.
Sejam santos porque eu sou santo.
Não é o ritual, a prática religiosa, as vestes, o culto, a norma, o seguimento estrito da letra que nos faz santos como o Senhor é santo.
Em Jesus, o Santo, o Senhor, ser santo é, simplesmente, amar. O seguimento estrito e legalista de ritos e leis nos afasta do próximo e da santida e nos torna indignos do amor.
O que importa, o que nos faz santos, o que nos aproxima de Deus, é aquilo que resume toda a lei e os profetas:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
Levítico 11. 45
Quando lemos o livro de Levítico encontramos um tipo de religiosidade e de fé peculiarmente relacionada ao rituais sagrados e as formas de tecnologias religiosas: o texto está repleto de orientações sobre como realizar o culto, que roupas os sacerdotes devem vestir, em que momentos devem se banhar, que animais podem ser sacrificados, quais não podem ser comidos, e segue.
Para os sacerdotes que escreveram o Levítico, ser santo é seguir o manual de vida espiritual, religiosa e os cultos conforme prescritos. Ser santo é viver de acordo com as leis e os ritos.
É nesse contexto que surge o chamado:
Sejam santos porque eu sou santo.
Quando os sacerdotes, os judeus religiosos liam esse chamado só podiam entender de uma forma: sigamos a lei, cada um de seus preceitos, obedeçamos a ordem do culto, ofereçamos cada sacrifício prescritos, então estaremos agradando a Deus e sendo santos.
Era assim nos dias de Jesus, mesmo que fariseus e saduceus tivessem interpretações teológicas distintas, ambos ainda vivenciavam um formato legalista de servir a Deus.
Jesus não nega a necessidade de sermos santos. Ele nega a forma como achavam que seríamos. Ele nega o rito estrito, a lei que estava acima das pessoas, o peso da letra sobre a vida.
Enquanto no mesmo livro de Levítico (15. 25 - 30) se afirma que uma mulher que tenha fluxo contínuo de sangue estaria impura enquanto sangrasse, tornando impuros todos e tudo que a tocasse, Jesus não se preocupa com isso quando cura uma mulher assim (Mt. 9, Mc. 5, Lc. 8).
Enquanto o Levítico 13-14 discorre sobre a lepra e sua impureza, inclusive delimitando quando e como o doente seria considerado curado e puro, Jesus não ligava para tais rituais quando curava os tantos leprosos que curou em seu ministério.
O ser santo, em Jesus, ia muito além da normatização do rituais e leis e do respeito a eles. Ser santo é muito mais que isso - a começar pela compreensão de que o ser humano não é definido pela lei, mas sim a lei se relativiza em favor do homem.
Foi assim com o sábado e com a mulher adúltera (Jo. 8).
Lembro, então, da parábola do samaritano (Lc. 10:30-37), na qual Jesus denuncia a religiosidade dos judeus (um levita e um sacerdote poderiam ter ajudado o homem ferido, mas passaram ao largo para não se contaminar com o sangue derramado) em favor daquilo que vale e que foi feito por um herege apóstata, o samaritano.
Sempre me chamou atenção uma coisa nesse texto: a pergunta que Jesus faz, no final da parábola, ao mestre da lei com quem conversa, me incomoda porque não era a que eu esperaria. Ela mudo enfoque - há um homem ferido e três passaram por perto, mas só um ajudou. Para mim, a pergunta deveria ser: “qual dos três considerou o homem ferido como seu próximo?” Mas a pergunta de Jesus inverte a ordem:
“O que você acha? Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?”
Lucas 10. 36
Em vez de olhar para os três homens, olha para o ferido. Qual dos três é o seu próximo?
Você lembra o que motiva Jesus a contar a parábola? Um mestre da lei se aproxima e pergunta o que era preciso fazer para herdar a vida eterna (Lc. 10. 25). Jesus responde questionando-o sobre o que ele pensa que diz a lei:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
Lucas 10. 27
Jesus elogia a resposta e diz que ele tem de fazer aquilo mesmo para ser salvo. O mestre fica desconcertado e pergunta:
“Como saber quem é o próximo?”
Lucas 10. 29
É para responder essa pergunta que Jesus conta a parábola.
O próximo, no contexto, é alguém que devemos amar como a nós mesmos. Por isso, se eu olho a estória do ponto de vista do homem ferido (Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?), ela não me diz apenas que o samaritano é o seu próximo que deve ser amado como si mesmo.
Ela diz também que os religiosos não são - e logo, não dever amados. Em outras palavras, Jesus diz que não devemos amar uma religião ou religiosos que passam ao largo de nós sem nos socorrer.
No fundo, também, toda essa história leva mais longe a questão do Levítico e da relativização da lei por Jesus.
Sejam santos porque eu sou santo.
Não é o ritual, a prática religiosa, as vestes, o culto, a norma, o seguimento estrito da letra que nos faz santos como o Senhor é santo.
Em Jesus, o Santo, o Senhor, ser santo é, simplesmente, amar. O seguimento estrito e legalista de ritos e leis nos afasta do próximo e da santida e nos torna indignos do amor.
O que importa, o que nos faz santos, o que nos aproxima de Deus, é aquilo que resume toda a lei e os profetas:
“Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”.
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