Mostrando postagens com marcador Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo. Mostrar todas as postagens

7.2.17

Temos propósito?

O que ninguém nunca viu nem ouviu, e o que jamais alguém pensou que podia acontecer, foi isso o que Deus preparou para aqueles que o amam. Mas foi a nós que Deus, por meio do Espírito, revelou o seu segredo.  
1 Coríntios 2. 9 – 10

Andava pela praça de alimentação de um shopping e comecei a pensar nas pessoas à minha volta. Na verdade, uma pergunta me veio à mente: será que cada uma dessas pessoas – que eu nunca vi antes e, provavelmente, não verei depois – tem alguma noção do propósito de sua existência? Em outras palavras, eu me perguntava se temos vivido as nossas vidas motivados por algum propósito em particular ou se vivemos de qualquer maneira. Será que temos propósito em viver? Seremos conscientes dele?
Muita gente busca razões para viver. Alguns cativam sonhos românticos e põem neles os motivos para existirem e se manterem existindo. Alguns transformam sua existência no desejo de terem sucesso ou fazerem dinheiro. Outros, de maneira mais nobre, dedicam suas vidas em assistir os mais necessitados; fazem da caridade sua razão de viver. Mas tenho a impressão que a maior parte de nós vivemos sem refletir, um pouco que seja, na razão de nossa existência. Somos levados a roldão pelos acontecimentos da vida. Nem temos controle, nem temos compreensão, nem temos sequer vontade de fazermos e agirmos de forma diferente. 
Mais tarde, refletindo sobre isso e pensando no texto bíblico, enquanto dava aula no Centro de Treinamento Missionário, me lembrei que só há uma coisa que pode nos dar e nos fazer entender o propósito fundamental de nossa vida, o único propósito, que é viver para o Senhor. A gente só pode vir a descobrir isso se for por meio de uma experiência de conhecimento pessoal com Deus, na Pessoa de Cristo. Para alguns, Deus é um conceito e o conhecimento de Deus se resume a uma questão intelectual, resumida na capacidade de falar umas palavras e ler um livro. Mas os que realmente experimentam o conhecimento de Jesus e Seu reino entendem fácil que – ainda que aquelas coisas façam parte do bolo – andar com o Pai e conhecê-Lo é muito mais uma experiência mística e pessoal. Vida com Jesus é relacionamento muito mais que intelectualidade, porque o conhecimento intelectual sem o relacionamento pessoal não significa nada, não traz significado nem propósito para a vida.
O que ninguém nunca viu nem ouviu, e o que jamais alguém pensou que podia acontecer, foi isso o que Deus preparou para aqueles que o amam. Mas foi a nós que Deus, por meio do Espírito, revelou o seu segredo. Na aula, falávamos sobre a realidade do Reino de Deus manifesto em Cristo e cabível de ser experimentado pelo ser humano. Esse Reino traz em si a contradição do já-presente mais ainda-não-consumado. O Reino já está presente, ainda que não se manifeste em plenitude. Mas ele já é experimentado por aquele que entra em relacionamento com o Senhor, porque o Espírito vem a esse crente, habita em seu coração para estabelecer esse relacionamento. E esse relacionamento que traz o Reino para o nível do já-presente em nossas vidas. Já-presente, ele nos conduz a experimentar as riquezas das bênçãos do Senhor, a conhecer a grandeza daquilo que já recebemos nas regiões celestes. O prazer que temos de andar na presença do Senhor é algo de extremamente inefável para o homem. Só podemos, exultantes de alegria – incapazes de palavras –, celebrar a bênção e a riqueza do Reino em nós.
É disso que fala o texto de Coríntios. O Reino já está presente, ainda que ainda-não em plenitude. Mas podemos experimentar o que já temos e ainda vamos ter por meio do Espírito que habita em nós e enche a nossa vida. O que ninguém jamais viu ou compreendeu e é reservado para aqueles que conhecem a Deus – e essa parte a gente nunca presta atenção – não é um segredo inalcançável para nós. Pelo contrário: já começamos a experimentar no nosso dia a dia com o Pai e o Espírito já nos revelou esse segredo: Mas foi a nós que Deus, por meio do Espírito, revelou o seu segredo. 
Esse segredo é o que faz diferença entre uma vida que tem propósito e é consciente dele de uma vida que é levada a roldão. Isso significa que mesmo aqueles que correm em busca de um propósito, por mais nobre que ele seja, não tem qualquer propósito real na vida nem faz qualquer coisa de relevante enquanto não descobrir que a vida de verdade é vivida na dimensão do Reino. Reino que já veio em Jesus, que ainda se consumará depois desse tempo, mas que já pode ser experimentado – o que muda a nossa vida – no dia a dia de quem investe em conhecer e a andar na dimensão do Espírito que habita em nós e se relaciona conosco.

Publicado originalmente em 4 de novembro de 2005.

2.2.17

Holocausto

Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a Ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus.
Romanos 12. 1 (NTLH)


A palavra pela qual conhecemos essa espécie de sacrifico que consome completamente a oferta é holocausto. Ainda que no mundo contemporâneo a referência imediata possa ser os campos de concentração nazistas na segunda guerra, o holocausto é um termo que vem dos rituais, do culto: era o sacrifício que era totalmente (holos) queimado (kaustos).
Por trás de Romanos 12. 1, como capta a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, há a ideia do holocausto.
Entre várias possibilidades, o holocausto pode representar a entrega total e absoluta do adorador, o ofertante, ao Deus a quem oferta. A oferta será totalmente consumida pelo fogo - de igual modo, o ofertante afirma estar sendo completamente entregue e consumido por Deus.
Paulo pede aos Romanos - e a nós, por tabela - que nos ofereçamos “completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a Ele”. Este seria, para o apóstolo, nosso culto lógico, racional, espiritual: a verdadeira forma de adoração, um entrega total e absoluta a Deus.
Sempre que leio sobre holocausto nas Escrituras penso nesse significado: oferecer um holocausto é fazer uma entrega total. E penso: e eu? Já fiz?
Será que nós dizemos que fizemos uma entrega total de nossas vidas a Deus, mas lutamos com unhas e dentes para mantermos o nosso controle sobre algumas esferas dessa vida?
Será que nós dizemos que ofertamos nossa vida como holocausto a Deus, mas esquecemos que ser consumido por Alguém deveria significar mergulhar em sua intimidade - e aí nem lembramos qual foi a última vez que meditamos nas Escrituras, que louvamos a Deus, que conversamos com Ele?
Será que nos oferecemos a nós mesmos "completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a Ele” mas somente como um assentimento emocional ou intelectual sem repercussões reais em nossa vida?
Será que dizemos e fazemos tudo isso porque o hábito cultural de nossa sociedade implica a religião, mas consideramos a religião tão secundária que descartamos a importância de nossa espiritualidade, de nosso culto racional, de nossa relação com Deus?
O que precisamos mudar em nós para experimentarmos de verdade os impactos e as implicações de uma real oferta pessoal como holocausto?
Talvez a própria sequência do texto possa nos ajudar a encontrar a resposta:

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.
Romanos 12. 2 (NTLH)


Alguém que se oferece como oferta total, como entrega completa, como um holocausto a Deus, só poderá ver as implicações disso quando experimentar uma completa, total mudança de mente.
E essa parte não depende de Deus - depende de mim e de você, apenas.
O chamado de Paulo é claro:

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês.
Não é Deus quem vai tomar tal atitude por você. A atitude é só sua.
Aí sim, conhecendo a vontade de Deus, experimentando-a, a entrega de si mesmo como holocausto num culto lógico, racional, espiritual, fará diferença em sua vida e, de sua vida, na vida dos outros.
Consumido por Deus você será, acima de tudo, instrumento de Deus.