17.2.05

Superficial e sem sentido

Ai dos que querem que venha o Dia do Senhor! Por que é que vocês querem esse dia? Pois será um dia de escuridão e não de luz. Será como um homem que foge de um leão e dá de cara com um urso; ou como alguém que entra em casa e encosta a mão na parede e é picado por uma cobra. O Dia do Senhor não será um dia de luz; pelo contrário, será um dia de trevas, de escuridão total. O Senhor diz ao Seu povo: Eu odeio, eu detesto as suas festas religiosas; não tolero as suas reuniões solenes.

Amós 5. 4 – 24 (em destaque, 18-21)

Em meados do ano passado passei a apresentar sintomas de síndrome do pânico. Crises de ansiedade e uma enorme sensação de insegurança, incerteza, medo de morrer, vida sem sentido. Com o tempo, comecei a questionar a Deus o porquê de estar doente. Certo dia, enquanto orava, Deus me falou com nitidez. E as coisas começaram a fazer sentido. Deus me disse: Daniel, preste atenção no que você sente por causa da sua doença: é assim que se sente aquele que não me conhece. Você agora sabe como é, você agora sente como eles se sentem e como se sentem aqueles por quem você está intercedendo. Especialmente aqueles que estão na Igreja e vivem longe de mim.

A ficha caiu. É dessa maneira que se sente, em maior ou menor grau, todo aquele que não coloca o sentido da sua vida unicamente no Amor de Deus, todo aquele que, por isso, vive sua vida de maneira superficial: chega a duvidar da existência do Senhor; teme a morte e tem sentimentos de morte; e a vida como um todo perde o sentido.

Parece que Deus está nos mostrando que muitos dentre nós, em maior ou menor grau, tem se sentido assim, simplesmente porque a superficialidade da vida que temos levado nos deixa distantes do que é essencial de verdade na vida: o amor de Deus revelado em Cristo Jesus. Outras coisas têm sido o centro de nossas vidas e temos esquecido de Quem é o nosso Dono. E, por causa disso, nossas vidas têm tido a profundidade de apenas alguns centímetros. Temos sido superficiais em nossa vida porque o amor de Deus não tem sido nosso bem absoluto e único.

Acredito que um dos pontos capitais é que a nossa religiosidade tem sido marcada pela rotinização das coisas. Em outras palavras, as coisas de nova vida espiritual se tornaram rotina e a rotina tem sido a manifestação de uma religiosidade superficial e vazia de sentido. Construímos nossa própria tradição: nossos cultos seguem a ordem ditada por nossa tradição, vamos à igreja para atender nossa tradição, mesmo a nossa oração particular e leitura bíblica pessoal se convertem em tradição, sobre a qual não pensamos que sentido possa ter. Porque, quando são apenas uma rotina e uma tradição, o nosso culto, a nossa freqüência à igreja e a nossa oração e leitura bíblica não têm e não fazem sentido algum para nossas vidas.

Estas coisas aconteceram em Israel nos dias do profeta Amós. O culto nos dias de Amós era vazio e não gerava justiça, não transformava as relações entre as pessoas nem a vida do povo. O povo estava indo a cultos em diversos templos, como Betel, Gilgal, Berseba, movidos pela tradição, mas se mantinha injusto, vazio e hipócrita (vv. 5 e 7; 10-12). De igual modo, a nossa superficialidade tem gerado parcialidade (desigualdade), hipocrisia (vida falsa, cinismo) e analfabetismo bíblico.

O profeta denuncia o povo por manter a desigualdade, a parcialidade, afligindo os pobres, rejeitando os mais humildes. Às vezes nossa superficialidade tem se manifestado na igreja quando mantemos a desigualdade. Igreja é lugar de diferença, não de desigualdade. Relacionamo-nos com os irmãos firmados em critérios éticos, estéticos, financeiros, culturais, sociais, intelectuais.

Todos esses critérios são inválidos no Corpo de Cristo e só servem para fazer crescer as barreiras de desigualdade entre nós. Na Igreja, o único critério que é válido foi dado por Cristo: Ele derrubou todas as barreiras e nos fez um só Corpo reunido sob Ele. Uma só família. Somos todos irmãos.

A verdade, então, é que Deus rejeita nossa religiosidade vazia e superficial porque ela não transforma nossas relações uns com os outros nem nossa relação com Ele mesmo (vv. 21-24). A nossa religiosidade não transforma porque nossa relação com Deus não tem tido sentido. Ela se tornou rotina, apenas um evento em nossas agendas em que sentimos uns arrepios, cantamos umas canções bonitas, ouvimos belas palavras, mas sobre o qual não pensamos e não buscamos entender a razão e a motivação. Nem deixamos que nos impacte e nos transforme.

Será que você sabe o motivo de ir a Igreja, de cantar louvores ao Senhor, de orar e ler a Bíblia? Será que você sabe o motivo de ser cristão? Será que os seus momentos diante de Deus têm feito diferença em sua vida?

Precisamos entender qual é o fundamento da nossa vida: se há uma coisa que pode fazer a vida voltar a ter sentido e perder a superficialidade é entender que o AMOR DE DEUS MANIFESTADO EM CRISTO JESUS é a única coisa que realmente vale a pena. Só assim estaremos em condições de sermos saculejados pela Palavra sobrenatural do Senhor e sermos os cristãos que Ele quer.

16.2.05

Saciando a sede

Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim”.

João 7. 37 - 38


Mês passado fiz uma viagem para o Seridó Potiguar. Depois de passar por uma serra chamada “do Doutor”, começamos a perceber os efeitos da estiagem na terra seca. A temperatura subiu muito. A paisagem ficou amarronzada com a caatinga sem água. E a gente começou a ver muitos animais mortos de fome e sede às margens da estrada.

Na volta, em torno da uma da tarde, o calor era maior. Apesar do ar condicionado do veículo, a carenagem estava tão quente que o calor extravasava para dentro do carro. E eu olhava admirado como seria possível alguém viver e trabalhar em terra tão inóspita. Para mim, seria impossível. Doía somente imaginar que tipo de vida o sertanejo suportava.

Mas no meio daquela paisagem ressequida, apareciam dois verdadeiros oásis em torno de duas pequenas cidades. No entorno daquelas comunidades víamos muito verde. Impressionantemente, a paisagem era outra. Graças ao fato de que dois açudes perenes abastecem ambas. A presença da água é um elemento que altera todas as coisas em torno dessas cidades.

Aquela terra seca, os sertanejos, as plantas e os animais só precisam de uma coisa ali para uma vida diferente e plena: água. Muita ou pouca, a água tem potencial para transformar todas as coisas.

Uma cena como a que vivi me faz lembrar do encontro de Jesus com a mulher samaritana (João 3). Era meio dia. Calor de matar na Palestina. Sede. A questão é sede e calor. E Jesus diz àquela mulher que Ele pode dar água da vida que a saciará para sempre. Jesus é a água que sacia a nossa sede espiritual e refrigera a nossa alma ressequida. Olhar para a terra seca do Seridó me fez lembrar de Quem é Jesus e do quê Ele faz para fazer vida nova brotar dentro de nós.

Voltamos para a Festa dos Tabernáculos. No templo, Jesus se levanta e oferece saciedade e alívio para todo aquele que nEle crer. Quem tiver sede, pode ir a Ele. Ele é água viva que sacia toda necessidade de um coração espiritualmente ressequido e sedento. Basta ir a Ele, e rios dessa água viva fluíram de nosso coração até a vida eterna, nos conduzindo ao centro da vontade do Pai, a uma vida de intimidade e comunhão (que é a vida de verdade) com Ele.

Aqui está o nosso problema. Todos estamos sedentos. Os nossos corações são ressequidos como a terra do nordeste, carentes da água viva. Mas muitas vezes nos comportamos como se estivéssemos com os olhos vendados e, em vez de bebermos da água oferecida pelo Senhor, estamos bebendo da água amargurada e envenenada disponibilizada por um Inimigo. Sedentos, estamos buscando saciedade em uma água que nos envenenará porque estamos cegos. Não abrimos os nossos olhos e não percebemos a ação maligna para nos afastar da intimidade e comunhão com o Pai. Em vez de bebermos a água viva para saciar a nossa sede, estamos bebendo o veneno da amargura, do ressentimento, da crítica, da fofoca, do mal e da morte. De olhos vendados, estamos aceitando a água envenenada que Satanás oferece porque não nos dispomos a abrir os olhos, nos levantarmos do nosso lugar, irmos a Jesus e deixarmos fluir os rios de água viva em nosso coração carente. Rios que de graça estão oferecidos, mas que de graça estamos desprezando.

Continuamos sedentos. Podemos optar por continuar a usufruir dessa água contaminada que por fim nos matará, ou, então, sairmos de nosso imobilismo, abrirmos os olhos de nosso coração, e irmos a Jesus. Porque Ele disse: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim”.

15.2.05

Rasgar o coração

O Senhor Deus diz: “Mas agora voltem para mim com todo o coração, jejuando, chorando e se lamentando. Em sinal de arrependimento, não rasguem as roupas, mas sim o coração”

Joel 2. 12 – 13

Quando li esta manhã este versículo muita coisa veio à minha mente e ao meu coração. Desde que Deus começou a me instigar a buscar uma vida de intimidade com Ele, em que meu único compromisso seja com Ele, seja obedecê-lo, mesmo que tudo o mais seja custoso, tenho sido alertado para a realidade de fatos antes não percebidos. E a realidade de meu pecado tem saltado cada vez mais viva aos meus olhos.

Não há como fugir do fato: somos pecadores. E isso não é nada impessoal: eu e você temos cometido terríveis faltas diante de Deus. E somos instigados e incomodados com isso, à medida que nos aprofundamos no relacionamento com Ele.

Do mesmo modo que a alma inteira tem sede do Deus vivo, Deus nos diz que a alma inteira precisa se render, confessando a rudeza dos seus pecados. Não se trata de ritos ou palavras vazias. Não se trata de repetir recomendações ou pagar penitências pelo perdão dos pecados. Jesus já morreu por cada um deles. Os que já cometemos, os que ainda cometeremos, os que nem imaginamos que cometemos. Ele, como disse o anjo a José, veio para salvar o povo dos pecados deles (Mt. 1. 21).

A questão é mais séria. Quando entramos no quarto da intimidade com Deus, quando penetramos na sala do trono da graça, nos deparamos com o Deus santo. É impossível o homem pecador ficar em pé. É impossível que sejamos os mesmos quando ouvimos o canto dos anjos, que dizem: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos! Estar na sala do trono, para o pecador, é desesperador. Porque o pecador se olha no espelho da sua alma e vê a sua indignidade. Se vê condenado.

Por isso, quando a nossa vida é um culto real a Deus, a confissão dos pecadores que somos não pode ser um rito. Não adianta lançar terra à cabeça e rasgar as vestes. A realidade do Deus santo e do nosso pecado é tão impactante que só nos resta rasgar a alma e o coração. O arrependimento é tão arrebatador que nos partimos, esmigalhados, diante do Deus da vida. E só quando fazemos isso podemos ser restaurados em nosso ser, porque somente assim o nosso Deus pode pegar os nossos cacos e nos refazer. É assim que diz o salmista: “Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração humilde e arrependido” (Sl. 51. 17).

Nesse sentido, lembrei que Kierkergaard disse, com propriedade, que a nossa única chance de ser alguém é diante do Deus vivo. Porque diante do Deus vivo e santo, nós, pecadores, rasgamos a nossa alma e o nosso coração, e podemos ser feitos alguém pela graça do Senhor. Somente diante de Deus eu posso ser um “eu”: “O eu não é destas coisas a que o mundo dê muita importância. Com efeito, é aquela que menos curiosidade desperta e que é mais arriscado mostrar que se tem. O maior dos perigos, a perda desse eu, pode passar tão desapercebido dos homens como se nada tivesse acontecido” (Sören Kierkergaard, O desespero humano). E aí ele diz que somente serei eu quando me lançar ao infinito na direção de Deus. Por isso, “carecer de Deus é carecer de eu (...). É necessário um Deus para orar (...), porque Deus é o absoluto possível, ou, em outras palavras, a possibilidade pura é Deus. E somente aquele que um tal abalo fez nascer para a vida espiritual, compreendendo que tudo é possível, apenas esse tomou contato com Deus” (O desespero humano).

Somente podemos ser alguém, termos um “eu”, quando estamos em posição de sofrer o abalo espiritual de nos depararmos com o Deus vivo e santo. Abalo que gera as coisas para a vida espiritual. Abalo que nos faz conscientes de nossa miséria, que nos faz rasgar o coração em arrependimento e permite que o próprio Deus nos faça sermos alguém, restaure e instaure o nosso ser, pleno de vida espiritual.

Por isso, o desafio do Senhor para mim nessa manhã foi ecoar as palavras do livro de Joel: “Mas agora voltem para mim com todo o coração, jejuando, chorando e se lamentando. Em sinal de arrependimento, não rasguem as roupas, mas sim o coração”.

14.2.05

Temor e intimidade

A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a Sua aliança.

Salmo 25. 14

Imagine uma casa. Uma casa não. Uma mansão. Cada quarto, uma suíte confortável. Nada de calor, nada de dispersão, nada de dúvida, nada de insegurança. Puro conforto, puro prazer. Vida pura.

Você caminha por essa casa. A cada cômodo, você se impressiona com a tranqüilidade, a paz e a beleza do lugar. Todas as coisas arrumadas, tudo organizado. E o lugar é seu. Todo seu. Você não precisará dispor de um real para usufruir desse lugar, para entrar nele, para estar em seus cômodos, para viver em seus quartos. O lugar é seu de graça, mesmo você percebendo o seu enorme valor. O lugar é seu. Lugar de intimidade e comunhão.

É desse modo que Deus nos mostra a sua comunhão e seu convite à intimidade. A casa da intimidade com Deus é extremamente aprazível e confortável. É belíssima. É rica. É de graça. O preço dessa aliança foi pago totalmente por Jesus na Cruz do Calvário.

Os quartos estão vazios porque nos esperam para entrar e viver a intimidade e o temor do Senhor. Disse Jesus: Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará (Mt. 6. 6). Os quartos ainda estão aí, com as portas abertas, esperando corajosos que se disponham a entrar e trancar a porta da comunhão em secreto.

Cada vez mais me convenço da necessidade que temos de viver na intimidade do Senhor. Sendo capazes de ouvir a Sua voz maravilhosa, entender aquilo que Ele tem para nós. E obedecer, como diz um cântico do Koinonya: Se eu quiser adorar a Deus, tenho que entender Seu Filho/ Se eu quiser adorar a Deus, tenho que ouvir do Espírito/ E obedecer...

A intimidade do Senhor não é exclusividade de uns poucos santos privilegiados. A intimidade do Senhor é o melhor lugar do mundo para que cada cristão esteja. É a casa maravilhosa que Deus tem preparado para todos os que O servem. Para aqueles que O buscam e O adoram. Para os que O temem. Não é uma mansão exclusiva nem exclusivista. Os quartos, confortáveis, estão vazios porque estão esperando os seus ocupantes. Cada um de nós.

A intimidade do Senhor é um lugar espiritual que o próprio Deus preparou e tem preparado para cada um de nós, Seus filhos. É o lugar onde Ele deseja que estejamos. É o lugar onde deveríamos desejar estar.

A intimidade do Senhor é para aqueles que O temem. Jesus disse isso na Sua última noite: Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer (Jo. 15. 14-15).

Conhecer o Senhor intimamente é um privilégio disponível a cada um de nós. Aos que se dispuserem a entrar na casa da intimidade com Deus e usufruir de um de seus quartos de comunhão com o Pai, Deus dará a conhecer os mistérios de Sua aliança. Seremos conhecidos como amigos de Deus. Como Abraão. E a quem estiver nessa casa, Deus possivelmente repetirá palavras como as que disse a Abraão: Ocultarei a Abraão o que estou para fazer? (Gn. 18. 17).

É interessante olhar para a tradução na Linguagem de Hoje do versículo 14 do Salmo 25: O Senhor Deus é amigo daqueles que O temem e lhes ensina as condições da aliança que fez com eles. Deus está convidando você a entrar na casa da Sua intimidade, tomar posse do quarto que Ele preparou ali especialmente para você e se tornar amigo íntimo e conhecedor fiel dEle mesmo. Não perca tempo. A porta está aberta.

O preço do discipulado: calculando o valor (final)

Lc. 14. 28-32

É muito bom ser crente. Seguir a Jesus tem suas vantagens. Mas todo esse texto que trata acerca da vocação para o discipulado é um alerta para os discípulos e os pretensos discípulos de Jesus: meçam bem as conseqüências e as exigências antes que se tornem cristãos. Calculem o preço do discipulado.
Eu acredito que muitos dos nossos problemas com o testemunho da igreja e com a qualidade da vida espiritual dos crentes derivam do fato de que as pessoas estão vindo para a igreja, mas não calculam os custos de ser discípulo. Acham lindo seguir Jesus, mas não percebem o enorme valor que está implicado no discipulado.
Jesus, em outras palavras, está dizendo: “Muito bem. Agora vocês conhecem as minhas exigências. E aí? Estão dispostos a atendê-las?”
Antes que você me diga que não se recorda quais são as exigências, vou lembrá-las. Primeiro, quem não tiver Jesus como prioridade, não pode ser Seu discípulo. Em seguida, quem quiser seguir seu próprio caminho, não pode ser Seu discípulo. E, também, quem não renunciar a tudo, não pode ser Seu discípulo.
Para demonstrar a necessidade de calcular o preço, Jesus usa primeiro o exemplo da construção de uma torre (v. 28-30). O construtor deve calcular o quanto vai gastar e se tem os recursos necessários, para que não venha a parar a obra no meio do caminho, incapaz de concluí-la. O texto diz que as pessoas começam a zombar do construtor da torre incompleta (v. 30). É como quando a gente ouve frases como: Mas... e não era crente? Como pôde fazer isso? Uma vergonha para o Evangelho, resultado da dificuldade em calcular o valor do discipulado.
A comparação de Jesus continua com a história de um exército pequeno que vai enfrentar um exército bem maior. Dez mil homens podem enfrentar 20 mil em igualdade de condições? Se não, o exército menor precisa evitar o conflito, precisa chegar a um acordo. O desafio imposto por essa estória ao nosso discipulado é saber se temos condições de assumir os compromissos do discipulado. O Jesus que nos chama a sermos discípulos radicais dEle mesmo, ao mesmo tempo nos desafia a calcularmos o preço, a termos ciência se podemos assumir os compromissos implicados.
Jesus está estimulando os seus possíveis discípulos a que pesem bem a situação na qual vão entrar. É preciso amar mais Jesus que à família, que à própria vida. É preciso amar mais Jesus que a liberdade de escolhermos os nossos caminhos. É preciso amar mais a Jesus que os recursos e bens desse mundo. Ser discípulo é viver uma vida nessa dimensão.
Grandes multidões acompanhavam Jesus naqueles dias. Mas não tinham muito compromisso com Ele. Do mesmo modo, grandes multidões têm acompanhado Jesus hoje em dia. Mas com que grau de compromisso? Será que calcularam o custo do discipulado? Jesus é a sua maior prioridade na vida?
Este texto de Lucas me faz lembrar o trecho de João 6, quando muitos deixaram Jesus após um discurso desafiador do Mestre. Acredito que algo assim aconteceria em nossas igrejas se mais gente prestasse atenção à Palavra de Jesus: as pessoas terminariam deixando as igrejas porque não estariam dispostos ao compromisso radical com Cristo.
Grandes multidões acompanhavam Jesus. O desafio dEle para nós é que não sejamos mais um na multidão, e sim, sejamos verdadeiros discípulos.