21.2.05

Transparência

A mensagem que Cristo nos deu e que anunciamos a vocês é esta: Deus é luz, e não há nele nenhuma escuridão. Portanto, se dizemos que estamos unidos com Deus e ao mesmo tempo vivemos na escuridão, então estamos mentindo com palavras e ações. Porém, se vivermos na luz, como Deus está na luz, então estamos unidos uns com os outros, e o sangue de Jesus, o seu Filho, nos limpa de todo pecado.

1 João 1. 5 – 7.

Uma coisa sempre me causou admiração na vida de Davi. Ele me parece um dos personagens mais transparentes da Bíblia. Ele não se escondia e não escondia quem era de quem quer que fosse. Isso fica claro em várias passagens de sua vida. Em um dado momento, por exemplo, finalmente o rei consegue levar a Arca para Jerusalém. Ele estava em êxtase. Davi, vestindo um manto sacerdotal de linho, dançou com todo o entusiasmo em louvor a Deus, o Senhor. Mical, filha de Saul e sua mulher, olhou pela janela, viu o rei Davi pulando e dançando em louvor ao Senhor. Então sentiu por ele um profundo desprezo (2 Sm. 6. 14 e 16). Mais tarde, Mical repreende Davi porque o rei dançava sem se importar com quem estava à sua volta, chegando a mostrar suas roupas íntimas às mulheres em volta. Davi estava feliz e entusiasmado. Não estava nem aí para o que os outros iam pensar nem pautava seu comportamento de uma outra maneira por ser rei. Mical revoltou-se: Que bela figura fez hoje o rei de Israel! (v. 20), ao quê o rei respondeu: Eu estava dançando em louvor ao Senhor, que preferiu me escolher em vez de escolher o seu pai e os descendentes dele e me fez o líder de Israel, o seu povo. Pois eu continuarei a dançar em louvor ao Senhor e me humilharei ainda mais diante dele. Você pode pensar que eu não sou nada, mas aquelas moças de quem você falou vão me dar muito valor!i (vv. 21 – 22).

Quando pecava, Davi assumia seu pecado publicamente, diante de todos. Quando errava, encarava a si mesmo e a Deus com honestidade. Mesmo em seu pior momento, sua transparência, por fim, se ressaltou. O pecado de Davi na história com Bate-Seba é relatado em 2 Sm. 11. Ele adulterou, mentiu e assassinou Urias, o marido traído. E fingiu um tempo. Mas aí Deus enviou Natã para repreender o rei. Ele assumiu e confessou seu pecado: Eu pequei contra Deus, o Senhor (2 Sm. 12. 13). Uma série de salmos de arrependimento são atribuídos ao rei e às suas vivências nesse período. Mesmo sendo rei, liderança do Povo de Deus, ele não tinha medo de mostrar sua fragilidade e de parecer fraco. Ele era igual ao povo: nem mais, nem menos santo.

Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro. (...) Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados (Sl. 32. 3 e 5).

Estou me afogando nos meus pecados; eles são uma carga pesada demais para mim (Sl. 38. 4).

E o principal destes salmos: Pois eu conheço bem os meus erros, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti eu pequei – somente contra ti – e fiz o que detestas. Tu tens razão quando me julgas e estás certo quando me condenas (Sl. 51. 3 – 4).

É curioso pensar que, mesmo que esses salmos atribuídos a Davi não tenham sido escritos por ele, a visão que o povo tinha de seu principal rei era a esse ponto fantástica. A tradição e a história de Israel não se importavam de que seu rei parecesse fraco, assumindo publicamente seus erros. Ele podia se mostrar fraco, pecador, frágil, e, ainda assim, era a referência espiritual de toda uma nação. Aliás, era um homem segundo o coração de Deus. Porque era um homem transparente. Não se escondia, não fingia ser o que não era, não temia se mostrar frágil, se mostrar infantil em sua celebração a Deus. Não se conformava às imposições que a sociedade poderia lhe exigir devido ao seu papel de rei. Provavelmente foi isso que ganhou a confiança, o amor e admiração de Israel. E foi aí que ele se tornou homem segundo o coração de Deus.

Vivemos uma época, parece, que ser transparente e demonstrar a nossa fraqueza e fragilidade são encarados como pecados e defeitos mortais. Líderes evangélicos são vistos por aí, dedo em riste, gritando a sua fortaleza, o valor da sua fé. Ninguém se quebranta. Ninguém se revela. Ninguém é honesto e transparente. Parece não haver, entre eles, qualquer pecado. Ninguém é pecador. São como aqueles fariseus dos tempos de Jesus que atavam pesadas cargas sobre os convertidos, mas não lhes ajudavam nem com um dedinho a carregá-las. Pecado mortal parece ser assumir a própria fraqueza e fragilidade. Ser transparente. Mas, se dizemos que não temos pecados, estamos nos enganando, e não há verdade em nós (...). Se dizemos que não temos cometido pecados, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua mensagem não está em nós (1 Jo. 1. 8 e 10).

João escreve que Deus é luz. Quer dizer, todas as coisas são transparentes diante dEle. Nada pode se esconder. Ninguém pode. Não há como preservar pontos escuros em nossa vida ou personalidade. Todas as coisas se revelam ante o Senhor. Se tentamos esconder algo em nossas vidas, se tentamos fazê-las não transparentes, então estamos mentindo com palavras e ações.

Por outro lado, se assumimos vidas transparentes diante de Deus e de nossos irmãos, vivemos na luz, como Deus está na luz. Estamos unidos uns com os outros, unidos com o Pai, e o sangue de Jesus, o seu Filho, nos limpa de todo pecado.

Paulo não se preocupava em esconder suas fraquezas das igrejas. Por várias vezes ele se assume como o maior dos pecadores, o principal deles. O cume dessa caminhada acontece quando o apóstolo escreve aos Coríntios, dizendo que pedira ao Senhor que lhe removesse um espinho na carne enviado por Satanás, ao quê Jesus negou três vezes: A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco (...) Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim (2 Coríntios 12. 9 e 10).

O caminho para sermos cristãos segundo o coração de Deus é buscarmos uma vida de transparência e honestidade. Não escondendo coisa alguma nem de nós nem dos outros. Porque Deus é luz e diante dele todas as coisas são translúcidas. Nossa fraqueza, nossa fragilidade, nossa vida. Ser cristão é ser transparente, deixando que a luz de Deus brilhe através de nós e em nós.

20.2.05

Atitude do coração

O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.

Habacuque 2. 20

Tenho refletido nesses dias sobre o encontro com o Senhor Santo e Poderoso. Na verdade, esses pensamentos têm me conduzido à reflexão acerca de um tema muito caro para muitos, mas pouco entendido e assumido nos corações: a reverência.

É comum que ouçamos instruções para igrejas se porem de pé para a leitura da Palavra de Deus em sinal de reverência. Ou a obsessão pelo silêncio absoluto em nossos cultos como manifestação de reverência ao Senhor. Em outras palavras, nossa tendência tem sido a de normatizar a reverência, forçando-a a partir de regras de posturas e de comportamentos, que atendem, na verdade, muito mais a nossa necessidade de ordem na vida do que significam sermos reverentes de verdade. A reverência é uma atitude de coração. Por isso, tenho percebido que mesmo as pessoas mais preocupadas com a ordem em nossos cultos são das mais irreverentes, porque não se depararam, conscientemente, com o coração santo do Senhor. Ao menos, não se apercebem disso. Seus corações não se calam diante do Senhor.

Reverência é uma atitude de coração. Não é normatizável, não pode ser exigida. Apenas pode ser vivida. Apenas pode ser experienciada. Reverência é a única atitude possível para aquele que se vê diante do Deus Vivo. Não é pensada, é apenas reativa. Ela simplesmente acontece como resultado de nossa comunhão com o Deus Santo. A presença de Deus nos paralisa. Porque, como eu já disse, Ele é Santo e eu sou pecador.

O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra (Hc. 2. 20). O verdadeiro adorador, o sedento que busca dia e noite pela face de Deus, que O adora em espírito e em verdade, que vive a Sua intimidade, não tem outra escolha. Deparar-se com o Deus vivo é calar a mente e o coração. É quedar-se paralisado e silenciado diante do êxtase da Presença, da Glória e do Abalo. Não é uma atitude escolhida, mas é o resultado de se estar diante de Deus. Entrar na presença de Deus forçosamente tem como resultado, diante da consciência do abismo e da distância entre o nosso ser e o Ser Criador, o silêncio e a reverência.

Deus está aqui. Eu sinto o impacto de Sua Glória me envolvendo. O povo parou diante do Sinai. A nuvem da Glória do Senhor desceu sobre o monte. O som como de trombetas, vindo do céu, era ensurdecedor. Moisés subiu para se encontrar com Deus. O povo tremeu. O monte tremia e fumegava com a presença do Senhor. Os corações tremiam e temiam. Tudo era aterrador. Diante de Deus tão Santo e Poderoso, todo coração se cala, todo joelho se dobra, todo ser se curva, toda mente adora. É inevitável. É inevitável perceber a grandeza e o poder de Deus e silenciar por inteiro.

Por isso, a irreverência que podemos perceber em nossa volta é um entristecedor sintoma de um problema mais sério. Nossas vidas espirituais têm sérios problemas. Não temos ido ao Senhor. Ele não nos tem impactado. Logo, nossos corações não podem se quedar silenciados, tementes e reverentes ao Deus Santo. Porque não temos ido a Ele. A irreverência não é o principal de nossos problemas, mas apenas indica o maior de todos: a intimidade do Senhor é uma coisa da qual passamos distantes, a qual desconhecemos. Não a queremos, não a buscamos. Não a julgamos importante. Aumentamos nossa falsidade, superficialidade e mentira. Nossa irreverência. Cantamos com toda empolgação que Deus é tudo o que temos, mas fugimos de um real e transformador encontro diário com Ele.

Reverência não é algo que as normas da igreja podem impor ao coração. Reverência é algo que nasce do contato íntimo e pessoal entre o cristão e o seu Deus, que é Santo. O monte tremia, o fogo ardia, o povo ouvia a voz do Senhor como trovões. Atemorizado. Reverente. A terra inteira se calava diante do Deus vivo.

19.2.05

O abalo

E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.

Isaías 6. 3-4

Acho que seria um exercício interessante para a nossa fé se pudéssemos imaginar mais. Por exemplo, se pudéssemos nos imaginar entrando no Santo dos Santos com Isaías na visão do capítulo 6 de seu livro. Com ele, olharíamos por cima dos querubins sobre a Arca e veríamos o Senhor. O Formoso Senhor Deus, sentado em uma Alto e Sublime Trono de Glória. Acredito que nossos olhos tentariam fugir de tal visão. Chegariam a doer diante do brilho da Luz do Senhor. Temeríamos ficar cegos.

Mas o abalo maior ainda estaria por ser sentido. Quando víssemos aqueles seres celestiais, que o profeta chama de serafins, voando com seus três pares de asas, tremeríamos. Mas seríamos radicalmente abalados quando ouvíssemos a sua voz, o seu canto, a sua declaração. A voz de todo universo ressoaria em nossos ouvidos, em nossa mente, em nosso coração: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos. Isso, sim, nos abalaria. A visão de Isaías descreve isso. Os próprios fundamentos do templo balançaram, ao som do coro celestial. Imagino o som das vozes vibrando ao longo de todo meu corpo. Ensurdecedor. Imagino as emoções se aflorando quando o coração pulsasse ao ritmo do canto. Batesse, enquanto dizia: Santo, Santo, Santo... A realidade do Deus Santo penetraria o mais íntimo de meu ser. E aquele canto não seria mais o canto dos querubins, dos seres celestiais ou dos vinte quatro anciãos. Agora, diante de tanta Glória, Beleza e Majestade, era o meu próprio canto. O meu próprio pulsar. Era eu mesmo quem declarava: Santo, Santo, Santo é o Senhor.

Quanto mais íntima se tornava a percepção da santidade de Deus à minha volta, mais a seriedade do abalo se agravava. Tornava-se real para mim o que o Senhor disse a Moisés quando este pediu para ver a Sua Glória: Não me poderás ver a face, porquanto nenhum homem verá a minha face e viverá (Ex. 33. 20). O canto à santidade de Deus, que cada vez mais dominava a mente e o coração, pouco a pouco ia se tornando um canto de desespero e destruição. Estou diante do Deus santo, cuja glória preenche todo o universo. Estou diante do Deus todo-poderoso, maravilhoso em Sua justiça. Estou diante do Senhor. Mais que isso: a sua glória está enchendo a minha vida. O meu corpo está vibrando enquanto declara que Ele é Santo, Santíssimo. Mas eu posso ver o meu pecado. Percebo toda a minha iniqüidade. O meu corpo e minha vida são abalados pela santidade gloriosa do Senhor. Agora, mais do que nunca, eu sei que não posso permanecer vivo diante de Deus tão santo e poderoso. Vou ser consumido pelo Fogo Consumidor. Não sou digno de estar no monte do Senhor. Diante de Sua Glória e Santidade. Em lágrimas, rasgo o coração e a alma diante do Senhor e, em desespero, grito com Isaías: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! (Is. 6. 5). Desespero! Estou perdido! Deus é Santo e eu sou pecador!

O abalo da santidade do Senhor quebrou-me inteiramente. Prostrei-me, rasguei-me, aos pedaços me joguei diante do Deus do Universo. Mas é nessa hora que Ele vem restaurar. O abalo me destrói para que Ele possa me reconstruir, me fazer de novo. Ele vem a mim, junta os cacos e me faz novo. E me ama. E tira todo desespero. E enche meu peito de esperança, perdão e paz. O anjo tira uma brasa viva do altar com uma tenaz e vem até onde estou, me toca os lábios, e me restaura, me faz de novo: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado (Is. 6. 7). O pecado foi tirado e perdoado.

Agora, aliviado, estou pronto para servir. Como vaso restaurado, posso me pôr, com Isaías, às ordens do Senhor e atender a sua vocação. Aquilo que Ele requer de mim. O serviço que Ele me põe na mão. No meu caso, contar essas histórias para vocês. À pergunta do Senhor sobre quem Ele enviará, diante de Sua Glória e Santidade, restaurado e de pé novamente, posso dizer: Eis-me aqui, envia-me a mim.

Imagine.

Daniel Dantas

Missionário da 1ª IPI do Natal

18.2.05

O poder de Deus

Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

Romanos 1. 16-17

Acredito que a maior parte de nós conhece a história da experiência de Lutero que deflagrou a Reforma. Lutero era monge agostiniano com Doutorado em Teologia. Ele se flagelava e se angustiava a cada dia pela consciência de que vivia diante de um Deus Santo. O grande problema era a justiça. Lutero entendia a justiça de Deus como sendo perfeitamente retributiva, ao estilo do que seria o ideal da justiça dos homens: a cada falta, uma pena correspondente.

Essa idéia martirizava o pobre monge. Se a justiça de Deus era isso, não haveria esperança nenhuma de salvação. Porque Lutero estava consciente do miserável pecador que era. Ele podia acertar aqui e ali, mas o conjunto da obra acusava-o perenemente diante de Deus. Tiago lhe lembrava que se guardamos toda a Lei, mas tropeçamos em apenas um ponto, não adianta nada: somos culpados de toda a Lei (2. 10). Se a justiça era retributiva, a única coisa que Lutero poderia esperar era palavra condenatória do Pai: Afastai-vos de mim, já que se sabia um pecador e não havia um justo, nenhum sequer sobre a terra.

Mas aí aprouve a Deus que o professor fosse designado para dar aulas sobre a carta de Romanos. E no início da carta, ele se deparou com o texto que mudou a história. Não, a justiça de Deus não é retributiva. Antes, ela se revela no evangelho, de fé em fé, evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. O justo não é o que age perfeitamente de acordo com a Lei. Esse não existe. O justo é aquele que vive por fé. Fé em Cristo, confiança no evangelho, poder de Deus. Lutero se sentia desesperadamente culpado, desesperadamente perdido. Até se deparar com o sentido das boas notícias de que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. O Justo pelos injustos para os trazer para junto de Si.

O evangelho é o poder de Deus. O evangelho é a mais bela história que poderia ser contada, a história de um Deus que dá seu Filho único para que todo o que crer seja salvo. Pela fé.

Lutero, então, se deu conta de que podemos ter esperança porque o amor de Deus se revela em Cristo Jesus: Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm. 5. 5-8). Por mais complicada que pareça a situação, em Cristo e somente nEle, a esperança pode se manter contra todas as circunstâncias.

Tomar ciência disso implica em entender outras coisas mais. Entender que Deus nos salva do poder da morte e do pecado, do juízo e da destruição eterna. Ele nos salva porque Jesus levou sobre si todas as nossas iniqüidades, todas as nossas culpas, as nossas enfermidades Ele tomou essa coisas sobre Si. O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele (Is. 53. 4-5).

Além de tudo, Deus nos faz justos, nos inocenta diante dEle por causa do que Jesus fez naquela Cruz. Porque se pecarmos, Ele é fiel e justo para nos purificar de todo pecado e injustiça. Além disso, justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm. 5. 1). Quando Deus olha para aquele que põe sua confiança em Jesus, não vê mais os seus pecados ou sua culpa, mas sim o sacrifício daquela Cruz em favor do ser humano pecador.

Por isso, quando você se sentir inseguro, lembre de Rm. 8. 31 – 34: Que diremos, pois, à vista dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Você está mãos do Senhor, de tal maneira, que ninguém poderá arrancar você de lá. Você pertence unicamente ao Senhor e está seguro sob os cuidados do Pai.

Deus mostra a você o amor pelo poder do Evangelho. Porque esse é o Deus que amou tanto que foi capaz de morrer por você, somente para ter você junto a Ele. O amor dEle é a única coisa que pode fazer vida ter sentido. Todas as outras coisas são secundárias se entendermos a profundidade, a largura e a grandeza do amor de Deus. O amor de Deus é o melhor remédio contra a superficialidade da vida.

Quando nos deparamos com o Deus vivo e santo e tomamos consciência de nossa miséria e pecado, podemos deixar aos pés do Senhor o desespero porque o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

17.2.05

Superficial e sem sentido

Ai dos que querem que venha o Dia do Senhor! Por que é que vocês querem esse dia? Pois será um dia de escuridão e não de luz. Será como um homem que foge de um leão e dá de cara com um urso; ou como alguém que entra em casa e encosta a mão na parede e é picado por uma cobra. O Dia do Senhor não será um dia de luz; pelo contrário, será um dia de trevas, de escuridão total. O Senhor diz ao Seu povo: Eu odeio, eu detesto as suas festas religiosas; não tolero as suas reuniões solenes.

Amós 5. 4 – 24 (em destaque, 18-21)

Em meados do ano passado passei a apresentar sintomas de síndrome do pânico. Crises de ansiedade e uma enorme sensação de insegurança, incerteza, medo de morrer, vida sem sentido. Com o tempo, comecei a questionar a Deus o porquê de estar doente. Certo dia, enquanto orava, Deus me falou com nitidez. E as coisas começaram a fazer sentido. Deus me disse: Daniel, preste atenção no que você sente por causa da sua doença: é assim que se sente aquele que não me conhece. Você agora sabe como é, você agora sente como eles se sentem e como se sentem aqueles por quem você está intercedendo. Especialmente aqueles que estão na Igreja e vivem longe de mim.

A ficha caiu. É dessa maneira que se sente, em maior ou menor grau, todo aquele que não coloca o sentido da sua vida unicamente no Amor de Deus, todo aquele que, por isso, vive sua vida de maneira superficial: chega a duvidar da existência do Senhor; teme a morte e tem sentimentos de morte; e a vida como um todo perde o sentido.

Parece que Deus está nos mostrando que muitos dentre nós, em maior ou menor grau, tem se sentido assim, simplesmente porque a superficialidade da vida que temos levado nos deixa distantes do que é essencial de verdade na vida: o amor de Deus revelado em Cristo Jesus. Outras coisas têm sido o centro de nossas vidas e temos esquecido de Quem é o nosso Dono. E, por causa disso, nossas vidas têm tido a profundidade de apenas alguns centímetros. Temos sido superficiais em nossa vida porque o amor de Deus não tem sido nosso bem absoluto e único.

Acredito que um dos pontos capitais é que a nossa religiosidade tem sido marcada pela rotinização das coisas. Em outras palavras, as coisas de nova vida espiritual se tornaram rotina e a rotina tem sido a manifestação de uma religiosidade superficial e vazia de sentido. Construímos nossa própria tradição: nossos cultos seguem a ordem ditada por nossa tradição, vamos à igreja para atender nossa tradição, mesmo a nossa oração particular e leitura bíblica pessoal se convertem em tradição, sobre a qual não pensamos que sentido possa ter. Porque, quando são apenas uma rotina e uma tradição, o nosso culto, a nossa freqüência à igreja e a nossa oração e leitura bíblica não têm e não fazem sentido algum para nossas vidas.

Estas coisas aconteceram em Israel nos dias do profeta Amós. O culto nos dias de Amós era vazio e não gerava justiça, não transformava as relações entre as pessoas nem a vida do povo. O povo estava indo a cultos em diversos templos, como Betel, Gilgal, Berseba, movidos pela tradição, mas se mantinha injusto, vazio e hipócrita (vv. 5 e 7; 10-12). De igual modo, a nossa superficialidade tem gerado parcialidade (desigualdade), hipocrisia (vida falsa, cinismo) e analfabetismo bíblico.

O profeta denuncia o povo por manter a desigualdade, a parcialidade, afligindo os pobres, rejeitando os mais humildes. Às vezes nossa superficialidade tem se manifestado na igreja quando mantemos a desigualdade. Igreja é lugar de diferença, não de desigualdade. Relacionamo-nos com os irmãos firmados em critérios éticos, estéticos, financeiros, culturais, sociais, intelectuais.

Todos esses critérios são inválidos no Corpo de Cristo e só servem para fazer crescer as barreiras de desigualdade entre nós. Na Igreja, o único critério que é válido foi dado por Cristo: Ele derrubou todas as barreiras e nos fez um só Corpo reunido sob Ele. Uma só família. Somos todos irmãos.

A verdade, então, é que Deus rejeita nossa religiosidade vazia e superficial porque ela não transforma nossas relações uns com os outros nem nossa relação com Ele mesmo (vv. 21-24). A nossa religiosidade não transforma porque nossa relação com Deus não tem tido sentido. Ela se tornou rotina, apenas um evento em nossas agendas em que sentimos uns arrepios, cantamos umas canções bonitas, ouvimos belas palavras, mas sobre o qual não pensamos e não buscamos entender a razão e a motivação. Nem deixamos que nos impacte e nos transforme.

Será que você sabe o motivo de ir a Igreja, de cantar louvores ao Senhor, de orar e ler a Bíblia? Será que você sabe o motivo de ser cristão? Será que os seus momentos diante de Deus têm feito diferença em sua vida?

Precisamos entender qual é o fundamento da nossa vida: se há uma coisa que pode fazer a vida voltar a ter sentido e perder a superficialidade é entender que o AMOR DE DEUS MANIFESTADO EM CRISTO JESUS é a única coisa que realmente vale a pena. Só assim estaremos em condições de sermos saculejados pela Palavra sobrenatural do Senhor e sermos os cristãos que Ele quer.