27.4.05

Esconderijo

Em tempos difíceis, Ele me esconderá no seu abrigo.

Salmo 27. 5

O The History Channel está exibindo uma série sobre Napoleão. Eu não estou assistindo, mas vi ontem uma cena que me chamou atenção. No meio de uma batalha, que eu suponho fosse Waterloo, com as tropas francesas recuando, Napoleão dá ordem aos seus soldados e eles formam um quadrado à sua volta para proteger sua retirada. Os ingleses estão vindo e algumas dezenas de homens fiéis, como uma barreira humana, produzem um esconderijo um tanto simples para o general.

No 11 de Setembro, o Presidente Bush foi inicialmente criticado por ter desaparecido por algumas horas logo após o atentado. Depois se soube que o serviço secreto e o Departamento de Estado pusseram em marcha um plano para proteção de seus governantes durante o ataque. Chenney e Bush foram levados a esconderijos secretos enquanto não se tinha certeza sobre a dimensão do que estava acontecendo.

Logicamente, o esconderijo americano era muito mais eficiente que a coluna humana de proteção a Napoleão. Mas nenhum desses esconderijos e nenhum plano de segurança pode ser perfeito para guardar vidas. O Salmo 27 nos fala um pouco sobre isso. O salmista se vê ameaçado, mas sabe que não deve temer porque sua proteção não vem de soldados à sua volta nem de bunkers superblindados. E ele canta sua confiança em Deus e Sua proteção.

Em tempos difíceis, Ele me esconderá no seu abrigo. É interessante imaginar a cena descrita pelo salmista. Exércitos inteiros se voltam contra ele. Forças poderosas o atacam impiedosamente. Humanamente, a situação parece sem saída. O salmista parece preso a uma cidade que suporta um longo cerco por parte das tropas inimigas, como na história recente suportou Sarajevo, na guerra da Bósnia. São tempos difíceis, onde não parece haver saída. São tempos difíceis, quando o inimigo vem com força contra nós. Mas, em tempos difíceis, Ele me esconderá no seu abrigo.

O abrigo que o Senhor nos dá não é comparável a qualquer referência que possamos ter na cabeça. Conquistado por Jesus, o abrigo que o Senhor nos dá é a Sua presença. O salmista fala sobre o Senhor o guardar dentro do templo, escondido no Santo dos Santos, diante da Sua presença. O melhor abrigo que podemos ter é acessível pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus, que nos conduz para além do véu e nos leva ao Santo dos Santos, diante do Deus de toda glória. Na presença de Deus, não pode prevalecer nenhum dos nossos inimigos. Nenhuma de nossas lutas resiste por muito tempo quando estamos prostrados na presença do Senhor. A quem temerei?

Enfrentando tanta coisa que nos aflige diariamente, podemos estar certo de que o melhor escape é procurar a presença do Senhor. O melhor esconderijo é estar com Cristo. Nossos inimigos podem ser principados e potestades. Nossas lutas podem ser o labor diário que nos esgota, as responsabilidades da vida, o peso das horas, angústia dos tempos. Enfim, qualquer coisa. Mas não devemos desanimar, não temos o que temer, porque o Senhor é o nosso esconderijo. Ousadamente, pela graça de Deus, podemos estar desfrutando da presença do Senhor. Guardados e protegidos de todo mal. Certos de toda vitória. Ele me guardará no Seu Templo e me colocará em segurança no alto de uma rocha(Sl. 27. 5).

26.4.05

Descansar

Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranqüilas.

Salmo 23. 2

O pai da gente faz muita coisa por nós. E representa muito em nossas vidas. A gente se sente amado e protegido, quando criança, só por estar perto dele. A gente aprende com a pessoa mais inteligente do mundo, para nós. Aquele que sabe tudo é capaz de nos ensinar tudo. A gente tem orgulho daquele que esteve em todos os momentos conosco e que é, para nós, a pessoa de mais sucesso que conhecemos. O pai da gente dos ama, nos instrui, nos protege e nos inspira.

Às vezes, como no meu caso particular, essa figura não se representa pelo pai, mas sim pela mãe. Um pai ausente fez com que todos esses atributos fossem multiplicados e altamente concentrados na minha mãe. Além daquilo que, naturalmente, eu tributaria à melhor mãe do mundo, emocionalmente todas as coisas se concentravam nela.

Apesar de todas essas coisas serem importantes, nada era mais confortável para mim do que dormir no colo de minha mãe. Não existia nada mais gostoso do que descansar deitado com minha cabeça sobre as pernas de minha mãe, deixando-a fazer carinho em mim até adormecer. Nada era melhor do que adormecer no colo de minha mãe. Aliás, era não. É. Porque ainda hoje, vez por outra, bate aquela saudade de outros tempos, e lá vou eu deitar no colo de minha mãe e me entregar ao seu carinho protetor, mágico, regenerador. Não existe nada mais confortável que descansar nos braços de minha mãe.

De modo semelhante, em nossa relação com o Pai celeste vivenciamos tudo isso, em uma escala muito maior. Sabemo-nos protegidos e amados por Aquele que deu Jesus para morrer por nós e nos deu o Espírito Santo, conosco até o fim dos tempos. Ninguém pode nos ensinar de maneira mais efetiva e produtiva do que o Senhor. Ele quer que nós O conheçamos em profundidade, com a inteireza de nossa vida. Ele quer nos instruir. O Pai celeste, em suma, muito mais que qualquer referência humana de amor, nos ama, nos instrui, nos protege e nos inspira.

Mas tem horas que a única coisa que queremos dEle é um colo para descansar. São tantas lutas, tantas dores, tantas dificuldades no dia a dia. São tantas atividades, é o peso do passar do tempo. Tudo isso vai nos cansando. E quando chegamos ao fim de um dia – que pode ser qualquer período de tempo – de lutas, tudo o que queremos e tudo precisamos é descansar no colo do Pai celeste.

Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranqüilas. É maravilhoso saber que temos essa possibilidade de descanso. Que podemos chegar junto ao Pai e apenas nos deitarmos e descansarmos com Ele nos pastos verdejantes. Se há lutas, se há dificuldades, se há tristezas, se há muitas atividades, não há porque desesperar. Temos um escape. Temos um Pai que nos ama. Que nos quer ver deitado em Seu colo, recebendo Seu carinho. Se a vida é difícil e se estamos cansados de tanta coisa, podemos relaxar e nos entregar aos braços do Pai. E dormir no Seu colo, descansando e regenerando nossas forças.

25.4.05

De olhos bem abertos

Ó Senhor Deus, abre os olhos do meu empregado e deixa que ele veja!
2 Reis 6. 17

Muita coisa pode acontecer na vida da gente. Muita coisa que foge ao nosso controle. Muitas imagens buscam tornar mais claro aquilo que sentimos em cada um desses momentos em nossa vida. A poesia do momento é traduzida por palavras. Se os momentos são bons, raios do Sol iluminam a nossa alma, e as palavras que usamos são belas e ricas como o brilho reluzente de lindas jóias de ouro. Se os momentos são tenebrosos, as palavras buscam captar as trevas, as névoas e as tempestades que se abatem contra o barco em que seguimos. Nessas horas, não somos capazes de enxergar o escape. Não podemos ver nada além de nossos narizes e as trevas nos convencem que já estamos derrotados. Em todos os momentos, portanto, a pior coisa que pode nos acontecer é que percamos a visão.
Eliseu estava sendo perseguido pelo rei sírio que havia sido informado que era o profeta o causador de seus vários fracassos em atacar o rei de Israel. O profeta informava os planos sírios ao rei e evitava o desastre. Eliseu, então, se tornou alvo. E uma noite todo o exército sírio cercou o profeta.
Diante das nossas lutas, quando o mar estar revolto, quando a névoa cobre o barco e obscurece nossa visão, quando o nosso raio de ação é limitado, podemos nos desesperar. O assistente do profeta se desesperou: Senhor, nós estamos perdidos! O que vamos fazer? (2 Rs. 6. 15).
Aquele homem não tinha outro problema que não o de visão. Esse é o nosso maior problema: vemos apenas um limitado horizonte. Aquele homem não via o que Eliseu podia ver. O profeta, então, ora: Ó Senhor Deus, abre os olhos do meu empregado e deixa que ele veja! Imagino a surpresa do assistente quando, olhos espirituais abertos, estendendo sua visão para além do alcance físico, ele viu que ao redor de Eliseu o morro estava coberto de cavalos e carros de fogo (2 Rs. 6. 17).
Mais eram os que estavam a proteger o profeta do que aqueles que o atacavam e o queriam morto. Mas essa realidade não era visível para simples olhos físicos. Era preciso abrir bem os olhos. Os olhos espirituais para que a realidade espiritual se descortinasse à frente.
Lutas várias nos acometem todos os dias. E tenho visto isso acontecer muito fortemente às pessoas que estão à minha volta e a mim mesmo. Nessas horas nosso pior risco é termos algum problema de visão. As tempestades começam a se levantar contra nós. Os exércitos inimigos nos afligem. Não conseguimos enxergar saída humanamente possível. É nessa hora que precisamos pedir a Deus que nos abra bem os olhos. Não estamos sós. Não podemos nos deixar abater. Não devemos nos desesperar. Mais são aqueles que lutam a nosso favor. Maior é o Que está em nós.
Esse quadro pode estar invisível aos olhos, limitados, humanos. Mas podemos orar com Eliseu: Ó Senhor Deus, abre os olhos do meu empregado e deixa que ele veja! Precisamos contemplar com olhos bem abertos, com a visão além do alcance, olhar além do aparente e ver que os montes estão cobertos pelos carros e cavalos de fogo do Senhor. Que são enviados, por incrível que pareça, unicamente para nos proteger. Para abrir o caminho no meio do terreno inimigo. Para nos conduzir em triunfo. Porque nenhuma de nossas lutas é realmente nossa. Todas elas e cada uma delas é do Senhor. É Ele quem peleja por nós. É Ele quem garante a nossa vitória. Aliás, já a conquistou finalmente na Cruz do Calvário. Peça a Deus. Abra bem os olhos e tenha visão além do alcance.

24.4.05

Expandindo fronteiras

Pois você vai estender as suas fronteiras para todos os lados.

Isaías 54. 3

O nosso mundo é do tamanho que quisermos. É do tamanho que a nossa visão alcançar. Podemos ter um mundo restrito, na circunferência que nossas cabeças ou nossos olhos podem abarcar. Veríamos, assim, pouco mais do que aquilo que está diante de nossos narizes. E, às vezes, nem isso veríamos. Vez por outra, afinal, uma névoa desce sobre nós. E sem um visor de alta definição, terminamos por não ver nada.

Mas nossa visão pode ser tanto maior quando estejamos dispostos a experimentar. Pode ser suficientemente larga. Pode ser insuficientemente presente. Nosso mundo vai até onde nossos olhos alcançam.

Você sabe que a distância de nosso horizonte aumenta à medida que estamos contemplando-o de mais longe ou de mais alto. Quando elevamos nosso ponto de vista, vemos mais longe, é o que isso quer dizer. E quando passamos a ver mais longe, não nos conformamos, de maneira alguma, com a antiga vida, a antiga visão, o antigo mundo. Queremos ir mais alto, queremos ir mais longe, queremos ver além de todas as fronteiras.

Deus nos convida a expandirmos as fronteiras de nossa vida espiritual. Expandirmos para todos os lados. Em um aspecto, Brasil e Estados Unidos têm um ponto comum na história. Sua conquista inicial se restringiu à região litorânea atlântica e, em momentos da história do seu desenvolvimento, impulsionados pelos sonhos de riquezas, brasileiros e americanos entraram continente a dentro (no caminho exterminando indígenas) para tomar posse de terras que não lhes pertenciam, expandindo suas fronteiras. Os filmes de faroeste contam esta história americana. As entradas e bandeiras são a nossa história de expansão de fronteiras.

A oração é o nosso instrumento de expansão das fronteiras da vida espiritual. Ela nos empurra mais e mais fundo nesta vida. Ela nos leva mais e mais alto para que vejamos ainda mais longe. A oração, a intimidade com o Senhor, nos conduz a um mundo maior. Mundo no qual enfrentamos toda oposição para tornar real o domínio do Reino. Nosso mundo é maior. As fronteiras se expandem.

A oração nesse sentido nos possibilita fluir pelo combustível que nos permite essa ação de ir mais longe e de ver mais distante. É pela oração que podemos mergulhar nos rios do Espírito e aprender a fluir no Seu Poder e pela Sua graça.

A oração expande as nossas fronteiras porque, primeiramente, nos dá o desejo de ir mais longe porque agora vemos mais longe. Temos visão além do alcance. Na minha infância havia o desenho dos Thundercats. Lion era o líder do grupo. Ele possuía uma espada que lhe dava visão além do alcance. Nós temos espada semelhante. Nós temos a oração, a intimidade com o Senhor, para termos visão além do alcance. E esta capacidade de ver além nos conduzirá ao desejo inevitável de expandirmos as fronteiras de nossa vida espiritual.

Deus nos convida a expandirmos nossas fronteiras. Aumentarmos o nosso mundo. Vermos mais longe. Irmos mais fundo. Fluirmos mais na intimidade com Ele, no poder do Espírito. Ampliando nossas tendas através da oração.

23.4.05

Tomando o lugar

Mas Deus nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado.
Romanos 5. 8

A função e o papel dos guarda-costas de filmes chamam muita atenção. Já vimos muitas produções representando como trabalham aqueles agentes do serviço secreto americano na proteção das autoridades. A coisa que mais se destaca é o fato de que aqueles homens e mulheres são treinados para levarem os tiros no lugar dos protegidos. Não levando em grande consideração as próprias vidas, sem pensarem direito, são preparados para se jogarem na frente de uma arma. Estão preparados para morrerem no lugar das pessoas a quem protegem.
Recentemente vimos isso acontecer de verdade. A jornalista italiana Giuliana Sgrena havia sido seqüestrada no Iraque ocupado. Uma operação do serviço secreto italiano a estava resgatando e conduzindo ao aeroporto para que saísse do país. Militares americanos disparam contra os veículos italianos. O agente Nicola Calipari jogou o seu corpo sobre o da jornalista, para protegê-la, e acabou sendo morto. Ela sobreviveu.
Esses homens e mulheres se preparam para morrerem no lugar de outras pessoas. Tomam o lugar de outros cada vez que isso for necessário. Não são motivados por outra coisa senão o sentimento de dever. Não devem titubear. Não devem ter dúvidas.
Jesus fez algo assim por nós. Ele tomou o nosso lugar de uma vez por todas. Mas não por qualquer sentimento de dever. Aliás, não era, absolutamente, isso que deveria acontecer. É absurdo imaginar que o Filho de Deus se fizesse um de nós e morresse uma morte que estava reservada a toda humanidade. É absurdo imaginar que Ele tomasse o nosso lugar no castigo que todo pecado merece. É absurdo, mas aconteceu porque o Amor é absurdo.
De fato, quando não tínhamos força espiritual, Cristo morreu pelos maus, no tempo escolhido por Deus. Dificilmente alguém aceitaria morrer por uma pessoa que obedece às leis. Pode ser que alguém tenha coragem para morrer por uma pessoa boa. Mas Deus nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado (Rm. 5. 6 – 8).
Costumo dizer que todos nós merecemos uma mesma coisa. Todos nós merecemos a condenação do inferno, a morte eterna, o sofrimento sem fim. Somos pecadores resolutos. Nossa natureza corrupta se opõe à santidade de Deus. Por isso, merecemos uma única coisa: castigo e morte. Era o que merecíamos. Mas Jesus, como um guarda-costas, mas motivado por um absurdo Amor, e não por dever, tomou o nosso lugar. Ficou na frente do tiro e foi ferido mortalmente. Éramos nós que deveríamos ter estado naquela Cruz. Mas aquela Cruz é o ato máximo do amor de Deus que toma o nosso lugar, levando a nossa morte e o nosso castigo sobre Si, para que tivéssemos a Sua vida e a Sua bênção sobre nós. Como qualquer humano guarda-costas, Jesus não titubeou, não pensou duas vezes, mas levado pelo Amor, tomou o nosso lugar, morreu por nós pecadores, quando ainda éramos fracos. Morreu pelas mãos daqueles a quem veio salvar.