Ele nos libertou do poder da escuridão e nos trouxe em segurança para o Reino do seu Filho amado.
Colossenses 1. 13
Noite passada assisti Monster, filme que premiou Charlize Theron como melhor atriz no Oscar do ano passado. Devo confessar que chorei boa parte do filme. A história real daquela mulher foi comovente demais para mim. E devo, desde já, pedi perdão porque vou falar um pouco sobre ela.
A história de Lee é a história do inferno na vida. Um lar completamente desajustado. Aos oito anos começou a ser sistematicamente estuprada por um tio. Seus sonhos de se tornar estrela de cinema, de se tornar uma mulher linda, foram cedendo lugar à realidade de seu inferno, de sua destruição. Aos doze anos, seu pai se matou e ela foi para rua.
A esperança de Lee em sua adolescência era que alguém viesse realizar o seu sonho. Ela aguardava que qualquer dos homens com quem transava pudesse enxergar aquilo ela poderia vir a ser ou pudessem vê-la linda como ela desejava. A única coisa que eles lhe davam era dinheiro. E desde os treze anos ela se prostituía.
Ela buscava sair do inferno que era sua vida. Um inferno destruidor de sonhos e expectativas. Destruidor. Uma das coisas mais impressionantes deste filme é a maquiagem e o trabalho para tornar Charlize Theron, uma das mulheres mais lindas do cinema, em uma personagem sem beleza, destruída pelo mundo em que viveu.
O mal cerca a sua vida, conduzindo-a cada vez mais para o fundo. Uma vida sem esperança. Aos poucos a gente vai descobrindo que vez por outra Lee teve namorados que na verdade eram seus cafetões. O último deles, a espancou quase até a morte. E ela descobriu que não merecia ser amada e não amaria mais.
O filme começa com Lee segurando uma arma, sob um viaduto, arrasada e pronta a se matar. Ela adia o suicídio porque acabara de ganhar cinco dólares em um programa e decide que vai gastar esse dinheiro antes de dar cabo à vida, porque senão o programa sairia de graça. Então, se Deus tinha alguma coisa para a vida dela, diz Lee, era agora ou nunca. Ela vai beber em um bar e encontra a lésbica Selby, personagem de Cristina Ricci. Tudo o que Lee precisava era de atenção e amor. Era só o que ela queria para que a vida deixasse de ser um inferno. Ela acha que encontrou o que procurava quando se depara com aquela menina, apaixonada por ela. Acha que agora está sendo amada. Mas não era exatamente assim o amor que ela precisava.
Monster conta a história de uma prostituta que foi condenada à morte no fim dos anos 80 e executada em 2002 por uma série de assassinatos. O inferno de Lee aprofundou-se na relação com Selby. Ela precisava trabalhar nas ruas para sustentar as duas. E, uma noite, um cliente a violentou terrivelmente. Ela o mata impiedosamente. Nessa seqüência, há uma cena emblemática. À distância, Lee observa o homem morto junto ao carro, enquanto acende e fuma um cigarro. A fumaça do cigarro, como se fosse a tenebrosa atmosfera infernal, de desespero, que cerca a sua vida, envolve o seu rosto, escondendo-o um pouco. Já no final do filme, depois de ter matado muitos outros clientes, Lee é deixada em uma estrada. Aquela fumaça inicial do cigarro que a envolvia, representando o desespero e a morte na sua vida, agora é uma pesada e densa nuvem, um nevoeiro terrível. A vida dela, agora, foi tão fundo que está perdida para sempre.
Chorei o filme inteiro. Porque a vida de Lee é apenas uma das que estão mergulhadas tão fundo no império das trevas, que por mais que saiba que tudo o que precisa é de amor, não é capaz nem de almejar experimentar o verdadeiro amor de Deus que está em Cristo Jesus. A única chance que alguém tem de deixar esse inferno na vida é o amor de Jesus. Mas a vida de Lee foi tão destruída por Satanás o tempo inteiro, que foi esmigalhada ao ponto de ela se tornar um monstro em muitas acepções da palavra. Ela não foi alcançada pelo amor do Senhor.
Ele nos libertou do poder da escuridão e nos trouxe em segurança para o Reino do seu Filho amado. Hoje de manhã, eu chorei novamente pensando no filme e pensando neste versículo. Imaginei aquela multidão de seres humanos, pecadores e perdidos, caminhando sem direção rumo à morte eterna, envoltos pelo inferno de suas vidas. Eu era um desses. E, simplesmente, pela Graça, o Senhor me libertou do império das trevas e me conduziu, à salvo, para o Reino do seu Filho amado. Tanto quanto Lee, minha vida estava envolvida em um inferno. Tanto quanto Lee, eu precisava de amor. Era tudo o que precisava. Mas por um motivo que eu jamais entenderei, Deus me tirou do meio da multidão e me deu o Seu amor. E me trouxe em segurança à Sua presença. Acabou com o meu inferno antes que ele me destruísse.
Sua vida pode estar envolvida por um inferno. Pode não ser um inferno tão profundo quanto o da vida de Lee. Pode não ser, aparentemente, tão mortal. Mas sua vida pode estar envolvida neste inferno que é caminhar sem o amor de Deus. Mas a boa notícia é que Jesus morreu na Cruz para que você pudesse ter tudo o que realmente precisa: amor, carinho, atenção. Jesus morreu para que tivéssemos vida, para que fossemos libertos do império das trevas, para que vivêssemos em Sua comunhão. Jesus nos dá o Seu amor e reconstrói qualquer vida, vítima de qualquer destruição infernal. Sim, você precisa experimentar um amor verdadeiro, como Lee precisava, para sair de seu inferno pessoal. E o único amor verdadeiro que pode lhe tirar daí é o que Deus revela por meio da vida e da morte de Jesus.
2.5.05
1.5.05
Com as perguntas certas
Certo homem de posição perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?Lucas 18. 18
Muitas pessoas podem nos ser modelo. Nem sempre, modelos de correção, mas mesmo quando sua atitude modelar não é correta, seu exemplo é ilustrativo e inspirador para nossas vidas. Pode servir para que aprendamos sobre o que não fazer, o que é tão importante quanto aprender que atitude tomar.
O personagem que conhecemos como jovem rico é um exemplo disso, sendo alguém capaz de ter tanto atitudes corretas, quanto posturas que devem nos inspirar a fugirmos delas. Ele tem questões interessantes sobre a vida eterna e sobre a salvação, sobre sua vida espiritual, e vai à Pessoa certa em busca de respostas. Ele tem as perguntas certas no coração e busca a fonte certa para alcançar a resposta: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? é a pergunta que ele lança a Jesus.
É claro que com o passar do tempo, de nossa caminhada com o Pai, nossas perguntar mudam, mas a atitude correta a se tomar continua a mesma: ir a Jesus com as perguntas esperando que resposta Ele nos dará. É preciso ir a Jesus com as perguntas certas para receber dEle as respostas certas.
Isso é correto e fundamental. As dúvidas vão aparecer. Os questionamentos vão surgir. Vamos nos angustiar tantas vezes quando não compreendermos todas as coisas nas quais estamos metidos. Coisas à nossa volta vão nos sufocar e podemos nos sentir perdidos. A nossa luz, nessa hora, vai surgir quando levarmos nossas perguntas ao amor de Jesus, à Sua presença, na esperança de que a resposta certa dos lábios vem do Senhor. Sempre.
O problema do jovem rico foi a sua reação à resposta que o Senhor lhe dá. O problema é como reagimos às respostas de Deus. Vamos a Jesus com nossas perguntas, mas não estamos prontos a obedecer ao que Ele nos diz como resposta. Quantas vezes dizemos ao Senhor que desejamos a Sua orientação, mas fugimos de Sua resposta às nossas perguntas caso ela nos fira ou desagrade? Isso me faz pensar em um texto já partilhado nesse espaço. Ezequiel 33. 30 – 33 começa dizendo que o povo se reúne e fica interessado em saber o que o Senhor vai falar por meio do profeta. Eles dizem uns aos outros: Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a Palavra que procede do Senhor (v. 30). Mas, diante do que Deus fala por meio do profeta, eles são denunciados por não transformarem as Suas Palavras em obras que lhes correspondam.
O caso do jovem rico é exemplar. A resposta de Jesus à sua pergunta o fere e o desagrada: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me (Lc. 18. 22). Era preciso ter compromisso com Deus e com Cristo, coisa que ele acreditava ter. Mas também era preciso que ele, rico, tivesse compromisso com o pobre e com o próximo. Era preciso romper os limites de sua visão, de sua religiosidade, de sua própria vida.
A resposta de Jesus feriu o jovem rico porque exigia dele comprometimento. Jesus não abriu margens para discussões: ou o rico dava tudo aos pobres para seguí-Lo, ou não poderia ser discípulo. Amante de seus bens e incapaz de compreender o que a resposta de Jesus significava, ele decide ir se embora, e sai triste.
São dois exemplos diferentes dados pelo mesmo homem. De um lado, ele nos ensina, corretamente, que devemos ir a Jesus com qualquer questão que nos aflija, esperando dEle receber a resposta. Por outro lado, sua atitude frente à resposta que Jesus lhe dá nos ensina qual não deve ser nossa reação àquilo que Deus nos manda fazer. Mesmo que nos desagrade, mesmo que nos fira, mesmo que nos toque profundamente, Ele espera que se formos a Ele com as perguntas certas, queiramos levar conosco as melhores respostas que Ele tem para nos dar. Mesmo que não sejam, para nós, agradáveis.
Muitas pessoas podem nos ser modelo. Nem sempre, modelos de correção, mas mesmo quando sua atitude modelar não é correta, seu exemplo é ilustrativo e inspirador para nossas vidas. Pode servir para que aprendamos sobre o que não fazer, o que é tão importante quanto aprender que atitude tomar.
O personagem que conhecemos como jovem rico é um exemplo disso, sendo alguém capaz de ter tanto atitudes corretas, quanto posturas que devem nos inspirar a fugirmos delas. Ele tem questões interessantes sobre a vida eterna e sobre a salvação, sobre sua vida espiritual, e vai à Pessoa certa em busca de respostas. Ele tem as perguntas certas no coração e busca a fonte certa para alcançar a resposta: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? é a pergunta que ele lança a Jesus.
É claro que com o passar do tempo, de nossa caminhada com o Pai, nossas perguntar mudam, mas a atitude correta a se tomar continua a mesma: ir a Jesus com as perguntas esperando que resposta Ele nos dará. É preciso ir a Jesus com as perguntas certas para receber dEle as respostas certas.
Isso é correto e fundamental. As dúvidas vão aparecer. Os questionamentos vão surgir. Vamos nos angustiar tantas vezes quando não compreendermos todas as coisas nas quais estamos metidos. Coisas à nossa volta vão nos sufocar e podemos nos sentir perdidos. A nossa luz, nessa hora, vai surgir quando levarmos nossas perguntas ao amor de Jesus, à Sua presença, na esperança de que a resposta certa dos lábios vem do Senhor. Sempre.
O problema do jovem rico foi a sua reação à resposta que o Senhor lhe dá. O problema é como reagimos às respostas de Deus. Vamos a Jesus com nossas perguntas, mas não estamos prontos a obedecer ao que Ele nos diz como resposta. Quantas vezes dizemos ao Senhor que desejamos a Sua orientação, mas fugimos de Sua resposta às nossas perguntas caso ela nos fira ou desagrade? Isso me faz pensar em um texto já partilhado nesse espaço. Ezequiel 33. 30 – 33 começa dizendo que o povo se reúne e fica interessado em saber o que o Senhor vai falar por meio do profeta. Eles dizem uns aos outros: Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a Palavra que procede do Senhor (v. 30). Mas, diante do que Deus fala por meio do profeta, eles são denunciados por não transformarem as Suas Palavras em obras que lhes correspondam.
O caso do jovem rico é exemplar. A resposta de Jesus à sua pergunta o fere e o desagrada: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me (Lc. 18. 22). Era preciso ter compromisso com Deus e com Cristo, coisa que ele acreditava ter. Mas também era preciso que ele, rico, tivesse compromisso com o pobre e com o próximo. Era preciso romper os limites de sua visão, de sua religiosidade, de sua própria vida.
A resposta de Jesus feriu o jovem rico porque exigia dele comprometimento. Jesus não abriu margens para discussões: ou o rico dava tudo aos pobres para seguí-Lo, ou não poderia ser discípulo. Amante de seus bens e incapaz de compreender o que a resposta de Jesus significava, ele decide ir se embora, e sai triste.
São dois exemplos diferentes dados pelo mesmo homem. De um lado, ele nos ensina, corretamente, que devemos ir a Jesus com qualquer questão que nos aflija, esperando dEle receber a resposta. Por outro lado, sua atitude frente à resposta que Jesus lhe dá nos ensina qual não deve ser nossa reação àquilo que Deus nos manda fazer. Mesmo que nos desagrade, mesmo que nos fira, mesmo que nos toque profundamente, Ele espera que se formos a Ele com as perguntas certas, queiramos levar conosco as melhores respostas que Ele tem para nos dar. Mesmo que não sejam, para nós, agradáveis.
30.4.05
Pesado
Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro.
Salmo 32. 3
Este ano vai fazer nove anos que a graça irresistível de Deus tocou a minha vida e eu me rendi a Jesus. Foi em uma noite de setembro de 1996, logo após um acampamento. Aqueles dias à beira da lagoa do Bonfim, a alguns quilômetros de Natal, foram inesquecíveis.
Chegamos ali em uma sexta-feira e íamos aproveitar o feriado de Sete de Setembro, que era o sábado. Até ali, não fazia parte dos meus planos deixar o espiritismo e me tornar cristão. Até porque, como kardecista, eu me dizia cristão e lia, toda noite, um trecho da Bíblia e um trecho de algum livro espírita, em especial “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Nada do que eu pensava para aqueles dias de descanso se relacionava com o que o Senhor planejava.
Já na segunda noite, percebia alguma coisa acontecendo comigo. Quando fui dormir, sentia-me envolvido por uma intensa alegria. Ela parecia está à minha volta, em torno do meu coração, mas incapaz de penetrá-lo. Aquela alegria intensa, eu sentia, não era minha, não estava em mim. Em mim, restava um peso.
Na manhã seguinte, manhã do domingo, comecei entender algumas coisas que se passavam dentro de mim. Havia um peso sobre mim. O peso do pecado. Havia uma alegria em torno de mim. A alegria da salvação. Naquele instante, tudo o que eu tinha e tudo o que eu percebia era o peso do pecado. Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro. Uma vida inteira distante do Senhor. O pecado como minha essência. Nenhuma dessas coisas me permitia que me sentisse livre. O peso disso tudo era sufocante. Tudo o que eu passei a querer era o alívio, era que alguém tirasse esse peso, que me parecia o peso do mundo inteiro, de meus ombros.
Então, à noite, já em Natal, me perguntaram se queria ser de Jesus. Nem pensei para dizer que sim. E, naquele momento, todo o peso foi embora. Eu estava livre e a aquela alegria que eu antes sentia só ao meu redor, penetrou fundo no meu coração. Era como se eu estivesse sonhando. Era como se eu voasse. Então eu Te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a Ti, e Tu perdoaste todos os meus pecados (Sl. 32. 5).
Todos nós temos pecados que carregamos como peso. Esse peso pode, por fim, nos matar. Esse peso nos condena a todos. O peso do mundo sobre nossos ombros, no entanto, não precisa ser nosso destino final. Não precisa ser graças ao amor de Deus revelado em Cristo Jesus. Ele levou sobre Si os nossos pecados. O castigo que Ele tomou em nosso lugar é a única garantia de que a Paz Verdadeira e a alegria incessante podem penetrar no nosso coração. Nada mais pode ser feito.
Você pode tentar construir torres para o céu, para chegar perto de Deus. Você pode tentar descobrir maneiras de como lidar com o peso que aflige a sua vida. Você pode construir religiosidades para apaziguar a sua alma. Mas nada disso pode trazer resultado definitivo. Aliás, todas estas coisas contribuirão para uma satisfação fictícia. Nada disso pode ser real. Porque o pecado ainda estará com você, forçando, com o seu peso, sua vida à profundeza. Tristeza, desespero, peso e morte. E ainda que você sinta que toda a alegria da vida está à sua volta, você estará certo que seu coração está fechado a ela.
Só uma coisa pode mudar tudo isso: ir a Deus, por meio de Jesus Cristo, resolvido a confessar o seu pecado e não esconder a sua maldade. Aí, sim, Ele perdoará todos os seus pecados e limpará você de toda a sua maldade. Porque é somente por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos pecados são perdoados (1 Jo. 2. 2). Foi na Cruz de Cristo que Deus perdoou todos os nossos pecados e anulou a conta da nossa dívida, com os seus regulamentos que nós éramos obrigados a obedecer. Ele acabou com essa conta, pregando-a na Cruz (Cl. 2. 13 – 14). Só na Cruz há alívio para nós, perdão para os nossos pecados.
Salmo 32. 3
Este ano vai fazer nove anos que a graça irresistível de Deus tocou a minha vida e eu me rendi a Jesus. Foi em uma noite de setembro de 1996, logo após um acampamento. Aqueles dias à beira da lagoa do Bonfim, a alguns quilômetros de Natal, foram inesquecíveis.
Chegamos ali em uma sexta-feira e íamos aproveitar o feriado de Sete de Setembro, que era o sábado. Até ali, não fazia parte dos meus planos deixar o espiritismo e me tornar cristão. Até porque, como kardecista, eu me dizia cristão e lia, toda noite, um trecho da Bíblia e um trecho de algum livro espírita, em especial “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Nada do que eu pensava para aqueles dias de descanso se relacionava com o que o Senhor planejava.
Já na segunda noite, percebia alguma coisa acontecendo comigo. Quando fui dormir, sentia-me envolvido por uma intensa alegria. Ela parecia está à minha volta, em torno do meu coração, mas incapaz de penetrá-lo. Aquela alegria intensa, eu sentia, não era minha, não estava em mim. Em mim, restava um peso.
Na manhã seguinte, manhã do domingo, comecei entender algumas coisas que se passavam dentro de mim. Havia um peso sobre mim. O peso do pecado. Havia uma alegria em torno de mim. A alegria da salvação. Naquele instante, tudo o que eu tinha e tudo o que eu percebia era o peso do pecado. Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro. Uma vida inteira distante do Senhor. O pecado como minha essência. Nenhuma dessas coisas me permitia que me sentisse livre. O peso disso tudo era sufocante. Tudo o que eu passei a querer era o alívio, era que alguém tirasse esse peso, que me parecia o peso do mundo inteiro, de meus ombros.
Então, à noite, já em Natal, me perguntaram se queria ser de Jesus. Nem pensei para dizer que sim. E, naquele momento, todo o peso foi embora. Eu estava livre e a aquela alegria que eu antes sentia só ao meu redor, penetrou fundo no meu coração. Era como se eu estivesse sonhando. Era como se eu voasse. Então eu Te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a Ti, e Tu perdoaste todos os meus pecados (Sl. 32. 5).
Todos nós temos pecados que carregamos como peso. Esse peso pode, por fim, nos matar. Esse peso nos condena a todos. O peso do mundo sobre nossos ombros, no entanto, não precisa ser nosso destino final. Não precisa ser graças ao amor de Deus revelado em Cristo Jesus. Ele levou sobre Si os nossos pecados. O castigo que Ele tomou em nosso lugar é a única garantia de que a Paz Verdadeira e a alegria incessante podem penetrar no nosso coração. Nada mais pode ser feito.
Você pode tentar construir torres para o céu, para chegar perto de Deus. Você pode tentar descobrir maneiras de como lidar com o peso que aflige a sua vida. Você pode construir religiosidades para apaziguar a sua alma. Mas nada disso pode trazer resultado definitivo. Aliás, todas estas coisas contribuirão para uma satisfação fictícia. Nada disso pode ser real. Porque o pecado ainda estará com você, forçando, com o seu peso, sua vida à profundeza. Tristeza, desespero, peso e morte. E ainda que você sinta que toda a alegria da vida está à sua volta, você estará certo que seu coração está fechado a ela.
Só uma coisa pode mudar tudo isso: ir a Deus, por meio de Jesus Cristo, resolvido a confessar o seu pecado e não esconder a sua maldade. Aí, sim, Ele perdoará todos os seus pecados e limpará você de toda a sua maldade. Porque é somente por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos pecados são perdoados (1 Jo. 2. 2). Foi na Cruz de Cristo que Deus perdoou todos os nossos pecados e anulou a conta da nossa dívida, com os seus regulamentos que nós éramos obrigados a obedecer. Ele acabou com essa conta, pregando-a na Cruz (Cl. 2. 13 – 14). Só na Cruz há alívio para nós, perdão para os nossos pecados.
29.4.05
Sofrimento
E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Essa esperança não nos deixa decepcionados, pois Deus derramou o Seu amor em nosso coração, por meio do Espírito Santo, que Ele nos deu.
Romanos 5. 3 – 5
Eu acredito que nenhuma dor pode nos ser poupada sem prejuízo para nós mesmos. Creio isso porque quando olho para mim, vejo que não sou apenas o resultado das boas coisas, bênçãos e alegrias que me alcançaram. Boa parte do que de bom sou hoje na presença do Senhor é resultado da dor e do sofrimento. Deus permite a dor e o sofrimento como instrumentos para nos fazerem crescer.
Gosto daquela história que contam acerca do fato de que, se você ajudar a crisálida a romper seu casulo, ela nunca poderá mostrar suas belas asas de mariposa real. Para ter forças em suas asas, suficiente para abri-las e voar, o pequeno inseto precisa romper, com as próprias forças, o obstáculo que lhe impõe a natureza. Sem essa luta, sem esse sofrimento, a mariposa jamais será o que poderia ter sido.
Crescer dói. Amadurecer dói. Lembro que quando estava saindo da pré-adolescência, o corpo passando por aquela explosão de crescimento rápido, tudo em mim doía, principalmente meus pés. Estava crescendo. Viver é estar mergulhado em situações potenciais de sofrimento. Amar dói. O nosso amadurecimento, por meio dessas coisas, se dá ao sermos moldados por elas. Acho que é por isso que nos fala a Palavra de Deus: Suportem o sofrimento com paciência como se fosse um castigo dado por um pai, pois o sofrimento de vocês mostra que Deus os está tratando como seus filhos (Hebreus 12. 7).
Na hora da dor podemos caminhar na certeza que, no final, todas as coisas acabam por cooperar para o bem daqueles que amam a Deus. Isso nunca vai significar que as más coisas se tornarão boas, mas sim que Deus é plenamente capaz de reverter em bênçãos todo o mal que porventura nos afligir. E mais que isso: desconhecemos a grandeza integral da obra que Ele está fazendo em nossa vida. Não podemos saber ao certo como terminará, apenas temos certeza que Ele nos conduz ao melhor futuro que sequer podemos imaginar. Ele levará ao melhor termo a obra que começou em nós.
Além disso, estejamos certos que o Deus que nos permite enfrentar o sofrimento e, ainda mais, o usa no cumprimento dos Seus planos, vai conosco, ao nosso lado, nos sustentando, segurando a nossa mão enquanto passamos pela dor. Ele vem até nós, e nos ama intensamente, infundindo graça inimaginável e irrestível para todas as horas difíceis. Fortalecendo-nos na dor e no sofrimento com Seu amor.
Romanos 5. 3 – 5
Eu acredito que nenhuma dor pode nos ser poupada sem prejuízo para nós mesmos. Creio isso porque quando olho para mim, vejo que não sou apenas o resultado das boas coisas, bênçãos e alegrias que me alcançaram. Boa parte do que de bom sou hoje na presença do Senhor é resultado da dor e do sofrimento. Deus permite a dor e o sofrimento como instrumentos para nos fazerem crescer.
Gosto daquela história que contam acerca do fato de que, se você ajudar a crisálida a romper seu casulo, ela nunca poderá mostrar suas belas asas de mariposa real. Para ter forças em suas asas, suficiente para abri-las e voar, o pequeno inseto precisa romper, com as próprias forças, o obstáculo que lhe impõe a natureza. Sem essa luta, sem esse sofrimento, a mariposa jamais será o que poderia ter sido.
Crescer dói. Amadurecer dói. Lembro que quando estava saindo da pré-adolescência, o corpo passando por aquela explosão de crescimento rápido, tudo em mim doía, principalmente meus pés. Estava crescendo. Viver é estar mergulhado em situações potenciais de sofrimento. Amar dói. O nosso amadurecimento, por meio dessas coisas, se dá ao sermos moldados por elas. Acho que é por isso que nos fala a Palavra de Deus: Suportem o sofrimento com paciência como se fosse um castigo dado por um pai, pois o sofrimento de vocês mostra que Deus os está tratando como seus filhos (Hebreus 12. 7).
Na hora da dor podemos caminhar na certeza que, no final, todas as coisas acabam por cooperar para o bem daqueles que amam a Deus. Isso nunca vai significar que as más coisas se tornarão boas, mas sim que Deus é plenamente capaz de reverter em bênçãos todo o mal que porventura nos afligir. E mais que isso: desconhecemos a grandeza integral da obra que Ele está fazendo em nossa vida. Não podemos saber ao certo como terminará, apenas temos certeza que Ele nos conduz ao melhor futuro que sequer podemos imaginar. Ele levará ao melhor termo a obra que começou em nós.
Além disso, estejamos certos que o Deus que nos permite enfrentar o sofrimento e, ainda mais, o usa no cumprimento dos Seus planos, vai conosco, ao nosso lado, nos sustentando, segurando a nossa mão enquanto passamos pela dor. Ele vem até nós, e nos ama intensamente, infundindo graça inimaginável e irrestível para todas as horas difíceis. Fortalecendo-nos na dor e no sofrimento com Seu amor.
28.4.05
Sem palavras
Aí Jesus deu outro grito forte e morreu.
Mateus 27. 50
Quando vou a velórios, eu não falo nada aos familiares. Simplesmente vou até eles e os abraço carinhosamente. Já estive no lugar deles, já perdi entes queridos, e sei que nessas horas não há nada que possa ser dito. Palavra alguma resolve, diminui a dor, soluciona a situação. A única coisa que pode nos ajudar é um abraço carinhoso, um gesto de amor que diz para nós muito mais que as palavras possam dizer. Um gesto que diz que estamos unidos.
Ano passado, acho que já citei em outro momento, nossa igreja viu uma tragédia passar junto a nós. Um jovem que crescera na igreja morreu em um acidente de moto. Sua mulher estava com sete meses de gravidez. Uma semana depois, ela pôs fim à sua vida e à vida do bebê, saltando da janela do seu apartamento. No seu velório, não podiam ser ditas palavras. A dor era muito grande para que os corações se consolassem com qualquer coisa que viesse a ser dita, mesmo que partindo do fundo do coração, com a melhor intenção, com toda sinceridade. Três jovens vidas estavam perdidas. Quem poderia dizer qualquer coisa que servisse? O que poderia ser dito?
Tem uma canção que eu conheci logo que cheguei à igreja: Há momentos em que as palavras não resolvem, mas o gesto de Jesus revela amor por nós. Foi no calvário que Ele sem falar mostrou ao mundo inteiro o que é o amar. Há horas em que não existem palavras. Palavra alguma pode ser dita. A dor é tão intensa, a tristeza é tão profunda, que as palavras com certeza vão se perder num vazio. Os ouvidos não as ouvirão. Nessas horas, a única coisa que resta é apontar a Cruz. É apontar o gesto de Jesus. Não como muitos fazem, dizendo que Jesus sofreu muito mais, mas sim afirmando que a Cruz mostra o tamanho do amor de Cristo por nós. Que a nossa dor pode ser intensa, mas nós não estamos desamparados por Ele. É Ele quem está ao nosso lado para enxugar toda lágrima, para minorar os efeitos destrutivos da dor e da perda.
Aí Jesus deu outro grito forte e morreu. O gesto de amor de Jesus não significa que as nossas dores humanas vão passar ou que nós não vamos sofrê-las mais. Saber que Jesus com amor tão grande morreu por nós é saber que Ele vai estar em todo tempo ao nosso lado. Ele está nos amparando quando o sofrimento é mais sufocante. Nunca jamais Ele nos desamparará.
Eu vivi isso na prática. Quando há três anos eu experimentei aquela espécie de morte emocional e espiritual, um sofrimento tão intenso que eu não julgava ser possível de ser suportado, uma noite Deus me falou, em uma igreja. Ele me disse que tudo parecia tão insuportável simplesmente porque eu havia virado as costas ao Seu Amor. A dor era grande sim, mas Ele queria me ajudar a suportar me envolvendo pelo Seu amor, com a Sua presença. Ele queria manifestar a mim Seus gestos de amor, amparando-me enquanto atravessava aquele vale de sofrimento. Então, eu orei. Eu disse a Jesus que sabia que o sofrimento não ia passar, mas supliquei pela graça de me sentir amado por Ele de novo e para sempre. E Ele me amou. E realmente as coisas não melhoraram tão rápido, mas o modo como eu as encarava mudou suficientemente para que a minha vida fosse outra. Eu estava amparado pelo amor de Cristo, revelado na Cruz, e sabia disso.
Há momentos de dor tão intensa, de sofrimento sufocante e dilacerante, em que palavras não podem ajudar, não podem resolver. Mas nessas horas nossa única chance de sobreviver, de suportar o tamanho peso sobre nossos ombros, é nos lançarmos ao amor de Deus, revelado em Cristo Jesus, no gesto inigualável da Cruz.
Mateus 27. 50
Quando vou a velórios, eu não falo nada aos familiares. Simplesmente vou até eles e os abraço carinhosamente. Já estive no lugar deles, já perdi entes queridos, e sei que nessas horas não há nada que possa ser dito. Palavra alguma resolve, diminui a dor, soluciona a situação. A única coisa que pode nos ajudar é um abraço carinhoso, um gesto de amor que diz para nós muito mais que as palavras possam dizer. Um gesto que diz que estamos unidos.
Ano passado, acho que já citei em outro momento, nossa igreja viu uma tragédia passar junto a nós. Um jovem que crescera na igreja morreu em um acidente de moto. Sua mulher estava com sete meses de gravidez. Uma semana depois, ela pôs fim à sua vida e à vida do bebê, saltando da janela do seu apartamento. No seu velório, não podiam ser ditas palavras. A dor era muito grande para que os corações se consolassem com qualquer coisa que viesse a ser dita, mesmo que partindo do fundo do coração, com a melhor intenção, com toda sinceridade. Três jovens vidas estavam perdidas. Quem poderia dizer qualquer coisa que servisse? O que poderia ser dito?
Tem uma canção que eu conheci logo que cheguei à igreja: Há momentos em que as palavras não resolvem, mas o gesto de Jesus revela amor por nós. Foi no calvário que Ele sem falar mostrou ao mundo inteiro o que é o amar. Há horas em que não existem palavras. Palavra alguma pode ser dita. A dor é tão intensa, a tristeza é tão profunda, que as palavras com certeza vão se perder num vazio. Os ouvidos não as ouvirão. Nessas horas, a única coisa que resta é apontar a Cruz. É apontar o gesto de Jesus. Não como muitos fazem, dizendo que Jesus sofreu muito mais, mas sim afirmando que a Cruz mostra o tamanho do amor de Cristo por nós. Que a nossa dor pode ser intensa, mas nós não estamos desamparados por Ele. É Ele quem está ao nosso lado para enxugar toda lágrima, para minorar os efeitos destrutivos da dor e da perda.
Aí Jesus deu outro grito forte e morreu. O gesto de amor de Jesus não significa que as nossas dores humanas vão passar ou que nós não vamos sofrê-las mais. Saber que Jesus com amor tão grande morreu por nós é saber que Ele vai estar em todo tempo ao nosso lado. Ele está nos amparando quando o sofrimento é mais sufocante. Nunca jamais Ele nos desamparará.
Eu vivi isso na prática. Quando há três anos eu experimentei aquela espécie de morte emocional e espiritual, um sofrimento tão intenso que eu não julgava ser possível de ser suportado, uma noite Deus me falou, em uma igreja. Ele me disse que tudo parecia tão insuportável simplesmente porque eu havia virado as costas ao Seu Amor. A dor era grande sim, mas Ele queria me ajudar a suportar me envolvendo pelo Seu amor, com a Sua presença. Ele queria manifestar a mim Seus gestos de amor, amparando-me enquanto atravessava aquele vale de sofrimento. Então, eu orei. Eu disse a Jesus que sabia que o sofrimento não ia passar, mas supliquei pela graça de me sentir amado por Ele de novo e para sempre. E Ele me amou. E realmente as coisas não melhoraram tão rápido, mas o modo como eu as encarava mudou suficientemente para que a minha vida fosse outra. Eu estava amparado pelo amor de Cristo, revelado na Cruz, e sabia disso.
Há momentos de dor tão intensa, de sofrimento sufocante e dilacerante, em que palavras não podem ajudar, não podem resolver. Mas nessas horas nossa única chance de sobreviver, de suportar o tamanho peso sobre nossos ombros, é nos lançarmos ao amor de Deus, revelado em Cristo Jesus, no gesto inigualável da Cruz.
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