Não fiquem lembrando o que aconteceu no passado, não continuem pensando nas coisas que fiz há muito tempo.
Isaías 43. 18
Isaías escreve uma nova história a partir do capítulo 40. Até ali, sua palavra é uma dura condenação contra o pecado dos judeus e demais nações. O capítulo 40 começa com o Senhor dizendo que agora é preciso falar uma palavra diferente. É preciso consolar o povo do Senhor. E Deus começa a contar a nova história de reconstrução, de restauração ao Seu povo amado. Afinal, por mais que o povo tenha pecado e tenha sofrido o castigo, pai e mãe poderiam abandoná-lo, mas o Senhor jamais faria isso.
Nesse contexto Deus dirige uma palavra acerca do fim do cativeiro e da opressão na distante babilônia. O cerne da mensagem é afirmar que o Senhor de Israel não permitirá que aquele castigo se estenda além do que deve. Em breve, Deus fará coisas novas para tirar Seu povo da opressão e trazê-lo de volta à sua terra. Mas esse processo implica e se realiza por meio de algumas coisas.
A primeira afirmação do texto que destacamos é que Deus cura as memórias e vence o passado. Não fiquem lembrando o que aconteceu no passado. Ficar preso às lembranças, ao passado, é caminho certo para a obsessão doentia. Tantas vezes Deus já começou a desfazer tudo e a fazer outras coisas, e nós perdemos a visão, a capacidade de contemplar o presente e prenunciar o futuro, porque nos prendemos a um passado. Passado de dor e sofrimento. De mágoas e ressentimentos. De feridas e dores. As pessoas nos fizeram mal e nós gostamos de remoer isso para não deixar a mágoa, o desejo de vingança, a tristeza se apagarem em nós. Nós realimentamos os nossos sentimentos. Nós promovemos o ressentimento.
Então nosso coração se comporta como um campo minado. E cada ferida se torna, em nós, uma potente e explosiva mina, que mais cedo ou mais tarde, terminamos detonando em nossa própria face. E a tragédia resultante da explosão destas minas de ressentimentos ainda produz um efeito mais devastador. Porque não é provocada por qualquer agente externo. Ninguém nos fere. Apenas ferimos a nós mesmos. Mas não tardaremos a culpar alguém e a replantar a mina do ressentimento em nosso peito. Ficar preso a essa obsessão da dor do passado é um caminho de destruição. Ciclo vicioso de eterno retorno, prisão dentro de uma serpente que morde o próprio rabo.
Mas não são só as coisas ruins que devemos superar. O Senhor diz: não continuem pensando nas coisas que fiz há muito tempo. Ninguém vive da bênção de ontem. Nostalgia também é sentimento fatal, porque trava os nossos passos em direção ao futuro. A saudade das coisas que Deus fez ontem nos impede de caminhar na direção daquelas que Ele quer fazer amanhã. A saudade do Deus de ontem nos empurra atrás de um tempo que não volta, quando, na verdade, Deus quer nos levar para vidas novas, lugares novos, realidades novas.
Eu costumava dizer que o melhor ano de minha vida com Deus tinha sido o ano 2000. E morria de saudade daqueles dias. Até que percebi que aquele ano não voltará, que minha vida com Deus precisa ser firmada aqui, hoje, 10 de maio de 2005. É hoje, é agora, que preciso quebrar meu coração na presença do Senhor, buscando a Sua face. É agora que preciso ter fome e sede do Senhor. É agora que preciso buscar e viver na Sua intimidade. E essa intimidade será completamente diferente daquela de cinco anos atrás, porque eu não sou mais o mesmo. Meus sonhos não voltarão a ser mais os mesmos, a ação de Deus não poderá ser a mesma. O tempo passou. O passado é, agora, realmente passado. As coisas ficaram para trás.
A Palavra viva de Deus quer fazer uma coisa nova na sua vida. Em Cristo. Quer fazer sua vida nova, quebrando os laços da nostalgia e da obsessão. A Palavra de Deus é vida que gera coisas novas na vida: Não fiquem lembrando o que aconteceu no passado, não continuem pensando nas coisas que fiz há muito tempo. Deixe o passado no passado, nas mãos de Deus. Caminhe para o futuro, lançando-se sempre nos braços de Jesus. Deixe Deus fazer tudo novo na sua vida, especialmente fazer nova a sua vida. Entregue-se à fé íntima e ao relacionamento pessoal com Aquele que morreu em uma Cruz por você, para fazer tudo novo. Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo (2 Co. 5. 17).
10.5.05
9.5.05
Requisitos
Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo.
Romanos 3. 22
Parece que, independente de para onde nos viramos, sempre encontramos nas instituições sociais com as quais nos deparamos na vida a exigência de requisitos para aceitação. Quando eu passei na seleção do mestrado no ano passado uma das coisas que mais via como necessária era me qualificar para receber uma bolsa para estudo. Eu tinha decidido, independente de qualquer coisa, que iria apenas estudar, sem trabalhar, mesmo que no fim do mês minha renda fosse zero. Não via como fazer o mestrado e trabalhar ao mesmo tempo. Mas os requisitos para conseguir a bolsa eram muito severos. Não bastava apenas querer. Primeiro, era preciso haver bolsas disponíveis. Graças a Deus, havia. Mas eu precisava passar na seleção e passar bem colocado. O meu programa dispõe de poucas bolsas e o principal critério de seleção é a colocação na seleção. Fiquei em quinto lugar. Entre os demais candidatos que terminaram à minha frente, dois dispensaram as bolsas porque tinham emprego fixo e, por isso, não atendiam os requisitos. Ainda assim, só haviam duas bolsas. Isso significava que eu ia ficar sem. Só que, a um dia do prazo final para cadastro de bolsas, o departamento descobriu que havia uma bolsa da CAPES que não estava sendo usada e ia ser passada para outro programa de mestrado. Ligaram-me e em um dia providenciei tudo para ficar com aquela bolsa de estudos. Bênção de Deus que tem me dado a tranqüilidade para fazer o mestrado.
Eu consegui a bolsa, mas não bastou querer a bolsa. Eu tive que atender aos critérios, o principal deles relacionado com a minha posição na classificação. Além disso, não podia ter emprego fixo, com carteira assinada, já que a bolsa exige dedicação exclusiva. Como a maior parte das instituições em nossa sociedade, a concessão de bolsas de estudos requer o atendimento de requisitos fundamentais.
As coisas com Deus são mais simples. Não existem muitos requisitos para alguém ser aceito na presença de Deus, apesar do que parecem acreditar alguns movimentos religiosos por aí. Você não precisa de penitências, de uma cota de sofrimento, de sua freqüência nos cultos, de um número indefinido de reencarnações. Você não precisa pagar nada, você não precisa fazer coisa alguma. Não existem critérios difíceis e excludentes, como no caso de tentar conseguir bolsas de estudos.
Para estar na presença de Deus e ser aceito por Ele só há um requisito. Para poder ser aquele homem bem-aventurado que mora na casa do Senhor todos os dias da vida, quer dizer, que vive em Sua presença desde agora até a eternidade; para poder ser esse ser humano que, aceito por Deus, descobre o melhor e mais seguro lugar do mundo, o centro da Sua vontade, só é preciso uma coisa. Não é preciso grandes somas em dinheiro, grandes doses de sacrifício, ou grande ativismo religioso. O único requisito para darmos início ao nosso relacionamento íntimo com Deus é muito claro na Bíblia: Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo.
Deus não aceita as pessoas com base em sua conta bancária, em sua formação cultural, em sua inteligência, em seu sexo, em sua religiosidade. Deus não aceita as pessoas com base nas coisas que elas fazem, deixam de fazer, ou poderiam fazer. Não. O único critério, o único requisito, para a aceitação de Deus é a fé em Jesus. As instituições, mesmo as religiosas, podem estabelecer outros requisitos para aceitação das pessoas, mas o único requisito que pode fazer o ser humano se achegar à presença de Deus e dar início à sua caminhada pela eternidade no centro de e no aprendizado da Sua vontade é sua fé na pessoa, na vida, na morte e na ressurreição de Jesus. Esse requisito quebra toda barreira, destrói todo obstáculo e constrói nova dimensão de vida e compromisso com Deus.
Jesus nos convida sempre. O convite de Jesus é para que sejamos os bem-aventurados que caminham com Ele, aprendendo dEle, crescendo com Ele, no centro da Sua vontade, fundamentados no maior e mais importante de todos os critérios: Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo.
Romanos 3. 22
Parece que, independente de para onde nos viramos, sempre encontramos nas instituições sociais com as quais nos deparamos na vida a exigência de requisitos para aceitação. Quando eu passei na seleção do mestrado no ano passado uma das coisas que mais via como necessária era me qualificar para receber uma bolsa para estudo. Eu tinha decidido, independente de qualquer coisa, que iria apenas estudar, sem trabalhar, mesmo que no fim do mês minha renda fosse zero. Não via como fazer o mestrado e trabalhar ao mesmo tempo. Mas os requisitos para conseguir a bolsa eram muito severos. Não bastava apenas querer. Primeiro, era preciso haver bolsas disponíveis. Graças a Deus, havia. Mas eu precisava passar na seleção e passar bem colocado. O meu programa dispõe de poucas bolsas e o principal critério de seleção é a colocação na seleção. Fiquei em quinto lugar. Entre os demais candidatos que terminaram à minha frente, dois dispensaram as bolsas porque tinham emprego fixo e, por isso, não atendiam os requisitos. Ainda assim, só haviam duas bolsas. Isso significava que eu ia ficar sem. Só que, a um dia do prazo final para cadastro de bolsas, o departamento descobriu que havia uma bolsa da CAPES que não estava sendo usada e ia ser passada para outro programa de mestrado. Ligaram-me e em um dia providenciei tudo para ficar com aquela bolsa de estudos. Bênção de Deus que tem me dado a tranqüilidade para fazer o mestrado.
Eu consegui a bolsa, mas não bastou querer a bolsa. Eu tive que atender aos critérios, o principal deles relacionado com a minha posição na classificação. Além disso, não podia ter emprego fixo, com carteira assinada, já que a bolsa exige dedicação exclusiva. Como a maior parte das instituições em nossa sociedade, a concessão de bolsas de estudos requer o atendimento de requisitos fundamentais.
As coisas com Deus são mais simples. Não existem muitos requisitos para alguém ser aceito na presença de Deus, apesar do que parecem acreditar alguns movimentos religiosos por aí. Você não precisa de penitências, de uma cota de sofrimento, de sua freqüência nos cultos, de um número indefinido de reencarnações. Você não precisa pagar nada, você não precisa fazer coisa alguma. Não existem critérios difíceis e excludentes, como no caso de tentar conseguir bolsas de estudos.
Para estar na presença de Deus e ser aceito por Ele só há um requisito. Para poder ser aquele homem bem-aventurado que mora na casa do Senhor todos os dias da vida, quer dizer, que vive em Sua presença desde agora até a eternidade; para poder ser esse ser humano que, aceito por Deus, descobre o melhor e mais seguro lugar do mundo, o centro da Sua vontade, só é preciso uma coisa. Não é preciso grandes somas em dinheiro, grandes doses de sacrifício, ou grande ativismo religioso. O único requisito para darmos início ao nosso relacionamento íntimo com Deus é muito claro na Bíblia: Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo.
Deus não aceita as pessoas com base em sua conta bancária, em sua formação cultural, em sua inteligência, em seu sexo, em sua religiosidade. Deus não aceita as pessoas com base nas coisas que elas fazem, deixam de fazer, ou poderiam fazer. Não. O único critério, o único requisito, para a aceitação de Deus é a fé em Jesus. As instituições, mesmo as religiosas, podem estabelecer outros requisitos para aceitação das pessoas, mas o único requisito que pode fazer o ser humano se achegar à presença de Deus e dar início à sua caminhada pela eternidade no centro de e no aprendizado da Sua vontade é sua fé na pessoa, na vida, na morte e na ressurreição de Jesus. Esse requisito quebra toda barreira, destrói todo obstáculo e constrói nova dimensão de vida e compromisso com Deus.
Jesus nos convida sempre. O convite de Jesus é para que sejamos os bem-aventurados que caminham com Ele, aprendendo dEle, crescendo com Ele, no centro da Sua vontade, fundamentados no maior e mais importante de todos os critérios: Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo.
8.5.05
Um violinista
Bem-aventurado o homem cuja força está em Ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.
Salmo 84. 5 – 6
Adoro cinema. No dia das mães resolvi homenagear todas as mães de minha casa promovendo uma sessão de cinema com aquele que é, provavelmente, o filme mais fantástico que já assisti na vida. Um violinista no telhado, musical de 1971. Existem muitos coisas que poderiam ser ditas acerca desse filme mas, logicamente, o que mais me toca e chama a atenção é a metáfora do violinista no telhado. Na primeira seqüência, que também é o primeiro número musical, o protagonista Tevye apresenta-nos o violinista no telhado. Tevye é um pobre leiteiro de um pequeno vilarejo na Rússia Czarista. Membro de uma comunidade judaica, Tevye nos explica que o fundamento da existência de sua comunidade são as tradições. As tradições põem tudo nos seus lugares. As tradições explicam os papéis que cada um deve assumir na comunidade: o mendigo, a casamenteira, o açougueiro, o rabino e, claro, o pobre leiteiro e sua família. Ele pode até não poder explicar o sentido de cada tradição, como acontece ao fato de que todos os homens usam chapéu sempre (Tevye diz: Você deve estar querendo saber porque usamos chapéu. Eu vou contar... eu não sei), mas a comunidade sabe que sem as tradições a vida seria tão instável quanto o violinista que tenta se equilibrar nos telhados das casas, enquanto executa um número musical.
O violinista, como se fosse uma parte da consciência de Tevye, está sempre presente em todo o filme. E o violinista, o próprio Tevye, começa a abrir espaço para a quebra de muitas tradições no meio da comunidade. As quebras começam quando cada um começa a questionar os motivos e as razões de suas ações. A conscientização do seu próprio ser desafia as estruturas fossilizadas que sustentam, um tanto superficialmente, a comunidade judaica naquele pequeno vilarejo. Em um determinado ponto do filme, Tevye conclui que o que agora é tradicional um dia foi novidade. Quer dizer, descobrir que toda tradição tem um início abre espaço para que venha o novo.
Quando assisto este filme penso que nosso papel no mundo é ser como o violinista no telhado. Porque o nosso Deus é Aquele que faz novas todas as coisas, sempre, em todo tempo, cada manhã. Precisamos ser violinistas que não se permitam assumir tradições que sejam sem significado para nós, tradições que se fossilizam, não permitindo a emergência do novo. Como violinistas, tocando sobre os telhados, tomamos consciência de nossas ações, de nossos compromissos, de nossa vida, abrindo o coração sempre para que todas as coisas possam se renovar. Aprendemos a instabilidade de ser do Espírito, aquele vento que sopra onde quer, como quer, na direção que quer. Não dá para formalizar, para estabilizar, para transformar em tradição o livre fluir do Espírito de Deus. Não dá para controlar a ação de Deus.
Bem-aventurado o homem cuja força está em Ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Bem-aventurado o violinista no telhado. Aquele que em intimidade com Deus recebe dEle vida para levá-la aonde for. Que transforma as estruturas fossilizadas por tradições mortas em manancial. Aquele que tem sua força no Senhor e leva a bênção do Senhor a todo deserto onde chega. Bem-aventurado aquele que, andando com o Senhor, descobre que a vida realmente só vale a pena quando se vive pelos telhados, tocando o seu violino. Quem se dá bem na aventura da vida, quer dizer, o bem-aventurado, é aquele que descobre o Deus que abençoa, enche de vida no Espírito, não sem propósito, mas para que cada um, como um tocador que leva sua música ao mundo, vá até lá para fazer diferença, para levar vida, para ser canal do renovo, da graça, para levar alegria, para transformar. O violinista no telhado aquele que descobre que Deus nos abençoa unicamente para que sejamos bênção e, assim, levemos a Sua bênção a mais e mais pessoas. E, desse modo, ajudar a matar as tradições de morte e abre espaço para que venha o novo da vida. Por isso, o violinista no telhado, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.
Salmo 84. 5 – 6
Adoro cinema. No dia das mães resolvi homenagear todas as mães de minha casa promovendo uma sessão de cinema com aquele que é, provavelmente, o filme mais fantástico que já assisti na vida. Um violinista no telhado, musical de 1971. Existem muitos coisas que poderiam ser ditas acerca desse filme mas, logicamente, o que mais me toca e chama a atenção é a metáfora do violinista no telhado. Na primeira seqüência, que também é o primeiro número musical, o protagonista Tevye apresenta-nos o violinista no telhado. Tevye é um pobre leiteiro de um pequeno vilarejo na Rússia Czarista. Membro de uma comunidade judaica, Tevye nos explica que o fundamento da existência de sua comunidade são as tradições. As tradições põem tudo nos seus lugares. As tradições explicam os papéis que cada um deve assumir na comunidade: o mendigo, a casamenteira, o açougueiro, o rabino e, claro, o pobre leiteiro e sua família. Ele pode até não poder explicar o sentido de cada tradição, como acontece ao fato de que todos os homens usam chapéu sempre (Tevye diz: Você deve estar querendo saber porque usamos chapéu. Eu vou contar... eu não sei), mas a comunidade sabe que sem as tradições a vida seria tão instável quanto o violinista que tenta se equilibrar nos telhados das casas, enquanto executa um número musical.
O violinista, como se fosse uma parte da consciência de Tevye, está sempre presente em todo o filme. E o violinista, o próprio Tevye, começa a abrir espaço para a quebra de muitas tradições no meio da comunidade. As quebras começam quando cada um começa a questionar os motivos e as razões de suas ações. A conscientização do seu próprio ser desafia as estruturas fossilizadas que sustentam, um tanto superficialmente, a comunidade judaica naquele pequeno vilarejo. Em um determinado ponto do filme, Tevye conclui que o que agora é tradicional um dia foi novidade. Quer dizer, descobrir que toda tradição tem um início abre espaço para que venha o novo.
Quando assisto este filme penso que nosso papel no mundo é ser como o violinista no telhado. Porque o nosso Deus é Aquele que faz novas todas as coisas, sempre, em todo tempo, cada manhã. Precisamos ser violinistas que não se permitam assumir tradições que sejam sem significado para nós, tradições que se fossilizam, não permitindo a emergência do novo. Como violinistas, tocando sobre os telhados, tomamos consciência de nossas ações, de nossos compromissos, de nossa vida, abrindo o coração sempre para que todas as coisas possam se renovar. Aprendemos a instabilidade de ser do Espírito, aquele vento que sopra onde quer, como quer, na direção que quer. Não dá para formalizar, para estabilizar, para transformar em tradição o livre fluir do Espírito de Deus. Não dá para controlar a ação de Deus.
Bem-aventurado o homem cuja força está em Ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Bem-aventurado o violinista no telhado. Aquele que em intimidade com Deus recebe dEle vida para levá-la aonde for. Que transforma as estruturas fossilizadas por tradições mortas em manancial. Aquele que tem sua força no Senhor e leva a bênção do Senhor a todo deserto onde chega. Bem-aventurado aquele que, andando com o Senhor, descobre que a vida realmente só vale a pena quando se vive pelos telhados, tocando o seu violino. Quem se dá bem na aventura da vida, quer dizer, o bem-aventurado, é aquele que descobre o Deus que abençoa, enche de vida no Espírito, não sem propósito, mas para que cada um, como um tocador que leva sua música ao mundo, vá até lá para fazer diferença, para levar vida, para ser canal do renovo, da graça, para levar alegria, para transformar. O violinista no telhado aquele que descobre que Deus nos abençoa unicamente para que sejamos bênção e, assim, levemos a Sua bênção a mais e mais pessoas. E, desse modo, ajudar a matar as tradições de morte e abre espaço para que venha o novo da vida. Por isso, o violinista no telhado, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.
7.5.05
Um dia
É melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar.
Salmo 84. 10
Com poucos meses de convertido, fui passar as férias de verão em uma praia perto de Natal. Meu tio tinha uma casa em Barra do Rio, praia vizinha da famosa Genipabu. Naqueles dias a única coisa que lia, praticamente, era a Bíblia. Estava naquele fogo que tantas vezes me disseram tratar-se do primeiro amor. Uma noite, enquanto tentava ler um livro em inglês que meu pastor havia me emprestado, cochilei rapidamente. E cai, no sonho, em um vazio enorme. Um lugar em que não havia nada. Como se fosse, na verdade, um grande nada. Rapidamente percebi se tratar daquilo que chamamos de inferno. Tudo não levou mais que alguns segundos. Quando acordei novamente comecei a entender mais seriamente a necessidade da obra missionária: evitar que os milhões que andam nas trevas da ignorância sem Deus se percam eternamente.
Com o tempo, fui reelaborando o sentido do meu pequeno sonho. Fui aprofundando um pouco mais os seus significados. E, atualmente, é difícil lembrar dessa experiência sem pensar no texto do Salmo 84: É melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar. Os poucos instantes em que me senti no inferno de lugar nenhum foram desesperadores. Senti-me, por alguns instantes naquele dia, distante absolutamente do Senhor.
Por outro lado, o aprender a viver todos os dias no templo do Senhor, quer dizer, viver todos os momentos em Sua Presença, tem sido a experiência mais fantástica que jamais pensei ser capaz de vivenciar. O sentido do versículo é cada vez mais nítido para mim.
A descoberta da intimidade do Senhor, do viver nos Seus átrios em todos os momentos, provoca atitudes loucas. Jesus conta uma parábola para descrever isso. Ele diz que a descoberta do Reino se assemelha àquele homem que encontra uma pérola de valor imenso. Ele vai, esconde-a num terreno, vende o que tem para comprar aquele terreno. Quer dizer: ele recoloca as coisas nos seus devidos e corretos lugares. Nada na vida é mais precioso que o tesouro da intimidade com o Senhor. E o tesouro da intimidade com o Senhor vale qualquer sacrifício. Vale mais um dia na presença do Senhor do que mil em qualquer outra parte.
Tenho dito a muita gente que se a gente diz que ama o Senhor acima de todas as coisas, mas na nossa agenda resta muito pouco ou nenhum tempo para investir na intimidade com o Jesus que a gente declara amar, é tudo mentira. Se você ama alguém e diz que esse alguém é a pessoa mais importante da sua vida, você precisa passar sua vida buscando a sua intimidade. Dizer que ama a Jesus e fugir da Sua intimidade faz de nós os piores hipócritas. Ter Jesus como prioridade máxima não é questão de palavras. Nós não somos chamados a memorizar o Salmo 84. Somos chamados a viver, na prática, a vida de quem ama a Deus acima de todas as coisas. Mesmo que para isso não seja preciso dizer qualquer coisa. Somos chamados a valorizar a intimidade do Senhor. A viver, não a dizer, a realidade de que é melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar.
Salmo 84. 10
Com poucos meses de convertido, fui passar as férias de verão em uma praia perto de Natal. Meu tio tinha uma casa em Barra do Rio, praia vizinha da famosa Genipabu. Naqueles dias a única coisa que lia, praticamente, era a Bíblia. Estava naquele fogo que tantas vezes me disseram tratar-se do primeiro amor. Uma noite, enquanto tentava ler um livro em inglês que meu pastor havia me emprestado, cochilei rapidamente. E cai, no sonho, em um vazio enorme. Um lugar em que não havia nada. Como se fosse, na verdade, um grande nada. Rapidamente percebi se tratar daquilo que chamamos de inferno. Tudo não levou mais que alguns segundos. Quando acordei novamente comecei a entender mais seriamente a necessidade da obra missionária: evitar que os milhões que andam nas trevas da ignorância sem Deus se percam eternamente.
Com o tempo, fui reelaborando o sentido do meu pequeno sonho. Fui aprofundando um pouco mais os seus significados. E, atualmente, é difícil lembrar dessa experiência sem pensar no texto do Salmo 84: É melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar. Os poucos instantes em que me senti no inferno de lugar nenhum foram desesperadores. Senti-me, por alguns instantes naquele dia, distante absolutamente do Senhor.
Por outro lado, o aprender a viver todos os dias no templo do Senhor, quer dizer, viver todos os momentos em Sua Presença, tem sido a experiência mais fantástica que jamais pensei ser capaz de vivenciar. O sentido do versículo é cada vez mais nítido para mim.
A descoberta da intimidade do Senhor, do viver nos Seus átrios em todos os momentos, provoca atitudes loucas. Jesus conta uma parábola para descrever isso. Ele diz que a descoberta do Reino se assemelha àquele homem que encontra uma pérola de valor imenso. Ele vai, esconde-a num terreno, vende o que tem para comprar aquele terreno. Quer dizer: ele recoloca as coisas nos seus devidos e corretos lugares. Nada na vida é mais precioso que o tesouro da intimidade com o Senhor. E o tesouro da intimidade com o Senhor vale qualquer sacrifício. Vale mais um dia na presença do Senhor do que mil em qualquer outra parte.
Tenho dito a muita gente que se a gente diz que ama o Senhor acima de todas as coisas, mas na nossa agenda resta muito pouco ou nenhum tempo para investir na intimidade com o Jesus que a gente declara amar, é tudo mentira. Se você ama alguém e diz que esse alguém é a pessoa mais importante da sua vida, você precisa passar sua vida buscando a sua intimidade. Dizer que ama a Jesus e fugir da Sua intimidade faz de nós os piores hipócritas. Ter Jesus como prioridade máxima não é questão de palavras. Nós não somos chamados a memorizar o Salmo 84. Somos chamados a viver, na prática, a vida de quem ama a Deus acima de todas as coisas. Mesmo que para isso não seja preciso dizer qualquer coisa. Somos chamados a valorizar a intimidade do Senhor. A viver, não a dizer, a realidade de que é melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar.
6.5.05
Não dorme
O protetor do povo de Israel nunca dorme, nem cochila. O Senhor guardará você; Ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo.
Salmo 121. 4 – 5.
Lembro de não poucas noites de sono que minha mãe perdeu ao meu lado, velando por mim, doente de alguma coisa. Geralmente uma forte gripe levava minha mãe a estar a noite toda ao meu lado na minha cama, se esforçando ao máximo por não cair no sono, monitorando minha febre, a dor de minha garganta, os meus pulmões cheios. Mas não foram só gripes. Tive sarampo, várias crises de otite. Quando tinha treze anos, passei duas semanas com os dois ouvidos inflamados, com muito pus e muita secreção. Eu cheguei a me divertir, porque pude assistir a Olimpíada de Barcelona inteira, sem ter de ir à escola. Mas minha mãe quase morreu de preocupação. A última vez que eu me lembro desse cuidado extremado por parte de minha mãe foi há cerca de dois anos. No meio de uma epidemia de dengue, fui baleado pelo Aedes Aegypt. Foram alguns dias doente. Principalmente à noite, a febre vinha forte. Levei meu colchão para a sala de minha casa e dormia lá. Diversas vezes durante a noite, minha mãe saía de seu quarto e vinha checar como eu estava ou se eu precisava de alguma coisa. Essa atitude, atitude de qualquer mãe, sempre me fez imaginar que, se ela pudesse, levaria a minha doença para que eu ficasse são. Ficaria doente no meu lugar.
No entanto, mesmo apesar de toda dedicação de minha velha mãe, muitas vezes o cansaço era mais forte, o sono mais poderoso, e ela dormia. Quando tive dengue, algumas noites ela resolveu velar sentada na sala ao lado do meu colchão. Deixava a tevê ligada no volume mínimo. Às vezes, eu acordava no meio da noite e flagrava a coitada dormindo. Por mais que me amasse, por mais que sua preocupação fosse grande, por mais intenso que fosse o seu cuidado, o sono a vencia muito mais do que ela gostaria.
O protetor do povo de Israel nunca dorme, nem cochila. O Senhor guardará você; Ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo. Minha mãe não conseguia passar incólume pelo sono. Mesmo que me amasse enormemente. Por isso, seu exemplo serve apenas para dar uma pequena amostra do enorme cuidado que Deus tem por nós. Se nossos pais nos amam, Deus tem amor infinitamente maior por nós. Se nossos pais se importam com aquilo que sofremos, Deus muito mais tem compaixão de nós. Se nossos pais estão sempre dispostos a tomar a nossa doença em nosso lugar, Deus, através de Jesus, já levou sobre Si todo o nosso pecado, a nossa doença, a nossa iniqüidade, o nosso mal. Por amor e de graça. E, o que é mais fantástico, ao contrário do velar promovido por minha mãe, por nossos pais, que, vez por outra, é vencido pelo cansaço, levando-os a adormecer, o cuidado de Deus é incansável sobre nossas vidas. Nosso protetor jamais dorme ou cochila. Está sempre atento nos guardando. Está sempre ao nosso lado, cuidando de nós e nos protegendo.
Qualquer mãe, como a minha, tem um instinto de proteção total sobre sua cria, sobre seu filho. Mas ainda assim, sua proteção é imperfeita e, logo logo, todas as mães descobrem que não podem proteger seus filhos de todos os riscos, dores e tristezas. Por mais que queiram, são impotentes para isso. Sobra um certo nível de ansiedade. Deus é infinitamente poderoso para eficazmente nos proteger sempre e integralmente. O Senhor guardará você; Ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo.
Minha mãe sempre quis me guardar e proteger. Às vezes até super-proteger. Como qualquer mãe. Mas super-protegido mesmo a gente se encontra quando se lança aos cuidados de Deus. O nosso protetor que não dorme nem cochila e para sempre nos guarda e nos protege, andando lado a lado conosco.
Salmo 121. 4 – 5.
Lembro de não poucas noites de sono que minha mãe perdeu ao meu lado, velando por mim, doente de alguma coisa. Geralmente uma forte gripe levava minha mãe a estar a noite toda ao meu lado na minha cama, se esforçando ao máximo por não cair no sono, monitorando minha febre, a dor de minha garganta, os meus pulmões cheios. Mas não foram só gripes. Tive sarampo, várias crises de otite. Quando tinha treze anos, passei duas semanas com os dois ouvidos inflamados, com muito pus e muita secreção. Eu cheguei a me divertir, porque pude assistir a Olimpíada de Barcelona inteira, sem ter de ir à escola. Mas minha mãe quase morreu de preocupação. A última vez que eu me lembro desse cuidado extremado por parte de minha mãe foi há cerca de dois anos. No meio de uma epidemia de dengue, fui baleado pelo Aedes Aegypt. Foram alguns dias doente. Principalmente à noite, a febre vinha forte. Levei meu colchão para a sala de minha casa e dormia lá. Diversas vezes durante a noite, minha mãe saía de seu quarto e vinha checar como eu estava ou se eu precisava de alguma coisa. Essa atitude, atitude de qualquer mãe, sempre me fez imaginar que, se ela pudesse, levaria a minha doença para que eu ficasse são. Ficaria doente no meu lugar.
No entanto, mesmo apesar de toda dedicação de minha velha mãe, muitas vezes o cansaço era mais forte, o sono mais poderoso, e ela dormia. Quando tive dengue, algumas noites ela resolveu velar sentada na sala ao lado do meu colchão. Deixava a tevê ligada no volume mínimo. Às vezes, eu acordava no meio da noite e flagrava a coitada dormindo. Por mais que me amasse, por mais que sua preocupação fosse grande, por mais intenso que fosse o seu cuidado, o sono a vencia muito mais do que ela gostaria.
O protetor do povo de Israel nunca dorme, nem cochila. O Senhor guardará você; Ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo. Minha mãe não conseguia passar incólume pelo sono. Mesmo que me amasse enormemente. Por isso, seu exemplo serve apenas para dar uma pequena amostra do enorme cuidado que Deus tem por nós. Se nossos pais nos amam, Deus tem amor infinitamente maior por nós. Se nossos pais se importam com aquilo que sofremos, Deus muito mais tem compaixão de nós. Se nossos pais estão sempre dispostos a tomar a nossa doença em nosso lugar, Deus, através de Jesus, já levou sobre Si todo o nosso pecado, a nossa doença, a nossa iniqüidade, o nosso mal. Por amor e de graça. E, o que é mais fantástico, ao contrário do velar promovido por minha mãe, por nossos pais, que, vez por outra, é vencido pelo cansaço, levando-os a adormecer, o cuidado de Deus é incansável sobre nossas vidas. Nosso protetor jamais dorme ou cochila. Está sempre atento nos guardando. Está sempre ao nosso lado, cuidando de nós e nos protegendo.
Qualquer mãe, como a minha, tem um instinto de proteção total sobre sua cria, sobre seu filho. Mas ainda assim, sua proteção é imperfeita e, logo logo, todas as mães descobrem que não podem proteger seus filhos de todos os riscos, dores e tristezas. Por mais que queiram, são impotentes para isso. Sobra um certo nível de ansiedade. Deus é infinitamente poderoso para eficazmente nos proteger sempre e integralmente. O Senhor guardará você; Ele estará sempre ao seu lado para protegê-lo.
Minha mãe sempre quis me guardar e proteger. Às vezes até super-proteger. Como qualquer mãe. Mas super-protegido mesmo a gente se encontra quando se lança aos cuidados de Deus. O nosso protetor que não dorme nem cochila e para sempre nos guarda e nos protege, andando lado a lado conosco.
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