Assim também tudo o que essas pessoas fazem dá certo.
Salmo 1. 3.
Não sei exatamente o porquê, mas nos últimos dias estou com esse texto na minha cabeça e no meu coração. Como se estivesse sendo tomado por uma “ousada certeza” que nunca antes experimentei. E, claro, esse processo me forçou naturalmente a pensar no que isso deve significar para mim. O que devo entender disso?
Talvez pela minha formação teológica e intelectual eu sempre tive muita dificuldade para compreender uma passagem como essa. Se Deus é soberano, se Ele é o Senhor, e eu não passo de um servo inútil, como posso afirmar que tudo o que eu faça dará certo, será bem sucedido? Será que não posso errar meus julgamentos? Será que a vida é feita apenas de vitórias? Mas não é difícil perceber que existem condições para que a idéia do Salmo 1 possa se efetivar na vida cristã. Logo, as perguntas que devemos fazer ao texto, de início, não são as que fiz por muito tempo, estas que citei acima. O Salmo 1 não trata disso. Não questiona a Soberania de Deus. Não exalta o poder de ação do homem, nem uma possível impossibilidade de errar desse homem. O Salmo 1 não fala de uma vida de vitórias no sentido apregoado por aí, no mundo contemporâneo. Pregação que costuma esquecer que a maior vitória do universo foi conquistada no sofrimento e na morte em uma cruz. Por isso, o porquê que devemos buscar é outro.
A realidade do Salmo 1 é a comunhão e intimidade com Deus. O Salmo 1 aponta a dupla possibilidade de escolha que tem o ser humano no mundo. De um lado, a vida. Do outro, a morte. E, no mundo condenado a escolher, o homem pode optar pelo caminho feliz, de vida: a comunhão íntima com Deus, traduzida no deixar de lado o conselho dos maus, seus exemplos, sua companhia. A comunhão com Deus ainda se manifesta no prazer que este feliz passa a ter na leitura e meditação da Palavra de Deus. Vida de intimidade, de oração, de paz, de gozo.
É disso que fala o Salmo. É disso que ele fala quando nos diz que tudo o que essas pessoas fazem dá certo. Não é porque haja méritos nelas que as tornem imbatíveis. A única coisa que faz a diferença é que, agora, elas andam na intimidade do Senhor, dia a dia. E, assim, têm aprendido com Ele acerca dos desejos, dos sonhos, dos planos e dos projetos dEle em suas vidas. Tudo o que elas fazem dá certo porque seu coração se ligou de tal maneira ao do Senhor que agora tudo o que elas querem e tudo o que fazem depende de Deus, se centra na vontade dEle para a sua vida.
O único jeito que nós temos de sermos bem-sucedidos em tudo é fazermos tudo dentro do que Deus revela ser Sua vontade para nós. Isso significa que não devemos fazer nossos projetos, construir nossos planos, iniciar as nossas ações e, depois, pedir a Deus a Sua bênção para isso, esperando que, no fim, todas as coisas prosperem. Se podemos saber que todas as coisas darão certo é porque, antes mesmo de sonhá-las ou pensá-las, nosso prazer está na comunhão e intimidade com Deus. Nossa vida se rende ao Senhor e o nosso coração O busca inteiramente. Dessa maneira, esperamos no Senhor que Ele revele seus projetos, planos e ações para tudo. Esperamos que Ele nos mostre a Sua vontade, antes de darmos o primeiro passo. Não sonhamos mais os nossos sonhos sozinhos, mas desejamos ardentemente sonhar os sonhos de Deus para nós. Aguardamos, buscando a Sua face, tendo nEle o nosso prazer, fazendo dEle a nossa vida. Meditando na Sua Lei. Amando-O e andando com Ele. E, assim, não são mais os nossos planos, ou nossa vontade, ou nossa ação, mas sim os de Deus. Tudo o que fazemos dá certo porque não fazemos as nossas coisas, mas sim as de Deus. Somos, desse modo, apenas cooperadores da obra dEle no mundo e em nossas vidas. Assim também tudo o que essas pessoas fazem dá certo, porque tudo o que Deus faz dá certo.
É impossível não me lembrar agora de uma passagem de Israel no deserto. Um pouco depois do episódio do bezerro de ouro, após a purificação do pecado do povo, Moisés trava um interessante diálogo com o Senhor. É verdade que me mandaste guiar este povo para aquela terra, porém não me disseste quem é que irá comigo. Disseste que me conheces bem e que estás contente comigo. Agora, se isso é assim mesmo, fala-me dos teus planos para eu possa te servir e continuar a te agradar. Lembra que escolheste esta nação para ser tua (Ex. 33. 12 – 13). Moisés, primeiramente, pede que Deus revele que planos têm para o povo e para si mesmo, sua liderança, antes de tomar qualquer iniciativa de ação. Isso devia nos inspirar. E aí, diante da resposta do Senhor, Moisés fala palavras que deviam estar profundamente gravadas em nosso coração, em nossa mente, em nossa vida. Deus disse: - Eu irei com você e lhe darei a vitória. Então Moisés respondeu: - Se não fores com o teu povo, não nos faça sair deste lugar. (...) A tua presença é que mostrará que somos diferentes dos outros povos da terra (Ex. 33. 14 – 16).
Se tudo o que fazemos dá certo não é porque somos mais especiais que ninguém, mas sim porque, aprendendo a viver na dimensão da comunhão e intimidade com o Senhor, sonhamos os Seus sonhos, vivemos os Seus planos. Se tudo o que fazemos dá certo é porque aprendemos a conhecer a vontade de Deus e cooperamos com ela.
17.5.05
16.5.05
Ouvindo a voz de Deus em dias difíceis
Samuel ainda era menino...
1 Samuel 3. 1.
Aqueles eram dias difíceis para a vida espiritual de Israel. Eli era o sacerdote. Seus filhos eram, no dizer do nordeste, cabras safados que desviavam os sacrifícios e, ainda, se valiam de sua posição privilegiada para explorar o povo. E Eli não fazia muito para impedir o que estava acontecendo. Para piorar, diz o autor do texto, naqueles dias poucas mensagens vinham do Senhor, e as visões também eram muito raras (1 Sm. 3. 1). Era como se Deus estivesse em silêncio.
Mas se dermos uma olhada atenta ao contexto vamos ver que o problema não era o silêncio de Deus. Deus não estava silente ou distante. O problema era não haver ouvidos para ouvi-Lo nem olhos para vê-Lo. Era um problema de audição e de visão, não de fala. Os corações estavam distantes de Deus, não Deus distante do povo. A começar da família do sacerdote, Israel estava se ausentando do Senhor cada vez mais. Ninguém tinha ouvidos para ouvir o que Deus tinha a dizer à Sua gente. Ninguém tinha olhos para ver. Ninguém se dispunha a buscar Sua face e se pôr como canal de bênção e mediação entre Deus e o povo.
Era de se esperar que a liderança de Israel tivesse de vir dos mais velhos e experientes. Dos mais capacitados, dos mais vividos. Mas o que Deus faz quando esses se afastam? Como se fosse uma forma de exaltar a falha dos mais velhos, Ele chama um menino. Samuel ainda era um menino. É como se Deus nos dissesse que, se aqueles que têm vivência para interpretar o que Ele fala, para entender as visões e, mais que isso, para liderar o povo não têm ouvidos para ouvir, Ele envia Sua Palavra para alguém que tenha ouvidos para ouvir e olhos para ver. Que tenha seu coração nEle, mesmo que seja uma criança. É como se Deus usasse até esse fato para denunciar a frieza e a circunstância difícil em que se encontra a liderança do Seu Povo. Se os líderes do povo não sabem ouvir a voz de Deus, Deus decide liderar o povo por meio de uma criança.
Certa noite Eli, já quase cego, estava dormindo no seu quarto. Samuel dormia na Tenda Sagrada, onde ficava a arca da aliança. E a lâmpada de Deus ainda estava acesa. Então o Senhor Deus chamou: - Samuel, Samuel! (1 Sm. 3. 2 – 4). Sem entender o que se passa, Samuel corre até Eli, pensando que o velho sacerdote o chamara. Isso se repete ainda mais duas vezes, até que Eli se convence de que é Deus que está chamando o garoto. E o instrui a como agir.
Imagino a luta interior do sacerdote: Deus não pode falar por meio de uma criança. Em um tempo em que são raras as mensagens, poucas as visões, Deus não escolheria uma criança, que é incapaz de compreender as coisas, para falar por meio dela, para falar a ela. Ele não poderia aceitar que a voz que aquele garoto está ouvindo, garoto tão inexperiente que não consegue entender o que se passa, era a voz de Deus. Deus devia falar com ele, o sacerdote. Nunca com uma criança. Mas depois da terceira vez, não tinha mais o que fazer: Então Eli compreendeu que era o Senhor quem estava chamando o menino (1 Sm. 3. 8). Sua resistência e seu preconceito foram vencidos.
Essa história me ensina principalmente uma coisa: não devo me surpreender com os canais que Deus escolhe para falar com Seu povo ou liderá-Lo. Ele não está preso aos nossos preconceitos e aos nossos entendimentos de mundo. Não devo, por isso, menosprezar os canais que Deus pode escolher para falar comigo. Mesmo que seja uma inexperiente e imatura criança. Ele pode justamente escolhê-la para mostrar a mim o quão distante estou do Seu ideal de experiência e maturidade. E para me denunciar de que, diferente dela, eu não estou com o coração cem por cento em Deus, eu não tenho meus ouvidos voltados para ouvir Sua voz, não busca a Sua face e não vejo o que Ele quer me mostrar. Nada impede que uma criança aja assim e seja canal do fluir de Deus no meio do povo.
Nada impede que Deus fale conosco através dos canais mais surpreendentes. Espero que tenhamos ouvidos para ouvir e olhos para ver. Espero que não desprezemos esses canais e percamos a mensagem que Ele nos dirige. Espero que não demoremos, como vez Eli, para reconhecer a ação de Deus. Podemos demorar demais e, aí, seria tarde.
1 Samuel 3. 1.
Aqueles eram dias difíceis para a vida espiritual de Israel. Eli era o sacerdote. Seus filhos eram, no dizer do nordeste, cabras safados que desviavam os sacrifícios e, ainda, se valiam de sua posição privilegiada para explorar o povo. E Eli não fazia muito para impedir o que estava acontecendo. Para piorar, diz o autor do texto, naqueles dias poucas mensagens vinham do Senhor, e as visões também eram muito raras (1 Sm. 3. 1). Era como se Deus estivesse em silêncio.
Mas se dermos uma olhada atenta ao contexto vamos ver que o problema não era o silêncio de Deus. Deus não estava silente ou distante. O problema era não haver ouvidos para ouvi-Lo nem olhos para vê-Lo. Era um problema de audição e de visão, não de fala. Os corações estavam distantes de Deus, não Deus distante do povo. A começar da família do sacerdote, Israel estava se ausentando do Senhor cada vez mais. Ninguém tinha ouvidos para ouvir o que Deus tinha a dizer à Sua gente. Ninguém tinha olhos para ver. Ninguém se dispunha a buscar Sua face e se pôr como canal de bênção e mediação entre Deus e o povo.
Era de se esperar que a liderança de Israel tivesse de vir dos mais velhos e experientes. Dos mais capacitados, dos mais vividos. Mas o que Deus faz quando esses se afastam? Como se fosse uma forma de exaltar a falha dos mais velhos, Ele chama um menino. Samuel ainda era um menino. É como se Deus nos dissesse que, se aqueles que têm vivência para interpretar o que Ele fala, para entender as visões e, mais que isso, para liderar o povo não têm ouvidos para ouvir, Ele envia Sua Palavra para alguém que tenha ouvidos para ouvir e olhos para ver. Que tenha seu coração nEle, mesmo que seja uma criança. É como se Deus usasse até esse fato para denunciar a frieza e a circunstância difícil em que se encontra a liderança do Seu Povo. Se os líderes do povo não sabem ouvir a voz de Deus, Deus decide liderar o povo por meio de uma criança.
Certa noite Eli, já quase cego, estava dormindo no seu quarto. Samuel dormia na Tenda Sagrada, onde ficava a arca da aliança. E a lâmpada de Deus ainda estava acesa. Então o Senhor Deus chamou: - Samuel, Samuel! (1 Sm. 3. 2 – 4). Sem entender o que se passa, Samuel corre até Eli, pensando que o velho sacerdote o chamara. Isso se repete ainda mais duas vezes, até que Eli se convence de que é Deus que está chamando o garoto. E o instrui a como agir.
Imagino a luta interior do sacerdote: Deus não pode falar por meio de uma criança. Em um tempo em que são raras as mensagens, poucas as visões, Deus não escolheria uma criança, que é incapaz de compreender as coisas, para falar por meio dela, para falar a ela. Ele não poderia aceitar que a voz que aquele garoto está ouvindo, garoto tão inexperiente que não consegue entender o que se passa, era a voz de Deus. Deus devia falar com ele, o sacerdote. Nunca com uma criança. Mas depois da terceira vez, não tinha mais o que fazer: Então Eli compreendeu que era o Senhor quem estava chamando o menino (1 Sm. 3. 8). Sua resistência e seu preconceito foram vencidos.
Essa história me ensina principalmente uma coisa: não devo me surpreender com os canais que Deus escolhe para falar com Seu povo ou liderá-Lo. Ele não está preso aos nossos preconceitos e aos nossos entendimentos de mundo. Não devo, por isso, menosprezar os canais que Deus pode escolher para falar comigo. Mesmo que seja uma inexperiente e imatura criança. Ele pode justamente escolhê-la para mostrar a mim o quão distante estou do Seu ideal de experiência e maturidade. E para me denunciar de que, diferente dela, eu não estou com o coração cem por cento em Deus, eu não tenho meus ouvidos voltados para ouvir Sua voz, não busca a Sua face e não vejo o que Ele quer me mostrar. Nada impede que uma criança aja assim e seja canal do fluir de Deus no meio do povo.
Nada impede que Deus fale conosco através dos canais mais surpreendentes. Espero que tenhamos ouvidos para ouvir e olhos para ver. Espero que não desprezemos esses canais e percamos a mensagem que Ele nos dirige. Espero que não demoremos, como vez Eli, para reconhecer a ação de Deus. Podemos demorar demais e, aí, seria tarde.
15.5.05
Pecado
Ora, na vossa luta contra o pecado ainda não tendes resistido até ao sangue.
Hebreus 12. 4
Ontem uma irmã de minha igreja foi cirurgiada para a remoção de um grave tumor. Cheguei à tarde na igreja, encontrei-me com meu pastor e fui lhe perguntar como havia sido a cirurgia. Ele me falou que foi uma cirurgia muito complicada, principalmente porque o câncer estava colado ao sacro. Os médicos que realizavam o procedimento tiveram que chamar um outro especialista para tentar extraí-lo. E, finalmente, ele conseguiu. No entanto, na luta para extrair o câncer, ele se rompeu e espalhou pus pela cavidade abdominal da nossa irmã. Mas tudo terminou bem.
Fiquei imaginando que há pecados em nossa vida, tanto pessoal quanto comunitária, que se enraízam tão profundamente quanto um tumor como esse. Pecados-tumores que precisam ser extraídos, sob risco de nossas mortes espirituais. Pecados-tumores que somente o poder da Palavra de Deus, espada do Espírito, penetra tão fundo que, discernindo juntas e medulas, sentimentos e emoções, separa a parte doente da sã e remove-os inteiramente. Pecados-tumores que precisamos estar inteiramente dispostos a suportar o sofrimento de sua extração. Estar disposto a resistir até ao sangue na luta contra eles. Sua remoção não é uma ação individual, das nossas próprias forças, mas um esforço conjunto com a graça de Deus e a Palavra de Deus. Doerá, e salvará nossas vidas.
Precisamos depender de Deus para essa extração. Como um especialista que pode detectar a extensão de um tumor, o Senhor conhece todas as raízes que fixam o pecado em nossa vida. Ele mostra a extensão do pecado. Mostra onde devemos cortar nossa própria carne. Ele dirige a cirurgia de remoção.
Essa remoção não depende de nenhuma palavra legalista. Não depende de participar ou provocar rituais religiosos. Não depende de qualquer coisa que se fundamente de alguma maneira na força humana. Ela é resultado de um coração que sinceramente se entrega nas mãos do Cirurgião Chefe. Alguém que se alimenta de doses diárias de Quimioterapia espiritual, na leitura e meditação da Palavra de Deus. É essa ação, a rendição ao Pai, a busca da comunhão com Ele e o meditar na Lei do Senhor, que promove a verdadeira extração das obras da carne. E o surgimento, em seu lugar, do bendito fruto de santidade do Espírito Santo.
Deus tem me incomodado ao dizer que está a postos para fazer isso na minha própria vida. Está me incomodando ao lembrar que está começando a fazer essa cirurgia no meio do Seu povo, extraindo tudo o que se Lhe opõem em nosso meio. Estaremos disposto a suportar a dor e o sofrimento disso? Estamos prontos a resistir ao pecado até ao sangue? Escolheremos um caminho de vida ou caminho de morte?
Hebreus 12. 4
Ontem uma irmã de minha igreja foi cirurgiada para a remoção de um grave tumor. Cheguei à tarde na igreja, encontrei-me com meu pastor e fui lhe perguntar como havia sido a cirurgia. Ele me falou que foi uma cirurgia muito complicada, principalmente porque o câncer estava colado ao sacro. Os médicos que realizavam o procedimento tiveram que chamar um outro especialista para tentar extraí-lo. E, finalmente, ele conseguiu. No entanto, na luta para extrair o câncer, ele se rompeu e espalhou pus pela cavidade abdominal da nossa irmã. Mas tudo terminou bem.
Fiquei imaginando que há pecados em nossa vida, tanto pessoal quanto comunitária, que se enraízam tão profundamente quanto um tumor como esse. Pecados-tumores que precisam ser extraídos, sob risco de nossas mortes espirituais. Pecados-tumores que somente o poder da Palavra de Deus, espada do Espírito, penetra tão fundo que, discernindo juntas e medulas, sentimentos e emoções, separa a parte doente da sã e remove-os inteiramente. Pecados-tumores que precisamos estar inteiramente dispostos a suportar o sofrimento de sua extração. Estar disposto a resistir até ao sangue na luta contra eles. Sua remoção não é uma ação individual, das nossas próprias forças, mas um esforço conjunto com a graça de Deus e a Palavra de Deus. Doerá, e salvará nossas vidas.
Precisamos depender de Deus para essa extração. Como um especialista que pode detectar a extensão de um tumor, o Senhor conhece todas as raízes que fixam o pecado em nossa vida. Ele mostra a extensão do pecado. Mostra onde devemos cortar nossa própria carne. Ele dirige a cirurgia de remoção.
Essa remoção não depende de nenhuma palavra legalista. Não depende de participar ou provocar rituais religiosos. Não depende de qualquer coisa que se fundamente de alguma maneira na força humana. Ela é resultado de um coração que sinceramente se entrega nas mãos do Cirurgião Chefe. Alguém que se alimenta de doses diárias de Quimioterapia espiritual, na leitura e meditação da Palavra de Deus. É essa ação, a rendição ao Pai, a busca da comunhão com Ele e o meditar na Lei do Senhor, que promove a verdadeira extração das obras da carne. E o surgimento, em seu lugar, do bendito fruto de santidade do Espírito Santo.
Deus tem me incomodado ao dizer que está a postos para fazer isso na minha própria vida. Está me incomodando ao lembrar que está começando a fazer essa cirurgia no meio do Seu povo, extraindo tudo o que se Lhe opõem em nosso meio. Estaremos disposto a suportar a dor e o sofrimento disso? Estamos prontos a resistir ao pecado até ao sangue? Escolheremos um caminho de vida ou caminho de morte?
14.5.05
Saindo do poço
Jeremias, ponha esses trapos debaixo dos braços para que as cordas não machuquem você.
Jeremias 38. 12
Jeremias era um incômodo para a liderança de Israel. Sua palavra, vinda do Senhor, denunciava os pecados e a injustiça cometidas especialmente por aqueles que deveriam ser responsáveis pela vida espiritual do povo. Durante o cerco de Jerusalém, Jeremias incomodou tanto que terminou sendo preso. No pátio da guarda. Mas ninguém poderia calar sua voz e ele continuou profetizando. Até que um grupo chefiado por Safatias procurou o rei Zedequias afirmando que o profeta devia morrer. O rei, impotente, permitiu que o grupo lançasse Jeremias em poço. Não havia água no poço, mas apenas uma lama, imagino, fedida. Jeremias estava condenado. Se não morresse devido a alguma doença adquirida naquela lama, morreria de fome. Pelas mãos dos líderes de seu próprio povo.
Só que existia um eunuco etíope, Ebede-Meleque, temente a Deus. Procurou o indeciso rei, intercedeu pelo profeta e recebeu autorização para resgatá-lo da morte certa. Junto com um grupo de trinta homens, o etíope arma o esquema para resgatar Jeremias. Pegou trapos e roupas usadas, desceu cordas, mandou Jeremias proteger as axilas com as roupas e ergueu o fragilizado corpo do profeta com cordas. Ajudaram Jeremias a sair do poço.
Hoje eu queria extrapolar um pouco esta história. Meu desejo é usar alguns elementos desse relato como metáfora para algumas situações que acometem nossas vidas, vez por outra. Diversas situações podem nos lançar em poços fedidos como aquele em que se encontrava Jeremias. Ali, estaremos condenados à morte certa, ainda que não seja uma morte física. Podemos nos sufocar na lama e na sujeira. Podemos nos infectar com algum vírus mortal. Quem sabe a mágoa. Quem sabe o ressentimento. Quem sabe a tristeza. Quem sabe os desejos de vingança. Quem sabe qualquer desses pesos que podem nos arrastar para um destruição ainda maior. No fundo do poço, cercado por essa fedentina que nos sufoca, não encontramos, não contemplamos qualquer chance de escapatória. Sentimo-nos e vemo-nos como realmente estamos: condenados. Sozinhos somos impotentes para sair dali.
O profeta não caiu no poço por si só. Foi lançado ali por líderes que desejavam silenciar a sua voz. Se tivessem a chance, aqueles homens ainda afundariam ainda mais Jeremias na lama. Se pudessem, eles não titubeariam em jogar ainda mais lama, sujeira e podridão sobre ele. Sufocá-lo mais rápido, roubar-lhe as chances de escapar. Às vezes não temos inimigos assim a nossa volta. Às vezes são os amigos que fazem isso, mesmo repletos de boas intenções. Estamos mergulhados em um poço profundo de tristeza, mágoa, dor e ressentimento. E, nessas horas, nos cercam amigos que, ainda que queiram nos ajudar, não sabem muito o que fazem. Alimentam, assim, ainda mais a lama de nossas piores emoções. Fomos feridos por terceiros e os nossos amigos nos sufocam, estimulando os desejos de vingança. Fomos marcados por ações de outros, os conselhos que ouvimos nos conduzem a alimentar a mágoa e o ressentimento. Mesmo que nosso maior desejo seja escapar do poço, como se estivéssemos na areia movediça, nos afundamos ainda mais cada vez que nos esforçamos por sair. Além disso, as vozes que optamos por ouvir jogam mais lama ainda em nossa cabeça. Quando olhamos para o alto, vemos a luz da saída. Sabemos que podemos sair. Mas todo nosso esforço, todo o apoio que recebemos tem sido vão. Afundamos mais. Mais tristeza. Mais mágoa. Mais dor. Afundamos mais. Estamos cercados pelas pessoas erradas que nos afundam, mesmo sem perceber.
O que precisamos para sair? Precisamos de um eunuco etíope. Alguém que tenha a visão do alto. Alguém que tenha o coração quebrantado na presença do Senhor. Alguém que venha e possa interceder junto ao rei porque sabe que Jeremias é um profeta de Deus. Precisamos de alguém que interceda por nós. Precisamos de alguém que lance as cordas para nos puxar do fundo do poço. Precisamos de alguém que esteja lá em cima, na boca do poço, não de alguém que esteja do nosso lado e nem perceba que lança ainda mais lama para nos afundar. Alguém que se deixe levar mais perto por Deus. Alguém que tenha o seu coração em Jesus. Precisamos de alguém que nos apóie, não estimulando nossos desejos de vingança, mas nos ajudando a ver além de toda dor, toda mágoa, todo ressentimento.
Cada um pode enfrentar uma situação como a que descrevo. Eu já enfrentei, por isso sou capaz de afirmar que passamos por algo assim pelo menos uma vez na vida. É nessas horas que devemos escolher com quem vamos andar. E restam apenas duas alternativas. Felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus, que não seguem o exemplo dos que não querem saber de Deus e que não se juntam com os que zombam de tudo o que é sagrado! Pelo contrário, o prazer deles está na lei do Senhor, e nessa lei eles meditam dia e noite (Sl. 1. 1 – 2).
Toda a dor pela qual passamos, toda tristeza, são oportunidades que Deus nos dá para andarmos mais junto a Ele. São ações de Deus para moldar o nosso caráter. Depende de nós escolher que efeito essas coisas terão em nossa vida. Podem nos trazer mais perto de Deus, podem nos afundar em um poço de morte. A escolha das pessoas a quem pediremos ajuda pode ser decisiva nessas horas. A quem buscaremos? Ao que tem prazer no Senhor ou àquele cujo prazer é sentar e escarnecer, alimentando as dores, as mágoas e o pecado?
Jeremias 38. 12
Jeremias era um incômodo para a liderança de Israel. Sua palavra, vinda do Senhor, denunciava os pecados e a injustiça cometidas especialmente por aqueles que deveriam ser responsáveis pela vida espiritual do povo. Durante o cerco de Jerusalém, Jeremias incomodou tanto que terminou sendo preso. No pátio da guarda. Mas ninguém poderia calar sua voz e ele continuou profetizando. Até que um grupo chefiado por Safatias procurou o rei Zedequias afirmando que o profeta devia morrer. O rei, impotente, permitiu que o grupo lançasse Jeremias em poço. Não havia água no poço, mas apenas uma lama, imagino, fedida. Jeremias estava condenado. Se não morresse devido a alguma doença adquirida naquela lama, morreria de fome. Pelas mãos dos líderes de seu próprio povo.
Só que existia um eunuco etíope, Ebede-Meleque, temente a Deus. Procurou o indeciso rei, intercedeu pelo profeta e recebeu autorização para resgatá-lo da morte certa. Junto com um grupo de trinta homens, o etíope arma o esquema para resgatar Jeremias. Pegou trapos e roupas usadas, desceu cordas, mandou Jeremias proteger as axilas com as roupas e ergueu o fragilizado corpo do profeta com cordas. Ajudaram Jeremias a sair do poço.
Hoje eu queria extrapolar um pouco esta história. Meu desejo é usar alguns elementos desse relato como metáfora para algumas situações que acometem nossas vidas, vez por outra. Diversas situações podem nos lançar em poços fedidos como aquele em que se encontrava Jeremias. Ali, estaremos condenados à morte certa, ainda que não seja uma morte física. Podemos nos sufocar na lama e na sujeira. Podemos nos infectar com algum vírus mortal. Quem sabe a mágoa. Quem sabe o ressentimento. Quem sabe a tristeza. Quem sabe os desejos de vingança. Quem sabe qualquer desses pesos que podem nos arrastar para um destruição ainda maior. No fundo do poço, cercado por essa fedentina que nos sufoca, não encontramos, não contemplamos qualquer chance de escapatória. Sentimo-nos e vemo-nos como realmente estamos: condenados. Sozinhos somos impotentes para sair dali.
O profeta não caiu no poço por si só. Foi lançado ali por líderes que desejavam silenciar a sua voz. Se tivessem a chance, aqueles homens ainda afundariam ainda mais Jeremias na lama. Se pudessem, eles não titubeariam em jogar ainda mais lama, sujeira e podridão sobre ele. Sufocá-lo mais rápido, roubar-lhe as chances de escapar. Às vezes não temos inimigos assim a nossa volta. Às vezes são os amigos que fazem isso, mesmo repletos de boas intenções. Estamos mergulhados em um poço profundo de tristeza, mágoa, dor e ressentimento. E, nessas horas, nos cercam amigos que, ainda que queiram nos ajudar, não sabem muito o que fazem. Alimentam, assim, ainda mais a lama de nossas piores emoções. Fomos feridos por terceiros e os nossos amigos nos sufocam, estimulando os desejos de vingança. Fomos marcados por ações de outros, os conselhos que ouvimos nos conduzem a alimentar a mágoa e o ressentimento. Mesmo que nosso maior desejo seja escapar do poço, como se estivéssemos na areia movediça, nos afundamos ainda mais cada vez que nos esforçamos por sair. Além disso, as vozes que optamos por ouvir jogam mais lama ainda em nossa cabeça. Quando olhamos para o alto, vemos a luz da saída. Sabemos que podemos sair. Mas todo nosso esforço, todo o apoio que recebemos tem sido vão. Afundamos mais. Mais tristeza. Mais mágoa. Mais dor. Afundamos mais. Estamos cercados pelas pessoas erradas que nos afundam, mesmo sem perceber.
O que precisamos para sair? Precisamos de um eunuco etíope. Alguém que tenha a visão do alto. Alguém que tenha o coração quebrantado na presença do Senhor. Alguém que venha e possa interceder junto ao rei porque sabe que Jeremias é um profeta de Deus. Precisamos de alguém que interceda por nós. Precisamos de alguém que lance as cordas para nos puxar do fundo do poço. Precisamos de alguém que esteja lá em cima, na boca do poço, não de alguém que esteja do nosso lado e nem perceba que lança ainda mais lama para nos afundar. Alguém que se deixe levar mais perto por Deus. Alguém que tenha o seu coração em Jesus. Precisamos de alguém que nos apóie, não estimulando nossos desejos de vingança, mas nos ajudando a ver além de toda dor, toda mágoa, todo ressentimento.
Cada um pode enfrentar uma situação como a que descrevo. Eu já enfrentei, por isso sou capaz de afirmar que passamos por algo assim pelo menos uma vez na vida. É nessas horas que devemos escolher com quem vamos andar. E restam apenas duas alternativas. Felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus, que não seguem o exemplo dos que não querem saber de Deus e que não se juntam com os que zombam de tudo o que é sagrado! Pelo contrário, o prazer deles está na lei do Senhor, e nessa lei eles meditam dia e noite (Sl. 1. 1 – 2).
Toda a dor pela qual passamos, toda tristeza, são oportunidades que Deus nos dá para andarmos mais junto a Ele. São ações de Deus para moldar o nosso caráter. Depende de nós escolher que efeito essas coisas terão em nossa vida. Podem nos trazer mais perto de Deus, podem nos afundar em um poço de morte. A escolha das pessoas a quem pediremos ajuda pode ser decisiva nessas horas. A quem buscaremos? Ao que tem prazer no Senhor ou àquele cujo prazer é sentar e escarnecer, alimentando as dores, as mágoas e o pecado?
13.5.05
Ansiedade
Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã...
Mateus 6. 34.
A segunda semana é a pior semana do meu mês. São os dias mais angustiantes da minha vida. É geralmente na segunda semana do mês que recebo o meu pagamento. Mas como ele não tem uma data fixa, dependendo da boa vontade da universidade em repassar a verba da Capes, sofro demais. Minha primeira conta em débito automático vence no dia 12. Nunca estou certo de que terei o dinheiro para cobri-la. Ontem aconteceu isso. Acordei, acessei minha conta e descobri que estava devendo dinheiro ao banco: nenhum centavo da bolsa havia entrado e a minha conta tinha sido debitada.
Os dias 11, 12 e 13 de cada mês são os mais angustiantes na minha vida. São os dias de maior e mais intensa ansiedade. As caspas explodem na minha cabeça, fico irritadiço. Sofro demais e outras pessoas terminam sofrendo por extensão. O ruim é descobrir e perceber que não adianta de nada sofrer assim. O dito popular diz que o que não tem remédio remediado está. Jesus diz que nenhum de nós pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso (Mt. 6. 27).
Pior ainda é perceber com clareza que toda ansiedade não serve para nada, muito menos para resolver qualquer coisa. Por mais que nos preocupemos com alguma coisa, e geralmente as coisas que mais nos pré-ocupam se relacionam a dinheiro, no fim de tudo, todas as coisas acontecerão e não teremos a menor chance de controlar coisa alguma. E percebemos que manter a ansiedade beira à nossa estupidez porque estamos ansiosos por acreditar que temos alguma chance de controlar os eventos de nossa vida, quando, na verdade, não temos, nunca tivemos e nunca teremos o controle da nossa vida totalmente nas mãos. As coisas que nos acontecem não podem ser controladas ou conduzidas por nós mesmos e, quando não percebemos isso, resta-nos a profunda ansiedade de querer ter o leme nas mãos e nunca alcançar a cabina de comando. A vida é, aproximadamente, como ilustra a metáfora de Forrest Gump: aquela pena conduzida pelo vento. Quer nos conformemos ou não, não a controlamos em absoluto.
É sobre isso que fala Jesus. Ele fala, nós pregamos, mas muito poucos de nós realmente ouvimos. Em primeiro lugar, Ele esclarece que a vida é mais que comida, bebida ou roupas. A vida é mais que as coisas que sabemos ser as mais essenciais da vida. E é mais que isso porque o Deus que veste as flores do campo, alimenta os passarinhos, cuida com tanto carinho de Sua Criação é o supridor de todas as nossas necessidades básicas. Ele cuida da Criação e não cuidará de nós? Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: “Onde é que vamos arranjar comida?” ou “Onde é que vamos arranjar bebida?” ou “Onde é que vamos arranjar roupas?” (Mt. 6. 31).
Afirmar que nós não temos o controle da nossa vida não significa dizer que ela está fadada a ser sem controle. Afirmar que ela é como aquela pena do filme de Tom Hanks não significa que ela segue de qualquer jeito, como canta Zeca Pagodinho (Deixa a vida me levar, vida leva eu...). O texto nos convida a entregar o controle absoluto de nossa vida nas mãos de Deus. E essa vida rendida a Deus, a vida do Espírito, é a aquela vida levada por um Vento diferente: O vento sopra onde quer, e ouve-se o barulho que ele faz, mas não se sabe de onde ele vem, nem para onde vai. A mesma coisa acontece com todos os que nascem do Espírito (Jo. 3. 8). A vida que entrega o controle, o leme, a direção nas mãos do Pai. Vida na qual rendemos qualquer intenção de ter o controle. Qualquer mesmo. E colocamos como prioridade, não mais a tentativa de dirigi-la por nós mesmos, mas sim as coisas mais importantes do mundo: Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e Ele lhes dará todas essas coisas (Mt. 6. 33).
É isso. A vida do homem é mais que comida, bebida ou roupas. Essas jamais podem ser ou serão as coisas mais importantes da vida. A coisa mais importante da vida é de outro teor. É graça, que é melhor que a vida (Sl. 63. 3). É Reino de Deus, pois o Reino de Deus não é uma questão de comida ou de bebida, mas de viver corretamente, em paz e com a alegria que o Espírito Santo dá (Rm. 14. 17).
Mateus 6. 34.
A segunda semana é a pior semana do meu mês. São os dias mais angustiantes da minha vida. É geralmente na segunda semana do mês que recebo o meu pagamento. Mas como ele não tem uma data fixa, dependendo da boa vontade da universidade em repassar a verba da Capes, sofro demais. Minha primeira conta em débito automático vence no dia 12. Nunca estou certo de que terei o dinheiro para cobri-la. Ontem aconteceu isso. Acordei, acessei minha conta e descobri que estava devendo dinheiro ao banco: nenhum centavo da bolsa havia entrado e a minha conta tinha sido debitada.
Os dias 11, 12 e 13 de cada mês são os mais angustiantes na minha vida. São os dias de maior e mais intensa ansiedade. As caspas explodem na minha cabeça, fico irritadiço. Sofro demais e outras pessoas terminam sofrendo por extensão. O ruim é descobrir e perceber que não adianta de nada sofrer assim. O dito popular diz que o que não tem remédio remediado está. Jesus diz que nenhum de nós pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso (Mt. 6. 27).
Pior ainda é perceber com clareza que toda ansiedade não serve para nada, muito menos para resolver qualquer coisa. Por mais que nos preocupemos com alguma coisa, e geralmente as coisas que mais nos pré-ocupam se relacionam a dinheiro, no fim de tudo, todas as coisas acontecerão e não teremos a menor chance de controlar coisa alguma. E percebemos que manter a ansiedade beira à nossa estupidez porque estamos ansiosos por acreditar que temos alguma chance de controlar os eventos de nossa vida, quando, na verdade, não temos, nunca tivemos e nunca teremos o controle da nossa vida totalmente nas mãos. As coisas que nos acontecem não podem ser controladas ou conduzidas por nós mesmos e, quando não percebemos isso, resta-nos a profunda ansiedade de querer ter o leme nas mãos e nunca alcançar a cabina de comando. A vida é, aproximadamente, como ilustra a metáfora de Forrest Gump: aquela pena conduzida pelo vento. Quer nos conformemos ou não, não a controlamos em absoluto.
É sobre isso que fala Jesus. Ele fala, nós pregamos, mas muito poucos de nós realmente ouvimos. Em primeiro lugar, Ele esclarece que a vida é mais que comida, bebida ou roupas. A vida é mais que as coisas que sabemos ser as mais essenciais da vida. E é mais que isso porque o Deus que veste as flores do campo, alimenta os passarinhos, cuida com tanto carinho de Sua Criação é o supridor de todas as nossas necessidades básicas. Ele cuida da Criação e não cuidará de nós? Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: “Onde é que vamos arranjar comida?” ou “Onde é que vamos arranjar bebida?” ou “Onde é que vamos arranjar roupas?” (Mt. 6. 31).
Afirmar que nós não temos o controle da nossa vida não significa dizer que ela está fadada a ser sem controle. Afirmar que ela é como aquela pena do filme de Tom Hanks não significa que ela segue de qualquer jeito, como canta Zeca Pagodinho (Deixa a vida me levar, vida leva eu...). O texto nos convida a entregar o controle absoluto de nossa vida nas mãos de Deus. E essa vida rendida a Deus, a vida do Espírito, é a aquela vida levada por um Vento diferente: O vento sopra onde quer, e ouve-se o barulho que ele faz, mas não se sabe de onde ele vem, nem para onde vai. A mesma coisa acontece com todos os que nascem do Espírito (Jo. 3. 8). A vida que entrega o controle, o leme, a direção nas mãos do Pai. Vida na qual rendemos qualquer intenção de ter o controle. Qualquer mesmo. E colocamos como prioridade, não mais a tentativa de dirigi-la por nós mesmos, mas sim as coisas mais importantes do mundo: Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e Ele lhes dará todas essas coisas (Mt. 6. 33).
É isso. A vida do homem é mais que comida, bebida ou roupas. Essas jamais podem ser ou serão as coisas mais importantes da vida. A coisa mais importante da vida é de outro teor. É graça, que é melhor que a vida (Sl. 63. 3). É Reino de Deus, pois o Reino de Deus não é uma questão de comida ou de bebida, mas de viver corretamente, em paz e com a alegria que o Espírito Santo dá (Rm. 14. 17).
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