Eu, o Senhor, o Deus do seu antepassado Davi, escutei a sua oração e vi as suas lágrimas. Eu vou curá-lo, e daqui a três dias você irá ao Templo. Vou deixar que você viva mais quinze anos.
2 Reis 20. 5 – 6.
A história do Rei Ezequias é particularmente diferente no contexto do Antigo Testamento. A começar, e talvez principalmente por isso, pelo fato de que se repete em três diferentes livros. Além de 2 Reis e 2 Crônicas, o rei é personagem no livro do profeta Isaías, seu conselheiro espiritual. Provavelmente é o rei, depois dos três soberanos da época de Reino Unido de Israel, que conhecemos mais a vida.
Ezequias era um rei fiel, o que era uma raridade naquela época da vida do povo de Deus. Muito de sua fidelidade, certamente, se devia à influência espiritual de um profeta da estatura de Isaías. Muito por isso, algumas lições bem distintas podem ser tomadas de diversos momentos da vida deste rei. Uma delas é sobre oração e seus efeitos.
Quando eu penso em oração e em como Deus a responde, me lembro de pelo menos três textos. O primeiro está no livro de Tiago: Não conseguem o que querem porque não pedem a Deus. E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus próprios prazeres (Ti. 4. 2 – 3). Aqui, eu aprendo que devemos pedir o que queremos a Deus. Porém, tem uma coisa a mais. Às vezes podemos dirigir nossas orações ao nosso Pai, mas não receber as respostas que queremos porque nossos pedidos são maus: são para os nossos próprios prazeres e não segundo a vontade de Deus nem para a Sua glória. Se vamos pedir coisas que vão de encontro ao que Deus quer, vamos pedir e ter nada em resposta.
O segundo texto é palavra de Jesus sobre a bondade de Deus: Por acaso algum de vocês, que é pai, será capaz de dar uma pedra ao seu filho, quando ele pede pão? Ou lhe dará uma cobra, quando ele pede um peixe? Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos. Quanto mais o Pai de vocês, que está no céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem! (Mt. 7. 9 – 11). Aqui eu aprendo que Deus, por Sua bondade, nunca vai frustrar o meu pedido em oração. Pode até ser que Sua resposta me seja “não”, mas ainda assim estarei certo que Ele me reserva as melhores coisas a esse respeito. Se Ele não me dá o que peço é porque um Pai, extrapolando um pouco o sentido do que fala Jesus, é incapaz de dar a Seu filho alguma coisa que, no final, vai lhe trazer prejuízo. Minha mãe sempre teve o juízo de não me dar brinquedos perigosos, mesmo que eu chorasse bastante para ganhá-los. Ela sabia que aquilo me faria mal e me preservava. E sempre procurou me dar as melhores coisas. De igual modo, o Pai do Céu, diz Jesus, sabe dar boas coisas aos que lhe pedirem!
A terceira história, antes de voltarmos a Ezequias, é de insistência com Deus. Mas uma maldita insistência. Números 22 começa a contar a história de Balaque e Balaão. Balaque, rei de Moabe, envia mensageiros oferecendo dinheiro ao profeta Balaão para que ele amaldiçoe o povo de Israel no caminho para Canaã. A primeira atitude de Balaão é perfeita. Diz aos enviados que, antes, precisa consultar a Deus sobre o que Ele quer. Quando Deus lhe diz que não deve ir com os enviados, Balaão vê seus presentes indo embora. Por causa da ganância, continua insistindo com Deus até que Ele permite que o profeta vá. Deus não mudou de idéia, mas parece que queria ver até onde Balaão ia na sua rebeldia. Até uma mula fala para dissuadir o profeta. Por três vezes, mesmo ciente de qual era a vontade de Deus – abençoar, e não amaldiçoar -, Balaão sobe para se encontrar com o Senhor. Insiste, mas por fim só consegue abençoar, porque não podia amaldiçoar um povo a quem Deus abençoa. Não satisfeito, e a Bíblia cala, mas lemos isso nas entrelinhas, Balaão, de olho nos presentes de Balaque, ajuda o rei de Moabe a armar ciladas para que Israel caía em pecado. O capítulo 27 de Números conta a história da idolatria orgiástica do povo no culto a Baal-Peor. Balaão não podia amaldiçoar um povo santo, mas podia construir uma situação para que o povo pecasse. E assim se tornasse passível de ser amaldiçoado. Uma história que começou com uma insistência com Deus por uma causa pela qual o Senhor já tinha manifestado um veredicto, termina como um plano sórdido para fazer cair toda uma nação. O fim de Balaão é trágico por isso. Números 31 narra a batalha contra os midianitas e fala laconicamente sobre o profeta: Também mataram à espada Balaão, filho de Beor (Nm. 31. 8).
Agora podemos voltar a pensar em Ezequias. Deus enviou Isaías para lhe dar notícias de que aquela doença que enfrentava seria fatal. A única reação do rei foi virar-se contra a parede, chorar e clamar a Deus: Ó Senhor Deus, lembra que eu tenho te servido com fidelidade e com todo o coração e sempre fiz aquilo que querias que eu fizesse (2 Rs. 20. 3). O pedido parecia justo, os motivos corretos. O rei se quebrantou na presença do Senhor pedindo uma nova chance. Pedindo a Deus, não a ninguém mais, que pudesse permanecer vivo. Um pedido que parecia a melhor coisa. Mas o rei não pensou no que fosse o melhor projeto de Deus para a sua vida e a vida do povo. Se olhássemos apenas a cena descrita no capítulo, especialmente quando Deus manda Isaías retornar da porta do palácio, poderíamos achar que o caso do rei se encaixa em uma das primeiras situações. Mas eu não acredito nisso. Acredito que Deus concedeu o que pedia o rei como que lhe fosse provar o seu coração, como que para mostrar a nós que nem sempre os nossos pedidos de oração atendidos redundam em bênção.
Ezequias pediu e viveu mais quinze anos. Quando morreu, foi sucedido por seu filho Manasses, de apenas doze anos. Quer dizer, filho nascido no período de vida que lhe foi dado por Deus em resposta à sua oração. Nem sempre nossos pedidos representam as melhores alternativas de futuro. Manasses foi um dos piores reis que Judá teve, ao contrário de seu pai. E mais que isso, diz o Senhor: O rei Manasses, de Judá, tem feito essas coisas nojentas, coisas muito piores do que aquelas que os amorreus fizeram, e com os seus ídolos levou o povo de Judá a pecar. Por isso, eu, o Senhor, o Deus de Israel, vou fazer cair sobre Jerusalém e sobre Judá uma desgraça tão grande, que todos aqueles que ouvirem contar a respeito dela ficarão espantados (2 Rs. 21. 11 – 12).
Parecia tudo certo no pedido de Ezequias. Mas preste atenção: por causa de sua oração, por causa da resposta dada por Deus, surgiu um rei tão terrível, que chegou a sacrificar seu próprio filho aos ídolos, rei tão terrível que foi a causa final da desgraça de Judá. Por causa de Manasses Deus castigou o povo com a destruição de Jerusalém, do templo e com o exílio. Tudo começando, é claro, na oração de Ezequias.
O que isso ensina? Que devemos tomar bastante cuidado com nossos pedidos, com nossas razões e com as intenções de nosso coração. Às vezes, Deus poderá até atender ao pedido, como que a provar que não temos idéia do que está implicado no que pedimos. Às vezes, Deus permitirá que aquilo que desejamos, mesmo não sendo a vontade dEle, nos aconteça só para que depois nos reste a lição aprendida. A lição de que é sempre melhor deixar com Deus a tarefa de sonhar, planejar e realizar a nossa vida. Ele é o nosso Pai amoroso. Senhor soberano. Ele é quem sabe os pensamentos que tem a nosso respeito, sonhos das melhores coisas, inimagináveis, que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram e está além de qualquer compreensão humana. O nosso Deus, se deixarmos a direção de nossa vida, de nossos planos, nas Suas mãos, é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. E sempre as melhores coisas. Devemos tomar, então, cuidado com o que pedimos e sonhamos, e render essas coisas nas mãos do Senhor.
24.5.05
23.5.05
Como o sol
Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando do curral.
Malaquias 4. 2.
Natal amanheceu hoje sob uma intensa chuva. A cidade está escura, com céu encoberto. E um frio incomum para esta cidade. Acordei perto das nove horas, mas a vontade era permanecer deitado por muito mais tempo. A vontade era não ter muita coisa o que fazer. Chuva é tempo que nossa única vontade é encontrar abrigo sob os lençóis, se protegendo do frio e da escuridão que abate o mundo lá fora. A vida fica em ritmo mais lento e, sob chuva intensa, alguns compromissos não tão urgentes podem ser adiados ou modificados sem grandes crises. A vida muda com o tempo frio e chuvoso.
Mas estamos nos trópicos, bem próximos ao Equador. Por isso, não tenho idéia do que representa um frio de nevasca, do inverno de temperaturas abaixo de zero. Mas posso imaginar como é esse quadro a partir da experiência da minha cidade. Temperaturas um pouco mais baixas e muita chuva paralisam, em boa parte, cada um de nós. Como se quedará a vida paralisada com muitos graus abaixo de zero e neve, em vez de chuva?
Uma coisa eu sei: esse frio pesa. Vez por outra vemos nos noticiários notícias de tragédias no inverno europeu. Tragédias que são causadas pela neve acumulada sobre os telhados. O peso do inverno, figurado pela neve, derruba os telhados e causa estragos e mortes. As pessoas precisam se preocupar sempre em limpar as ruas [a neve nas ruas impede a vida, o deslocamento das pessoas] e limpar seus próprios telhados, para evitar os grandes danos.
Olhando desse ponto de vista, a importância do sol é multiplicada. Quando o sol começa a romper as barreiras das nuvens no nosso céu, anima-nos um pouco mais para as tarefas que nos são postas em mãos. Quando a temperatura começa a subir, o calor a aumentar, logo logo sairemos da cama, de debaixo dos lençóis, não quereremos permanecer em casa. A chegada do sol traz a vida de volta, de volta ao seu ritmo normal. Acelera-nos, como se fosse uma bateria a nos carregar.
Os raios do sol começam a secar a cidade e eliminar, pouco a pouco, os transtornos ocasionados por aquela chuva. E quando pensamos na neve? O sol derrete a neve, tirando os entraves da vida, removendo o peso que está sobre os telhados, fazendo brotar novamente a vida. É primavera e a vida vai voltando ao seu ritmo. Nas regiões de nascentes, o derretimento da neve e do gelo faz os rios correrem em seu leito normal, aumentando a vazão de água que leva a vida montes abaixo. Em suma, a chegada do sol e o brilho dos seus raios trazem de volta a vida plena em toda parte. Nossa vida é totalmente dependente do brilho do sol.
Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando do curral. Vez por outra, o inverno da tristeza abate o nosso coração. O céu fica escuro, a temperatura baixa, nosso ritmo diminui. Tudo o que queremos é nos enfiarmos no abrigo mais seguro para fugir do frio da chuva. Às vezes, o inverno da tristeza é tão severo que neva muito. O peso da tristeza vai se acumulando nos telhados do nosso coração e vai comprometendo as estruturas de nossa vida. Além da paralisia do frio e da escuridão, corremos o risco de vermos todas as paredes de nossa vida ruírem e se desfazerem.
O estrago e os empecilhos na vida, causados por esse inverno, podem ser muitos. Mas podemos deixar a luz do céu entrar. O sol da justiça brilhar. Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando do curral. A salvação brilha como sol. A alegria do Senhor, a nossa força, é vida que nos invade com os seus raios, como do sol, e nos contagia irresistivelmente. A alegria explode em nosso peito e nossa face. A vida volta a valer a pena.
Quando esse Sol brilha e vem derreter a neve do nosso inverno, derrete o peso que abafa o nosso coração. Derrete o gelo que impede o rio da vida de Deus, o Espírito, de correr com liberdade em nosso interior. A tristeza, derretida, se converte no fluir do Espírito de Deus. Converte-se na alegria trazida pelas Águas Vivas. É primavera em nosso ser. A vida trazida pelos raios do Sol da Justiça faz aumentar a vazão das águas do rio da vida em nosso interior. A neve da tristeza derretida faz isso. E nos conduz a uma nova dimensão de vida e liberdade. A alegria é, agora, uma euforia contagiante. Toma-nos de maneira irrestível. Então, saltamos de alegria, como bezerros que saem saltando do curral.
Celebraremos assim o Sol da Justiça que põe fim ao nosso inverno, trazendo em Seus raios a vida. Porque em Sua Presença há alegria abundante, contagiante, embriagante, constante, alegria que é fruto do Espírito Santo, rio de vida que corre em nosso interior. Disponível para aquele que buscar, com inteireza de coração, a comunhão e intimidade com Jesus, caminho conquistado uma vez por todas na Cruz.
Malaquias 4. 2.
Natal amanheceu hoje sob uma intensa chuva. A cidade está escura, com céu encoberto. E um frio incomum para esta cidade. Acordei perto das nove horas, mas a vontade era permanecer deitado por muito mais tempo. A vontade era não ter muita coisa o que fazer. Chuva é tempo que nossa única vontade é encontrar abrigo sob os lençóis, se protegendo do frio e da escuridão que abate o mundo lá fora. A vida fica em ritmo mais lento e, sob chuva intensa, alguns compromissos não tão urgentes podem ser adiados ou modificados sem grandes crises. A vida muda com o tempo frio e chuvoso.
Mas estamos nos trópicos, bem próximos ao Equador. Por isso, não tenho idéia do que representa um frio de nevasca, do inverno de temperaturas abaixo de zero. Mas posso imaginar como é esse quadro a partir da experiência da minha cidade. Temperaturas um pouco mais baixas e muita chuva paralisam, em boa parte, cada um de nós. Como se quedará a vida paralisada com muitos graus abaixo de zero e neve, em vez de chuva?
Uma coisa eu sei: esse frio pesa. Vez por outra vemos nos noticiários notícias de tragédias no inverno europeu. Tragédias que são causadas pela neve acumulada sobre os telhados. O peso do inverno, figurado pela neve, derruba os telhados e causa estragos e mortes. As pessoas precisam se preocupar sempre em limpar as ruas [a neve nas ruas impede a vida, o deslocamento das pessoas] e limpar seus próprios telhados, para evitar os grandes danos.
Olhando desse ponto de vista, a importância do sol é multiplicada. Quando o sol começa a romper as barreiras das nuvens no nosso céu, anima-nos um pouco mais para as tarefas que nos são postas em mãos. Quando a temperatura começa a subir, o calor a aumentar, logo logo sairemos da cama, de debaixo dos lençóis, não quereremos permanecer em casa. A chegada do sol traz a vida de volta, de volta ao seu ritmo normal. Acelera-nos, como se fosse uma bateria a nos carregar.
Os raios do sol começam a secar a cidade e eliminar, pouco a pouco, os transtornos ocasionados por aquela chuva. E quando pensamos na neve? O sol derrete a neve, tirando os entraves da vida, removendo o peso que está sobre os telhados, fazendo brotar novamente a vida. É primavera e a vida vai voltando ao seu ritmo. Nas regiões de nascentes, o derretimento da neve e do gelo faz os rios correrem em seu leito normal, aumentando a vazão de água que leva a vida montes abaixo. Em suma, a chegada do sol e o brilho dos seus raios trazem de volta a vida plena em toda parte. Nossa vida é totalmente dependente do brilho do sol.
Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando do curral. Vez por outra, o inverno da tristeza abate o nosso coração. O céu fica escuro, a temperatura baixa, nosso ritmo diminui. Tudo o que queremos é nos enfiarmos no abrigo mais seguro para fugir do frio da chuva. Às vezes, o inverno da tristeza é tão severo que neva muito. O peso da tristeza vai se acumulando nos telhados do nosso coração e vai comprometendo as estruturas de nossa vida. Além da paralisia do frio e da escuridão, corremos o risco de vermos todas as paredes de nossa vida ruírem e se desfazerem.
O estrago e os empecilhos na vida, causados por esse inverno, podem ser muitos. Mas podemos deixar a luz do céu entrar. O sol da justiça brilhar. Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando do curral. A salvação brilha como sol. A alegria do Senhor, a nossa força, é vida que nos invade com os seus raios, como do sol, e nos contagia irresistivelmente. A alegria explode em nosso peito e nossa face. A vida volta a valer a pena.
Quando esse Sol brilha e vem derreter a neve do nosso inverno, derrete o peso que abafa o nosso coração. Derrete o gelo que impede o rio da vida de Deus, o Espírito, de correr com liberdade em nosso interior. A tristeza, derretida, se converte no fluir do Espírito de Deus. Converte-se na alegria trazida pelas Águas Vivas. É primavera em nosso ser. A vida trazida pelos raios do Sol da Justiça faz aumentar a vazão das águas do rio da vida em nosso interior. A neve da tristeza derretida faz isso. E nos conduz a uma nova dimensão de vida e liberdade. A alegria é, agora, uma euforia contagiante. Toma-nos de maneira irrestível. Então, saltamos de alegria, como bezerros que saem saltando do curral.
Celebraremos assim o Sol da Justiça que põe fim ao nosso inverno, trazendo em Seus raios a vida. Porque em Sua Presença há alegria abundante, contagiante, embriagante, constante, alegria que é fruto do Espírito Santo, rio de vida que corre em nosso interior. Disponível para aquele que buscar, com inteireza de coração, a comunhão e intimidade com Jesus, caminho conquistado uma vez por todas na Cruz.
22.5.05
O amado
Eu amo a Deus, o Senhor...
Salmo 116. 1
Dia desses um amigo comentou comigo que tem aprendido uma coisa de Deus. Ele falou que esteve mal acostumado na sua relação com Deus. Vivenciou muito tempo a experiência de perceber Deus tomando a iniciativa da conversa e da comunhão. Assim, foi ficando acomodado à noção que não necessitava de uma busca de tanta intensidade. Afinal, todos os dias ele estava certo que Deus viria buscá-Lo e lhe dirigiria uma Palavra mais que apropriada. Mas, de repente, ele começou a experimentar um novo momento em que Deus foi lhe parecendo silente. Meu amigo sofreu por sentir falta da comunhão com o Pai, de Sua Palavra doce e fiel, do Seu cuidado constante e absoluto. Só então ele se apercebeu do ensino que o Senhor queria lhe passar: relacionamento, muito mais especialmente o relacionamento com Deus, é uma via de mão dupla. Por isso, a busca da intimidade precisa ser mútua. Desse modo, a mesma sede de comunhão e intimidade que meu amigo experimentava vindo de Deus devia estar no seu próprio coração. O seu coração devia desenvolver a fome e a sede pela presença do Amado. O que Deus estava esperando dEle, nesse novo momento, era que agora a iniciativa pudesse partir daquele ser amante que tanta sede demonstra da intimidade e comunhão com o Senhor.
No início das suas Confissões, Agostinho diz: Tu o incitas [o homem] para que sinta prazer em louvar-Te; fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti. (...) Quem O procura O encontra, e, tendo-O encontrado, O louvará. Que eu Te busque, Senhor, invocando-Te; e que eu Te invoque, crendo em Ti. O Senhor Deus é o Ser mais Amado por nossas almas. Sendo isso verdade, o mais natural é que queiramos e nos importemos profundamente em mergulhar na intimidade e comunhão com Ele. Quando eu amo, o que mais quero é fruir da intimidade e da companhia do Ser Amado. Desesperadamente. Apaixonadamente. Porque nosso coração só encontra quietude e descanso quando se lança nos braços desse amor. Porque, apaixonados, seremos conduzidos a uma busca intensa. Busca sem limites. Busca sem fim. Busca sem nenhuma chance de esgotamento. O nosso desejo será um maior mergulho nos rios do amor do nosso Ser Amado.
Quando penso na paz e alegria que invadem o coração do Adorador, daquele que usufrui com plenitude a comunhão com o Senhor, imagino o prazer e alegria que tem a esposa quando junto ao seu esposo amado. Tudo o que ela fizer manifestará a alegria do seu amor, servirá como testemunho da intensidade de sua paixão. Seus atos traduziram da melhor maneira possível os seus sentimentos e emoções. Suas ações serão fruto e resultado unicamente da comunhão amorosa com seu esposo. Ela não se cansará jamais de tomar a iniciativa de deixar claro que seu amor não é brincadeira. Ela não se cansará de tomar a iniciativa de buscar o seu amado. De declarar-se dele sempre. De declarar seu amor a ele.
Semelhantemente, essa é atitude que Deus, o Nosso Amado, espera de nós, seus amantes. Uma atitude de busca constante de Sua Comunhão amorosa. A iniciativa de buscar a Sua face. De buscar o Seu abraço e Seu carinho. De buscar o aprendizado a partir dEle. Atitude que não se cansará, jamais, de esclarecer, por seus atos e sua vida, que seu amor não é de brincadeira. Que seu culto não é coreografia nem pirotecnia.
Meu amigo está aprendendo que precisa ter sede para tomar a iniciativa de buscar o Senhor, mesmo quando Ele lhe parecer distante. Podemos tomar a iniciativa de buscar Sua Comunhão amorosa porque Seu amor já é nosso para sempre. E esse amor foi provado de uma vez por todas através da vida e morte de Jesus. Aquele que veio mostrar ao mundo o tamanho do amor de Deus que está disponível para ser experimentado a partir da Cruz do Calvário.
Salmo 116. 1
Dia desses um amigo comentou comigo que tem aprendido uma coisa de Deus. Ele falou que esteve mal acostumado na sua relação com Deus. Vivenciou muito tempo a experiência de perceber Deus tomando a iniciativa da conversa e da comunhão. Assim, foi ficando acomodado à noção que não necessitava de uma busca de tanta intensidade. Afinal, todos os dias ele estava certo que Deus viria buscá-Lo e lhe dirigiria uma Palavra mais que apropriada. Mas, de repente, ele começou a experimentar um novo momento em que Deus foi lhe parecendo silente. Meu amigo sofreu por sentir falta da comunhão com o Pai, de Sua Palavra doce e fiel, do Seu cuidado constante e absoluto. Só então ele se apercebeu do ensino que o Senhor queria lhe passar: relacionamento, muito mais especialmente o relacionamento com Deus, é uma via de mão dupla. Por isso, a busca da intimidade precisa ser mútua. Desse modo, a mesma sede de comunhão e intimidade que meu amigo experimentava vindo de Deus devia estar no seu próprio coração. O seu coração devia desenvolver a fome e a sede pela presença do Amado. O que Deus estava esperando dEle, nesse novo momento, era que agora a iniciativa pudesse partir daquele ser amante que tanta sede demonstra da intimidade e comunhão com o Senhor.
No início das suas Confissões, Agostinho diz: Tu o incitas [o homem] para que sinta prazer em louvar-Te; fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti. (...) Quem O procura O encontra, e, tendo-O encontrado, O louvará. Que eu Te busque, Senhor, invocando-Te; e que eu Te invoque, crendo em Ti. O Senhor Deus é o Ser mais Amado por nossas almas. Sendo isso verdade, o mais natural é que queiramos e nos importemos profundamente em mergulhar na intimidade e comunhão com Ele. Quando eu amo, o que mais quero é fruir da intimidade e da companhia do Ser Amado. Desesperadamente. Apaixonadamente. Porque nosso coração só encontra quietude e descanso quando se lança nos braços desse amor. Porque, apaixonados, seremos conduzidos a uma busca intensa. Busca sem limites. Busca sem fim. Busca sem nenhuma chance de esgotamento. O nosso desejo será um maior mergulho nos rios do amor do nosso Ser Amado.
Quando penso na paz e alegria que invadem o coração do Adorador, daquele que usufrui com plenitude a comunhão com o Senhor, imagino o prazer e alegria que tem a esposa quando junto ao seu esposo amado. Tudo o que ela fizer manifestará a alegria do seu amor, servirá como testemunho da intensidade de sua paixão. Seus atos traduziram da melhor maneira possível os seus sentimentos e emoções. Suas ações serão fruto e resultado unicamente da comunhão amorosa com seu esposo. Ela não se cansará jamais de tomar a iniciativa de deixar claro que seu amor não é brincadeira. Ela não se cansará de tomar a iniciativa de buscar o seu amado. De declarar-se dele sempre. De declarar seu amor a ele.
Semelhantemente, essa é atitude que Deus, o Nosso Amado, espera de nós, seus amantes. Uma atitude de busca constante de Sua Comunhão amorosa. A iniciativa de buscar a Sua face. De buscar o Seu abraço e Seu carinho. De buscar o aprendizado a partir dEle. Atitude que não se cansará, jamais, de esclarecer, por seus atos e sua vida, que seu amor não é de brincadeira. Que seu culto não é coreografia nem pirotecnia.
Meu amigo está aprendendo que precisa ter sede para tomar a iniciativa de buscar o Senhor, mesmo quando Ele lhe parecer distante. Podemos tomar a iniciativa de buscar Sua Comunhão amorosa porque Seu amor já é nosso para sempre. E esse amor foi provado de uma vez por todas através da vida e morte de Jesus. Aquele que veio mostrar ao mundo o tamanho do amor de Deus que está disponível para ser experimentado a partir da Cruz do Calvário.
21.5.05
Alegria
Tenham sempre alegria, unidos com o Senhor! Repito: tenham alegria!
Filipenses 4. 4.
Há uma doce alegria no ar. Contagiante. Empolgante. Quase me conduz ao eufórico descontrole. Há uma doce alegria em meu coração, impactantemente gravada pelo Espírito Santo. Essas novas coisas que Deus tem trazido à tona, dentro de mim, são desconcertantes. Há uma doce alegria tomando meu ser. Doce alegria, alegria do Senhor, que é nossa força.
Na noite em que me converti, senti como se o chão me faltasse. Já falei em outra meditação: era como se toda a alegria que me envolvia naqueles dias de acampamento finalmente tivesse encontrado brecha para raiar no meu interior. Havia eu, finalmente, aberto meu coração para receber o presente maravilhoso de Deus para a nossa vida. Abrira meu coração para receber Jesus. A alegria daquela noite envolve-se, em minha memória, por uma aura especial, como se fosse sentimento e momento irrepetível.
Esses dias, como se um rio do Espírito lavasse minha alma, como se um lago de Deus surgisse no meu coração, há uma alegria indescritível me tomando. Qual a sua fonte? Qual o seu propósito?
Essa alegria só pode ter uma única fonte. Qualquer outra forma de alegria é passageira e incompleta. Paulo diz aos Gálatas que, depois do amor, a alegria é parte seguinte do fruto do Espírito Santo (Gl. 5. 22). Como um fruto cheio de gomos, a alegria é parte da obra que faz Deus em nossa vida. E essa parte é perfeita e plena: ela independe das coisas que se sucedem conosco. Ela independe das dores que enfrentamos. Independe de nossas aflições e lutas. De nossa ansiedade. Apesar de todos os momentos difíceis, a alegria que vem do Senhor se mantém.
E se mantém para nos manter de pé. Ela é a nossa força. Quando toda tristeza nos abate. Quando todo cansaço nos faz desmoronar. Quando toda angústia nos sufoca. Quando todo mal se levanta contra nós. Quando, humanamente, a única coisa que poderia restar em nós fosse depressão. Em todos esses momentos, Deus nos concede da Sua alegria como uma arma de resistência, como o alimento contra o cerco de uma cidadela, como a força de nossa alma, para fazermos frente a tudo que procura nos destruir. A nossa alegria, trazida a nós pelo Espírito de Deus, é parte de nosso escudo e fortaleza. Por isso, o nosso Deus é socorro bem presente nas tribulações. Só Ele enche nossos lábios de louvor, nosso coração de júbilo, nossa vida de alegria, diante das piores lutas, dos momentos mais difíceis.
De onde vem? Pensando nessa pergunta eu me lembro da primeira vez em que me apaixonei na minha adolescência. Quer dizer, a primeira em que foi recíproco. Lembro do meu prazer em estar na companhia dela. E quando, nas escadas de meu prédio, lhe dei o primeiro beijo? Fui às nuvens. Era bom demais aquilo. Lembro que a minha alegria era contagiante. Eu estava empolgado. Era mais fácil viver a vida. Tudo era motivo para festa. E sempre estava nos meus lábios um hino de louvor a Deus. De onde vinha toda a minha alegria? Da comunhão. De amar. Mas, principalmente, de ser amado. Sentir-se amado, valorizado, a partir de uma comunhão íntima, é a maior das fontes de nossas alegrias.
Dia desses, após um aborrecimento, fui dormir pedindo a Deus que me fizesse sentir Seu amor por mim para recuperar a minha alegria perdida. E quando percebi o grande amor de Deus invadindo meu coração, a alegria explodiu de novo no meu rosto.
Por que a alegria do Senhor é nossa força? Por que podemos andar alegres, com um novo cântico nos lábios em todo tempo? Por que podemos alegrarmo-nos e alegrarmo-nos sempre? Porque temos a comunhão com nosso Pai. Porque temos uma relação de amor com Ele. E, mais que tudo, porque somos amados por Ele. Somos amados por Ele e, na força desse amor, brota em nosso coração por meio do Espírito, uma alegria inefável. Semelhante àquela do adolescente apaixonado. Apaixonados por Deus, amados infinitamente por Ele. Se era bom quando o amor era tão imperfeito, como não será alegre, empolgante, eufórico com o Perfeito Amor de Deus?
Temos fome de alegria do mesmo modo que temos fome de amor. Essa fome há de ser saciada através de Cristo Jesus. Da comunhão com Ele. Do amor dEle. Da vida com Ele. Da vitória conquistada pela Cruz. O caminho para vivenciar isso, uma vez e sempre, é confiar a vida nas mãos do amor que se entregou e morreu por nós. É confiar a vida a Jesus.
Filipenses 4. 4.
Há uma doce alegria no ar. Contagiante. Empolgante. Quase me conduz ao eufórico descontrole. Há uma doce alegria em meu coração, impactantemente gravada pelo Espírito Santo. Essas novas coisas que Deus tem trazido à tona, dentro de mim, são desconcertantes. Há uma doce alegria tomando meu ser. Doce alegria, alegria do Senhor, que é nossa força.
Na noite em que me converti, senti como se o chão me faltasse. Já falei em outra meditação: era como se toda a alegria que me envolvia naqueles dias de acampamento finalmente tivesse encontrado brecha para raiar no meu interior. Havia eu, finalmente, aberto meu coração para receber o presente maravilhoso de Deus para a nossa vida. Abrira meu coração para receber Jesus. A alegria daquela noite envolve-se, em minha memória, por uma aura especial, como se fosse sentimento e momento irrepetível.
Esses dias, como se um rio do Espírito lavasse minha alma, como se um lago de Deus surgisse no meu coração, há uma alegria indescritível me tomando. Qual a sua fonte? Qual o seu propósito?
Essa alegria só pode ter uma única fonte. Qualquer outra forma de alegria é passageira e incompleta. Paulo diz aos Gálatas que, depois do amor, a alegria é parte seguinte do fruto do Espírito Santo (Gl. 5. 22). Como um fruto cheio de gomos, a alegria é parte da obra que faz Deus em nossa vida. E essa parte é perfeita e plena: ela independe das coisas que se sucedem conosco. Ela independe das dores que enfrentamos. Independe de nossas aflições e lutas. De nossa ansiedade. Apesar de todos os momentos difíceis, a alegria que vem do Senhor se mantém.
E se mantém para nos manter de pé. Ela é a nossa força. Quando toda tristeza nos abate. Quando todo cansaço nos faz desmoronar. Quando toda angústia nos sufoca. Quando todo mal se levanta contra nós. Quando, humanamente, a única coisa que poderia restar em nós fosse depressão. Em todos esses momentos, Deus nos concede da Sua alegria como uma arma de resistência, como o alimento contra o cerco de uma cidadela, como a força de nossa alma, para fazermos frente a tudo que procura nos destruir. A nossa alegria, trazida a nós pelo Espírito de Deus, é parte de nosso escudo e fortaleza. Por isso, o nosso Deus é socorro bem presente nas tribulações. Só Ele enche nossos lábios de louvor, nosso coração de júbilo, nossa vida de alegria, diante das piores lutas, dos momentos mais difíceis.
De onde vem? Pensando nessa pergunta eu me lembro da primeira vez em que me apaixonei na minha adolescência. Quer dizer, a primeira em que foi recíproco. Lembro do meu prazer em estar na companhia dela. E quando, nas escadas de meu prédio, lhe dei o primeiro beijo? Fui às nuvens. Era bom demais aquilo. Lembro que a minha alegria era contagiante. Eu estava empolgado. Era mais fácil viver a vida. Tudo era motivo para festa. E sempre estava nos meus lábios um hino de louvor a Deus. De onde vinha toda a minha alegria? Da comunhão. De amar. Mas, principalmente, de ser amado. Sentir-se amado, valorizado, a partir de uma comunhão íntima, é a maior das fontes de nossas alegrias.
Dia desses, após um aborrecimento, fui dormir pedindo a Deus que me fizesse sentir Seu amor por mim para recuperar a minha alegria perdida. E quando percebi o grande amor de Deus invadindo meu coração, a alegria explodiu de novo no meu rosto.
Por que a alegria do Senhor é nossa força? Por que podemos andar alegres, com um novo cântico nos lábios em todo tempo? Por que podemos alegrarmo-nos e alegrarmo-nos sempre? Porque temos a comunhão com nosso Pai. Porque temos uma relação de amor com Ele. E, mais que tudo, porque somos amados por Ele. Somos amados por Ele e, na força desse amor, brota em nosso coração por meio do Espírito, uma alegria inefável. Semelhante àquela do adolescente apaixonado. Apaixonados por Deus, amados infinitamente por Ele. Se era bom quando o amor era tão imperfeito, como não será alegre, empolgante, eufórico com o Perfeito Amor de Deus?
Temos fome de alegria do mesmo modo que temos fome de amor. Essa fome há de ser saciada através de Cristo Jesus. Da comunhão com Ele. Do amor dEle. Da vida com Ele. Da vitória conquistada pela Cruz. O caminho para vivenciar isso, uma vez e sempre, é confiar a vida nas mãos do amor que se entregou e morreu por nós. É confiar a vida a Jesus.
20.5.05
Consciência e realidade
Senhor, afaste-se de mim, pois eu sou um pecador!
Lucas 5. 8.
Sujeito assujeitado é um termo de uma disciplina chamada Análise do Discurso, aparecendo também em outras perspectivas que fazem o estudo da Ideologia. Significa o indíviduo que, inconsciente de viver imerso em uma estrutura ideológica, torna-se inconsciente também de que sua fala e seu discurso não passam de meras reproduções de formações discursivas ideológicas. Mais que isso: sua própria forma de viver e ver o mundo é estruturada tendo por fundamento a ideologia na qual ele se insere. A pior parte de se ser um sujeito assujeitado é a ilusão que cria a ideologia de que aquilo que você diz é produção sua, quando, na verdade, você está “sendo falado” por outras vozes. Quer dizer, por mais que você ache que seu modo de ver o mundo e suas falas sejam originais [só você pensa como você], não deixam de ser aquilo que uma ideologia quer que você pense e fale. Você é apenas uma espécie de papagaio.
Todos nós somos assujeitados a alguma concepção ideológica. Porque todos nós vivemos em um mundo imerso em ideologias. A diferença que pode haver entre nós é o nível de consciência que teremos. Podemos ser mais ou menos conscientes da ideologia e do mundo em que vivemos. É aqui que reside a grande diferença: podemos ter consciência da nossa realidade. Ou não. Podemos sair do nível ingênuo, ou nos perpetuarmos no assujeitamento ideológico.
Mais uma vez vou pedir perdão por citar um filme. O 13º Andar é uma ficção científica de primeira que nos fala, entre muitas coisas, acerca da tomada de consciência a respeito da realidade. No início somos transportados para uma cidade americana dos anos 30 [Chicago, se não me engano]. Logo descobrimos que essa cidade não existe em mundo concreto. Ela é uma simulação de computador, inclusive seus habitantes. No entanto, uma interface permite que os cientistas entrem na simulação e interajam com os programas inteligentes. Aliás, esses programas são “avatares” [me permitam, pois é o termo usual] de personalidades do mundo concreto. Assim, quando fazem a interface, as pessoas assumem os papéis de seus avatares no mundo simulado.
Nenhum dos programas é consciente. Eles não têm nem consciência suficiente para se questionar porque seu mundo é tão pequeno: eles nunca saem da cidade porque o fim da cidade é o fim do seu mundo, literalmente. É onde acaba a simulação. Mas eles não sabem disso. Foram apenas programados assim. Tudo mudaria, se eles tomassem consciência desse fato. Eles vivem em um mundo limitado, inconscientemente.
O filme, a partir do assassinato de um dos cientistas do projeto, narra como se dá uma tomada de consciência a respeito do mundo real. E mostra que a profundidade de nossa percepção da realidade concreta é diretamente proporcional ao tamanho da consciência que nós temos de nós mesmos e deste mundo. Em outras palavras, o filme me inspira a entender que quando mais conscientes somos a nosso respeito e a respeito da realidade do mundo, mais conseguimos nos libertar do assujeitamento. Quando mais somos conscientes, mais entendemos o mundo, mais alargamos nossa visão da realidade. O tamanho da nossa realidade, ou sua profundidade, é diretamente proporcional à nossa consciência. A realidade, assim, se assemelharia às camadas de uma cebola. Quando mais profunda é nossa consciência, mais profunda se torna nossa percepção da realidade, como se passemos de uma camada exterior para uma mais profunda da cebola.
É claro que você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o texto de Lucas. O momento citado no capítulo 5 de Lucas é o momento que manifesta a tomada de consciência de Pedro. Ele se conscientiza acerca de quem ele é e de quem é Jesus. É o primeiro passo para largar o assujeitamento em que vive e passar a ver o mundo real de maneira mais profunda, a partir do ponto vista concedido por Deus. Após contemplar a maravilhosa pesca, fruto do milagre de Jesus, Pedro se toca que Aquele que está ali é puramente Santo e Todo-Poderoso. E, percebendo isso, percebe o seu próprio pecado e sua incapacidade em permanecer na presença dEle. É preciso fugir, já que Deus é santo e eu sou pecador.
Mas essa tomada de consciência, como dizia, é o primeiro passo para aprofundar nossa visão de mundo. A partir daí, podemos ir mais fundo. Podemos mergulhar em uma relação de cada vez mais intimidade com Deus e, a partir disso, mais conscientes de nós mesmos e do Senhor, podemos largar o assujeitamento. O mundo, que jaz no maligno, nos quer cegos e assujeitados. Podemos, no entanto, olhar para o mundo de outra forma. E isso acontece dentro de um processo de tomada de consciência, que nos mostra a realidade de maneira mais profunda. Além de vermos mais longe [o mundo não precisa ser limitado], vemos mais fundo. Vemos a realidade mais profunda de maneira mais absoluta. Vemos a totalidade, porque vemos do ponto de vista de Deus. Quando mais íntimos do Senhor nos colocamos, mais libertos de uma visão e consciência limitada de mundo estaremos. Mais libertos de uma consciência limitada acerca de nós mesmos. Mais experimentaremos a profundidade da realidade total em que nos encontramos. Descobriremos, assim, que existem mais mistérios entre os céus e a terra do que podem sonhar todos os filósofos, como diria Shakespeare.
Mergulhe de cabeça em uma relação de Deus. Quando mais próximo dEle, mais consciente de si e do mundo. Maior seu mundo, mais profunda sua visão. Maior sua percepção e experiência da realidade da vida. A intimidade do Senhor é o desejo que Ele tem para nossas próprias vidas. Porque Ele veio nos libertar, e se Ele nos libertar seremos verdadeiramente livres.
Lucas 5. 8.
Sujeito assujeitado é um termo de uma disciplina chamada Análise do Discurso, aparecendo também em outras perspectivas que fazem o estudo da Ideologia. Significa o indíviduo que, inconsciente de viver imerso em uma estrutura ideológica, torna-se inconsciente também de que sua fala e seu discurso não passam de meras reproduções de formações discursivas ideológicas. Mais que isso: sua própria forma de viver e ver o mundo é estruturada tendo por fundamento a ideologia na qual ele se insere. A pior parte de se ser um sujeito assujeitado é a ilusão que cria a ideologia de que aquilo que você diz é produção sua, quando, na verdade, você está “sendo falado” por outras vozes. Quer dizer, por mais que você ache que seu modo de ver o mundo e suas falas sejam originais [só você pensa como você], não deixam de ser aquilo que uma ideologia quer que você pense e fale. Você é apenas uma espécie de papagaio.
Todos nós somos assujeitados a alguma concepção ideológica. Porque todos nós vivemos em um mundo imerso em ideologias. A diferença que pode haver entre nós é o nível de consciência que teremos. Podemos ser mais ou menos conscientes da ideologia e do mundo em que vivemos. É aqui que reside a grande diferença: podemos ter consciência da nossa realidade. Ou não. Podemos sair do nível ingênuo, ou nos perpetuarmos no assujeitamento ideológico.
Mais uma vez vou pedir perdão por citar um filme. O 13º Andar é uma ficção científica de primeira que nos fala, entre muitas coisas, acerca da tomada de consciência a respeito da realidade. No início somos transportados para uma cidade americana dos anos 30 [Chicago, se não me engano]. Logo descobrimos que essa cidade não existe em mundo concreto. Ela é uma simulação de computador, inclusive seus habitantes. No entanto, uma interface permite que os cientistas entrem na simulação e interajam com os programas inteligentes. Aliás, esses programas são “avatares” [me permitam, pois é o termo usual] de personalidades do mundo concreto. Assim, quando fazem a interface, as pessoas assumem os papéis de seus avatares no mundo simulado.
Nenhum dos programas é consciente. Eles não têm nem consciência suficiente para se questionar porque seu mundo é tão pequeno: eles nunca saem da cidade porque o fim da cidade é o fim do seu mundo, literalmente. É onde acaba a simulação. Mas eles não sabem disso. Foram apenas programados assim. Tudo mudaria, se eles tomassem consciência desse fato. Eles vivem em um mundo limitado, inconscientemente.
O filme, a partir do assassinato de um dos cientistas do projeto, narra como se dá uma tomada de consciência a respeito do mundo real. E mostra que a profundidade de nossa percepção da realidade concreta é diretamente proporcional ao tamanho da consciência que nós temos de nós mesmos e deste mundo. Em outras palavras, o filme me inspira a entender que quando mais conscientes somos a nosso respeito e a respeito da realidade do mundo, mais conseguimos nos libertar do assujeitamento. Quando mais somos conscientes, mais entendemos o mundo, mais alargamos nossa visão da realidade. O tamanho da nossa realidade, ou sua profundidade, é diretamente proporcional à nossa consciência. A realidade, assim, se assemelharia às camadas de uma cebola. Quando mais profunda é nossa consciência, mais profunda se torna nossa percepção da realidade, como se passemos de uma camada exterior para uma mais profunda da cebola.
É claro que você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o texto de Lucas. O momento citado no capítulo 5 de Lucas é o momento que manifesta a tomada de consciência de Pedro. Ele se conscientiza acerca de quem ele é e de quem é Jesus. É o primeiro passo para largar o assujeitamento em que vive e passar a ver o mundo real de maneira mais profunda, a partir do ponto vista concedido por Deus. Após contemplar a maravilhosa pesca, fruto do milagre de Jesus, Pedro se toca que Aquele que está ali é puramente Santo e Todo-Poderoso. E, percebendo isso, percebe o seu próprio pecado e sua incapacidade em permanecer na presença dEle. É preciso fugir, já que Deus é santo e eu sou pecador.
Mas essa tomada de consciência, como dizia, é o primeiro passo para aprofundar nossa visão de mundo. A partir daí, podemos ir mais fundo. Podemos mergulhar em uma relação de cada vez mais intimidade com Deus e, a partir disso, mais conscientes de nós mesmos e do Senhor, podemos largar o assujeitamento. O mundo, que jaz no maligno, nos quer cegos e assujeitados. Podemos, no entanto, olhar para o mundo de outra forma. E isso acontece dentro de um processo de tomada de consciência, que nos mostra a realidade de maneira mais profunda. Além de vermos mais longe [o mundo não precisa ser limitado], vemos mais fundo. Vemos a realidade mais profunda de maneira mais absoluta. Vemos a totalidade, porque vemos do ponto de vista de Deus. Quando mais íntimos do Senhor nos colocamos, mais libertos de uma visão e consciência limitada de mundo estaremos. Mais libertos de uma consciência limitada acerca de nós mesmos. Mais experimentaremos a profundidade da realidade total em que nos encontramos. Descobriremos, assim, que existem mais mistérios entre os céus e a terra do que podem sonhar todos os filósofos, como diria Shakespeare.
Mergulhe de cabeça em uma relação de Deus. Quando mais próximo dEle, mais consciente de si e do mundo. Maior seu mundo, mais profunda sua visão. Maior sua percepção e experiência da realidade da vida. A intimidade do Senhor é o desejo que Ele tem para nossas próprias vidas. Porque Ele veio nos libertar, e se Ele nos libertar seremos verdadeiramente livres.
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