Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser!
Lucas. 5. 12
Uma das coisas mais constantes nos relatos do evangelho são notícias de curas realizadas por Jesus no Seu ministério. Para se ter uma idéia, apenas nos oito primeiros capítulos do evangelho de Lucas são doze narrativas de curas, ressurreições ou expulsões de demônios. Jesus, verdadeiramente, veio para cumprir a profecia de Isaías que dizia que o Messias levaria sobre Si todas as nossas enfermidades.
Interessante perceber que há sempre um elemento fundamental nesses relatos de cura: a fé. Não apenas uma vez, Jesus tributa a cura à fé das pessoas. É a fé que cura, é a fé que salva. Mas essa realidade acerca da fé tem sido bem deturpada no meio dos cristãos. As pessoas têm entendido a fé como uma chave que faz obrigatória a cura por parte de Jesus. Para essa gente, basta acreditar que Jesus vai curá-la para que a cura se dê. Como se Jesus estivesse obrigado a curar apenas porque eu acredito que Ele é um Deus que cura. Essa fé se assemelha muito mais a pensamento positivo, inclusive na sua decorrência: se o doente não foi curado foi porque faltou a fé.
Mas não creio que esse seja o sentido de fé que Jesus põe em relevância nos relatos de cura dos evangelhos. Acredito que a fala deste leproso do capítulo 5 de Lucas traduz melhor do que ninguém que fé é essa que Jesus espera nas pessoas: Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser!
Essa fé põe as coisas na dimensão correta. O leproso sabia com Quem estava lidando. O fundamental não era ser curado, mas estar convicto de que estava diante do Filho do Deus vivo, Alguém com todo poder e capaz de realizar os maiores milagres. Ele é o Todo-Poderoso e, o mais fundamental, não é receber dEle qualquer cura, mas entrar em um relacionamento pessoal. O fundamental é ter fé em Jesus, não na cura. A fé é relacionamento pessoal. O essencial é ter uma fé que nos salva, antes de nos curar. É achegar-se a Deus, ciente de Quem Ele é e de quem somos, prostrados diante dEle. E, o mais importante, totalmente submissos à Sua Vontade: Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser!
Nossa relação de fé com Deus não pode, de maneira nenhuma, se basear em qualquer coisa que se assemelhe a cobranças de nossa parte, a exigências partidas de nós, seres humanos. A fé que salva e pode curar reconhece que o nosso Deus é soberano para fazer cumprir tão somente a Sua vontade. Se Ele quiser, Ele pode nos curar. Se Ele não quiser, ainda assim Seu nome será glorificado em nossas vidas, por meio da nossa fé. Fé que reconhece como se dá, verdadeiramente, o relacionamento possível entre o homem e Deus. Fé que reconhece que a coisa mais importante que qualquer milagre é andar na intimidade do Senhor, submisso totalmente à Sua Vontade.
Essa submissão, produzida na consciência da fé que vem de Deus, me faz pensar em um exemplo muito claro. Nabucodonosor havia mandado levantar uma estátua de ouro em sua própria honra. O rei deu ordem para que todos se dobrassem perante a estátua. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, fiéis ao Deus de Israel, se recusaram. Mesmo ameaçados de serem lançados em uma fornalha, os três jovens deram uma resposta repleta de fé, fé coerente que salva e pode curar: Ó rei, nós não vamos nos defender. Pois, se o nosso Deus, a quem adoramos, quiser, Ele poderá nos salvar da fornalha e nos livrar do seu poder, ó rei. E mesmo que o nosso Deus não nos salve, o senhor pode ficar sabendo que não prestaremos culto ao seu deus, nem adoraremos a estátua de ouro que o senhor mandou fazer (Dn. 3. 16 – 18).
A fé é essencial para que tenhamos um relacionamento efetivo com Deus. Um relacionamento que reconheça Quem Ele, o Deus Todo-Poderoso, e quem somos, homens pecadores. A fé não impõe coisa alguma a Deus, mas age para transformar o nosso caráter conduzindo-nos a total confiança e submissão ao Deus vivo. Que poderá, segundo a Sua vontade, realizar todo milagre em resposta à nossa fé. Sejam curas, sejam ressurreições, seja a salvação.
11.6.05
10.6.05
Conversão
Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho.
Marcos 1. 15
A experiência que chamamos de conversão é um momento ímpar e necessário. Assemelha-se ao que acontece quando nos deslocamos por uma estrada, objetivando chegar a um determinado destino, e findamos por descobrir que estamos indo para o lado errado. Se eu sair, por exemplo, de Natal pela BR 101 objetivando chegar a Manaus, provavelmente logo descobrirei que meu destino provável será Porto Alegre. Jamais chegarei a Manaus, a não ser que faça uma manobra de conversão e me volte na direção do rumo certo. Estávamos indo para o lado errado e, alertados disso, podemos nos voltar e nos pôr na direção certa. Isso é conversão.
A primeira pregação de Jesus é muito simples. Não passa muito de um apelo à conversão fundamentado em alguns poucos princípios. Em primeiro lugar, é um apelo urgente porque a hora é chegada. É como se o Senhor dissesse aos Seus ouvintes e a cada um de nós: é agora ou nunca. Sua chance é essa e é final: Chegou a hora. A fala de Jesus se assemelha aos apelos anteriores de João Batista. Falando à liderança de Israel, João faz um alerta inquietante: O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda árvores que não dá frutas boas será cortada e jogada no fogo (Lc. 3. 9). A chance é essa porque Deus está a ponto de lançar o juízo, de cortar as árvores pela raiz. Sem conversão o destino, que virá breve, é ser cortado e lançado no fogo.
Mas o chamado à conversão é urgente também porque o Reino e Seus benefícios estão próximos. É como se Jesus dissesse para não perdermos tempo com bobagens quando, na verdade, a profundidade do Reino de Deus, que é alegria, fé e justiça no Espírito Santo, já está aí, disponível para quem quiser assumir essa nova vida, a nova caminhada convertida. O apelo à conversão é um convite à intimidade do Senhor. É um convite à vivência na dimensão tremenda do Reino de Deus e da profunda comunhão com o Senhor. É um convite ao prazer de usufruir da companhia e da amizade de Jesus. É um convite à nova vida trazida pela graça restauradora de Deus na Cruz de Cristo.
O passo que precisa ser dado para a conversão é o arrependimento e a fé. É preciso se arrepender de seus pecados e crer no Evangelho. Crer que Jesus é exatamente Quem Ele alega ser: o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O Salvador de toda a humanidade. Aquele que concede vida e salvação. Mas é preciso se arrepender. É preciso tomar a iniciativa de se converter do seu caminho errado. E João Batista nos dá uma excelente definição do que Deus requer em termos de arrependimento. Ninhada de cobras venenosas! Quem disse que vocês escaparão do terrível castigo que Deus vai mandar? Façam coisas que mostrem que vocês se arrependeram de seus pecados (Lc. 3. 7 – 8).
Arrependimento não é nada da boca para fora. Arrependimento significa mudança de atitude, mudança de ação. Arrepender-se para se voltar a Deus, se converter, é mudar as práticas de vida em conformidade com aquilo que dissemos. Arrepender-se implica ação prática de mudança vida, decidida conscientemente, realizada no dia a dia. Quando João Batista fala sobre o arrependimento, diversas pessoas lhe vem pergunta acerca de como deverão viver, o que deverão fazer daquele momento em diante: Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma, e quem tiver comida reparta com quem não tem. (...) Não cobrem mais do que a Lei manda! (...) Não tomem dinheiro de ninguém, nem pela força nem por meio de acusações falsas. E se contentem com o salário que recebem (Lc. 3. 11 – 14).
Conversão sem urgência, sem temor, sem fé, sem comunhão com o Deus Triúno e sem mudança de vida e atitude não é conversão de verdade. É espetáculo religioso. A essa falsa conversão, a Palavra de Deus responde de maneira dura, em diversos textos: Ninhada de cobras venenosas! Quem disse que vocês escaparão do terrível castigo que Deus vai mandar? Façam coisas que mostrem que vocês se arrependeram de seus pecados. O meu desejo é que possamos experimentar uma conversão real em nossas vidas, a cada instante, todos os dias.
Marcos 1. 15
A experiência que chamamos de conversão é um momento ímpar e necessário. Assemelha-se ao que acontece quando nos deslocamos por uma estrada, objetivando chegar a um determinado destino, e findamos por descobrir que estamos indo para o lado errado. Se eu sair, por exemplo, de Natal pela BR 101 objetivando chegar a Manaus, provavelmente logo descobrirei que meu destino provável será Porto Alegre. Jamais chegarei a Manaus, a não ser que faça uma manobra de conversão e me volte na direção do rumo certo. Estávamos indo para o lado errado e, alertados disso, podemos nos voltar e nos pôr na direção certa. Isso é conversão.
A primeira pregação de Jesus é muito simples. Não passa muito de um apelo à conversão fundamentado em alguns poucos princípios. Em primeiro lugar, é um apelo urgente porque a hora é chegada. É como se o Senhor dissesse aos Seus ouvintes e a cada um de nós: é agora ou nunca. Sua chance é essa e é final: Chegou a hora. A fala de Jesus se assemelha aos apelos anteriores de João Batista. Falando à liderança de Israel, João faz um alerta inquietante: O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda árvores que não dá frutas boas será cortada e jogada no fogo (Lc. 3. 9). A chance é essa porque Deus está a ponto de lançar o juízo, de cortar as árvores pela raiz. Sem conversão o destino, que virá breve, é ser cortado e lançado no fogo.
Mas o chamado à conversão é urgente também porque o Reino e Seus benefícios estão próximos. É como se Jesus dissesse para não perdermos tempo com bobagens quando, na verdade, a profundidade do Reino de Deus, que é alegria, fé e justiça no Espírito Santo, já está aí, disponível para quem quiser assumir essa nova vida, a nova caminhada convertida. O apelo à conversão é um convite à intimidade do Senhor. É um convite à vivência na dimensão tremenda do Reino de Deus e da profunda comunhão com o Senhor. É um convite ao prazer de usufruir da companhia e da amizade de Jesus. É um convite à nova vida trazida pela graça restauradora de Deus na Cruz de Cristo.
O passo que precisa ser dado para a conversão é o arrependimento e a fé. É preciso se arrepender de seus pecados e crer no Evangelho. Crer que Jesus é exatamente Quem Ele alega ser: o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O Salvador de toda a humanidade. Aquele que concede vida e salvação. Mas é preciso se arrepender. É preciso tomar a iniciativa de se converter do seu caminho errado. E João Batista nos dá uma excelente definição do que Deus requer em termos de arrependimento. Ninhada de cobras venenosas! Quem disse que vocês escaparão do terrível castigo que Deus vai mandar? Façam coisas que mostrem que vocês se arrependeram de seus pecados (Lc. 3. 7 – 8).
Arrependimento não é nada da boca para fora. Arrependimento significa mudança de atitude, mudança de ação. Arrepender-se para se voltar a Deus, se converter, é mudar as práticas de vida em conformidade com aquilo que dissemos. Arrepender-se implica ação prática de mudança vida, decidida conscientemente, realizada no dia a dia. Quando João Batista fala sobre o arrependimento, diversas pessoas lhe vem pergunta acerca de como deverão viver, o que deverão fazer daquele momento em diante: Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma, e quem tiver comida reparta com quem não tem. (...) Não cobrem mais do que a Lei manda! (...) Não tomem dinheiro de ninguém, nem pela força nem por meio de acusações falsas. E se contentem com o salário que recebem (Lc. 3. 11 – 14).
Conversão sem urgência, sem temor, sem fé, sem comunhão com o Deus Triúno e sem mudança de vida e atitude não é conversão de verdade. É espetáculo religioso. A essa falsa conversão, a Palavra de Deus responde de maneira dura, em diversos textos: Ninhada de cobras venenosas! Quem disse que vocês escaparão do terrível castigo que Deus vai mandar? Façam coisas que mostrem que vocês se arrependeram de seus pecados. O meu desejo é que possamos experimentar uma conversão real em nossas vidas, a cada instante, todos os dias.
9.6.05
Mais parecidos
Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é o Espírito.
2 Coríntios 3 . 18
Quando morei em Fortaleza, para fazer seminário, descobri uma coisa que até então não sabia a meu respeito: minha facilidade para assumir o sotaque dos outros. Logo que cheguei à capital cearense, estranhei aquela maneira de falar, suas expressões mais comuns. Mas, pouco a pouco, fui percebendo que cada uma daquelas coisas que, antes me eram estranhas, foram entrando no meu linguajar e fui assumindo um pouco daquele sotaque. O que contrabalançava e me impedia de ir mais fundo nesse processo era o fato de que os meus companheiros de moradia provinham de toda parte do país. Desse modo, havia uma pluralidade de sotaques distintos no seminário que impedia que qualquer um de nós mantivesse um deles marcadamente.
O momento em que meu sotaque “cearense” mais se desenvolveu foi quando namorei uma menina cearense. O fato de que passava a maior parte de meu tempo livre conversando com ela foi decisivo para isso. Como se fosse por osmose, a forma cearense de falar, inclusive com todos os seus chiados típicos, foi se impregnando em mim. Tamanha imersão conduziu-me a – o cúmulo – passar a estranhar, não mais o sotaque de Fortaleza, como no início, mas o sotaque de minha própria terra. Isso se deu de forma mais marcada a partir do instante em que desenvolvi uma relação mais íntima e constante, o namoro, com uma cearense.
Mas houve outras coisas interessantes no tempo de seminário. Cada um de nós vinha de famílias, criações e culturas completamente diversas umas das outras. Desse jeito, os primeiros meses de convívio forçado na mesma casa e no mesmo quarto provocou uma série de tensões. Rapidamente, porém, fomos nos adaptando uns aos outros. Mas o mais engraçado é que com o tempo passamos a aprender muitos hábitos uns com os outros. Assim, os nordestinos aprenderam a gostar de tomar tereré com os sul-matogrossenses. Além disso, fomos nos influenciando mutuamente e mudando nosso próprio caráter pelo convívio mais íntimo.
Toda essa história me faz lembrar do que Paulo fala acerca de nosso processo de santificação, de nos tornamos mais semelhantes a Jesus cada dia: Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é o Espírito. O que para mim fica claro desse texto e se constitui em um grande desafio para a vida cristã é que santidade e transformação de vida surgem como resultado de uma cada vez mais íntima relação pessoal com Deus. Do mesmo modo que eu fui assumindo o sotaque “cearense” a partir do convívio íntimo com os cearenses – imersão total no ambiente em que se fala assim – a santidade e pureza de vida é assumida a partir da relação de profundidade com o Senhor. O Senhor vai refletindo a Sua Glória em nós, Glória que vai se tornando cada vez mais intensa enquanto nos torna cada vez mais semelhantes ao próprio Deus. Santidade é resultado da comunhão íntima com o Senhor.
De maneira semelhante, nossos hábitos, tantas vezes marcados pelo pecado, vão sendo alterados e vamos assumindo novos hábitos a partir da convivência com o Deus que é santo. Diante desse Deus Santo somos impactados pela Glória de Sua Santidade que vai nos limpando, nos moldando, nos transformando. Na relação, vamos aprendendo a viver uma nova vida.
De um lado, deparando-nos com a Face do Senhor como num espelho em nossa alma, na vida de comunhão com Ele, temos o nosso caráter transformado pelo Espírito. De outro, andando com Jesus de maneira cada vez mais próxima, adquirimos novos hábitos, condizentes com o novo caráter santo que Deus está imprimindo em nós.
Mudança de vida parte, necessariamente, de conhecer o Senhor face a face e andar na intimidade dEle a todo instante. Santificação é transformação de caráter resultante da intimidade do Senhor. Santidade é, também, aquisição de hábitos santos, aprendidos na relação com Deus. O caminho é esse e é o único possível porque sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb. 12. 14).
2 Coríntios 3 . 18
Quando morei em Fortaleza, para fazer seminário, descobri uma coisa que até então não sabia a meu respeito: minha facilidade para assumir o sotaque dos outros. Logo que cheguei à capital cearense, estranhei aquela maneira de falar, suas expressões mais comuns. Mas, pouco a pouco, fui percebendo que cada uma daquelas coisas que, antes me eram estranhas, foram entrando no meu linguajar e fui assumindo um pouco daquele sotaque. O que contrabalançava e me impedia de ir mais fundo nesse processo era o fato de que os meus companheiros de moradia provinham de toda parte do país. Desse modo, havia uma pluralidade de sotaques distintos no seminário que impedia que qualquer um de nós mantivesse um deles marcadamente.
O momento em que meu sotaque “cearense” mais se desenvolveu foi quando namorei uma menina cearense. O fato de que passava a maior parte de meu tempo livre conversando com ela foi decisivo para isso. Como se fosse por osmose, a forma cearense de falar, inclusive com todos os seus chiados típicos, foi se impregnando em mim. Tamanha imersão conduziu-me a – o cúmulo – passar a estranhar, não mais o sotaque de Fortaleza, como no início, mas o sotaque de minha própria terra. Isso se deu de forma mais marcada a partir do instante em que desenvolvi uma relação mais íntima e constante, o namoro, com uma cearense.
Mas houve outras coisas interessantes no tempo de seminário. Cada um de nós vinha de famílias, criações e culturas completamente diversas umas das outras. Desse jeito, os primeiros meses de convívio forçado na mesma casa e no mesmo quarto provocou uma série de tensões. Rapidamente, porém, fomos nos adaptando uns aos outros. Mas o mais engraçado é que com o tempo passamos a aprender muitos hábitos uns com os outros. Assim, os nordestinos aprenderam a gostar de tomar tereré com os sul-matogrossenses. Além disso, fomos nos influenciando mutuamente e mudando nosso próprio caráter pelo convívio mais íntimo.
Toda essa história me faz lembrar do que Paulo fala acerca de nosso processo de santificação, de nos tornamos mais semelhantes a Jesus cada dia: Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é o Espírito. O que para mim fica claro desse texto e se constitui em um grande desafio para a vida cristã é que santidade e transformação de vida surgem como resultado de uma cada vez mais íntima relação pessoal com Deus. Do mesmo modo que eu fui assumindo o sotaque “cearense” a partir do convívio íntimo com os cearenses – imersão total no ambiente em que se fala assim – a santidade e pureza de vida é assumida a partir da relação de profundidade com o Senhor. O Senhor vai refletindo a Sua Glória em nós, Glória que vai se tornando cada vez mais intensa enquanto nos torna cada vez mais semelhantes ao próprio Deus. Santidade é resultado da comunhão íntima com o Senhor.
De maneira semelhante, nossos hábitos, tantas vezes marcados pelo pecado, vão sendo alterados e vamos assumindo novos hábitos a partir da convivência com o Deus que é santo. Diante desse Deus Santo somos impactados pela Glória de Sua Santidade que vai nos limpando, nos moldando, nos transformando. Na relação, vamos aprendendo a viver uma nova vida.
De um lado, deparando-nos com a Face do Senhor como num espelho em nossa alma, na vida de comunhão com Ele, temos o nosso caráter transformado pelo Espírito. De outro, andando com Jesus de maneira cada vez mais próxima, adquirimos novos hábitos, condizentes com o novo caráter santo que Deus está imprimindo em nós.
Mudança de vida parte, necessariamente, de conhecer o Senhor face a face e andar na intimidade dEle a todo instante. Santificação é transformação de caráter resultante da intimidade do Senhor. Santidade é, também, aquisição de hábitos santos, aprendidos na relação com Deus. O caminho é esse e é o único possível porque sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb. 12. 14).
8.6.05
Apavorados
Estavam apavorados.
Marcos 9. 6
Os judeus eram extremamente temerosos quando se relacionavam com Deus e a manifestação do Seu Nome. Esse é um dos motivos pelos quais não sabemos, nem saberemos nunca, qual a real pronúncia do Nome com o qual Deus se revela na Aliança. Como o mandamento diz que não se pode usar o Nome de Deus em vão, os judeus não O pronunciavam quando Ele aparecia no texto da Torá. Em Seu lugar, usavam a expressão Adonai (Senhor) ou Elohim (Deus) para evitar citar o Nome Divino. Mas, ainda mais comumente, se referiam simplesmente ao Nome, como significando o inominável. Essa é a razão do surgimento das transliterações Javé, Iavé, Jeová: as vogais do hebraico foram criadas por volta do século XII pelos massoretas que, então, marcaram o tetragrama que simbolizava o Nome Divino (YHWH), ora com as vogais de Adonai, ora com as vogais de Elohim, significando qual dos dois nomes deveriam ser lidos no lugar do tetragrama, cuja pronúncia havia se perdido. Quando essas vogais foram lidas junto com as quatro consoantes, nasceram as diferentes transliterações.
Essa história é apenas um indício do temor com qual o judeu se relacionava com o Seu Deus. Era impossível imaginar um judeu fiel brincando com a Revelação do Deus que o chamou a uma vida santidade. Eles tinham uma consciência profundíssima acerca da grandeza, majestade, poder e santidade do Deus a quem serviam. O sentimento de reverência extremada, conduzindo, inclusive, para atitudes um tanto irracionais em seu cuidado. Era preferível pecar pelo excesso de zelo do que ser encontrado em falta. Na sua relação com Deus, o judeu fiel percebia nitidamente o tamanho do abismo que o separava do Senhor: Deus é santo e o homem pecador. Aproximar-se dEle é conduzir-se em profundo temor e tremor.
É algo assim que acontece com Pedro na experiência da transfiguração. Jesus havia dito, seis dias antes, que alguns dos discípulos não morreriam sem, antes, ver a Sua glória. E, naquela noite, Jesus levou Pedro, Tiago e João para o monte. E, ali, mostrou-lhes Sua glória, quando se transfigurou, resplandeceu de forma impactante, enquanto conversava com Moisés e Elias. Diante de visão tão gloriosa, de manifestação tão tremenda da santidade e majestade de Jesus, o texto diz que Pedro e os outros discípulos estavam apavorados.
Não é possível conhecer a Deus nessa intimidade, se pôr diante de Sua Glória, e não ficar apavorado. Deus é santo e o homem é pecador, verdade imutável e apavorante. Quando nos pomos na presença de Deus de verdade, é impossível não ficar apavorado.
Obviamente, essa história ecoa a visão de Isaías. De modo semelhante, o profeta teve uma visão da majestade gloriosa de Deus e se viu morrendo de medo: Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem impuros lábios. E com os meus próprios olhos vi o Rei, o Senhor Todo-Poderoso! (Is. 6. 5). De modo semelhante, o pavor desses homens foi disperso com um toque da graça do Senhor. Mas as duas histórias nos apontam a verdade de que estar na presença do Senhor é ser tomado por temor e tremor.
É por isso que tenho me inquietado com a irreverência e o destemor presentes nos cristãos dos dias atuais, a começar de mim. Somos pessoas que nos travestimos muito bem com as roupagens religiosas, com os cânticos, com os cultos, enfim, com os movimentos de atos cênicos das mais diversas igrejas, mas que não conseguimos imprimir em nossas vidas o impacto provocado pela visão da glória e da majestade de Deus. Somos pessoas que nos dizemos íntimos do Senhor, mas que não parecemos saber que a busca da intimidade do Senhor implica uma forte dosagem de medo, de pavor, de temor e de tremor. Implica coisas que impactam. Coisas que transformam vidas. Coisas que não permitem permanecermos os mesmos. Ver a Jesus, andar com Ele, em Sua intimidade, é temê-Lo profunda e reverentemente. É mudar de vida.
Somos chamados pelo Senhor a uma vida de profunda intimidade com Ele. Ele nos quer arrastar para essa dimensão com Ele, através da Cruz de Cristo, como fez com os discípulos no monte da transfiguração. Mas esse aprofundamento na vida com Deus implicará contemplá-Lo em Sua glória – nós, os pecadores, a Ele, o Santo e Inominável – , uma contemplação que desalojará tudo de mais íntimo que tenhamos. Esse desalojamento tocará em nossa intimidade ao ponto de que será impossível não temermos, não tremermos e não desejarmos a mudança quando virmos a feiúra de nós mesmos e do nosso pecado. Estaremos apavorados e nunca mais seremos os mesmos.
Marcos 9. 6
Os judeus eram extremamente temerosos quando se relacionavam com Deus e a manifestação do Seu Nome. Esse é um dos motivos pelos quais não sabemos, nem saberemos nunca, qual a real pronúncia do Nome com o qual Deus se revela na Aliança. Como o mandamento diz que não se pode usar o Nome de Deus em vão, os judeus não O pronunciavam quando Ele aparecia no texto da Torá. Em Seu lugar, usavam a expressão Adonai (Senhor) ou Elohim (Deus) para evitar citar o Nome Divino. Mas, ainda mais comumente, se referiam simplesmente ao Nome, como significando o inominável. Essa é a razão do surgimento das transliterações Javé, Iavé, Jeová: as vogais do hebraico foram criadas por volta do século XII pelos massoretas que, então, marcaram o tetragrama que simbolizava o Nome Divino (YHWH), ora com as vogais de Adonai, ora com as vogais de Elohim, significando qual dos dois nomes deveriam ser lidos no lugar do tetragrama, cuja pronúncia havia se perdido. Quando essas vogais foram lidas junto com as quatro consoantes, nasceram as diferentes transliterações.
Essa história é apenas um indício do temor com qual o judeu se relacionava com o Seu Deus. Era impossível imaginar um judeu fiel brincando com a Revelação do Deus que o chamou a uma vida santidade. Eles tinham uma consciência profundíssima acerca da grandeza, majestade, poder e santidade do Deus a quem serviam. O sentimento de reverência extremada, conduzindo, inclusive, para atitudes um tanto irracionais em seu cuidado. Era preferível pecar pelo excesso de zelo do que ser encontrado em falta. Na sua relação com Deus, o judeu fiel percebia nitidamente o tamanho do abismo que o separava do Senhor: Deus é santo e o homem pecador. Aproximar-se dEle é conduzir-se em profundo temor e tremor.
É algo assim que acontece com Pedro na experiência da transfiguração. Jesus havia dito, seis dias antes, que alguns dos discípulos não morreriam sem, antes, ver a Sua glória. E, naquela noite, Jesus levou Pedro, Tiago e João para o monte. E, ali, mostrou-lhes Sua glória, quando se transfigurou, resplandeceu de forma impactante, enquanto conversava com Moisés e Elias. Diante de visão tão gloriosa, de manifestação tão tremenda da santidade e majestade de Jesus, o texto diz que Pedro e os outros discípulos estavam apavorados.
Não é possível conhecer a Deus nessa intimidade, se pôr diante de Sua Glória, e não ficar apavorado. Deus é santo e o homem é pecador, verdade imutável e apavorante. Quando nos pomos na presença de Deus de verdade, é impossível não ficar apavorado.
Obviamente, essa história ecoa a visão de Isaías. De modo semelhante, o profeta teve uma visão da majestade gloriosa de Deus e se viu morrendo de medo: Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem impuros lábios. E com os meus próprios olhos vi o Rei, o Senhor Todo-Poderoso! (Is. 6. 5). De modo semelhante, o pavor desses homens foi disperso com um toque da graça do Senhor. Mas as duas histórias nos apontam a verdade de que estar na presença do Senhor é ser tomado por temor e tremor.
É por isso que tenho me inquietado com a irreverência e o destemor presentes nos cristãos dos dias atuais, a começar de mim. Somos pessoas que nos travestimos muito bem com as roupagens religiosas, com os cânticos, com os cultos, enfim, com os movimentos de atos cênicos das mais diversas igrejas, mas que não conseguimos imprimir em nossas vidas o impacto provocado pela visão da glória e da majestade de Deus. Somos pessoas que nos dizemos íntimos do Senhor, mas que não parecemos saber que a busca da intimidade do Senhor implica uma forte dosagem de medo, de pavor, de temor e de tremor. Implica coisas que impactam. Coisas que transformam vidas. Coisas que não permitem permanecermos os mesmos. Ver a Jesus, andar com Ele, em Sua intimidade, é temê-Lo profunda e reverentemente. É mudar de vida.
Somos chamados pelo Senhor a uma vida de profunda intimidade com Ele. Ele nos quer arrastar para essa dimensão com Ele, através da Cruz de Cristo, como fez com os discípulos no monte da transfiguração. Mas esse aprofundamento na vida com Deus implicará contemplá-Lo em Sua glória – nós, os pecadores, a Ele, o Santo e Inominável – , uma contemplação que desalojará tudo de mais íntimo que tenhamos. Esse desalojamento tocará em nossa intimidade ao ponto de que será impossível não temermos, não tremermos e não desejarmos a mudança quando virmos a feiúra de nós mesmos e do nosso pecado. Estaremos apavorados e nunca mais seremos os mesmos.
7.6.05
Não conhecem a Deus
Para fazer com que vocês fiquem envergonhados, eu digo o seguinte: alguns de vocês não conhecem a Deus.
1 Coríntios 15. 34
Não é sem temor que eu sirvo a Deus. Mas não posso negar que, de vez em quando, esse temor beira o medo. Especialmente quando me proponho a penetrar na intimidade do Senhor com uma consciência bem vívida de quem eu seja. Nessas horas, sei mais que nunca que não poderia permanecer vivo na presença de Deus se não fosse a Sua graça. E tenho medo porque me vejo pecador como realmente sou.
Tenho medo, nessas horas, também, porque sei que Deus fará tudo o que for necessário para transformar o meu caráter de santidade em santidade. Sei que Ele fará o que for preciso para mudar minha vida e me tornar mais semelhante a Si mesmo. E, geralmente, esse processo é doloroso, muito doloroso.
Já o experimentei. E lembrei hoje que sempre tem sido minha oração a Deus de que Ele faça o que precisar para mudar a minha vida, mesmo que doa. E eu tive medo, porque não sou masoquista e não gosto de sofrer. Tive medo ao abrir meu coração para a mudança de Deus, ciente de que doerá se for o melhor para mim.
Já o experimentei. Eu fiz essa oração muitas vezes em minha vida. E ela sempre me conduziu a momentos impressionantes de crescimento através da dor. Por não ser masoquista, tantas vezes me questionei porque ainda preferia isso a me afastar do Senhor. A única resposta possível foi dada por Pedro, muito tempo atrás: Quem é que vamos seguir? O Senhor tem as palavras que dão a vida eterna! (Jo. 6. 68).
Muitos dentre nós, no entanto, não conseguem alcançar a dimensão disso tudo que falamos. Até acreditam que vale a pena ser cristão, se reunir como igreja. Mas mantém sua irreverência diante de Deus. Levam suas vidas sem tremor e sem temor a Ele. Caminham como se cristãos fossem, pedindo ao Senhor que faça nas suas vidas o que for a Sua vontade, mas são incapazes de conceber a profundidade do que dizem. Assim, se surpreendem quando Deus começa a agir para transformar seus caracteres e retirar seus pecados. Esse processo dói, porque se não doer não somos filhos, somos bastardos (Hb. 12. 8). Mas alguns de nós não querem que doa porque realmente não conhecem a Deus.
Para fazer com que vocês fiquem envergonhados, eu digo o seguinte: alguns de vocês não conhecem a Deus. Se realmente conhecermos a Deus, sofremos muito a cada pecado que cometermos. Se realmente conhecermos a Deus, será impossível andar no dia a dia sem uma profunda convicção de pecado no coração. Se realmente conhecermos a Deus, será impossível não vivermos uma vida na dimensão da reverência, do temor e do tremor. Se realmente conhecermos a Deus, não temeremos em demasia a dor porque saberemos que ela será nossa pedagoga no caminho de nos tornarmos mais semelhantes a Deus. Não optaremos por fugir da dor, porque estaremos cientes que fugir da dor será fugir da cura, será nos afastarmos do processo que Deus dirige de transformar nosso caráter e santificar a nossa vida.
Se você quer conhecer a Deus de verdade, saiba que não há nada fácil nesse processo. Dia a dia, você morrerá um pouco. Dia a dia, você se deparará com a sua sujeira do seu coração e se quedará profundamente entristecido por ela. Dia a dia, você será chamado a abrir mão da sua vida em favor do serviço, da comunhão e do prazer de se andar com Deus. As coisas não serão fáceis, mas você aprenderá que tudo vale a pena porque, como Pedro, você será levado a dizer: Quem é que vamos seguir? O Senhor tem as palavras que dão a vida eterna!
1 Coríntios 15. 34
Não é sem temor que eu sirvo a Deus. Mas não posso negar que, de vez em quando, esse temor beira o medo. Especialmente quando me proponho a penetrar na intimidade do Senhor com uma consciência bem vívida de quem eu seja. Nessas horas, sei mais que nunca que não poderia permanecer vivo na presença de Deus se não fosse a Sua graça. E tenho medo porque me vejo pecador como realmente sou.
Tenho medo, nessas horas, também, porque sei que Deus fará tudo o que for necessário para transformar o meu caráter de santidade em santidade. Sei que Ele fará o que for preciso para mudar minha vida e me tornar mais semelhante a Si mesmo. E, geralmente, esse processo é doloroso, muito doloroso.
Já o experimentei. E lembrei hoje que sempre tem sido minha oração a Deus de que Ele faça o que precisar para mudar a minha vida, mesmo que doa. E eu tive medo, porque não sou masoquista e não gosto de sofrer. Tive medo ao abrir meu coração para a mudança de Deus, ciente de que doerá se for o melhor para mim.
Já o experimentei. Eu fiz essa oração muitas vezes em minha vida. E ela sempre me conduziu a momentos impressionantes de crescimento através da dor. Por não ser masoquista, tantas vezes me questionei porque ainda preferia isso a me afastar do Senhor. A única resposta possível foi dada por Pedro, muito tempo atrás: Quem é que vamos seguir? O Senhor tem as palavras que dão a vida eterna! (Jo. 6. 68).
Muitos dentre nós, no entanto, não conseguem alcançar a dimensão disso tudo que falamos. Até acreditam que vale a pena ser cristão, se reunir como igreja. Mas mantém sua irreverência diante de Deus. Levam suas vidas sem tremor e sem temor a Ele. Caminham como se cristãos fossem, pedindo ao Senhor que faça nas suas vidas o que for a Sua vontade, mas são incapazes de conceber a profundidade do que dizem. Assim, se surpreendem quando Deus começa a agir para transformar seus caracteres e retirar seus pecados. Esse processo dói, porque se não doer não somos filhos, somos bastardos (Hb. 12. 8). Mas alguns de nós não querem que doa porque realmente não conhecem a Deus.
Para fazer com que vocês fiquem envergonhados, eu digo o seguinte: alguns de vocês não conhecem a Deus. Se realmente conhecermos a Deus, sofremos muito a cada pecado que cometermos. Se realmente conhecermos a Deus, será impossível andar no dia a dia sem uma profunda convicção de pecado no coração. Se realmente conhecermos a Deus, será impossível não vivermos uma vida na dimensão da reverência, do temor e do tremor. Se realmente conhecermos a Deus, não temeremos em demasia a dor porque saberemos que ela será nossa pedagoga no caminho de nos tornarmos mais semelhantes a Deus. Não optaremos por fugir da dor, porque estaremos cientes que fugir da dor será fugir da cura, será nos afastarmos do processo que Deus dirige de transformar nosso caráter e santificar a nossa vida.
Se você quer conhecer a Deus de verdade, saiba que não há nada fácil nesse processo. Dia a dia, você morrerá um pouco. Dia a dia, você se deparará com a sua sujeira do seu coração e se quedará profundamente entristecido por ela. Dia a dia, você será chamado a abrir mão da sua vida em favor do serviço, da comunhão e do prazer de se andar com Deus. As coisas não serão fáceis, mas você aprenderá que tudo vale a pena porque, como Pedro, você será levado a dizer: Quem é que vamos seguir? O Senhor tem as palavras que dão a vida eterna!
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