O meu povo cometeu dois pecados: eles abandonaram a mim, a fonte de água fresca, e cavaram cisternas, cisternas rachadas que deixam vazar a água da chuva.
Jeremias 2. 13
Existem duas coisas sobre as quais Deus tem me falado muito. Primeiro, Deus tem me desafiado a buscar a Sua intimidade cada vez mais, cada instante mais. Ele me tem mostrado a importância e fundamental necessidade de entrar em uma relação de comunhão com Ele, ao ponto de comer a carne e beber o sangue de Jesus. Comunhão e intimidade profundas com Ele, uma relação nova e radical.
O outro grande desafio que Deus tem trazido à minha vida é a urgente necessidade de quebrar o coração. Deus tem me falado que ainda tenho a chance de arrebentar as paredes de meu coração, antes que Ele mesmo venha fazer isso. E sei que Deus vai fazê-lo em breve.
Os dois pontos estão relacionados intimamente. Ligam-se, necessariamente, pelo apelo ao arrependimento: Nenhuma outra nação trocou os seus deuses por outros que nem eram deuses de verdade. Mas o meu povo me trocou, trocou a mim, o seu Deus glorioso, por deuses que não podem ajudá-los. Por isso, eu, o Senhor, vou mandar que o céu trema de horror e que fique cheio de pavor e de espanto. O meu povo cometeu dois pecados: Eles abandonaram a mim, a fonte de água fresca, e cavaram cisternas, cisternas rachadas que deixam vazar a água da chuva (Jr. 2. 11 – 13). Muitas vezes tenho visto o povo de Deus sentado em seus bancos de igreja, vendadas, incapazes de perceber as vendas em seus olhos e incapazes de perceber o que acontece à Sua volta. Sedentos, não percebem a Água da vida disposta à Sua frente e aceitam tentar saciar a sua sede com qualquer água amarga oferecida. É um povo que abandonou a fonte de água fresca. É preciso nos arrependermos disso e quebrarmos o nosso coração.
Como podemos chegar a esse ponto? Como realizamos essa troca da água fresca pelos poços rachados? É o desconhecimento que nos mata. Temos nossa sede espiritual mas em vez de convertê-la em uma busca ardente e consciente pela intimidade de Jesus, terminamos nos rendendo a qualquer espírito religioso, qualquer prática passageira.
Sendo mais claro. Muitas vezes, como cristãos, queremos buscar a Deus para saciar nossa sede espiritual. Mas não O buscamos na fonte certa. Queremos buscar a Deus sem quebrar o coração, sem nos relacionarmos em intimidade com Ele por meio da Palavra. Isso faz de nós idolatras, porque termina não sendo ao Deus vivo o nosso culto, mas sim às imagens dEle que construímos em nossos corações. Construímos esses ídolos por não nos dispormos a conhecê-Lo de verdade. Mas o meu povo me trocou, trocou a mim, o seu Deus glorioso, por deuses que não podem ajudá-los.
Isso faz com que se multiplique no meio do povo uma multidão de ídolos. Isso nos faz um povo que abandona o Senhor. Desde os membros mais simples até a liderança mais graduada, adoramos a deuses que construímos segundo nosso coração, acreditando que é ao Deus vivo, que desconhecemos, que adoramos e servimos: Deus diz: “O meu povo não tem juízo e não me conhece. Eles são como crianças tolas que não compreendem as coisas. Para fazer o mal, são espertos, mas não sabem fazer o bem” (Jr. 4. 22).
É essa a conexão entre o desafio a buscarmos a intimidade do Senhor e o arrebentar as paredes do coração: o desafio ao arrependimento por termos abandonado o Senhor e adorado nossos ídolos, construídos porque não O conhecemos de verdade, porque não nos comprometemos com a Sua comunhão nem com Sua Palavra: Voltem, todos vocês que abandonaram o Senhor, pois Ele vai curar a sua infidelidade (Jr. 3. 22).
12.7.05
Convidado de honra
Tu me recebes como convidado de honra e enches meu copo até transbordar.
Salmo 23. 5.
Sei que já escrevi sobre este versículo recentemente, mas é ele que traduz da melhor maneira tudo o que me aconteceu em São Paulo nestes dias em que estive viajando. Impressiona-me, sobremaneira, como Deus age em favor daqueles que O amam, principalmente quando temos consciência de quão pecadores nós somos e de quão santo Ele é. Apesar desta distância fundamental entre nós, Deus nos trata como convidados de honra, filhos tremendamente amados. Foi assim que me senti em minha viagem.
Nunca devemos ou podemos nos esquecer dos princípios que norteiam nossa relação com Deus. O principal deles é o fato de que somos pecadores. E ainda é muito mais grave quando somos conscientes de que, libertos da lei do pecado pela morte de Jesus, pecamos agora e continuamos a pecar por livre vontade. É como se a cada momento em que cedêssemos à tentação, cuspíssemos a face de nosso Senhor. Afrontamos Sua morte, Seu sacrifício e Sua ressurreição. E não temos o direito de dizer que fazemos isso porque o pecado foi mais forte do que nós, porque não nos sobrevêm tentação irrestível. Pecamos porque queremos. Afrontamos a Deus porque somos atraídos pela nossa cobiça, pelo desejo de sermos independentes dEle, pela vontade de transgredir. Somos inteiramente responsáveis por isso, por entristecermos terrivelmente o nosso Pai amado. De O afrontarmos.
Mas quando penso nisso e nas coisas que ainda assim Deus nos faz, lembro de uma música popular antiga: Coração Materno, de Vicente Celestino. Uma das coisas impressionantes dessa letra é que o campônio, a fim de fazer a vontade de sua amada, mata sua mãe e leva o coração até a mulher. No caminho, tropeça, quebra a perna, o coração materno voa, mas ele ouve a voz de sua mãe: Magoou-se, pobre filho meu? Vem buscar-me filho, aqui estou, vem buscar-me que ainda sou teu!
É incrível esta estória. O coração da mãe, mesmo depois de ter sido morta por seu próprio filho, ainda o ama, ainda o chama, ainda lhe garante o socorro, o auxílio. Ainda diz: vem buscar-me que ainda sou teu!
É desse modo que o Senhor lida conosco. Mesmo quando O ferimos, quando O afrontamos, mesmo quando agimos como se cuspíssemos em Sua face, Ele ainda nos ama e ainda nos chama dizendo ser nosso Pai. Dizendo que ainda podemos experimentar esse amor. Ele ainda nos trata como filhos amados e convidados de honra.
Foi assim que me senti em minha viagem a São Paulo. Apesar de ser quem sou, de tudo que tenho feito contrário à vontade de Deus, apesar do miserável pecador que sou, Deus preparou momentos para mim e alguns irmãos que não conhecia antes, momentos em que fomos tratados e recebidos em Sua presença como convidados de honra. Movido pelo Seu amor por nós, Deus sempre esteve disposto a perdoar o coração arrependido, e a manifestar o Seu grande amor em nossas vidas.
O momento mais especial de minha viagem foi o banquete que o Senhor nos serviu no sábado à noite, na casa da Lavínia. Ali, partilhamos a mesa do Senhor. Comemos Seu corpo e bebemos Seu sangue, estivemos em Sua intimidade. Ali, o Senhor manifestou Seu grande amor por nós. Ali, Ele encheu os nossos copos, com Seu amor, Sua alegria, Sua paz, até que tudo transbordasse.
Ele me ensinou que apesar do que somos capazes de fazer para feri-Lo. Apesar de nossos pecados e de nossa maldade. Apesar de tantas vezes agirmos como aquele campônio da canção de Vicente Celestino. Apesar disso tudo, Ele sempre se volta para nós com Seu amor. Sempre nos chama. Sempre nos ama. Sempre nos traz para perto dEle. Sempre nos recebe como convidado de honra. E sempre nos dá de Sua presença até transbordar.
Salmo 23. 5.
Sei que já escrevi sobre este versículo recentemente, mas é ele que traduz da melhor maneira tudo o que me aconteceu em São Paulo nestes dias em que estive viajando. Impressiona-me, sobremaneira, como Deus age em favor daqueles que O amam, principalmente quando temos consciência de quão pecadores nós somos e de quão santo Ele é. Apesar desta distância fundamental entre nós, Deus nos trata como convidados de honra, filhos tremendamente amados. Foi assim que me senti em minha viagem.
Nunca devemos ou podemos nos esquecer dos princípios que norteiam nossa relação com Deus. O principal deles é o fato de que somos pecadores. E ainda é muito mais grave quando somos conscientes de que, libertos da lei do pecado pela morte de Jesus, pecamos agora e continuamos a pecar por livre vontade. É como se a cada momento em que cedêssemos à tentação, cuspíssemos a face de nosso Senhor. Afrontamos Sua morte, Seu sacrifício e Sua ressurreição. E não temos o direito de dizer que fazemos isso porque o pecado foi mais forte do que nós, porque não nos sobrevêm tentação irrestível. Pecamos porque queremos. Afrontamos a Deus porque somos atraídos pela nossa cobiça, pelo desejo de sermos independentes dEle, pela vontade de transgredir. Somos inteiramente responsáveis por isso, por entristecermos terrivelmente o nosso Pai amado. De O afrontarmos.
Mas quando penso nisso e nas coisas que ainda assim Deus nos faz, lembro de uma música popular antiga: Coração Materno, de Vicente Celestino. Uma das coisas impressionantes dessa letra é que o campônio, a fim de fazer a vontade de sua amada, mata sua mãe e leva o coração até a mulher. No caminho, tropeça, quebra a perna, o coração materno voa, mas ele ouve a voz de sua mãe: Magoou-se, pobre filho meu? Vem buscar-me filho, aqui estou, vem buscar-me que ainda sou teu!
É incrível esta estória. O coração da mãe, mesmo depois de ter sido morta por seu próprio filho, ainda o ama, ainda o chama, ainda lhe garante o socorro, o auxílio. Ainda diz: vem buscar-me que ainda sou teu!
É desse modo que o Senhor lida conosco. Mesmo quando O ferimos, quando O afrontamos, mesmo quando agimos como se cuspíssemos em Sua face, Ele ainda nos ama e ainda nos chama dizendo ser nosso Pai. Dizendo que ainda podemos experimentar esse amor. Ele ainda nos trata como filhos amados e convidados de honra.
Foi assim que me senti em minha viagem a São Paulo. Apesar de ser quem sou, de tudo que tenho feito contrário à vontade de Deus, apesar do miserável pecador que sou, Deus preparou momentos para mim e alguns irmãos que não conhecia antes, momentos em que fomos tratados e recebidos em Sua presença como convidados de honra. Movido pelo Seu amor por nós, Deus sempre esteve disposto a perdoar o coração arrependido, e a manifestar o Seu grande amor em nossas vidas.
O momento mais especial de minha viagem foi o banquete que o Senhor nos serviu no sábado à noite, na casa da Lavínia. Ali, partilhamos a mesa do Senhor. Comemos Seu corpo e bebemos Seu sangue, estivemos em Sua intimidade. Ali, o Senhor manifestou Seu grande amor por nós. Ali, Ele encheu os nossos copos, com Seu amor, Sua alegria, Sua paz, até que tudo transbordasse.
Ele me ensinou que apesar do que somos capazes de fazer para feri-Lo. Apesar de nossos pecados e de nossa maldade. Apesar de tantas vezes agirmos como aquele campônio da canção de Vicente Celestino. Apesar disso tudo, Ele sempre se volta para nós com Seu amor. Sempre nos chama. Sempre nos ama. Sempre nos traz para perto dEle. Sempre nos recebe como convidado de honra. E sempre nos dá de Sua presença até transbordar.
1.7.05
Viagem
Esta noite estou viajando para São Paulo. Por este motivo, não postarei novos textos até minha volta, em 11 de julho. Um abraço e que Deus os abençoe.
Sobre medos
Quem não terá medo de Ti, Senhor?
Apocalipse 15. 4.
Boa parte dos nossos medos são irracionais. Descobri isso na pele quando sofri mais intensamente da Síndrome do Pânico. As crises de ansiedade e os pavores noturnos, sem razão de ser, eram desesperadores ao mesmo tempo em que me ensinaram muito a respeito da irracionalidade de nossos medos. Por mais que eu soubesse que não havia razão, não podia deixar de sofrer.
Muitos têm esses medos estranhos e irracionais. Minha tia, por exemplo, perde o controle por medo de baratas. Aliás, ela se arrepia só em ler o nome do inseto. E esse medo é profundamente irracional: quem tem razão de ter medo: nós ou a barata? Quem representa a maior ameaça?
Dia desses tive um sonho que ficou esquecido alguns dias. Ontem, eu o relembrei. Sonhei que estava andando em uma rua qualquer e um cão, dos mais violentos, pulando que nem mola, saltava para fora de sua casa e vinha atacar meu pescoço. Era apenas um sonho, mas acordei apavorado. E fiquei pensando em como eu, por muito tempo, tive um medo irracional por cachorros, que vitimava, inclusive, as raças mais dóceis, como os poodles.
Ontem à noite fui assistir Batman Begins com minha mãe. E o filme apresenta alguns diálogos interessantes sobre a questão do medo. Os morcegos atacam porque estão com medo. E o medo do homem, nesse caso, é mais uma vez, desproporcional e irracional.
Toda essa conversa sobre medo chega a mim hoje. Esta noite estou embarcando até São Paulo. Vou participar de um congresso na Unicamp. Por muitos meses, antes desta data, fiquei preocupado em como evitar uma crise de pânico ou ansiedade, a bordo do avião da TAM. Esta idéia é tradução do medo de ter medo. Que termina sendo mais paralisante ainda. E é o mais irracional dos medos, porque vem antes de qualquer ação ou acontecimento. Como posso ter medo de algo que ainda não aconteceu?
Os nossos medos ficam ainda mais irracionais se nos deparamos com o Deus que se revela na Bíblia. Quem não terá medo de Ti, Senhor? Quem não vai querer anunciar a Sua glória? Pois só Tu és santo (Ap. 15. 4). O Deus da Bíblia é o Deus Todo-Poderoso, o Deus Santo, Deus de toda Glória. Haverá algo que Ele não poderá fazer? Ele é o Deus da Criação. Haverá milagre que Ele não pode realizar? Diante do Deus que é santo, o medo não resiste. Aliás, qualquer medo, por mais concreta que seja a ameaça, passa a ser puramente irracional.
A ameaça pode ser um diagnóstico. Diante desta ameaça precisamos colocar o nosso Deus, a Quem servimos e amamos. O Deus Todo-Poderoso por reverter qualquer diagnóstico. Nesta manhã, por exemplo, encontrei uma grande amiga que havia descoberto um tumor há poucas semanas. Estávamos muitos orando por ela. O diagnóstico, praticamente certo, era de câncer inoperável. Ela demonstrava não estar temendo o diagnóstico, mas muitos estavam com medo. Terça-feira ela recebeu o diagnóstico. E não era câncer. Diante do Senhor, que medo pode prevalecer?
O momento em que está sendo escrito o Apocalipse é de perseguição contra a igreja. Muitos cristãos estão sendo mortos. Muito provavelmente, há medo no meio do povo. Medo de ser morto, medo de ser martirizado. É nesse contexto que Jesus se revela a João como o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, o que tem a história toda em Suas mãos. Ele é o Senhor, o Dono de tudo. Algum medo seria racional para os que são amados por Ele, cuidados por Ele, guardados por Ele? Não tenham medo do que vocês vão sofrer. Escutem! O Diabo vai pôr na prisão alguns de vocês para que sejam provados e sofram durante dez dias. Sejam fiéis, mesmo que tenham de morrer, e, como prêmio da vitória, eu lhes darei a vida (Ap. 2. 10). Servimos ao Deus do universo, que tem tudo em Suas mãos. Mais que isso: Ele é o nosso Aba, nosso Paizinho (Rm. 8. 15). Ele cuida de nós, podemos estar certos disso. Algum medo pode ser racional na presença dEle?
Quem não terá medo de Ti, Senhor?
Se cremos integralmente em Deus e confiamos no Seu cuidado Eterno por nossas vidas qualquer medo é contraditório e irracional. Se o Deus do Universo cuida de nós, a quê temeremos? Se o Digno de Louvor, Temor e Adoração é o nosso Paizinho, de quem teremos medo? O Senhor Deus é minha luz e minha salvação; de quem terei medo? O Senhor me livra de todo perigo; não ficarei com medo de ninguém (Sl. 27. 1).
Apocalipse 15. 4.
Boa parte dos nossos medos são irracionais. Descobri isso na pele quando sofri mais intensamente da Síndrome do Pânico. As crises de ansiedade e os pavores noturnos, sem razão de ser, eram desesperadores ao mesmo tempo em que me ensinaram muito a respeito da irracionalidade de nossos medos. Por mais que eu soubesse que não havia razão, não podia deixar de sofrer.
Muitos têm esses medos estranhos e irracionais. Minha tia, por exemplo, perde o controle por medo de baratas. Aliás, ela se arrepia só em ler o nome do inseto. E esse medo é profundamente irracional: quem tem razão de ter medo: nós ou a barata? Quem representa a maior ameaça?
Dia desses tive um sonho que ficou esquecido alguns dias. Ontem, eu o relembrei. Sonhei que estava andando em uma rua qualquer e um cão, dos mais violentos, pulando que nem mola, saltava para fora de sua casa e vinha atacar meu pescoço. Era apenas um sonho, mas acordei apavorado. E fiquei pensando em como eu, por muito tempo, tive um medo irracional por cachorros, que vitimava, inclusive, as raças mais dóceis, como os poodles.
Ontem à noite fui assistir Batman Begins com minha mãe. E o filme apresenta alguns diálogos interessantes sobre a questão do medo. Os morcegos atacam porque estão com medo. E o medo do homem, nesse caso, é mais uma vez, desproporcional e irracional.
Toda essa conversa sobre medo chega a mim hoje. Esta noite estou embarcando até São Paulo. Vou participar de um congresso na Unicamp. Por muitos meses, antes desta data, fiquei preocupado em como evitar uma crise de pânico ou ansiedade, a bordo do avião da TAM. Esta idéia é tradução do medo de ter medo. Que termina sendo mais paralisante ainda. E é o mais irracional dos medos, porque vem antes de qualquer ação ou acontecimento. Como posso ter medo de algo que ainda não aconteceu?
Os nossos medos ficam ainda mais irracionais se nos deparamos com o Deus que se revela na Bíblia. Quem não terá medo de Ti, Senhor? Quem não vai querer anunciar a Sua glória? Pois só Tu és santo (Ap. 15. 4). O Deus da Bíblia é o Deus Todo-Poderoso, o Deus Santo, Deus de toda Glória. Haverá algo que Ele não poderá fazer? Ele é o Deus da Criação. Haverá milagre que Ele não pode realizar? Diante do Deus que é santo, o medo não resiste. Aliás, qualquer medo, por mais concreta que seja a ameaça, passa a ser puramente irracional.
A ameaça pode ser um diagnóstico. Diante desta ameaça precisamos colocar o nosso Deus, a Quem servimos e amamos. O Deus Todo-Poderoso por reverter qualquer diagnóstico. Nesta manhã, por exemplo, encontrei uma grande amiga que havia descoberto um tumor há poucas semanas. Estávamos muitos orando por ela. O diagnóstico, praticamente certo, era de câncer inoperável. Ela demonstrava não estar temendo o diagnóstico, mas muitos estavam com medo. Terça-feira ela recebeu o diagnóstico. E não era câncer. Diante do Senhor, que medo pode prevalecer?
O momento em que está sendo escrito o Apocalipse é de perseguição contra a igreja. Muitos cristãos estão sendo mortos. Muito provavelmente, há medo no meio do povo. Medo de ser morto, medo de ser martirizado. É nesse contexto que Jesus se revela a João como o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, o que tem a história toda em Suas mãos. Ele é o Senhor, o Dono de tudo. Algum medo seria racional para os que são amados por Ele, cuidados por Ele, guardados por Ele? Não tenham medo do que vocês vão sofrer. Escutem! O Diabo vai pôr na prisão alguns de vocês para que sejam provados e sofram durante dez dias. Sejam fiéis, mesmo que tenham de morrer, e, como prêmio da vitória, eu lhes darei a vida (Ap. 2. 10). Servimos ao Deus do universo, que tem tudo em Suas mãos. Mais que isso: Ele é o nosso Aba, nosso Paizinho (Rm. 8. 15). Ele cuida de nós, podemos estar certos disso. Algum medo pode ser racional na presença dEle?
Quem não terá medo de Ti, Senhor?
Se cremos integralmente em Deus e confiamos no Seu cuidado Eterno por nossas vidas qualquer medo é contraditório e irracional. Se o Deus do Universo cuida de nós, a quê temeremos? Se o Digno de Louvor, Temor e Adoração é o nosso Paizinho, de quem teremos medo? O Senhor Deus é minha luz e minha salvação; de quem terei medo? O Senhor me livra de todo perigo; não ficarei com medo de ninguém (Sl. 27. 1).
30.6.05
O amor do Senhor não se acaba
Mas a esperança volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se acaba e a Sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor!
Lamentações 3. 21 – 23
Chico Buarque traduziu um sentimento que muitas vezes nos alcança como ser humano em uma das suas composições mais conhecidas: Tem dias que a gente se sente/ Como quem partiu ou morreu/ A gente estancou de repente/ Ou foi o mundo então que cresceu/ A gente quer ter voz ativa/ No nosso destino mardar/ Mas eis que chega a roda viva/ E carrega o destino prá lá (Roda Viva). Vez por outra, somos de tal maneira abatidos, que parece que apenas nos resta ficarmos imóveis. O mundo cresceu de mais a nossa volta. Perdemos o controle das coisas. A gente se sente como quem partiu ou morreu.
Hoje eu me senti assim, um tanto impotente diante das coisas. Comecei o dia em um cemitério. O pai de uma irmã lá da igreja em que presto assistência no interior do estado faleceu ontem. Pela manhã, fomos até o enterro. O homem tinha apenas 63 anos, mas era bastante doente. Fiquei curioso de perceber como os mais pobres e humildes encaram a morte de uma maneira completamente diferente, com suas crendices e costumes. A principal diferença era de espírito. A sensação que me dava é que as pessoas já estão tão habituadas ao sofrimento que a morte, mesmo de um ente querido, não lhes abala tanto quanto costuma mexer em nossas vidas de classe média. Mas, de qualquer forma, é triste um enterro. É um momento de profunda impotência. Um momento de dor, quando o mundo parece parar e crescer de repente. É doloroso e triste encarar a morte assim de frente.
Nessa situação, penso no que escreve o profeta no livro de Lamentações. É um momento de muita dor, de destruição, de morte. É um momento de tristeza profunda, inclusive pessoalmente para o próprio Jeremias. Apesar disso, ele é capaz de falar algo que nos aponta a certeza de que paz, alegria e escape são possíveis nos momentos de maior tristeza: Mas a esperança volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se acaba e a Sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor!
O capítulo 3 de Lamentações descreve uma situação difícil que o profeta enfrenta, em meio a destruição que Jerusalém passou. O mais interessante é que Jeremias não tributa esse mal a nenhuma outra causa, que não o Senhor. Vários versículo mostram um homem profundamente convicto de que o Senhor controla cada aspecto de sua vida. Que nada acontece com Ele fora da vontade de Deus. Mas, que, por vezes, Deus se vê obrigado a tratá-lo de maneira mais dura, causar-lhe dor e sofrimento, a fim de que se coloque, novamente, no centro de Sua vontade.
Parece que no agir para moldar o caráter de Seu servo, Deus está mostrando que não mede esforços. Não nos poupará de nenhuma tristeza ou sofrimento, se isso puder fazer-nos ser exatamente aquilo que Ele quer. Toda tristeza que pode nos fazer sentir perdidos, impotentes, vazios, como mortos, podem ser instrumentos do Senhor para nos fazer o que é Seu projeto. A confissão de Jeremias é bastante dura e honesta: Eu sou aquele que sabe o que é sofrer os golpes da ira de Deus. Ele me levou para a escuridão e me fez andar por caminhos sem luz. Com Sua mão, me bateu várias vezes, o dia inteiro. (...) Em volta de mim, Ele construiu um muro de sofrimento e amargura. Ele me fez morar na escuridão, como se eu estivesse morto há muito tempo. Deus me amarrou com pesadas correntes; estou na prisão e não posso escapar. (...) Não posso seguir em frente, pois, com grandes blocos de pedra, Ele fechou o meu caminho. (...) Ele me afastou do caminho, me fez em pedaços e depois me abandonou. (...) Eu lembro da minha tristeza e solidão, das amarguras e dos sofrimentos. Penso sempre nisso e fico abatido (Lm. 3. 1 – 3; 5 – 7, 9, 11, 19 – 20).
Quem pôs o profeta em situação de se sentir perdido? Quem o fez se sentir como quem já partiu ou morreu? Quem lhe colocou essa tristeza de morte no seu coração? A resposta do profeta é única: foi o Senhor. Mas não fez isso com prazer nem sem propósito. Quando Deus nos faz sofrer, devemos ficar sozinhos, pacientes e em silêncio. Devemos nos curvar, humildes, pois ainda pode haver esperança. (...) Não é com prazer que Ele nos causa sofrimento ou dor (Lm. 3. 28 – 29; 33).
Diante de um quadro como esse, em que sofrimento e dor, mesmo que não saibamos como, são provocados por Deus, com um propósito bem definido de Sua parte, só nos resta termos a confiança de que, apesar de tudo, Seu amor nunca acaba. Esta é a mensagem central do desabafo de Jeremias. E é o conforto que Deus quer nos trazer quando nos sentimos perdidos, abatidos, como quem já morreu. Quando a dor, a tristeza e o sofrimento nos abalam terrivelmente. Mas a esperança volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se acaba e a Sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor!
Lamentações 3. 21 – 23
Chico Buarque traduziu um sentimento que muitas vezes nos alcança como ser humano em uma das suas composições mais conhecidas: Tem dias que a gente se sente/ Como quem partiu ou morreu/ A gente estancou de repente/ Ou foi o mundo então que cresceu/ A gente quer ter voz ativa/ No nosso destino mardar/ Mas eis que chega a roda viva/ E carrega o destino prá lá (Roda Viva). Vez por outra, somos de tal maneira abatidos, que parece que apenas nos resta ficarmos imóveis. O mundo cresceu de mais a nossa volta. Perdemos o controle das coisas. A gente se sente como quem partiu ou morreu.
Hoje eu me senti assim, um tanto impotente diante das coisas. Comecei o dia em um cemitério. O pai de uma irmã lá da igreja em que presto assistência no interior do estado faleceu ontem. Pela manhã, fomos até o enterro. O homem tinha apenas 63 anos, mas era bastante doente. Fiquei curioso de perceber como os mais pobres e humildes encaram a morte de uma maneira completamente diferente, com suas crendices e costumes. A principal diferença era de espírito. A sensação que me dava é que as pessoas já estão tão habituadas ao sofrimento que a morte, mesmo de um ente querido, não lhes abala tanto quanto costuma mexer em nossas vidas de classe média. Mas, de qualquer forma, é triste um enterro. É um momento de profunda impotência. Um momento de dor, quando o mundo parece parar e crescer de repente. É doloroso e triste encarar a morte assim de frente.
Nessa situação, penso no que escreve o profeta no livro de Lamentações. É um momento de muita dor, de destruição, de morte. É um momento de tristeza profunda, inclusive pessoalmente para o próprio Jeremias. Apesar disso, ele é capaz de falar algo que nos aponta a certeza de que paz, alegria e escape são possíveis nos momentos de maior tristeza: Mas a esperança volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se acaba e a Sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor!
O capítulo 3 de Lamentações descreve uma situação difícil que o profeta enfrenta, em meio a destruição que Jerusalém passou. O mais interessante é que Jeremias não tributa esse mal a nenhuma outra causa, que não o Senhor. Vários versículo mostram um homem profundamente convicto de que o Senhor controla cada aspecto de sua vida. Que nada acontece com Ele fora da vontade de Deus. Mas, que, por vezes, Deus se vê obrigado a tratá-lo de maneira mais dura, causar-lhe dor e sofrimento, a fim de que se coloque, novamente, no centro de Sua vontade.
Parece que no agir para moldar o caráter de Seu servo, Deus está mostrando que não mede esforços. Não nos poupará de nenhuma tristeza ou sofrimento, se isso puder fazer-nos ser exatamente aquilo que Ele quer. Toda tristeza que pode nos fazer sentir perdidos, impotentes, vazios, como mortos, podem ser instrumentos do Senhor para nos fazer o que é Seu projeto. A confissão de Jeremias é bastante dura e honesta: Eu sou aquele que sabe o que é sofrer os golpes da ira de Deus. Ele me levou para a escuridão e me fez andar por caminhos sem luz. Com Sua mão, me bateu várias vezes, o dia inteiro. (...) Em volta de mim, Ele construiu um muro de sofrimento e amargura. Ele me fez morar na escuridão, como se eu estivesse morto há muito tempo. Deus me amarrou com pesadas correntes; estou na prisão e não posso escapar. (...) Não posso seguir em frente, pois, com grandes blocos de pedra, Ele fechou o meu caminho. (...) Ele me afastou do caminho, me fez em pedaços e depois me abandonou. (...) Eu lembro da minha tristeza e solidão, das amarguras e dos sofrimentos. Penso sempre nisso e fico abatido (Lm. 3. 1 – 3; 5 – 7, 9, 11, 19 – 20).
Quem pôs o profeta em situação de se sentir perdido? Quem o fez se sentir como quem já partiu ou morreu? Quem lhe colocou essa tristeza de morte no seu coração? A resposta do profeta é única: foi o Senhor. Mas não fez isso com prazer nem sem propósito. Quando Deus nos faz sofrer, devemos ficar sozinhos, pacientes e em silêncio. Devemos nos curvar, humildes, pois ainda pode haver esperança. (...) Não é com prazer que Ele nos causa sofrimento ou dor (Lm. 3. 28 – 29; 33).
Diante de um quadro como esse, em que sofrimento e dor, mesmo que não saibamos como, são provocados por Deus, com um propósito bem definido de Sua parte, só nos resta termos a confiança de que, apesar de tudo, Seu amor nunca acaba. Esta é a mensagem central do desabafo de Jeremias. E é o conforto que Deus quer nos trazer quando nos sentimos perdidos, abatidos, como quem já morreu. Quando a dor, a tristeza e o sofrimento nos abalam terrivelmente. Mas a esperança volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se acaba e a Sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor!
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