Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido!
João 11. 21 e 32
Estou relendo um livro que vai ser resenhado por meus alunos de Introdução à Bíblia: Jesus antes do cristianismo, de Albert Nolan. Desde a primeira vez que o li, fiquei fascinado com a sua simplicidade e delicadeza em tratar de questões exegéticas e teológicas que, em geral, são polêmicas. Mas essa discussão se transmuta, no texto deste frei sul-africano, em uma gostosura de se ler tremenda.
Nolan discute, em certo ponto, acerca de milagres. E uma das posições se conforma com aquilo que estive pensando em partilhar hoje: O mundo é criação de Deus e qualquer coisa que aconteça no mundo, comum ou extraordinária, é parte da providência de Deus. (...) Na Bíblia, milagre é fato extraordinário entendido como extraordinário ato de Deus, uma de suas obras poderosas. (...) O mundo está cheio de milagres para quem tem olhos para vê-los (pp. 55 – 56). Olhos para ver! Tenho repetidas vezes falado aqui sobre olhos para ver o milagre que Deus quer fazer e está fazendo em nossas vidas e ao redor de nós. Muitas vezes não nos falta outra coisa que não a capacidade de vermos.
Para mim, esse parece o caso de Marta e Maria. Elas não se tocam da parcialidade de sua capacidade de visão espiritual. Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! Ambas sabem que estão diante do Filho de Deus, poderoso para ter evitado a morte de seu irmão. Mas sua visão é por demais parcial. Elas não conseguem perceber outra coisa se não que tudo tenha acabado. A fala de Marta e Maria para Jesus é que tudo acabou. Seu irmão está morto e não há mais nada a fazer, a não ser chorá-lo.
Estive pensando hoje sobre isso, como dizia. Tem dias que a gente olha de um lado a outro e percebe que tudo acabou. Olhamos em volta, em busca de nossos planos, nossos sonhos, nossos desejos, nossa vida e só encontramos a impressão de que tudo chegou ao fim, de que não há mais nada a ser feito, a não ser chorar e enterrar os mortos. Como aquelas duas mulheres, só conseguimos dizer: Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido!
Pior é quando, estando esmagados e feridos, em busca de qualquer esperança, ainda não totalmente destruídos em nossas expectativas, vêem até nós amigos e irmãos para nos dizer que tudo acabou. Em vez de palavras de ânimo, eles nos trazem a notícia do fim, do não. É uma terrível experiência ter a companhia de pessoas que querem nos contaminar com a sua própria miopia espiritual. Dizem que há um não definitivo imperando contra nós. Não podem perceber que Deus está aí, pronto a agir, pronto a fazer o milagre. Não esperam mais nenhuma intervenção divina. Mas o mundo está aí, repleto de milagres a ponto de acontecerem diante de olhos que os queiram ver.
Marta e Maria estavam míopes. Não podiam perceber o contra-senso de sua lamentação. Ora bolas: se Jesus era poderoso para evitar a morte de Lázaro, porque não o seria para ressuscitá-lo? O seu irmão vai ressuscitar! (Jo. 11. 23). Incrédula e míope, Marta responde saber que ele vai, mas apenas no dia final. Não era disso que Jesus estava falando, mas ela não conseguia perceber. Estava diante do Deus de todo Poder, mas não conseguia perceber o significado disso tudo: Eu sou a ressurreição e a vida (Jo. 11. 25). Jesus não poderia ser mais explícito. O poder da vida está em Suas mãos porque Ele mesmo é Sua fonte. Ele pode ressuscitar quem quiser porque Ele mesmo é a Ressurreição! Ele é o Poder de Deus. Ele é a Glória do Senhor. Ele é o Soberano. Tem o universo e suas leis nas mãos. Não há impedimentos contra Ele, nem qualquer “não” definitivo. Deus estava ali em Jesus: não era o fim da história. Marta parece, finalmente, começar a compreender: Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso? Sim, Senhor! – disse ela. – Eu creio que o Senhor é o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo (Jo. 11. 25 – 27).
No decorrer do texto, fica claro que Jesus abre os olhos das duas mulheres, tirando-as da miopia espiritual. Elas agora podem ver o milagre acontecer ante seus olhos: Eu não lhe disse que, se você crer, você verá a revelação do poder glorioso de Deus? (Jo. 11. 40). E Jesus ressuscitou Lázaro.
Não acredite sempre que lhe disserem que o fim chegou. Enquanto não houver uma palavra de Deus dizendo que é não, não se deixe levar pela miopia que lhe cega os olhos para ver o milagre de Deus acontecendo, a manifestação do poder glorioso de Deus. Deus tem um milagre para realizar em sua vida. Ele quer realizar um ato extraordinário sobre toda situação que não inspira mais confiança ou esperança. Ele espera por olhos que possam ver o milagre. Ele quer abrir esses olhos. É hora de crer e esperar. Não se deixe levar pela fala daquelas duas mulheres: Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! , pois ainda não é o fim.
3.8.05
2.8.05
Confissão
Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados.
Tiago 5. 16
Em dezembro de 2000 fui apresentado a uma dor que logo eu descobriria chata e constante em minha vida. Era uma dor no nervo ciático, dor que irradia pela perna, passando pelo músculo glúteo. Após muitas idas e vindas, descobri que era causada por uma protrusão discal, uma espécie de deformidade do disco vertebral que pressiona o nervo, causando a dor. Essa dor foi ininterrupta, sem exageros, de dezembro de 2000 até agosto de 2001.
Nestes meses, não houve uma hora, um momento, um instante sequer em que eu não a sentisse. Às vezes em maior intensidade, às vezes em menor intensidade, mas a dor sempre estava lá. Limitando os meus movimentos e as minhas condições de vida. Cansando-me e provocando uma tremenda irritação.
Lembro de uma noite em que, saindo do seminário com uma colega, íamos assistir a uma peça de teatro, mas o ônibus atrasou por horas. Em pé, no terminal de Parangaba em Fortaleza, a dor só aumentava. Voltei para casa quase sem movimento. Subi ao meu quarto, sentei e chorei. Não porque a dor provocasse o choro de tão insuportável, mas porque eu não suportava a sua constância, a sua presença ininterrupta. Aquela dor estava me vencendo. Eu estava perdendo todo o prumo, toda a paciência.
Eu me desentendi com vários colegas por causa do meu ciático. Ele me tirava do sério, me estressava, me perturbava. Não conseguia manter um nível de vida e de paz de espírito satisfatório. A dor me abatia e me irritava.
A protrusão é uma doença anatômica que não possui outro tratamento se não fisioterapia, anti-inflamatório e analgésico. Há mais de um ano eu não sentia nem sequer um resquício dessa dor, mas depois de minhas viagens de carro nos últimos três dias, amanheci hoje com meus movimentos novamente limitados por causa do ciático. E lembrei de todo meu sofrimento de quatro anos atrás.
Essa dor física é terrível. Rouba-nos a paz e a paciência. Transtorna tudo. Mas não se compara à dor emocional causada pela culpa. A culpa fere com intensidade e com persistência o nosso próprio interior, a nossa alma. Qualquer um sabe que não existe pior dor que a dor na alma. Nenhuma dor física pode se comparar ao sofrimento causado pelo dor emocional. E muitas dores físicas são decorrências de dores da alma.
A culpa é a principal dor que carregamos na alma. Como a minha dor ciática, ela limita os movimentos, rouba a nossa paz, tira a nossa paciência. Irrita, causa limitações de condições de vida e de movimento. E não há um instante que ela nos dê trégua. Dói sem parar e persistentemente, ainda que apareça hora com maior, hora com menor intensidade. Tendemos a nos desesperar, especialmente quando nos vemos inconscientes de suas causas, quando não conhecemos o tratamento.
Quem está me lendo e sabe do que estou falando, entenda que não falo acerca de perdão ou da falta dele. Falo sobre o sentimento de culpa. Muitas vezes cometemos pecados que, por algum motivo, consideramos mais sérios ou mais profundos. Às vezes, nos achegamos aos pés da Cruz, confessando-os. Até recebemos uma palavra que nos garante o perdão de Deus. Mas nada disso é suficiente para nos tirar o sentimento de culpa. Que fica lá, nos ferindo, provocando doenças emocionais ou mesmo físicas.
O remédio apropriado foi receitado por Tiago: Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados. Acredito que existe pelo menos duas razões para que tenhamos de confessar nossos pecados a outras pessoas para nos sentirmos perdoados e sermos, assim, curados. O primeiro desses motivos é que precisamos ouvir de alguém, que não nós mesmos, que Deus pode nos perdoar e nos amar mesmo depois de termos pecado “tão gravemente”, como queremos entender. E ouvimos isso ao mesmo tempo em que esse alguém a quem confessamos consegue provar essa realidade ao se mostrar amoroso, perdoador e misericordioso conosco. Sabemos que somos perdoados e nos livramos do sentimento de culpa quando recebemos do amor de Deus através da vida dos irmãos. Não se trata de receber o perdão diretamente, mas a cura do sentimento de culpa. No fundo, tendo confessado a Deus o nosso pecado, já fomos perdoados. O nosso problema é não acreditar nisso até que o amor de Deus se manifeste por meio de alguém aos nossos corações, através do perdão e da graça liberados pela oração de alguém, que nos ama e nos cura.
Em segundo lugar, confessar nossos pecados aos outros é descobrir que todos estamos no mesmo nível. Porque quando abrimos o nosso coração carregado a outras pessoas, abrimos também a possibilidade de diálogo e, surge assim, um canal de comunicação de mútua confissão e mútuo apoio. Sentimo-nos perdoados, então, porque nos vemos como parte de um corpo de comunhão composto por não só um pecador, mas por vários que são resgatados pela mesma ação de graça de Deus. Confessar os pecados uns aos outros é colocarmo-nos todos no mesmo patamar, no mesmo lugar de relação de Deus, como alvos sempre constantes e dependentes de Sua graça e Seu amor. É colocarmo-nos em nossa real condição: nenhum de nós é melhor que ninguém; somos todos pecadores miseráveis, carentes da graça e do amor de Deus.
A culpa é dos piores problemas que podemos carregar. É das piores dores que, muitas vezes, somos obrigados a suportar. É uma dor da alma, dor emocional, que pode, de repente, se somatizar. É dor que angustia e contra a qual tantas vezes necessitamos de um remédio definitivo que nunca vem. Confie na graça de Deus. Saiba que Deus já o perdoou. E procure o remédio receitado por Tiago: Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados.
Tiago 5. 16
Em dezembro de 2000 fui apresentado a uma dor que logo eu descobriria chata e constante em minha vida. Era uma dor no nervo ciático, dor que irradia pela perna, passando pelo músculo glúteo. Após muitas idas e vindas, descobri que era causada por uma protrusão discal, uma espécie de deformidade do disco vertebral que pressiona o nervo, causando a dor. Essa dor foi ininterrupta, sem exageros, de dezembro de 2000 até agosto de 2001.
Nestes meses, não houve uma hora, um momento, um instante sequer em que eu não a sentisse. Às vezes em maior intensidade, às vezes em menor intensidade, mas a dor sempre estava lá. Limitando os meus movimentos e as minhas condições de vida. Cansando-me e provocando uma tremenda irritação.
Lembro de uma noite em que, saindo do seminário com uma colega, íamos assistir a uma peça de teatro, mas o ônibus atrasou por horas. Em pé, no terminal de Parangaba em Fortaleza, a dor só aumentava. Voltei para casa quase sem movimento. Subi ao meu quarto, sentei e chorei. Não porque a dor provocasse o choro de tão insuportável, mas porque eu não suportava a sua constância, a sua presença ininterrupta. Aquela dor estava me vencendo. Eu estava perdendo todo o prumo, toda a paciência.
Eu me desentendi com vários colegas por causa do meu ciático. Ele me tirava do sério, me estressava, me perturbava. Não conseguia manter um nível de vida e de paz de espírito satisfatório. A dor me abatia e me irritava.
A protrusão é uma doença anatômica que não possui outro tratamento se não fisioterapia, anti-inflamatório e analgésico. Há mais de um ano eu não sentia nem sequer um resquício dessa dor, mas depois de minhas viagens de carro nos últimos três dias, amanheci hoje com meus movimentos novamente limitados por causa do ciático. E lembrei de todo meu sofrimento de quatro anos atrás.
Essa dor física é terrível. Rouba-nos a paz e a paciência. Transtorna tudo. Mas não se compara à dor emocional causada pela culpa. A culpa fere com intensidade e com persistência o nosso próprio interior, a nossa alma. Qualquer um sabe que não existe pior dor que a dor na alma. Nenhuma dor física pode se comparar ao sofrimento causado pelo dor emocional. E muitas dores físicas são decorrências de dores da alma.
A culpa é a principal dor que carregamos na alma. Como a minha dor ciática, ela limita os movimentos, rouba a nossa paz, tira a nossa paciência. Irrita, causa limitações de condições de vida e de movimento. E não há um instante que ela nos dê trégua. Dói sem parar e persistentemente, ainda que apareça hora com maior, hora com menor intensidade. Tendemos a nos desesperar, especialmente quando nos vemos inconscientes de suas causas, quando não conhecemos o tratamento.
Quem está me lendo e sabe do que estou falando, entenda que não falo acerca de perdão ou da falta dele. Falo sobre o sentimento de culpa. Muitas vezes cometemos pecados que, por algum motivo, consideramos mais sérios ou mais profundos. Às vezes, nos achegamos aos pés da Cruz, confessando-os. Até recebemos uma palavra que nos garante o perdão de Deus. Mas nada disso é suficiente para nos tirar o sentimento de culpa. Que fica lá, nos ferindo, provocando doenças emocionais ou mesmo físicas.
O remédio apropriado foi receitado por Tiago: Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados. Acredito que existe pelo menos duas razões para que tenhamos de confessar nossos pecados a outras pessoas para nos sentirmos perdoados e sermos, assim, curados. O primeiro desses motivos é que precisamos ouvir de alguém, que não nós mesmos, que Deus pode nos perdoar e nos amar mesmo depois de termos pecado “tão gravemente”, como queremos entender. E ouvimos isso ao mesmo tempo em que esse alguém a quem confessamos consegue provar essa realidade ao se mostrar amoroso, perdoador e misericordioso conosco. Sabemos que somos perdoados e nos livramos do sentimento de culpa quando recebemos do amor de Deus através da vida dos irmãos. Não se trata de receber o perdão diretamente, mas a cura do sentimento de culpa. No fundo, tendo confessado a Deus o nosso pecado, já fomos perdoados. O nosso problema é não acreditar nisso até que o amor de Deus se manifeste por meio de alguém aos nossos corações, através do perdão e da graça liberados pela oração de alguém, que nos ama e nos cura.
Em segundo lugar, confessar nossos pecados aos outros é descobrir que todos estamos no mesmo nível. Porque quando abrimos o nosso coração carregado a outras pessoas, abrimos também a possibilidade de diálogo e, surge assim, um canal de comunicação de mútua confissão e mútuo apoio. Sentimo-nos perdoados, então, porque nos vemos como parte de um corpo de comunhão composto por não só um pecador, mas por vários que são resgatados pela mesma ação de graça de Deus. Confessar os pecados uns aos outros é colocarmo-nos todos no mesmo patamar, no mesmo lugar de relação de Deus, como alvos sempre constantes e dependentes de Sua graça e Seu amor. É colocarmo-nos em nossa real condição: nenhum de nós é melhor que ninguém; somos todos pecadores miseráveis, carentes da graça e do amor de Deus.
A culpa é dos piores problemas que podemos carregar. É das piores dores que, muitas vezes, somos obrigados a suportar. É uma dor da alma, dor emocional, que pode, de repente, se somatizar. É dor que angustia e contra a qual tantas vezes necessitamos de um remédio definitivo que nunca vem. Confie na graça de Deus. Saiba que Deus já o perdoou. E procure o remédio receitado por Tiago: Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados.
1.8.05
Esperança
O toco representa um novo começo para o povo de Deus.
Isaías 6. 13
Às vezes tenho a impressão, lendo a Bíblia, que a história da salvação, da relação entre Deus e o homem, é a história de novos começos. Parece que a palavra mais constante nessa relação é esperança. Na verdade, a Palavra de Deus - Deus se comunicando com o homem - é esperança.
Dia desses sonhei que um homem vinha até mim e me mandava dizer um monte de coisas a uma amiga. Quando argumentei que não conseguiria me lembrar de tantas palavras, uma vez que tinha consciência de que estava dormindo, o homem me dizia que o fundamental era que me lembrasse de dizer a ela que Deus é capaz de fazer todas as coisas novas por meio de Sua Palavra. E me gritou isso aos ouvidos repetidas vezes para que não tivesse risco de esquecer.
A relação de Deus com o homem, com o Seu povo, é pautada pela esperança e pelo recomeço. Deus sempre se revela um Deus capaz de recriar todas as situações, de refazer todas as circunstâncias, de derramar Suas bênçãos de restauração plena em cada momento, a cada hora. Desde o instante em que cria e considera tudo bom, o Senhor estabelece Seu padrão. Dali em diante, Sua ação em favor do homem sempre visará que essa boa ordem original venha a ser constantemente restaurada. Por isso, quando o homem cai imediatamente o plano de redenção é posto em marcha. Até que venha, na plenitude dos tempos, o próprio Deus encarnado, o Emanuel, Jesus Cristo como consumador deste plano.
Isaías 6 relata a vocação do profeta. Seu chamado é duro e difícil. Ele será enviado a um povo que não o ouvirá. Ele sabe que sua pregação não trará resultados visíveis. Será, aparentemente, infrutífera. Um tanto angustiado, o profeta questiona ao Senhor: Até quando isso vai durar? (Is. 6. 11). O Senhor lhe diz que o povo não ouvirá antes que as cidades sejam completamente destruídas e fiquem desoladas, sem morador algum. Uns poucos restarão. Um toco de carvalho (Is. 6. 12 – 13). É desse toco que a história da salvação continuará. Ele será sempre a esperança de restauração e recomeço.
Fiquei pensando hoje sobre isso, enquanto viajava pelo sertão do Rio Grande do Norte. O sertão é uma paisagem terrível a maior parte do tempo. Olhamos de um lado a outro e vemos uma certa desolação. Ficou vívida em minha mente uma imagem desta tarde, quando voltávamos de Mossoró. Muito calor, o sol a pino, pouco verde e poucas sombras. No meio desse cenário, algum gado esparso aqui e ali. Em uma dessas propriedades à beira da estrada, um grupo de umas dez vacas e touros se espremia sob a sombra de uma árvore ressequida. Fiquei pensando naquela desolação que beira o desespero. Fiquei pensando que muitas vezes nossas próprias vidas aparentam se encontrar em desolações semelhantes. Desesperos parecidos.
A mensagem da restauração, da esperança, do recomeço é, muitas vezes, tudo o que precisamos. Nossas vidas estão desoladas. Sonhos foram frustrados. Planos destruídos. Parecemos um deserto sem vida, uma cidade sem muros. Somos, muitas vezes, homens e mulheres sem esperança, sem futuro. Nesses momento é fundamental ouvir a Palavra da Esperança e do recomeço.
Se tudo parece destruído, se tudo parece acabado, Deus mantém um toco a fim de recomeçar mais uma vez Sua história de bênçãos em nossas vidas. Há momentos em que precisamos ser levados ao fim de tudo, ao fundo deste poço, para podermos iniciar o caminho de volta. Há momentos em que precisamos ser deixados apenas no toco para reaprendermos a depender da graça, do milagre e do cuidado de Deus. Há momentos em que precisamos ser conduzidos até a devastação total para que possamos compreender nossa necessidade de recomeço.
Nessas horas, é claro, nos comportaremos como aquele grupo de reses que vi nesta tarde. Vamos querer nos agarrar em qualquer sombra, em qualquer proteção, por mais falível que possa parecer. Vamos nos desesperar algumas vezes. Precisamos relembrar que a história da relação de Deus com o homem e conosco é uma história de recomeço e esperança. Precisamos nos agarrar com fé a isso, à esperança da Palavra de Deus. Palavra que refaz todas as coisas, que é capaz de fazer coisas novas todos os dias em nossas vidas. Por mais complicado que seja o momento, por mais difícil que seja a situação, lembre que a Palavra de Deus é a esperança. E ainda que reste apenas um toco, Deus não deixará de dar a mim e a você um novo começo, cheio de esperança. O toco representa um novo começo para o povo de Deus.
Isaías 6. 13
Às vezes tenho a impressão, lendo a Bíblia, que a história da salvação, da relação entre Deus e o homem, é a história de novos começos. Parece que a palavra mais constante nessa relação é esperança. Na verdade, a Palavra de Deus - Deus se comunicando com o homem - é esperança.
Dia desses sonhei que um homem vinha até mim e me mandava dizer um monte de coisas a uma amiga. Quando argumentei que não conseguiria me lembrar de tantas palavras, uma vez que tinha consciência de que estava dormindo, o homem me dizia que o fundamental era que me lembrasse de dizer a ela que Deus é capaz de fazer todas as coisas novas por meio de Sua Palavra. E me gritou isso aos ouvidos repetidas vezes para que não tivesse risco de esquecer.
A relação de Deus com o homem, com o Seu povo, é pautada pela esperança e pelo recomeço. Deus sempre se revela um Deus capaz de recriar todas as situações, de refazer todas as circunstâncias, de derramar Suas bênçãos de restauração plena em cada momento, a cada hora. Desde o instante em que cria e considera tudo bom, o Senhor estabelece Seu padrão. Dali em diante, Sua ação em favor do homem sempre visará que essa boa ordem original venha a ser constantemente restaurada. Por isso, quando o homem cai imediatamente o plano de redenção é posto em marcha. Até que venha, na plenitude dos tempos, o próprio Deus encarnado, o Emanuel, Jesus Cristo como consumador deste plano.
Isaías 6 relata a vocação do profeta. Seu chamado é duro e difícil. Ele será enviado a um povo que não o ouvirá. Ele sabe que sua pregação não trará resultados visíveis. Será, aparentemente, infrutífera. Um tanto angustiado, o profeta questiona ao Senhor: Até quando isso vai durar? (Is. 6. 11). O Senhor lhe diz que o povo não ouvirá antes que as cidades sejam completamente destruídas e fiquem desoladas, sem morador algum. Uns poucos restarão. Um toco de carvalho (Is. 6. 12 – 13). É desse toco que a história da salvação continuará. Ele será sempre a esperança de restauração e recomeço.
Fiquei pensando hoje sobre isso, enquanto viajava pelo sertão do Rio Grande do Norte. O sertão é uma paisagem terrível a maior parte do tempo. Olhamos de um lado a outro e vemos uma certa desolação. Ficou vívida em minha mente uma imagem desta tarde, quando voltávamos de Mossoró. Muito calor, o sol a pino, pouco verde e poucas sombras. No meio desse cenário, algum gado esparso aqui e ali. Em uma dessas propriedades à beira da estrada, um grupo de umas dez vacas e touros se espremia sob a sombra de uma árvore ressequida. Fiquei pensando naquela desolação que beira o desespero. Fiquei pensando que muitas vezes nossas próprias vidas aparentam se encontrar em desolações semelhantes. Desesperos parecidos.
A mensagem da restauração, da esperança, do recomeço é, muitas vezes, tudo o que precisamos. Nossas vidas estão desoladas. Sonhos foram frustrados. Planos destruídos. Parecemos um deserto sem vida, uma cidade sem muros. Somos, muitas vezes, homens e mulheres sem esperança, sem futuro. Nesses momento é fundamental ouvir a Palavra da Esperança e do recomeço.
Se tudo parece destruído, se tudo parece acabado, Deus mantém um toco a fim de recomeçar mais uma vez Sua história de bênçãos em nossas vidas. Há momentos em que precisamos ser levados ao fim de tudo, ao fundo deste poço, para podermos iniciar o caminho de volta. Há momentos em que precisamos ser deixados apenas no toco para reaprendermos a depender da graça, do milagre e do cuidado de Deus. Há momentos em que precisamos ser conduzidos até a devastação total para que possamos compreender nossa necessidade de recomeço.
Nessas horas, é claro, nos comportaremos como aquele grupo de reses que vi nesta tarde. Vamos querer nos agarrar em qualquer sombra, em qualquer proteção, por mais falível que possa parecer. Vamos nos desesperar algumas vezes. Precisamos relembrar que a história da relação de Deus com o homem e conosco é uma história de recomeço e esperança. Precisamos nos agarrar com fé a isso, à esperança da Palavra de Deus. Palavra que refaz todas as coisas, que é capaz de fazer coisas novas todos os dias em nossas vidas. Por mais complicado que seja o momento, por mais difícil que seja a situação, lembre que a Palavra de Deus é a esperança. E ainda que reste apenas um toco, Deus não deixará de dar a mim e a você um novo começo, cheio de esperança. O toco representa um novo começo para o povo de Deus.
31.7.05
Em mil gerações
Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!
Êxodo 34. 6 – 7
Minha reflexão hoje é muito mais um testemunho acerca do que vivi nesses dois dias no seio de minha família em Recife. Aliás, é um testemunho acerca da fidelidade da promessa e do cuidado do Senhor.
Fui ontem até Recife, voltando agora há pouco, a fim de celebrar os oitenta anos de minha tia paterna Honorina. Festa bonita, a iniciar da reunião da família. Minha tia, certamente, é aquela árvore plantada junto a ribeiros, que dá o seu fruto sempre. Dentre seus filhos, netos e bisnetos, encontramos pastores, missionários. No Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos. Todos se reuniram este fim de semana em Recife.
O momento mais marcante para mim foi o almoço deste domingo em uma chácara alugada em Aldeia, próximo a Recife. Antes de servirmos a refeição, Ana Maria, filha de minha tia, conduziu um momento devocional. De início, aquele enorme grupo com mais de sessenta primos, irmãos, parentes, cantou, qual um enorme coral, “Justo és Senhor”, hino do Cantor Cristão. Vozes divididas, celebração de coração íntegro. De repente me dei conta da emoção do momento. Aqueles todos, ramos da mesma família, com histórias diferentes e caminhos diferentes, serviam ao mesmo Deus. Estávamos ali muito mais como irmãos no sangue de Cristo. Mesmo primos que nunca haviam se visto partilhavam da mesma fé.
Fiquei pensando em mim, cuja trajetória de vida é completamente diversa do resto da família. Ainda assim, em um momento na minha história o Senhor manifestou a Sua eleição em minha vida. E estava ali, cantando ao Senhor com meus parentes. Com coração unânime. De repente, emocionado, pude perceber que vários de meus primos e tios choravam. Não é fácil deixar de se emocionar quando se percebe a fidelidade do Senhor sobre Suas Promessas.
Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações. O Senhor guarda a misericórdia em mil gerações! Nesta tarde, fiquei pensando sobre essa fidelidade que alcançou esta família. O Senhor honrou sua promessa de misericórdia sobre meus avós e seus muitos descendentes.
A história, segundo me contaram, começou com um filho de um primeiro casamento de meu avô, o tio Olimpio. Desde os anos 30 ninguém tem qualquer notícia dele. Mas, antes de desaparecer, ele evangelizou meus parentes, enviando Bíblias e folhetos pelo correio. A graça de Deus alcançou, dessa forma, a minha família.
Creio na fidelidade da Palavra. E tive prova disso hoje. Estavam ali cinco gerações de servos do Senhor em ramos diversos da mesma família. Desde a minha tia-avó Neném, até o bisneto de minha tio Honorina, o espanholzinho Juan Marcos. Todos podendo agradecer a justiça do Senhor:
Justo és, Senhor, nos teus santos caminhos;
És digno em todas as tuas obras.
Eis, perto estás de todos os que te invocam,
De todos que te invocam em verdade.
Aleluia! Aleluia!
O Senhor tem promessa de bênção sem medida sobre as famílias da terra. Como o crente Abraão, cada uma de nossas famílias pode usufruir das riquezas das bênçãos que o Senhor longânimo e misericordioso quer derramar em Cristo Jesus.
Êxodo 34. 6 – 7
Minha reflexão hoje é muito mais um testemunho acerca do que vivi nesses dois dias no seio de minha família em Recife. Aliás, é um testemunho acerca da fidelidade da promessa e do cuidado do Senhor.
Fui ontem até Recife, voltando agora há pouco, a fim de celebrar os oitenta anos de minha tia paterna Honorina. Festa bonita, a iniciar da reunião da família. Minha tia, certamente, é aquela árvore plantada junto a ribeiros, que dá o seu fruto sempre. Dentre seus filhos, netos e bisnetos, encontramos pastores, missionários. No Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos. Todos se reuniram este fim de semana em Recife.
O momento mais marcante para mim foi o almoço deste domingo em uma chácara alugada em Aldeia, próximo a Recife. Antes de servirmos a refeição, Ana Maria, filha de minha tia, conduziu um momento devocional. De início, aquele enorme grupo com mais de sessenta primos, irmãos, parentes, cantou, qual um enorme coral, “Justo és Senhor”, hino do Cantor Cristão. Vozes divididas, celebração de coração íntegro. De repente me dei conta da emoção do momento. Aqueles todos, ramos da mesma família, com histórias diferentes e caminhos diferentes, serviam ao mesmo Deus. Estávamos ali muito mais como irmãos no sangue de Cristo. Mesmo primos que nunca haviam se visto partilhavam da mesma fé.
Fiquei pensando em mim, cuja trajetória de vida é completamente diversa do resto da família. Ainda assim, em um momento na minha história o Senhor manifestou a Sua eleição em minha vida. E estava ali, cantando ao Senhor com meus parentes. Com coração unânime. De repente, emocionado, pude perceber que vários de meus primos e tios choravam. Não é fácil deixar de se emocionar quando se percebe a fidelidade do Senhor sobre Suas Promessas.
Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações. O Senhor guarda a misericórdia em mil gerações! Nesta tarde, fiquei pensando sobre essa fidelidade que alcançou esta família. O Senhor honrou sua promessa de misericórdia sobre meus avós e seus muitos descendentes.
A história, segundo me contaram, começou com um filho de um primeiro casamento de meu avô, o tio Olimpio. Desde os anos 30 ninguém tem qualquer notícia dele. Mas, antes de desaparecer, ele evangelizou meus parentes, enviando Bíblias e folhetos pelo correio. A graça de Deus alcançou, dessa forma, a minha família.
Creio na fidelidade da Palavra. E tive prova disso hoje. Estavam ali cinco gerações de servos do Senhor em ramos diversos da mesma família. Desde a minha tia-avó Neném, até o bisneto de minha tio Honorina, o espanholzinho Juan Marcos. Todos podendo agradecer a justiça do Senhor:
Justo és, Senhor, nos teus santos caminhos;
És digno em todas as tuas obras.
Eis, perto estás de todos os que te invocam,
De todos que te invocam em verdade.
Aleluia! Aleluia!
O Senhor tem promessa de bênção sem medida sobre as famílias da terra. Como o crente Abraão, cada uma de nossas famílias pode usufruir das riquezas das bênçãos que o Senhor longânimo e misericordioso quer derramar em Cristo Jesus.
29.7.05
Virá o dia
Virá o dia em que os orgulhosos serão humilhados e os vaidosos serão rebaixados; e somente o Senhor receberá os mais altos louvores.
Isaías 2. 11
Esta semana estava conversando com uma jovem amiga de minha igreja. Aquela conversa me deixou preocupado com essa garota. Entre outras coisas, ela dizia que sempre consegue tudo o que consegue. E por mais que eu quisesse lhe alertar do enorme risco que corremos com esse tipo de pensamento, não consegui dissuadi-la. Apenas avisei que tamanho orgulho não passa incólume pelo crivo do Senhor. Avisei que ela ainda ia sofrer bastante se mantivesse esse tipo de pensamento. Ia “apanhar” muito de Seu Pai.
Orgulho não é coisa que passa de graça em nossa relação com Deus. O Senhor não divide a glória dEle com ninguém e o orgulho é uma vã tentativa do ser humano pecador e limitado usurpar um tanto dessa glória. Mais cedo ou mais tarde, o Senhor agirá quanto a isso. O dia virá, estejamos certos disso.
Cada um tem uma porção que seja de orgulho no coração. O desafio que a Palavra de Deus nos impõe é o que vamos permitir que esse orgulho nos faça. Porque é certo que ele será abatido. Mas enquanto não vem o dia, pode ser abatido por nós mesmos. Quando nos reconhecemos como somos diante de Deus, toda a vaidade, orgulho e arrogância caem por terra. Abrimos o nosso coração, rasgamos a nossa alma e somos postos em nosso lugar devido pelo Senhor dos Exércitos. Dessa forma, nos fazemos humildes. Desse jeito, aprendemos a saber exatamente quem somos, quais os nossos limites, quais as nossas fraqueza, até onde podemos ir e quem é o Senhor em nossas vidas.
Todos os dias Deus tem nos conclamado a tomarmos essa atitude. A quebrarmos, com nossas próprias mãos, o orgulho do nosso coração. A renunciarmos qualquer vanglória ou sentimento egoísta, no processo de nos negarmos a nós mesmos, tomarmos a cruz de Jesus, seguindo-O como discípulos. Reconhecendo-nos como pecadores, como criminosos diante do Pai, nossa vaidade se esvai. É esse coração quebrantado que Deus quer ver em nós. Honesto, sincero e amante do Pai: O que tu queres é um coração sincero; (...) Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração humilde e arrependido (Sl. 51. 6 e 17).
Podemos não aceitar isso. Podemos não tomar essa atitude. Aí eu imagino o ser humano que faz isso como um monte de terra que vai subindo pouco a pouco, até se transformar em uma alta duna. Cresce até alcançar o ponto no qual o dono do terreno tem de passar máquinas para terraplenar.
Há um limite até onde Deus espera nossa decisão pessoal. Se o superarmos, nos mantendo orgulhosos e vaidosos, Ele entra em ação com a sua Caterpillar espiritual para nos pôr abaixo, para nos aprumar. Disse à minha amiga que era melhor que ela mesma começasse o processo de quebrantar-se na presença do Senhor, abrindo mão do orgulho, porque a terraplenagem do Senhor é um processo doloroso. Mais cedo do que se imagina, virá o dia.
Virá o dia em que os orgulhosos serão humilhados e os vaidosos serão rebaixados; e somente o Senhor receberá os mais altos louvores. Deus não divide Sua glória com ninguém. Somente Ele é digno de receber louvores. Por isso, quando o coração do homem se preocupa com os louvores que recebe e tributa a si mesmo, Deus intervém para colocar as coisas nos lugares devidos. Nesse dia, somente Quem é Digno receberá o louvor.
Naquele dia, o Senhor Todo-Poderoso vai humilhar todos os orgulhosos e vaidosos, todos os que pensam que são importantes (Is. 2. 12). E o profeta prossegue usando imagens vívidas para descrever o abatimento, da parte do Senhor, que cairá sobre cada coração orgulhoso: são cedros e carvalhos centenários sendo postos no chão (v. 13), são montanhas elevadas arrasadas (v. 14), são torres e muralhas derrubadas (v. 15), são embarcações poderosas afundadas (v. 16). Todas essas imagens são alertas para nós mesmos sobre o tratamento do Senhor contra os corações orgulhosos e soberbos. São alertas para que prefiramos, nós mesmos, quebrar nosso coração em vez de deixarmos essa ação na Mão Poderosa do Senhor. Então, desperte, porque logo virá esse dia.
Isaías 2. 11
Esta semana estava conversando com uma jovem amiga de minha igreja. Aquela conversa me deixou preocupado com essa garota. Entre outras coisas, ela dizia que sempre consegue tudo o que consegue. E por mais que eu quisesse lhe alertar do enorme risco que corremos com esse tipo de pensamento, não consegui dissuadi-la. Apenas avisei que tamanho orgulho não passa incólume pelo crivo do Senhor. Avisei que ela ainda ia sofrer bastante se mantivesse esse tipo de pensamento. Ia “apanhar” muito de Seu Pai.
Orgulho não é coisa que passa de graça em nossa relação com Deus. O Senhor não divide a glória dEle com ninguém e o orgulho é uma vã tentativa do ser humano pecador e limitado usurpar um tanto dessa glória. Mais cedo ou mais tarde, o Senhor agirá quanto a isso. O dia virá, estejamos certos disso.
Cada um tem uma porção que seja de orgulho no coração. O desafio que a Palavra de Deus nos impõe é o que vamos permitir que esse orgulho nos faça. Porque é certo que ele será abatido. Mas enquanto não vem o dia, pode ser abatido por nós mesmos. Quando nos reconhecemos como somos diante de Deus, toda a vaidade, orgulho e arrogância caem por terra. Abrimos o nosso coração, rasgamos a nossa alma e somos postos em nosso lugar devido pelo Senhor dos Exércitos. Dessa forma, nos fazemos humildes. Desse jeito, aprendemos a saber exatamente quem somos, quais os nossos limites, quais as nossas fraqueza, até onde podemos ir e quem é o Senhor em nossas vidas.
Todos os dias Deus tem nos conclamado a tomarmos essa atitude. A quebrarmos, com nossas próprias mãos, o orgulho do nosso coração. A renunciarmos qualquer vanglória ou sentimento egoísta, no processo de nos negarmos a nós mesmos, tomarmos a cruz de Jesus, seguindo-O como discípulos. Reconhecendo-nos como pecadores, como criminosos diante do Pai, nossa vaidade se esvai. É esse coração quebrantado que Deus quer ver em nós. Honesto, sincero e amante do Pai: O que tu queres é um coração sincero; (...) Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração humilde e arrependido (Sl. 51. 6 e 17).
Podemos não aceitar isso. Podemos não tomar essa atitude. Aí eu imagino o ser humano que faz isso como um monte de terra que vai subindo pouco a pouco, até se transformar em uma alta duna. Cresce até alcançar o ponto no qual o dono do terreno tem de passar máquinas para terraplenar.
Há um limite até onde Deus espera nossa decisão pessoal. Se o superarmos, nos mantendo orgulhosos e vaidosos, Ele entra em ação com a sua Caterpillar espiritual para nos pôr abaixo, para nos aprumar. Disse à minha amiga que era melhor que ela mesma começasse o processo de quebrantar-se na presença do Senhor, abrindo mão do orgulho, porque a terraplenagem do Senhor é um processo doloroso. Mais cedo do que se imagina, virá o dia.
Virá o dia em que os orgulhosos serão humilhados e os vaidosos serão rebaixados; e somente o Senhor receberá os mais altos louvores. Deus não divide Sua glória com ninguém. Somente Ele é digno de receber louvores. Por isso, quando o coração do homem se preocupa com os louvores que recebe e tributa a si mesmo, Deus intervém para colocar as coisas nos lugares devidos. Nesse dia, somente Quem é Digno receberá o louvor.
Naquele dia, o Senhor Todo-Poderoso vai humilhar todos os orgulhosos e vaidosos, todos os que pensam que são importantes (Is. 2. 12). E o profeta prossegue usando imagens vívidas para descrever o abatimento, da parte do Senhor, que cairá sobre cada coração orgulhoso: são cedros e carvalhos centenários sendo postos no chão (v. 13), são montanhas elevadas arrasadas (v. 14), são torres e muralhas derrubadas (v. 15), são embarcações poderosas afundadas (v. 16). Todas essas imagens são alertas para nós mesmos sobre o tratamento do Senhor contra os corações orgulhosos e soberbos. São alertas para que prefiramos, nós mesmos, quebrar nosso coração em vez de deixarmos essa ação na Mão Poderosa do Senhor. Então, desperte, porque logo virá esse dia.
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