Pessoal,
Eu preciso me render. Não dá para me manter escrevendo nesta semana, a poucos dias do referendo. Temos muito trabalho pela frente. Por isso, vou me ausentar um pouco e prometo regressar depois do dia 23 de outubro. Orem por mim. Orem por essa batalha espiritual. Você vem contra mim com espada, lança e dardo. Mas eu vou contra você em nome do Senhor Deus Todo-Poderoso, que você desafiou! (1 Sm. 17. 45).
18.10.05
Ungidos
O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres.
Isaías 61. 1
Muitas pessoas buscam ardentemente pelo Espírito Santo. Querem ser cheias dEle. Querem receber a Sua unção. Embora seja uma promessa para aqueles que recebem a salvação em Cristo, para todos nós, o derramar do Espírito traz implicações para as quais não temos atentado muitas vezes. O poder do Espírito, Seus dons e Sua plenitude não vêm sem propósito. Se o poder de Deus vem sobre a igreja e sobre o cristão é para capacitá-lo para alguma coisa específica. Um serviço ou ministério que pertence a cada pessoa individualmente. Não existe poder do Espírito para se gastar em si mesmo, ou olhando para o próprio umbigo. Poder do Espírito é para nos impulsionar para fora de nós mesmos e abençoar os que estão à volta.
O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Fomos chamados por Deus e recebemos o Seu Espírito para sermos, especialmente, instrumentos de libertação e da transformação do mundo à nossa volta. Não fomos chamados para curtirmos o prazer de conhecer a Deus, mas sobre nós vem o Seu poder para que, nesse poder, possamos ir na direção do mundo, para transformar a realidade à nossa volta. Fomos chamados para libertar o mundo.
Não quero espiritualizar o texto de Isaías 61 porque não acredito que ele foi escrito para ser entendido, prioritariamente, de forma espiritualizada. Ele se refere à tradição do ano jubilar no Antigo Testamento: aquele momento, a cada sete ou cinqüenta anos, em que dívidas eram perdoadas, escravos eram libertados, as terras eram restituídas aos seus primeiros donos, numa verdadeira ação de Reforma Agrária conduzida pelo Senhor. O Espírito Santo nos unge, como ungiu Jesus, para promover uma transformação completa da humanidade, incluindo sua vida social. Isso é importante demais em um contexto como o Brasil contemporâneo: campeão mundial de mortes pela guerra urbana, um dos piores índices de IDH do mundo. Um lugar onde dizem que cresce a igreja de Cristo. Se ela cresce que papel tem desempenhado como ungida pelo Espírito Santo? Se é uma igreja cheia do Espírito, por que não tem contribuído para a transformação do mundo à sua volta? Por que acontece em nossas cidades algo como o que ocorre no bairro de Felipe Camarão, em Natal: um dos bairros com maior presença evangélica e, ao mesmo tempo, reconhecido como bairro mais violento da cidade?
Para mim, só há uma resposta. As igrejas não estão cheias do Espírito Santo, mas provavelmente estão cheias de si. Porque o Espírito nos unge e para realizar algumas tarefas bem definidas: O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão (Is. 61. 1). Agora, se eu e você, se a igreja está presente em um ambiente mas os pobres não recebem boas notícias, os aflitos não são animados, os escravos – os explorados – não são libertos, os presos – os injustiçados – não são livres, ou não recebem o nosso apoio em suas lutas, para mim isso é um forte indício de que não estamos tão cheios do Espírito quanto estamos de nós mesmos.
Billy Graham admitia que um dos traços principais que caracterizam uma igreja e um cristão como cheios do Espírito é o envolvimento nas causas que redundam na transformação da sociedade e libertação do oprimido. O cristão, cheio do Espírito, deveria ser alguém profundamente otimista, utópico e lutador. Mas o que vemos, lamentavelmente – e que nos marca como pessoas que precisam aprender a mergulhar mais na intimidade dos rios de águas vivas do nosso Deus –, são cristão adeptos da tese do quanto pior melhor, como se o mundo precisasse piorar para a volta de Jesus, para o quê a igreja colabora com sua omissão. Muitos cristãos, profundamente pessimistas, manifestam sua falta de enchimento do Espírito e sua plenitude de Si mesmos. Mas ainda há tempo de voltar atrás. As águas da vida de Jesus permanecem disponíveis para quem quiser bebê-las. Basta correr e se chegar a Ele. Com fome e sede de justiça, que serão plenamente saciadas.
Isaías 61. 1
Muitas pessoas buscam ardentemente pelo Espírito Santo. Querem ser cheias dEle. Querem receber a Sua unção. Embora seja uma promessa para aqueles que recebem a salvação em Cristo, para todos nós, o derramar do Espírito traz implicações para as quais não temos atentado muitas vezes. O poder do Espírito, Seus dons e Sua plenitude não vêm sem propósito. Se o poder de Deus vem sobre a igreja e sobre o cristão é para capacitá-lo para alguma coisa específica. Um serviço ou ministério que pertence a cada pessoa individualmente. Não existe poder do Espírito para se gastar em si mesmo, ou olhando para o próprio umbigo. Poder do Espírito é para nos impulsionar para fora de nós mesmos e abençoar os que estão à volta.
O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Fomos chamados por Deus e recebemos o Seu Espírito para sermos, especialmente, instrumentos de libertação e da transformação do mundo à nossa volta. Não fomos chamados para curtirmos o prazer de conhecer a Deus, mas sobre nós vem o Seu poder para que, nesse poder, possamos ir na direção do mundo, para transformar a realidade à nossa volta. Fomos chamados para libertar o mundo.
Não quero espiritualizar o texto de Isaías 61 porque não acredito que ele foi escrito para ser entendido, prioritariamente, de forma espiritualizada. Ele se refere à tradição do ano jubilar no Antigo Testamento: aquele momento, a cada sete ou cinqüenta anos, em que dívidas eram perdoadas, escravos eram libertados, as terras eram restituídas aos seus primeiros donos, numa verdadeira ação de Reforma Agrária conduzida pelo Senhor. O Espírito Santo nos unge, como ungiu Jesus, para promover uma transformação completa da humanidade, incluindo sua vida social. Isso é importante demais em um contexto como o Brasil contemporâneo: campeão mundial de mortes pela guerra urbana, um dos piores índices de IDH do mundo. Um lugar onde dizem que cresce a igreja de Cristo. Se ela cresce que papel tem desempenhado como ungida pelo Espírito Santo? Se é uma igreja cheia do Espírito, por que não tem contribuído para a transformação do mundo à sua volta? Por que acontece em nossas cidades algo como o que ocorre no bairro de Felipe Camarão, em Natal: um dos bairros com maior presença evangélica e, ao mesmo tempo, reconhecido como bairro mais violento da cidade?
Para mim, só há uma resposta. As igrejas não estão cheias do Espírito Santo, mas provavelmente estão cheias de si. Porque o Espírito nos unge e para realizar algumas tarefas bem definidas: O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão (Is. 61. 1). Agora, se eu e você, se a igreja está presente em um ambiente mas os pobres não recebem boas notícias, os aflitos não são animados, os escravos – os explorados – não são libertos, os presos – os injustiçados – não são livres, ou não recebem o nosso apoio em suas lutas, para mim isso é um forte indício de que não estamos tão cheios do Espírito quanto estamos de nós mesmos.
Billy Graham admitia que um dos traços principais que caracterizam uma igreja e um cristão como cheios do Espírito é o envolvimento nas causas que redundam na transformação da sociedade e libertação do oprimido. O cristão, cheio do Espírito, deveria ser alguém profundamente otimista, utópico e lutador. Mas o que vemos, lamentavelmente – e que nos marca como pessoas que precisam aprender a mergulhar mais na intimidade dos rios de águas vivas do nosso Deus –, são cristão adeptos da tese do quanto pior melhor, como se o mundo precisasse piorar para a volta de Jesus, para o quê a igreja colabora com sua omissão. Muitos cristãos, profundamente pessimistas, manifestam sua falta de enchimento do Espírito e sua plenitude de Si mesmos. Mas ainda há tempo de voltar atrás. As águas da vida de Jesus permanecem disponíveis para quem quiser bebê-las. Basta correr e se chegar a Ele. Com fome e sede de justiça, que serão plenamente saciadas.
16.10.05
Filhos de Deus
Felizes as pessoas que trabalham pela paz, pois Deus as tratará como seus filhos.
Mateus 5. 9
Ontem, em um dos muitos debates em que participamos acerca do Referendo, um irmão amigo perguntou à platéia na Igreja do Nazareno em Natal quem queria ser reconhecido como filho de Deus. O texto do Sermão do Monte nos diz que serão tratados como filhos por Deus aqueles que trabalharem pela paz. Isso ficou na minha cabeça.
Às vezes, eu escrevo sobre as nossas vidas íntimas e nossas relações mais particulares com Deus. Mas às vezes é preciso que a gente se lembre que está no mundo, hoje, para fazer diferença e fazer o mundo diferente. Nessa tarde, participei, junto com algumas milhares de pessoas, umas dez mil, de uma Caminhada pela Paz pelas ruas da cidade. Caminhar pela paz não gera a paz como um passe de mágica, mas é uma ação a favor dela porque transforma nossas mentes e nossos corações pela paz.
Ali, refleti sobre a oração atribuída a Francisco de Assis: Senhor, faze-me instrumento de Tua paz! Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erros, que eu leve a verdade. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. O filho de Deus, fazedor da paz, transforma os ambientes em lugares onde a graça de Deus se manifesta de forma natural. O filho de Deus é instrumento da paz do Senhor onde quer que esteja e pede a Deus para que seja sempre esse instrumento.
Da caminhada fui pregar em uma de nossas igrejas. No culto de missões, falei sobre o perfume de Cristo que nós somos, texto sobre o qual escrevi na semana passada: Como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas (2 Co. 2. 14). E tudo se relaciona. A presença do Senhor é capaz de fazer profunda diferença na vida dos outros a partir de nós. O cheiro do Senhor se espalha desde os nossos corações e vai tocando e transformando as vidas à nossa volta.
Só podemos viver essa realidade e essa dimensão se mergulharmos na comunhão e intimidade de Deus, o nosso Pai, através de Jesus. Não é de nós mesmos que somos instrumentos de transformação. Não é nossa a paz que levamos. A paz que levamos, e que pode transformar o mundo, é paz dAquele que nos chama. Sejamos instrumentos da paz do Senhor na transformação do mundo e seremos reconhecidos como filhos de Deus.
Para sermos instrumentos dessa paz precisamos estar impregnados dela. E como isso se dá? Jesus é o Deus da Paz. Ele é o Príncipe da Paz (Is. 9. 6). É apenas nEle que podemos ter a fonte da verdadeira paz, paz que podemos levar ao mundo e que pode construir uma nova cultura, uma cultura de paz: Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo (Jo. 14. 27). Ele que fez a paz entre o homem e Deus e entre o homem e o homem por meio de Sua cruz. Impregnados dEle podemos levar a Sua paz ao mundo.
Fui à caminhada pela paz e tenho tentado ao máximo trabalhar pela paz porque quero ser instrumento da paz de Deus ao mundo. Quero estar impregnado do shalom, afogado na Sua presença. Quero, e peço isso ao Pai, ser reconhecido como filho de Deus por ser construtor da paz. Uma paz que, acredito, não é um horizonte irrealizável para o cristão, mas uma utopia possível construída na dimensão da vida e da comunhão com Cristo: Eles transformarão as suas espadas em arados e as suas lanças, em foices. Nunca mais as nações farão guerra, nem se prepararão para batalhas (Is. 2. 4).
Mateus 5. 9
Ontem, em um dos muitos debates em que participamos acerca do Referendo, um irmão amigo perguntou à platéia na Igreja do Nazareno em Natal quem queria ser reconhecido como filho de Deus. O texto do Sermão do Monte nos diz que serão tratados como filhos por Deus aqueles que trabalharem pela paz. Isso ficou na minha cabeça.
Às vezes, eu escrevo sobre as nossas vidas íntimas e nossas relações mais particulares com Deus. Mas às vezes é preciso que a gente se lembre que está no mundo, hoje, para fazer diferença e fazer o mundo diferente. Nessa tarde, participei, junto com algumas milhares de pessoas, umas dez mil, de uma Caminhada pela Paz pelas ruas da cidade. Caminhar pela paz não gera a paz como um passe de mágica, mas é uma ação a favor dela porque transforma nossas mentes e nossos corações pela paz.
Ali, refleti sobre a oração atribuída a Francisco de Assis: Senhor, faze-me instrumento de Tua paz! Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erros, que eu leve a verdade. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. O filho de Deus, fazedor da paz, transforma os ambientes em lugares onde a graça de Deus se manifesta de forma natural. O filho de Deus é instrumento da paz do Senhor onde quer que esteja e pede a Deus para que seja sempre esse instrumento.
Da caminhada fui pregar em uma de nossas igrejas. No culto de missões, falei sobre o perfume de Cristo que nós somos, texto sobre o qual escrevi na semana passada: Como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas (2 Co. 2. 14). E tudo se relaciona. A presença do Senhor é capaz de fazer profunda diferença na vida dos outros a partir de nós. O cheiro do Senhor se espalha desde os nossos corações e vai tocando e transformando as vidas à nossa volta.
Só podemos viver essa realidade e essa dimensão se mergulharmos na comunhão e intimidade de Deus, o nosso Pai, através de Jesus. Não é de nós mesmos que somos instrumentos de transformação. Não é nossa a paz que levamos. A paz que levamos, e que pode transformar o mundo, é paz dAquele que nos chama. Sejamos instrumentos da paz do Senhor na transformação do mundo e seremos reconhecidos como filhos de Deus.
Para sermos instrumentos dessa paz precisamos estar impregnados dela. E como isso se dá? Jesus é o Deus da Paz. Ele é o Príncipe da Paz (Is. 9. 6). É apenas nEle que podemos ter a fonte da verdadeira paz, paz que podemos levar ao mundo e que pode construir uma nova cultura, uma cultura de paz: Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo (Jo. 14. 27). Ele que fez a paz entre o homem e Deus e entre o homem e o homem por meio de Sua cruz. Impregnados dEle podemos levar a Sua paz ao mundo.
Fui à caminhada pela paz e tenho tentado ao máximo trabalhar pela paz porque quero ser instrumento da paz de Deus ao mundo. Quero estar impregnado do shalom, afogado na Sua presença. Quero, e peço isso ao Pai, ser reconhecido como filho de Deus por ser construtor da paz. Uma paz que, acredito, não é um horizonte irrealizável para o cristão, mas uma utopia possível construída na dimensão da vida e da comunhão com Cristo: Eles transformarão as suas espadas em arados e as suas lanças, em foices. Nunca mais as nações farão guerra, nem se prepararão para batalhas (Is. 2. 4).
15.10.05
Pareço incomodar
Fora daqui, seu profeta! Volte para a sua terra de Judá e ganhe a vida por lá com as suas profecias. Pare de profetizar aqui em Betel, pois este é o santuário onde o rei adora, este é o templo principal do país.
Amós 7. 12 – 13
O rapper cearense Amaury Fontenele tem uma canção em que se diz consciente do incômodo que provoca: Tem gente que não gosta do que eu falo, parece que eu pareço incomodar, parece que o que eu falo faz um calo na tua consciência, parece que pareço incomodar. Se por um lado o cristão deve ser uma bênção onde estiver, por ser abençoado, a presença de Deus em Sua vida o faz respirar o espírito profético. E o espírito profético, denunciador das situações de morte e de pecado à sua volta, incomoda.
Do mesmo modo que tenho como desejo na vida ser canal da bênção do Senhor na vida daqueles que me cercam, desejo ardentemente ser incômodo, se assim estiver cumprindo a vocação de Deus em minha vida. Não posso abrir mão de obedecer ao Senhor por razão alguma, muito menos por querer ser simpático ou não querer incomodar.
Olho ao meu lado e vejo muita gente vivendo uma superficialidade de vida terrível. É óbvio que para essas pessoas, eu e você, no instante em que nos dispusermos a buscar cada vez mais a intimidade do Senhor e a comunhão com Ele, vamos incomodar. Enquanto o coração de muitos se afasta de Deus, se nós colocarmos nosso coração em buscar a Sua face, sendo transformados dia a dia pela Sua presença, sendo impactados pelo Deus que faz morada em nós, a nossa vida vai ser incômodo para muitos. Nosso ministério e nossa palavra, uma vez que serão a tradução da vida que o Senhor nos quer vivendo e uma denúncia da vida que muitos estão vivendo, serão incômodos tremendos para muita gente. Se nos dispusermos a fazermos a vontade do Senhor, e somente ela, incomodaremos muita gente.
Já falei várias vezes sobre Amós e é a ele que temos de voltar ainda mais uma vez. Ele é exemplo do que estamos dizendo. Um dia, estando no meio de sua fazendo, cuidando de suas ovelhas e das suas figueiras em Judá, Deus ruge como um leão e o convoca a profetizar. Bem que Amós podia não ter dado ouvidos ao rugido do leão e ficado em sua terra, mas quando o leão ruge, quem não fica com medo? Quando o Senhor Deus fala, quem não anuncia a Sua mensagem? (Am. 3. 8)
E lá foi o profeta para o país vizinho de Israel pregar a Palavra que o Senhor havia lhe dado. Mas quem disse que vida de profeta é tranqüila? No instante que o homem e a mulher de Deus se dispõe a falar a Palavra do Senhor, eles incomodam aqueles que não querem o desafio e a mudança que o Senhor convoca. E do incômodo à perseguição é apenas um passo. Incomodados, o rei e o sacerdote de Israel se voltam contra Amós: Fora daqui, seu profeta! Volte para a sua terra de Judá e ganhe a vida por lá com as suas profecias. Pare de profetizar aqui em Betel, pois este é o santuário onde o rei adora, este é o templo principal do país.
A resposta de Amós é simples como simples parece ser o profeta. Aliás, sua simplicidade deve aumentar ainda mais o incômodo que provoca: Deus não está usando o sacerdote, mas antes o simples camponês. Não sou profeta por profissão; não ganho a vida profetizando. Sou pastor de ovelhas e também cuido de figueiras. Mas o Senhor Deus mandou que eu deixasse os meus rebanhos e viesse anunciar a sua mensagem ao povo de Israel (Am. 7. 14 – 15).
Algo assim já aconteceu comigo, como já relatei um pouco anteriormente. Uma liderança da minha igreja local chegou a dizer que não se incomodaria se eu fosse para outra igreja, que eu me tornasse algo como co-pastor dela. Não importava para esse líder o que acontecesse, apenas eu não pregaria ou ensinaria mais na igreja. Quer dizer, da mesma forma como Amazias a Amós, ele me pedia que deixasse a igreja e parasse meu ministério. Parece que pareço incomodar. Eu me senti convidado a deixar a igreja, mas não o fiz porque é o Senhor quem me quer ali.
Você está incomodando por estar fazendo a vontade de Deus? Está incomodando no meio do Povo de Deus? Parabéns, você faz parte do clube privado dos profetas perseguidos, que não são honrados em sua própria pátria. Como estou consciente, cada vez mais, que as palavras de juízo de Deus são prioritariamente contra o Seu próprio povo, ser incômodo dentro da Igreja por fazer a vontade de Deus só pode significar duas coisas: a fidelidade do profeta cheio do Espírito e o juízo iminente do povo. Portanto, não desanime, não volte a trás. O Senhor é o Seu escudo e fortaleza. Ele é o Seu socorro.
Amós 7. 12 – 13
O rapper cearense Amaury Fontenele tem uma canção em que se diz consciente do incômodo que provoca: Tem gente que não gosta do que eu falo, parece que eu pareço incomodar, parece que o que eu falo faz um calo na tua consciência, parece que pareço incomodar. Se por um lado o cristão deve ser uma bênção onde estiver, por ser abençoado, a presença de Deus em Sua vida o faz respirar o espírito profético. E o espírito profético, denunciador das situações de morte e de pecado à sua volta, incomoda.
Do mesmo modo que tenho como desejo na vida ser canal da bênção do Senhor na vida daqueles que me cercam, desejo ardentemente ser incômodo, se assim estiver cumprindo a vocação de Deus em minha vida. Não posso abrir mão de obedecer ao Senhor por razão alguma, muito menos por querer ser simpático ou não querer incomodar.
Olho ao meu lado e vejo muita gente vivendo uma superficialidade de vida terrível. É óbvio que para essas pessoas, eu e você, no instante em que nos dispusermos a buscar cada vez mais a intimidade do Senhor e a comunhão com Ele, vamos incomodar. Enquanto o coração de muitos se afasta de Deus, se nós colocarmos nosso coração em buscar a Sua face, sendo transformados dia a dia pela Sua presença, sendo impactados pelo Deus que faz morada em nós, a nossa vida vai ser incômodo para muitos. Nosso ministério e nossa palavra, uma vez que serão a tradução da vida que o Senhor nos quer vivendo e uma denúncia da vida que muitos estão vivendo, serão incômodos tremendos para muita gente. Se nos dispusermos a fazermos a vontade do Senhor, e somente ela, incomodaremos muita gente.
Já falei várias vezes sobre Amós e é a ele que temos de voltar ainda mais uma vez. Ele é exemplo do que estamos dizendo. Um dia, estando no meio de sua fazendo, cuidando de suas ovelhas e das suas figueiras em Judá, Deus ruge como um leão e o convoca a profetizar. Bem que Amós podia não ter dado ouvidos ao rugido do leão e ficado em sua terra, mas quando o leão ruge, quem não fica com medo? Quando o Senhor Deus fala, quem não anuncia a Sua mensagem? (Am. 3. 8)
E lá foi o profeta para o país vizinho de Israel pregar a Palavra que o Senhor havia lhe dado. Mas quem disse que vida de profeta é tranqüila? No instante que o homem e a mulher de Deus se dispõe a falar a Palavra do Senhor, eles incomodam aqueles que não querem o desafio e a mudança que o Senhor convoca. E do incômodo à perseguição é apenas um passo. Incomodados, o rei e o sacerdote de Israel se voltam contra Amós: Fora daqui, seu profeta! Volte para a sua terra de Judá e ganhe a vida por lá com as suas profecias. Pare de profetizar aqui em Betel, pois este é o santuário onde o rei adora, este é o templo principal do país.
A resposta de Amós é simples como simples parece ser o profeta. Aliás, sua simplicidade deve aumentar ainda mais o incômodo que provoca: Deus não está usando o sacerdote, mas antes o simples camponês. Não sou profeta por profissão; não ganho a vida profetizando. Sou pastor de ovelhas e também cuido de figueiras. Mas o Senhor Deus mandou que eu deixasse os meus rebanhos e viesse anunciar a sua mensagem ao povo de Israel (Am. 7. 14 – 15).
Algo assim já aconteceu comigo, como já relatei um pouco anteriormente. Uma liderança da minha igreja local chegou a dizer que não se incomodaria se eu fosse para outra igreja, que eu me tornasse algo como co-pastor dela. Não importava para esse líder o que acontecesse, apenas eu não pregaria ou ensinaria mais na igreja. Quer dizer, da mesma forma como Amazias a Amós, ele me pedia que deixasse a igreja e parasse meu ministério. Parece que pareço incomodar. Eu me senti convidado a deixar a igreja, mas não o fiz porque é o Senhor quem me quer ali.
Você está incomodando por estar fazendo a vontade de Deus? Está incomodando no meio do Povo de Deus? Parabéns, você faz parte do clube privado dos profetas perseguidos, que não são honrados em sua própria pátria. Como estou consciente, cada vez mais, que as palavras de juízo de Deus são prioritariamente contra o Seu próprio povo, ser incômodo dentro da Igreja por fazer a vontade de Deus só pode significar duas coisas: a fidelidade do profeta cheio do Espírito e o juízo iminente do povo. Portanto, não desanime, não volte a trás. O Senhor é o Seu escudo e fortaleza. Ele é o Seu socorro.
14.10.05
Deus de encontro
Voltem para mim, e eu, o Senhor Todo-Poderoso, voltarei para vocês. (...)
Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois eu virei morar com vocês!
Zacarias 1. 2 e 2. 10
O Deus a quem servimos se revela como Alguém que mora distante de nós, por natureza. É o Deus que está sentado no altíssimo trono de glória. É o Deus que, como gosta de dizer o meu pastor, mesmo que nós estejamos na porta do céu, ainda existe um mar imenso de cristal a nos separar dEle (Ap. 4). Um Deus de quem estamos distante por natureza – Ele é o Criador Infinito e nós, criaturas finitas – e como resultado de nosso próprio pecado – Ele é o Deus santo e nós, os pecadores. Por isso, a imagem bíblica se refere a um Deus do céu, infinitamente distante, e a um homem da terra. Assim como é impossível ao ser humano tocar o limite do céu, é impossível chegar-se a Deus. O Deus distante.
Voltem para mim, e eu, o Senhor Todo-Poderoso, voltarei para vocês. Mas o Deus distante é o Deus de encontro. Na Sua graça e misericórdia tão infinitas quanto Ele mesmo – Ele que é amor e misericórdia em essência – Deus toma a iniciativa e vem até nós para nos encontrar. Ele espera corações ardorosamente desejosos por esse encontro transformador, mas a iniciativa sempre foi dEle.
Esse Deus de encontro e iniciativas deu o passo mais decisivo quando um dia, na plenitude dos tempos, se encarnou como um bebezinho no meio da Palestina tumultada pela dominação romana e o reinado de Herodes. O Deus de encontro veio se encontrar, pessoalmente, com a humanidade através de Cristo. Aliás, veio se encontrar conosco na própria pessoa de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. No Seu Ser, o Deus de encontro promoveu o encontro do Deus infinito com a humanidade passageira.
Por isso, em toda a Escritura, é constante o convite do Senhor para se encontrar conosco. O Seu coração anseia por esses encontros na mesma forma que os nossos deveriam ansiar. Mas para nós esses encontros são ainda mais fundamentais, porque nossa vida depende disso. Então vocês vão me chamar e orar a mim, e eu responderei. Vocês vão me procurar e me achar, pois vão me procurar com todo o coração (Jr. 29. 12 – 13). O tempo todo, na caminhada com Cristo, somos convidados a desenvolver uma relação íntima e pessoal com o Deus do Universo. Você tem noção do que significa isso? O Deus Todo-Poderoso, Senhor de todas as coisas, se importa tanto comigo e com você que deseja entrar em comunhão conosco. Ele vem ao nosso encontro e nos convida a nos encontrarmos com Ele. Todo dia, de toda forma, intimamente.
Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois eu virei morar com vocês! A vida com o Deus de encontro é festa e alegria na alma e no íntimo do coração. Ainda que hajam dores e lágrimas, onde o Senhor está há transbordante alegria da parte dEle. E essa alegria se converte em nossa força para suportar tudo e qualquer coisa. Se houver momentos tristes e dolorosos, o Deus que mora conosco – Ele vem morar conosco! – enche de alegria na Sua presença. Ele enxuga as lágrimas e conforta as dores.
Fico imaginando que não há alegria maior para o coração humano, não há alegria maior para o meu coração, do que a certeza de que o Deus de encontro mora comigo! Eu não sou merecedor disso, não é por nada que haja em mim, mas o Deus de amor e de encontro quer ter uma relação mais íntima e profunda comigo. E Ele mora comigo e a Sua alegria transborda em meio peito, domina a minha mente e impulsiona a minha vida. Consciente disso, nessa alegria extática – o Deus de encontro mora comigo! – só me resta celebrar: gritar, dançar, pular, perder o controle porque posso ter comunhão pessoal com o Deus vivo, Deus do universo, que quer se encontrar comigo. E com você. Faz você dançar, faz você cantar, faz você gritar bem alto, grite bem alto que Jesus Cristo é Rei.
P.S.: Faltei ontem. Foi o dia em que entregaria, finalmente, a primeira versão da minha dissertação de mestrado, mas várias coisas não deram certo. Além disso, à noite fui fazer uma palestra em uma escola na zona norte de Natal. Sinto muito a ausência não informada.
Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois eu virei morar com vocês!
Zacarias 1. 2 e 2. 10
O Deus a quem servimos se revela como Alguém que mora distante de nós, por natureza. É o Deus que está sentado no altíssimo trono de glória. É o Deus que, como gosta de dizer o meu pastor, mesmo que nós estejamos na porta do céu, ainda existe um mar imenso de cristal a nos separar dEle (Ap. 4). Um Deus de quem estamos distante por natureza – Ele é o Criador Infinito e nós, criaturas finitas – e como resultado de nosso próprio pecado – Ele é o Deus santo e nós, os pecadores. Por isso, a imagem bíblica se refere a um Deus do céu, infinitamente distante, e a um homem da terra. Assim como é impossível ao ser humano tocar o limite do céu, é impossível chegar-se a Deus. O Deus distante.
Voltem para mim, e eu, o Senhor Todo-Poderoso, voltarei para vocês. Mas o Deus distante é o Deus de encontro. Na Sua graça e misericórdia tão infinitas quanto Ele mesmo – Ele que é amor e misericórdia em essência – Deus toma a iniciativa e vem até nós para nos encontrar. Ele espera corações ardorosamente desejosos por esse encontro transformador, mas a iniciativa sempre foi dEle.
Esse Deus de encontro e iniciativas deu o passo mais decisivo quando um dia, na plenitude dos tempos, se encarnou como um bebezinho no meio da Palestina tumultada pela dominação romana e o reinado de Herodes. O Deus de encontro veio se encontrar, pessoalmente, com a humanidade através de Cristo. Aliás, veio se encontrar conosco na própria pessoa de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. No Seu Ser, o Deus de encontro promoveu o encontro do Deus infinito com a humanidade passageira.
Por isso, em toda a Escritura, é constante o convite do Senhor para se encontrar conosco. O Seu coração anseia por esses encontros na mesma forma que os nossos deveriam ansiar. Mas para nós esses encontros são ainda mais fundamentais, porque nossa vida depende disso. Então vocês vão me chamar e orar a mim, e eu responderei. Vocês vão me procurar e me achar, pois vão me procurar com todo o coração (Jr. 29. 12 – 13). O tempo todo, na caminhada com Cristo, somos convidados a desenvolver uma relação íntima e pessoal com o Deus do Universo. Você tem noção do que significa isso? O Deus Todo-Poderoso, Senhor de todas as coisas, se importa tanto comigo e com você que deseja entrar em comunhão conosco. Ele vem ao nosso encontro e nos convida a nos encontrarmos com Ele. Todo dia, de toda forma, intimamente.
Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois eu virei morar com vocês! A vida com o Deus de encontro é festa e alegria na alma e no íntimo do coração. Ainda que hajam dores e lágrimas, onde o Senhor está há transbordante alegria da parte dEle. E essa alegria se converte em nossa força para suportar tudo e qualquer coisa. Se houver momentos tristes e dolorosos, o Deus que mora conosco – Ele vem morar conosco! – enche de alegria na Sua presença. Ele enxuga as lágrimas e conforta as dores.
Fico imaginando que não há alegria maior para o coração humano, não há alegria maior para o meu coração, do que a certeza de que o Deus de encontro mora comigo! Eu não sou merecedor disso, não é por nada que haja em mim, mas o Deus de amor e de encontro quer ter uma relação mais íntima e profunda comigo. E Ele mora comigo e a Sua alegria transborda em meio peito, domina a minha mente e impulsiona a minha vida. Consciente disso, nessa alegria extática – o Deus de encontro mora comigo! – só me resta celebrar: gritar, dançar, pular, perder o controle porque posso ter comunhão pessoal com o Deus vivo, Deus do universo, que quer se encontrar comigo. E com você. Faz você dançar, faz você cantar, faz você gritar bem alto, grite bem alto que Jesus Cristo é Rei.
P.S.: Faltei ontem. Foi o dia em que entregaria, finalmente, a primeira versão da minha dissertação de mestrado, mas várias coisas não deram certo. Além disso, à noite fui fazer uma palestra em uma escola na zona norte de Natal. Sinto muito a ausência não informada.
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