28.1.06

Procurando a casa de Simão

Naquela cidade, morava uma mulher de má fama. Ela soube que Jesus estava jantando na casa do fariseu. Então, pegou um frasco feito de alabastro, cheio de perfume, e ficou aos pés de Jesus, por trás.
Lucas 7. 37 – 38

Você já deve ter ouvido isso, mas vale repetir. A mulher que invadiu a casa de Simão, o leproso, lavando os pés de Jesus com suas lágrimas, beijos e o caro perfume que carregava, era uma condenada. Prostituta, a ela era impossível sair daquela vida mesmo que quisesse, uma vez que não teria dinheiro algum para se purificar, segundo os ritos da religião judaica. Como prostituta, teria ganho o suficiente, mas seu dinheiro – ilícito – era amaldiçoado e jamais poderia pagar-lhe a pureza ritual. Mesmo que os homens com quem fosse para a cama fossem os maiorais da religião, ela mesma jamais deixaria de ser uma excluída da religião e da sociedade dos judeus.
A religião mata. Ela escraviza. Ela impede a liberdade. Essa mulher é nossa testemunha disso. Nenhum de nós é puro o suficiente para se achegar a Deus. Nem mais santo do que essa mulher pecadora. Nem melhor que ninguém. Mas assumimos o parâmetro religioso que nos faz achar que, por religiosos sermos, melhores somos que os demais. Achamos que a religião – que, em verdade, escraviza e mata – é nossa porta de liberdade: ao cumprirmos seus ritos e participarmos de seus cultos, ao assumirmos sua linguagem, ao nos inteirarmos de seus sentidos, achamos que conseguimos estar mais perto de Deus. Quando pode ser que exatamente oposto seja o caminho que tenhamos tomado.
Homens santos foram para cama com aquela mulher. E se achavam melhores que ela, a ponto de fechar-lhe as portas à salvação – como se ela, a salvação, fosse uma exclusividade religiosa. É triste ver que essa mentalidade de juízo está na mente do próprio Simão, que leproso, segundo o cognome, era tão impuro e rejeitado quanto a prostituta. A visão religiosa, elitista, ritualista estava em alguém que também era sua vítima: Quando o fariseu viu isso, pensou assim: “Se este homem fosse, de fato, um profeta, saberia quem é esta mulher que está tocando nela e a vida de pecado que ela leva” (Lc. 7. 39). Como se a cultura da exploração usasse os explorados para se perpetuar. E, assim, Simão, além de leproso, era fariseu.
Se dependesse da religião para ser salva, a prostituta jamais encontraria paz. Mas ela ouviu falar de Jesus. Nenhum evangelista nos conta como ela ouviu falar. Nenhum nos diz como ela entrou naquela festa privada em que o leproso recebia Jesus. O evangelho só nos mostra uma mulher cônscia de seu pecado e de sua incapacidade de encontrar a salvação por si só. O evangelho apresenta uma mulher que encontra a paz de Jesus, aos pés de Jesus.
O desafio que me foi posto hoje é de me saber como essa prostituta. Eu sou como ela. Pecador impuro irremediável segundo os parâmetros da religião. Desesperado para ser reconstruído, por uma nova chance na vida. Profundamente cônscio de meu afastamento de Deus, ao mesmo tempo em que tremendamente sedento por uma relação mais plena e íntima com Jesus. Alguém que O quer buscar e encontrar. Que já descobriu que é mais fácil achá-Lo em mais improváveis lugares, uma vez que nos lugares que dizem tê-Lo, nunca mais O viu. Preciso encontrá-Lo de novo. E talvez tenha de encontrá-Lo na casa impura de Simão. Tendo Seus pés ungidos pelas lágrimas de uma impura prostituta. Preciso, em suma, de um reencontro com Jesus. Estou ferido.
E lamento perceber que eu não sou o único ferido pela Igreja/Religião. Muitos de nós carecem de um encontro renovador com Jesus. Estive em Fortaleza esta semana e o que mais ouvi foram os lamentos de feridos, machucados e excluídos da Igreja que se chama cristã. Muitos irmãos meus na mesma dor e no mesmo sofrimento. Muitos decepcionados com a religião que mata. Ansiosos por um reencontro com Jesus, já que a Igreja os tirou da comunhão com Ele. Muitos como aquela prostituta – desesperada por Jesus, excluída pela religião.
Sinto-me sujo. Sinto-me cansado. Sinto-me ferido e magoado. Esta semana, antes de ir ao Ceará, tomei uma decisão que ruminava há meses. Decisão que começou a se construir quando percebi que a minha igreja, em vez de me aproximar de Jesus, estava me afastando dEle. E conseguiu tanto me afastar que, por meses, parei de testemunhar do Senhor. Sentindo-me afastado do Senhor, decidi procurá-Lo outra vez. E, para isso, deixei a 1ª IPI do Natal esta semana. Sou oficialmente um sem igreja. Espero que por pouco tempo.
Estou frustrado e ferido pela igreja. Há uma Igreja na qual devemos crer. Ela não tem paredes, templos ou placas. Ali, Jesus está festejando com pecadores terríveis, como eu e a prostituta. Estou procurando Jesus em alguma casa de Simão.

21.1.06

Babel

Agora vamos construir uma cidade que tenha uma torre que chegue até o céu. Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo inteiro.
Gênesis 11. 4

A vida é muito sem sentido. Todo ser humano precisa experimentar essa sensação e superá-la para ter sua saúde mental e espiritual preservada. Cada um de nós precisa experimentar a verdade de que tudo na natureza precisa ter uma finalidade, menos a nossa própria vida racional. Não há, aparentemente, uma causa lógica para a nossa existência inteligente neste planeta. Muito mais porque nossa presença aqui parece ser muito mais destrutiva do que abençoadora. A vida humana não tem sentido, se vista de uma perspectiva unicamente racional.
É por isso que nossa luta diária é dar sentido à vida. Quando vamos para a escola, a finalidade de nossa vida é concluir os estudos. Quando entramos na faculdade, nosso objetivo passa a ser a graduação. Depois, pós-graduação, vida profissional, aposentadoria. Quando descobrimos o amor, objetivamos casar. Depois de casar, criar os filhos passa a ser o sentido de nossas vidas. Corremos em busca de significado. Precisamos fazer nossas vidas significativas.
Obviamente, há uma fagulha em nós que, por mais ateus que possamos ser, nos indica que a vida só tem sentido se houver um Deus que a criou. Sem Ele, se tudo fosse fruto do acaso, tudo o que vivemos e experimentamos não passaria de pura ilusão construída em nossas mentes doentias, que buscam um sentido para as coisas. Mas eu penso que só o fato de que precisamos dar sentido às coisas é forte o suficiente para que eu e você creiamos que há um sentido para as coisas. Elas não são aleatórias.
Deus é um Deus que quer ser encontrado. A Bíblia mostra isso. Encontrá-lo é encontrar de forma mais plena o significado da vida. Mas ao mesmo tempo que Deus quer ser encontrado, o homem quer se perder dEle. Porque queremos viver da forma mais autônoma possível. E nessa situação de afastamento, a humanidade terminou perdendo o contato com o Seu Criador.
É mais ou menos esse o relato de Gênesis 6. O texto nos diz que os homens começaram a se espalhar pela face da terra e a maldade cresceu tanto que Deus resolveu aplicar o juízo do dilúvio, reiniciando a história humana a partir de Noé e sua família. O que está implícito nessa história tem se repetido ao longo dos milênios de história humana: o homem se afastou tanto de Deus, em busca de sua autonomia, que o Senhor se lhe tornou um perfeito desconhecido – mesmo que o coração do homem grite desesperadamente por sentido na vida. O afastamento foi tamanho que gerou, em muitos corações sinceros, a honesta crença no ateísmo. O pessimismo do pecado humano originou gerações de agnósticos. Gente que se rendeu à falta de sentido e significado da vida.
Mas o afastamento de Deus ao longo das gerações faz outra coisa no coração do homem. Ali, ainda aquela chama. Ali, o homem ainda sabe que a vida deve ter um sentido além do que é capaz de ver no ordinário. Porém, como alguém que já não reconhece o seu melhor amigo, o homem tenta construir por si só um caminho para chegar até Deus. Esqueceu que Deus é o Senhor que vem em busca do homem para resgatá-lo. Esqueceu que não há nada que mãos humanas possam fazer para alcançar o Senhor. Esqueceu que o amor de Deus pelo homem é tamanho que Ele morreu por nós.
Aqueles que ainda buscam sentido e querem experiências espirituais, constroem sua religião. Fazem sua torre, como em Babel. A origem da religião é isso. Agora vamos construir uma cidade que tenha uma torre que chegue até o céu. Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo inteiro. A religião é a torre de Babel que o homem constrói para chegar até o Deus que ele sabe ser o Único sentido da vida. Trabalho em vão. Vamos descer e atrapalhar a língua que eles falam, a fim de um não entenda o que o outro está dizendo (Gn. 11. 7). Não é isso que Deus planeja para saciar nossa sede por sentido. Ele já a supriu, vindo a nós em Jesus Cristo, dando a Sua vida em nosso lugar, vivendo a nossa vida, morrendo a nossa morte, para que possamos restaurar em nosso coração o íntimo contato e relação com o Criador. Para que o sentido seja retomado em nossa vida.
Deus destruiu os planos dos homens que fizeram Babel. Deus destruiu o templo que levava Seu nome em Jerusalém. Deus fará sempre isso com toda religião, porque religião não é o caminho para se chegar a Ele. Religião nos mata, afasta e decepciona muito mais, porque mostra um mundo morto, sem Deus e sem sentido. O caminho já foi estabelecido na Cruz. Por isso, Ele não quer religiosos. Ele busca adoradores. Mas virá o tempo, e, de fato, já chegou, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade. Pois são esses que o Pai quer que o adorem (Jo. 4. 23).

18.1.06

Fora dos padrões

Então o Senhor passou por ali e mandou um vento muito forte, que rachou os morros e quebrou as rochas em pedaços. Mas o Senhor não estava no vento. Quando o ventou parou de soprar, veio um terremoto; porém o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto veio um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo veio uma voz calma e suave.
1 Reis 19. 11 – 12

Já pensei várias vezes nesta passagem da história de Elias. Já escrevi sobre ela, inclusive. Mas ela sempre me fala muitíssimo. E me fala de novo. Esses dias tenho tido a experiência de voltar a viver na pele uma parte do que me ensina esse texto.
Uma coisa que surpreende no texto é a constatação de que Deus não se manifesta de uma maneira que se pudesse esperar para o profeta. Depressivo, andando há quarenta dias, pedindo para morrer, Elias tem uma experiência de restauração inusitada. Deus vem a ele para livrá-lo, não em um culto, não em um templo, não em qualquer forma religiosa esperada, nem muito menos de alguma maneira espetacular ou por um sinal milagroso. Deus vem a ele em uma voz suave, um vento fraco. E lhe fala e lhe restaura, renovando suas forças.
O que alguns de nós tem aprendido a experimentar é que Deus não está preso aos pressupostos, paradigmas e regras de nossos cultos religiosos. O principal aspecto que vejo nessa história de Elias é que Deus é soberano, mesmo quando nós, humanos, tentamos afirmar um deus moldado segundo o nosso querer. Todos nós, quando religiosos, construímos uma imagem de nosso deus. Nossas igrejas fazem isso. Desse modo, Deus só poderia nos restaurar de uma situação como a de Elias por meio de um sinal visível, de uma oração de poder, de uma revelação ou um milagre inefável. Qualquer coisa fora desse modelo e dessa imagem que construímos em nosso coração do deus que achamos servir, nos choca e nos escandaliza: Não é Deus ou Não vem de Deus, bradamos de imediato. A história de Elias nos mostra um Deus que se manifesta independentemente dos padrões e expectativas humanos.
Lembro que há dois anos choquei um presbítero de minha igreja quando lhe falei que Deus tinha usado uma música dos Titãs para me restaurar de uma severa crise. Não fuja da dor era a música e falava, de maneira profundamente bíblica – ao menos para mim – sobre a melhor forma de encarar o sofrimento e de como a dor é pedagógica. As pessoas são assim: se acham proprietárias de Deus. As nossas igrejas são assim: acham que só há uma forma de cultuar a Deus – o culto correto é o de Jerusalém ou da Samaria (Jo. 4. 20 – 21). Qualquer coisa que fuja ao script ou ao modelo pré-estabelecido, é rechaçada.
Era de se esperar que na difícil situação do profeta Elias a sua cura viesse de uma maneira diferente. Se ele fosse membro de uma de nossas igrejas, supomos, era de se esperar que ele fosse atrás de pastor Fulano ou Beltrano, homens de poder; ou iria a um culto de oração “de fogo”; ou visitaria uma igreja que fosse reconhecida como “de milagres”. É esse preconceito que o nosso texto quebra. Então o Senhor passou por ali e mandou um vento muito forte, que rachou os morros e quebrou as rochas em pedaços. Mas o Senhor não estava no vento. Quando o ventou parou de soprar, veio um terremoto; porém o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto veio um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo veio uma voz calma e suave. Deus não está preso às nossas expectativas ou aos nossos padrões. Ele é o Senhor, não nós.
Voltei a pensar nesse assunto por uma experiência que tive semana passada. Viajei a João Pessoa para conhecer uma parte de minha família que não conhecia ainda. Apesar de uma parte considerável de minha família, inclusive em João Pessoa, ser evangélica, convivi por lá, basicamente, com cinco primos que não são. E quando, talvez, nosso espírito religioso pudesse esperar que isso poderia me empurrar mais para baixo, ao contrário, senti que Deus começou a restaurar algumas coisas quebradas em minha alma a partir do relacionamento com esses jovens – primos em segundo grau, quero esclarecer – que, aos olhos dos religiosos evangélicos, não querem nada com Deus. Mas foram e tem sido bênção de Deus na minha vida. Ensinando-me, inclusive, a quebrar ainda mais meus preconceitos: Deus não está preso ao que penso dEle. Ele não está preso à forma como agiu ontem. Não está preso à maneira como a igreja O vê. Não está preso ao culto. Não está preso à igreja. Nem age apenas de certas maneiras e não de outras. Deus é livre. Ele age e nos abençoa, sempre, das maneiras mais surpreendentes. Eu sei disso porque estou vivendo isso. Então o Senhor passou por ali e mandou um vento muito forte, que rachou os morros e quebrou as rochas em pedaços. Mas o Senhor não estava no vento. Quando o ventou parou de soprar, veio um terremoto; porém o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto veio um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo veio uma voz calma e suave.

2.1.06

Ainda vale a pena orar

Ele me escutou e ouviu o meu pedido de socorro
Salmo 40. 1

Um culto muito abençoado me tocou a alma ontem à noite. Entre tantos momentos especiais, a presença viva de uma irmã muito querida foi emocionante. Em meados de novembro eu estive em um hospital a fim de visitar sua família. As notícias que tínhamos eram as piores possíveis. Fui ao hospital com a pior das expectativas. Ontem, Eliane testemunhava, com a própria vida, o milagre realizado pela poderosa mão de Deus.
Agradeci a Eliane ao fim do culto porque era disso mesmo que eu precisava: ver e tocar um milagre de Deus. Porque o Deus maravilhoso é um Deus de milagres, ainda que nem sempre nos lembremos ou vivenciemos essa realidade. Às vezes nos afogamos em nossas dores. Às vezes nos deixamos levar pelos nossos pecados. Às vezes apenas nos desanimamos sem motivos aparentes. E nessas horas, nossos olhos deixam de ver o Deus de milagres e Sua ação fantástica.
Deus responde orações, foi o ensino que recebi ontem. Apesar de nós e não por nossa causa. Ele me escutou e ouviu o meu pedido de socorro. Por causa de Seu amor infinito e não porque sejamos de algum modo merecedores. Fiquei a pensar, então, em tantas respostas de oração, mais ou menos rápidas ou complexas, que experimentei na vida – ou testemunhei – apesar de mim mesmo.
Ontem mesmo, teve um desses momentos. Na celebração da Ceia, o irmão que serviu a Ceia para mim, lamentavelmente, estava extremamente carrancudo. Eu pensei na hora em como alguém pode ficar tão carrancudo na celebração de uma festa tão maravilhosa como é a Ceia do Senhor. E, em conseqüência, pedi a Deus que me desse um motivo para ainda ficar na minha igreja. Quando voltava para casa, de carona com um casal amigo, ambos confessaram o amor que têm por mim. Afirmaram que me vêem como um modelo na igreja. E, daquele modo, fui respondido. Deus me deu uma resposta à minha prece, apesar de mim: apesar de quem sou, sou um modelo de imitação de Cristo para alguém naquele lugar. Não posso decepcioná-los.
Outro momento de resposta fantástica de oração comigo aconteceu ano passado. Tinha passado na seleção do mestrado, mas não sabia como ia ser, sem salário, sem trabalho, sem bolsa. Numa noite de quarta-feira, tranquei a porta de meu quarto e orei, pedindo a Deus que interviesse nessa questão. Eu disse a Ele que Ele sabia melhor que eu o quanto eu precisaria de uma bolsa para fazer o mestrado. Na manhã seguinte, uma quinta, ligaram para mim da secretaria do programa de mestrado perguntando se eu estava interessado numa bolsa. Eu havia sido o quinto colocado na seleção. Eram só duas bolsas disponíveis. Dois entre os quatro primeiros colocados tinham aberto mão do direito da bolsa. Não sobrava nada para mim. Quando tentei saber que história era essa, fiquei sabendo que essa era uma bolsa que o programa possuía mas não estava usando. A pró-reitoria responsável na universidade se comunicou com o programa questionando se havia o interesse de mantê-la, se não ela seria passada a outro programa. E daí eu recebi a bolsa. No último dia possível, já que na sexta-feira a universidade enviaria a lista dos bolsistas à CAPES. Glória a Deus que ouve a nossa oração.
Foi através da oração que Deus levantou Eliane do leito de morte. E muitos outros. É através da oração que Deus nos mantém respirando espiritualmente falando. É ela que nos restaura, nos vivifica, nos transforma. É por meio dela que vêm as maiores bênçãos que o Senhor tem para nós. Ore mais, ore sempre. Por isso, eu digo: peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate. Por acaso algum de vocês será capaz de dar uma cobra ao seu filho, quando ele pedir um peixe? Ou, se o filho pedir um ovo, vai lhe dar um escorpião? Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos. Quanto mais o Pai, que está no céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem! (Lc. 11. 9 – 12).

24.12.05

É Natal

Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino.
Isaías 9. 6

Essa é uma noite importante. E por causa dela, eu estou escrevendo a vocês para transmitir meus votos de um Feliz Natal. Natal é isso: é a festa de celebração de um aniversariante que tem sido deslocado do Seu lugar desde que a Coca-Cola pôs uma roupa vermelha em São Nicolau e transformou o evento festivo em desculpa comercial.
Mas o comércio tem razão de ser nesta noite. Afinal, se fundamenta no fato de que os magos foram à Palestina prestar suas homenagens e dar os seus presentes ao rei dos judeus. No entanto, ao contrário do que faz crer a imagem tradicional do presépio, aqueles magos – que não sei se eram reis nem se eram três – devem ter chegado a Belém quando Jesus já tinha uns dois anos. E O encontraram, obviamente, não mais na manjedoura, mas em casa (Mt. 2. 11). Mas mesmo aí o grande homenageado é o Dono da Festa: Jesus. Que cada vez menos lugar encontra nos dezembros de todo o mundo.
Natal é festa de família. Afinal, naquela noite só havia a pequena família nuclear de José. Nascia o primeiro filho do casal – se bem que José sabia muito bem que não era o pai daquela criança. Porém o Pai Celeste não iria deixar Seu Filho amado, Redentor do mundo, isolado naquela noite. Haveria celebração. E os anjos apareceram. E os pastores foram ver a pequena família. E o estábulo ficou cheio de fé e de alegria – em comunhão familiar: Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem Ele quer bem! (Lc. 2. 14).
O sol da justiça veio ao mundo (Ml. 4. 2). No entanto, como diz uma amiga minha no seu apelido do Messenger, só comemoramos o Natal porque houve a Páscoa. Ao contrário do que somos empurrados a pensar, não é o Natal a principal festa cristã. A nossa maior celebração, a maior festa, a maior comemoração, a maior causa de louvor e glória, é a Páscoa, não o Natal. O Natal não significaria nada para nós se Jesus não tivesse morrido e ressuscitado. A mensagem que muda o mundo é a mensagem da Páscoa de Jesus. É a Páscoa de Jesus que nos faz nascer de novo.
Jesus viveu, porém, uma vida só. Ele nasceu. E é isso que celebramos hoje. Em família – porque mesmo que estejamos sós, se Jesus estiver celebrando conosco, os anjos vêm para a nossa festa familiar –; com presentes; com fé e alegria. Com vida. E vida plena. Os meus votos a todos e todas é que o Sol da Justiça, o Deus de Amor – Jesus – resplandeça no coração de todos esta noite, apontando a Páscoa e a vida eterna para aqueles que crêem em Seu nome.