13.8.06

A pergunta

Quem vocês dizem que eu sou?
Mateus 16. 15

Como o Novo Testamento se constrói em cima da fundamental questão acerca de quem é Jesus na história humana e na história dos homens, acho provável já ter escrito antes sobre esse assunto. Mas fui motivado a pensar mais uma vez sobre a questão a partir de uma pregação que ouvi esta manhã na Igreja Batista da Esperança, aqui no Rio.
A resposta existencial mais importante que alguém tem a dar é a essa pergunta. O que pensamos ou sabemos de Jesus define por inteiro o tipo de vida que levamos diante dEle e o tipo de relacionamento que podemos manter ou não com Ele. A Bíblia deixa isso claro, particularmente neste texto.
Antes de ouvir dos discípulos o que eles pensam acerca de Si mesmo, Jesus interroga-os sobre as opiniões correntes entre o povo, nas ruas, casas e sinagogas. As imagens de Jesus que aparecem nessas respostas não são muito diferentes das imagens que as pessoas de nossos dias ainda têm de Jesus. Mais do que pensar se as pessoas consideravam Jesus como ressurreição de algum dos antigos e eminentes judeus, suponho que seja interessante pensar no que cada figura citada representa.
Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum outro profeta (Mt. 16: 14). Ainda que apareçam quatro respostas distintas, enxergo aí três imagens de Jesus. A primeira mostra que as pessoas viam Jesus como alguém que trazia uma dura mensagem de juízo. Jesus era visto como um pregador da calamidade, um pregador da culpa e do castigo do povo, mais ou menos como o era João Batista. Como se Jesus estivesse exercendo um ministério que apenas fosse a continuidade do ministério do Batista. O povo tinha motivos para pensar isso: Jesus começou pregando basicamente a mesma mensagem de João e só começou Sua vida pública após o batismo, como se precisasse da unção e da autoridade de João.
Lamentavelmente eu vejo esse pensamento sobre Jesus especialmente vivo em meios religiosos. Ambientes que, independente se da tradição protestante ou católica, não enxergam a presença da graça, viva e renovadora do Cristo vivo. Entendem-no como um preceituador moralista de bons costumes e de regras de vida, mesmo que consigam revestir isso de uma aura de profunda e dedicada espiritualidade.
A segunda imagem, que aparece na referência a Elias, é a do operador de sinais. O ministério de Elias é marcado por sinais e milagres a todo tempo. As pessoas viam Jesus também como um fazedor de sinais: iam atrás dele para terem suas enfermidades curadas, para verem demônos sendo expulsos, para ouvirem mudos falarem e se maravilharem com cegos que vêem e surdos que ouvem. Ainda mais: seguem Jesus porque sabem que Ele multiplica pães e peixes para alimentar multidões (Jo. 6).
Se haviam pessoas assim no meio do povo enquanto Jesus andava na terra, muito mais existem agora. Pior: existem ministérios que se constroem unicamente na afirmação de que Jesus é um fazedor de milagres. Ele realmente faz milagres, mas seguí-Lo por esse motivo se assemelha a construir a casa sobre a areia - ou desconsiderar Seu ensino e a inteireza de Seu ministério.
Conheço pessoas que circulam entre círculos de oração e trabalhos nas mais diferentes casas e nas mais diversas igrejas unicamente porque seguem um Jesus que faz milagres. Esquecem de viver com Ele, Amigo e Companheiro, com o Consolador Espírito e na comunhão do Pai no dia a dia e a cada instante. Vivem pelos milagres. E só por eles.
Por fim, a terceira imagem é a do reformador. Jesus era comparado a Jeremias e aos demais profetas. Quando vejo o nome de Jeremias aqui penso em um reformador da religião. Os judeus acreditavam que Jesus podia ser o tão esperado Messias guerreiro que restauraria todas as coisas - inclusive o reino - em Israel.
Hoje em dia, muitos são capazes de exaltar a ética de Jesus, expressa especialmente no Sermão da Montanha, sem assumirem compromisso mais profundo com Ele. Não querem se tornar discípulos ou então consideram-se discípulos porque procuram viver as práticas dessa ética. Vêem Jesus como um Mestre de ética, como um reformador. É assim que O vêem os judeus hoje, mas também muitos outros, inclusive dentro de nossas comunidades.
O que muda tudo é o entendimento da questão que só pode ser trazido por revelação do Espírito. Reconhecer a identidade real de Jesus só pode ser obra de Deus na vida do homem. O Senhor é o Messias, o Filho do Deus Vivo (Mt. 16. 16). Jesus diz a Pedro que essa revelação lhe foi dada diretamente pelo Pai, porque de si o homem não pode alcançar e reconhecer quem é Jesus. E entender quem é Jesus muda tudo. Muda nossas relações, nosso modo de ver o mundo, nossos planos, nossos desejos. Muda nossa relação com Ele porque quando O vemos como Ele realmente é - o Filho de Deus, o Deus Filho -, descobrimos que tudo o que precisamos e tudo o que queremos é conhecer a Jesus profunda e intimamente. Tudo o que buscamos, a partir de então, é o Senhor. Conhecê-Lo. Investir no relacionamento pessoal com Ele. E permitir-se viver na realidade e concretude da Sua vida em nós.

28.6.06

Caos

Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?
Marcos 4. 40.

Em muitos momentos de minha vida, talvez o atual, minha resposta têm sido: Eu tenho medo porque não tenho fé! Não conheço muitas pessoas que confessem isso com muita tranqüilidade. Não conheço muitas pessoas que tenham muita facilidade em admitir que estão apavoradas, tementes e que, sem entender muito bem porque, enfrentam crises de fé. De dúvida. De incerteza. E se nada disso fosse verdade?
Esse sentimento, para mim, me joga em um mundo caótico. A sensação é de pleno caos. Caos à minha volta. Caos dentro de mim. Caos insolucionável, a não ser por meio de uma interferência premente do Senhor Jesus. O caos do medo só se dissipa por meio da ação direta de Deus, o Criador da fé.
O caos pode estar à nossa volta. Jesus e os discípulos atravessavam o lago da Galiléia. De repente, o vento sopra forte contra o barco, o mar se revolta. Os discípulos temem enquanto Jesus dorme. Assustados e irritados, os discípulos acordam Jesus: Mestre! Nós vamos morrer! O senhor não se importa com isso? (Mc. 4. 38).
O caos à volta faz os discípulos temerem pelas próprias vidas. E o Senhor, dormindo, parece distante demais dos seus problemas. Parece não se importa com aqueles que devotam suas vidas em seguí-Lo. O caos à volta os faz desesperar.
Até que Jesus se levanta e, falando contra o vento e o mar, restabelece a ordem e a paz: Silêncio! Fique quieto! (Mc. 4. 39). O vento e o mar param. O caos se dissipa. Por uma ação direta do Senhor que, de uma forma ou de outra, também restabelece a fé dos discípulos, a certeza de que eles estão diante do Divino naquele barco: Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?! (Mc. 4. 41).
O texto diz que os discípulos ainda temiam, mas agora o temor era de outra ordem. Era o temor de um coração que se depara com o Santo! A presença do Deus Santo, o Senhor Jesus, dissipou o caos, restabeleceu a ordem da Graça e do Senhorio no ambiente.
Mas o caos pode estar dentro de nós. O evangelho continua dizendo que, ao chegar na outra margem, Jesus encontrou um homem que vivia em um lugar bem tranqüilo – ou um cemitério não é lugar tranqüilo? Mas esse homem vivia o caos dentro de si. Pelo menos dois mil demônios – uma legião – dominava aquela pessoa. Forte, quebrava tudo. Dentro de si, o mundo vivia em erupção. Nada estava certo. Eram no mínimo duas mil personalidades diferentes que tentavam ter ali o controle. Situação caótica dentro daquele homem.
O caos às vezes está dentro de nós. Mesmo esse caos precisa de uma intervenção do Deus da Criação. É a presença de Jesus naquele encontro quem liberta o homem do seu caos interior. É Jesus quem o livra daquela possessão que o tornava um caos. E ele, agora, estava sentado, vestido e no seu perfeito juízo (Mc. 5. 15), para espanto das testemunhas do milagre de pôr fim ao caos.
O caos está à minha volta mas o caos está principalmente dentro de mim porque me falta fé e, desse modo, eu temo. Temo as coisas que me aparecem no futuro. Temo o fim de todas as coisas. Temo que esteja andando sem Jesus. Tudo o que preciso é restaurar a minha fé por meio de um encontro pessoal com o Filho de Deus, Jesus, que com uma palavra nos cura e dissipa todo o caos, à volta ou de nós. Ora, vem, Senhor Jesus!

14.6.06

Liberdade

Alguns dizem assim: "Podemos fazer tudo o que queremos". Sim, mas nem tudo é bom. "Podemos fazer tudo o que queremos", mas nem tudo é útil.
1 Coríntios 10. 23

Liberdade exige responsabilidade. É por isso que muitos de nós preferem ser prisioneiros. O prisioneiro não tem liberdade mas também não tem qualquer responsabilidade por suas ações e sua vida. Ela, a vida, é condicionada pelas regras e paredes que constituem sua prisão. Sua vida tem limites claros definidos por aquilo que o prende.
Se está em uma prisão física, não tem muito o que fazer. Logo, não precisa responder muita coisa – responsabilidade significa a capacidade de dar resposta pelos seus atos. Preso, encarcerado entre quatro paredes, não age muito para precisar responder. E, ainda que aja, na maioria das vezes segue ordens, obedece e faz o que outros mandam. São os outros – os que o prendem – os responsáveis pelos seus atos.
Ser prisioneiro – no que pese o fato de não ter liberdade – não é tão difícil quanto queremos crer. A gente prefere ser prisioneiro a ter liberdade. A gente sabe, ainda que inconscientemente, que ser livre implica se responsabilizar pelo que faz. E a gente não quer se responsabilizar.
A gente age como age porque nossos pais não souberam nos criar, porque fomos abusados na infância, porque somos pecadores, enfim, nunca assumimos a nossa responsabilidade por nossos atos: sempre a culpa é dos outros – sempre eles são os responsáveis.
Mas liberdade é responsabilidade. Especialmente na vida cristã. A vida da graça é a vida da liberdade. É a vida do podemos fazer tudo o que queremos. Mas também é a vida do mas nem tudo é bom, nem tudo é útil. O que complica a nossa vida nessa hora é que Deus coloca em nós a liberdade e a maturidade para que sejamos responsáveis de saber o que convém, o que é bom e o que é útil, em todas coisas que nos são lícitas fazer. Paulo está nos dizendo que somos livres, enquanto cristãos, mas que somos responsáveis por saber que nossa liberdade não significa que tudo o que podemos fazer pode ser feito. Mas tenham cuidado para que essa liberdade de vocês não faça com que os fracos na fé caiam em pecado (1 Co. 8. 9).
Então, deparados com a liberdade revolucionária da graça, preferimos a prisão por não querermos nos responsabilizar por nossos atos. Temendo a liberdade, preferimos as regras, as normas, a Lei, para que ninguém debande para a libertinagem – nem nós mesmos – uma vez que não aprendemos nem queremos viver de maneira responsável.
Por isso, é fácil o sentimento religioso de que viver com Cristo é cumprir normas. Mas esse sentimento não tem fundamento bíblico. Ser santo, na Bíblia, não é seguir normas – não é adotar certos estilos de comportamento. Não é fazer – ou deixar de fazer – um monte de coisas, como parecem acreditar parte considerável dos cristãos. Aliás, esse sentimento não é novo e já era combatido por Paulo como mundanismo: Então, por que é que vocês estão vivendo como se fossem pessoas deste mundo? Não obedeçam mais a regras como estas: "Não toque nesta coisa", "não prove aquela", "não pegue naquela". Todas essas proibições têm a ver com coisas que se tornam inúteis depois de usadas. São apenas regras e ensinamentos que as pessoas inventam (Cl. 2. 20 – 22).
Muitos de nós procuram regras religiosas, normas e Leis simplesmente porque não se sentem capazes de serem responsáveis por si só. Alguns não entenderam que a graça liberta. Outros não quiseram entender e preferem a Lei à graça porque a Lei torna a vida mais fácil à medida que me tira a necessidade de responder por meus atos – eu não preciso pensar no que faço, nem preciso responder por minhas ações; eu só preciso fazer o que mandam o pastor, a Igreja e as leis que assumi como minhas. Eu não preciso de liberdade porque não quero ser responsável e, assim, opto por não experimentar a vida na liberdade da graça – barateando o sacrifício de Cristo e tornando a Sua morte unicamente o passaporte para o Céu e não a entendendo como o Caminho para uma vida abundante e verdadeira a partir de agora até a eternidade. Porque eu prefiro seguir regras a viver.

6.6.06

Sobre o orgulho

Ó Senhor Deus, eu já não sou orgulhoso; deixei de olhar os outros com arrogância. Não vou atrás das coisas grandes e extraordinárias que estão fora do meu alcance.
Salmo 131. 1

Quantas coisas são inalcançáveis para nós! Na nossa relação com Deus entramos em uma dimensão em que, mesmo as coisas nos dizendo respeito, são coisas que não são para nós: estão longe e além de nós.
No entanto, a religião é uma cilada eficaz que pavimenta nosso caminho até a arrogância. A arrogância que nasce da sensação de nos sentirmos proprietários do Divino. Se o compreendemos por inteiro, somos donos dele.
O místico e o espiritual existem na dimensão do que extrapola nossa capacidade intelectual. O âmbito de nossa comunhão íntima com o Pai não é a racionalidade pura, mas a experiência: a amizade, o afago, o afeto.
A experiência não pode se tornar em um termo de posse espiritual. A experiência é a liberdade da vida em comunhão. Apenas o pensamento religioso se supõe possuidor e dono da experiência espiritual. Desse modo, a encarcera nos moldes cúlticos, teológicos e religiosos que se coadunam com a religiosidade do sujeito.
O religioso reafirma, como única forma válida, a sua forma particular de expressar fé e culto a Deus. Ele enquadra tudo na sua fôrma e tudo o que a supera ou foge dela não é reconhecido como santo. Ele reduz a experiência e vida de fé à racionalidade religiosa, manifesta nos moldes de uma arrogância que supõe a compreensão racional do que envolve a relação com Deus: coisas que estão além do racional.
Ó Senhor Deus, eu já não sou orgulhoso; deixei de olhar os outros com arrogância. Não vou atrás das coisas grandes e extraordinárias que estão fora do meu alcance. O ser que encontra a esperança, a confiança e o descanso na experiência de comunhão íntima com o Senhor – o adorador – reconhece a cilada da racionalidade: a cilada da arrogância. O adorador fiel se liberta da tentação da arrogância religiosa e se rende à experiência da vivência íntima com Deus. Abre mão do compreendo a Deus e o que Ele faz e vive a dimensão da fome e da sede insaciáveis por mais dEle.
Paulo relata uma experiência que lhe ensina algo semelhante ao que aprendeu o salmista: Embora não adiante nada, eu preciso me gabar de mim mesmo. Agora vou falar a respeito das visões e revelações que o Senhor tem me dado. Conheço um cristão que há catorze anos foi levado, de repente, até o mais alto céu. Não sei se isso, de fato, aconteceu ou se ele teve uma visão; somente Deus sabe. Repito:sei que esse homem foi levado, de repente, ao paraíso. Não sei se isso, de fato, aconteceu ou se foi uma visão; somente Deus sabe. E ali ele ouviu coisas que palavras humanas não conseguem contar. Eu me gabarei desse homem. Mas não me gabarei de mim mesmo, a não ser das coisas que mostram as minhas fraquezas. No entanto, se eu quisesse me gabar de mim mesmo, isso não seria uma loucura, porque estaria dizendo a verdade. Mas eu não me gabarei, pois quero que a opinião que as pessoas têm de mim se baseie naquilo que me viram fazer e me ouviram dizer (2 Co. 12. 1 – 7). Mesmo tendo visto e ouvido coisas inimagináveis, Paulo se põe em seu lugar humilde. Ele não possui nenhuma dessas coisas. Apenas as experimentou. É Deus quem possui Paulo, não o contrário.
Assim como Paulo e o salmista compreenderam isso, espero que eu e você possamos viver a experiência da intimidade com o Senhor, abandonando toda religiosidade arrogante.

28.5.06

Abandonado

Quando as altas autoridades da Babilônia enviaram mensageiros a Ezequias para fazerem perguntas sobre o milagre que havia acontecido em Judá, Deus não o ajudou, pois queria pô-lo à prova a fim de descobrir o que estava no fundo do seu coração.
2 Crônicas 32. 31

Muitas histórias na Bíblia – e em nossa vida pessoal – ilustram o sofrimento e a angústia provocados pela sensação de se sentir só e abandonado. Às vezes, em meio a tantos problemas e momentos difíceis, tudo o que precisamos é de alguém ao nosso lado. No mais das vezes, voltamo-nos em angustiosa oração ao Pai e aguardamos, ansiosos, pelo Seu toque, pela Sua cura, Sua resposta. Porém, não são poucos os momentos em que Ele se cala.
É difícil para nós entendermos porque Deus silencia ou porque fica ausente. Na angústia, clamamos. Na dificuldade, oramos. Precisamos do Seu toque e cuidado. Não entendendo, sentimos Deus ausente. Como se tivesse nos abandonado com nossa dor. Como se nossas orações não passassem do teto.
Procuramos mil e um motivos, na ansiedade por descobrir uma razão disto. Na nossa mentalidade religiosa, buscamos em nós a resposta: seria nossa culpa, por um pecado inconfesso? Estaríamos respondendo pela conseqüência de alguma omissão nossa? Responder essas questões afirmativa é a primeira e mais fácil resposta que podemos encontrar.
Quando as altas autoridades da Babilônia enviaram mensageiros a Ezequias para fazerem perguntas sobre o milagre que havia acontecido em Judá, Deus não o ajudou, pois queria pô-lo à prova a fim de descobrir o que estava no fundo do seu coração. Sempre me chamou a atenção esse texto. Deus não abandonou Ezequias por qualquer pecado ou como conseqüência de qualquer ato. O motivo de Deus é claro no texto: testar o coração do Rei. Quer dizer, descobrir quais as motivações, descobrir o que ia no coração de Ezequias.
Deus faz isso conosco. Afasta-se de nós para provar que tipo de relação temos construído com Ele. Por que andamos com Ele? Se for amor nossa motivação, ainda que tenhamos a sensação de estarmos sozinhos, longe dEle, não conseguiremos nos desligar. Se, no entanto, tivermos construído uma relação superficial com o Pai, esse teste será definitivo para provar a fragilidade de quem somos e de nossa fé.
Esse é parte do sentido da prova de Jó. Deus testa sua motivação em seguí-lo. Em sua perseverança – às vezes, teimosa – Jó prova a honestidade de suas motivações em buscar ao Senhor. Ainda que essa seja uma busca um tanto sem conhecimento, ao fim, como resultado de tudo, Jó experimenta um aprofundamento magnífico na sua relação com o Pai: Eu sei que para Ti nada é impossível e que nenhum dos Teus planos pode ser impedido. Tu me perguntaste como me atrevi a pôr em dúvida a Tua sabedoria, visto que sou tão ignorante. É que falei de coisas que eu não compreendia, coisas que eram maravilhosas demais para mim e que eu não podia entender (Jo. 42. 2 – 3).
É isso. Não é raro nos sentirmos sós, inclusive abandonados por Deus. Nosso amor é, desse modo, provado. E, caso resistamos, será ele fortalecido e nossa relação com o Pai aprofundada.