Vamos nos separar!
Gênesis 13. 9
Como seres humanos que somos, somos passíveis de erros. E a maior parte dos nossos erros se deve ao fato de desprezarmos aquilo que Deus, explicitamente, define como Sua vontade. Erramos por não ouvir a voz de Deus, por não obedecê-la.
Ao chamar Abrão, em Gênesis 12, Deus foi muito claro e específico: Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai e vá para uma terra que eu lhe mostrarei (Gn. 12. 1). A promessa de Deus se relacionava a Abrão deixar sua terra e sua família e ir para uma terra estranha, sozinho. Esse era o centro da vontade divina para o vocacionado Abrão: estar só, em terra desconhecida, longe de suas referências familiares.
Só que Abrão desobedece, fato que passa despercebido pela maioria de nós. E Ló foi com ele (Gn. 12. 4). Era para Abrão deixar a família, mas ele levou seu sobrinho. Ouvir a voz de Deus, na Bíblia, nunca demais lembrar, é obedecer. Ninguém duvida que Deus foi muito claro e especifico com o patriarca quando o chama para deixar sua casa e sua família. Abrão escutou isso, mas não ouviu. Não obedeceu.
Quando fazemos as coisas sem dar ouvidos ao conselho do Senhor, sofremos as danosas conseqüências. O exemplo mais clássico na história bíblica aparece em Josué 9. Ali os gibeonitas armam uma cena para fazer acordo com os israelitas e escaparem da destruição. Fingem ser viajantes de um país distante. Quando o acordo é fechado, o texto bíblico é claro sobre a atitude do povo de Deus: Os homens de Israel aceitaram a comida deles, porém não pediram conselho a Deus, o Senhor. Josué fez um acordo de paz com os gibeonitas, prometendo que não seriam mortos. E os líderes do povo de Israel juraram que cumpririam a sua palavra (Js. 9. 14 – 15).
Abrão desobedeceu levando seu sobrinho consigo na viagem. O que esse texto me ensina, porém, é que quando Deus tem um plano e revela a Sua vontade, Ele intervém em nossa vida, miraculosamente, para nos colocar no prumo de novo. Deus intervém para que Sua vontade prevaleça, apesar de nossa desobediência.
Abrão desobedeceu, mas logo logo surgiu uma briga entre os trabalhadores dele e de seu sobrinho, o que forçou uma separação. Vamos nos separar!
Essa história nos ensina algumas conseqüências de desobedecermos a vontade de Deus. Ele fará seu plano voltar ao centro, nem que para isso tenha que intervir da forma como interveio na vida de Abrão. Nunca é agradável ter de voltar ao centro da vontade do Senhor à força. É sempre melhor ter os ouvidos atentos e o coração disposto a obedecer. Mas precisamos saber que Deus vai fazer o Seu projeto se realizar em nossa vida, apesar de nós.
27.11.06
18.11.06
Prova de fé
O mundo não era digno deles!
Hebreus 11. 38
O que prova a fé de alguém? Se fizéssemos essa pergunta às igrejas de nossos dias teríamos, certamente, respostas as mais diversas. Na enorme diversidade das igrejas dos nossos dias, encontraríamos pessoas que, firmadas em suas diferentes crenças, definiram provas diferentes da fé dos cristãos.
A programação televisa cristã, especialmente forte aos sábados pela manhã, dá prova disso. São igrejas de matizes e teologias distintas defendendo conceitos absolutamente diferentes uns dos outros do que seja a fé e de como ela se prova.
Estava pensando nisso hoje ao refletir sobre o conhecido texto de Hebreus 11. Aquela galeria de homens dos quais o mundo não era digno. Ao ler essa lista de pessoas que descobriram que a fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver (Hb. 11. 1) e que, descobrindo essa fé, acharam a salvação, me perguntei que provas elas obtiveram de sua fé. E que resultados visíveis elas tiveram.
Comecei a me questionar isso porque, a julgar pelo que pregam alguns hoje em dia, a fé se traduz em resultados visíveis, sempre. É uma cura, uma libertação, a prosperidade material. A fé se manifesta quando eu deixo de ser o caso perdido que eu era e encontro uma saída. A fé, nessa teologia, precisa de prova.
Não precisamos olhar com atenção aprofundada o texto para descobrir que essas idéias não se sustentam. A fé diz respeito a saber da existência de coisas que não podem ser vistas ou tocadas. Fundamentalmente é isso. É viver como quem vê um Deus que é invisível, como quem vive uma salvação que é improvável, como quem experimenta uma qualidade de vida impossível.
Boa parte de nossa geração de cristãos busca sinais. Busca resultados. Busca uma prova de fé. Milagres acontecem em resposta a nossa fé, mas a fé não é uma chave automática para milagres. A vontade de Deus é. Sua Glória e Sua Majestade são. Os milagres acontecem para honrar a Deus e não a nossa fé.
E eles acontecem. É só olhar a primeira parte do capítulo 11 de Hebreus para ver isso com clareza. Ou olhar para a minha e a sua vida. Temos muitos milagres para partilhar. Pela fé eles lutaram contra nações inteiras e venceram. Fizeram o que era correto e receberam o que Deus lhes havia prometido. Fecharam a boca de leões, apagaram incêndios terríveis e escaparam de serem mortos à espada. Eram fracos, mas se tornaram fortes. Foram poderosos na guerra e venceram exércitos estrangeiros. Pela fé mulheres receberam de volta os seus mortos, que ressuscitaram (Hb. 11. 32 – 35).
O equívoco está em acreditar que milagres são as únicas conseqüências possíveis para a fé. O mesmo texto aponta o equívoco. Enquanto alguns foram libertados e viram tremendos milagres, outros foram torturados até a morte; eles recusaram ser postos em liberdade a fim de ressuscitar para uma vida melhor. Alguns foram insultados e surrados; e outros, acorrentados e jogados na cadeia. Outros foram mortos a pedradas; outros serrados pelo meio; e outros, mortos à espada. Andaram de um lado para outro vestidos de peles de ovelhas e de cabras; eram pobres, perseguidos e maltratados. Andaram como refugiados pelos desertos e montes, vivendo em cavernas e em buracos na terra. O mundo não era digno deles! (Hb. 11. 35 – 38). A história da igreja e do testemunho de Cristo nos diz que na maior parte das vezes a fidelidade ao Senhor teve como resultado, não o milagre e a libertação do crente, mas a tortura, o sofrimento, a perseguição e a morte.
Jesus venceu, não descendo da cruz, mas morrendo na cruz. Por isso, eu penso que é muito fácil para mim afirmar a minha fé quando eu estou com minhas dívidas pagas em dia ou quando eu passo em um concurso da Petrobras, ou quando recebo o milagre de uma cura e, por isso, agradeço, feliz, ao meu Deus. Mas sei que minha fé seria, de verdade, provada, se uma arma fosse posta em minha cabeça sob a ameaça de morte, caso não renegue a minha fé em Jesus. Ou quando eu fosse desafiado a crer, ainda que não tivesse um teto ou comida para comer. Enquanto estava no Rio vi uma fé dessas: um homem se preparava para dormir sob uma marquise da avenida Presidente Vargas, lendo sua Bíblia apoiado na luz de uma agência bancária. Essa é a verdadeira prova de fé, pela qual ainda não passei.
Hebreus 11. 38
O que prova a fé de alguém? Se fizéssemos essa pergunta às igrejas de nossos dias teríamos, certamente, respostas as mais diversas. Na enorme diversidade das igrejas dos nossos dias, encontraríamos pessoas que, firmadas em suas diferentes crenças, definiram provas diferentes da fé dos cristãos.
A programação televisa cristã, especialmente forte aos sábados pela manhã, dá prova disso. São igrejas de matizes e teologias distintas defendendo conceitos absolutamente diferentes uns dos outros do que seja a fé e de como ela se prova.
Estava pensando nisso hoje ao refletir sobre o conhecido texto de Hebreus 11. Aquela galeria de homens dos quais o mundo não era digno. Ao ler essa lista de pessoas que descobriram que a fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver (Hb. 11. 1) e que, descobrindo essa fé, acharam a salvação, me perguntei que provas elas obtiveram de sua fé. E que resultados visíveis elas tiveram.
Comecei a me questionar isso porque, a julgar pelo que pregam alguns hoje em dia, a fé se traduz em resultados visíveis, sempre. É uma cura, uma libertação, a prosperidade material. A fé se manifesta quando eu deixo de ser o caso perdido que eu era e encontro uma saída. A fé, nessa teologia, precisa de prova.
Não precisamos olhar com atenção aprofundada o texto para descobrir que essas idéias não se sustentam. A fé diz respeito a saber da existência de coisas que não podem ser vistas ou tocadas. Fundamentalmente é isso. É viver como quem vê um Deus que é invisível, como quem vive uma salvação que é improvável, como quem experimenta uma qualidade de vida impossível.
Boa parte de nossa geração de cristãos busca sinais. Busca resultados. Busca uma prova de fé. Milagres acontecem em resposta a nossa fé, mas a fé não é uma chave automática para milagres. A vontade de Deus é. Sua Glória e Sua Majestade são. Os milagres acontecem para honrar a Deus e não a nossa fé.
E eles acontecem. É só olhar a primeira parte do capítulo 11 de Hebreus para ver isso com clareza. Ou olhar para a minha e a sua vida. Temos muitos milagres para partilhar. Pela fé eles lutaram contra nações inteiras e venceram. Fizeram o que era correto e receberam o que Deus lhes havia prometido. Fecharam a boca de leões, apagaram incêndios terríveis e escaparam de serem mortos à espada. Eram fracos, mas se tornaram fortes. Foram poderosos na guerra e venceram exércitos estrangeiros. Pela fé mulheres receberam de volta os seus mortos, que ressuscitaram (Hb. 11. 32 – 35).
O equívoco está em acreditar que milagres são as únicas conseqüências possíveis para a fé. O mesmo texto aponta o equívoco. Enquanto alguns foram libertados e viram tremendos milagres, outros foram torturados até a morte; eles recusaram ser postos em liberdade a fim de ressuscitar para uma vida melhor. Alguns foram insultados e surrados; e outros, acorrentados e jogados na cadeia. Outros foram mortos a pedradas; outros serrados pelo meio; e outros, mortos à espada. Andaram de um lado para outro vestidos de peles de ovelhas e de cabras; eram pobres, perseguidos e maltratados. Andaram como refugiados pelos desertos e montes, vivendo em cavernas e em buracos na terra. O mundo não era digno deles! (Hb. 11. 35 – 38). A história da igreja e do testemunho de Cristo nos diz que na maior parte das vezes a fidelidade ao Senhor teve como resultado, não o milagre e a libertação do crente, mas a tortura, o sofrimento, a perseguição e a morte.
Jesus venceu, não descendo da cruz, mas morrendo na cruz. Por isso, eu penso que é muito fácil para mim afirmar a minha fé quando eu estou com minhas dívidas pagas em dia ou quando eu passo em um concurso da Petrobras, ou quando recebo o milagre de uma cura e, por isso, agradeço, feliz, ao meu Deus. Mas sei que minha fé seria, de verdade, provada, se uma arma fosse posta em minha cabeça sob a ameaça de morte, caso não renegue a minha fé em Jesus. Ou quando eu fosse desafiado a crer, ainda que não tivesse um teto ou comida para comer. Enquanto estava no Rio vi uma fé dessas: um homem se preparava para dormir sob uma marquise da avenida Presidente Vargas, lendo sua Bíblia apoiado na luz de uma agência bancária. Essa é a verdadeira prova de fé, pela qual ainda não passei.
23.9.06
Relacionamento
Alguns de vocês não conhecem a Deus.
1 Coríntios 15. 34
Estou aqui no Rio desde o início de julho. De início, meu relacionamento com novos colegas se restringia àqueles que vieram comigo do Rio Grande do Norte. Éramos oito. Com o tempo, o círculo aumentou para os cearenses que vieram no mesmo vôo que nós. No primeiro mês, estávamos juntos cerca de trezentos novos empregados da Petrobras, das mais diversas formações. Era difícil estabelecer laços e formar amizades.
Apenas quando os profissionais de comunicação se separaram do grupo, nossos relacionamentos se estreitaram. E, ainda assim, com limitações: somos 123, divididos em duas turmas. Isso indica ser impossível um pleno relacionamento com todos eles. De alguns colegas da outra turma eu nem sei o nome.
Contei essa história porque essa semana percebi a repetição de um fenômeno comum na minha vida. Percebi que tenho intimidade hoje com especialmente dois colegas que, no início, jamais passaria pela minha cabeça a possibilidade de que se tornassem bons amigos. Tudo porque uma primeira experiência, um primeiro contato, uma primeira conversa não foi das melhores. Começamos com atritos, mas com o tempo, a convivência, a conversa e a intimidade percebemos muito mais coisa em comum e a amizade foi nascendo. O fenômeno de que a conversa e a intimidade me faz construir amizade e relacionamento com pessoas que jamais imaginei ser possível se deu novamente.
O que isso tem a ver com o texto? Alguns de vocês não conhecem a Deus. Tenho a impressão que nossas comunidades estão repletas de cristãos, sinceramente alcançados por Jesus, mas que, de verdade, não conhecem a Deus. Pessoas que querem servir a Jesus melhor, mas que não têm um relacionamento vivo e eficaz com Ele.
A experiência que eu relato é para mostrar que ninguém é capaz de realmente conhecer outra pessoa e desenvolver relacionamento com ela se não investir tempo e energia em intimidade, comunhão e diálogo. Isso vale muito no que diz respeito a nosso relacionamento com Jesus.
Existem muitos cristãos sinceros que, no entanto, não conseguem dispor tempo nem investir energia no relacionamento pessoal com Deus. Pessoas que até podem querer conhecer a Deus, mas não vão conseguir porque esquecem o fundamental.
Conhecer Jesus não é uma questão de seguir ritos religiosos nem regras eclesiásticas, sejam elas práticas ou morais. Conhecer Jesus é um processo que se dá na construção de um relacionamento efetivo com Ele, por meio da busca de intimidade, da comunhão e do diálogo.
Essas coisas vão acontecer a corações que efetivamente se rendam e caiam na presença de Deus. A presença se alcança não através de ritos religiosos, mas sim por meio de corações rendidos e quebrantados. É no lugar secreto – não no templo -, no coração – não no meio do povo -, que rendemos o coração e encontramos a doce e maravilhosa presença de Jesus. É um encontro em nossa privacidade e não um ritual coletivo.
E nesse privado, algumas ferramentas são fundamentais, ainda que digam mais respeito à atitude. Os corações sedentos se encontrarão com o Senhor à medida que se renderem em descobrir a Sua Palavra por meio da leitura bíblica, redimensionarem a sua vida por meio da reflexão e buscarem a intimidade do Senhor e Sua comunhão através do diálogo que é a oração. Nunca houve nem haverá outro caminho para se chegar à amizade e intimidade com o Senhor que não seja leitura e reflexão da Palavra e oração.
Talvez você se assuste porque conhecer a Jesus é conhecer a si mesmo, porque a Sua luz revela o nosso interior. Temos medo de nós mesmos e de nos vermos com clareza. Talvez isso seja assustador. Mas vale a pena romper o medo e buscar conhecer, verdadeira e intensamente, a maravilhosa pessoa do Deus Triúno.
1 Coríntios 15. 34
Estou aqui no Rio desde o início de julho. De início, meu relacionamento com novos colegas se restringia àqueles que vieram comigo do Rio Grande do Norte. Éramos oito. Com o tempo, o círculo aumentou para os cearenses que vieram no mesmo vôo que nós. No primeiro mês, estávamos juntos cerca de trezentos novos empregados da Petrobras, das mais diversas formações. Era difícil estabelecer laços e formar amizades.
Apenas quando os profissionais de comunicação se separaram do grupo, nossos relacionamentos se estreitaram. E, ainda assim, com limitações: somos 123, divididos em duas turmas. Isso indica ser impossível um pleno relacionamento com todos eles. De alguns colegas da outra turma eu nem sei o nome.
Contei essa história porque essa semana percebi a repetição de um fenômeno comum na minha vida. Percebi que tenho intimidade hoje com especialmente dois colegas que, no início, jamais passaria pela minha cabeça a possibilidade de que se tornassem bons amigos. Tudo porque uma primeira experiência, um primeiro contato, uma primeira conversa não foi das melhores. Começamos com atritos, mas com o tempo, a convivência, a conversa e a intimidade percebemos muito mais coisa em comum e a amizade foi nascendo. O fenômeno de que a conversa e a intimidade me faz construir amizade e relacionamento com pessoas que jamais imaginei ser possível se deu novamente.
O que isso tem a ver com o texto? Alguns de vocês não conhecem a Deus. Tenho a impressão que nossas comunidades estão repletas de cristãos, sinceramente alcançados por Jesus, mas que, de verdade, não conhecem a Deus. Pessoas que querem servir a Jesus melhor, mas que não têm um relacionamento vivo e eficaz com Ele.
A experiência que eu relato é para mostrar que ninguém é capaz de realmente conhecer outra pessoa e desenvolver relacionamento com ela se não investir tempo e energia em intimidade, comunhão e diálogo. Isso vale muito no que diz respeito a nosso relacionamento com Jesus.
Existem muitos cristãos sinceros que, no entanto, não conseguem dispor tempo nem investir energia no relacionamento pessoal com Deus. Pessoas que até podem querer conhecer a Deus, mas não vão conseguir porque esquecem o fundamental.
Conhecer Jesus não é uma questão de seguir ritos religiosos nem regras eclesiásticas, sejam elas práticas ou morais. Conhecer Jesus é um processo que se dá na construção de um relacionamento efetivo com Ele, por meio da busca de intimidade, da comunhão e do diálogo.
Essas coisas vão acontecer a corações que efetivamente se rendam e caiam na presença de Deus. A presença se alcança não através de ritos religiosos, mas sim por meio de corações rendidos e quebrantados. É no lugar secreto – não no templo -, no coração – não no meio do povo -, que rendemos o coração e encontramos a doce e maravilhosa presença de Jesus. É um encontro em nossa privacidade e não um ritual coletivo.
E nesse privado, algumas ferramentas são fundamentais, ainda que digam mais respeito à atitude. Os corações sedentos se encontrarão com o Senhor à medida que se renderem em descobrir a Sua Palavra por meio da leitura bíblica, redimensionarem a sua vida por meio da reflexão e buscarem a intimidade do Senhor e Sua comunhão através do diálogo que é a oração. Nunca houve nem haverá outro caminho para se chegar à amizade e intimidade com o Senhor que não seja leitura e reflexão da Palavra e oração.
Talvez você se assuste porque conhecer a Jesus é conhecer a si mesmo, porque a Sua luz revela o nosso interior. Temos medo de nós mesmos e de nos vermos com clareza. Talvez isso seja assustador. Mas vale a pena romper o medo e buscar conhecer, verdadeira e intensamente, a maravilhosa pessoa do Deus Triúno.
19.9.06
Meu povo
Sinto uma grande tristeza e uma dor sem fim no coração por causa do meu povo, que é minha raça e meu sangue. Para o bem desse povo, eu mesmo poderia desejar receber a maldição de Deus e ficar separado de Cristo.
Romanos 9. 2 – 3
Vez por outra, a cena urbana me toca fundo no coração. Fico profundamente sentido e cheio de compaixão por algumas coisas que acontecem em nossas ruas. Já tive diversas vezes de escrever sobre isso.
Hoje, no fim de tarde, eu voltava aqui para o hotel pela avenida Rio Branco. Um senhor, aparentemente com mais de 50 anos, vinha pela rua, qual burro de carga, arrastando uma carroça de som que divulgava um dos candidatos a governador do Rio de Janeiro. Os cabelos brancos e a cara cansada daquele senhor que carregava um peso que judia até de animais calou fundo na minha alma. E mais uma vez fui levado a refletir sobre que povo é o nosso que coloca seus velhos e seus infantes em situações como essas? Quantas crianças sem futuro e quantos idosos sem reconhecimento por suas vidas?
De maneira quase óbvia o pensamento que sempre me domina nessas horas é a certeza de que preciso, de alguma maneira, contribuir para que essa desigualdade diminua. Trabalhar pela salvação dessa gente. Ainda que eu não saiba ainda direito como agir, estou certo de que a vivência do evangelho pela igreja brasileira passa pela transformação dessas questões tão prementes.
Sinto uma grande tristeza e uma dor sem fim no coração por causa do meu povo, que é minha raça e meu sangue. Para o bem desse povo, eu mesmo poderia desejar receber a maldição de Deus e ficar separado de Cristo. Esta paixão pelo seu próprio povo chega a ser emocionante nos textos de Paulo. Pela salvação de sua gente ele chega a dizer que estaria disposto a se perder. Em um mundo tão individualista quanto o nosso, acho difícil que exista alguém que esteja plenamente disposto a repetir essa oração paulina.
Mas o exemplo de Paulo deveria nos impulsionar. Existe um povo aí fora, que é o nosso povo, que anda cabisbaixo pelas ruas, sem muita perspectiva e muito futuro. Existe um povo cansado e sobrecarregado, a quem Deus quer nos enviar para fazer diferença.
O evangelho não é uma coisa que se esgote em nós. Ao contrário: seguir Jesus e o Seu evangelho é ser empurrado pela mensagem da graça e da vida de Deus para fora dos limites da igreja. É, também, ter a consciência paulina de que pouco vale a nossa boa vida sem que o nosso povo possa usufruir aquilo que já experimentamos. Transformar o mundo começa em viver o evangelho no mundo e no meio do povo em que estamos. Manifestar graça e amor nos conduz à luta pela mudança.
Neste início de noite, não houve melhor tradução do que era meu pensamento nem o desejo de meu coração do que a fala paulina na carta aos Romanos. Eu quero amar o meu povo e quero que ele possa conhecer a vida de verdade que só Jesus dá. Eu quero amar o meu povo e quero vê-lo mudando a forma como lida com suas crianças e seus velhos. Eu quero amar o meu povo e quero vê-lo rendido aos pés do Senhor, mas também quero vê-lo vivendo de forma digna desde já.
Em tempos difíceis como os nossos, quando nuvens de escuridão parecem querer surgir no horizonte de nossa história, o nosso povo precisa do amor da igreja de Cristo manifestando o amor e a graça de Deus no seu cotidiano. No mínimo, o povo precisa de nossa oração. Mas precisa muito mais de nossa presença, levando a luz, o poder e a graça de Jesus – a transformação de suas vidas.
Romanos 9. 2 – 3
Vez por outra, a cena urbana me toca fundo no coração. Fico profundamente sentido e cheio de compaixão por algumas coisas que acontecem em nossas ruas. Já tive diversas vezes de escrever sobre isso.
Hoje, no fim de tarde, eu voltava aqui para o hotel pela avenida Rio Branco. Um senhor, aparentemente com mais de 50 anos, vinha pela rua, qual burro de carga, arrastando uma carroça de som que divulgava um dos candidatos a governador do Rio de Janeiro. Os cabelos brancos e a cara cansada daquele senhor que carregava um peso que judia até de animais calou fundo na minha alma. E mais uma vez fui levado a refletir sobre que povo é o nosso que coloca seus velhos e seus infantes em situações como essas? Quantas crianças sem futuro e quantos idosos sem reconhecimento por suas vidas?
De maneira quase óbvia o pensamento que sempre me domina nessas horas é a certeza de que preciso, de alguma maneira, contribuir para que essa desigualdade diminua. Trabalhar pela salvação dessa gente. Ainda que eu não saiba ainda direito como agir, estou certo de que a vivência do evangelho pela igreja brasileira passa pela transformação dessas questões tão prementes.
Sinto uma grande tristeza e uma dor sem fim no coração por causa do meu povo, que é minha raça e meu sangue. Para o bem desse povo, eu mesmo poderia desejar receber a maldição de Deus e ficar separado de Cristo. Esta paixão pelo seu próprio povo chega a ser emocionante nos textos de Paulo. Pela salvação de sua gente ele chega a dizer que estaria disposto a se perder. Em um mundo tão individualista quanto o nosso, acho difícil que exista alguém que esteja plenamente disposto a repetir essa oração paulina.
Mas o exemplo de Paulo deveria nos impulsionar. Existe um povo aí fora, que é o nosso povo, que anda cabisbaixo pelas ruas, sem muita perspectiva e muito futuro. Existe um povo cansado e sobrecarregado, a quem Deus quer nos enviar para fazer diferença.
O evangelho não é uma coisa que se esgote em nós. Ao contrário: seguir Jesus e o Seu evangelho é ser empurrado pela mensagem da graça e da vida de Deus para fora dos limites da igreja. É, também, ter a consciência paulina de que pouco vale a nossa boa vida sem que o nosso povo possa usufruir aquilo que já experimentamos. Transformar o mundo começa em viver o evangelho no mundo e no meio do povo em que estamos. Manifestar graça e amor nos conduz à luta pela mudança.
Neste início de noite, não houve melhor tradução do que era meu pensamento nem o desejo de meu coração do que a fala paulina na carta aos Romanos. Eu quero amar o meu povo e quero que ele possa conhecer a vida de verdade que só Jesus dá. Eu quero amar o meu povo e quero vê-lo mudando a forma como lida com suas crianças e seus velhos. Eu quero amar o meu povo e quero vê-lo rendido aos pés do Senhor, mas também quero vê-lo vivendo de forma digna desde já.
Em tempos difíceis como os nossos, quando nuvens de escuridão parecem querer surgir no horizonte de nossa história, o nosso povo precisa do amor da igreja de Cristo manifestando o amor e a graça de Deus no seu cotidiano. No mínimo, o povo precisa de nossa oração. Mas precisa muito mais de nossa presença, levando a luz, o poder e a graça de Jesus – a transformação de suas vidas.
17.9.06
Contra a esperança
Finalmente perdemos toda a esperança de nos salvarmos.
Atos 27. 20
Abraão teve fé e esperança, mesmo quando não havia motivo para ter esperança...
Romanos 4. 18
Lembro do testemunho de um pastor, missionário em país latino-americano em Guerra Civil, anos atrás. Capturados por guerrilheiros, ele e o grupo missionário, após alguns dias, estavam prontos para serem executados. Os guerrilheiros se prepararam para matá-los, enquanto os missionários oravam. De repente, do nada, a explosão de uma bomba em local próximo assustou o grupo. Imediatamente, os homens armados abandonaram o local, sem tocar nos reféns, deixando-os para trás. O incrível e miraculoso é que não houve outras explosões, fora aquela. Não houve bombardeios. Na hora limite, Deus providenciara o livramento ao grupo.
Lucas narra a viagem de Paulo, prisioneiro, até Roma. O navio, açoitado pelos ventos e pelo mar, com mais de duzentas pessoas a bordo, vai à deriva. Depois de vários dias de sofrimento e luta, a morte é certa, segundo Lucas: Finalmente perdemos toda a esperança de nos salvarmos. Mas, miraculosamente, por amor a Paulo, Deus preserva e salva a todos naquele navio: Paulo, não tenha medo! Você precisa ir até a presença do Imperador. E Deus, na sua bondade, já lhe deu a vida de todos os que estão viajando com você (At. 27. 24).
Nunca tinha me apercebido claramente do valor da fala do narrador Lucas nessa passagem. A situação era limite e toda a esperança tinha se esvaído. O que estava acontecendo era grave demais e não havia qualquer possibilidade de salvação. Fé e esperança não existiam mais.
Nem preciso lembrar que, não só nessas duas histórias, mas em muitos momentos limites de nossas vidas, vemos a esperança se acabar. Olhamos em volta e percebemos que nos encontramos sem qualquer possibilidade de saída. Seja uma arma apontada contra nós, seja um navio indo a pique, seja um diagnóstico médico que nos condena, seja uma situação que, complicada, fecha as possibilidades de caminho à nossa frente. Vez por outra enfrentamos situações limites que nos colocam diante da perda da esperança.
Ter fé nessas horas é uma loucura maior ainda. Porque a fé na salvação em uma situação assim é esperar contra todas as circunstâncias e possibilidades. O desenho de todo o quadro e as circunstâncias que nos envolvem só nos fazem ter certeza do desfecho contrário. Mas a fé é capaz de esperar contra toda a esperança.
Paulo é o esperançoso naquele barco. Ele é o homem de fé e é por causa da sua fé que todos são salvos por Deus. Ele é o mesmo que, anos antes, escrevendo para a igreja em Roma sobre Abraão, define o porquê de ele ter sido o pai de muitas nações: Abraão teve fé e esperança, mesmo quando não havia motivo para ter esperança... Naquele navio, como em outros momentos de sua vida, Paulo teve a chance de provar sua coerência. Se ele era capaz de falar sobre a fé de Abraão como aquela que faz o homem esperar, mesmo quando não nenhum motivo para se ter esperança, era preciso ser coerente e honesto para vivenciar isso na prática.
Muitas vezes nos encontramos em uma situação limite que nos desespera. Como era a situação naquele navio no Mediterrâneo que levava Paulo ou como era a situação daquele grupo missionário em mãos guerrilheiras. Situação que nos deixa sem qualquer perspectiva de esperança. Essa é a hora da fé. Contra o fim certo, contra a condenação do diagnóstico, contra a fatalidade das circunstâncias, é hora da fé que nos coloca a esperar contra toda a esperança e aguardar o socorro e o livramento do Senhor.
Atos 27. 20
Abraão teve fé e esperança, mesmo quando não havia motivo para ter esperança...
Romanos 4. 18
Lembro do testemunho de um pastor, missionário em país latino-americano em Guerra Civil, anos atrás. Capturados por guerrilheiros, ele e o grupo missionário, após alguns dias, estavam prontos para serem executados. Os guerrilheiros se prepararam para matá-los, enquanto os missionários oravam. De repente, do nada, a explosão de uma bomba em local próximo assustou o grupo. Imediatamente, os homens armados abandonaram o local, sem tocar nos reféns, deixando-os para trás. O incrível e miraculoso é que não houve outras explosões, fora aquela. Não houve bombardeios. Na hora limite, Deus providenciara o livramento ao grupo.
Lucas narra a viagem de Paulo, prisioneiro, até Roma. O navio, açoitado pelos ventos e pelo mar, com mais de duzentas pessoas a bordo, vai à deriva. Depois de vários dias de sofrimento e luta, a morte é certa, segundo Lucas: Finalmente perdemos toda a esperança de nos salvarmos. Mas, miraculosamente, por amor a Paulo, Deus preserva e salva a todos naquele navio: Paulo, não tenha medo! Você precisa ir até a presença do Imperador. E Deus, na sua bondade, já lhe deu a vida de todos os que estão viajando com você (At. 27. 24).
Nunca tinha me apercebido claramente do valor da fala do narrador Lucas nessa passagem. A situação era limite e toda a esperança tinha se esvaído. O que estava acontecendo era grave demais e não havia qualquer possibilidade de salvação. Fé e esperança não existiam mais.
Nem preciso lembrar que, não só nessas duas histórias, mas em muitos momentos limites de nossas vidas, vemos a esperança se acabar. Olhamos em volta e percebemos que nos encontramos sem qualquer possibilidade de saída. Seja uma arma apontada contra nós, seja um navio indo a pique, seja um diagnóstico médico que nos condena, seja uma situação que, complicada, fecha as possibilidades de caminho à nossa frente. Vez por outra enfrentamos situações limites que nos colocam diante da perda da esperança.
Ter fé nessas horas é uma loucura maior ainda. Porque a fé na salvação em uma situação assim é esperar contra todas as circunstâncias e possibilidades. O desenho de todo o quadro e as circunstâncias que nos envolvem só nos fazem ter certeza do desfecho contrário. Mas a fé é capaz de esperar contra toda a esperança.
Paulo é o esperançoso naquele barco. Ele é o homem de fé e é por causa da sua fé que todos são salvos por Deus. Ele é o mesmo que, anos antes, escrevendo para a igreja em Roma sobre Abraão, define o porquê de ele ter sido o pai de muitas nações: Abraão teve fé e esperança, mesmo quando não havia motivo para ter esperança... Naquele navio, como em outros momentos de sua vida, Paulo teve a chance de provar sua coerência. Se ele era capaz de falar sobre a fé de Abraão como aquela que faz o homem esperar, mesmo quando não nenhum motivo para se ter esperança, era preciso ser coerente e honesto para vivenciar isso na prática.
Muitas vezes nos encontramos em uma situação limite que nos desespera. Como era a situação naquele navio no Mediterrâneo que levava Paulo ou como era a situação daquele grupo missionário em mãos guerrilheiras. Situação que nos deixa sem qualquer perspectiva de esperança. Essa é a hora da fé. Contra o fim certo, contra a condenação do diagnóstico, contra a fatalidade das circunstâncias, é hora da fé que nos coloca a esperar contra toda a esperança e aguardar o socorro e o livramento do Senhor.
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