Ao Conselho da Primeira Igreja Presbiteriana Independente do Natal,
Espero que tudo vá bem com vocês. Que o ministério de todos se desenvolva bem. Que possam deitar suas cabeças nas suas camas e dormir o sono dos justos todos os dias. Que continuem tendo controle, respeito e fé no que vocês fazem. Que continuem desenvolvendo interessantes projetos que abençoam e atrapalham muitas vidas.
Nem sei se vocês lerão o que preciso escrever. Só sei que preciso escrever, mesmo consciente de que a maior parte da culpa pelo que sou hoje é minha. Hoje eu sei que tenho uma ótima vida, com um trabalho gratificante, com uma família que, ainda maior, me ama, com uma noiva apaixonada. Tenho amigos fascinantes e tenho conseguido viver uma boa vida em que todos com quem me relaciono gostam de mim. Tenho ouvido pessoas falando agradecidas do testemunho de Deus que lhes dou na vida.
Tenho muitos elementos de felicidade. Mas será que vocês conseguem me responder por que não consigo me sentir feliz? Será que vocês conseguem me devolver, trazer de voltar e reconstruir minha felicidade?
Eu dei minha vida a Jesus nessa igreja e dei minha vida em serviço a vocês. Foram anos em que eu vivi o melhor e o pior da minha vida. Vivi e realizei sonhos e os vi se frustrarem. Alguns podem achar que a prova de imaturidade foram as diversas guinadas de minha vida, de um sonho a outro. Mas isso me dói, porque nenhuma das guinadas foram conduzidas por mim. Como uma pena ao vento, foi Deus quem me levou do Seminário incompleto ao mestrado, do mestrado à Petrobras. Duas frustrações grandes nisso aí: a incompletude do seminário, que sei que um dia terminarei – apesar de ter me feito melhor teólogo fora do seminário –, e a paralisação do sonho do doutorado. Mas o doutorado hoje está mais próximo que o seminário por causa da Petrobras. Falei sobre isso, porque ao contrário do que alguns de vocês certamente devem achar, minhas mudanças de vida não resultam de imaturidade, mas foi algo que o Senhor fez comigo.
Gosto do que estou vivendo hoje, porque com paciência sei que as partes faltantes de minha vida ainda podem e vão ser completadas. Então, eu pergunto a vocês: por que não consigo ser feliz?
Sabe o que acontece? Eu perdoei vocês por tudo. Se não tivesse perdoado não conseguiria entrar na igreja – conheço alguns dos muitos que vocês tentaram matar espiritualmente que não conseguem pisar na calçada da igreja. Se não tivesse perdoado não sentiria falta do serviço a Deus por aí nem sentiria saudades dos muitos momentos em que estive aí para orar por vocês. Orei tanto para que Deus removesse o que impedia a Sua bênção sobre a igreja. Espero que a minha saída seja resposta da oração. Mas não acredito. Uma liderança que deixou tantos feridos pelo caminho, entre os quais me encontro, ao longo de sua história quase centenária...
Por que minha vida é ótima e eu não consigo ser feliz? Porque vocês mataram a graça de Deus na minha vida. Os que me lêem sabem da diferença das minhas experiências com Deus a partir daquela terrível experiência com toda a arrogância humana de dois anos atrás.
Eu choro me lembrando do que era meu ministério. Estou consciente que a culpa é minha pelo que faço com as coisas que me fazem. Mas os que as fizeram não são desculpáveis por esse motivo. Eu tinha uma vida, uma fé, um ministério e uma alegria de servir que morreram na decisão que vocês tomaram há dois anos. Enterrada no dia em que Amanda me disse ter ouvido a conversa dos pais em que foi dito que eu podia sair da igreja, mas não mais pregaria ou ensinaria ali. Aquelas palavras trucidaram a minha fé e sugaram a energia de meu ministério. Sinto-me meio morto hoje. Porque nem a Deus consigo ouvir. Vocês mataram minha percepção espiritual quando quiseram matar meu ministério.
Lamento tudo isso. Eu quero minha vida de volta. Tudo em minha vida está ótimo. Só não consigo sentir mais em meu coração o fogo do Espírito queimar. No passado, a liderança desta igreja já jogou no mundo, por suas decisões, outros irmãos. Eu não queria me render, mas minha falta de esperança é maior que meu sonho e minha fé.
Por que eu não consigo ser feliz? Porque vocês mataram meu ministério e minha fé em Deus. Eu os perdoou por isso, mas não consigo viver enquanto não puder restaurar essa ferida que teima em não cicatrizar.
No exílio,
Daniel Dantas
24.6.07
20.5.07
Confissão
Confissão
Eu vivo muitas vidas diferentes em mim. E sinto como se as tivesse perdido a todas. Ao olhar meu passado, eu posso vê-las. Mas quando contemplo quem sou, um pouco de cada uma dessas vidas, sinto falta do que elas não se tornaram em mim.
Vivo minha infância. Sinto saudades de um pai que não existia na prática e dos muitos irmãos que eu não conhecia. Sinto medo de minhas experiências espirituais que tanto me afastavam de uma relação viva com um Deus vivo. Tenho medo de andar só. Tenho medo do escuro. Tenho medo dos mais fortes e mais simpáticos do que eu. Tenho medo de não ser ninguém.
Vivo minha adolescência e sinto extrema falta daquele garoto que queria mudar o mundo. Sinto falta de desafinar e desafiar o que estava posto. Descobri que podia ser político. Descobri que podia fazer diferença. Descobri quem fazia diferença. Sinto falta do primeiro amor por Jesus, da sensação de alegria vibrante de um coração que, ao se descobrir preso, foi liberto. Alegria de um coração que, de duvidoso, se fez crente.
Vivo meu sonho de ministério. Sei que o perdi em algum lugar, mas não duvido que ele pertence ao Deus que me chamou. Vasculho meu coração em busca dessas tantas vidas querendo, pelo menos, encontrar um pouco do ministério que começou a se esvaziar nas esquinas de Fortaleza. Eu não sou o único para quem o seminário significou uma morte para o ministério. Mas sei que a culpa não é do seminário ou da teologia. Eu morri a minha morte e a morte de meu sonho, em vez de viver a vida e o sonho de Jesus – que já tinha morrido a minha morte.
Vivo a alegria da academia e o prazer do mestrado. Vivo a vida da sala de aula, até o instante em que Deus me arrancou de minha casa e me trouxe para uma distante Petrobras. Em outra comunidade de fé, em outra vida de comunhão, mas sentindo falta extrema de todas essas vidas que me fizeram no passado e que me constituem hoje.
Eu vivo muitas vidas diferentes em mim e acho que as perdi todas no fundo de minha alma. Eu as morri. E é como se ainda não tivesse entendido que a vida que agora vivo é minha vida nova em Jesus. Acho que anseio, como Nicodemos, com alguma coisa que me faça sentir hoje a realidade da vida verdadeira. Eu não entendo, mas é como se esperasse poder nascer de novo em cada uma dessas vidas vividas e perdidas no passado.
Momentos bons, dores e alegrias de todas essas vidas me fazem ser quem sou. Mas eu não sou mais quem eu era nessas vidas e sinto que algo importante se perdeu quando cada uma dessas vidas morreu.
Espero confiantemente no Senhor por nascer de novo nesses sonhos – ao menos para trazer a esta minha nova vida aquilo que Ele plantou em cada vida dessas no meu passado.
Espero nascer de novo a insegurança infantil que pode me fazer jogar-me confiantemente unicamente nos braços do Pai. Espero nascer de novo a impaciência de quem não se conforma com o mundo e quer ser instrumento de sua transformação, com o coração cheio de confiante fé. Espero nascer de novo o meu ministério e não abandonar o pastor que escondi em mim e o pregador que fez por outra aparece. Espero nascer de novo o pesquisador que tem prazer em entender fenômenos e transmitir o que sabe. Espero nascer de novo um melhor filho, um bom marido, um futuro pai.
Eu vivo muitas vidas. Elas me parecem mortas. Mas o Deus da vida há de soprar sobre elas o hálito da vida verdadeira. E me resgatar para uma vida ainda mais plena e verdadeira.
Eu vivo muitas vidas diferentes em mim. E sinto como se as tivesse perdido a todas. Ao olhar meu passado, eu posso vê-las. Mas quando contemplo quem sou, um pouco de cada uma dessas vidas, sinto falta do que elas não se tornaram em mim.
Vivo minha infância. Sinto saudades de um pai que não existia na prática e dos muitos irmãos que eu não conhecia. Sinto medo de minhas experiências espirituais que tanto me afastavam de uma relação viva com um Deus vivo. Tenho medo de andar só. Tenho medo do escuro. Tenho medo dos mais fortes e mais simpáticos do que eu. Tenho medo de não ser ninguém.
Vivo minha adolescência e sinto extrema falta daquele garoto que queria mudar o mundo. Sinto falta de desafinar e desafiar o que estava posto. Descobri que podia ser político. Descobri que podia fazer diferença. Descobri quem fazia diferença. Sinto falta do primeiro amor por Jesus, da sensação de alegria vibrante de um coração que, ao se descobrir preso, foi liberto. Alegria de um coração que, de duvidoso, se fez crente.
Vivo meu sonho de ministério. Sei que o perdi em algum lugar, mas não duvido que ele pertence ao Deus que me chamou. Vasculho meu coração em busca dessas tantas vidas querendo, pelo menos, encontrar um pouco do ministério que começou a se esvaziar nas esquinas de Fortaleza. Eu não sou o único para quem o seminário significou uma morte para o ministério. Mas sei que a culpa não é do seminário ou da teologia. Eu morri a minha morte e a morte de meu sonho, em vez de viver a vida e o sonho de Jesus – que já tinha morrido a minha morte.
Vivo a alegria da academia e o prazer do mestrado. Vivo a vida da sala de aula, até o instante em que Deus me arrancou de minha casa e me trouxe para uma distante Petrobras. Em outra comunidade de fé, em outra vida de comunhão, mas sentindo falta extrema de todas essas vidas que me fizeram no passado e que me constituem hoje.
Eu vivo muitas vidas diferentes em mim e acho que as perdi todas no fundo de minha alma. Eu as morri. E é como se ainda não tivesse entendido que a vida que agora vivo é minha vida nova em Jesus. Acho que anseio, como Nicodemos, com alguma coisa que me faça sentir hoje a realidade da vida verdadeira. Eu não entendo, mas é como se esperasse poder nascer de novo em cada uma dessas vidas vividas e perdidas no passado.
Momentos bons, dores e alegrias de todas essas vidas me fazem ser quem sou. Mas eu não sou mais quem eu era nessas vidas e sinto que algo importante se perdeu quando cada uma dessas vidas morreu.
Espero confiantemente no Senhor por nascer de novo nesses sonhos – ao menos para trazer a esta minha nova vida aquilo que Ele plantou em cada vida dessas no meu passado.
Espero nascer de novo a insegurança infantil que pode me fazer jogar-me confiantemente unicamente nos braços do Pai. Espero nascer de novo a impaciência de quem não se conforma com o mundo e quer ser instrumento de sua transformação, com o coração cheio de confiante fé. Espero nascer de novo o meu ministério e não abandonar o pastor que escondi em mim e o pregador que fez por outra aparece. Espero nascer de novo o pesquisador que tem prazer em entender fenômenos e transmitir o que sabe. Espero nascer de novo um melhor filho, um bom marido, um futuro pai.
Eu vivo muitas vidas. Elas me parecem mortas. Mas o Deus da vida há de soprar sobre elas o hálito da vida verdadeira. E me resgatar para uma vida ainda mais plena e verdadeira.
8.4.07
Sinais
Faça uma cobra de metal e pregue num poste. Quem for mordido deverá olhar para ela e assim ficará curado.
Números 21. 8
Quando Deus mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze, não intentava que aquilo se tornasse objeto de culto ou que representasse a Ele mesmo. A serpente era um sinal da cura e do perdão de Deus. Olhar para a serpente de bronze era olhar para a misericórdia, graça e perdão de Deus, recebendo a cura das mordeduras das serpentes abrasadoras.
Contudo, com o passar dos anos, aquele sinal da graça de Deus foi convertido em um fim em si mesmo pelo povo. Como se houvesse poder na serpente, ela passou a ser adorada com o nome de Neustã, até ser destruída pelo rei Ezequias (2 Rs 18. 4).
A Arca da Aliança foi estabelecida como instrumento para que Deus se manifestasse. Deus se manifestava sobre o seu tampo. A Arca, assim, simbolizava a presença do Senhor no meio do povo. Era sinal da presença, glória e santidade de Deus. Quando entrava no Santo dos Santos, o sacerdote sabia que a Arca não era Deus, mas que Deus se manifestaria ali e que a própria Arca “apontaria” o Senhor dos Exércitos.
Mas, logo logo, o povo perverteu o papel e o sentido da Arca, entendendo-a como poderosa em si mesma. Fez dela um amuleto para garantia de vitória, como se a Arca fosse o próprio Deus, diminuído às dimensões de um objeto humano. O povo levou a Arca para o campo de batalha, onde foi levada elos filisteus, em um dos momentos mais tristes da história do Antigo Testamento (1 Sm 4. 1 – 11).
O próprio Templo era um sinal da presença de Deus no meio do povo. Não era poderoso em si e homens como Salomão entendiam que Deus não poderia habitar ali. Mas o Templo era o lugar em que o povo podia se retirar do dia a dia e se encontrar com o seu Senhor. Não era Deus nem santo em si mesmo, mas o local em que o Santo se manifestava.
Porém, em diversos momentos, o povo imaginou que o Templo tivesse poder em si mesmo e fosse importante por si. Esqueciam o papel do Templo como sinal. É isso que denuncia Jeremias: Mudem de vida, mudem a sua maneira de agir, e eu deixarei que vocês continuem vivendo aqui. Não confiem mais nestas palavras mentirosas: “Nós estamos seguros! Este é o Templo do Senhor, este é o Templo do Senhor, este é o Templo do Senhor!” (Jr. 7. 3 – 4).
O foco na religião do Templo, esquecendo de um real compromisso com o Senhor, fazia o povo acreditar que estaria seguro apenas pela existência do Templo. O povo esquecia que o Templo existia apenas para que se relacionassem com Deus.
Estes instantes terminaram mal para Israel porque não conseguiam entender o papel destes sinais como uma espécie de “apontador” para que os olhos e a mente humanos pudessem se voltar ao Senhor Soberano, buscando um relacionamento com Ele.
Isso se vê ocorrer ainda nos dias atuais. Muitas vezes, no que se refere a milagres e maravilhas. Milagres deveriam ser vistos como sinais para nos apontar a presença viva de Deus em nosso meio. Eles existem para que os nossos corações se quedem aos pés do Senhor. No entanto, muitas vezes, os milagres são vistos como um fim em si mesmos. As pessoas correm atrás dos milagres, se encantam por eles, mas esquecem de buscar o Deus que está por trás dos milagres.
A história de Moisés e a sarça ardente (Ex. 3. 1 – 5) nos ensina muita a esse respeito. Moisés vê a maravilha da sarça que queima e não se consome e tem sua atenção, admirado, voltada para o espetáculo. A sarça que queima sem se consumir cumpre o seu propósito e atrai a atenção de Moisés para Deus. Não mais é citada. Existiu unicamente para que Moisés voltasse sua atenção para o Senhor, que quer com ele se relacionar.
Este relato nos ensina a atitude correta do coração diante da maravilha. Diante do milagre, nossos olhos e corações devem se voltar ao Senhor do milagre, ao Seu poder e Sua Palavra. Diante do sinal, o coração deve se constranger e se render, humilhado, em adoração ao Eterno.
Números 21. 8
Quando Deus mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze, não intentava que aquilo se tornasse objeto de culto ou que representasse a Ele mesmo. A serpente era um sinal da cura e do perdão de Deus. Olhar para a serpente de bronze era olhar para a misericórdia, graça e perdão de Deus, recebendo a cura das mordeduras das serpentes abrasadoras.
Contudo, com o passar dos anos, aquele sinal da graça de Deus foi convertido em um fim em si mesmo pelo povo. Como se houvesse poder na serpente, ela passou a ser adorada com o nome de Neustã, até ser destruída pelo rei Ezequias (2 Rs 18. 4).
A Arca da Aliança foi estabelecida como instrumento para que Deus se manifestasse. Deus se manifestava sobre o seu tampo. A Arca, assim, simbolizava a presença do Senhor no meio do povo. Era sinal da presença, glória e santidade de Deus. Quando entrava no Santo dos Santos, o sacerdote sabia que a Arca não era Deus, mas que Deus se manifestaria ali e que a própria Arca “apontaria” o Senhor dos Exércitos.
Mas, logo logo, o povo perverteu o papel e o sentido da Arca, entendendo-a como poderosa em si mesma. Fez dela um amuleto para garantia de vitória, como se a Arca fosse o próprio Deus, diminuído às dimensões de um objeto humano. O povo levou a Arca para o campo de batalha, onde foi levada elos filisteus, em um dos momentos mais tristes da história do Antigo Testamento (1 Sm 4. 1 – 11).
O próprio Templo era um sinal da presença de Deus no meio do povo. Não era poderoso em si e homens como Salomão entendiam que Deus não poderia habitar ali. Mas o Templo era o lugar em que o povo podia se retirar do dia a dia e se encontrar com o seu Senhor. Não era Deus nem santo em si mesmo, mas o local em que o Santo se manifestava.
Porém, em diversos momentos, o povo imaginou que o Templo tivesse poder em si mesmo e fosse importante por si. Esqueciam o papel do Templo como sinal. É isso que denuncia Jeremias: Mudem de vida, mudem a sua maneira de agir, e eu deixarei que vocês continuem vivendo aqui. Não confiem mais nestas palavras mentirosas: “Nós estamos seguros! Este é o Templo do Senhor, este é o Templo do Senhor, este é o Templo do Senhor!” (Jr. 7. 3 – 4).
O foco na religião do Templo, esquecendo de um real compromisso com o Senhor, fazia o povo acreditar que estaria seguro apenas pela existência do Templo. O povo esquecia que o Templo existia apenas para que se relacionassem com Deus.
Estes instantes terminaram mal para Israel porque não conseguiam entender o papel destes sinais como uma espécie de “apontador” para que os olhos e a mente humanos pudessem se voltar ao Senhor Soberano, buscando um relacionamento com Ele.
Isso se vê ocorrer ainda nos dias atuais. Muitas vezes, no que se refere a milagres e maravilhas. Milagres deveriam ser vistos como sinais para nos apontar a presença viva de Deus em nosso meio. Eles existem para que os nossos corações se quedem aos pés do Senhor. No entanto, muitas vezes, os milagres são vistos como um fim em si mesmos. As pessoas correm atrás dos milagres, se encantam por eles, mas esquecem de buscar o Deus que está por trás dos milagres.
A história de Moisés e a sarça ardente (Ex. 3. 1 – 5) nos ensina muita a esse respeito. Moisés vê a maravilha da sarça que queima e não se consome e tem sua atenção, admirado, voltada para o espetáculo. A sarça que queima sem se consumir cumpre o seu propósito e atrai a atenção de Moisés para Deus. Não mais é citada. Existiu unicamente para que Moisés voltasse sua atenção para o Senhor, que quer com ele se relacionar.
Este relato nos ensina a atitude correta do coração diante da maravilha. Diante do milagre, nossos olhos e corações devem se voltar ao Senhor do milagre, ao Seu poder e Sua Palavra. Diante do sinal, o coração deve se constranger e se render, humilhado, em adoração ao Eterno.
25.3.07
Escondendo-se no deserto
...porém, ele fugiu e foi morar na terra de Midiã.
Êxodo 2. 15 – 16.
Mesmo quando temos certeza de que agimos segundo o que era a vontade de Deus, corremos o risco de sermos oprimidos pela incerteza, dúvida, tristeza e falta de fé. Moisés havia compreendido que não podia ser vontade de Deus a opressão que o povo do Senhor vinha sofrendo no Egito. Resolveu intervir. Ele não errou exatamente a execução da ação. Ele errou em não procurar antes descobrir como Deus queria que a libertação fosse executada.
Embora estivesse certo de que era a vontade de Deus libertar Israel, Moisés foi tomado pelo receio, medo e incerteza. Ao matar o egípcio e perceber que nem mesmo os seus o apoiavam, Moisés temeu pela própria vida e fugiu. Foi para o deserto. Ele se escondeu ali de seus dons, seu passado, seu ministério e, como se fosse possível, de Deus. Foi ali, por quarenta anos, como se pudesse estar levando sua vidinha de sempre esquecendo qual era a vontade de Deus para o seu próprio povo.
Houve um erro de execução na atitude de Moisés. Ele percebeu a vontade de Deus, mas, impulsivamente, não foi buscar orientação do Senhor. Tomando os pés pelas mãos, se sentiu mal e culpado na conseqüência de seus atos. E fugiu, por isso, para se esconder no deserto. Esconder-se da própria presença de Deus.
Muitas vezes, eu me sinto assim. Sinto que estou querendo me esconder da presença de Deus. É por isso que faço de conta que não tenho ministério, dons, talentos nem sei qual a vontade de Deus para minha vida. Como se eu pudesse estar por aqui vivendo a minha vidinha e, escondido do próprio Deus, ficasse nesse deserto.
Isso explica meu silêncio de tanto tempo. Não aceitem minhas explicações lógicas. Eu não me calei por falta de tempo, nem por quaisquer outros motivos. Eu deixei de escrever porque tenho procurado me esconder de Deus e do ministério que Ele tem para mim. É muito mais cômodo, aparentemente, por mais desconfortável que seja, estar no deserto, como Moisés, por quarenta anos, fingindo não ser com ele o sofrimento do povo e a sua necessidade. Fingindo desconhecer a vontade de Deus para essa situação específica.
Fugi para o deserto porque me vi oprimido pela incerteza, dúvida, tristeza e falta de fé. Tenho tentado retomar o que tive antes. Tenho tentado me entregar novamente nos braços do Pai aos rios de Sua unção – a Sua presença santa. Tenho tentado voltar ao Centro de Sua vontade – recuperar a consciência de Sua vontade. Mas confesso ser mais fácil pastorear as ovelhas dos outros nesse sólido, quente e imenso deserto.
Meu coração se entristece por causa de meu silêncio. Muito mais por saber que estou tentando me esconder do Senhor. Mas é hora de mudar de atitude. É hora de deixar o esconderijo do deserto e se voltar para o Centro da vontade de Deus. Como aconteceu com Moisés, no meio do deserto, quarenta anos depois, sei que o Senhor me chama, no meio de uma maravilhosa sarça que queima e não se consome (Ex. 3. 1 – 6).
Sei que posso ter errado a execução de muitas atitudes que eram a vontade de Deus. Sei que não estava preparado para enfrentar as conseqüências de fazer a vontade de Deus. A conjunção desses dois fatores me desanimaram e me lançaram nessa tristeza e incerteza na qual hoje vivo.
Muitos de nós vivem situações semelhantes, sendo invadidos de uma tristeza sem medida pelo não-reconhecimento de seus esforços, por perseguição por fazer o que julga certo ou, simplesmente, por ser posto à prova no deserto pelo próprio Deus. Todos nós precisamos nos lembrar que existe uma sarça maravilhosa no meio do deserto, que atrai o nosso olhar para nos trazer de volta a Deus. O Deus que quer ser visto a partir do sinal da sarça vem nos lançar em rosto a vocação e o desafio de um ministério e vida consagrados a Ele. Agora, venha, e eu o enviarei ao rei do Egito para que voe tire de lá o meu povo, os israelitas (Ex. 3. 10).
Ele vem na sarça nos recuperar a visão, o amor, a fé e a esperança. Se ainda não vimos a sarça no deserto para nos restaurar a força, nos preparemos, tirando as sandálias dos pés. O encontro com o Santo não tarda.
Êxodo 2. 15 – 16.
Mesmo quando temos certeza de que agimos segundo o que era a vontade de Deus, corremos o risco de sermos oprimidos pela incerteza, dúvida, tristeza e falta de fé. Moisés havia compreendido que não podia ser vontade de Deus a opressão que o povo do Senhor vinha sofrendo no Egito. Resolveu intervir. Ele não errou exatamente a execução da ação. Ele errou em não procurar antes descobrir como Deus queria que a libertação fosse executada.
Embora estivesse certo de que era a vontade de Deus libertar Israel, Moisés foi tomado pelo receio, medo e incerteza. Ao matar o egípcio e perceber que nem mesmo os seus o apoiavam, Moisés temeu pela própria vida e fugiu. Foi para o deserto. Ele se escondeu ali de seus dons, seu passado, seu ministério e, como se fosse possível, de Deus. Foi ali, por quarenta anos, como se pudesse estar levando sua vidinha de sempre esquecendo qual era a vontade de Deus para o seu próprio povo.
Houve um erro de execução na atitude de Moisés. Ele percebeu a vontade de Deus, mas, impulsivamente, não foi buscar orientação do Senhor. Tomando os pés pelas mãos, se sentiu mal e culpado na conseqüência de seus atos. E fugiu, por isso, para se esconder no deserto. Esconder-se da própria presença de Deus.
Muitas vezes, eu me sinto assim. Sinto que estou querendo me esconder da presença de Deus. É por isso que faço de conta que não tenho ministério, dons, talentos nem sei qual a vontade de Deus para minha vida. Como se eu pudesse estar por aqui vivendo a minha vidinha e, escondido do próprio Deus, ficasse nesse deserto.
Isso explica meu silêncio de tanto tempo. Não aceitem minhas explicações lógicas. Eu não me calei por falta de tempo, nem por quaisquer outros motivos. Eu deixei de escrever porque tenho procurado me esconder de Deus e do ministério que Ele tem para mim. É muito mais cômodo, aparentemente, por mais desconfortável que seja, estar no deserto, como Moisés, por quarenta anos, fingindo não ser com ele o sofrimento do povo e a sua necessidade. Fingindo desconhecer a vontade de Deus para essa situação específica.
Fugi para o deserto porque me vi oprimido pela incerteza, dúvida, tristeza e falta de fé. Tenho tentado retomar o que tive antes. Tenho tentado me entregar novamente nos braços do Pai aos rios de Sua unção – a Sua presença santa. Tenho tentado voltar ao Centro de Sua vontade – recuperar a consciência de Sua vontade. Mas confesso ser mais fácil pastorear as ovelhas dos outros nesse sólido, quente e imenso deserto.
Meu coração se entristece por causa de meu silêncio. Muito mais por saber que estou tentando me esconder do Senhor. Mas é hora de mudar de atitude. É hora de deixar o esconderijo do deserto e se voltar para o Centro da vontade de Deus. Como aconteceu com Moisés, no meio do deserto, quarenta anos depois, sei que o Senhor me chama, no meio de uma maravilhosa sarça que queima e não se consome (Ex. 3. 1 – 6).
Sei que posso ter errado a execução de muitas atitudes que eram a vontade de Deus. Sei que não estava preparado para enfrentar as conseqüências de fazer a vontade de Deus. A conjunção desses dois fatores me desanimaram e me lançaram nessa tristeza e incerteza na qual hoje vivo.
Muitos de nós vivem situações semelhantes, sendo invadidos de uma tristeza sem medida pelo não-reconhecimento de seus esforços, por perseguição por fazer o que julga certo ou, simplesmente, por ser posto à prova no deserto pelo próprio Deus. Todos nós precisamos nos lembrar que existe uma sarça maravilhosa no meio do deserto, que atrai o nosso olhar para nos trazer de volta a Deus. O Deus que quer ser visto a partir do sinal da sarça vem nos lançar em rosto a vocação e o desafio de um ministério e vida consagrados a Ele. Agora, venha, e eu o enviarei ao rei do Egito para que voe tire de lá o meu povo, os israelitas (Ex. 3. 10).
Ele vem na sarça nos recuperar a visão, o amor, a fé e a esperança. Se ainda não vimos a sarça no deserto para nos restaurar a força, nos preparemos, tirando as sandálias dos pés. O encontro com o Santo não tarda.
20.1.07
Encurvada
E chegou ali uma mulher que fazia dezoito anos que estava doente, por causa de um espírito mau. Ela andava encurvada e não podia se endireitar.
Lucas 13. 11
A discussão que tem lugar nesse quadro no relato de Lucas diz respeito ao sábado. Mas eu não quero dar atenção nesse texto nem aos fariseus, nem ao sábado. Eu quero pensar nessa mulher.
Ainda me recupero de uma terrível crise de dor ciática, provocada pelas minhas duas protrusões discais. Essa deve ter sido a segunda pior crise que eu tive desde que apareceram as minhas primeiras dores, seis anos atrás. A crise foi tão intensa que eu tive de me afastar do trabalho. Não conseguia me levantar, sentar ou deitar sem auxílio. Além disso, andava me arrastando, segurando nas pessoas e nas paredes. Não agüentava ficar muito tempo sentado, deitado ou em pé.
Mas essa não foi a pior crise. A minha pior crise foi a primeira de todas. Era dezembro do ano 2000 quando eu senti as primeiras dores. Duraram uma semana. Depois, sumiram por uma semana. Quando as dores retornaram eu não podia imaginar que elas não sumiriam até agosto de 2001. Passei quase oito meses sentindo dor constantemente. Não houve um segundo em todo esse período em que meu ciático não doesse – não estou exagerando. Claro que não era sempre a mesma intensidade de dor, mas era uma dor constante e ininterrupta.
É por isso que eu quero pensar nessa mulher que fazia dezoito anos que estava doente, encurvada, sem conseguir se levantar. Eu posso fazer idéia, imaginar, o tamanho sofrimento que essa mulher teve ao longo de todos esses anos de doença. Os tantos médicos e curandeiros que ela deve ter buscado. Os parcos recursos que ela deve ter gastado em busca de cura. A discriminação que deve ter enfrentado em virtude de todas as suas dificuldades. A dor, o incômodo e a falta de mobilidade.
Foi uma vida difícil até aquele dia, até que ela entrou naquela sinagoga. Posso imaginar que ela não fazia idéia que naquela tarde sua busca intensa se encerraria. Sua dor se esgotaria. Imagino que ela não tinha idéia de quem iria encontrar naquele lugar.
Jesus é simples e direto com ela. Mulher, você está curada (Lc. 13. 12). Não pergunta nada, não ouve pedido, não questiona. Simplesmente a cura, tocando-a para não deixar dúvidas sobre o que estava fazendo. Assim, num toque, o sofrimento e a busca de dezoito anos se foi. Num toque do Senhor, com uma Palavra de Deus.
Às vezes, nossa dor e nossa busca são físicas mesmo. Nosso sofrimento é físico, como acontece comigo em minhas crises. Lembro que, em 2001, quando morava no Seminário, chorei em alguns momentos; não de dor, mas de desespero por não me ver livre daquele incômodo constante. Naquelas horas, eu desejava um alívio e uma cura física. Nem sempre ela virá, eu sei. Você deve descobrir isso também.
Outras vezes, nossa dor e nossa busca são de outra natureza. Às vezes, não estamos fisicamente encurvados há dezoito anos como aquela mulher, mas as emoções não curadas, os ferimentos e as doenças espirituais encurvam a nossa alma e nos deixam debilitados. Você pode não ter um problema físico de que deseje a cura, mas pode ter um ferimento de outra ordem, que oprime você e encurva sua alma.
Em todos os casos, precisamos encontrar Jesus. A cura e a mudança de vida daquela mulher se deram no seu encontro com Jesus naquela tarde, naquela sinagoga. Não importa quanto tempo faça que você sofra com isso. Não importa se são cinco dias ou dezoito meses: um encontro com Jesus é o que você realmente precisa para mudar a situação. Mesmo que esse encontro não represente a cura – nem sempre representa – ele vai mostrar a você que não é preciso carregar o peso do sofrimento – físico, emocional ou espiritual – sozinho. Ele estará, a partir desse encontro, com você, o apoiando e enxugando qualquer lágrima de dor ou de sofrimento. E a paz que encherá a sua alma será suficiente para ajudá-lo a enfrentar o que de mal ainda puder surgir.
Mas o encontro com Jesus será a sua cura. Cura da opressão da dor e do sofrimento, do corpo ou da alma. Mesmo que o fim dessa opressão não signifique, necessariamente, o fim da dor, mas apenas o alívio de saber que Jesus está com você em cada momento.
Lucas 13. 11
A discussão que tem lugar nesse quadro no relato de Lucas diz respeito ao sábado. Mas eu não quero dar atenção nesse texto nem aos fariseus, nem ao sábado. Eu quero pensar nessa mulher.
Ainda me recupero de uma terrível crise de dor ciática, provocada pelas minhas duas protrusões discais. Essa deve ter sido a segunda pior crise que eu tive desde que apareceram as minhas primeiras dores, seis anos atrás. A crise foi tão intensa que eu tive de me afastar do trabalho. Não conseguia me levantar, sentar ou deitar sem auxílio. Além disso, andava me arrastando, segurando nas pessoas e nas paredes. Não agüentava ficar muito tempo sentado, deitado ou em pé.
Mas essa não foi a pior crise. A minha pior crise foi a primeira de todas. Era dezembro do ano 2000 quando eu senti as primeiras dores. Duraram uma semana. Depois, sumiram por uma semana. Quando as dores retornaram eu não podia imaginar que elas não sumiriam até agosto de 2001. Passei quase oito meses sentindo dor constantemente. Não houve um segundo em todo esse período em que meu ciático não doesse – não estou exagerando. Claro que não era sempre a mesma intensidade de dor, mas era uma dor constante e ininterrupta.
É por isso que eu quero pensar nessa mulher que fazia dezoito anos que estava doente, encurvada, sem conseguir se levantar. Eu posso fazer idéia, imaginar, o tamanho sofrimento que essa mulher teve ao longo de todos esses anos de doença. Os tantos médicos e curandeiros que ela deve ter buscado. Os parcos recursos que ela deve ter gastado em busca de cura. A discriminação que deve ter enfrentado em virtude de todas as suas dificuldades. A dor, o incômodo e a falta de mobilidade.
Foi uma vida difícil até aquele dia, até que ela entrou naquela sinagoga. Posso imaginar que ela não fazia idéia que naquela tarde sua busca intensa se encerraria. Sua dor se esgotaria. Imagino que ela não tinha idéia de quem iria encontrar naquele lugar.
Jesus é simples e direto com ela. Mulher, você está curada (Lc. 13. 12). Não pergunta nada, não ouve pedido, não questiona. Simplesmente a cura, tocando-a para não deixar dúvidas sobre o que estava fazendo. Assim, num toque, o sofrimento e a busca de dezoito anos se foi. Num toque do Senhor, com uma Palavra de Deus.
Às vezes, nossa dor e nossa busca são físicas mesmo. Nosso sofrimento é físico, como acontece comigo em minhas crises. Lembro que, em 2001, quando morava no Seminário, chorei em alguns momentos; não de dor, mas de desespero por não me ver livre daquele incômodo constante. Naquelas horas, eu desejava um alívio e uma cura física. Nem sempre ela virá, eu sei. Você deve descobrir isso também.
Outras vezes, nossa dor e nossa busca são de outra natureza. Às vezes, não estamos fisicamente encurvados há dezoito anos como aquela mulher, mas as emoções não curadas, os ferimentos e as doenças espirituais encurvam a nossa alma e nos deixam debilitados. Você pode não ter um problema físico de que deseje a cura, mas pode ter um ferimento de outra ordem, que oprime você e encurva sua alma.
Em todos os casos, precisamos encontrar Jesus. A cura e a mudança de vida daquela mulher se deram no seu encontro com Jesus naquela tarde, naquela sinagoga. Não importa quanto tempo faça que você sofra com isso. Não importa se são cinco dias ou dezoito meses: um encontro com Jesus é o que você realmente precisa para mudar a situação. Mesmo que esse encontro não represente a cura – nem sempre representa – ele vai mostrar a você que não é preciso carregar o peso do sofrimento – físico, emocional ou espiritual – sozinho. Ele estará, a partir desse encontro, com você, o apoiando e enxugando qualquer lágrima de dor ou de sofrimento. E a paz que encherá a sua alma será suficiente para ajudá-lo a enfrentar o que de mal ainda puder surgir.
Mas o encontro com Jesus será a sua cura. Cura da opressão da dor e do sofrimento, do corpo ou da alma. Mesmo que o fim dessa opressão não signifique, necessariamente, o fim da dor, mas apenas o alívio de saber que Jesus está com você em cada momento.
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