14.12.16

Não moderes tua paixão

Preguei a respeito de ti para toda a congregação;
não omiti nada, ó Eterno, sabes disso.
Não fiz segredo das notícias sobre os teus caminhos, 
não guardei nada sobre mim. 
Falei tudo: sobre tua fidelidade e tua perfeição.
Não retive parcelas de amor nem de verdade
Para meu consumo. Eu disse tudo que sabia;
a congregação conheceu a história toda.
Agora, ó Eterno, não resistas a mim,
não moderes tua paixão.
Teu amor e tua verdade
é que me mantém de pé.
Quando os problemas conspiraram contra mim,
uma multidão de pecados foi enumerada.
Fiquei tão impregnado de culpa
que mal conseguia enxergar o caminho.
Mais culpa havia em meu coração que cabelos na cabeça.
O peso era tanto que meu coração desfaleceu.

Salmo 40.9-12


Meu reencontro com Deus através desses textos de reflexão bíblica aconteceu no pior momento possível de minha vida. Não há o que eu possa esconder.

Foi do fundo do poço, no meio do sofrimento por um grave quadro de depressão e com inúmeros problemas pessoais que rasguei o coração e a vida diante do Eterno e, diante dEle, iniciei o caminho de volta. E nesse caminho recuperar parte do chamado de ajudar as pessoas por meio da reflexão sobre as Escrituras foi irresistível.

Para fazer isso, não havia nada que eu pudesse omitir - nem de minhas dores e sofrimentos, nem de minhas culpas e falhas. Como o salmista, mergulhado na vida real, percebia o tamanho da dor e somava inumeráveis os meus pecados e culpas.

Não fiz segredo de meus sentimentos e não fiz segredo de minhas culpas.

Diante de Deus, os expus e por expô-los com honestidade me coloquei em posição de experimentar o cuidado, o amor e a paixão de Deus. Não escondi o que vivi, nem pretendo esconder o que fez o amor de Deus.

O fundo do poço começou a ficar distante em uma noite quando visitei uma igreja de Natal - não apenas porque pedi oração pela minha saúde como também porque percebi quão sem graça era a vida em que nada me dava prazer. Naquele instante bradei que não aguentava mais aquele poço escuro, fétido e enlameado em que eu estava.

Senti o amor de Deus e a sua mão começando a me puxar para fora.

Foi sua mão amorosa que me impulsionou para fora. Para fora da dor e da culpa. O amor esconde a multidão de pecados.

Além disso, eu escrevi minha história, sem omitir nenhuma parte. Um modo de confessa-la aos poucos amigos que leram-na.

Parte do processo de deixar de lado tudo o que pesava na alma e na vida para me deixar preso no poço. Sair do poço era também contar honestamente a minha história.

Eu disse tudo que sabia;
a congregação conheceu a história toda.


Diante disso tudo, posso ter certeza de que nem o amor, nem a verdade, nem a paixão de Deus por mim serão escondidos ou moderados: sua paixão, seu amor e sua verdade são derramados sem medida e percebidos assim por todo coração de que se humilha e se prosta diante dele.

Sair do fundo do poço também significa experimentar de maneira nova, rica e plena a paixão do Senhor por nós, seu amor e sua verdade.

Agora, ó Eterno, não resistas a mim,
não moderes tua paixão.
Teu amor e tua verdade
é que me mantém de pé.


A história não acabou porque você se sente soterrado por toneladas de dor, sofrimento ou pecado.

Ainda há espaço na história para o derramar do amor e do perdão de Deus, para o resgate amoroso do fundo do poço, para que você conte uma nova e ainda mais bela história de sua vida.

Não apenas uma história de sobrevivência ou resgate, mas uma história rica de encontro, reencontro e transformação na paixão, no amor e na verdade do Senhor.

13.12.16

Festa

Fazer algo para ti, levar algo para ti:
não é isso que procurar.
Ser religioso, agir com devoção: 
não é o que estás pedindo.
Então, abriste meus ouvidos
para que eu pudesse ouvir.
E logo respondi: “Estou indo.
Eu li na carta o que escreveste sobre mim.
E estou indo para a festa
que estás preparando para mim”.
Quando a Palavra de Deus entrou na minha vida,
ela se tornou parte do meu ser.

Sl 40. 6-8

Quando eu me converti, duas décadas atrás, queimei livros, discos e roupas que, aparentemente, tinham compromisso com as trevas em vez de com Deus.

Nessa leva foram embora obras-primas da música brasileira e da música pop.

Fiz isso porque acreditava que ser cristão era o mesmo que adotar tais práticas que estavam mais ou menos na moda. Afastar-se do mundo era o mesmo que abandonar a vida secular.

Lembro também do dia em que, pela primeira vez, bati palmas para acompanhar uma canção no louvor da igreja: os olhares recriminadores eram penetrantes e havia uma determinação de que não se podia usar as palmas nos cultos.

Naquela época, também, se faziam votos para conquistar as coisas com Deus. Minha tia fez um voto de sete semanas para que eu me convertesse, as pessoas jejuavam para conseguir as coisas com o Senhor, a quantidade de horas em oração determinava o sucesso de uma empreitada, quem não conseguia dizimar era vítima do demônio devorador.

Paulo diria que éramos todos vítimas de fábulas.

O Salmo 40 nos diz, no versículo 6, duas coisas incríveis sobre o Senhor para quem pensa em sua espiritualidade nos termos que referi acima: Deus não quer sacrifícios e ofertas nem espera de nós que sejamos religiosos. Estar com o Senhor é algo muito maior e muito mais sublime que uma espiritualidade religiosa ou uma prática de cultos e sacrifícios diários.

Deus é mais que religião e culto.

Na versão da Mensagem, a proposta é clara: em vez de religião e sacrifício, festa e celebração. Em vez de algo feito por mim mesmo, um momento sem igual preparado pelo próprio Deus.

Estar com o Senhor não é viver uma vida religiosa ou litúrgica. É andar em festa ao lado do próprio Deus, numa festa preparada por ele.

É celebração não sacrifício.

É a festa do pai do filho pródigo, que o vê se aproximando ainda à distância, não dá ouvidos às suas palavras de arrependimento e prepara uma festa para comemorar o seu retornar: “Vamos festejar! Vamos nos divertir!” (Lc. 15. 11-32).

Tal festa é possível para o fiel porque ele foi capaz de compreender o que realmente importa. E o que realmente importa resulta de seu prazer em guardar a lei no coração e conhecer sua vontade, ou, como diz a Mensagem, da percepção de que “quando a Palavra de Deus entrou na minha vida, ela se tornou parte do meu ser.”

A raiz da festa é mergulhar no Inefável e permitir-se ser tomado por sua revelação, sentindo o prazer de estar diante dele em sua vida.

Só assim a espiritualidade poderá ser liberdade, prazer, festa e celebração. Só assim não estaremos presos em uma religiosidade que destrói a beleza da vida.

12.12.16

Escolhendo o Inefável


Abençoados são vocês, que se dão ao Eterno, 
que viram as costas para as “coisas certas” do mundo 
e ignoram o que o mundo adora!
O mundo é um enorme armazém 
das maravilhas do Eterno e dos pensamentos de Deus.
Nada e ninguém
se compara a Ti!
Comecei a falar de ti, relatando o que sei, 
e logo me fugiram as palavras.
Nem números nem palavras
conseguem te explicar.

Salmo 40. 4-5

Alguém me contou que nas vésperas de morrer, o ateu Norberto Bobbio escreveu em seu diário que estava pronto ir se encontrar com o Mistério.

Outro dia, estava em um pequeno grupo quando uma amiga fez uma pergunta sobre ancestralidade. “Se recuarmos em nossos ancestrais, dos pais, avós, onde vamos parar?”, perguntou. Uma pessoa respondeu: “No Infinito”. “Isso: alguns chamam de Infinito, Criação, Universo, Deus”, complementou.

Paul Tillich falava na Realidade Última da Existência.

Bonhoeffer dizia, com Paulo, que vivíamos nEle e perante Ele, ainda que devêssemos viver como se Ele não existisse.

Cada ser humano uma ou outra é confrontado com o Mistério, o Infinito, a Realidade Última da Existência, Deus.

Após falar de seu livramento e da nova canção que estava cantando, de sua arte e poesia em louvor do Eterno que o socorreu, o salmista pensa nesse Eterno que o ajudou.

Ele é o Inefável, o Inominável, o Incompreensível, Aquele que não podemos reduzir a nada conhecido. Ele é a Riqueza da Existência, o que dá um novo sentido e um novo significado à vida porque, Ele mesmo, tem um sentido e um significado inigualável.

Por isso mesmo, a primeira coisa de que fala o salmista é que é feliz aquele que se entrega ao Eterno, que deixa sua vida fluir no ritmo e na direção que somente Deus pode conduzir - aquele que faz uma opção por mergulhar no rio de Deus, a melhor escolha dentre todas escolhas.

Essa não deve ser uma escolha limitadora ou castradora. Ao contrário, essa escolha é uma escolha de liberdade. Se assim não for, se o efeito que produzir não for esse, esteja certo de que há algo de errado em sua opção.

Se entregar ao Mistério sem reservas, ao Amor Todo-Poderoso, é uma escolha pela maravilha - afinal, o "mundo é um enorme armazém das maravilhas do Eterno e dos pensamentos de Deus”. Escolher o Infinito é perceber, a cada amanhecer, a cada instante, a cada dia, que a beleza e a riqueza do mundo revelam a Deus. Ver a natureza, sua majestade e complexidade é o mesmo que ver o Criador de tão bela obra.

A essa altura, eu mesmo já sinto a dificuldade expressa pelo salmista - não é possível usar as palavras para falar de Deus.

Ele é muito maior que qualquer ideia que possamos ter a seu respeito. Não há palavras que sejam suficientes para falar dele - aliás, se o nomeamos, encaixotamos, reduzimos, limitamos. Deus é maior que qualquer nome que lhe dermos, palavra que usarmos, valor que atribuirmos.

Deus é maior e ninguém pode explicar.

Por isso mesmo, mergulhar nele, entregar-se a Ele, derramar a vida em seu serviço, diante dEle é uma escolha inigualável para o salmista.

O Eterno que o livrou do fundo lamacento do poço, cuja Criação é seu armazém de maravilhas e pensamentos, o Eterno que é único e incomparável, merece todo compromisso, toda entrega, toda dedicação.

Quando nos deparamos com a Realidade Última da Existência, com o Mistério, com o Infinito, com o Eterno, não temos como fugir de uma decisão.

Que possamos ter sempre uma decisão de liberdade: mergulhar no Inefável.

11.12.16

Esperando no fundo do poço

Eu esperei, esperei e esperei pelo Eterno
Finalmente, Ele olhou para mim; finalmente, Ele me ouviu.
Ele me ergueu do fosso,
tirou-me do fundo da lama.
Ele me pôs sobre uma rocha sólida
para se assegurar de que eu não escorregaria.
Ele me ensinou a cantar sua mais nova canção,
uma canção de louvor ao nosso Deus.
Cada vez mais pessoas estão vendo isso.
Elas entendem o mistério, abandonando-se nos braços do Eterno.
(Sl, 40. 1-3)

Todos nós já experimentamos o fundo do poço - ainda que possamos nos surpreender ao voltar ao poço e descobrir que o fundo é ainda mais fundo do que da última vez.

Todos nós já experimentamos, em algum grau, a sensação terrível de estarmos afundando em lama. Andar na lama é caminhar sem qualquer estabilidade, sem nenhuma segurança, sem paz, percebendo a possibilidade de se afogar a qualquer instante. Na lama, estamos sem firmeza, escorregando, sujando-se inteiro, receoso de cair e, sem conseguir novamente se erguer, se afogar com a sujeira. Corremos o risco de nos afogarmos - na lama não na água.

O poço de lama, fundo e sem perspectiva de saída, vai se assemelhando a uma tumba, à cova em que resto condenado à dor, ao sofrimento e à morte.

O fosso é fundo, fétido, escuro - quase não entra a luz do sol.  Respirar dói pela atmosfera pesada. Talvez fosse melhor ficar parado, quieto, esperando a morte para nos livrar de tão sofrida dimensão da vida.

Quem já andou em um piso molhado ou escorregadio, no chão enlameado ou mesmo num mangue, é capaz de entender a metáfora exposta pelo salmista.

É impossível sair, seja porque o fosso é muito fundo, seja porque a lama não nos dá estabilidade necessária para apoiarmos uma saída.

Lembro de uma cena da infância quando estavam realizando o esgotamento de uma fossa sanitária no prédio em que morava. Um trabalhador estava dentro do sumidouro vazio, mas a parede arrebentou-se e a lama fétida encheu o fosso rapidamente. O jovem quase morreu afogado pelo esgoto, mas foi retirado em tempo.

Essa é a imagem da dor, do sofrimento, da angústia.

O salmista se vê em um cenário sem esperança de saída por suas próprias forças.

Ele espera - espera muito - pelo Eterno.

Até que, finalmente, Deus o ouve. E o livra.

Há situações sem esperança na vida: de dor, angústia, sofrimento. Há situações em que esperamos contra a esperança, em Deus, porque é a única coisa que nos resta, a única coisa que nos protege da loucura. “Não havia esperança, mas Abraão creu” (Rm. 4.18).

Estar no fundo do poço, cercado de lama, se afogando, sem perspectiva de saída, é flertar com a loucura provocada pela dor e pelo isolamento.

O salmista esperou, esperou, esperou.

E findou por experimentar o socorro:

Ele me ergueu do fosso,
tirou-me do fundo da lama.
Ele me pôs sobre uma rocha sólida
para se assegurar de que eu não escorregaria.


Deus nos carrega. Ele nos conduz em Seus braços, em Suas poderosas mãos.

Ele nos tira do poço e nos ergue a um chão firme, a uma rocha onde podemos ter segurança, onde não escorregaremos, onde não há mais risco.

Pés firmes no chão.

Pode levar o tempo que levar - para o salmista pareceu tempo demais -, mas tudo é esquecido quando podemos trocar a lama e a insegurança dos nossos passos pela firmeza da rocha para onde somos conduzidos pelo Senhor.

Estamos livres daquele lugar fétido, apertado, escuro, instável e sem saída aparente no qual nos metemos e onde sofríamos de maneira indescritível.

Agora temos um ar para respirar, o sol para iluminar, uma vida e um mundo para observar, uma existência para curtir - não mais para sofrer.

Ele nos tira do poço de lama e nos salva.

E por isso mesmo, coloca em nós uma nova canção porque o coração, cheio de paz e alegria, agora quer cantar, dançar, pular em gratidão por tudo o que aconteceu.

Ele me ensinou a cantar sua mais nova canção,
uma canção de louvor ao nosso Deus.


E essa gratidão, e essa história de sofrimento e libertação, sendo cantada e sendo contada, falará do Deus que nos ama para cada vez mais pessoas, convidando-as a mergulharem no Mistério (melhor que um poço de lama sem fundo) e a abandonarem-se “nos braços do Eterno”.

O amor do Eterno nos traz de volta à vida.

10.12.16

Nos ritmos da graça

“Vocês estão cansados, enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja muito pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” (Mt. 11. 28-30).


A vida e o ministério de Jesus têm diversos significados possíveis, a maior parte deles igualmente válidos, que se somam uns aos outros no sentido de apontar para aquilo que Deus, cuja plenitude nele habitava, tinha a realizar por meio de Seu Filho.

Uma das coisas mais intensas que Jesus realizou em seu ministério foi relativizar o poder da lei e a importância da religião.

Todos nós julgamos precisar de coisas firmes e estáveis para, de nosso lado, termos firmeza e estabilidade. Uma forte religião, com características legalistas e com normas e padrões bem estabelecidos, é uma boa alternativa para a manutenção do controle e para a estabilização da vida.

É sempre mais fácil entregar a outro as rédeas de nossa existência e nos eximir da responsabilidade de tomar decisões e fazer escolhas na vida.

É mais seguro entregar as escolhas éticas que precisamos fazer ao manual de regras da vida que nos diga que, por exemplo, no sábado não me é permitido realizar nenhum trabalho. Contra essa regra, Jesus se insurgiu: “O sábado foi feito para servir às pessoas e não as pessoas para servirem o sábado” (Mc. 2. 27).

Entender a vida a partir do simples cumprimento da lei é mais fácil, ainda que mais pesado. Ter consciência da necessidade de tomar as próprias decisões é duro e, às vezes, mais doloroso.

Jesus passou todo o seu ministério preocupado em relativizar o valor da lei e, desse modo, enfrentava a rigidez da religião.

A fé deve ser libertadora, não castradora. Deve ser alimentada pelo amor e não pelo medo ou obrigação.

Foi o amor de Jesus que enfrentou a lei e a religião em João 8 quando salvou a mulher flagrada em adultério - que deveria, segundo a lei e a religião, ser apedrejada até a morte.

O amor e a fé são a mais pura verdade espiritual e, sabemos todos, que ao conhecermos a verdade, ela nos libertará (Jo. 8. 32).

Esse é o convite de Jesus - um convite para o amor a todos os que “estão cansados, enfastiados de religião”. Um convite a irmos até Ele. "Venham a mim! “

Ouso arriscar que a maior parte de nossas dores da alma resultam da pressão exercida por uma moralidade com viés religioso, uma forma de religião baseada no legalismo e regras de conduta espiritual pouco flexíveis.

Lembro da mulher do fluxo de sangue (Mc. 5, Mt. 9, Lc. 8) e vejo nela uma vítima da religião. Havia 12 anos que ela tinha uma hemorragia vaginal constante. Isso fazia dela uma mulher impura. Além dos bens que empregou tentando uma cura, podemos admitir que em 12 anos ela perdeu marido, família, amigos, tudo o mais, uma vez que nessa condição de impureza lhe restava o isolamento, uma vez que todos e tudo o que ela tocasse também se tornariam impuros.

Ao decidir enfrentar a multidão e tocar Jesus, a mulher, na verdade, decidiu enfrentar a lei e os seus preceitos. Ao se acotovelar no meio de todos, segundo a lei, ela tornou impuros todos aqueles que encostaram nela. Mais que isso: tornou impuro o Mestre que ela julgava ser capaz de libertá-la.

Você percebe? Antes de tocar Jesus, a mulher já se libertara de toda a opressão trazida e representada pela lei e pela religião.

Não acho difícil supor que sua doença tivesse um aspecto psicossomático e que representasse algo de sua culpa e da opressão da fé. Ao romper as barreiras que a prendiam, ela abriu caminho para a cura.

“Vocês estão cansados, enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja muito pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” (Mt. 11. 28-30).

Esse é o convite de Jesus para todos os que estamos em sofrimento, todos que sentimos o peso e a dor da lei e da religião. Não precisa ser assim. Ele veio relativizar a lei em favor da vida: “aprendam os ritmos livres da graça!”. Ele nos chama a sermos seus companheiros e, assim, aprenderemos “a viver com liberdade e leveza”.

Ainda haverá um fardo e um jugo, mas além de serem suaves e leves, teremos suas mãos para nos ajudarem em conduzí-los.

Não estaremos mais sós para enfrentar os pesos, as lutas e as dores que a vida nos coloca. Estaremos nEle, com Ele. Seremos seus companheiros, caminhando e trabalhando com Ele.

No ritmo da graça.