Quando estava anoitecendo, os discípulos aproximaram-se dele e aconselharam: “Estamos no meio do nada, e está ficando tarde. Despede o povo, para que eles saiam e consigam o que comer nas cidades”.
Jesus, porém, respondeu: “Não há necessidade de despedi-los. Vocês é que vão dar comida a eles”.
“Mas tudo que temos são cinco pães e dois peixes!”, disseram.
Jesus ordenou: “Tragam-nos aqui”. Em seguida, mandou o povo assentar-se na grama. Ele tomou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu, orou, abençoou o pão, partiu-o e entregou tudo aos discípulos. Eles repartiram com o povo, e todos comeram e ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras. E os que participaram da refeição foram cerca de cinco mil, fora mulheres e crianças.
Mateus 14. 15-21
Suponho que você conheça os relatos dos evangelhos que narram os episódios das multiplicações de pães e peixes - em João, apenas um episódio, nos outros evangelhos, dois.
O texto de Mateus, por exemplo, coloca os discípulos em posição central diante da ordem de Jesus: Vocês é que vão dar comida a eles. É como se Jesus dissesse que só poderia haver milagre se os discípulos assumissem seu papel e sua responsabilidade. Ou, no dizer do poeta Sérgio Vaz, é como se Jesus afirmasse que “milagres acontecem quando a gente vai à luta”. É preciso se envolver, é preciso participar, é preciso lutar.
Mas é possível que você nunca tenha pensado esse texto sob outro prisma de solidariedade. Uma interpretação possível para o milagre é que ele, antes de ser o de uma geração espontânea de alimentos do nada a partir da ação de Jesus, foi um maravilhoso milagre de solidariedade.
Convido você a suspender suas crenças sobre o evento do milagre e imaginar a cena por uma outra ótica.
São mais de cinco mil pessoas no deserto. O Mestre, então, dá graças a Deus pelo pouco alimento que conseguiu: cinco pães e dois peixes. E o distribui. O altruísmo e a solidariedade de Jesus o fazem entregar toda comida que tinham e que era pouca diante daquela multidão.
Não seria possível que o ato solidário de Jesus tenha estimulado a solidariedade em todos aqueles que, no meio da multidão, tinham sua particular porção de pão, seus poucos peixinhos, para se alimentar quando chegasse o jantar? A partir daí, cada um e todos passaram a compartilhar com os vizinhos do lado, da fila de trás, com as mulheres e as crianças em volta, o pouco que tinham - mas quando cada um deu o pouco que tinha em solidariedade, "todos comeram e ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras”.
O que acontece quando nos entregamos à solidariedade?
Outro dia uma comunidade religiosa de Natal se dispôs a fazer uma ação assistencial junto a sete entidades filantrópicas diversas da cidade e ao presídio feminino. A solidariedade foi tão intensa, que a quantidade de alimentos doados e entidades assistidas foi o dobro do previsto anteriormente. Multiplicação.
Espero que você já tenha sido alvo de solidariedade com eu já fui. Uma rede de amigos socorrendo, dando o ombro, estendendo a mão, apoiando nos maus momentos, incentivando nos bons.
E solidariedade se multiplica. Quando a solidariedade nos alcança somos impulsionados a sermos solidários com outros.
Para mim, imaginar a cena da multiplicação de pães e peixes sob a ótica da solidariedade amplifica a dimensão do milagre. É vivenciar a sugestão de Dietrich Bonhoeffer de que Deus se manifesta no mundo somente através de nossas ações.
É, por fim, reconhecer que Sérgio Vaz, afinal, tem razão: “milagres acontecem quando a gente vai à luta”.
20.12.16
19.12.16
Ressuscitem para a nova vida
Acordem!
Ressuscitem para a nova vida,
E Cristo mostrará a luz para vocês!
Portanto, olhem por onde andam. Usem a cabeça. Aproveitem ao máximo cada oportunidade. Vivemos tempos difíceis!
Efésios 5. 14-16
Não importa qual a sua compreensão sobre salvação, vida cristã ou vida com Deus. Independente do que você pensa acerca dessas noções fundamentais para a vida do que conhece e segue a Jesus, o texto da carta de Paulo aos Efésios é mais claro que qualquer de nossas diferenças de compreensão teológica.
Em primeiro lugar, conhecer a Deus por meio de Jesus equivale a um despertar, a um ressuscitar.
Acordem!
Ressuscitem para a nova vida,
E Cristo mostrará a luz para vocês!
Talvez seja necessário a cada um de nós passar várias vezes na vida por esse despertar, por essa ressurreição para uma vida nova. Talvez tenhamos que começar novas vidas muitas vezes ao longo de nossa existência. Talvez tenhamos que tomar consciência por mais de uma vez de que precisamos acordar para novas realidades ou verdades novas que até aqui não tínhamos percebido.
Seguir Jesus é estar disponível para acordar, disposto a várias ressurreições na vida.
A primeira vez que ouvi o chamado a acordar e ressuscitar para uma vida nova foi há pouco mais de 20 anos. Tinha 17 anos, passava por uma crise espiritual - sofria internamente porque, mesmo sendo kardecista, me questionava sobre a existência de um mundo espiritual, inclusive sobre a existência de Deus.
Além disso, no meio do ano de 1996 um colega de escola de minha idade faleceu em um acidente de carro. A morte de meu amigo serviu tão somente para reforçar a minha crise e minhas dúvidas.
Confesso que ao começar o segundo semestre letivo de 1996, a leitura de “O mundo de Sofia” começou a pavimentar meu caminho de retorno à crença na existência de Deus, mas não era suficiente.
Lembro de ter estado em um acampamento no início de setembro e lembro nitidamente como me sentia feliz naqueles dias - mas como se a felicidade não me pertencesse e ficasse tão-somente no meu exterior. Não havia felicidade ou alegria em meu coração - era um sentimento estranho do qual queria me livrar.
Ao tomar a decisão de me tornar seguidor de Jesus, no dia 8 de setembro de 1996, o fiz porque compreendi de uma maneira nova o que significava Jesus e sua morte na cruz.
Acho que nunca me senti tão feliz quanto naquele dia e nas semanas que se seguiram! Acordei, ressuscitei para uma nova vida!
Certamente essa foi a primeira vez que experimentei tão coisa, mas não a última. Ao longo desses 20 anos, ouvi o mesmo chamado do Senhor muitas outras vezes - a mais recente há não mais que algumas semanas.
Esteja pronto para que o Senhor o desperte, o chame a ressuscitar para uma nova vida, não importa há quanto tempo você seja seu discípulo, não importam suas crenças sobre Ele, não importa o que você conheça e esteja feliz sobre sua vida. "E Cristo mostrará a luz para vocês!”
A segunda coisa que se destaca nesse questão é que “vivemos tempos difíceis!”.
É verdade que Deus nos chama à renovação de nossa vida em Jesus e Ele, por isso, nos piores momentos, nos mostrará a luz, mas é verdade também que os tempos são difíceis.
Provavelmente somente você sabe quão difíceis estão sendo os seus dias. Só você e Deus sabem quando o coração aperta angustiado. Só você e Deus conhecem as lágrimas que você tem derramado. Só você e Deus sabem as suas dificuldades em honrar seus compromissos.
Só Deus sabe o quão difíceis são os dias. Vale muito para enfrentarmos tais momentos saber que fomos chamados a uma vida nova iluminada por Cristo. Essa é uma vida que nos energiza, nos capacita, nos habilita à nova vida.
Por isso, em terceiro lugar, devemos estar atentos por onde andamos, termos atenção e usarmos a cabeça, aproveitando ao máximo cada oportunidade.
Portanto, olhem por onde andam. Usem a cabeça. Aproveitem ao máximo cada oportunidade.
Por que deixamos as oportunidades mais ricas de nossa vida passarem sem que sequer tomemos consciência delas?
Lembro da minha sensação nos estádios da Copa das Confederações, em 2013, e na Copa do Mundo, em 2014. Estava ali experimentando um sonho de criança (ver um jogo do Brasil em uma Copa do Mundo no estádio!), ao lado de gente do mundo todo em uma rica experiência cultural e esportiva, e, por vezes, eu sentia que não estava ali, que aquilo não era comigo. Era como se eu optasse em assistir o jogo pelo telão do estádio em vez de olhar para o campo e ver os dribles de Neymar.
Eu não estava ali, realmente aproveitando as oportunidades, e aquilo me incomodava profundamente.
Só há um jeito de que possamos pesar bem nossas decisões e aproveitar bem as oportunidades, por mais difíceis que sejam nossos dias: ouvindo e atendendo o chamado do Senhor.
Acordem!
Ressuscitem para a nova vida,
E Cristo mostrará a luz para vocês!
Que uma vez mais e sempre que seja necessário, você ouça seu chamado e ressuscite sempre de novo para uma nova vida, desperto e iluminado por Jesus.
18.12.16
Corro
Eu corro para ti, ó Eterno; corro por minha própria vida
Salmo 31.1
As cenas de guerra e seus respectivos refugiados sempre nos impressionam. Milhões de pessoas que fogem, fogem, por vezes, sem destino, caminhadas sem um sentido claro, orientam-se unicamente pelo desejo ardente de escapar, de sobreviver.
São os sírios cruzando o Mediterrâneo em barcos que também colocam em risco suas vidas. São corredores humanitários para remover civis devastados de cidades como Aleppo.
Foram judeus fugindo de áreas ocupadas pelas tropas alemãs na segunda guerra. São os palestinos, vítimas de Israel, cercados e subjugados em Gaza e na Cisjordânia.
Sempre desejamos fugir para salvar a nossa vida quando uma ameaça assim nos visita. É instinto.
O instinto só consegue ser subjugado quando nossa vitalidade ou nossa energia já não estão mais lá. Quando cansamos de fugir ou quando o sofrimento nos devastou tanto ou quando a dor nos fez desistir. Queremos só ficar para trás e morrer.
Estou lendo “Em busca de sentido”, de Viktor Frankl, que conta sua experiência nos campos de concentração nazista, especialmente Auschwitz. Em determinado momento ele explica o que são os cupons-prêmio que prisioneiros recebiam em função de realizarem algum trabalho mais perigoso, que lhes expunha a vida em risco. Cada um valia 50 centavos e podia ser trocado por seis cigarros. Certa vez, ele recebeu dois cupons - tinha, portanto, o equivalente a 12 cigarros. Só que 12 cigarros podiam ser trocados por 12 sopas. Ele explica:
Podemos desistir. É uma possibilidade que sempre está no nosso horizonte. Eu mesmo, você deve saber, desisti. Por mais de uma vez. Diante de uma situação impossível, de uma dor imensurável, de um vazio intransponível, eu desisti. Tentei fumar os meus cigarros, sem esperança.
Mas, ainda assim, não era o fim.
Por pior que a situação pareça, não é o fim.
Eu corro para ti, ó Eterno; corro por minha própria vida.
Voltar-me ao Eterno não foi uma opção por aumentar o prazer na vida, por ver as orações e súplicas (as mais difíceis) atendidas, por ver os desejos do coração, finalmente, realizados pela mão do Senhor.
Voltar-me ao Eterno foi tão-somente a única opção que eu tinha pela vida. Um dia, percebi que não aguentava mais tal sofrimento e me coloquei a correr para o Senhor.
Correr para o Senhor não é qualquer corrida. Para mim, era correr por minha própria vida.
Sua história pode não incluir os momentos duros e dolorosos que a minha incluiu. Pode não chegar nem perto do nível de desesperança de um prisioneiro de Auschwitz que decidiu fumar seus cigarros. Independente do que signifique e do que traduza, vale para mim, para você ou para qualquer outra pessoa em sofrimento: correr para o Eterno é correr por sua vida. Estar nas mãos dele, diante dele, é reestruturar a vida em um novo centro, é construir na vida uma saída, uma nova esperança. É estar vivo e viver verdadeiramente sua vida.
Eu corro para ti, ó Eterno; corro por minha própria vida
Salmo 31.1
As cenas de guerra e seus respectivos refugiados sempre nos impressionam. Milhões de pessoas que fogem, fogem, por vezes, sem destino, caminhadas sem um sentido claro, orientam-se unicamente pelo desejo ardente de escapar, de sobreviver.
São os sírios cruzando o Mediterrâneo em barcos que também colocam em risco suas vidas. São corredores humanitários para remover civis devastados de cidades como Aleppo.
Foram judeus fugindo de áreas ocupadas pelas tropas alemãs na segunda guerra. São os palestinos, vítimas de Israel, cercados e subjugados em Gaza e na Cisjordânia.
Sempre desejamos fugir para salvar a nossa vida quando uma ameaça assim nos visita. É instinto.
O instinto só consegue ser subjugado quando nossa vitalidade ou nossa energia já não estão mais lá. Quando cansamos de fugir ou quando o sofrimento nos devastou tanto ou quando a dor nos fez desistir. Queremos só ficar para trás e morrer.
Estou lendo “Em busca de sentido”, de Viktor Frankl, que conta sua experiência nos campos de concentração nazista, especialmente Auschwitz. Em determinado momento ele explica o que são os cupons-prêmio que prisioneiros recebiam em função de realizarem algum trabalho mais perigoso, que lhes expunha a vida em risco. Cada um valia 50 centavos e podia ser trocado por seis cigarros. Certa vez, ele recebeu dois cupons - tinha, portanto, o equivalente a 12 cigarros. Só que 12 cigarros podiam ser trocados por 12 sopas. Ele explica:
(…) [os prisioneiros comuns] costumavam trocar por gêneros alimentícios aqueles cigarros que recebiam através de cupons-prêmios (…) a não ser que tivessem desistido de continuar vivendo, por terem perdido as esperanças, resolvendo ‘gozar’ os últimos dias de vida que ainda tinham pela frente. Quando um colega começava a fumar seus poucos cigarros, já sabíamos que havia perdido a esperança de poder continuar - e, de fato, então não aguentava mais.
Podemos desistir. É uma possibilidade que sempre está no nosso horizonte. Eu mesmo, você deve saber, desisti. Por mais de uma vez. Diante de uma situação impossível, de uma dor imensurável, de um vazio intransponível, eu desisti. Tentei fumar os meus cigarros, sem esperança.
Mas, ainda assim, não era o fim.
Por pior que a situação pareça, não é o fim.
Eu corro para ti, ó Eterno; corro por minha própria vida.
Voltar-me ao Eterno não foi uma opção por aumentar o prazer na vida, por ver as orações e súplicas (as mais difíceis) atendidas, por ver os desejos do coração, finalmente, realizados pela mão do Senhor.
Voltar-me ao Eterno foi tão-somente a única opção que eu tinha pela vida. Um dia, percebi que não aguentava mais tal sofrimento e me coloquei a correr para o Senhor.
Correr para o Senhor não é qualquer corrida. Para mim, era correr por minha própria vida.
Sua história pode não incluir os momentos duros e dolorosos que a minha incluiu. Pode não chegar nem perto do nível de desesperança de um prisioneiro de Auschwitz que decidiu fumar seus cigarros. Independente do que signifique e do que traduza, vale para mim, para você ou para qualquer outra pessoa em sofrimento: correr para o Eterno é correr por sua vida. Estar nas mãos dele, diante dele, é reestruturar a vida em um novo centro, é construir na vida uma saída, uma nova esperança. É estar vivo e viver verdadeiramente sua vida.
Eu corro para ti, ó Eterno; corro por minha própria vida
17.12.16
O Tesouro
Tu foste minha primeira e única escolha, ó Eterno.
E, agora, descubro que sou tua escolha!
Salmo 16.5
O que é importante em nossa vida? O que vale a pena acima de tudo? Em favor de que você é capaz de entregar tudo?
Há diversos projetos de vida e ideologias na existência que, de alguma maneira, justificariam sua entrega total e absoluta.
A entrega total é manifesta na história por meio dos mártires. E não falo só de mártires cristãos, como equivocadamente você possa ter entendido.
Imagine um homem como Che Guevara, capaz de ir até a morte, executado pela CIA e pelo Exército Boliviano, em fidelidade às suas crenças e à sua ideologia de revolução.
Lembre de gente como Mahatma Gandhi, morto pela sua Índia e por sua fidelidade ao pacifismo.
Pense no pastor Martin Luther King, Jr, executado em Memphis por sua fidelidade à luta de libertação dos negros norte-americanos.
Cada um desses, e outros, deixaram um legado eterno e inesquecível por terem se entregado de corpo e alma à sua luta, à sua crença e arcado com todas as inimagináveis consequências de sua entrega total e absoluta.
Eles assumiram um projeto pelo qual valia a pena viver. E todo projeto pelo qual vale a pena viver é suficiente também para que morramos por ele.
O Reino de Deus deveria ser vivenciado por nós na mesma dimensão - ou em uma dimensão ainda mais radical.
É como disse Jesus na Parábola do Tesouro (Mateus 13. 44):
O Reino de Deus é como um tesouro escondido num campo por muitos anos, até ser acidentalmente encontrado por uma pessoa. Ela fica eufórica com a descoberta e vende tudo que possui a fim de reunir a quantia necessária para comprar aquele campo.
O encontro com o Eterno, com Jesus e com Seu Projeto de Reino provocam uma mudança tão intensa que não é possível permanecer o mesmo. Encontramos em Jesus um motivo pelo qual viver em intensidade - e sendo um motivo suficiente para mobilizar nossa vida, é um motivo para nos entregarmos a ele até o fim.
Vale a pena trocar tudo da vida por esse tesouro escondido - o mais precioso dos tesouros.
Esse mais precioso tesouro que faz valer a pena a entrega total e absoluta, esse tesouro há de ser a minha primeira escolha. Esse tesouro é a mais importante e mais prioritária escolha de nossas vidas. Vale a pena abrir mão de tudo o mais para estar com o tesouro, mergulhar no rio da vida, no Eterno, experimentar ao máximo a relação com a Realidade Última da Existência, o Deus Inefável e Inominável que se revela integralmente em Jesus.
O que surpreende o salmista - e que deveria nos surpreender - não é a obviedade de termos em Deus nossa escolha prioritária.
E, agora, descubro que sou tua escolha!
Se parece inexorável que escolhamos o Tesouro escondido, trocando tudo por ele, a surpresa é descobrir que o Tesouro também nos escolhe.
Não uma escolha genérica, qualquer, vazia de propósito, como um produto qualquer retirado de uma prateleira de supermercado.
O Tesouro tem em mim e em você a sua escolha.
Ele me escolheu, pessoalmente e amorosamente. Assim como eu daria tudo por aquele tesouro escondido, o Eterno também daria tudo para me ter com Ele, em Suas mãos, na sua casa, em sua intimidade.
Ele escolheu você, pessoalmente e amorosamente. Ele fará qualquer coisa para ter você com Ele, em sua intimidade.
Ele é o Pai que ama você e você é o filho amado por esse Pai. Esse Pai fará qualquer coisa para ter você em sua casa.
O pai nem quis escutar. Chamou os empregados e ordenou: ‘Rápido, tragam uma roupa decente para ele! Tragam também o anel da família e um par de sandálias. Depois vão buscar uma novilha bem gorda e preparem um churrasco. Vamos festejar! Vamos nos divertir! Meu filho está aqui — vivo! Não está mais perdido: foi achado!’. E a festa começou.
Lucas 15.22-24
E, agora, descubro que sou tua escolha!
Salmo 16.5
O que é importante em nossa vida? O que vale a pena acima de tudo? Em favor de que você é capaz de entregar tudo?
Há diversos projetos de vida e ideologias na existência que, de alguma maneira, justificariam sua entrega total e absoluta.
A entrega total é manifesta na história por meio dos mártires. E não falo só de mártires cristãos, como equivocadamente você possa ter entendido.
Imagine um homem como Che Guevara, capaz de ir até a morte, executado pela CIA e pelo Exército Boliviano, em fidelidade às suas crenças e à sua ideologia de revolução.
Lembre de gente como Mahatma Gandhi, morto pela sua Índia e por sua fidelidade ao pacifismo.
Pense no pastor Martin Luther King, Jr, executado em Memphis por sua fidelidade à luta de libertação dos negros norte-americanos.
Cada um desses, e outros, deixaram um legado eterno e inesquecível por terem se entregado de corpo e alma à sua luta, à sua crença e arcado com todas as inimagináveis consequências de sua entrega total e absoluta.
Eles assumiram um projeto pelo qual valia a pena viver. E todo projeto pelo qual vale a pena viver é suficiente também para que morramos por ele.
O Reino de Deus deveria ser vivenciado por nós na mesma dimensão - ou em uma dimensão ainda mais radical.
É como disse Jesus na Parábola do Tesouro (Mateus 13. 44):
O Reino de Deus é como um tesouro escondido num campo por muitos anos, até ser acidentalmente encontrado por uma pessoa. Ela fica eufórica com a descoberta e vende tudo que possui a fim de reunir a quantia necessária para comprar aquele campo.
O encontro com o Eterno, com Jesus e com Seu Projeto de Reino provocam uma mudança tão intensa que não é possível permanecer o mesmo. Encontramos em Jesus um motivo pelo qual viver em intensidade - e sendo um motivo suficiente para mobilizar nossa vida, é um motivo para nos entregarmos a ele até o fim.
Vale a pena trocar tudo da vida por esse tesouro escondido - o mais precioso dos tesouros.
Esse mais precioso tesouro que faz valer a pena a entrega total e absoluta, esse tesouro há de ser a minha primeira escolha. Esse tesouro é a mais importante e mais prioritária escolha de nossas vidas. Vale a pena abrir mão de tudo o mais para estar com o tesouro, mergulhar no rio da vida, no Eterno, experimentar ao máximo a relação com a Realidade Última da Existência, o Deus Inefável e Inominável que se revela integralmente em Jesus.
O que surpreende o salmista - e que deveria nos surpreender - não é a obviedade de termos em Deus nossa escolha prioritária.
E, agora, descubro que sou tua escolha!
Se parece inexorável que escolhamos o Tesouro escondido, trocando tudo por ele, a surpresa é descobrir que o Tesouro também nos escolhe.
Não uma escolha genérica, qualquer, vazia de propósito, como um produto qualquer retirado de uma prateleira de supermercado.
O Tesouro tem em mim e em você a sua escolha.
Ele me escolheu, pessoalmente e amorosamente. Assim como eu daria tudo por aquele tesouro escondido, o Eterno também daria tudo para me ter com Ele, em Suas mãos, na sua casa, em sua intimidade.
Ele escolheu você, pessoalmente e amorosamente. Ele fará qualquer coisa para ter você com Ele, em sua intimidade.
Ele é o Pai que ama você e você é o filho amado por esse Pai. Esse Pai fará qualquer coisa para ter você em sua casa.
O pai nem quis escutar. Chamou os empregados e ordenou: ‘Rápido, tragam uma roupa decente para ele! Tragam também o anel da família e um par de sandálias. Depois vão buscar uma novilha bem gorda e preparem um churrasco. Vamos festejar! Vamos nos divertir! Meu filho está aqui — vivo! Não está mais perdido: foi achado!’. E a festa começou.
Lucas 15.22-24
16.12.16
Não te demores
E eu? Eu sou um nada e não tenho nada.
Peço-te que faças alguma coisa de mim.
Tu podes e tens o que é necessário para ajudar,
mas, por favor, não te demores.
Salmo 40. 17
É muito difícil para nós vivermos sem o controle de elementos fundamentais de nossa vida. Entregar-se a essa falta de controle, às circunstâncias que nos superam fundamentalmente, às lutas que são maiores que nós, a questões que claramente não podemos resolver, faz com que nos vejamos de um tamanho menor do que gostaríamos de admitir que possuímos.
Gostamos de ter controle, de administrar nossa luta, de usar nossas forças para resolver os nossos problemas - problemas que só nos pertencem e a ninguém mais. Costumamos achar, inclusive, que esse é um claro sinal de maturidade na vida.
Mas todos nós já fomos postos diante de alguma circunstância que era impossível que resolvêssemos por nossas próprias forças. Tal como o rei daquela estória infantil, todos nós já tivemos algum momento em que estávamos nus diante de todos, numa demonstração evidente de nossa fragilidade, de nosso vazio, de nosso pequeno tamanho e de nossa incapacidade de resolver os problemas que nos acometem. Eles são bem maiores e estão muito além de nossa capacidade.
O Salmo 40 se encerra com uma súplica que relembra o modo de seu início - Deus tirando o salmista do fundo de poço fétido e lamacento. É como se toda a oração tivesse sido escrita para lembrar a Deus e ao salmista todo livramento extraordinário que o Senhor já tinha promovido e que, diante de seu problema atual, recorrer novamente a Deus pode ser causa de mais segurança e esperança. Lembrar que o salmista não tem forças e não pode pretender encarar seus problemas em suas próprias forças.
“E eu? Eu sou um nada e não tenho nada”.
O salmista reconhece que diante das circunstâncias que tem diante de si, ele não é nada - é como o rei nu.
Não me parece uma frase de quem tem pouco auto-estima, mas de alguém que reconhece que seus problemas estão além de suas forças.
Porque somente Deus pode e tem a força necessária para ajudar.
"Peço-te que faças alguma coisa de mim.
Tu podes e tens o que é necessário para ajudar,
mas, por favor, não te demores”
A gente passa por lutas e circunstâncias da vida capazes de nos soterrar completamente. Coisas que nos fazem crer que vamos ser definitivamente tragados, que não temos como escapar, que seremos sufocados e mortos, que os problemas vão eventualmente nos matar. Nessas horas, olhamos para nós e para quem está ao nosso lado e temos a convicção que não temos como escapar.
Só nos resta olhar e buscar pelo Eterno.
Se há alguém que pode fazer algo e nos ajudar, é ele.
Podemos, diante dele, rasgar o coração, derramar a alma, clamar. Ele tem o que é necessário para nos ajudar.
E podemos esperar, não apenas por sua ação em nosso socorro, mas que essa ação virá no tempo preciso.
Nus, diante do Senhor, podemos confiar que Ele cuida de nós e fará tudo o que puder para nos resgatar, socorrer, ajudar em nossa dor e sofrimento, no momento exato.
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