Ele fez deles seu povo,
os filhos de Deus.
Filhos nascidos de Deus,
não nascidos do sangue,
não nascidos da carne,
não nascidos do sexo.
João 1. 12-13
Nos últimos dois anos tenho pensado muito sobre o sentido da vida. Em um primeiro momento, percebi de uma maneira inteiramente única na vida (mesmo nas duas décadas de vida como evangélico), como o evangelho de Jesus constitui-se no melhor projeto para vida, dando sentido a ela.
Lembro da riqueza das emoções que, ainda presentes, tomaram meu coração quando comecei a entender que para o evangelho ter sentido na vida, ele não podia ser necessário, mas uma escolha.
Algo que é necessário não enriquece ninguém nem ajuda a que as coisas tenham sentido. Se é necessário, não posso fazer nada e nada ganho em vivenciar aquela experiência.
A riqueza do evangelho passou a ser, para mim, a convicção de que ele não é necessário, um projeto de vida a que adiro. E esse projeto dava um sentido único à vida, não à morte. Diferente de uns tantos movimentos religiosos que pregam mensagens que falam daquilo que se dará conosco após morrermos, encontrar a riqueza do evangelho como projeto e sentido passou a significar um comprometimento único com a vida, independentemente da morte.
Era Natal para mim a todo momento: Jesus estava nascendo.
Mas pensar no sentido não me era suficiente. Sentido, mesmo sendo sinônimo de significado, tem em si implicada a ideia de movimento. Sentido é algo que me ajuda a entender em movimento, por causa de algo que faço. É como um vetor que aponta uma direção e me põe em movimento e em ação naquela direção. Ter sentido na vida é compreendê-la em ação, em movimento, por algo que eu preciso fazer.
Hoje é Natal: Jesus nasceu.
Então, percebi que precisava de algo mais que sentido. Precisava encontrar meu significado.
Entre tantos significados possíveis para mim e para minha vida, o Natal de Jesus nos traz o mais importante:
Ele fez deles seu povo,
os filhos de Deus.
Filhos nascidos de Deus,
não nascidos do sangue,
não nascidos da carne,
não nascidos do sexo.
Mais do que sentido, precisamos de significado. Nós significamos algo. O Natal de Jesus nos faz significar algo fundamental: somos povo de Deus e, mais importante ainda, somos seus filhos.
Independente do que fazemos, dos sentidos que damos à vida, das direções que seguimos, dos caminhos que trilhamos, temos significado: somos seus filhos, e não foi nada contingente ou humano que nos fez seus filhos.
Independente do pai e da mãe que você teve na vida concreta, somos filhos de Deus.
Independente de qualquer traição ou sofrimento sentido, somos filhos de Deus.
Independente de sua incapacidade de agir ou dar sentido à vida, somos filhos de Deus.
Nascemos dele. Nosso sentido está em Seu Evangelho, suas boas notícias. Nosso significado é sermos Seus filhos amados.
Ele é o Pai, Amor Todo-Poderoso.
Somos filhos amados.
É quem Ele é. É quem nós somos.
24.12.16
23.12.16
Primavera
Ele sopra sobre o inverno, e de repente é primavera!
Salmo 147. 18
Em geral, as avaliações sobre o ano que se encerra, 2016, não têm sido positivas. As redes sociais estão cheias de pessoas lamentando tudo o que se deu nesse ano e, desse modo, buscam renovar as esperanças sobre o ano que virá em breve.
Muitos de nós devem considerar que 2016 deve ter sido o pior ano de suas vidas, seja por crises pessoais, familiares, pela crise econômica, pela crise política, pelas guerras ou acidentes trágicos. Um ano infernal. Ou invernal.
O cenário descrito nesse trecho do Salmo 147 é de um rigoroso e sofrível inverno:
Ele espalha a neve como lã branca
e esparrama a geada como cinzas.
Ele espalha granizo como alpiste:
quem pode sobreviver ao seu inverno?
Então, ele dá uma ordem, e tudo derrete.
Salmo 147. 16-18
Faz lembrar, mais uma vez, os relatos de Viktor Frankl (“Em busca de sentido”). Frankl descreve o inverno no campo de Auschwitz. Os prisioneiros iam para os campos de trabalho pressionados por soldados, com temperaturas de até 20 graus negativos, vestindo parcos agasalhos, com calçados velhos, amarrados com arames e que, na maior parte do tempo, não cambiam os pés inchados e feridos dos prisioneiros. Por vezes, a dor era insuportável, quando não forçava os internados a caminharem no gelo e na neve se pés descalços. Frankl descreve momentos de ver os pés feridos dos companheiros que chegavam, inclusive, a perderem dedos que simplesmente fragmentavam-se, congelados.
É esse o inferno. É esse o inverno.
Entre abril e maio de 1945, o sol brilhou: a frente de batalha chegou ao campo e os prisioneiros sobreviventes se viram livres.
Ele sopra sobre o inverno, e de repente é primavera!
Podemos estar vivendo debaixo do mais rigoroso inverno, com agasalhos insuficientes, pés feridos e descalços, poucas calorias para nos alimentar e ajudar a resistir. Podemos, no entanto, estar certos: Ele vai soprar, derreter a neve e o gelo e “de repente é primavera!”
O jardim florescerá novamente. As flores perfumarão mais uma vez. O sol brilhará de novo. Os animais correrão livres. Nós estaremos nas ruas experimentando toda a beleza, todo o aroma e toda a riqueza da primavera.
O céu não mais estará cinzento. Não mais estaremos presos. O inverno não dura para sempre, ainda que não consigamos enxergar, por vezes, nem a saída, nem o fim, nem cinco dedos a frente do nosso nariz.
Eu já experimentei isso: o inverno não é eterno, por mais tempo que pareça durar.
Salmo 147. 18
Em geral, as avaliações sobre o ano que se encerra, 2016, não têm sido positivas. As redes sociais estão cheias de pessoas lamentando tudo o que se deu nesse ano e, desse modo, buscam renovar as esperanças sobre o ano que virá em breve.
Muitos de nós devem considerar que 2016 deve ter sido o pior ano de suas vidas, seja por crises pessoais, familiares, pela crise econômica, pela crise política, pelas guerras ou acidentes trágicos. Um ano infernal. Ou invernal.
O cenário descrito nesse trecho do Salmo 147 é de um rigoroso e sofrível inverno:
Ele espalha a neve como lã branca
e esparrama a geada como cinzas.
Ele espalha granizo como alpiste:
quem pode sobreviver ao seu inverno?
Então, ele dá uma ordem, e tudo derrete.
Salmo 147. 16-18
Faz lembrar, mais uma vez, os relatos de Viktor Frankl (“Em busca de sentido”). Frankl descreve o inverno no campo de Auschwitz. Os prisioneiros iam para os campos de trabalho pressionados por soldados, com temperaturas de até 20 graus negativos, vestindo parcos agasalhos, com calçados velhos, amarrados com arames e que, na maior parte do tempo, não cambiam os pés inchados e feridos dos prisioneiros. Por vezes, a dor era insuportável, quando não forçava os internados a caminharem no gelo e na neve se pés descalços. Frankl descreve momentos de ver os pés feridos dos companheiros que chegavam, inclusive, a perderem dedos que simplesmente fragmentavam-se, congelados.
É esse o inferno. É esse o inverno.
Entre abril e maio de 1945, o sol brilhou: a frente de batalha chegou ao campo e os prisioneiros sobreviventes se viram livres.
Ele sopra sobre o inverno, e de repente é primavera!
Podemos estar vivendo debaixo do mais rigoroso inverno, com agasalhos insuficientes, pés feridos e descalços, poucas calorias para nos alimentar e ajudar a resistir. Podemos, no entanto, estar certos: Ele vai soprar, derreter a neve e o gelo e “de repente é primavera!”
O jardim florescerá novamente. As flores perfumarão mais uma vez. O sol brilhará de novo. Os animais correrão livres. Nós estaremos nas ruas experimentando toda a beleza, todo o aroma e toda a riqueza da primavera.
O céu não mais estará cinzento. Não mais estaremos presos. O inverno não dura para sempre, ainda que não consigamos enxergar, por vezes, nem a saída, nem o fim, nem cinco dedos a frente do nosso nariz.
Eu já experimentei isso: o inverno não é eterno, por mais tempo que pareça durar.
"O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa", uma das Crônicas de Nárnia, apresenta uma boa imagem desta situação. Nárnia está mergulhada em um inverno que as pessoas pensam ser eterno porque, aparentemente, Aslam deixou o Reino derrotado pela Feiticeira Branca.
A estória é uma ilustração do evangelho de C.S. Lewis.
Quando o Leão ruge, a neve derrete.
Ele sopra sobre o inverno, e de repente é primavera!
Ele sopra sobre o inverno, e de repente é primavera!
22.12.16
Diante da instabilidade
Levanto os olhos para os montes:
será que é de lá que vem a minha força?
Não, minha força vem do Eterno,
que fez o céu, a terra e as montanhas.
Salmo 121. 1-2
Apesar de nosso desejo de que a vida siga sem atropelos, uma das poucas coisas que podemos ter certeza é que a nossa caminhada nunca será tão estável quanto desejaríamos.
Erraremos e vacilaremos, as circunstâncias da vida nem sempre nos serão agradáveis e positivas, temeremos: vez por outra tudo isso ocorrerá. Teremos ciclos em que nos sentiremos virtuosos e teremos outros em que a dor nos visitará.
Cada um pode encontrar seu caminho para encarar tais momentos. Estou lendo a obra de Viktor Frankl, “Em busca de sentido”, e ele se preocupa em descrever como os prisioneiros dos campos de concentração nazistas eram capazes de resistir e encontrar sentido para as suas vidas. Apesar de representar um momento único e terrível na história humana, percebo que muitos dos processos assumidos pelos internados em Auschwitz podem nos ajudar em nossas pequenas e sensíveis dores diárias.
Quando tudo o mais é instável, qual o seu melhor caminho para encontrar estabilidade para enfrentar as circunstâncias e as dores?
O salmista assume uma postura única em busca da força e da estabilidade necessárias:
Levanto os olhos para os montes:
será que é de lá que vem a minha força?
Não, minha força vem do Eterno,
que fez o céu, a terra e as montanhas.
Nada melhor que entregar a vida, as fraquezas, a instabilidade e toda dor nas mãos do Eterno. A eternidade é estável, firme, forte, constante.
Se há algo ou alguém em que podemos confiar para vivermos de maneira estável e segura esse alguém é o Eterno.
Se há algo em que podemos confiar é na segurança e força que nos vem do Eterno. Ele nos tomará em Suas mãos. Ele nos dirá Sua Palavra consoladora. Ele nos erguerá do ordinário e nos protegerá em Seu colo.
O salmista sente-se perdido. Olha em volta e não vê saída ou socorro. Está frágil, inseguro, sofrendo. De onde poderia vir o seu socorro?
O salmista entende a resposta: é o Eterno, vem do Eterno. Somente o Eterno poderia cuidar dele e protege-lo, nos melhores e nos piores momentos.
Você pode se ver no lugar do salmista - em seus melhores e em seus piores momentos. Perdido, saiba que o Eterno cuida de você. Achado, veja nEle a sua força para suportar a cada momento de sua vida.
Render-se a Ele é o melhor remédio para encarar a dor e a instabilidade da vida.
Canto, então, a canção:
“Senhor, temos tanta fome de ti, temos tanta sede de ti”.
será que é de lá que vem a minha força?
Não, minha força vem do Eterno,
que fez o céu, a terra e as montanhas.
Salmo 121. 1-2
Apesar de nosso desejo de que a vida siga sem atropelos, uma das poucas coisas que podemos ter certeza é que a nossa caminhada nunca será tão estável quanto desejaríamos.
Erraremos e vacilaremos, as circunstâncias da vida nem sempre nos serão agradáveis e positivas, temeremos: vez por outra tudo isso ocorrerá. Teremos ciclos em que nos sentiremos virtuosos e teremos outros em que a dor nos visitará.
Cada um pode encontrar seu caminho para encarar tais momentos. Estou lendo a obra de Viktor Frankl, “Em busca de sentido”, e ele se preocupa em descrever como os prisioneiros dos campos de concentração nazistas eram capazes de resistir e encontrar sentido para as suas vidas. Apesar de representar um momento único e terrível na história humana, percebo que muitos dos processos assumidos pelos internados em Auschwitz podem nos ajudar em nossas pequenas e sensíveis dores diárias.
Quando tudo o mais é instável, qual o seu melhor caminho para encontrar estabilidade para enfrentar as circunstâncias e as dores?
O salmista assume uma postura única em busca da força e da estabilidade necessárias:
Levanto os olhos para os montes:
será que é de lá que vem a minha força?
Não, minha força vem do Eterno,
que fez o céu, a terra e as montanhas.
Nada melhor que entregar a vida, as fraquezas, a instabilidade e toda dor nas mãos do Eterno. A eternidade é estável, firme, forte, constante.
Se há algo ou alguém em que podemos confiar para vivermos de maneira estável e segura esse alguém é o Eterno.
Se há algo em que podemos confiar é na segurança e força que nos vem do Eterno. Ele nos tomará em Suas mãos. Ele nos dirá Sua Palavra consoladora. Ele nos erguerá do ordinário e nos protegerá em Seu colo.
O salmista sente-se perdido. Olha em volta e não vê saída ou socorro. Está frágil, inseguro, sofrendo. De onde poderia vir o seu socorro?
O salmista entende a resposta: é o Eterno, vem do Eterno. Somente o Eterno poderia cuidar dele e protege-lo, nos melhores e nos piores momentos.
Você pode se ver no lugar do salmista - em seus melhores e em seus piores momentos. Perdido, saiba que o Eterno cuida de você. Achado, veja nEle a sua força para suportar a cada momento de sua vida.
Render-se a Ele é o melhor remédio para encarar a dor e a instabilidade da vida.
Canto, então, a canção:
“Senhor, temos tanta fome de ti, temos tanta sede de ti”.
21.12.16
Pai Nosso
Nosso Pai do céu,
Revela-nos quem tu és.
Dá um jeito neste mundo.
Mateus 6. 9
Hoje eu acordei pela madrugada impressionado com um pesadelo que tivera. O pesadelo, de verdade, não me assustou porque eu tinha consciência de que estava dormindo, mas me impressionou a riqueza de detalhes da narrativa até o momento em que acordei.
O mal momento trazido por um sonho ruim mexe integralmente com o espírito com o qual a gente encara o dia que nasce. A vida é frágil, nem sempre temos controle e acesso a todos os aspectos que a envolvem e isso tem de nos ensinar a lidar com nossas ansiedades e nossas angústias.
O caminho de saída do fundo dos nossos poços pode refluir por uma ansiedade mal colocada ou mal resolvida, por uma situação angustiante sobre a qual não temos nenhum controle.
Também nos faz mal a percepção de que nos falte amor - porque o amor é o vínculo da perfeição e o melhor suporte possível para a nossa estabilidade na vida.
As vezes, é somente aquela dor que você sabe que ainda não curou que aparece de novo para lembrar sua fragilidade - seu espinho na carne.
Ou por vezes o que nos fragiliza é a consciência dos erros que cometemos, os pecados que fizemos e que ainda sofremos suas consequências.
Nem toda manhã é fácil.
Quando ela não é fácil, o que nos resta fazer?
Eu oro.
A oração pode nos ajudar com as nossas necessidades mais básicas - e nem estou falando sobre pedidos sendo respondidos, clamores alcançando a misericórdia divina.
Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, suas palavras foram simples. E aqui não quero nem destacar o Pai Nosso em sua inteireza:
Nosso Pai do céu,
Revela-nos quem tu és.
Dá um jeito neste mundo.
Amanheci o dia sofrendo por causa do amor? Deus é o nosso Pai! Podemos nos refrigerar no seu Amor Todo-Poderoso, Amor de Pai.
Não sei bem o que está acontecendo na vida porque há coisas que vão além do meu controle? “Revela-nos quem tu és”: podemos, em oração, conhecer em profundidade de intimidade quem é o Deus a quem servimos.
Um Pai que nos ama, um Deus que revela a Si a cada um de nós.
E como a ansiedade pode sobreviver diante de um Deus que pode dar “um jeito neste mundo”?
Quando o dia começa mal, quando a ansiedade dói, quando a incerteza corrói, quando o amor é uma ausência, derramar o coração diante de Deus em oração é o melhor caminho. Não porque Ele possa responder nossa oração e resolver as questões que nos afligem, mas por quem Ele é e porque podemos, em oração, conhecê-lo bem e melhor.
Revela-nos quem tu és.
Dá um jeito neste mundo.
Mateus 6. 9
Hoje eu acordei pela madrugada impressionado com um pesadelo que tivera. O pesadelo, de verdade, não me assustou porque eu tinha consciência de que estava dormindo, mas me impressionou a riqueza de detalhes da narrativa até o momento em que acordei.
O mal momento trazido por um sonho ruim mexe integralmente com o espírito com o qual a gente encara o dia que nasce. A vida é frágil, nem sempre temos controle e acesso a todos os aspectos que a envolvem e isso tem de nos ensinar a lidar com nossas ansiedades e nossas angústias.
O caminho de saída do fundo dos nossos poços pode refluir por uma ansiedade mal colocada ou mal resolvida, por uma situação angustiante sobre a qual não temos nenhum controle.
Também nos faz mal a percepção de que nos falte amor - porque o amor é o vínculo da perfeição e o melhor suporte possível para a nossa estabilidade na vida.
As vezes, é somente aquela dor que você sabe que ainda não curou que aparece de novo para lembrar sua fragilidade - seu espinho na carne.
Ou por vezes o que nos fragiliza é a consciência dos erros que cometemos, os pecados que fizemos e que ainda sofremos suas consequências.
Nem toda manhã é fácil.
Quando ela não é fácil, o que nos resta fazer?
Eu oro.
A oração pode nos ajudar com as nossas necessidades mais básicas - e nem estou falando sobre pedidos sendo respondidos, clamores alcançando a misericórdia divina.
Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, suas palavras foram simples. E aqui não quero nem destacar o Pai Nosso em sua inteireza:
Nosso Pai do céu,
Revela-nos quem tu és.
Dá um jeito neste mundo.
Amanheci o dia sofrendo por causa do amor? Deus é o nosso Pai! Podemos nos refrigerar no seu Amor Todo-Poderoso, Amor de Pai.
Não sei bem o que está acontecendo na vida porque há coisas que vão além do meu controle? “Revela-nos quem tu és”: podemos, em oração, conhecer em profundidade de intimidade quem é o Deus a quem servimos.
Um Pai que nos ama, um Deus que revela a Si a cada um de nós.
E como a ansiedade pode sobreviver diante de um Deus que pode dar “um jeito neste mundo”?
Quando o dia começa mal, quando a ansiedade dói, quando a incerteza corrói, quando o amor é uma ausência, derramar o coração diante de Deus em oração é o melhor caminho. Não porque Ele possa responder nossa oração e resolver as questões que nos afligem, mas por quem Ele é e porque podemos, em oração, conhecê-lo bem e melhor.
20.12.16
Solidariedade
Quando estava anoitecendo, os discípulos aproximaram-se dele e aconselharam: “Estamos no meio do nada, e está ficando tarde. Despede o povo, para que eles saiam e consigam o que comer nas cidades”.
Jesus, porém, respondeu: “Não há necessidade de despedi-los. Vocês é que vão dar comida a eles”.
“Mas tudo que temos são cinco pães e dois peixes!”, disseram.
Jesus ordenou: “Tragam-nos aqui”. Em seguida, mandou o povo assentar-se na grama. Ele tomou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu, orou, abençoou o pão, partiu-o e entregou tudo aos discípulos. Eles repartiram com o povo, e todos comeram e ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras. E os que participaram da refeição foram cerca de cinco mil, fora mulheres e crianças.
Mateus 14. 15-21
Suponho que você conheça os relatos dos evangelhos que narram os episódios das multiplicações de pães e peixes - em João, apenas um episódio, nos outros evangelhos, dois.
O texto de Mateus, por exemplo, coloca os discípulos em posição central diante da ordem de Jesus: Vocês é que vão dar comida a eles. É como se Jesus dissesse que só poderia haver milagre se os discípulos assumissem seu papel e sua responsabilidade. Ou, no dizer do poeta Sérgio Vaz, é como se Jesus afirmasse que “milagres acontecem quando a gente vai à luta”. É preciso se envolver, é preciso participar, é preciso lutar.
Mas é possível que você nunca tenha pensado esse texto sob outro prisma de solidariedade. Uma interpretação possível para o milagre é que ele, antes de ser o de uma geração espontânea de alimentos do nada a partir da ação de Jesus, foi um maravilhoso milagre de solidariedade.
Convido você a suspender suas crenças sobre o evento do milagre e imaginar a cena por uma outra ótica.
São mais de cinco mil pessoas no deserto. O Mestre, então, dá graças a Deus pelo pouco alimento que conseguiu: cinco pães e dois peixes. E o distribui. O altruísmo e a solidariedade de Jesus o fazem entregar toda comida que tinham e que era pouca diante daquela multidão.
Não seria possível que o ato solidário de Jesus tenha estimulado a solidariedade em todos aqueles que, no meio da multidão, tinham sua particular porção de pão, seus poucos peixinhos, para se alimentar quando chegasse o jantar? A partir daí, cada um e todos passaram a compartilhar com os vizinhos do lado, da fila de trás, com as mulheres e as crianças em volta, o pouco que tinham - mas quando cada um deu o pouco que tinha em solidariedade, "todos comeram e ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras”.
O que acontece quando nos entregamos à solidariedade?
Outro dia uma comunidade religiosa de Natal se dispôs a fazer uma ação assistencial junto a sete entidades filantrópicas diversas da cidade e ao presídio feminino. A solidariedade foi tão intensa, que a quantidade de alimentos doados e entidades assistidas foi o dobro do previsto anteriormente. Multiplicação.
Espero que você já tenha sido alvo de solidariedade com eu já fui. Uma rede de amigos socorrendo, dando o ombro, estendendo a mão, apoiando nos maus momentos, incentivando nos bons.
E solidariedade se multiplica. Quando a solidariedade nos alcança somos impulsionados a sermos solidários com outros.
Para mim, imaginar a cena da multiplicação de pães e peixes sob a ótica da solidariedade amplifica a dimensão do milagre. É vivenciar a sugestão de Dietrich Bonhoeffer de que Deus se manifesta no mundo somente através de nossas ações.
É, por fim, reconhecer que Sérgio Vaz, afinal, tem razão: “milagres acontecem quando a gente vai à luta”.
Jesus, porém, respondeu: “Não há necessidade de despedi-los. Vocês é que vão dar comida a eles”.
“Mas tudo que temos são cinco pães e dois peixes!”, disseram.
Jesus ordenou: “Tragam-nos aqui”. Em seguida, mandou o povo assentar-se na grama. Ele tomou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu, orou, abençoou o pão, partiu-o e entregou tudo aos discípulos. Eles repartiram com o povo, e todos comeram e ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras. E os que participaram da refeição foram cerca de cinco mil, fora mulheres e crianças.
Mateus 14. 15-21
Suponho que você conheça os relatos dos evangelhos que narram os episódios das multiplicações de pães e peixes - em João, apenas um episódio, nos outros evangelhos, dois.
O texto de Mateus, por exemplo, coloca os discípulos em posição central diante da ordem de Jesus: Vocês é que vão dar comida a eles. É como se Jesus dissesse que só poderia haver milagre se os discípulos assumissem seu papel e sua responsabilidade. Ou, no dizer do poeta Sérgio Vaz, é como se Jesus afirmasse que “milagres acontecem quando a gente vai à luta”. É preciso se envolver, é preciso participar, é preciso lutar.
Mas é possível que você nunca tenha pensado esse texto sob outro prisma de solidariedade. Uma interpretação possível para o milagre é que ele, antes de ser o de uma geração espontânea de alimentos do nada a partir da ação de Jesus, foi um maravilhoso milagre de solidariedade.
Convido você a suspender suas crenças sobre o evento do milagre e imaginar a cena por uma outra ótica.
São mais de cinco mil pessoas no deserto. O Mestre, então, dá graças a Deus pelo pouco alimento que conseguiu: cinco pães e dois peixes. E o distribui. O altruísmo e a solidariedade de Jesus o fazem entregar toda comida que tinham e que era pouca diante daquela multidão.
Não seria possível que o ato solidário de Jesus tenha estimulado a solidariedade em todos aqueles que, no meio da multidão, tinham sua particular porção de pão, seus poucos peixinhos, para se alimentar quando chegasse o jantar? A partir daí, cada um e todos passaram a compartilhar com os vizinhos do lado, da fila de trás, com as mulheres e as crianças em volta, o pouco que tinham - mas quando cada um deu o pouco que tinha em solidariedade, "todos comeram e ficaram satisfeitos. Os discípulos recolheram doze cestos de sobras”.
O que acontece quando nos entregamos à solidariedade?
Outro dia uma comunidade religiosa de Natal se dispôs a fazer uma ação assistencial junto a sete entidades filantrópicas diversas da cidade e ao presídio feminino. A solidariedade foi tão intensa, que a quantidade de alimentos doados e entidades assistidas foi o dobro do previsto anteriormente. Multiplicação.
Espero que você já tenha sido alvo de solidariedade com eu já fui. Uma rede de amigos socorrendo, dando o ombro, estendendo a mão, apoiando nos maus momentos, incentivando nos bons.
E solidariedade se multiplica. Quando a solidariedade nos alcança somos impulsionados a sermos solidários com outros.
Para mim, imaginar a cena da multiplicação de pães e peixes sob a ótica da solidariedade amplifica a dimensão do milagre. É vivenciar a sugestão de Dietrich Bonhoeffer de que Deus se manifesta no mundo somente através de nossas ações.
É, por fim, reconhecer que Sérgio Vaz, afinal, tem razão: “milagres acontecem quando a gente vai à luta”.
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