Diferentemente da cultura dominante, que sempre os arrasta para baixo, ao nível da imaturidade, Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.
Romanos 12. 2
Sou professor e, como professor, tenho um objetivo principal em sala de aula, independente de qual seja a disciplina que esteja ministrando - e esse objetivo nada tem a ver com o conteúdo ou desempenho acadêmico da turma, com notas, com aprovação ao fim do semestre.
Meu objetivo, aliás, também não tem nada a ver com a receptividade e aprovação dos estudantes ou dos colegas ao meu trabalho.
Como professor meu propósito principal é que, ao fim do semestre, cada estudante possa sair como um ser humano melhor, mais maduro e mais pronto para a vida.
Logo, cada conteúdo que eu tenho de ministrar por causa da estrutura curricular e ementa das disciplinas é abordado na perspectiva de saber como aquilo pode impactar - e de que forma - na nossa vida.
Antes de formar jornalistas, meu objetivo é ajudar pessoas a alcançarem sua maturidade.
Sei que nem sempre é possível e sei que, como professor, sou falho inclusive na maturidade, humildade e nas minhas condições em sala de aula.
Exemplo disso foi-me relatado por um amigo na universidade que, falando sobre um determinado aluno meu, me disse que insatisfeito com minhas brincadeiras tal estudante pensou em me processar. Eu que sempre procuro respeitar os limites que os estudantes me põem, aprendi da necessidade de cuidar disso mais atentamente.
Sou consciente, portanto, que por mais que tente arrastar os meus estudantes a um nível mais alto e maduro, provavelmente algumas vezes estarei arrastando-os para baixo e, na maior parte do tempo, não serei capaz de levá-los tão alto assim. Porque esse é o papel de Deus.
Deus extrai o melhor de vocês e desenvolve em vocês uma verdadeira maturidade.
O mundo à nossa volta, às vezes até os nossos amigos, sempre nos arrastará para baixo. E experimentaremos aquela frustrante sensação de nos esforçarmos muito para sermos alguém melhor, para sairmos do lugar em que estamos, do nosso passo empacado, e, de repente, sermos abatidos em pleno voo pelo petardo de alguém que, conscientemente ou não, quer nos ver no chão.
De um lado, isso devia nos fazer preocupar com aqueles amigos, parentes ou profissionais que elevamos à categoria de conselheiros, e afastar do papel todos aqueles que não ajudam a vida a fluir mais alto, mais perto de Deus.
De outro, podemos nos render diante de Deus. Não há ninguém melhor que Ele para cuidar de nós. Ele extrairá de nós o melhor que nós somos. Ele nos fará maduros. Essa é sua vontade perfeita, boa e agradável.
Se o perfeito Deus tem uma vontade boa e agradável e ela inclui extrair o melhor de vocês e desenvolver em você uma verdadeira maturidade, não há ninguém mais a quem você deveria confiar a vida.
Não se deixe arrastar-se ao nível da imaturidade, mas abra seu coração ao perfeito cuidado do Senhor.
2.1.17
1.1.17
Aflição
Se esses dias de aflição seguissem o curso normal, ninguém suportaria.
Marcos 13. 20
Talvez porque 2016 tenha sido, provavelmente, o pior ano de minha vida, chamou minha atenção a quantidade de pessoas nas redes sociais e em outros espaços falando de quão ruim o ano que passou foi.
Não apenas por causa das crises (econômica, política, social) que enfrentamos em nosso cotidiano - e que, infelizmente, não foram magicamente resolvidas quando o relógio bateu a primeira meia-noite de 2017. Parece que todos nós passamos por crises pessoais intensas, por sofrimentos, por dores. Doenças graves, rupturas, brigas, inconstâncias, tragédias, mortes: ninguém, com raras exceções, pareceu feliz com 2016 nos últimos instantes do ano.
Foi um ano aflitivo até o fim.
Mas a palavra de Jesus nos ajuda a perceber o cuidado de Deus:
Se esses dias de aflição seguissem o curso normal, ninguém suportaria.
Quando passamos por uma forte aflição é possível considerar que não dá mais para suportar. No enfrentamento de uma doença grave em 2016 vários amigos e parentes me ouviram vaticinar que eu não tinha mais como suportar. E era a mais pura verdade: eu não teria suportado se dependesse unicamente de mim.
Como destaca Rob Bell, Deus é o nosso Pai que sabe o caminho seguro e nos protege em seus braços - como Ele, no rumo de casa, estamos seguros. Vai chover, vão cair tempestades, vamos ter frio, medo, aflição, podemos até nos machucar, mas a certeza que podemos ter é o cuidado e a proteção do Senhor em todo tempo.
Se 2016 foi um ano difícil, podemos estar certos que, se não sucumbimos, foi devido à ação amorosa de Deus.
Se o Eterno não tivesse nos socorrido
— todos juntos agora, Israel, cantem! —;
Se o Eterno não tivesse nos socorrido
quando todos foram contra nós,
Teríamos sido engolidos vivos
por uma onda de violência,
Afogados pela enchente da ira,
arrastados pela correnteza.
Teríamos perdido a vida
naquelas águas agitadas e violentas.
Salmo 124. 1-5
Em suma: 2016 foi um péssimo ano, mas poderia ter sido pior não fosse o cuidado do Senhor conosco - cuja constância podemos contar em 2017.
Se esses dias de aflição seguissem o curso normal, ninguém suportaria.
Marcos 13. 20
Talvez porque 2016 tenha sido, provavelmente, o pior ano de minha vida, chamou minha atenção a quantidade de pessoas nas redes sociais e em outros espaços falando de quão ruim o ano que passou foi.
Não apenas por causa das crises (econômica, política, social) que enfrentamos em nosso cotidiano - e que, infelizmente, não foram magicamente resolvidas quando o relógio bateu a primeira meia-noite de 2017. Parece que todos nós passamos por crises pessoais intensas, por sofrimentos, por dores. Doenças graves, rupturas, brigas, inconstâncias, tragédias, mortes: ninguém, com raras exceções, pareceu feliz com 2016 nos últimos instantes do ano.
Foi um ano aflitivo até o fim.
Mas a palavra de Jesus nos ajuda a perceber o cuidado de Deus:
Se esses dias de aflição seguissem o curso normal, ninguém suportaria.
Quando passamos por uma forte aflição é possível considerar que não dá mais para suportar. No enfrentamento de uma doença grave em 2016 vários amigos e parentes me ouviram vaticinar que eu não tinha mais como suportar. E era a mais pura verdade: eu não teria suportado se dependesse unicamente de mim.
Como destaca Rob Bell, Deus é o nosso Pai que sabe o caminho seguro e nos protege em seus braços - como Ele, no rumo de casa, estamos seguros. Vai chover, vão cair tempestades, vamos ter frio, medo, aflição, podemos até nos machucar, mas a certeza que podemos ter é o cuidado e a proteção do Senhor em todo tempo.
Se 2016 foi um ano difícil, podemos estar certos que, se não sucumbimos, foi devido à ação amorosa de Deus.
Se o Eterno não tivesse nos socorrido
— todos juntos agora, Israel, cantem! —;
Se o Eterno não tivesse nos socorrido
quando todos foram contra nós,
Teríamos sido engolidos vivos
por uma onda de violência,
Afogados pela enchente da ira,
arrastados pela correnteza.
Teríamos perdido a vida
naquelas águas agitadas e violentas.
Salmo 124. 1-5
Em suma: 2016 foi um péssimo ano, mas poderia ter sido pior não fosse o cuidado do Senhor conosco - cuja constância podemos contar em 2017.
Se esses dias de aflição seguissem o curso normal, ninguém suportaria.
31.12.16
Médico
Jesus escutou a crítica e reagiu: “Quem precisa de médico: quem é saudável ou quem é doente?"
Marcos 2.17
Quem pede ajuda é quem reconhece que não é capaz de fazer algo ou mudar uma situação sozinho ou, especificamente, sem o auxílio daquele a quem se demanda a ajuda.
Pedir ajuda é, portanto, um duplo reconhecimento. De um lado, ao pedir ajuda reconheço minha fragilidade.
Por outro, reconheço que o outro tem, sobre mim, um poder que eu não tenho. Peço ajuda de quem pode ou sabe mais que eu.
Na época que estudava para o vestibular, há duas décadas, montamos um grupo de estudo em que nos ajudávamos mutuamente - naquilo que eu era mais forte que meus colegas, eu os ajudava. No que eu era mais fraco, recebia ajuda. Lembro que uma amiga me ensinava biologia, matéria em que eu me via pior.
Ajudar é um ato de amor, carinho, atenção, ainda que possa ser mobilizado por motivações as mais toscas ou egoístas. No entanto, em geral, ajudo porque me importo com o outro.
E quem não precisa de ajuda? Quem se sente bem, autossuficiente, saudável, forte. Não precisa de ajuda aquele que olha para si e para o outro e não vê, no outro, nada que lhe possa ajudar.
Jesus era constantemente criticado por andar ao lado da escória da sociedade. No texto de Marcos 2, ele foi à casa de um cobrador de impostos e os representantes do sistema religioso o criticam por isso.
A resposta de Jesus é de uma riqueza de graça e vida ímpar. Ele está ali para ajudar pessoas doentes. E naquela casa, cada um e cada uma, sabe que é alguém que precisa de ajuda. Reconhece sua fragilidade, sua culpa, sua dor, seu pecado - sabe que Jesus pode ajudá-lo e curá-lo.
A esses Jesus pode socorrer - os que sabem que precisam de socorro, aqueles que carregam o peso de dor do sofrimento em que se encontra, quem entendeu que não vai se livrar do mal que o aflige sozinho.
Mas Jesus não pode ajudar quem não sabe que não precisa de ajuda. Não existe ninguém tão saudável que dispense o socorro do Senhor - mas existe gente tão arrogante que se sinta tão saudável que não precise do Mestre.
Na cena de Marcos, os líderes religiosos assumem uma postura crítica contra Jesus e os cobradores de impostos. Ao agirem assim, se colocam como moralmente superiores àqueles pecadores. Os moralmente superiores são salvos, santos, curados, saudáveis. Ao avaliar daquela forma aqueles com quem Jesus anda, é como quem dissessem: “Somos perfeitos, tão superiores a vocês que podemos julgá-los”.
Quem não se sente doente, não procurará um médico porque não precisa.
Quem se sabe enfermo reconhece tal necessidade.
Aí reside a diferença entre andar ou não com Jesus. Quem se sente espiritualmente perfeito, santo e saudável, andará sempre para mais longe de Jesus. Quem sabe de sua própria fragilidade saberá que somente em Jesus há cura e restauração para a sua vida.
Quem sabe que é frágil, sabe que não pode abrir mão de andar com o Médico dos Médicos. Quem não se reconhece doente, é autossuficiente demais para fazer algum movimento na direção de Jesus. Sua autossuficiência será uma barreira entre ele e o Mestre.
Que em 2017 nos saibamos todos doentes em busca do Médico.
Marcos 2.17
Quem pede ajuda é quem reconhece que não é capaz de fazer algo ou mudar uma situação sozinho ou, especificamente, sem o auxílio daquele a quem se demanda a ajuda.
Pedir ajuda é, portanto, um duplo reconhecimento. De um lado, ao pedir ajuda reconheço minha fragilidade.
Por outro, reconheço que o outro tem, sobre mim, um poder que eu não tenho. Peço ajuda de quem pode ou sabe mais que eu.
Na época que estudava para o vestibular, há duas décadas, montamos um grupo de estudo em que nos ajudávamos mutuamente - naquilo que eu era mais forte que meus colegas, eu os ajudava. No que eu era mais fraco, recebia ajuda. Lembro que uma amiga me ensinava biologia, matéria em que eu me via pior.
Ajudar é um ato de amor, carinho, atenção, ainda que possa ser mobilizado por motivações as mais toscas ou egoístas. No entanto, em geral, ajudo porque me importo com o outro.
E quem não precisa de ajuda? Quem se sente bem, autossuficiente, saudável, forte. Não precisa de ajuda aquele que olha para si e para o outro e não vê, no outro, nada que lhe possa ajudar.
Jesus era constantemente criticado por andar ao lado da escória da sociedade. No texto de Marcos 2, ele foi à casa de um cobrador de impostos e os representantes do sistema religioso o criticam por isso.
A resposta de Jesus é de uma riqueza de graça e vida ímpar. Ele está ali para ajudar pessoas doentes. E naquela casa, cada um e cada uma, sabe que é alguém que precisa de ajuda. Reconhece sua fragilidade, sua culpa, sua dor, seu pecado - sabe que Jesus pode ajudá-lo e curá-lo.
A esses Jesus pode socorrer - os que sabem que precisam de socorro, aqueles que carregam o peso de dor do sofrimento em que se encontra, quem entendeu que não vai se livrar do mal que o aflige sozinho.
Mas Jesus não pode ajudar quem não sabe que não precisa de ajuda. Não existe ninguém tão saudável que dispense o socorro do Senhor - mas existe gente tão arrogante que se sinta tão saudável que não precise do Mestre.
Na cena de Marcos, os líderes religiosos assumem uma postura crítica contra Jesus e os cobradores de impostos. Ao agirem assim, se colocam como moralmente superiores àqueles pecadores. Os moralmente superiores são salvos, santos, curados, saudáveis. Ao avaliar daquela forma aqueles com quem Jesus anda, é como quem dissessem: “Somos perfeitos, tão superiores a vocês que podemos julgá-los”.
Quem não se sente doente, não procurará um médico porque não precisa.
Quem se sabe enfermo reconhece tal necessidade.
Aí reside a diferença entre andar ou não com Jesus. Quem se sente espiritualmente perfeito, santo e saudável, andará sempre para mais longe de Jesus. Quem sabe de sua própria fragilidade saberá que somente em Jesus há cura e restauração para a sua vida.
Quem sabe que é frágil, sabe que não pode abrir mão de andar com o Médico dos Médicos. Quem não se reconhece doente, é autossuficiente demais para fazer algum movimento na direção de Jesus. Sua autossuficiência será uma barreira entre ele e o Mestre.
Que em 2017 nos saibamos todos doentes em busca do Médico.
30.12.16
Vida e morte
Ele não está mais aqui
Mateus 28. 6
Quando Paulo, no relato do livro de Atos, chega à Atenas, se impressiona com a intensa religiosidade da cidade, repleta de altares para deuses diversos, inclusive um deus desconhecido, do qual o apóstolo se aproveita para anunciar Jesus.
De modo semelhante, quando chegamos a uma cidade como Salvador e suas centenas de igrejas históricas ficamos impressionados e sensibilizados. Em Salvador, a forte presença visual das religiões de matriz africana também deixam sua marca indelével em nossas almas.
O ser humano é religioso. Ele sente a necessidade de transcender a si e aos seus próprios limites.
Diante do limite extremo que é a morte, o ser humano precisa encontrar uma resposta que lhe possibilite seguir vivendo.
Diante de limites proporcionados pelo sofrimento, buscamos sentido e significado.
Quando sentimos as maiores dores, queremos saídas.
As saídas buscadas e encontradas podem não ser religiosas e, assim mesmo, darem conta das nossas necessidades. Ainda que sejam saídas espirituais - no sentido de transcender os limites, não na crença em Deus ou deuses -, podem ser saídas que abdiquem do metafísico, do que vai além do histórico e material.
As saídas, em geral, no entanto, são religiosas.
Lembro do dia que conheci um senhor que enfrenta um violento câncer e, no meio da dor, tem buscado seu alívio em um centro espírita, ao mesmo tempo que ouve a pregação de um padre no rádio e visita uma missa de cura em uma igreja de Natal. Ao falar sobre minha igreja, interessou-se em conhecer um de nossos cultos.
O fenômeno religioso é ancestral. Ele começou em tempos pré-históricos e foi adquirindo características e tecnologias cada vez mais complexas ao longo dos milênios. Para termos a religião como a temos no século XXI muita coisa evoluiu por toda a parte.
No entanto, nem toda religião responde às questões mais fundamentais da vida humana. Aliás, nem toda religião responde com vida às nossas demandas e, penso, essa é uma questão muito mais pessoal do que ligada a qualquer sistema de fé em que tenhamos nos enredado. É uma escolha nossa optar pela vida ou pela morte até em termos de fé.
Muitos religiosos fazem opção pela morte, mesmo entre os cristãos. Ou, antes, principalmente entre os cristãos. Só encontram um Jesus morto na cruz ou vão atrás de seu corpo no sepulcro. Só pensam naquilo que acham que lhes acontecerá depois de sua morte. Alienam-se da vida em busca de um Deus que não vive ou não tem o que lhes dizer acerca da vida. Gastam seu tempo pensando em tudo, menos vivendo. Vivem além da vida.
As mulheres foram no domingo de Páscoa ao sepulcro em busca de um Jesus morto, em uma fé morta, um Deus que não estava mais na vida.
O anjo lhes diz: “Ele não está mais aqui”. Ele não está morto.
Não encontramos Jesus em uma religião que diga muito sobre a morte. Não o encontramos em um sepulcro. Não vivenciamos uma fé viva na perspectiva de um Deus morto, de um Jesus enterrado.
“Ele não está mais aqui”.
A fé deve nos convidar à vida, nos conduzir a ela, nos fazer experimentar e mergulhar cada vez mais na vida. Jesus não está no sepulcro. Ele está vivo.
A nossa opção de fé pode ser pela vida. Pode ser para vivermos. Pode ser para que nossa intensidade se derrame em mais e mais vida e compromisso com o viver.
Porque, diante do sepulcro e da morte, podemos dizer de Jesus: “Ele não está mais aqui”.
Que Ele esteja em nossas vidas.
Mateus 28. 6
Quando Paulo, no relato do livro de Atos, chega à Atenas, se impressiona com a intensa religiosidade da cidade, repleta de altares para deuses diversos, inclusive um deus desconhecido, do qual o apóstolo se aproveita para anunciar Jesus.
De modo semelhante, quando chegamos a uma cidade como Salvador e suas centenas de igrejas históricas ficamos impressionados e sensibilizados. Em Salvador, a forte presença visual das religiões de matriz africana também deixam sua marca indelével em nossas almas.
O ser humano é religioso. Ele sente a necessidade de transcender a si e aos seus próprios limites.
Diante do limite extremo que é a morte, o ser humano precisa encontrar uma resposta que lhe possibilite seguir vivendo.
Diante de limites proporcionados pelo sofrimento, buscamos sentido e significado.
Quando sentimos as maiores dores, queremos saídas.
As saídas buscadas e encontradas podem não ser religiosas e, assim mesmo, darem conta das nossas necessidades. Ainda que sejam saídas espirituais - no sentido de transcender os limites, não na crença em Deus ou deuses -, podem ser saídas que abdiquem do metafísico, do que vai além do histórico e material.
As saídas, em geral, no entanto, são religiosas.
Lembro do dia que conheci um senhor que enfrenta um violento câncer e, no meio da dor, tem buscado seu alívio em um centro espírita, ao mesmo tempo que ouve a pregação de um padre no rádio e visita uma missa de cura em uma igreja de Natal. Ao falar sobre minha igreja, interessou-se em conhecer um de nossos cultos.
O fenômeno religioso é ancestral. Ele começou em tempos pré-históricos e foi adquirindo características e tecnologias cada vez mais complexas ao longo dos milênios. Para termos a religião como a temos no século XXI muita coisa evoluiu por toda a parte.
No entanto, nem toda religião responde às questões mais fundamentais da vida humana. Aliás, nem toda religião responde com vida às nossas demandas e, penso, essa é uma questão muito mais pessoal do que ligada a qualquer sistema de fé em que tenhamos nos enredado. É uma escolha nossa optar pela vida ou pela morte até em termos de fé.
Muitos religiosos fazem opção pela morte, mesmo entre os cristãos. Ou, antes, principalmente entre os cristãos. Só encontram um Jesus morto na cruz ou vão atrás de seu corpo no sepulcro. Só pensam naquilo que acham que lhes acontecerá depois de sua morte. Alienam-se da vida em busca de um Deus que não vive ou não tem o que lhes dizer acerca da vida. Gastam seu tempo pensando em tudo, menos vivendo. Vivem além da vida.
As mulheres foram no domingo de Páscoa ao sepulcro em busca de um Jesus morto, em uma fé morta, um Deus que não estava mais na vida.
O anjo lhes diz: “Ele não está mais aqui”. Ele não está morto.
Não encontramos Jesus em uma religião que diga muito sobre a morte. Não o encontramos em um sepulcro. Não vivenciamos uma fé viva na perspectiva de um Deus morto, de um Jesus enterrado.
“Ele não está mais aqui”.
A fé deve nos convidar à vida, nos conduzir a ela, nos fazer experimentar e mergulhar cada vez mais na vida. Jesus não está no sepulcro. Ele está vivo.
A nossa opção de fé pode ser pela vida. Pode ser para vivermos. Pode ser para que nossa intensidade se derrame em mais e mais vida e compromisso com o viver.
Porque, diante do sepulcro e da morte, podemos dizer de Jesus: “Ele não está mais aqui”.
Que Ele esteja em nossas vidas.
29.12.16
Poder
Quando desceram a montanha para se reunir aos outros discípulos, viram-se rodeados por uma multidão imensa, que debatia com os líderes religiosos. Assim que viu Jesus, o povo ficou animado. Correram para ele e o saudaram. Ele perguntou: “O que está acontecendo? Por que toda esta agitação?”.
Um homem da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe meu filho, que foi deixado mudo por um demônio. Toda vez que o demônio se apossa dele, joga-o ao chão. O menino baba, range os dentes e fica rígido como uma tábua. Falei com teus discípulos, esperando que o libertassem, mas não puderam”.
Jesus suspirou, inconformado: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso? Tragam o menino aqui!”. Eles o trouxeram. Quando o demônio viu Jesus, apossou-se do menino, que ficou babando e se contorcendo no chão.
Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo isso acontece?”.
“Desde que era pequeno. Muitas vezes o demônio o joga no fogo ou no rio para matá-lo. Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Assim que Jesus disse essas palavras, o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
Percebendo que a plateia ficava cada vez maior, Jesus deu ordens expressas ao espírito maligno: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno: sai dele e não volte!”. Com muito estardalhaço, o espírito saiu. O menino estava pálido como um defunto, de modo que as pessoas começaram a dizer: “Ele está morto”. Mas, tomando-o pela mão, Jesus o levantou. O menino ficou em pé.
Marcos 9. 14-27
Um homem da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe meu filho, que foi deixado mudo por um demônio. Toda vez que o demônio se apossa dele, joga-o ao chão. O menino baba, range os dentes e fica rígido como uma tábua. Falei com teus discípulos, esperando que o libertassem, mas não puderam”.
Jesus suspirou, inconformado: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso? Tragam o menino aqui!”. Eles o trouxeram. Quando o demônio viu Jesus, apossou-se do menino, que ficou babando e se contorcendo no chão.
Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo isso acontece?”.
“Desde que era pequeno. Muitas vezes o demônio o joga no fogo ou no rio para matá-lo. Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Assim que Jesus disse essas palavras, o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
Percebendo que a plateia ficava cada vez maior, Jesus deu ordens expressas ao espírito maligno: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno: sai dele e não volte!”. Com muito estardalhaço, o espírito saiu. O menino estava pálido como um defunto, de modo que as pessoas começaram a dizer: “Ele está morto”. Mas, tomando-o pela mão, Jesus o levantou. O menino ficou em pé.
Marcos 9. 14-27
Pensei sobre esse texto hoje.
Jesus desce do monte da transfiguração e se depara com uma confusão: um pai levou seu filho epiléptico para ser curado pelos discípulos, que não tiveram sucesso.
Independente do relato, Marcos constrói uma relação óbvia que é um desafio para nós. Ele estabelece dois pares paralelos que apontam direto para nós, no século XXI:
Poder ---------------------- Impotência
Fé --------------------------- Incredulidade
No texto é evidente: quem tem fé, pode. Quem não tem, não pode.
Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Por isso, diz o pai: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
O que é mais desafiador nesse texto, a meu ver? A quem você acha que Jesus dirige essas palavras: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso?”?
Quem não pode fazer nada em favor do menino doente? Quem foi impotente por ser incrédulo?
Não foi a multidão: foram os discípulos.
É dos discípulos que Jesus está falando.
É de mim e de você.
Quantos deixamos de ajudar porque não cremos e, sem crer, não podemos?
Alguns domingos atrás, eu fui a Igreja e, pela primeira vez, escrevi um pedido de oração com duas questões - uma delas, a cura da depressão. Quem me conhece de perto sabe o que eu penso sobre pedidos de oração assim.
No entanto, eu cri: algo ia acontecer com o meu pedido.
Quando sai da igreja naquela noite e fui lanchar com uma turma de amigos, não senti nenhum prazer naquilo - o que me incomodou profundamente.
“Não aguento mais essa doença. Quero ficar bom”, disse.
Escrever o pedido de oração foi o primeiro passo - de lá para cá, tudo só fica mais claro, leve, luminoso. Em paz.
Por isso, faça como o pai, em resposta a Jesus:
“Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
Jesus desce do monte da transfiguração e se depara com uma confusão: um pai levou seu filho epiléptico para ser curado pelos discípulos, que não tiveram sucesso.
Independente do relato, Marcos constrói uma relação óbvia que é um desafio para nós. Ele estabelece dois pares paralelos que apontam direto para nós, no século XXI:
Poder ---------------------- Impotência
Fé --------------------------- Incredulidade
No texto é evidente: quem tem fé, pode. Quem não tem, não pode.
Se o senhor puder fazer alguma coisa, tenha misericórdia e nos ajude!”.
Jesus disse: “ ‘Se eu puder’? Tudo é possível para quem tem fé”.
Por isso, diz o pai: “Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
O que é mais desafiador nesse texto, a meu ver? A quem você acha que Jesus dirige essas palavras: “Mas que geração! Vocês não conhecem Deus! Até quando vou ter de aguentar esse tipo de coisa? Quantas vezes ainda vou ter de passar por isso?”?
Quem não pode fazer nada em favor do menino doente? Quem foi impotente por ser incrédulo?
Não foi a multidão: foram os discípulos.
É dos discípulos que Jesus está falando.
É de mim e de você.
Quantos deixamos de ajudar porque não cremos e, sem crer, não podemos?
Alguns domingos atrás, eu fui a Igreja e, pela primeira vez, escrevi um pedido de oração com duas questões - uma delas, a cura da depressão. Quem me conhece de perto sabe o que eu penso sobre pedidos de oração assim.
No entanto, eu cri: algo ia acontecer com o meu pedido.
Quando sai da igreja naquela noite e fui lanchar com uma turma de amigos, não senti nenhum prazer naquilo - o que me incomodou profundamente.
“Não aguento mais essa doença. Quero ficar bom”, disse.
Escrever o pedido de oração foi o primeiro passo - de lá para cá, tudo só fica mais claro, leve, luminoso. Em paz.
Por isso, faça como o pai, em resposta a Jesus:
“Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”.
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