Você será uma bênção.
Gênesis 12. 2
O cristianismo de consumo nos ensinou o valor de buscarmos bênçãos que nos enriquecem. Buscamos satisfação dos problemas financeiros, buscamos operação de milagres familiares, buscamos a cura de doenças incuráveis, buscamos paz de espírito e felicidade.
Tais buscas muitas vezes parecem com a hercúlea tarefa de cavar com as mãos na areia molhada da praia para fazer uma grande “piscina" para brincar com os filhos - as paredes cedem pelo peso da areia ou quando as ondas avançam, nos forçando a começar tudo novamente. Buscar bênção para nós mesmos muitas vezes vai significar algo como essa experiência.
Não é a toa que, segundo o livro de Atos, Jesus afirmou que dar é muito melhor do que receber (At. 20. 35).
Nós não somos chamados por Deus para sermos depositários das suas bênção, como se fossemos gigantescos sumidouros de sua graça. Como Abrão em Gn. 12, as bênçãos que nos alcançam não são para morrer em nós:
Você será uma bênção.
Se a bênção de Deus nos alcança tem uma única finalidade: que possamos ser bênçãos. Somente abençoados unicamente para abençoar.
A oração atribuída a Francisco de Assis assume tal parâmetro. Não é um pedido de bênçãos, mas um pedido para abençoar.
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Teremos uma rica e doce experiência com Deus à medida que formos capazes de experimentar, diante dEle, a graça de abençoar; à medida que compreendermos que a graça de Deus não chega a nós para morrer em nós; à medida que nossas orações e preocupações visarem antes à solução dos problemas dos outros; quando formos luz brilhando e sal salgando (Mt. 5. 13-16, Mc 9. 50, Lc. 14. 34-35).
25.1.17
24.1.17
O amor
O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém firme.
1 Coríntios 13. 7 (NVT)
A parábola do filho pródigo (Lc. 15. 11-32) é provavelmente um textos mais conhecidos do Novo Testamento. A estória de dois filhos e seu pai, como diz Henri Nouwen, não apenas uma lição sobre legalismo farisaico e graça divina. É um belo relato de amor.
Stênio Marcius canta esse amor de maneira poética, um amor do fim de tarde no portão. Do Pai pelo seu filho perdido. Na Nova Versão Internacional, o versículo 20 diz:
1 Coríntios 13. 7 (NVT)
A parábola do filho pródigo (Lc. 15. 11-32) é provavelmente um textos mais conhecidos do Novo Testamento. A estória de dois filhos e seu pai, como diz Henri Nouwen, não apenas uma lição sobre legalismo farisaico e graça divina. É um belo relato de amor.
Stênio Marcius canta esse amor de maneira poética, um amor do fim de tarde no portão. Do Pai pelo seu filho perdido. Na Nova Versão Internacional, o versículo 20 diz:
Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou.
O Pai viu seu filho regressando quando ainda estava longe. Por isso, Stênio Marcius pode imaginar um pai que, todas as tardes, repete o ritual de estar à porta, olhando o horizonte, em busca do filho perdido.
Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento
Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido
Esta parábola contada por Jesus reforça a ideia que Paulo expressa em 1 Coríntios 13. 7:
O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém firme.
Em primeiro lugar, podemos estar certos que, por pior que seja a situação, o amor de Deus nunca desiste de nós, sempre se mantém firme. O Pai da parábola é imagem do nosso Pai Celestial. Por mais que nos afastemos, por mais que lhe viremos as costas, por mais que a vida nos distancie do Pai, Ele está à porta, olhando o horizonte, esperando firme o nosso retorno. Ele não perde a fé e sempre tem esperança em nós.
Porém o mais fascinante é que o amor de Deus é modelo para o que Deus espera que seja nossa própria experiência de amor. Amamos porque primeiro fomos amados (1 Jo 4. 19) e o nosso amor é sempre resposta ao Seu amor. Por isso, quando Paulo escreve é sobre o mais excelente caminho para nós (1 Co 12. 31) - é sobre o nosso amor em resposta ao amor de Deus.
Assim como o amor de Deus não desiste, perde a fé ou a esperança em nós e sempre se mantém firme, nosso amor deve ter tais características.
Como o Pai que espera toda tarde à porta, que olha o horizonte, o nosso amor também não deve desistir - ainda que dever não combine com nenhuma ideia de amor, nem no sentido de obrigação, nem no sentido de dívida: o amor não é um dever nem uma dívida.
O amor é graça e é de graça. Espera contra a esperança. É firme e não desiste. Nunca perde a fé no ser amado.
Tais características do amor são um caminho certo para a dor, mas, por outro lado, garantem a gratificante experiência de conhecer, no profundo da alma, o mais profundo amor.
O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém firme.
O Pai amoroso permanecerá firme ao seu lado, jamais desistirá de você, nunca perderá a fé e sempre terá esperança em você.
Somente assim é possível que ao amarmos possamos estar firmes e nunca desistir do ser amado, nunca perder a fé e a esperança nele.
Como nós decepcionamos o Pai que nos ama, é certo que aqueles que amamos (pais, irmãos, amigos, filhos, cônjuges) também poderão nos decepcionar.
Que possamos aprender, nesses casos, a permanecermos sempre firmes no amor.
Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento
Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido
Esta parábola contada por Jesus reforça a ideia que Paulo expressa em 1 Coríntios 13. 7:
O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém firme.
Em primeiro lugar, podemos estar certos que, por pior que seja a situação, o amor de Deus nunca desiste de nós, sempre se mantém firme. O Pai da parábola é imagem do nosso Pai Celestial. Por mais que nos afastemos, por mais que lhe viremos as costas, por mais que a vida nos distancie do Pai, Ele está à porta, olhando o horizonte, esperando firme o nosso retorno. Ele não perde a fé e sempre tem esperança em nós.
Porém o mais fascinante é que o amor de Deus é modelo para o que Deus espera que seja nossa própria experiência de amor. Amamos porque primeiro fomos amados (1 Jo 4. 19) e o nosso amor é sempre resposta ao Seu amor. Por isso, quando Paulo escreve é sobre o mais excelente caminho para nós (1 Co 12. 31) - é sobre o nosso amor em resposta ao amor de Deus.
Assim como o amor de Deus não desiste, perde a fé ou a esperança em nós e sempre se mantém firme, nosso amor deve ter tais características.
Como o Pai que espera toda tarde à porta, que olha o horizonte, o nosso amor também não deve desistir - ainda que dever não combine com nenhuma ideia de amor, nem no sentido de obrigação, nem no sentido de dívida: o amor não é um dever nem uma dívida.
O amor é graça e é de graça. Espera contra a esperança. É firme e não desiste. Nunca perde a fé no ser amado.
Tais características do amor são um caminho certo para a dor, mas, por outro lado, garantem a gratificante experiência de conhecer, no profundo da alma, o mais profundo amor.
O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém firme.
O Pai amoroso permanecerá firme ao seu lado, jamais desistirá de você, nunca perderá a fé e sempre terá esperança em você.
Somente assim é possível que ao amarmos possamos estar firmes e nunca desistir do ser amado, nunca perder a fé e a esperança nele.
Como nós decepcionamos o Pai que nos ama, é certo que aqueles que amamos (pais, irmãos, amigos, filhos, cônjuges) também poderão nos decepcionar.
Que possamos aprender, nesses casos, a permanecermos sempre firmes no amor.
23.1.17
Guarda-roupa e Leão
Em tempos difíceis, Ele me esconderá no Seu abrigo.
Salmo 27. 5
Anos atrás eu passei por uma experiência que ainda hoje, quando penso nela, falta-me ar e as mãos suam frio. Praticava natação na faculdade como educação física e, uma tarde, não consegui terminar um trecho que me havia sido pedido pelo professor. A piscina da UFRN não dava pé para mim. Cabeça fora d´água, flutuava sem conseguir respirar. Desesperei-me ao perceber que ia me afogar, mesmo estando flutuando e nadando bem. Por mais que tentasse puxar o ar, não conseguia. Estava em uma crise de pânico. Em um último esforço, tentei chamar por socorro e me joguei com o resto de minhas forças na margem. Parte da sensação terrível que senti naquela tarde me aflige enquanto digito essas palavras. Terminei deixando a educação física incompleta, mas consegui aproveitar os créditos complementares através de um acordo com o professor. Não consegui mais entrar naquela piscina depois de quase me afogar.
As vezes, é assim que a gente se sente, como se estivesse se afogando sob o peso de tanta pressão.
Quando assisti a primeira vez As crônicas de Nárnia ainda não havia lido a obra de C.S. Lewis. Além de meu encanto com a menininha Georgie Henley, que faz Lucy, o filme me fez pensar.
Todos nós, quando no meio de lutas que nos sufocam, queremos fugir para outros lugares. Isso é natural. Ninguém que não seja masoquista vai querer ficar para sofrer, para se afogar. E quando a gente vê em um filme como aquele a existência de um escape, um guarda-roupas que nos leva a um Reino mágico onde somos reis, talvez queiramos ainda mais descobrir uma forma de fugir de nossas lutas e problemas. Quem sabe fugir para Nárnia.
Quando a gente se vê desprotegido e, talvez, sem amigos muito leais, quem sabe que efeito provoca em nossos sonhos a figura imponente do leão Aislam. Doce e forte, delicado e corajoso. Amigo que protege, que entrega a vida – inocente – por um traidor culpado. Alguém que tem a palavra certa para cada ocasião. Alguém que inspira cuidado e amor. Confesso que enquanto via o leão se deslocar na tela e lembrava de meus problemas, desejava eu mesmo acariciar a sua juba e sentir o cuidado de sua proteção. Vendo o filme e pensando nas minhas lutas diárias, desejei demasiadamente que aquilo fosse real e houvesse um guarda-roupa que me transportasse, desde uma vida que me afoga e mata pouco a pouco para um mundo mágico sob a proteção de Aslam, o leão ressuscitado.
Quer saber o que é melhor? Algo que a gente corre o risco de esquecer? Existe o guarda-roupa. Aislam é real. Você pode viver – eu posso viver – sob Seu cuidado e proteção. Podemos sentir o Seu carinho e amor. Sua doçura e fortaleza. Sua vida, Sua morte e Sua ressurreição. Podemos escapar para o Reino de Nárnia para recuperar as forças. A vida mais real é a que corre em Nárnia. A que ocorre do lado de cá do guarda-roupa, na terra da “salavazia”, é reflexo do mundo espiritual.
Nárnia não é metáfora; é a própria verdade bíblica. E me fez recuperar a porta de escape para a sua dimensão que eu havia esquecido. A oração e a comunhão com o Pai são os nossos guarda-roupas que abrem o portal mágico para o contato íntimo com Aislam/Jesus Cristo. Se a vida nos afoga, se nos sufoca – podemos contar com o socorro e o abrigo de Jesus. Durante o filme eu pensei em um momento como seria ótimo ter um leão como Aislam ao nosso lado, para nos proteger. Por um instante esqueci que Ele – Jesus – está de verdade ao nosso lado. De verdade podemos tocar-lhe, ouvir Sua voz carinhosa e sentir Seu amor infinito. Se queremos escapar para o Reino do amor precisamos da força da oração e da comunhão com o Pai e com o Leão. Só assim podemos suportar o peso da vida sem nos afogar.
Salmo 27. 5
Anos atrás eu passei por uma experiência que ainda hoje, quando penso nela, falta-me ar e as mãos suam frio. Praticava natação na faculdade como educação física e, uma tarde, não consegui terminar um trecho que me havia sido pedido pelo professor. A piscina da UFRN não dava pé para mim. Cabeça fora d´água, flutuava sem conseguir respirar. Desesperei-me ao perceber que ia me afogar, mesmo estando flutuando e nadando bem. Por mais que tentasse puxar o ar, não conseguia. Estava em uma crise de pânico. Em um último esforço, tentei chamar por socorro e me joguei com o resto de minhas forças na margem. Parte da sensação terrível que senti naquela tarde me aflige enquanto digito essas palavras. Terminei deixando a educação física incompleta, mas consegui aproveitar os créditos complementares através de um acordo com o professor. Não consegui mais entrar naquela piscina depois de quase me afogar.
As vezes, é assim que a gente se sente, como se estivesse se afogando sob o peso de tanta pressão.
Quando assisti a primeira vez As crônicas de Nárnia ainda não havia lido a obra de C.S. Lewis. Além de meu encanto com a menininha Georgie Henley, que faz Lucy, o filme me fez pensar.
Todos nós, quando no meio de lutas que nos sufocam, queremos fugir para outros lugares. Isso é natural. Ninguém que não seja masoquista vai querer ficar para sofrer, para se afogar. E quando a gente vê em um filme como aquele a existência de um escape, um guarda-roupas que nos leva a um Reino mágico onde somos reis, talvez queiramos ainda mais descobrir uma forma de fugir de nossas lutas e problemas. Quem sabe fugir para Nárnia.
Quando a gente se vê desprotegido e, talvez, sem amigos muito leais, quem sabe que efeito provoca em nossos sonhos a figura imponente do leão Aislam. Doce e forte, delicado e corajoso. Amigo que protege, que entrega a vida – inocente – por um traidor culpado. Alguém que tem a palavra certa para cada ocasião. Alguém que inspira cuidado e amor. Confesso que enquanto via o leão se deslocar na tela e lembrava de meus problemas, desejava eu mesmo acariciar a sua juba e sentir o cuidado de sua proteção. Vendo o filme e pensando nas minhas lutas diárias, desejei demasiadamente que aquilo fosse real e houvesse um guarda-roupa que me transportasse, desde uma vida que me afoga e mata pouco a pouco para um mundo mágico sob a proteção de Aslam, o leão ressuscitado.
Quer saber o que é melhor? Algo que a gente corre o risco de esquecer? Existe o guarda-roupa. Aislam é real. Você pode viver – eu posso viver – sob Seu cuidado e proteção. Podemos sentir o Seu carinho e amor. Sua doçura e fortaleza. Sua vida, Sua morte e Sua ressurreição. Podemos escapar para o Reino de Nárnia para recuperar as forças. A vida mais real é a que corre em Nárnia. A que ocorre do lado de cá do guarda-roupa, na terra da “salavazia”, é reflexo do mundo espiritual.
Nárnia não é metáfora; é a própria verdade bíblica. E me fez recuperar a porta de escape para a sua dimensão que eu havia esquecido. A oração e a comunhão com o Pai são os nossos guarda-roupas que abrem o portal mágico para o contato íntimo com Aislam/Jesus Cristo. Se a vida nos afoga, se nos sufoca – podemos contar com o socorro e o abrigo de Jesus. Durante o filme eu pensei em um momento como seria ótimo ter um leão como Aislam ao nosso lado, para nos proteger. Por um instante esqueci que Ele – Jesus – está de verdade ao nosso lado. De verdade podemos tocar-lhe, ouvir Sua voz carinhosa e sentir Seu amor infinito. Se queremos escapar para o Reino do amor precisamos da força da oração e da comunhão com o Pai e com o Leão. Só assim podemos suportar o peso da vida sem nos afogar.
Observação: Mais uma vez, a necessidade de tratar de questões pessoais me impediu de escrever uma reflexão inédita. Adaptei, portanto, texto já publicado em 13 de dezembro de 2005.
22.1.17
Frágil
Chorei muito porque ninguém era capaz de abrir o livro para lê-lo. Mas um dos Anciãos disse: “Não chore. Olhe — o Leão da Tribo de Judá, a Raiz da Árvore de Davi, venceu. Ele pode abrir o livro e romper os selos”.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Apocalipse 5. 4-6
A manhã deste domingo (22/1) começou bastante chuvosa. Raios e trovões rasgavam os céus de Natal, assustando e fascinando uma cidade que não costuma ser habituada a tanto barulho de chuva.
Raios e trovões sempre fascinaram a humanidade pelo que representam de poder e energia. O fogo que cai do céu ainda hoje mata muita gente, mas nos tempos antigos, inclusive bíblicos, era visto como a manifestação poderosa da divindade. Em 1 Reis 18, é um raio que consome a oferta de Elias para provar que só Iahweh é Deus, não Baal.
Costumamos, pela majestade, relacionar o grande poder, as grandes manifestações, raios e trovões, a Deus. É por isso que a visão de João em Apocalipse 5 é tão impressionante.
João chora porque não se vê no céu ninguém que seja capaz de desatar os selos que envolvem o livro - que entendemos se referir ao desenrolar da história. Um Ancião destaca, no entanto:
“Não chore. Olhe — o Leão da Tribo de Judá, a Raiz da Árvore de Davi, venceu. Ele pode abrir o livro e romper os selos”
Há um vencedor que pode abrir o livro: Ele é um Leão, é da Descendência de Davi, Ele venceu, Ele é Jesus. Poderoso para romper os selos.
João ergue os olhos. Não vê um Thor que manda raios e trovões com seu martelo. Não vê uma nuvem assustadora. Não vê fogo correndo em forma de lava. Não sente um vento impetuoso. Não olha para um luz ou glória capaz de cegar. Não vê nada que lhe dê medo.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Ele viu um Cordeiro como que tivesse sido morto. Existe algo mais dócil, frágil que um cordeiro morto?
Quem venceu, quem merece a adoração de homens e anjos, não é um violento leão, um emissor de raios, um guerreiro vistoso. Quem venceu foi um Cordeiro morto.
A força da vitória que encontramos em Jesus é a força da fragilidade de um Cordeiro oferecido em sacrifício voluntariamente.
A vitória, na dimensão de Jesus, passa por assumir a mansidão, a suavidade, a fragilidade de quem, como cordeiro, se oferece voluntariamente a ser sacrificado por amor.
Vence o frágil, não o poderoso.
Vence o que se entrega, não o que combate.
Vence o que ama, não o que guerreia.
Vence o Cordeiro: a história pertence a Ele e aos que entenderam que a sua força é ser frágil.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Apocalipse 5. 4-6
A manhã deste domingo (22/1) começou bastante chuvosa. Raios e trovões rasgavam os céus de Natal, assustando e fascinando uma cidade que não costuma ser habituada a tanto barulho de chuva.
Raios e trovões sempre fascinaram a humanidade pelo que representam de poder e energia. O fogo que cai do céu ainda hoje mata muita gente, mas nos tempos antigos, inclusive bíblicos, era visto como a manifestação poderosa da divindade. Em 1 Reis 18, é um raio que consome a oferta de Elias para provar que só Iahweh é Deus, não Baal.
Costumamos, pela majestade, relacionar o grande poder, as grandes manifestações, raios e trovões, a Deus. É por isso que a visão de João em Apocalipse 5 é tão impressionante.
João chora porque não se vê no céu ninguém que seja capaz de desatar os selos que envolvem o livro - que entendemos se referir ao desenrolar da história. Um Ancião destaca, no entanto:
“Não chore. Olhe — o Leão da Tribo de Judá, a Raiz da Árvore de Davi, venceu. Ele pode abrir o livro e romper os selos”
Há um vencedor que pode abrir o livro: Ele é um Leão, é da Descendência de Davi, Ele venceu, Ele é Jesus. Poderoso para romper os selos.
João ergue os olhos. Não vê um Thor que manda raios e trovões com seu martelo. Não vê uma nuvem assustadora. Não vê fogo correndo em forma de lava. Não sente um vento impetuoso. Não olha para um luz ou glória capaz de cegar. Não vê nada que lhe dê medo.
Então olhei para o trono, com os Animais e Anciãos à volta dele, e vi o Cordeiro, abatido, mas ainda de pé.
Ele viu um Cordeiro como que tivesse sido morto. Existe algo mais dócil, frágil que um cordeiro morto?
Quem venceu, quem merece a adoração de homens e anjos, não é um violento leão, um emissor de raios, um guerreiro vistoso. Quem venceu foi um Cordeiro morto.
A força da vitória que encontramos em Jesus é a força da fragilidade de um Cordeiro oferecido em sacrifício voluntariamente.
A vitória, na dimensão de Jesus, passa por assumir a mansidão, a suavidade, a fragilidade de quem, como cordeiro, se oferece voluntariamente a ser sacrificado por amor.
Vence o frágil, não o poderoso.
Vence o que se entrega, não o que combate.
Vence o que ama, não o que guerreia.
Vence o Cordeiro: a história pertence a Ele e aos que entenderam que a sua força é ser frágil.
21.1.17
Amar a Deus
Se alguém se vangloria, dizendo: “Eu amo a Deus” mas odeia e despreza seu irmão, é mentiroso. Se não ama a pessoa que vê, como pode amar a Deus, a quem não vê? O mandamento que temos da parte de Cristo é sem rodeios: amar a Deus se vê na prática de amar o próximo. Vocês precisam amar os dois.
1 João 4. 20-21
A religião sempre promoveu uma separação entre as relações verticais entre o fiel e seu deus e as relações horizontais do fiel com os outros. Essa separação por vezes tomou corpo como ação violenta e bárbara contra todo aquele que é ou era diferente.
E não é preciso pensar apenas em movimentos terríveis como os do Estado Islâmico. No mundo religioso cristão e ocidental vimos por diversas vezes tais práticas de ódio subsistirem: na Inquisição, nas Guerras Religiosas, nos conflitos entre católicos e protestantes na Grã-Bretanha, no Apartheid sul-africano, nas políticas de segregação nos Estados Unidos.
Sempre foi fácil fugir do texto de João a partir da elasticidade interpretativa que define quem é o próximo, quem é o irmão. O outro sempre foi visto nesses casos como qualquer coisa, menos o próximo que deve ser amado. A parábola do samaritano foi contada por Jesus como forma de responder a essa pergunta: “quem é o meu próximo?” (Lc. 10. 29).
Quando Jesus responde, mostra que o próximo não é o religioso, não é o ortodoxo, mas é o estrangeiro herege, o samaritano que não segue a Deus como os judeus seguem.
Esse é o meu próximo: não o que é igual a mim, mas o que é absolutamente outro.
O mais radical dessa verdade do evangelho é que eu só posso a amar a Deus se amar esse outro, esse próximo, essa pessoa completamente diferente de mim.
1 João 4. 20-21
A religião sempre promoveu uma separação entre as relações verticais entre o fiel e seu deus e as relações horizontais do fiel com os outros. Essa separação por vezes tomou corpo como ação violenta e bárbara contra todo aquele que é ou era diferente.
E não é preciso pensar apenas em movimentos terríveis como os do Estado Islâmico. No mundo religioso cristão e ocidental vimos por diversas vezes tais práticas de ódio subsistirem: na Inquisição, nas Guerras Religiosas, nos conflitos entre católicos e protestantes na Grã-Bretanha, no Apartheid sul-africano, nas políticas de segregação nos Estados Unidos.
Sempre foi fácil fugir do texto de João a partir da elasticidade interpretativa que define quem é o próximo, quem é o irmão. O outro sempre foi visto nesses casos como qualquer coisa, menos o próximo que deve ser amado. A parábola do samaritano foi contada por Jesus como forma de responder a essa pergunta: “quem é o meu próximo?” (Lc. 10. 29).
Quando Jesus responde, mostra que o próximo não é o religioso, não é o ortodoxo, mas é o estrangeiro herege, o samaritano que não segue a Deus como os judeus seguem.
Esse é o meu próximo: não o que é igual a mim, mas o que é absolutamente outro.
O mais radical dessa verdade do evangelho é que eu só posso a amar a Deus se amar esse outro, esse próximo, essa pessoa completamente diferente de mim.
O mandamento que temos da parte de Cristo é sem rodeios: amar a Deus se vê na prática de amar o próximo.
Afinal, como eu poderia dizer que amo a Deus, a quem não vejo, se desejo a morte de alguém? Como eu posso falar do meu amor a Deus, se faço o mal ao próximo? Como posso amar a Deus, se não amo o outro?
João não mede palavras: “é mentiroso”.
É mentiroso porque Deus só se ama no amor ao próximo. O amor a Deus não pode ser platônico, sentimento emocionante que nos toca a alma.
O amor só é possível porque Deus nos amou primeiro - e quando nos amou, fez-se um de nós e morreu por nós.
O amor a Deus, portanto, só pode ser real se for posto em prática, em ação. E esse ação, essa prática, essa realidade, não se dirige a um mundo etéreo: só se ama de verdade a Deus amando-se as pessoas.
Fazendo o bem a elas.
Socorrendo-as, como fez o bom samaritano.
Deixando a religião em segundo plano, em favor do amor.
Por isso, a importância da exortação da 2 Pedro 1. 5-7, que põe em questão, inclusive, uma certa posição de importância:
Diante de tudo isso, esforcem-se ao máximo para corresponder a essas promessas. Acrescentem à fé a excelência moral; à excelência moral o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a devoção a Deus; à devoção a Deus a fraternidade; e à fraternidade o amor. (NVT)
A fraternidade é mais importante que a devoção - e o amor é mais importante que tudo e a tudo une.
Que aprendamos que amar a Deus é amar o próximo.
João não mede palavras: “é mentiroso”.
É mentiroso porque Deus só se ama no amor ao próximo. O amor a Deus não pode ser platônico, sentimento emocionante que nos toca a alma.
O amor só é possível porque Deus nos amou primeiro - e quando nos amou, fez-se um de nós e morreu por nós.
O amor a Deus, portanto, só pode ser real se for posto em prática, em ação. E esse ação, essa prática, essa realidade, não se dirige a um mundo etéreo: só se ama de verdade a Deus amando-se as pessoas.
Fazendo o bem a elas.
Socorrendo-as, como fez o bom samaritano.
Deixando a religião em segundo plano, em favor do amor.
Por isso, a importância da exortação da 2 Pedro 1. 5-7, que põe em questão, inclusive, uma certa posição de importância:
Diante de tudo isso, esforcem-se ao máximo para corresponder a essas promessas. Acrescentem à fé a excelência moral; à excelência moral o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a devoção a Deus; à devoção a Deus a fraternidade; e à fraternidade o amor. (NVT)
A fraternidade é mais importante que a devoção - e o amor é mais importante que tudo e a tudo une.
Que aprendamos que amar a Deus é amar o próximo.
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