24.10.05

Minha história

Ele [Jesus] fez isso para que, por meio da sua morte, pudesse destruir o Diabo, que tem poder sobre a morte.
Hebreus 2. 14

Há alguns meses eu já sabia que, independente do resultado da votação de ontem, era isso que escreveria neste 24 de outubro. Entrei na campanha do desarmamento em maio e, desde o início, independente dos motivos sociais que me deixavam profundamente convicto da escolha correta, tive a mais pura convicção de que estava envolvido com aquilo muito mais de uma perspectiva ministerial. Deus me vocacionara para a tarefa. E, dia a dia, Ele foi me guiando em toda a caminhada, mesmo na campanha pela votação derrotada de ontem.
No dia 20 de maio deste ano, enquanto estava em uma reunião de minha base de pesquisa na universidade, um irmão querido me ligou. Era o fim da tarde daquela sexta-feira quando ele me chamou para uma reunião na manhã seguinte, em uma igreja. Como já tinha, por motivos diversos, dito não em algumas ocasiões a ele, me senti compelido a aceitar e ir para a reunião, que trataria sobre o desarmamento. Eu hoje posso dizer que não tinha a menor idéia do que se tratava a reunião.
No sábado pela manhã, Deus me pegou pela palavra. Antes de sair de casa, comentei com minha família que lamentava não ter tomado parte das lutas pela democratização do Brasil. Ao terminar de falar, disse que ainda restava uma luta na qual ainda podia me envolver: a luta contra a desigualdade social. Deus me pegou por essa palavra, porque quando cheguei à reunião percebi que a questão do desarmamento era muito mais do que simplesmente recolher armas da sociedade – coisa que poucos brasileiros entenderam na votação de ontem. Eu me vi naquela manhã no meio de pessoas que, por anos, têm lutado contra a desigualdade, por um país mais justo. Pessoas que têm perspectiva de que precisam enfrentar as causas da violência. Imediatamente percebi que a questão do desarmamento era muito mais ampla que jamais podia ter imaginado. Muitas outras questões a perpassavam. Mais que isso: Deus me falou nitidamente ao coração que aquela oportunidade respondia às minhas palavras de mais cedo. Não podia fugir ao Seu chamado. Tu és mais forte do que eu e me dominaste (Jr. 20. 7).
Ao mesmo tempo em que percebi a questão social mais ampla envolvida no desarmamento – e que era clara na mente de todos os religiosos e militantes que ali estavam – comecei a discernir a questão espiritual envolvida. Sobre ela, eu jamais discorri em qualquer debate ou em outra circunstância. Mas os meses só foram me confirmando a certeza de que essa era uma luta, não contra seres humanos simplesmente, mas contra poderes espirituais do mal nas regiões celestes (Ef. 6. 12). Afinal, nossa luta era contra uma indústria que lucra com a morte dos outros: Ele [Jesus] fez isso para que, por meio da sua morte, pudesse destruir o Diabo, que tem poder sobre a morte. Nossa luta era para salvar vidas contra forças espirituais que se esforçam por destruí-las. Nossa luta era para manifestar a vitória de Jesus contra as forças da morte do diabo.
Um dos momentos mais marcantes para mim nessa caminhada foi numa manhã de segunda-feira no mês de junho. Eu voltava de uma reunião do comitê quando, por incrível que pareça, escorreguei em uma casca de banana. No dia anterior, eu havia pregado na minha igreja uma mensagem bíblica sobre compromisso social. A Palavra que Deus dera fora tão radical que uma irmã chegou a me contradizer durante a pregação. Já falei sobre essa experiência alguns meses atrás. Sabia que estava mexendo em ninho de vespas. Deus me mostrara em vários sonhos as tentativas que o Diabo, que tem poder sobre a morte, estava levantando contra a minha vida. Naquela segunda, eu escorreguei em uma casca de banana e não encostei nada do meu corpo no chão, a não ser minha mão esquerda que ralou na calçada. No mesmo instante, Deus me falou ao coração com clareza que aquela tinha sido uma seta lançada pelo maligno, mas que Ele me dera livramento. Eu escorrei em uma calçada e, por pouco, não batia minha cabeça no meio fio. Mas, como marca desse livramento, trago em mim a cicatriz para o resto da minha vida. Eu sorria enquanto as pessoas se preocupavam com a ferida na minha mão porque sabia o que havia acontecido, o que significava. Ao mesmo tempo em que se tratava de um claro livramento de Deus para mim, era também o sinal mais claro de que, do ponto de vista espiritual, o meu envolvimento com a causa social do desarmamento estava incomodando as forças das trevas. Eu sorria porque me sabia no centro da vontade de Deus.
Quando se aproximou a campanha eleitoral, percebemos o jogo sujo que estava para ser jogado. E como não podia deixar de ser, o pai da mentira usou inúmeros subterfúgios para manipular a opinião pública brasileira. Nunca imaginei que ainda fosse possível um jogo eleitoral com tamanha quantidade de mentiras. Mas quando me deparava com isso era ainda mais consciente de que estava em uma batalha espiritual.
Tenho a mais absoluta convicção de que ontem o Brasil não experimentou um simples referendo: tratou-se da mais intensa batalha espiritual. Por isso, não me surpreendia quando eu via muitos crentes acreditando na vigorosa propaganda subliminar e nos efeitos de sentido discursivos da campanha vencedora. Se alguém podia vencer a batalha de ontem seria a igreja unida em oração. Mas, como em toda luta espiritual, Satanás e suas hostes trataram de dissipar o exército intercessor, fazendo o que é de sua natureza: mentindo, enganando. E um exército enfraquecido foi à luta, uma vez que muitos cristãos cederam ao outro lado. O diabo faz tudo para enganar, se possível, até o povo escolhido de Deus (Mt. 24. 24).
Era preciso ter olhos espirituais para perceber do que estava se tratando, mas não apresentei, propositalmente, essa perspectiva nos debates de que participei. Sabia que deveria deixar para expô-la após o pleito. Mas todas as vezes em que, ao debater com alguém, convencia-o de que o que estava acreditando não tinha fundamento (o que aconteceu várias vezes), qual não era a minha surpresa ao perceber que a pessoa dizia: Você está certo, mas ainda assim vou votar não! As pessoas percebiam estar acreditando em mentiras, mas ainda assim mantinham-se cegas pelo não. Força das trevas, ação do mal.
A força contra a qual nos levantamos ontem em oração não foi a força do dinheiro da Taurus. Foi a força de principados e potestades que têm submetido o país no mar de violência em que nos encontramos. Os poderes espirituais do mal que atuam na disseminação da violência e na indústria da morte foram muito eficazes na propagação do medo, revolta e raiva.
Era impressionante como a gente se deparava com tanta gente raivosa nos debates nos quais me envolvi. As expressões dos rostos e a intransigência das falas, apesar da disposição democrática de todos os que fizemos a campanha em Natal, podiam ser facilmente confundidas, em um ambiente eclesiástico, com possessões. Não estou exagerando. Algumas pessoas pareciam dominadas por paixões primitivas, próximas àquelas que manifestam os endemoninhados, quando defendiam o não em alguns momentos. E, mesmo que convencidos da falsidade de seus pressupostos, reafirmavam a decisão passional de seu voto. Não pareciam decisões firmadas em qualquer motivo racional, mas parecia influência espiritual.
Intercedi bastante pela votação de ontem, mas estava certo de que não era o suficiente. O diabo venceu a luta dividindo a igreja por meio do engano. Desde o início da minha história nesse movimento, em maio deste ano, era consciente da dimensão da batalha espiritual em que estava inserido. Sabia que se perdêssemos o referendo, o perderíamos na (falta) de oração. Enfrentamos adversários poderosos, mas já derrotados – poderes espirituais por trás da indústria da morte, maior segmento econômico do planeta –, mas os cristãos enganados se dividiram e não cerraram fileiras para que se manifestasse em nosso meio a vitória eterna de Jesus: Ele [Jesus] fez isso para que, por meio da sua morte, pudesse destruir o Diabo, que tem poder sobre a morte.

18.10.05

Rendição

Pessoal,

Eu preciso me render. Não dá para me manter escrevendo nesta semana, a poucos dias do referendo. Temos muito trabalho pela frente. Por isso, vou me ausentar um pouco e prometo regressar depois do dia 23 de outubro. Orem por mim. Orem por essa batalha espiritual. Você vem contra mim com espada, lança e dardo. Mas eu vou contra você em nome do Senhor Deus Todo-Poderoso, que você desafiou! (1 Sm. 17. 45).

Ungidos

O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres.
Isaías 61. 1

Muitas pessoas buscam ardentemente pelo Espírito Santo. Querem ser cheias dEle. Querem receber a Sua unção. Embora seja uma promessa para aqueles que recebem a salvação em Cristo, para todos nós, o derramar do Espírito traz implicações para as quais não temos atentado muitas vezes. O poder do Espírito, Seus dons e Sua plenitude não vêm sem propósito. Se o poder de Deus vem sobre a igreja e sobre o cristão é para capacitá-lo para alguma coisa específica. Um serviço ou ministério que pertence a cada pessoa individualmente. Não existe poder do Espírito para se gastar em si mesmo, ou olhando para o próprio umbigo. Poder do Espírito é para nos impulsionar para fora de nós mesmos e abençoar os que estão à volta.
O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Fomos chamados por Deus e recebemos o Seu Espírito para sermos, especialmente, instrumentos de libertação e da transformação do mundo à nossa volta. Não fomos chamados para curtirmos o prazer de conhecer a Deus, mas sobre nós vem o Seu poder para que, nesse poder, possamos ir na direção do mundo, para transformar a realidade à nossa volta. Fomos chamados para libertar o mundo.
Não quero espiritualizar o texto de Isaías 61 porque não acredito que ele foi escrito para ser entendido, prioritariamente, de forma espiritualizada. Ele se refere à tradição do ano jubilar no Antigo Testamento: aquele momento, a cada sete ou cinqüenta anos, em que dívidas eram perdoadas, escravos eram libertados, as terras eram restituídas aos seus primeiros donos, numa verdadeira ação de Reforma Agrária conduzida pelo Senhor. O Espírito Santo nos unge, como ungiu Jesus, para promover uma transformação completa da humanidade, incluindo sua vida social. Isso é importante demais em um contexto como o Brasil contemporâneo: campeão mundial de mortes pela guerra urbana, um dos piores índices de IDH do mundo. Um lugar onde dizem que cresce a igreja de Cristo. Se ela cresce que papel tem desempenhado como ungida pelo Espírito Santo? Se é uma igreja cheia do Espírito, por que não tem contribuído para a transformação do mundo à sua volta? Por que acontece em nossas cidades algo como o que ocorre no bairro de Felipe Camarão, em Natal: um dos bairros com maior presença evangélica e, ao mesmo tempo, reconhecido como bairro mais violento da cidade?
Para mim, só há uma resposta. As igrejas não estão cheias do Espírito Santo, mas provavelmente estão cheias de si. Porque o Espírito nos unge e para realizar algumas tarefas bem definidas: O Senhor Deus me deu o Seu Espírito, pois Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão (Is. 61. 1). Agora, se eu e você, se a igreja está presente em um ambiente mas os pobres não recebem boas notícias, os aflitos não são animados, os escravos – os explorados – não são libertos, os presos – os injustiçados – não são livres, ou não recebem o nosso apoio em suas lutas, para mim isso é um forte indício de que não estamos tão cheios do Espírito quanto estamos de nós mesmos.
Billy Graham admitia que um dos traços principais que caracterizam uma igreja e um cristão como cheios do Espírito é o envolvimento nas causas que redundam na transformação da sociedade e libertação do oprimido. O cristão, cheio do Espírito, deveria ser alguém profundamente otimista, utópico e lutador. Mas o que vemos, lamentavelmente – e que nos marca como pessoas que precisam aprender a mergulhar mais na intimidade dos rios de águas vivas do nosso Deus –, são cristão adeptos da tese do quanto pior melhor, como se o mundo precisasse piorar para a volta de Jesus, para o quê a igreja colabora com sua omissão. Muitos cristãos, profundamente pessimistas, manifestam sua falta de enchimento do Espírito e sua plenitude de Si mesmos. Mas ainda há tempo de voltar atrás. As águas da vida de Jesus permanecem disponíveis para quem quiser bebê-las. Basta correr e se chegar a Ele. Com fome e sede de justiça, que serão plenamente saciadas.

16.10.05

Filhos de Deus

Felizes as pessoas que trabalham pela paz, pois Deus as tratará como seus filhos.
Mateus 5. 9

Ontem, em um dos muitos debates em que participamos acerca do Referendo, um irmão amigo perguntou à platéia na Igreja do Nazareno em Natal quem queria ser reconhecido como filho de Deus. O texto do Sermão do Monte nos diz que serão tratados como filhos por Deus aqueles que trabalharem pela paz. Isso ficou na minha cabeça.
Às vezes, eu escrevo sobre as nossas vidas íntimas e nossas relações mais particulares com Deus. Mas às vezes é preciso que a gente se lembre que está no mundo, hoje, para fazer diferença e fazer o mundo diferente. Nessa tarde, participei, junto com algumas milhares de pessoas, umas dez mil, de uma Caminhada pela Paz pelas ruas da cidade. Caminhar pela paz não gera a paz como um passe de mágica, mas é uma ação a favor dela porque transforma nossas mentes e nossos corações pela paz.
Ali, refleti sobre a oração atribuída a Francisco de Assis: Senhor, faze-me instrumento de Tua paz! Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erros, que eu leve a verdade. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. O filho de Deus, fazedor da paz, transforma os ambientes em lugares onde a graça de Deus se manifesta de forma natural. O filho de Deus é instrumento da paz do Senhor onde quer que esteja e pede a Deus para que seja sempre esse instrumento.
Da caminhada fui pregar em uma de nossas igrejas. No culto de missões, falei sobre o perfume de Cristo que nós somos, texto sobre o qual escrevi na semana passada: Como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas (2 Co. 2. 14). E tudo se relaciona. A presença do Senhor é capaz de fazer profunda diferença na vida dos outros a partir de nós. O cheiro do Senhor se espalha desde os nossos corações e vai tocando e transformando as vidas à nossa volta.
Só podemos viver essa realidade e essa dimensão se mergulharmos na comunhão e intimidade de Deus, o nosso Pai, através de Jesus. Não é de nós mesmos que somos instrumentos de transformação. Não é nossa a paz que levamos. A paz que levamos, e que pode transformar o mundo, é paz dAquele que nos chama. Sejamos instrumentos da paz do Senhor na transformação do mundo e seremos reconhecidos como filhos de Deus.
Para sermos instrumentos dessa paz precisamos estar impregnados dela. E como isso se dá? Jesus é o Deus da Paz. Ele é o Príncipe da Paz (Is. 9. 6). É apenas nEle que podemos ter a fonte da verdadeira paz, paz que podemos levar ao mundo e que pode construir uma nova cultura, uma cultura de paz: Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo (Jo. 14. 27). Ele que fez a paz entre o homem e Deus e entre o homem e o homem por meio de Sua cruz. Impregnados dEle podemos levar a Sua paz ao mundo.
Fui à caminhada pela paz e tenho tentado ao máximo trabalhar pela paz porque quero ser instrumento da paz de Deus ao mundo. Quero estar impregnado do shalom, afogado na Sua presença. Quero, e peço isso ao Pai, ser reconhecido como filho de Deus por ser construtor da paz. Uma paz que, acredito, não é um horizonte irrealizável para o cristão, mas uma utopia possível construída na dimensão da vida e da comunhão com Cristo: Eles transformarão as suas espadas em arados e as suas lanças, em foices. Nunca mais as nações farão guerra, nem se prepararão para batalhas (Is. 2. 4).

15.10.05

Pareço incomodar

Fora daqui, seu profeta! Volte para a sua terra de Judá e ganhe a vida por lá com as suas profecias. Pare de profetizar aqui em Betel, pois este é o santuário onde o rei adora, este é o templo principal do país.
Amós 7. 12 – 13

O rapper cearense Amaury Fontenele tem uma canção em que se diz consciente do incômodo que provoca: Tem gente que não gosta do que eu falo, parece que eu pareço incomodar, parece que o que eu falo faz um calo na tua consciência, parece que pareço incomodar. Se por um lado o cristão deve ser uma bênção onde estiver, por ser abençoado, a presença de Deus em Sua vida o faz respirar o espírito profético. E o espírito profético, denunciador das situações de morte e de pecado à sua volta, incomoda.
Do mesmo modo que tenho como desejo na vida ser canal da bênção do Senhor na vida daqueles que me cercam, desejo ardentemente ser incômodo, se assim estiver cumprindo a vocação de Deus em minha vida. Não posso abrir mão de obedecer ao Senhor por razão alguma, muito menos por querer ser simpático ou não querer incomodar.
Olho ao meu lado e vejo muita gente vivendo uma superficialidade de vida terrível. É óbvio que para essas pessoas, eu e você, no instante em que nos dispusermos a buscar cada vez mais a intimidade do Senhor e a comunhão com Ele, vamos incomodar. Enquanto o coração de muitos se afasta de Deus, se nós colocarmos nosso coração em buscar a Sua face, sendo transformados dia a dia pela Sua presença, sendo impactados pelo Deus que faz morada em nós, a nossa vida vai ser incômodo para muitos. Nosso ministério e nossa palavra, uma vez que serão a tradução da vida que o Senhor nos quer vivendo e uma denúncia da vida que muitos estão vivendo, serão incômodos tremendos para muita gente. Se nos dispusermos a fazermos a vontade do Senhor, e somente ela, incomodaremos muita gente.
Já falei várias vezes sobre Amós e é a ele que temos de voltar ainda mais uma vez. Ele é exemplo do que estamos dizendo. Um dia, estando no meio de sua fazendo, cuidando de suas ovelhas e das suas figueiras em Judá, Deus ruge como um leão e o convoca a profetizar. Bem que Amós podia não ter dado ouvidos ao rugido do leão e ficado em sua terra, mas quando o leão ruge, quem não fica com medo? Quando o Senhor Deus fala, quem não anuncia a Sua mensagem? (Am. 3. 8)
E lá foi o profeta para o país vizinho de Israel pregar a Palavra que o Senhor havia lhe dado. Mas quem disse que vida de profeta é tranqüila? No instante que o homem e a mulher de Deus se dispõe a falar a Palavra do Senhor, eles incomodam aqueles que não querem o desafio e a mudança que o Senhor convoca. E do incômodo à perseguição é apenas um passo. Incomodados, o rei e o sacerdote de Israel se voltam contra Amós: Fora daqui, seu profeta! Volte para a sua terra de Judá e ganhe a vida por lá com as suas profecias. Pare de profetizar aqui em Betel, pois este é o santuário onde o rei adora, este é o templo principal do país.
A resposta de Amós é simples como simples parece ser o profeta. Aliás, sua simplicidade deve aumentar ainda mais o incômodo que provoca: Deus não está usando o sacerdote, mas antes o simples camponês. Não sou profeta por profissão; não ganho a vida profetizando. Sou pastor de ovelhas e também cuido de figueiras. Mas o Senhor Deus mandou que eu deixasse os meus rebanhos e viesse anunciar a sua mensagem ao povo de Israel (Am. 7. 14 – 15).
Algo assim já aconteceu comigo, como já relatei um pouco anteriormente. Uma liderança da minha igreja local chegou a dizer que não se incomodaria se eu fosse para outra igreja, que eu me tornasse algo como co-pastor dela. Não importava para esse líder o que acontecesse, apenas eu não pregaria ou ensinaria mais na igreja. Quer dizer, da mesma forma como Amazias a Amós, ele me pedia que deixasse a igreja e parasse meu ministério. Parece que pareço incomodar. Eu me senti convidado a deixar a igreja, mas não o fiz porque é o Senhor quem me quer ali.
Você está incomodando por estar fazendo a vontade de Deus? Está incomodando no meio do Povo de Deus? Parabéns, você faz parte do clube privado dos profetas perseguidos, que não são honrados em sua própria pátria. Como estou consciente, cada vez mais, que as palavras de juízo de Deus são prioritariamente contra o Seu próprio povo, ser incômodo dentro da Igreja por fazer a vontade de Deus só pode significar duas coisas: a fidelidade do profeta cheio do Espírito e o juízo iminente do povo. Portanto, não desanime, não volte a trás. O Senhor é o Seu escudo e fortaleza. Ele é o Seu socorro.