Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como esse cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho.
Lucas 18. 11 – 12
Em 2002, participei da Escola Dominical em uma igreja em Fortaleza. Naquela manhã, o professor propôs um exercício bem interessante. No meio da sala ele havia separado algumas cadeiras como sendo reservadas. Na verdade, reservadas para personalidades da nossa sociedade, notoriamente conhecidas como pecadores resolutos: Fernandinho Beira-Mar, ACM, Paulo Maluf, etc. A questão contra a qual fomos postos era qual seria a nossa reação se essas pessoas estivessem lá.
Obvio que as respostas giravam em torno das mais cristãs possíveis. Demonstrar amor por eles. Falar-lhes de Jesus. Tentar convencer-lhes a entregarem suas vidas ao conhecimento do Deus Vivo. Mas, confesso, aquilo me incomodou. É muito fácil para nós falarmos “em tese”. Especialmente se a situação se refere a algo que é, verdadeiramente, impossível de vermos. Aquelas pessoas jamais estariam naquela sala. Por isso, era muito distante de qualquer um, discutir aquele assunto. Ou seja, todos nós poderíamos dar, ali, as respostas mais esperadas, mais conformes o que se pensa que o cristão deva fazer. Isso não significava que seriam respostas verdadeiras. Pelo contrário.
Incomodado, propus aos meus irmãos uma outra questão. Disse que era muito fácil falar de algo tão distante. Mas, e quando o pecado acontece no nosso meio? Como reagimos quando uma liderança importante de nossa igreja peca? Ou um irmão próximo a nós? Lembro de ter usado o exemplo daquele que era o pastor do Brasil até sua queda. Disse que havia lido que os livros dele não eram mais comprados, como se o seu pecado posterior tivesse inutilizado a Palavra de Deus em sua vida anteriormente. Para o meu espanto, aqueles jovens endossaram o coro dos que o rejeitavam. Nunca mais ele seria pastor para aqueles meninos e meninas. Seu ministério estava para sempre acabado. Era o fim. No lugar do Deus perdoador e restaurador, eles diziam que era o fim dele.
Eu os respondi. Na época estava no seminário. Disse que se não acreditasse no poder restaurador de Deus e da Palavra de Deus, eu rasgaria a minha Bíblia e voltaria para Natal. Se eu estava ali, me preparando para o ministério para o qual Deus havia me chamado, era porque acreditava que há restauração plena e total na Palavra de Deus e em Sua presença. E se estava no seminário, era porque sabia que o que havia acontecido com aquele pastor poderia acontecer comigo. Eu não era um super-homem. Não era melhor que ele, nem ele era diferente de mim. Se não cresse em tudo isso, não havia razão para ser pastor e estar no ministério. Se duvidasse dessa verdade na minha vida ou na vida de qualquer um, era melhor tentar outra coisa. Comprovei a veracidade de minha fala em alguns meses. Eu mesmo caí de maneira semelhante à do pastor.
Hoje me lembrei dessa história de novo. Reencontrei uma jovem que foi banida de alguns círculos sociais que freqüento. Por causa de um pecado. Conversei com ela um bom tempo. Não porque fosse melhor que os outros, mas por me entender tão pecador quanto os outros, tive por ela o mesmo carinho e atenção de antes. Talvez um pouco mais ampliado por entender que ela precisa de apoio para se levantar. Sei que, possivelmente, envolvido na mesma circunstância que ela estava, agiria da mesma maneira que ela. E entendi que os que a baniram se entendem melhores que ela, lamentavelmente. Não percebem que, no meio da vida, eu, você, ela e qualquer ser humano, somos uns tão pecadores quanto outros. Somos todos igualmente carentes do mesmo perdão e graça de Deus. Sentimentos orgulhosos não convêm a criminosos.
Perdoar é se saber no mesmo patamar do pecador. É se reconhecer pecador. Quem se recusa a dar perdão e a crer na restauração, na verdade, quer acreditar que é melhor que os outros. Não é tão pecador quanto os outros. É mais santo e mais puro. É capaz de perdoar alguém que tem a atitude, concreta e de coração, do cobrador de impostos da parábola. Apenas os fariseus não perdoam, porque não precisam de perdão: Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como esse cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho.
22.11.05
20.11.05
Sozinho
Olho para os lados e não vejo ninguém que me ajude. Não há ninguém para me proteger, não há ninguém que cuide de mim.
Salmo 142. 4
Eu devia ter uns cinco anos de idade. Havia uma loja do Pão de Açúcar praticamente na esquina da rua onde morava aqui em Natal. Lembro que tinha um certo receio de ir a esse supermercado porque uma casa vizinha a ele tinha um doberman que de vez em quando era visto andando solto na calçada. Eu morria de medo de cachorros, muito mais de raças como doberman. Fui, certo dia, com minha mãe ao supermercado. Naquele eu estava especialmente teimoso. Desobedeci diversas vezes minha mãe que me pedia que não corresse na loja, não saísse de perto dela. Até que... não a vi mais. Lembro de começar a entrar em desespero. Imagine o que significava para uma criança de cinco anos de idade estar perdida dentro de um supermercado. Olhava para os lados e não via ninguém que me ajudasse. Não havia ninguém para me proteger, não havia ninguém que cuidasse de mim. Após uns poucos instantes de desespero – para mim pareceu uma eternidade – senti a mão de minha mãe segurando firme a minha. E aprendi a lição de nunca mais sair de perto da pessoa que me fazia sentir seguro, que me protegia, cuidava de mim e me ajudava.
Nos últimos dias tenho estado com uma canção no coração – canção que escuto agora enquanto escrevo:
Tenho saudades
Saudades de Ti
Minha vontade é
Voltar atrás, onde cai
E recomeçar tudo de novo
E nunca mais deixar
Meu coração se esfriar
Te quero
Preciso do Teu calor
(Quero me apaixonar, Diante do Trono)
Às vezes sinto como se tivesse largado a mão do Senhor, como fiz no passado com a mão da minha mãe. Como se eu tivesse me afastado daquele que me guarda, me protege, que é a minha segurança. Tenho saudades dele. Tenho saudades de andar agarrado à Sua mão como andava com minha mãe. Sinto-me um pouco como quando tinha cinco anos e me perdi no meio do supermercado. Tenho saudades. Aspiro ser reencontrado pelo Senhor. Ser achado por Ele. Recomeçar tudo de novo e não deixar meu coração se esfriar. Porque quero desesperadamente o Senhor, preciso do Seu calor.
Olho para os lados e não vejo ninguém que me ajude. Não há ninguém para me proteger, não há ninguém que cuide de mim. Muitos de nós temos andado e vivido assim. Coisa que não é, em absoluto, necessária. Deus está próximo e disposto a se deixar ser encontrado. Ele quer nos encontrar e mudar a vida da gente. Basta a atitude correta: Eu clamo a Deus, o Senhor, pedindo socorro [só Ele pode nos socorrer – lembre disso e creia nisso!]; eu suplico que me ajude. Levo a Ele todas as minhas queixas e lhe conto todos os meus problemas. Quando estou desistindo, Ele sabe o que devo fazer. (...) Ó Senhor, eu grito pedindo a Tua ajuda. Ó Deus, tu és o meu protetor, és tudo o que desejo nesta vida (Sl. 142. 1 -3 e 5).
O Senhor está bem aqui ao nosso lado. Ao meu lado e ao seu lado. Ele é a nossa força e segurança. Aquele que pode nos segurar pela mão e nos fazer sentir seguros e firmes, como jamais a minha mãe poderia me fazer sentir. Ele está aí ao seu lado. Volte-se a Ele. Clame a Ele. Fale com Ele. Anseie por Ele. E você será achado – seguro pela mão dele – assim como eu fui por minha mãe aos cinco anos, no meio daquele enorme supermercado.
Salmo 142. 4
Eu devia ter uns cinco anos de idade. Havia uma loja do Pão de Açúcar praticamente na esquina da rua onde morava aqui em Natal. Lembro que tinha um certo receio de ir a esse supermercado porque uma casa vizinha a ele tinha um doberman que de vez em quando era visto andando solto na calçada. Eu morria de medo de cachorros, muito mais de raças como doberman. Fui, certo dia, com minha mãe ao supermercado. Naquele eu estava especialmente teimoso. Desobedeci diversas vezes minha mãe que me pedia que não corresse na loja, não saísse de perto dela. Até que... não a vi mais. Lembro de começar a entrar em desespero. Imagine o que significava para uma criança de cinco anos de idade estar perdida dentro de um supermercado. Olhava para os lados e não via ninguém que me ajudasse. Não havia ninguém para me proteger, não havia ninguém que cuidasse de mim. Após uns poucos instantes de desespero – para mim pareceu uma eternidade – senti a mão de minha mãe segurando firme a minha. E aprendi a lição de nunca mais sair de perto da pessoa que me fazia sentir seguro, que me protegia, cuidava de mim e me ajudava.
Nos últimos dias tenho estado com uma canção no coração – canção que escuto agora enquanto escrevo:
Tenho saudades
Saudades de Ti
Minha vontade é
Voltar atrás, onde cai
E recomeçar tudo de novo
E nunca mais deixar
Meu coração se esfriar
Te quero
Preciso do Teu calor
(Quero me apaixonar, Diante do Trono)
Às vezes sinto como se tivesse largado a mão do Senhor, como fiz no passado com a mão da minha mãe. Como se eu tivesse me afastado daquele que me guarda, me protege, que é a minha segurança. Tenho saudades dele. Tenho saudades de andar agarrado à Sua mão como andava com minha mãe. Sinto-me um pouco como quando tinha cinco anos e me perdi no meio do supermercado. Tenho saudades. Aspiro ser reencontrado pelo Senhor. Ser achado por Ele. Recomeçar tudo de novo e não deixar meu coração se esfriar. Porque quero desesperadamente o Senhor, preciso do Seu calor.
Olho para os lados e não vejo ninguém que me ajude. Não há ninguém para me proteger, não há ninguém que cuide de mim. Muitos de nós temos andado e vivido assim. Coisa que não é, em absoluto, necessária. Deus está próximo e disposto a se deixar ser encontrado. Ele quer nos encontrar e mudar a vida da gente. Basta a atitude correta: Eu clamo a Deus, o Senhor, pedindo socorro [só Ele pode nos socorrer – lembre disso e creia nisso!]; eu suplico que me ajude. Levo a Ele todas as minhas queixas e lhe conto todos os meus problemas. Quando estou desistindo, Ele sabe o que devo fazer. (...) Ó Senhor, eu grito pedindo a Tua ajuda. Ó Deus, tu és o meu protetor, és tudo o que desejo nesta vida (Sl. 142. 1 -3 e 5).
O Senhor está bem aqui ao nosso lado. Ao meu lado e ao seu lado. Ele é a nossa força e segurança. Aquele que pode nos segurar pela mão e nos fazer sentir seguros e firmes, como jamais a minha mãe poderia me fazer sentir. Ele está aí ao seu lado. Volte-se a Ele. Clame a Ele. Fale com Ele. Anseie por Ele. E você será achado – seguro pela mão dele – assim como eu fui por minha mãe aos cinco anos, no meio daquele enorme supermercado.
Sem justificativas
Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!
Lucas 15. 21
Certa manhã acordei assustado com a porta do banheiro de meu apartamento batendo fortemente. Três vezes. Acordei chateado, obviamente. Vocês sabem como é terrível acordar com o som de uma porta batendo. Imagine três vezes. Chateado, sai de meu quarto dizendo a uma das pessoas de casa, ironicamente: Obrigado por me acordar assim. A pessoa respondeu a minha fala justificando que havia esquecido a porta aberta por estar lavando o banheiro. Fiz ver a essa pessoa que não era essa a questão. Não esperava uma explicação. Desejava apenas que me pedissem desculpas. Apenas isso. Não ia ficar chateado pelo resto do dia. Esperava apenas uma fala assim: Desculpa ter feito você acordar dessa forma.
Isso me fez pensar que muitas vezes tudo o que Deus espera de nós é um pedido de perdão, mas tudo o que damos a Ele é uma justificativa. Às vezes, não recebemos o perdão porque, em vez de pedi-lo, preferimos explicar os fatos que nos levaram a pecar – como se Deus precisasse de explicações de nossa parte. O problema é que pedir perdão significa assumir a culpa, o erro – e seria redundante se dissesse o quanto é difícil para o ser humano assumir a culpa. O perdão tem como pré-requisito a culpa assumida e confessada. Mas essa talvez seja a atitude mais difícil de ser tomada pelo homem pecador.
Essa atitude estava presente no Éden. O capítulo 3 conta a história do pecado original, mas também relata o primeiro momento de empurra da humanidade. Ninguém teve condições de assumir a sua própria culpa, sem se justificar. Deus pergunta ao homem: Por acaso você comeu a fruta da árvore que eu o proibi de comer? (Gn. 3. 11). A resposta do homem é evasiva: A mulher que tu me deste para ser a minha companheira me deu a fruta, e eu comi (Gn. 3. 12). O homem se explica, jogando a culpa na mulher. Não assumi sua responsabilidade. A mulher não age de maneira melhor – para ela, a culpa foi da cobra: A cobra me enganou, e eu comi (Gn. 3. 13).
O primeiro passo para a restauração e o perdão da culpa e do pecado é assumi-la. Sem subterfúgios, sem explicações, sem elaborações. É simplesmente assumir-se o pecador que se é. Confessar a Deus a falta. E crer que Ele é fiel e justo para nos perdoar. É simples assim. Sem complicações, sem maiores elocubrações. Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!
Lucas 15. 21
Certa manhã acordei assustado com a porta do banheiro de meu apartamento batendo fortemente. Três vezes. Acordei chateado, obviamente. Vocês sabem como é terrível acordar com o som de uma porta batendo. Imagine três vezes. Chateado, sai de meu quarto dizendo a uma das pessoas de casa, ironicamente: Obrigado por me acordar assim. A pessoa respondeu a minha fala justificando que havia esquecido a porta aberta por estar lavando o banheiro. Fiz ver a essa pessoa que não era essa a questão. Não esperava uma explicação. Desejava apenas que me pedissem desculpas. Apenas isso. Não ia ficar chateado pelo resto do dia. Esperava apenas uma fala assim: Desculpa ter feito você acordar dessa forma.
Isso me fez pensar que muitas vezes tudo o que Deus espera de nós é um pedido de perdão, mas tudo o que damos a Ele é uma justificativa. Às vezes, não recebemos o perdão porque, em vez de pedi-lo, preferimos explicar os fatos que nos levaram a pecar – como se Deus precisasse de explicações de nossa parte. O problema é que pedir perdão significa assumir a culpa, o erro – e seria redundante se dissesse o quanto é difícil para o ser humano assumir a culpa. O perdão tem como pré-requisito a culpa assumida e confessada. Mas essa talvez seja a atitude mais difícil de ser tomada pelo homem pecador.
Essa atitude estava presente no Éden. O capítulo 3 conta a história do pecado original, mas também relata o primeiro momento de empurra da humanidade. Ninguém teve condições de assumir a sua própria culpa, sem se justificar. Deus pergunta ao homem: Por acaso você comeu a fruta da árvore que eu o proibi de comer? (Gn. 3. 11). A resposta do homem é evasiva: A mulher que tu me deste para ser a minha companheira me deu a fruta, e eu comi (Gn. 3. 12). O homem se explica, jogando a culpa na mulher. Não assumi sua responsabilidade. A mulher não age de maneira melhor – para ela, a culpa foi da cobra: A cobra me enganou, e eu comi (Gn. 3. 13).
O primeiro passo para a restauração e o perdão da culpa e do pecado é assumi-la. Sem subterfúgios, sem explicações, sem elaborações. É simplesmente assumir-se o pecador que se é. Confessar a Deus a falta. E crer que Ele é fiel e justo para nos perdoar. É simples assim. Sem complicações, sem maiores elocubrações. Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!
18.11.05
Pessoas e lugares
O Senhor renova as minhas forças e me guia por caminhos certos, como ele mesmo prometeu
Salmo 23. 3
Imagine o lugar mais lindo que você já conheceu. Aquele lugar que você se sente bem, feliz, pleno, apenas de estar ali. Eu já vi lugares lindos – naturais ou construídos pela empresa humana – que me fizeram estar deslumbrado. Lembro de algumas praias, como Morro Branco, no Ceará, o caminho, pela beira-mar, entre Barra de Cunhau e Pipa, e uma praia, cujo nome não lembro, em Pernambuco, onde estive em 2003. Lugares fantásticos, onde lembro de ter ficado extasiado com tanto esplendor de beleza. Sem falar nas belezas de Ponta Negra, do Morro do Careca, de Jenipabu. Um dia, um amigo que nunca tinha visto o mar, ao passar pela estrada de Ponta Negra, de onde podemos ver toda a praia do alto, emocionado, chorou feito uma criança com a beleza daquele lugar.
Há lugares que não são tão belos, mas nos trazem segurança e conforto. Não há melhor coisa para quem está em uma terra que não é a sua do que ser bem recebido por quem o hospeda. Não precisa de extremo conforto, apenas de carinho e cuidado. A gente nunca esquece como é bem cuidado em lugares que nos sentimos inseguros. A insegurança cede lugar a uma doce e confortável segurança. Vivi experiências assim em diferentes lugares desse país. Em Mossoró, em Fortaleza, em Recife, em Campina Grande, em Campinas, em São Paulo. Lugares que ficaram marcados pelo cuidado e carinho. Lugares que marcaram pela segurança.
Sugiro que você imagine lugares belos, extasiantes como os que ficaram assim marcados para mim. Pense, também, naqueles lugares que você se lembra como sendo seguros. Independente da beleza, do conforto ou da segurança do lugar, no entanto, nenhum desses lugares e nenhum dos sentimentos que esses lugares gravaram em nós, se podem comparar com a beleza e a segurança que o colo do Pai do Céu, que o centro de Sua vontade, que os átrios do Seu templo trazem ao coração humano.
Além disso, imagino as pessoas que mais me fizeram sentir amado na vida. Claro que a maior de todas é a minha mãe. Uma mulher que foi muitas vezes capaz de deixar de comer para que eu comesse, foi capaz de se anular para que eu fosse, foi capaz de tremendo sacrifícios para que eu pudesse ser feliz. Uma mulher que costuma dizer que não sabe o que seria de sua vida sem mim – e o que seria a minha sem ela? Dificilmente alguém me faria sentir tão amado como minha mãe.
Mas outras pessoas me fizeram sentir amado. Amigos, amigas, mulheres, namoradas. Meu pastor e sua família já me fizeram sentir amado inúmeras vezes. Outras pessoas de minha igreja. Lembro de uma ocasião em que estava sendo disciplinado pelo conselho de minha igreja. Um presbítero falou um monte de coisas para mim naquela reunião. Eu não concordei – como ainda não concordo – com uma letra do que ele me disse. Mas ele me dizia com tanto amor aquilo que dizia que sua atitude me marcou profundamente. Muito mais do que ele poderia imaginar. Muito mais que suas palavras poderiam ter marcado, se com elas eu concordasse.
Por mais que as pessoas nos façam sentir amado, nada se compara com o amor de Deus por nós. Não existe que nos faça sentir valorizado ou amado mais do que o Deus do céu. Do que Jesus, que foi capaz de dar sua vida para que eu e você vivêssemos. Não existe pessoa no universo que nos ame tanto. Se somos capazes de imaginar lugares belos e seguros, amores grandes e presentes, tudo isso não passa de míseras sombras do que Deus é e pode ainda ser em nossas vidas. Estou com saudades dos Seus pastos verdes, dos Seus rios de água viva. Estou com saudade de me extasiar na beleza de Sua santidade, de me embriagar com o Seu eterno amor. Estou com saudades de estar aqui: O Senhor é meu pastor; nada me faltará. Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranqüilas. O Senhor renova as minhas forças e me guia por caminhos certos, como ele mesmo prometeu. Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo; tu me proteges e me diriges. Preparas um banquete para mim, onde os meus inimigos me podem ver. Tu me recebes como convidado de honra e enches o meu copo até derramar. Certamente a tua bondade e o teu amor ficarão comigo enquanto eu viver. E na tua casa, ó Senhor, morarei todos os dias da minha vida (Sl. 23).
Salmo 23. 3
Imagine o lugar mais lindo que você já conheceu. Aquele lugar que você se sente bem, feliz, pleno, apenas de estar ali. Eu já vi lugares lindos – naturais ou construídos pela empresa humana – que me fizeram estar deslumbrado. Lembro de algumas praias, como Morro Branco, no Ceará, o caminho, pela beira-mar, entre Barra de Cunhau e Pipa, e uma praia, cujo nome não lembro, em Pernambuco, onde estive em 2003. Lugares fantásticos, onde lembro de ter ficado extasiado com tanto esplendor de beleza. Sem falar nas belezas de Ponta Negra, do Morro do Careca, de Jenipabu. Um dia, um amigo que nunca tinha visto o mar, ao passar pela estrada de Ponta Negra, de onde podemos ver toda a praia do alto, emocionado, chorou feito uma criança com a beleza daquele lugar.
Há lugares que não são tão belos, mas nos trazem segurança e conforto. Não há melhor coisa para quem está em uma terra que não é a sua do que ser bem recebido por quem o hospeda. Não precisa de extremo conforto, apenas de carinho e cuidado. A gente nunca esquece como é bem cuidado em lugares que nos sentimos inseguros. A insegurança cede lugar a uma doce e confortável segurança. Vivi experiências assim em diferentes lugares desse país. Em Mossoró, em Fortaleza, em Recife, em Campina Grande, em Campinas, em São Paulo. Lugares que ficaram marcados pelo cuidado e carinho. Lugares que marcaram pela segurança.
Sugiro que você imagine lugares belos, extasiantes como os que ficaram assim marcados para mim. Pense, também, naqueles lugares que você se lembra como sendo seguros. Independente da beleza, do conforto ou da segurança do lugar, no entanto, nenhum desses lugares e nenhum dos sentimentos que esses lugares gravaram em nós, se podem comparar com a beleza e a segurança que o colo do Pai do Céu, que o centro de Sua vontade, que os átrios do Seu templo trazem ao coração humano.
Além disso, imagino as pessoas que mais me fizeram sentir amado na vida. Claro que a maior de todas é a minha mãe. Uma mulher que foi muitas vezes capaz de deixar de comer para que eu comesse, foi capaz de se anular para que eu fosse, foi capaz de tremendo sacrifícios para que eu pudesse ser feliz. Uma mulher que costuma dizer que não sabe o que seria de sua vida sem mim – e o que seria a minha sem ela? Dificilmente alguém me faria sentir tão amado como minha mãe.
Mas outras pessoas me fizeram sentir amado. Amigos, amigas, mulheres, namoradas. Meu pastor e sua família já me fizeram sentir amado inúmeras vezes. Outras pessoas de minha igreja. Lembro de uma ocasião em que estava sendo disciplinado pelo conselho de minha igreja. Um presbítero falou um monte de coisas para mim naquela reunião. Eu não concordei – como ainda não concordo – com uma letra do que ele me disse. Mas ele me dizia com tanto amor aquilo que dizia que sua atitude me marcou profundamente. Muito mais do que ele poderia imaginar. Muito mais que suas palavras poderiam ter marcado, se com elas eu concordasse.
Por mais que as pessoas nos façam sentir amado, nada se compara com o amor de Deus por nós. Não existe que nos faça sentir valorizado ou amado mais do que o Deus do céu. Do que Jesus, que foi capaz de dar sua vida para que eu e você vivêssemos. Não existe pessoa no universo que nos ame tanto. Se somos capazes de imaginar lugares belos e seguros, amores grandes e presentes, tudo isso não passa de míseras sombras do que Deus é e pode ainda ser em nossas vidas. Estou com saudades dos Seus pastos verdes, dos Seus rios de água viva. Estou com saudade de me extasiar na beleza de Sua santidade, de me embriagar com o Seu eterno amor. Estou com saudades de estar aqui: O Senhor é meu pastor; nada me faltará. Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranqüilas. O Senhor renova as minhas forças e me guia por caminhos certos, como ele mesmo prometeu. Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo; tu me proteges e me diriges. Preparas um banquete para mim, onde os meus inimigos me podem ver. Tu me recebes como convidado de honra e enches o meu copo até derramar. Certamente a tua bondade e o teu amor ficarão comigo enquanto eu viver. E na tua casa, ó Senhor, morarei todos os dias da minha vida (Sl. 23).
16.11.05
Ganchos e corrente
Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.
João 8. 32
Duas noites atrás tive um sonho inquietante. Vocês já devem ter visto um instrumento de tortura masoquista no qual a “vítima” de pendura através de ganchos presos à pele. Essa imagem é bastante vívida em mim através do filme A cela, com Angelina Jolie. Naquela noite sonhei que estava preso um instrumento assim.
Pendurado há alguns anos, músculos atrofiados, dor imensa em cada ponto de meu corpo que se prendia por aqueles ferros. Em alguns locais, como pelas minhas costas, passavam correntes interligando vários ganchos. Preso ali, no sonho, fazia anos que não conseguia agir de forma alguma. Apenas sofria com aquela dor cruel que lacerava a alma.
Em um determinado momento em meu sonho, alguém vinha me resgatar. Ao que me parece, era minha família. Começaram a me soltar dos ganchos que me prendiam. Quando fui libertar do último ponto de prisão, a corrente que passava por minhas costas, pedi que me dessem o alicate porque tinha medo da dor que viesse a sentir. Eu mesmo cortei a corrente e a puxei do meu corpo. Seguro por meus resgatadores, a última coisa que me lembro é de, musculatura da perna atrofiada pelos anos de prisão, tinha de ser carregado: não tinha forças para andar. Ao acordar desse sonho angustiante, tive rápida percepção de que ele tinha sentido. Mesmo que naquele momento, meio da madrugada, não pudesse entender. Precisava buscar entendê-lo no dia seguinte.
Ontem à noite conversava com uma amiga de Fortaleza pela Internet. Falávamos sobre tantas coisas que nos fazem sentir presos na vida e eu me lembrei do sonho. E comecei a entendê-lo. Sinto-me preso, como muitos outros com quem tenho partilhado nos últimos tempos. Estamos presos por circunstâncias sociais praticamente intransponíveis. Estamos presos por visões parciais de mundo presente em nossos contextos. Estamos presos, imobilizados, pelos formalismos e estreitamentos de nossas comunidades religiosas.
Duas coisas me chamaram mais atenção no meu sonho. Dois recados que pude compreender distintamente. Primeiro: eu estava preso em um instrumento de masoquismo. Isso significa que eu estava preso – inicialmente, pelo menos – por vontade própria. Eu quis subi ali e sofrer ali. Mesmo que viesse a me arrepender quando nada mais pudesse ser feito. A segunda coisa que para mim se destaca é que estava preso há tanto tempo que já não podia andar mais sozinho. Não tinha forças para a vida em liberdade.
Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Quando Jesus fala isso aos judeus, estes não conseguem compreender o que o Mestre diz pelo simples fato de que não conseguem se ver como escravos do que quer que seja: Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz que ficaremos livres? (Jo. 8. 33). Este é um de nossos grandes problemas. Estamos presos, imobilizados, por uma série de coisas que nos cercam e fazem de nós como que pequenos marionetes de circunstâncias que julgamos maiores que nós. Mas não somos capazes de nos vermos assim. Estamos satisfeitos com tudo, mesmo que doa muito estar preso por ganchos que nos rasgam a pele. E se estamos satisfeitos, se não vemos a prisão em que estamos, como poderemos ser libertos? Como poderemos desejar ser libertos?
Jesus veio ao mundo para nos libertar de todas as nossas prisões. De todos os poços escuros em que fomos enfiados. De todos os lugares difíceis dos quais queremos sair. E daqueles dos quais não queremos sair. Ele veio nos libertar do império das trevas. Ele veio nos transportar para o Seu Reino de Amor Eterno. Pela graça.
Talvez seja preciso que antes Ele nos abra os olhos. Na seqüência do evangelho de João (9), o evangelista narra a cura de um cego de nascença e todas as conseqüentes confusões provocadas por essa cura. No meio da narrativa, Jesus discute com os fariseus: Eu vim a este mundo para julgar as pessoas, a fim de que os cegos vejam e que fiquem cegos os que vêem. Alguns fariseus que estavam com ele ouviram isso e perguntaram: - Será que isso quer dizer que nós também somos cegos? – Se vocês fossem cegos, não teriam culpa! – respondeu Jesus. – Mas, como dizem que podem ver, então continuam tendo culpa (Jo. 9. 39 – 41). Jesus, o Libertador, liberta-nos primeiro de nossa cegueira. Cegueira a respeito de nossa própria situação de escravidão. Os fariseus não se viam como escravos de coisa alguma, muito menos do pecado. Jesus lhes abriu os olhos. Agora não tinham mais desculpas. Se querem permanecer na vida que levavam até então e no sofrimento de sua escravidão, a responsabilidade agora era completamente deles. O Libertador está ali, diante deles, para trazer-lhes nova vida. Basta crer.
Do mesmo modo, conosco. Muitas vezes, nos colocamos em prisões que nos maltratam dia após dia. Somos, nessas prisões, muitas vezes, como simples marionetes. Jesus, o Libertador, está diante de nós para nos livrar. Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. É preciso que queiramos mudar o que precisa ser mudado em nossas vidas. Não temos desculpas para aceitar que a situação continue como está. E se não temos forças para caminhar com nossas próprias pernas, caso deixemos os ganchos e correntes que nos prendem, ainda bem. Porque poderemos aprender a ser conduzidos pelo Senhor dos Exércitos. Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que tenho. O meu futuro está nas Tuas mãos; Tu diriges a minha vida (Sl. 16. 5).
João 8. 32
Duas noites atrás tive um sonho inquietante. Vocês já devem ter visto um instrumento de tortura masoquista no qual a “vítima” de pendura através de ganchos presos à pele. Essa imagem é bastante vívida em mim através do filme A cela, com Angelina Jolie. Naquela noite sonhei que estava preso um instrumento assim.
Pendurado há alguns anos, músculos atrofiados, dor imensa em cada ponto de meu corpo que se prendia por aqueles ferros. Em alguns locais, como pelas minhas costas, passavam correntes interligando vários ganchos. Preso ali, no sonho, fazia anos que não conseguia agir de forma alguma. Apenas sofria com aquela dor cruel que lacerava a alma.
Em um determinado momento em meu sonho, alguém vinha me resgatar. Ao que me parece, era minha família. Começaram a me soltar dos ganchos que me prendiam. Quando fui libertar do último ponto de prisão, a corrente que passava por minhas costas, pedi que me dessem o alicate porque tinha medo da dor que viesse a sentir. Eu mesmo cortei a corrente e a puxei do meu corpo. Seguro por meus resgatadores, a última coisa que me lembro é de, musculatura da perna atrofiada pelos anos de prisão, tinha de ser carregado: não tinha forças para andar. Ao acordar desse sonho angustiante, tive rápida percepção de que ele tinha sentido. Mesmo que naquele momento, meio da madrugada, não pudesse entender. Precisava buscar entendê-lo no dia seguinte.
Ontem à noite conversava com uma amiga de Fortaleza pela Internet. Falávamos sobre tantas coisas que nos fazem sentir presos na vida e eu me lembrei do sonho. E comecei a entendê-lo. Sinto-me preso, como muitos outros com quem tenho partilhado nos últimos tempos. Estamos presos por circunstâncias sociais praticamente intransponíveis. Estamos presos por visões parciais de mundo presente em nossos contextos. Estamos presos, imobilizados, pelos formalismos e estreitamentos de nossas comunidades religiosas.
Duas coisas me chamaram mais atenção no meu sonho. Dois recados que pude compreender distintamente. Primeiro: eu estava preso em um instrumento de masoquismo. Isso significa que eu estava preso – inicialmente, pelo menos – por vontade própria. Eu quis subi ali e sofrer ali. Mesmo que viesse a me arrepender quando nada mais pudesse ser feito. A segunda coisa que para mim se destaca é que estava preso há tanto tempo que já não podia andar mais sozinho. Não tinha forças para a vida em liberdade.
Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Quando Jesus fala isso aos judeus, estes não conseguem compreender o que o Mestre diz pelo simples fato de que não conseguem se ver como escravos do que quer que seja: Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz que ficaremos livres? (Jo. 8. 33). Este é um de nossos grandes problemas. Estamos presos, imobilizados, por uma série de coisas que nos cercam e fazem de nós como que pequenos marionetes de circunstâncias que julgamos maiores que nós. Mas não somos capazes de nos vermos assim. Estamos satisfeitos com tudo, mesmo que doa muito estar preso por ganchos que nos rasgam a pele. E se estamos satisfeitos, se não vemos a prisão em que estamos, como poderemos ser libertos? Como poderemos desejar ser libertos?
Jesus veio ao mundo para nos libertar de todas as nossas prisões. De todos os poços escuros em que fomos enfiados. De todos os lugares difíceis dos quais queremos sair. E daqueles dos quais não queremos sair. Ele veio nos libertar do império das trevas. Ele veio nos transportar para o Seu Reino de Amor Eterno. Pela graça.
Talvez seja preciso que antes Ele nos abra os olhos. Na seqüência do evangelho de João (9), o evangelista narra a cura de um cego de nascença e todas as conseqüentes confusões provocadas por essa cura. No meio da narrativa, Jesus discute com os fariseus: Eu vim a este mundo para julgar as pessoas, a fim de que os cegos vejam e que fiquem cegos os que vêem. Alguns fariseus que estavam com ele ouviram isso e perguntaram: - Será que isso quer dizer que nós também somos cegos? – Se vocês fossem cegos, não teriam culpa! – respondeu Jesus. – Mas, como dizem que podem ver, então continuam tendo culpa (Jo. 9. 39 – 41). Jesus, o Libertador, liberta-nos primeiro de nossa cegueira. Cegueira a respeito de nossa própria situação de escravidão. Os fariseus não se viam como escravos de coisa alguma, muito menos do pecado. Jesus lhes abriu os olhos. Agora não tinham mais desculpas. Se querem permanecer na vida que levavam até então e no sofrimento de sua escravidão, a responsabilidade agora era completamente deles. O Libertador está ali, diante deles, para trazer-lhes nova vida. Basta crer.
Do mesmo modo, conosco. Muitas vezes, nos colocamos em prisões que nos maltratam dia após dia. Somos, nessas prisões, muitas vezes, como simples marionetes. Jesus, o Libertador, está diante de nós para nos livrar. Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. É preciso que queiramos mudar o que precisa ser mudado em nossas vidas. Não temos desculpas para aceitar que a situação continue como está. E se não temos forças para caminhar com nossas próprias pernas, caso deixemos os ganchos e correntes que nos prendem, ainda bem. Porque poderemos aprender a ser conduzidos pelo Senhor dos Exércitos. Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que tenho. O meu futuro está nas Tuas mãos; Tu diriges a minha vida (Sl. 16. 5).
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