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2.2.17

Holocausto

Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a Ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus.
Romanos 12. 1 (NTLH)


A palavra pela qual conhecemos essa espécie de sacrifico que consome completamente a oferta é holocausto. Ainda que no mundo contemporâneo a referência imediata possa ser os campos de concentração nazistas na segunda guerra, o holocausto é um termo que vem dos rituais, do culto: era o sacrifício que era totalmente (holos) queimado (kaustos).
Por trás de Romanos 12. 1, como capta a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, há a ideia do holocausto.
Entre várias possibilidades, o holocausto pode representar a entrega total e absoluta do adorador, o ofertante, ao Deus a quem oferta. A oferta será totalmente consumida pelo fogo - de igual modo, o ofertante afirma estar sendo completamente entregue e consumido por Deus.
Paulo pede aos Romanos - e a nós, por tabela - que nos ofereçamos “completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a Ele”. Este seria, para o apóstolo, nosso culto lógico, racional, espiritual: a verdadeira forma de adoração, um entrega total e absoluta a Deus.
Sempre que leio sobre holocausto nas Escrituras penso nesse significado: oferecer um holocausto é fazer uma entrega total. E penso: e eu? Já fiz?
Será que nós dizemos que fizemos uma entrega total de nossas vidas a Deus, mas lutamos com unhas e dentes para mantermos o nosso controle sobre algumas esferas dessa vida?
Será que nós dizemos que ofertamos nossa vida como holocausto a Deus, mas esquecemos que ser consumido por Alguém deveria significar mergulhar em sua intimidade - e aí nem lembramos qual foi a última vez que meditamos nas Escrituras, que louvamos a Deus, que conversamos com Ele?
Será que nos oferecemos a nós mesmos "completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a Ele” mas somente como um assentimento emocional ou intelectual sem repercussões reais em nossa vida?
Será que dizemos e fazemos tudo isso porque o hábito cultural de nossa sociedade implica a religião, mas consideramos a religião tão secundária que descartamos a importância de nossa espiritualidade, de nosso culto racional, de nossa relação com Deus?
O que precisamos mudar em nós para experimentarmos de verdade os impactos e as implicações de uma real oferta pessoal como holocausto?
Talvez a própria sequência do texto possa nos ajudar a encontrar a resposta:

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.
Romanos 12. 2 (NTLH)


Alguém que se oferece como oferta total, como entrega completa, como um holocausto a Deus, só poderá ver as implicações disso quando experimentar uma completa, total mudança de mente.
E essa parte não depende de Deus - depende de mim e de você, apenas.
O chamado de Paulo é claro:

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês.
Não é Deus quem vai tomar tal atitude por você. A atitude é só sua.
Aí sim, conhecendo a vontade de Deus, experimentando-a, a entrega de si mesmo como holocausto num culto lógico, racional, espiritual, fará diferença em sua vida e, de sua vida, na vida dos outros.
Consumido por Deus você será, acima de tudo, instrumento de Deus.

17.12.16

O Tesouro

Tu foste minha primeira e única escolha, ó Eterno.
E, agora, descubro que sou tua escolha!

Salmo 16.5



O que é importante em nossa vida? O que vale a pena acima de tudo? Em favor de que você é capaz de entregar tudo?

Há diversos projetos de vida e ideologias na existência que, de alguma maneira, justificariam sua entrega total e absoluta.

A entrega total é manifesta na história por meio dos mártires. E não falo só de mártires cristãos, como equivocadamente você possa ter entendido.

Imagine um homem como Che Guevara, capaz de ir até a morte, executado pela CIA e pelo Exército Boliviano, em fidelidade às suas crenças e à sua ideologia de revolução.

Lembre de gente como Mahatma Gandhi, morto pela sua Índia e por sua fidelidade ao pacifismo.

Pense no pastor Martin Luther King, Jr, executado em Memphis por sua fidelidade à luta de libertação dos negros norte-americanos.

Cada um desses, e outros, deixaram um legado eterno e inesquecível por terem se entregado de corpo e alma à sua luta, à sua crença e arcado com todas as inimagináveis consequências de sua entrega total e absoluta.

Eles assumiram um projeto pelo qual valia a pena viver. E todo projeto pelo qual vale a pena viver é suficiente também para que morramos por ele.

O Reino de Deus deveria ser vivenciado por nós na mesma dimensão - ou em uma dimensão ainda mais radical.

É como disse Jesus na Parábola do Tesouro (Mateus 13. 44):

O Reino de Deus é como um tesouro escondido num campo por muitos anos, até ser acidentalmente encontrado por uma pessoa. Ela fica eufórica com a descoberta e vende tudo que possui a fim de reunir a quantia necessária para comprar aquele campo.

O encontro com o Eterno, com Jesus e com Seu Projeto de Reino provocam uma mudança tão intensa que não é possível permanecer o mesmo. Encontramos em Jesus um motivo pelo qual viver em intensidade - e sendo um motivo suficiente para mobilizar nossa vida, é um motivo para nos entregarmos a ele até o fim.

Vale a pena trocar tudo da vida por esse tesouro escondido - o mais precioso dos tesouros.

Esse mais precioso tesouro que faz valer a pena a entrega total e absoluta, esse tesouro há de ser a minha primeira escolha. Esse tesouro é a mais importante e mais prioritária escolha de nossas vidas. Vale a pena abrir mão de tudo o mais para estar com o tesouro, mergulhar no rio da vida, no Eterno, experimentar ao máximo a relação com a Realidade Última da Existência, o Deus Inefável e Inominável que se revela integralmente em Jesus.

O que surpreende o salmista - e que deveria nos surpreender - não é a obviedade de termos em Deus nossa escolha prioritária.

E, agora, descubro que sou tua escolha!

Se parece inexorável que escolhamos o Tesouro escondido, trocando tudo por ele, a surpresa é descobrir que o Tesouro também nos escolhe.

Não uma escolha genérica, qualquer, vazia de propósito, como um produto qualquer retirado de uma prateleira de supermercado.

O Tesouro tem em mim e em você a sua escolha.

Ele me escolheu, pessoalmente e amorosamente. Assim como eu daria tudo por aquele tesouro escondido, o Eterno também daria tudo para me ter com Ele, em Suas mãos, na sua casa, em sua intimidade.

Ele escolheu você, pessoalmente e amorosamente. Ele fará qualquer coisa para ter você com Ele, em sua intimidade.

Ele é o Pai que ama você e você é o filho amado por esse Pai. Esse Pai fará qualquer coisa para ter você em sua casa.

O pai nem quis escutar. Chamou os empregados e ordenou: ‘Rápido, tragam uma roupa decente para ele! Tragam também o anel da família e um par de sandálias. Depois vão buscar uma novilha bem gorda e preparem um churrasco. Vamos festejar! Vamos nos divertir! Meu filho está aqui — vivo! Não está mais perdido: foi achado!’. E a festa começou.

Lucas 15.22-24