8.4.07

Sinais

Faça uma cobra de metal e pregue num poste. Quem for mordido deverá olhar para ela e assim ficará curado.
Números 21. 8

Quando Deus mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze, não intentava que aquilo se tornasse objeto de culto ou que representasse a Ele mesmo. A serpente era um sinal da cura e do perdão de Deus. Olhar para a serpente de bronze era olhar para a misericórdia, graça e perdão de Deus, recebendo a cura das mordeduras das serpentes abrasadoras.
Contudo, com o passar dos anos, aquele sinal da graça de Deus foi convertido em um fim em si mesmo pelo povo. Como se houvesse poder na serpente, ela passou a ser adorada com o nome de Neustã, até ser destruída pelo rei Ezequias (2 Rs 18. 4).
A Arca da Aliança foi estabelecida como instrumento para que Deus se manifestasse. Deus se manifestava sobre o seu tampo. A Arca, assim, simbolizava a presença do Senhor no meio do povo. Era sinal da presença, glória e santidade de Deus. Quando entrava no Santo dos Santos, o sacerdote sabia que a Arca não era Deus, mas que Deus se manifestaria ali e que a própria Arca “apontaria” o Senhor dos Exércitos.
Mas, logo logo, o povo perverteu o papel e o sentido da Arca, entendendo-a como poderosa em si mesma. Fez dela um amuleto para garantia de vitória, como se a Arca fosse o próprio Deus, diminuído às dimensões de um objeto humano. O povo levou a Arca para o campo de batalha, onde foi levada elos filisteus, em um dos momentos mais tristes da história do Antigo Testamento (1 Sm 4. 1 – 11).
O próprio Templo era um sinal da presença de Deus no meio do povo. Não era poderoso em si e homens como Salomão entendiam que Deus não poderia habitar ali. Mas o Templo era o lugar em que o povo podia se retirar do dia a dia e se encontrar com o seu Senhor. Não era Deus nem santo em si mesmo, mas o local em que o Santo se manifestava.
Porém, em diversos momentos, o povo imaginou que o Templo tivesse poder em si mesmo e fosse importante por si. Esqueciam o papel do Templo como sinal. É isso que denuncia Jeremias: Mudem de vida, mudem a sua maneira de agir, e eu deixarei que vocês continuem vivendo aqui. Não confiem mais nestas palavras mentirosas: “Nós estamos seguros! Este é o Templo do Senhor, este é o Templo do Senhor, este é o Templo do Senhor!” (Jr. 7. 3 – 4).
O foco na religião do Templo, esquecendo de um real compromisso com o Senhor, fazia o povo acreditar que estaria seguro apenas pela existência do Templo. O povo esquecia que o Templo existia apenas para que se relacionassem com Deus.
Estes instantes terminaram mal para Israel porque não conseguiam entender o papel destes sinais como uma espécie de “apontador” para que os olhos e a mente humanos pudessem se voltar ao Senhor Soberano, buscando um relacionamento com Ele.
Isso se vê ocorrer ainda nos dias atuais. Muitas vezes, no que se refere a milagres e maravilhas. Milagres deveriam ser vistos como sinais para nos apontar a presença viva de Deus em nosso meio. Eles existem para que os nossos corações se quedem aos pés do Senhor. No entanto, muitas vezes, os milagres são vistos como um fim em si mesmos. As pessoas correm atrás dos milagres, se encantam por eles, mas esquecem de buscar o Deus que está por trás dos milagres.
A história de Moisés e a sarça ardente (Ex. 3. 1 – 5) nos ensina muita a esse respeito. Moisés vê a maravilha da sarça que queima e não se consome e tem sua atenção, admirado, voltada para o espetáculo. A sarça que queima sem se consumir cumpre o seu propósito e atrai a atenção de Moisés para Deus. Não mais é citada. Existiu unicamente para que Moisés voltasse sua atenção para o Senhor, que quer com ele se relacionar.
Este relato nos ensina a atitude correta do coração diante da maravilha. Diante do milagre, nossos olhos e corações devem se voltar ao Senhor do milagre, ao Seu poder e Sua Palavra. Diante do sinal, o coração deve se constranger e se render, humilhado, em adoração ao Eterno.