25.3.05

Sobre a Páscoa (parte 3)

Por isso, desci para libertá-los
Êxodo 3. 8

Não costumamos ter idéia do que Deus é capaz de fazer a fim de libertar o Seu povo. Não temos noção da infinidade de poder que Ele pode mobilizar com o único propósito de retirar Seu povo da opressão.
No Egito, temos a primeira amostra disso. A água vira sangue, rãs, piolhos e moscas invadem a terra, os animais dos egípcios morrem, tumores se formam na pele de gente e bichos, uma chuva de granizo como nunca vista antes, uma imensa praga de gafanhoto, trevas que dominam o país e, por fim, a morte de todos os primogênitos. E nenhuma dessas pragas alcançando, se quer de longe, alguém dentre o povo de Deus. Tudo isso com o expresso propósito de libertar o povo da opressão da escravidão no Egito. Povo que não precisou fazer nada, a não ser clamar.
Mas, certamente, nada disso é maior que Jesus. Diz o anjo a José: você porá nele o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles (Mt. 1. 21). Ele veio para libertar. Ele veio para salvar. Ele veio para manifestar o grande poder do Senhor de uma maneira que nunca havia ocorrido na história. Porque nele está toda a plenitude do próprio Deus.
O primeiro ato público do ministério de Jesus é dizer, a quem quisesse ouvir, O Senhor me deu o Seu Espírito. Ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres e me enviou para anunciar a liberdade aos presos, dar vista aos cegos, libertar os que estão sendo oprimidos e anunciar que chegou o tempo em que o Senhor salvará o Seu povo (Lc. 4. 18 – 19).
A vinda de Jesus responde ao clamor e necessidade do povo. Deus ainda está de olho no Seu povo. Ainda ouve o seu clamor. Ainda se importa e vai sempre se importar. Por isso, envia Seu Filho, com uma missão nítida, definitiva e clara: Ele veio para libertar. Ele veio mudar a nossa história. Ele é o poder de Deus que diz: desci para libertá-los.
O Benedictus, canto de Zacarias, pai de João Batista, nos instrui a respeito dessa realidade. Antes mesmo que Jesus nascesse, quando Zacarias olha para aquele que seria a voz que clama no deserto preparando o caminho do Senhor, convida-nos a louvar a Deus pela libertação que tem preparado ao longo dos séculos até aquele momento, a plenitude de todo tempo: Louvemos o Senhor, o Deus de Israel, pois Ele veio ajudar o Seu povo e lhe dar liberdade. Enviou para nós um poderoso Salvador, aquele que é descendente do Seu servo Davi (Lc. 1. 68 – 69).
Agora, com muito mais verdade, podemos crer na libertação que o Senhor promove. Ele já nos libertou, por meio de Jesus, da escravidão do pecado e da Lei. Já nos libertou da opressão do Império das Trevas, derrotando o diabo. Do mesmo modo que o nosso Deus agiu na primeira Páscoa para libertar Seu povo, com o mesmo poder, Ele deseja agir para nos alcançar libertação hoje em dia. O mesmo poder que atingiu o Egito, o mesmo poder que agiu no ministério de Cristo, o mesmo poder que ressuscita mortos e O ressuscitou, está aqui, entre nós, para atuar em nossa libertação, na transformação da nossa história, no fazer com que vivamos uma vida nova. Libertar-nos.
O Deus que ouve e vê não fica sem ação, mas sempre desce a fim de nos livrar. Nas horas de luta mais difícil, nas horas de opressão e angústia, nas horas de dor, podemos lembrar que Deus ouve a nossa oração, conhece a nossa súplica, vê a nossa situação e quer descer a fim de nos libertar verdadeiramente. A Cruz de Cristo prova isso.

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