14.4.05

A graça na vida


Porque a Tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios Te louvam.

(Salmo 63. 3)

Eu serei totalmente redundante ao afirmar que o pior mal que aflige as pessoas na sociedade contemporânea é a depressão. Doença terrível, tem como conseqüência lógica, se não for tratada, a morte por suicídio. A depressão faz com que o individuo acredite que a vida perdeu a graça. A depressão é a doença da vida sem graça, sem sentido. E de uma vida sem graça se abre mão sem pestanejar.

Muita gente está vivendo vidas sem graça. Mergulham em seus traumas, em suas dores. São afogados por suas mágoas. E, gradativamente, vão se destruindo e vão destruindo toda a alegria de viver e toda graça da vida. Vão descendo cada vez mais até o fundo de um poço de perdição. De morte. Vida sem graça é morte certa.

O primeiro passo para sair dessa situação é reconhecer o problema e buscar formas de se livrar de tudo aquilo que só contribui para o próprio naufrágio no mar de dores. Cada mágoa, cada trauma, cada dor, se não for tratado, pesará como âncoras a nos empurrar para o fundo de morte das águas de nossas piores emoções. Vida sem graça.

Mas uma vida sem depressão também pode ser sem graça. A promessa de Jesus é de vida abundante. De vida plena. Essa mensagem tem sido deturpada de diversas maneiras, e temos perdido a chance desse nível diferenciado de vida. A vida, que não precisa ser levada pela depressão, também não precisa ser ordinária.

A maior descoberta que alguém pode fazer na vida é que a Graça do Senhor é maior que a vida. O maior impacto que nossas vidas podem sofrer é o impacto de descobrir que a Graça do Senhor é maior que a vida.

Quando mergulhamos no oceano de amor do Senhor, percebemos, pouco a pouco, que as coisas mais importantes para nós, e mesmo a nossa própria vida, se tornam secundárias diante do prazer de se estar na presença do Senhor. A vida de graça plena é aquela que descobre que nada é melhor que estar na presença graciosa de Deus, por meio de Jesus. Nada é melhor que experimentar a graça na vida, nem mesmo a própria vida.

A descoberta da graça na vida nos empurra para uma nova dimensão. Nosso maior prazer é a comunhão com o Senhor. Não nos importa o relógio, não nos importa as regras sociais, não nos importa o que os outros pensem. Nada que seja relevante na vida importa mais para aquele que descobre o prazer e o gozo da presença do Senhor. Quem descobre que a graça na vida é maior e mais plena e importante que o próprio viver, descobre que nem a morte pode destruir isso. Descobre que todos os pesos que possam, porventura, tentar rouba-lhe a vida, são sempre esmigalhados pela graça.

A graça na vida inverte nossos juízos de prioridade. Se há coisas importantes que merecem nossa atenção na vida, elas se deslocam imediatamente para o segundo plano. Se eu tenho aulas para preparar, se eu tenho pesquisa para realizar, se eu tenho contas para pagar, telefonemas para fazer, nada disso se interpõe entre mim e a minha maior prioridade da vida; nenhuma dessas coisas jamais será mais importante para mim do que experimentar a graça na vida por meio da comunhão com o Pai.

A descoberta da graça na vida faz ter sentido renovado, para nossos corações, as palavras da oração do salmista. A gente agora entende exatamente o que quer dizer: Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu Te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de Ti; o meu corpo Te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu Te contemplo no santuário, para ver a Tua força e a Tua Glória (Sl. 63. 1 – 2). A graça na vida faz as palavras perderem a capacidade de comunicar. Estes sentimentos e as nossas novas dimensões de vida plena não se traduzem em palavras humanas. Porque a Tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios Te louvam (v.3).

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