26.7.05

Diálogo

Não fique com medo, Daniel, pois Deus ouviu a sua oração desde a primeira vez que você se humilhou na presença dEle a fim de ganhar sabedoria. Eu vim em resposta à sua oração.
Daniel 10. 12.

Há dias em que eu me sento diante do computador e não tenho a menor idéia do que devo escrever. Sou consciente que não posso me dar ao luxo de escrever qualquer coisa, porque meu propósito é anunciar uma Palavra do Senhor aos corações daqueles que costumam ler esses textos. Mesmo tendo passado maravilhosos momentos na presença do Senhor, a impressão que tenho é de que só encontro o silêncio da parte dEle. A oração é diálogo, mas nesses dias me parece monólogo. Apenas eu falei com Ele e Ele não parece ter resposta alguma para mim. E, portanto, não me vem nenhuma palavra a ser dita nessas linhas. A oração é diálogo, mas nessas horas parece ter falhado.
Pensando nisso, me lembrei dessa história de Daniel. O profeta que orava três vezes ao dia aguardava uma Palavra de resposta do Senhor. Vinha orando pela situação do seu povo, submetido ao exílio na Babilônia. Vinha orando pelas visões que estava recebendo. Vinha orando para entender os fatos que se sucediam diante de seus olhos. Mas parece que como resposta só lhe restava o silêncio. Por mais que ansiasse e sofresse por uma Palavra da parte de Deus, Daniel não conseguia ouvi-la. A sua oração não parecia ser diálogo, mas um apenas um monólogo repetitivo, uma vez que ele reiterava a mesma oração dia após dia.
No trecho que destacamos, o profeta está aguardando uma resposta de oração há, pelo menos, vinte e um dias. Ao menos, o anjo lhe diz que foi enviado com a resposta três semanas atrás. Mas encontrou resistência: O anjo protetor do Reino da Pérsia lutou contra mim durante vinte e um dias. Mas Miguel, um dos anjos-chefes, veio me ajudar, pois eu estava lutando sozinho contra os reis da Pérsia (D. 10. 13).
Muitas vezes, como o profeta, estamos orando e só ouvimos, em resposta, um silêncio ensurdecedor de Deus. Isso nos angustia. Em qualquer conversa, quando pedimos ou perguntamos, aguardamos a resposta. Quando nos resta o silêncio em resposta ao falarmos com Deus, pode ser devastador. Podemos desistir de orar. Pensamos que Deus pode não estar ouvindo. Que pode ter nos rejeitado. Coisas assim passam passar pela nossa cabeça.
Nos dias em que sento na frente do computador e não tenho idéia do que escrever, me angustio demais. Sempre espero ouvir a voz de Deus, acerca do que pensar e escrever, em resposta à minha oração. Às vezes a oração é luta, às vezes é refrigério, mas em geral Deus põe em meu coração aquilo que Ele quer de mim e quer que eu compartilhe. Mas, e quando o diálogo parece falhar?
A primeira lição que Daniel nos ensina é que, ainda quando Deus parece não estar interessado em falar em resposta, devemos persistir. Apesar de não estar obtendo a resposta desejada, o profeta prosseguiu orando por três semanas. Ele não desistiu da súplica, do diálogo, do desejo de ouvir a palavra do Senhor. Quando a resposta parece ser o silêncio, não devemos parar de orar.
Como resultado da insistência, o profeta obteve a tão esperada resposta. E ainda obteve mais conhecimento do que estava acontecendo. Deus não estava deixando-o de lado. Ao contrário: Daniel, Deus o ama muito e me mandou falar com você. Fique de pé e preste atenção no que eu vou dizer, disse o anjo (Dn. 10. 11). Deus revela que ama muito o profeta. Não o esqueceu, nem quis lhe deixar sem resposta. A Sua primeira resposta foi o amor, o fazer Daniel se sentir amado.
Além disso, o anjo conta a Daniel o que o impediu de chegar antes. Batalha espiritual. Às vezes o que atrasa as nossas respostas é o impedimento de principados e potestades que já foram vencidos pela cruz de Cristo. Mas estamos inconscientes da realidade de que anjos protetores do Reino da Pérsia podem se levantar contra as nossas orações. E, inconscientes disso, não podemos tomar a nossa armadura do Senhor e participar da luta por liberar o caminho da resposta.
Deus não ficou em silencio porque tinha abandonado a Daniel. Ao contrário, ao revelar-se através do anjo, afirma de imediato que o profeta é um homem muito amado por Ele. Revela que encaminhou a resposta desde o primeiro dia. Mas revela que houve um impedimento sobre o qual Daniel não estava consciente. Mas, ainda assim, o profeta insistiu até poder ouvir a voz do Senhor em resposta à sua oração.
Quando oramos, devemos insistir, conscientes de que uma série de fatores pode nos impedir de estarmos ouvindo a voz do Senhor de imediato. Devemos insistir em nossa oração até obtermos a resposta do Senhor. Ainda que leve semanas, meses, anos.
Quando sento em frente ao computador sem ser capaz de discernir a voz do Senhor falando comigo em resposta às minhas orações e, por isso, sem ser capaz de saber o que Ele quer que eu escreva, eu insisto. E faço isso, em geral, orando mais e começando a escrever. Quando começo a escrever, a voz do Senhor ressoa no fundo de alma. Assim como aconteceu hoje, provando que jamais oração é monólogo. Oração é diálogo.

2 comentários:

Daniel Glauber disse...

Vc está correto xará, a coisa acontece há muito tempo e não é somente o PT o único envolvido. Abs, dan.

samantha disse...

oie,gostei muito do que você escreveu. me deu mais ânimo de orar em busca de minhas respostas.sou nova ainda,mas sei que Deus tem algo muito especial em minha vida.
Que Deus possa continuar te danto sabedoria pra que você mantenha ess site