27.7.05

Gafanhotos

Perto deles nós nos sentíamos tão pequenos como gafanhotos; e, para eles, também parecíamos gafanhotos.
Números 13. 33

Há momentos em que olhamos de um lado e de outro, e parece que as forças contra nós são tão maiores que as esperanças se esvaem. Olhamos para a nossa família e tudo o que vemos é desestruturação. A nossa família parece que está a ponto de se acabar. Tudo parece a caminho da destruição. Olhamos para o nosso ministério, e não parece restar muita coisa. A obra que temos feito diante do Senhor parece não estar resultando em nada. Olhamos para o nosso trabalho, e as coisas vão de mal a pior. Tudo parece conspirar fortemente contra nós. E qualquer coisa que venhamos a fazer quanto a isso parece inócua. Tudo está se acabando e a gente se vê sem resposta.
Certo dia, eu ouvi um homem de Deus chamar esse processo de “síndrome de gafanhoto”. Você olha, de repente, para as lutas que estão à sua volta, contra você, e só vê gigantes. Você olha as feridas de seu coração, as mágoas, os ressentimentos, tudo o que já fizeram contra você, e tudo isso lhe faz parecer um gafanhoto diante da força do inimigo.
Eu sei que há dias em que as nossas forças estão a ponto de se acabar. Eu sei que há dias em que não conseguimos ouvir qualquer resposta, ter qualquer esperança. Eu sei que há dias que a luta é tão renhida, as dificuldades são tão grandes, que não temos força nem de orar. Ou pior: ficamos nos questionando se vale, realmente, a pena orar. Nós nos perguntamos se há resultado em orar, em estar na presença de Deus.
Tudo estava caminhando muito bem no deserto, segundo o propósito original do Senhor. Acampados no deserto de Parã, os israelitas, sob ordem de Deus, enviaram espiões para constatar a situação da terra prometida. Lembre que todos estavam cientes de que Deus, o mesmo que os havia arrancado do Egito, havia prometido submeter os cananeus e lhes entregar Canaã como posse definitiva. Havia uma clara Palavra de Deus acerca do que Ele ia fazer, de qual o Projeto dEle. Mande alguns homens para espionar a terra de Canaã, a terra que eu vou dar aos israelitas (Nm 13. 2).
Os doze homens foram até a terra prometida e passaram quarenta dias por lá. Voltaram trazendo os frutos da terra e duas perspectivas completamente distintas. O maior grupo, dez espiões, esqueceram o valor da Palavra e da promessa do Senhor. Olharam as circunstâncias difíceis que constataram in loco e não conseguiram se lembrar, em fé, da promessa do Senhor. Viram os inimigos poderosos, gigantes, as cidades fortalecidas, e o enorme número de homens prontos a guerrear. Essa visão os fez se sentirem como gafanhotos. Perto deles nós nos sentíamos tão pequenos como gafanhotos; e, para eles, também parecíamos gafanhotos.
Os problemas que enfrentamos na vida podem nos fazer isso. São grandes lutas que nos querem esmagar. Os nossos projetos, muitas vezes, parecem estar totalmente destroçados ou a caminho disso. Não achamos que temos condições de resistir. Sentimo-nos gafanhotos.
O gafanhoto se rende. Desiste da luta. Olha para as circunstâncias difíceis, para as lutas terríveis, e abdica do direito de resistir, de avançar e lutar. O gafanhoto, em suma, se deixa derrotar pelas piores situações e lutas com que se depara, porque só é capaz de constatar a própria fragilidade. Esquece-se do Poder tremendo do Senhor, da Sua Palavra, de Suas Promessas, coisas que não se perdem, mas que, gafanhotos, queremos perder.
Olhe para as Promessas e a Palavra de Deus e deixe de ser gafanhoto! As lutas querem empurrar você para a escuridão de seu quarto, para a solidão de sua cama. Não se deixe vencer pelas circunstâncias mais difíceis. Quando a luta nos cega, nossa saída, como bem disse Ana Paula Valadão, é fazer a única coisa que opressão nenhuma pode nos roubar: Tudo o que eu sei é te adorar! Porque quando adoramos, lembramos Quem é o nosso Deus, que promessas Ele tem, qual é a Sua Palavra para nós. Mesmo que sejam terríveis as batalhas, lembraremos de confiar no Deus de promessas.
As coisas estão difíceis? Sua família parece estar se acabando? Seu ministério parece ter chegado ao fim? Você se sente perdido? A opressão é tremenda contra a sua vida? Não se deixe vencer. Reaja. Adore. Lembre das promessas do Senhor. Saia da escuridão do seu quarto. Saia da defensiva e pela fé avance para tomar posse da terra: Vamos atacar agora e conquistar a terra deles; nós somos fortes e vamos conseguir isso! (Nm. 13. 30).
Calebe e Josué viram as mesmas coisas que os outros dez. Constataram a mesma força nos adversários e a mesma fraqueza em si mesmos. Mas o que os diferenciou dos outros dez foi que eles lembraram da promessa do Senhor. No Senhor, eles sabiam ser mais poderosos que qualquer força contrária. No entanto, no fim de tudo, prevaleceu a vontade da maioria. O povo tinha duas opções e ficou com a pior de todas. Gafanhotos, foram condenados a vagar quarenta anos no deserto. Pense bem sobre qual será a sua escolha. Por isso, a Palavra do Senhor para nós hoje é: Reaja! Saia da defensiva! Há uma promessa, acredite nela, e tome a atitude de Calebe e Josué: Vamos atacar agora e conquistar a terra deles; nós somos fortes e vamos conseguir isso!

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