28.7.05

Frágeis

Para envergonhar os sábios, Deus escolheu aquilo que o mundo acha que é loucura; e para envergonhar os poderosos, Ele escolheu o que o mundo acha fraco. Para destruir o que o mundo pensa que é importante, Deus escolheu aquilo que o mundo despreza, acha humilde e diz que não tem valor.
1 Coríntios 1. 27 – 28

Estive pensando ontem sobre a tal da “síndrome de gafanhoto”. Aqueles espiões enviados por Israel para conferir a terra que Deus estava lhe dando, que foram sob mandato do Senhor, observaram as terríveis e enormes forças opressoras, cidades muradas, exércitos de gigantes, e se sentiram frágeis e pequenos. Dois deles, no entanto, Josué e Calebe, conseguiram lembrar-se que havia uma Palavra do Senhor prometendo-lhes a vitória. Por isso, tentaram persuadir o povo a seguir em frente com o Projeto do Senhor. Em vão.
Mas a partir disso fiquei pensando na grande verdade de que Deus escolhe sempre as coisas mais frágeis, mais inusitadas e mais loucas a fim de fazer cumprir Seus projetos: Ó Pai, Senhor do céu e da terra, eu te agradeço porque tens mostrado às pessoas sem instrução aquilo que escondeste dos sábios e instruídos! (Mt. 11. 25).
Deus olha para o humilde. E conta com ele para a efetivação dos Seus propósitos no mundo. Foi assim ao longo de toda a história da salvação. A cada passo, Deus foi escolhendo os elementos menos prováveis para a caminhada de salvação. Os mais frágeis, os mais humildes, os que menos se sentiam capazes, os que menos poder e força detinham. Ele foi escolhendo os que nada eram no mundo para reduzir a migalhas a força dos poderosos. Ele foi fazendo isso, e continua fazendo, a fim de deixar claro de quem é o poder, de quem a força, quem controla o mundo. A força do homem, o poder dos exércitos, a sabedoria dos lábios, as palavras rebuscadas, a boa fama, a influência, não valem nada. A única força que conduz a história, que muda a história, que faz novas coisas, é o Senhor dos Exércitos. O Todo-Poderoso Deus do Universo.
Deus escolheu os mais fracos do mundo para que ninguém tivesse dúvida de que era Ele quem estava agindo. Ele escolheu os mais humildes, para que não restasse dúvida de que era a Sua Sabedoria que estava sendo exaltada. Ele escolheu os mais frágeis para que nenhuma pessoa duvidasse que era o Seu Poder que estava em jogo.
Estes fracos podiam ir em frente porque não confiavam em nada mais por saberem que nada mais havia para confiar. Eles não tinham força; logo, não podiam confiar na sua força. Eles não tinham sabedoria em que se gabar. Eles não tinham o poder de grandes exércitos. A única força que agia na vida deles, para cumprir o plano de Deus, era o Poder do Altíssimo.
Moisés foi um desses homens no passado. Mesmo tendo crescido no palácio de Faraó, quando Deus o quer enviar ele reluta: Quem sou eu para ir falar com o rei do Egito e tirar daquela terra o povo de Israel? (Ex. 3. 11). Ele se sabia fraco e frágil, mas aprendeu a confiar no poder de Deus. Ele tinha até medo de falar em público (4. 10), como poderia liderar um povo inteiro em um caminhada no deserto e guerra de conquista? Mas a história do livro de Êxodo nos mostra como o frágil Moisés pôde ser instrumento da libertação de Israel. Principalmente porque tinha plena consciência de que não tinha força e poder nenhum em si mesmo. Ele sabia que precisava depender inteiramente do Senhor.
Outro personagem que me dá exemplo disso que estamos falando é Gideão. Deus o quer usar contra os midianitas, mas ele é um homem medroso e incrédulo (Jz. 6. 13). E ele também sabe que é fraco: Vá com toda a sua força e livre o povo de Israel dos midianitas. Sou eu quem está mandando que você vá. Gideão respondeu: Senhor, como posso libertar Israel? A minha família era a mais pobre da tribo de Manassés, e eu sou a pessoa menos importante da minha família (Jz. 6. 15). Quase consigo ouvir o eco da voz do Senhor dizendo: É por isso mesmo que eu escolhi você: para que ninguém duvide que Quem livra o Meu povo sou eu. E o vaso que eu uso precisa ser o mais simples e frágil possível. O Senhor disse, segundo o texto: Você pode fazer isso porque eu o ajudarei (Jz. 6. 16).
Esse é o princípio. Deus não quer pessoas auto-suficientes. Poderosos, ricos, cheios de si. Ele chama os mais fracos, os menos importantes, para humilhar os que pensam que são alguma coisa. Porque são os menores, os pequeninos, que podem ouvir e confiar em uma Palavra como essa: Você pode fazer isso porque eu o ajudarei. Não é na nossa força, mas no Poder do Senhor!
Podemos ser usados por Deus justamente quando formos conscientes que não temos nenhuma condição de ser usados. Quando soubermos que, de nós mesmos, não somos nada. Quando tivermos consciência que todas as coisas que acontecem na dimensão do Senhor, acontecem pelo Poder do Senhor. Quando soubermos que só podemos as coisas porque o Senhor nos ajuda.
Pode ser que hoje você esteja se sentindo um gafanhoto. Pode ser que você esteja se sentindo um nada. Pode ser que tenham dito isso de você. As pessoas não acreditam em você porque acham que você seja incapaz. As pessoas pensam que você é um fraco, um frágil, um zé-ninguém. Você tem acredito nisso. É hora de dizer: Que bom! Porque é justamente gente assim que Deus chama e quer usar. Gente que se sabe nada, que se sabe fraco, pequeno e que, por isso, pode confiar inteiramente no poder e no amor de Deus. Se você está se sentindo assim, Deus está a ponto de usar você. E quando isso acontecer, o mundo ficará abismado. Aqueles que menosprezam você ficaram chocados. Porque Deus vai fazer isso pelo Seu Poder, para envengonhar os sábios e os poderosos, para destruir aquilo que o mundo acha importante. Por isso, lembre sempre: A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco (2 Co. 12. 9).

2 comentários:

Anônimo disse...

Dani, gostei do texto. Prova de que Ele escolhe os fracos é a minha vida. Por que Ele me escolheu? Só para provar que do nada Ele faz a Sua soberana vontade acontecer!
Um grande abraço. Queila

Samuel Rezende disse...

Obrigado pelo texto. Confesso que lágrimas vieram aos olhos, enquanto bebia dessa fonte.
Encontro-me envolvido pela síndrome do gafanhoto. E os dois textos me fizeram lembrar que: "O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" e "Quando estou fraco, é que sou forte".
Abraços.