27.9.05

Alguém que ore

Mas não há ninguém que ore a mim.
Oséias 7. 7

Confesso o impacto que senti ao me deparar com esta frase hoje, em minha leitura devocional. Por mais que “soubesse” que Deus busca, no meio do Seu povo, pessoas dispostas a mergulharem numa vida de profundidade espiritual, acho que jamais tive consciência disto como nesta noite. Em um tempo, estamos cansados de saber disso, em que se olha de um lado e de outro na igreja e não se encontra quem esteja disposto a viver a parte fundamental do discipulado de Cristo, podemos ler Oséias nos dizendo que Deus percebe isso e busca quem faça diferente: Mas não há ninguém que ore a mim.
Dia desses estava reparando, ao freqüentar algumas reuniões que nossas igrejas separam com o intuito de se orar, que elas têm características marcantes. Primeiro, o público sempre é predominantemente feminino. Como se orar fosse coisa exclusivamente de mulheres. Talvez porque os homens ainda não experimentaram plenamente a praticidade da oração íntima e profunda, eles, que tendem a ser mais práticos, não valorizam a vida de oração. Mas, independente da desculpa que inventemos, desprezar a oração é abrir mão da coisa mais preciosa do discipulado de Cristo.
Outra coisa que me chama a atenção em nossas reuniões de oração é que se fala muito e se ora pouco. Há muito espaço para testemunhos, muita gente vai a esses encontros em busca de uma palavra revelatória de Deus, mas poucos vão o coração disposto a fazer aquilo que propõe a reunião: orar. Fala-se muito uns com outros, dialoga-se pouco com o Deus do Céu.
A fala de Deus através do profeta Oséias é uma Palavra dura de julgamento contra as tramóias políticas e o pecado explícito do povo e do rei de Israel. Eles se deliciam em bebedices, queimam-se de raiva, atacam-se e matam-se uns aos outros, mas, diz o Senhor, não há ninguém que ore a mim.
Deus não está procurando no meio do Seu povo alguém que monte artimanhas políticas ou seja especialista em ações de impacto. Ele não está procurando alguém que trame ou faça planos. Ele não procura conspiradores. Ele procura uma pessoa que ore.
Quando penso em oração, sempre lembro de um relato do livro de John Henry Jowett, O pregador: Sua vida e obra. Ao falar sobre a importância da oração para o pregador, Jowett recupera os diários de Andrew Bonar, pregador escocês do século XIX: “Ontem reservei o dia para mim, para oração. Para mim, todo período de oração, ou quase todo, começa com um conflito (...) O meu mais profundo pesar é que oro tão pouco (...) Percebo que se não me mantenho fazendo breves orações todo dia e o dia todo, a intervalos, perco o espírito de oração (...) Passei hoje seis horas em oração e leitura da Bíblia (!), confessando pecados e buscando bênçãos para mim e para a igreja”. O que me impressiona nos diários deste homem que orava seis horas por dia é o fato de ele confessar que ora “tão pouco”. Nossas orações diárias de minutos ou no máximo poucas horas envergonham diante de um relato desses.
Mas não há ninguém que ore a mim. Certamente uma das razões pelas quais o povo falha em seguir os propósitos de Deus é a falta de alguém que ore no meio dele. O povo de Deus, isso é fundamental para os que são chamados como discípulos de Cristo, deve ser um povo que ora. Que conhece o seu Deus por meio da oração. Que tem a Sua intimidade como bem mais precioso no mundo.
Para finalizar esta reflexão, é necessário lembrar que a oração, por mais que nos aprofundemos nela, sempre será uma ilustre desconhecida para nós. Mas Deus deseja, antes de tudo, que como Seu povo ardentemente desejemos estar mais e mais em Sua presença por meio da oração, que nos arrisquemos, nos lançando nessa empresa desconhecida, que desafiemos os nossos limites, nossa ignorância, nosso desconhecimento, porque assim Ele quer agir em nossas vidas. Ele deseja encontrar alguém que ore, mas alguém que saiba seus limites. Não há espaço para experts no mundo da oração. Não há espaço para donos da verdade. Não há lugar para soberbos, apenas para corações humildes, conscientes que nada podem ou sabem: Assim também o Espírito de Deus vem nos ajudar na nossa fraqueza. Pois não sabemos como devemos orar, mas o Espírito de Deus, com gemidos que não podem ser explicados por palavras, pede a Deus em nosso favor (Rm. 8. 26).

2 comentários:

Anônimo disse...

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