7.9.05

Por quê?

O Senhor Deus os amou e escolheu, não porque vocês são mais numerosos do que outros povos; de fato, vocês são menos numerosos do que qualquer outro povo.
Deuteronômio 7. 7

Imagino que cada um de nós, um dia ou outro, já se questionou acerca do porquê Deus não desistiu ainda da gente. Imagino que eu não sou único que vez por outra se olha no espelho e constata que mereço qualquer coisa de Deus, menos Seu amor incondicional ou grança salvadora. Imagino que todo ser humano, por menos que tenha conhecimento de Deus, não consegue, vez por outra, encarar com facilidade a injustiça de uma graça que não leva em conta os pecados do coração arrependido. Eu não mereço isso. Meus pecados são terríveis. Como pode o Deus santo não desistir de um pecador resoluto como eu?
Em geral pensamos assim quando vemos os nossos delitos e pecados, que tantas vezes já confessamos e nos prometemos abandonar, voltarem com força à nossa prática diária. Mentimos, somos cínicos, hipócritas, grosseiros, arrogantes, vaidosos, soberbos. E quando percebemos a gravidade de todas essas coisas imaginamos que chegou o nosso fim. Deus não pode nos perdoar, nós que conhecemos tão bem a verdade e a necessidade de sermos santos. Deus não pode nos perdoar porque não conseguimos ser santos e sem santidade ninguém pode ver o Senhor (Hb. 12. 14). Somos reincidentes tantas vezes. Por que Deus ainda não desistiu de alguém como eu?
Nos dias de Jesus eram muitas as pessoas que se sentiam dessa forma, eu suponho. A pressão de uma sociedade extremamente religiosa servia muito para aumentar a intensidade dos sentimentos de culpa perturbadores. O pior do sentimento de culpa é gerar em nós a sensação de que somos imperdoáveis.
Imagino que fosse um sentimento assim que dominava o coração daquela mulher, que vivia em pecado, e invadiu a casa de Simão, o fariseu, quando Jesus jantava ali. Ela soube que Jesus estava jantando na casa do fariseu. Então pegou um frasco feito de alabastro, cheio de perfume, e ficou aos pés de Jesus, por trás. Ela chorava e as suas lágrimas molhavam os pés dele. Então ela os enxugou com os seus próprios cabelos. Ela beijava os pés de Jesus e derramava o perfume neles (Lc. 7. 37 – 38). Uma mulher da vida, desvalorizada, estigmatizada, sofrida e humilhada. Além do que naturalmente carregava na consciência de sofrimento, dor, culpa e pecado, ainda era esmagada pelo preconceito social e pela pressão que essa sociedade moralista lhe impunha. Que ousadia a dela invadir a casa do fariseu! Esse é um sinal do desespero da sua situação, ao mesmo tempo em que nos mostra que somente esses desesperados que sabem que não têm mais jeito são capazes de entender a profundidade do amor e da missão de Jesus. Simão não entendeu, porque repreendeu em sua mente a atitude de aceitação que Jesus demonstrou à mulher. Você está vendo esta mulher? (...) Eu afirmo a você, então, que o grande amor que ela mostrou prova que os seus muitos pecados já foram perdoados. Mas onde pouco é perdoado, pouco amor é mostrado (Lc. 7. 44 e 47). Se Jesus é capaz de transformar assim a história de uma mulher da vida, aceitando-a, perdoando-a e amando-a, sem desistir dela por qualquer razão, especialmente preconceitos sociais e sentimentos de culpa moralistas, Ele não desistirá de nenhum de nós em situação alguma e estará sempre disposto a restaurar a nossa história. Mas quer persistir a pergunta: por quê?
Deus não nos escolheu amar, em momento algum, porque houvesse algo de especial em nós. Ele, simplesmente, decidiu fazer de nós alvos constantes desse amor infinito. Ninguém pode nos afastar desse amor. E esse amor não depende do que somos, do que fomos, ou do que fazemos. Apesar de nós, Deus nos ama em Cristo desesperadamente.
O Senhor Deus os amou e escolheu, não porque vocês são mais numerosos do que outros povos; de fato, vocês são menos numerosos do que qualquer outro povo. Mas o Senhor os amou e com a sua força os livrou do poder de Faraó, o rei do Egito, onde vocês eram escravos (Dt. 7. 7 – 8). O que o texto nos fala sobre o amor de Deus por Israel e a libertação promovida por este amor no Egito ainda responde o nosso por que hoje. Não temos como saber o motivo pelo qual Deus decidiu que nos amaria e jamais desistiria de nós. Só podemos ter certeza que esse amor não passa porque ele não depende de nós: ele nasce em Deus, nutre sua força no Senhor mesmo e nada do que possamos fazer ou sofrer pode destruí-lo. Não tenho como entender por que é assim, mas posso saber e crer que é assim porque Deus assim o decidiu. Ele nos ama e não desiste de nós.

Um comentário:

Cesar disse...

concordo com vc Deus nunca desiste de alguem Deus Eu Te AMOOOOOOOOOO