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29.1.17

Impassível?

E o Eterno disse: “Faz tempo que venho observando a aflição do meu povo no Egito. Ouvi o povo clamar por livramento das mãos dos seus senhores e conheço muito bem o sofrimento dos israelitas. Agora desci para ajudá-los, para livrá-los do domínio do Egito"
Êxodo 3. 7-8


Para Aristóteles, Deus é o Motor Imóvel do universo. Essa ideia penetrou na teologia cristã ainda na Idade Média - muitos teólogos a partir de Tomás de Aquino se valeram da filosofia de Aristóteles para desenvolverem suas construções de fé.
O Motor Imóvel não pode mudar e, por isso, é Impassível - diante da dor e do sofrimento, diante da paz e da alegria, o Motor Imóvel segue igual.
Além disso, muita gente crê em Deus como um Todo-Poderoso e Soberano que já escreveu toda a história passada, presente e futura - portanto, uma história sob Seu controle mas completamente imutável.
Muita gente faz de Deus imutável - ser o mesmo ontem, hoje e sempre, para tais pessoas, faz de Deus alguém Impassível - alguém cuja misericórdia e a compaixão se existirem, são ficções, porque não representam nenhuma mudança no Seu Ser e nas Suas ações.
No entanto, o resumo do chamado de Moisés no Êxodo é que o Eterno não é Impassível. Ele vê, Ele ouve, Ele conhece e Ele, por isso, é tocado e desce para socorrer.
O Eterno não é Impassível.
Diante de um Deus que se compadece podemos saber que nunca estamos sozinhos.
Ele vê sua aflição. Ele sabe o que você está passando. Sabe quanto dói. Sabe que, por vezes, você sente que não aguenta mais. Sabe que você tem vontade de sumir e esgotou suas forças na tentativa de escapar da dor e da aflição. Sabe que você pode estar no limite. Ele vê sua dor e sua angústia.
Ele ouve a sua oração, o seu clamor. Você não chorou sozinho. A dor não doeu só em você. Você não jogou palavras ao vento, mas falou para um Deus que ouve. Se ninguém mais ouviu você, Ele ouviu. Ele ouviu e ainda ouve seu clamor.
Ele desceu para socorrer você. Ele não é impassível. Ele se importa com o que você está passando. Ele desceu, Ele veio até você.
A revelação do Deus da Bíblia tem a ver com um Deus que desce até nós para se revelar e nos libertar - ao invés de uma religião em que os humanos constroem ritos e regras para que alcancemos, tal qual numa Torre de Babel, a Divindade.
A revelação que Deus faz a Moisés aponta para aquela que se manifestou plenamente em Jesus. Em Jesus, o Eterno se fez um de nós. Se Deus fosse um Motor Imóvel, um Deus imutável, nunca poderia ter sido um de nós em Jesus. Nunca haveria esvaziamento, nunca haveria Emanuel, Deus conosco. Nunca haveria vida verdadeira tocada pelo Eterno, cruz, ressurreição e Espírito Santo.
Deus desce para nos livrar finalmente se tornando um de nós.
Deus desce para nos livrar e morar em nós pelo Seu Espírito.
Não é fácil passar por sofrimentos como os hebreus passavam no Egito. Não deve ser fácil enfrentar a dor e as circunstâncias que você está enfrentando. Pode ser que no meio do sofrimento você ainda se sinta sozinho e abandonado por amigos e parentes.
Há um momento no relato de Êxodo 5 que as coisas pioram logo depois de Moisés e Arão falarem com o Faraó. Agora os escravos precisam fazer a mesma cota de tijolos diária, mas sem que os egípcios forneçam a palha necessária. Os castigos aumentaram, a dor aumentou, o sofrimento aumentou.

Moisés orou ao Eterno e perguntou: “Por que tratas tão mal este povo? E por que me enviaste? Desde o momento em que fui falar ao faraó em teu nome, as coisas só pioraram para o povo. Libertação? É essa a ‘libertação’ que pretendias?”
Êxodo 5. 22-23


Nessa hora, por mais que seja difícil, acredite que Deus não é impassível - Ele desceu a fim de livrar você. Se mais ninguém está ao seu lado, Ele está não apenas ao seu lado, mas o Emanuel habita em você por meio do Espirito Santo.
Ele nunca o deixará e nunca o abandonará. Ainda que você não saiba quanto tempo ainda haverá até a libertação, Ele está com você e será sua força para que você passar por tudo.
Ele levará você à terra prometida.

“Faz tempo que venho observando a aflição do meu povo no Egito. Ouvi o povo clamar por livramento das mãos dos seus senhores e conheço muito bem o sofrimento dos israelitas. Agora desci para ajudá-los, para livrá-los do domínio do Egito"

10.12.16

Nos ritmos da graça

“Vocês estão cansados, enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja muito pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” (Mt. 11. 28-30).


A vida e o ministério de Jesus têm diversos significados possíveis, a maior parte deles igualmente válidos, que se somam uns aos outros no sentido de apontar para aquilo que Deus, cuja plenitude nele habitava, tinha a realizar por meio de Seu Filho.

Uma das coisas mais intensas que Jesus realizou em seu ministério foi relativizar o poder da lei e a importância da religião.

Todos nós julgamos precisar de coisas firmes e estáveis para, de nosso lado, termos firmeza e estabilidade. Uma forte religião, com características legalistas e com normas e padrões bem estabelecidos, é uma boa alternativa para a manutenção do controle e para a estabilização da vida.

É sempre mais fácil entregar a outro as rédeas de nossa existência e nos eximir da responsabilidade de tomar decisões e fazer escolhas na vida.

É mais seguro entregar as escolhas éticas que precisamos fazer ao manual de regras da vida que nos diga que, por exemplo, no sábado não me é permitido realizar nenhum trabalho. Contra essa regra, Jesus se insurgiu: “O sábado foi feito para servir às pessoas e não as pessoas para servirem o sábado” (Mc. 2. 27).

Entender a vida a partir do simples cumprimento da lei é mais fácil, ainda que mais pesado. Ter consciência da necessidade de tomar as próprias decisões é duro e, às vezes, mais doloroso.

Jesus passou todo o seu ministério preocupado em relativizar o valor da lei e, desse modo, enfrentava a rigidez da religião.

A fé deve ser libertadora, não castradora. Deve ser alimentada pelo amor e não pelo medo ou obrigação.

Foi o amor de Jesus que enfrentou a lei e a religião em João 8 quando salvou a mulher flagrada em adultério - que deveria, segundo a lei e a religião, ser apedrejada até a morte.

O amor e a fé são a mais pura verdade espiritual e, sabemos todos, que ao conhecermos a verdade, ela nos libertará (Jo. 8. 32).

Esse é o convite de Jesus - um convite para o amor a todos os que “estão cansados, enfastiados de religião”. Um convite a irmos até Ele. "Venham a mim! “

Ouso arriscar que a maior parte de nossas dores da alma resultam da pressão exercida por uma moralidade com viés religioso, uma forma de religião baseada no legalismo e regras de conduta espiritual pouco flexíveis.

Lembro da mulher do fluxo de sangue (Mc. 5, Mt. 9, Lc. 8) e vejo nela uma vítima da religião. Havia 12 anos que ela tinha uma hemorragia vaginal constante. Isso fazia dela uma mulher impura. Além dos bens que empregou tentando uma cura, podemos admitir que em 12 anos ela perdeu marido, família, amigos, tudo o mais, uma vez que nessa condição de impureza lhe restava o isolamento, uma vez que todos e tudo o que ela tocasse também se tornariam impuros.

Ao decidir enfrentar a multidão e tocar Jesus, a mulher, na verdade, decidiu enfrentar a lei e os seus preceitos. Ao se acotovelar no meio de todos, segundo a lei, ela tornou impuros todos aqueles que encostaram nela. Mais que isso: tornou impuro o Mestre que ela julgava ser capaz de libertá-la.

Você percebe? Antes de tocar Jesus, a mulher já se libertara de toda a opressão trazida e representada pela lei e pela religião.

Não acho difícil supor que sua doença tivesse um aspecto psicossomático e que representasse algo de sua culpa e da opressão da fé. Ao romper as barreiras que a prendiam, ela abriu caminho para a cura.

“Vocês estão cansados, enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja muito pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” (Mt. 11. 28-30).

Esse é o convite de Jesus para todos os que estamos em sofrimento, todos que sentimos o peso e a dor da lei e da religião. Não precisa ser assim. Ele veio relativizar a lei em favor da vida: “aprendam os ritmos livres da graça!”. Ele nos chama a sermos seus companheiros e, assim, aprenderemos “a viver com liberdade e leveza”.

Ainda haverá um fardo e um jugo, mas além de serem suaves e leves, teremos suas mãos para nos ajudarem em conduzí-los.

Não estaremos mais sós para enfrentar os pesos, as lutas e as dores que a vida nos coloca. Estaremos nEle, com Ele. Seremos seus companheiros, caminhando e trabalhando com Ele.

No ritmo da graça.