Passado o funeral, os irmãos de José começaram a falar: “E se José está guardando rancor e resolver nos devolver o mal que lhe fizemos?”
Gênesis 50. 15
Muitos anos atrás, ouvi uma pregação sobre esse texto. Jacó/Israel morreu após 17 anos morando no Egito. Embalsamado, foi levado por seus filhos para ser enterrado na Palestina.
Agora, os irmãos de José têm medo de que o agora governador do Egito decida se vingar pelo que lhe fizeram - ser vendido como escravo para uma caravana que o levou até o Egito.
Confesso que ao ouvir essa mensagem, me incomodei. Não porque não ache importante falarmos de rancor e mágoa. Mas porque o pregador assumiu a ideia, fácil, de que José, o sonhador, vendido como escravo, afastado de sua família, não guardou mágoa, não alimentou o rancor.
Os irmãos inventam que Israel pediu que José os perdoasse. José chora e diz que Deus estava naquilo para que todos pudessem, agora, ser protegidos e salvos da seca e da fome no Egito (Gn. 50. 16-21).
Lindo, não é?
Mas esse não é o José que o Gênesis mostra. Aliás, o Gênesis mostra um José que no fim do livro não precisa mais se vingar dos irmãos porque deu-lhes o troco antes.
O trecho que vai dos capítulos 42 a 44 mostra um José que, incógnito aos irmãos, vestido como governador egípcio, falando por meio de intérprete, aflige-os do mesmo modo como ele mesmo afligido: põe na cadeia, faz falsas acusações, ameaça com escravidão.
Esse, definitivamente, não é um homem que não guardou rancor, que não alimentou a mágoa. Ele é alguém que promoveu uma vingança, ainda que não fatal, fazendo sofrer os que lhe fizeram sofrer, antes de fazer as pazes com o passado.
Para mim, esse aspecto da narrativa de José não está ali para legitimar a vingança ou o troco. Ao contrário, mostra um José libertador que é humano o suficiente para deixar-se levar pela mágoa.
Serve para nos mostrar que a mágoa pode estar presente e ser guia das ações de qualquer um de nós. E que, ainda assim, quando erramos não se perde nada de bom que Deus fez ou faz por nosso intermédio.
Não é uma desculpa para ficar magoado mas um ensino de que não é impossível que a mágoa aconteça. E quando ela acontecer, lembre-se de que você é humano.
Ainda que saibamos que não somos culpados pelo mal que nos fazem, sabemos que a mágoa é nossa responsabilidade porque é resultado daquilo que fazemos com o mal que nos fazem. E isso é humano.
Deixar que a mágoa conduza nossas ações é deixar-se levar pelo mal. A raiva, o rancor são péssimos conselheiros. Fazem, por exemplo, confundir vingança e justiça. Mas isso é humano.
O caminho de livrar-se da mágoa é conhecido, ainda que nem sempre seja fácil: é o caminho mais excelente do amor (1 Co. 12. 27) e do perdão:
Então, Jesus orou: “Pai, perdoa esta gente! Eles não sabem o que estão fazendo”.
Lucas 23. 34
Jesus perdoou os que o crucificavam. Não é fácil, mas é parte do caminho de deixar a mágoa de lado.
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28.1.17
15.1.17
Glória, pecado, perdão
E proclamavam uns aos outros:
“Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos de Anjos.
Sua glória deslumbrante enche toda a terra”.
Isaías 6. 3
O ser humano finito que se depara com a Santidade de Deus, a Realidade Última da Existência, a Sua ação poderosa e amorosa, sofre um impacto imensurável.
Foi assim, por exemplo, no episódio da pesca maravilhosa conforme contada por Lucas. Após testemunhar o milagre, Pedro ficou atônito (Lc. 5. 8):
Assim que presenciou aquilo, Simão Pedro ajoelhou-se diante de Jesus e pediu: “Senhor, afaste-se de mim. Sou um pecador e o senhor é santo demais para mim. Deixe-me sozinho”.
Deparar-se com Deus sempre representou um pavor de morte: como pode viver um pecador diante do Deus vivo e santo?
No relato de Juízes sobre Gideão (6), o mesmo sentimento de pavor se faz sentir quando o futuro juiz de Israel compreende que está diante do Senhor (Jz 6. 21-23):
O anjo do Eterno estendeu a ponta do cajado que carregava e tocou a carne e o pão. Na mesma hora, saíram chamas da pedra, e elas queimaram a carne e o pão, enquanto o anjo do Eterno sumia de vista. Gideão finalmente entendeu que aquele era o anjo do Eterno!
Gideão disse: “Ah! Senhor, Eterno! Eu vi teu anjo face a face!”.
Mas o Eterno o tranquilizou: “Não se preocupe. Não se apavore. Você não morrerá”.
Estar diante do Santo é perceber-se pecador. A luz que brilha na santidade, revela os recônditos da alma, faz parecer que os nossos piores e mais sujos segredos estão revelados, expostos em braça pública. A sensação é de que morreremos diante do Santo.
No livro de Êxodo (33), Moisés pede a Deus para ver a sua face, mas não era possível que isso se desse (Ex 33. 18-20):
Moisés, então, disse: “Por favor, permita que eu veja a tua glória”.
O Eterno respondeu: “Farei passar minha bondade diante de você. Pronunciarei o nome, o Eterno, bem na sua frente. Tratarei bem os que eu quiser tratar bem e serei bom com quem eu quiser ser bom”.
O Eterno continuou: “Mas você não poderá ver meu rosto. Ninguém pode me ver e continuar vivo”.
Estar na presença de Deus foi, para esses homens, temível. Prostraram-se aterrorizados. Isaías ainda afirma (Is. 6. 5):
Eu disse:
“Juízo! É o dia do juízo!
Estou perdido!
Cada palavra que falei na vida era podridão,
soou como blasfêmia!
E o povo com que vivo fala da mesma maneira,
são palavras que corrompem e profanam.
E agora olhei diretamente para Deus!
O Rei! O Senhor dos Exércitos de Anjos!”
A maravilha desse Deus cuja glória resplandece em toda a terra, que revela à sua luz os nossos piores segredos, que nos mostra diante dEle a nossa limitação e fragilidade, é que Ele estende a mão, perdoando (Is. 6. 6):
Então, um dos serafins voou até mim. Ele segurava na mão uma brasa que havia tirado do altar com uma tenaz. Tocou minha boca com ela e disse:
“Esta brasa tocou seus lábios.
Sua culpa se foi,
seus pecados foram apagados”.
O toque do perdão é o mesmo toque que nos impulsiona ao serviço - “Eu irei. Envia-me!” (Is. 6. 8).
Esse é o pano de fundo ideal para entendermos a riqueza da glória de Deus que se manifesta inteira e unicamente em Jesus Cristo. Nele reconhecemos a sua glória. Ele expõe os nossos segredos sujos - aos seus olhos, tudo está revelado. Ele é a face de Deus que podemos olhar sem temer a morte porque assumiu a nossa humanidade para que isso se tornasse possível.
A face visível de Deus é amor, perdão, restauração. É o toque nos lábios que apaga a culpa, faz esquecer o pecado, santifica a vida, enche o coração e, na dimensão do toque amoroso, nos leva ao serviço em amor.
Em Jesus, o temor e o pavor de morte que impactam os mortais pecadores em sua relação com Deus não têm mais sentido. Em Jesus, o que tem sentido é encontrar um Deus que ama, perdoa e acolhe, mesmo o pior dentre todos nós.
Mas Cristo nos uniu por meio de sua morte na cruz. A cruz nos leva a abraçar uns aos outros, e faz cessar a hostilidade. Cristo veio e pregou a paz a estrangeiros como vocês, que não são judeus, e também aos judeus, que já conheciam Deus. Ele nos tratou como iguais e nos fez iguais. Por meio dele, compartilhamos do mesmo Espírito e temos igual acesso ao Pai.
Efésios 2. 16-18
“Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos de Anjos.
Sua glória deslumbrante enche toda a terra”.
Isaías 6. 3
O ser humano finito que se depara com a Santidade de Deus, a Realidade Última da Existência, a Sua ação poderosa e amorosa, sofre um impacto imensurável.
Foi assim, por exemplo, no episódio da pesca maravilhosa conforme contada por Lucas. Após testemunhar o milagre, Pedro ficou atônito (Lc. 5. 8):
Assim que presenciou aquilo, Simão Pedro ajoelhou-se diante de Jesus e pediu: “Senhor, afaste-se de mim. Sou um pecador e o senhor é santo demais para mim. Deixe-me sozinho”.
Deparar-se com Deus sempre representou um pavor de morte: como pode viver um pecador diante do Deus vivo e santo?
No relato de Juízes sobre Gideão (6), o mesmo sentimento de pavor se faz sentir quando o futuro juiz de Israel compreende que está diante do Senhor (Jz 6. 21-23):
O anjo do Eterno estendeu a ponta do cajado que carregava e tocou a carne e o pão. Na mesma hora, saíram chamas da pedra, e elas queimaram a carne e o pão, enquanto o anjo do Eterno sumia de vista. Gideão finalmente entendeu que aquele era o anjo do Eterno!
Gideão disse: “Ah! Senhor, Eterno! Eu vi teu anjo face a face!”.
Mas o Eterno o tranquilizou: “Não se preocupe. Não se apavore. Você não morrerá”.
Estar diante do Santo é perceber-se pecador. A luz que brilha na santidade, revela os recônditos da alma, faz parecer que os nossos piores e mais sujos segredos estão revelados, expostos em braça pública. A sensação é de que morreremos diante do Santo.
No livro de Êxodo (33), Moisés pede a Deus para ver a sua face, mas não era possível que isso se desse (Ex 33. 18-20):
Moisés, então, disse: “Por favor, permita que eu veja a tua glória”.
O Eterno respondeu: “Farei passar minha bondade diante de você. Pronunciarei o nome, o Eterno, bem na sua frente. Tratarei bem os que eu quiser tratar bem e serei bom com quem eu quiser ser bom”.
O Eterno continuou: “Mas você não poderá ver meu rosto. Ninguém pode me ver e continuar vivo”.
Estar na presença de Deus foi, para esses homens, temível. Prostraram-se aterrorizados. Isaías ainda afirma (Is. 6. 5):
Eu disse:
“Juízo! É o dia do juízo!
Estou perdido!
Cada palavra que falei na vida era podridão,
soou como blasfêmia!
E o povo com que vivo fala da mesma maneira,
são palavras que corrompem e profanam.
E agora olhei diretamente para Deus!
O Rei! O Senhor dos Exércitos de Anjos!”
A maravilha desse Deus cuja glória resplandece em toda a terra, que revela à sua luz os nossos piores segredos, que nos mostra diante dEle a nossa limitação e fragilidade, é que Ele estende a mão, perdoando (Is. 6. 6):
Então, um dos serafins voou até mim. Ele segurava na mão uma brasa que havia tirado do altar com uma tenaz. Tocou minha boca com ela e disse:
“Esta brasa tocou seus lábios.
Sua culpa se foi,
seus pecados foram apagados”.
O toque do perdão é o mesmo toque que nos impulsiona ao serviço - “Eu irei. Envia-me!” (Is. 6. 8).
Esse é o pano de fundo ideal para entendermos a riqueza da glória de Deus que se manifesta inteira e unicamente em Jesus Cristo. Nele reconhecemos a sua glória. Ele expõe os nossos segredos sujos - aos seus olhos, tudo está revelado. Ele é a face de Deus que podemos olhar sem temer a morte porque assumiu a nossa humanidade para que isso se tornasse possível.
A face visível de Deus é amor, perdão, restauração. É o toque nos lábios que apaga a culpa, faz esquecer o pecado, santifica a vida, enche o coração e, na dimensão do toque amoroso, nos leva ao serviço em amor.
Em Jesus, o temor e o pavor de morte que impactam os mortais pecadores em sua relação com Deus não têm mais sentido. Em Jesus, o que tem sentido é encontrar um Deus que ama, perdoa e acolhe, mesmo o pior dentre todos nós.
Mas Cristo nos uniu por meio de sua morte na cruz. A cruz nos leva a abraçar uns aos outros, e faz cessar a hostilidade. Cristo veio e pregou a paz a estrangeiros como vocês, que não são judeus, e também aos judeus, que já conheciam Deus. Ele nos tratou como iguais e nos fez iguais. Por meio dele, compartilhamos do mesmo Espírito e temos igual acesso ao Pai.
Efésios 2. 16-18
14.1.17
O Amor que salva
Vocês conhecem a graça generosa do Senhor Jesus Cristo. Ele era rico, mas deu tudo por nós. Tornou-se pobre para que nós nos tornássemos ricos.
2 Coríntios 8. 9
O nome do Amor é entrega.
François Varillon dizia que Deus é o Amor Todo-Poderoso e que Ele era capaz de fazer qualquer coisa que o Amor fosse capaz de fazer. O Seu Poder está restrito ao Seu Amor. Afinal, “Deus é amor” (1 Jo 4. 8), provavelmente a melhor definição conceitual de Sua Pessoa nas Escrituras.
Mas a melhor história de amor de Deus, que fatalmente confirma o Seu Amor Todo-Poderoso, é a Encarnação de Jesus.
Jesus é reconhecido pelos primeiros cristãos como Aquele em quem estava toda a plenitude da Divindade (Cl 2. 9), a perfeita semelhança de Deus (Hb. 1. 3) que montou sua tenda entre nós na pessoa de seu Filho (Jo. 1. 14). Deus só pode ser visto quando olhamos para Jesus.
Para viver essa história de Amor e de Entrega, Jesus se esvaziou de si mesmo (Fp. 2. 6-8). O seu esvaziar-se é sua entrega. Sua entrega é o Amor que salva.
Vocês conhecem a graça generosa do Senhor Jesus Cristo. Ele era rico, mas deu tudo por nós. Tornou-se pobre para que nós nos tornássemos ricos.
A salvação começa no Amor que se entrega e que, para se entregar, se esvazia. Era rico, mas deu tudo por amor a nós. Tornou-se pobre para que, pela graça, fossemos ricos do seu amor.
O Amor que salva é o amor que se entrega integralmente ao ser amado.
O Amor que salva é o amor que não tem por seu nenhuma coisa, mas vive em função do outro, para resgatá-lo, transformá-lo.
O Amor que salva é o amor que vê o outro em primeiro lugar. É o que toca o outro e, ao tocá-lo, muda o outro.
O Amor que salva é o amor que relativiza as leis, as regras e a moral em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que risca a terra e liberta a adultera - não só do seu pecado, mas especialmente do destino a que lhe reservou a lei escrita.
O Amor que salva é o amor que se torna impuro, tocando a mulher do fluxo de sangue, o esquife do filho da viúva, a mão da filha de Jairo - torna-se impuro pela cura e salvação.
O Amor que salva é o amor que faz no sábado o que a lei proíbe porque o sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.
O Amor que salva é o amor que partilha a mesa com pecadores e a escória social, porque amor só é amor se amar aquele que ninguém mais ama.
O Amor que salva é o amor da entrega radical e absoluta, do esvaziamento completo, do empobrecimento em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que enche de graça o mundo. Enche de beleza, de paz, de liberdade, de inspiração, de amor.
O Amor que salva é o amor que nos impulsiona a irmos e fazermos coisas ainda maiores que essas.
O Amor que salva é o amor que nos faz amar - com entrega, esvaziamento, empobrecimento -, e, amando, vivermos mergulhados no Rio de Amor, que pode ser a nossa forma de conhecer a Deus.
2 Coríntios 8. 9
O nome do Amor é entrega.
François Varillon dizia que Deus é o Amor Todo-Poderoso e que Ele era capaz de fazer qualquer coisa que o Amor fosse capaz de fazer. O Seu Poder está restrito ao Seu Amor. Afinal, “Deus é amor” (1 Jo 4. 8), provavelmente a melhor definição conceitual de Sua Pessoa nas Escrituras.
Mas a melhor história de amor de Deus, que fatalmente confirma o Seu Amor Todo-Poderoso, é a Encarnação de Jesus.
Jesus é reconhecido pelos primeiros cristãos como Aquele em quem estava toda a plenitude da Divindade (Cl 2. 9), a perfeita semelhança de Deus (Hb. 1. 3) que montou sua tenda entre nós na pessoa de seu Filho (Jo. 1. 14). Deus só pode ser visto quando olhamos para Jesus.
Para viver essa história de Amor e de Entrega, Jesus se esvaziou de si mesmo (Fp. 2. 6-8). O seu esvaziar-se é sua entrega. Sua entrega é o Amor que salva.
Vocês conhecem a graça generosa do Senhor Jesus Cristo. Ele era rico, mas deu tudo por nós. Tornou-se pobre para que nós nos tornássemos ricos.
A salvação começa no Amor que se entrega e que, para se entregar, se esvazia. Era rico, mas deu tudo por amor a nós. Tornou-se pobre para que, pela graça, fossemos ricos do seu amor.
O Amor que salva é o amor que se entrega integralmente ao ser amado.
O Amor que salva é o amor que não tem por seu nenhuma coisa, mas vive em função do outro, para resgatá-lo, transformá-lo.
O Amor que salva é o amor que vê o outro em primeiro lugar. É o que toca o outro e, ao tocá-lo, muda o outro.
O Amor que salva é o amor que relativiza as leis, as regras e a moral em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que risca a terra e liberta a adultera - não só do seu pecado, mas especialmente do destino a que lhe reservou a lei escrita.
O Amor que salva é o amor que se torna impuro, tocando a mulher do fluxo de sangue, o esquife do filho da viúva, a mão da filha de Jairo - torna-se impuro pela cura e salvação.
O Amor que salva é o amor que faz no sábado o que a lei proíbe porque o sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.
O Amor que salva é o amor que partilha a mesa com pecadores e a escória social, porque amor só é amor se amar aquele que ninguém mais ama.
O Amor que salva é o amor da entrega radical e absoluta, do esvaziamento completo, do empobrecimento em favor da vida do outro.
O Amor que salva é o amor que enche de graça o mundo. Enche de beleza, de paz, de liberdade, de inspiração, de amor.
O Amor que salva é o amor que nos impulsiona a irmos e fazermos coisas ainda maiores que essas.
O Amor que salva é o amor que nos faz amar - com entrega, esvaziamento, empobrecimento -, e, amando, vivermos mergulhados no Rio de Amor, que pode ser a nossa forma de conhecer a Deus.
8.1.17
Que eu possa dançar
Põe uma música alegre para mim,
conserta meus ossos quebrados, para que eu possa dançar.
Salmo 51. 8
Com razão, boa parte das pessoas imaginam os religiosos, particularmente os cristãos, como pessoas sem graça, com dificuldades para se divertir, alienados da vida e do mundo.
Para muita gente, ser religioso é ser sério e severo, é ter pouco espaço para o sorriso, para o lúdico, para a celebração festiva. É ter a face rígida de Bento XVI e não o sorriso festivo de Francisco.
No mundo protestante isso talvez fique ainda mais evidente. Desde a Reforma, a severidade como característica da religiosidade cristã está em disputa. Parte da Reforma, por exemplo, abdicou da música, qualquer música, nos cultos e na vida.
Os protestantes norte-americanos que evangelizaram o Brasil impuseram às igrejas certas tradições completamente alheias aos nossos trópicos festivos. Até hoje parece muito anacrônico deparar-se com um púlpito repleto de ternos e gravatas, sem cor, sem brilho e sem ludicidade em nossas igrejas.
Parece anacrônica ainda haver gente que encara a festa e a dança como pecados.
O Salmo 51 é um cântico de confissão de pecados e pedido de restauração. A tradição o atribui a Davi, logo depois do adultério com Bate-Seba e o homicídio de Urias.
É no contexto de confissão de pecados que o salmista pede a Deus:
Põe uma música alegre para mim,
conserta meus ossos quebrados, para que eu possa dançar.
Enquanto as igrejas investem na severidade, no terno cinza, no rosto sem sorriso, o salmista pede a Deus que o perdoe (“conserta meus ossos quebrados”), ponha no som uma música alegre para que ele dance. O salmista reconhece em Deus a fonte do lúdico, da festa, da música, da dança, da celebração.
Tive grandes experiências com Deus reconhecendo minha cultura, a música que mexe no meu íntimo, a festa que diz respeito a mim.
Lembro de um divisor de águas em um dos tradicionais forrós que encerravam as reuniões da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Ao som de “Espumas ao vento”, dancei com minha amiga Gidália. Deus tocou-me fundo: “esse é você e não fuja disso: você é do Nordeste, é do Forró, é da Festa”. Eu senti como se meu sangue pulsasse ao som da zabumba e do triângulo, uma experiência que mudou a minha vida.
O salmista vem da tristeza do pecado e pede a Deus que toque uma canção para que Ele dance. O perdão enche o coração de alegria, a restauração nos leva à festa, a cura nos faz dançar.
O DJ é o próprio Deus.
Fantástico isso, não?
conserta meus ossos quebrados, para que eu possa dançar.
Salmo 51. 8
Com razão, boa parte das pessoas imaginam os religiosos, particularmente os cristãos, como pessoas sem graça, com dificuldades para se divertir, alienados da vida e do mundo.
Para muita gente, ser religioso é ser sério e severo, é ter pouco espaço para o sorriso, para o lúdico, para a celebração festiva. É ter a face rígida de Bento XVI e não o sorriso festivo de Francisco.
No mundo protestante isso talvez fique ainda mais evidente. Desde a Reforma, a severidade como característica da religiosidade cristã está em disputa. Parte da Reforma, por exemplo, abdicou da música, qualquer música, nos cultos e na vida.
Os protestantes norte-americanos que evangelizaram o Brasil impuseram às igrejas certas tradições completamente alheias aos nossos trópicos festivos. Até hoje parece muito anacrônico deparar-se com um púlpito repleto de ternos e gravatas, sem cor, sem brilho e sem ludicidade em nossas igrejas.
Parece anacrônica ainda haver gente que encara a festa e a dança como pecados.
O Salmo 51 é um cântico de confissão de pecados e pedido de restauração. A tradição o atribui a Davi, logo depois do adultério com Bate-Seba e o homicídio de Urias.
É no contexto de confissão de pecados que o salmista pede a Deus:
Põe uma música alegre para mim,
conserta meus ossos quebrados, para que eu possa dançar.
Enquanto as igrejas investem na severidade, no terno cinza, no rosto sem sorriso, o salmista pede a Deus que o perdoe (“conserta meus ossos quebrados”), ponha no som uma música alegre para que ele dance. O salmista reconhece em Deus a fonte do lúdico, da festa, da música, da dança, da celebração.
Tive grandes experiências com Deus reconhecendo minha cultura, a música que mexe no meu íntimo, a festa que diz respeito a mim.
Lembro de um divisor de águas em um dos tradicionais forrós que encerravam as reuniões da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Ao som de “Espumas ao vento”, dancei com minha amiga Gidália. Deus tocou-me fundo: “esse é você e não fuja disso: você é do Nordeste, é do Forró, é da Festa”. Eu senti como se meu sangue pulsasse ao som da zabumba e do triângulo, uma experiência que mudou a minha vida.
O salmista vem da tristeza do pecado e pede a Deus que toque uma canção para que Ele dance. O perdão enche o coração de alegria, a restauração nos leva à festa, a cura nos faz dançar.
O DJ é o próprio Deus.
Fantástico isso, não?
10.12.16
Nos ritmos da graça
“Vocês estão cansados, enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja muito pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” (Mt. 11. 28-30).
A vida e o ministério de Jesus têm diversos significados possíveis, a maior parte deles igualmente válidos, que se somam uns aos outros no sentido de apontar para aquilo que Deus, cuja plenitude nele habitava, tinha a realizar por meio de Seu Filho.
Uma das coisas mais intensas que Jesus realizou em seu ministério foi relativizar o poder da lei e a importância da religião.
Todos nós julgamos precisar de coisas firmes e estáveis para, de nosso lado, termos firmeza e estabilidade. Uma forte religião, com características legalistas e com normas e padrões bem estabelecidos, é uma boa alternativa para a manutenção do controle e para a estabilização da vida.
É sempre mais fácil entregar a outro as rédeas de nossa existência e nos eximir da responsabilidade de tomar decisões e fazer escolhas na vida.
É mais seguro entregar as escolhas éticas que precisamos fazer ao manual de regras da vida que nos diga que, por exemplo, no sábado não me é permitido realizar nenhum trabalho. Contra essa regra, Jesus se insurgiu: “O sábado foi feito para servir às pessoas e não as pessoas para servirem o sábado” (Mc. 2. 27).
Entender a vida a partir do simples cumprimento da lei é mais fácil, ainda que mais pesado. Ter consciência da necessidade de tomar as próprias decisões é duro e, às vezes, mais doloroso.
Jesus passou todo o seu ministério preocupado em relativizar o valor da lei e, desse modo, enfrentava a rigidez da religião.
A fé deve ser libertadora, não castradora. Deve ser alimentada pelo amor e não pelo medo ou obrigação.
Foi o amor de Jesus que enfrentou a lei e a religião em João 8 quando salvou a mulher flagrada em adultério - que deveria, segundo a lei e a religião, ser apedrejada até a morte.
O amor e a fé são a mais pura verdade espiritual e, sabemos todos, que ao conhecermos a verdade, ela nos libertará (Jo. 8. 32).
Esse é o convite de Jesus - um convite para o amor a todos os que “estão cansados, enfastiados de religião”. Um convite a irmos até Ele. "Venham a mim! “
Ouso arriscar que a maior parte de nossas dores da alma resultam da pressão exercida por uma moralidade com viés religioso, uma forma de religião baseada no legalismo e regras de conduta espiritual pouco flexíveis.
Lembro da mulher do fluxo de sangue (Mc. 5, Mt. 9, Lc. 8) e vejo nela uma vítima da religião. Havia 12 anos que ela tinha uma hemorragia vaginal constante. Isso fazia dela uma mulher impura. Além dos bens que empregou tentando uma cura, podemos admitir que em 12 anos ela perdeu marido, família, amigos, tudo o mais, uma vez que nessa condição de impureza lhe restava o isolamento, uma vez que todos e tudo o que ela tocasse também se tornariam impuros.
Ao decidir enfrentar a multidão e tocar Jesus, a mulher, na verdade, decidiu enfrentar a lei e os seus preceitos. Ao se acotovelar no meio de todos, segundo a lei, ela tornou impuros todos aqueles que encostaram nela. Mais que isso: tornou impuro o Mestre que ela julgava ser capaz de libertá-la.
Você percebe? Antes de tocar Jesus, a mulher já se libertara de toda a opressão trazida e representada pela lei e pela religião.
Não acho difícil supor que sua doença tivesse um aspecto psicossomático e que representasse algo de sua culpa e da opressão da fé. Ao romper as barreiras que a prendiam, ela abriu caminho para a cura.
“Vocês estão cansados, enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja muito pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” (Mt. 11. 28-30).
Esse é o convite de Jesus para todos os que estamos em sofrimento, todos que sentimos o peso e a dor da lei e da religião. Não precisa ser assim. Ele veio relativizar a lei em favor da vida: “aprendam os ritmos livres da graça!”. Ele nos chama a sermos seus companheiros e, assim, aprenderemos “a viver com liberdade e leveza”.
Ainda haverá um fardo e um jugo, mas além de serem suaves e leves, teremos suas mãos para nos ajudarem em conduzí-los.
Não estaremos mais sós para enfrentar os pesos, as lutas e as dores que a vida nos coloca. Estaremos nEle, com Ele. Seremos seus companheiros, caminhando e trabalhando com Ele.
No ritmo da graça.
A vida e o ministério de Jesus têm diversos significados possíveis, a maior parte deles igualmente válidos, que se somam uns aos outros no sentido de apontar para aquilo que Deus, cuja plenitude nele habitava, tinha a realizar por meio de Seu Filho.
Uma das coisas mais intensas que Jesus realizou em seu ministério foi relativizar o poder da lei e a importância da religião.
Todos nós julgamos precisar de coisas firmes e estáveis para, de nosso lado, termos firmeza e estabilidade. Uma forte religião, com características legalistas e com normas e padrões bem estabelecidos, é uma boa alternativa para a manutenção do controle e para a estabilização da vida.
É sempre mais fácil entregar a outro as rédeas de nossa existência e nos eximir da responsabilidade de tomar decisões e fazer escolhas na vida.
É mais seguro entregar as escolhas éticas que precisamos fazer ao manual de regras da vida que nos diga que, por exemplo, no sábado não me é permitido realizar nenhum trabalho. Contra essa regra, Jesus se insurgiu: “O sábado foi feito para servir às pessoas e não as pessoas para servirem o sábado” (Mc. 2. 27).
Entender a vida a partir do simples cumprimento da lei é mais fácil, ainda que mais pesado. Ter consciência da necessidade de tomar as próprias decisões é duro e, às vezes, mais doloroso.
Jesus passou todo o seu ministério preocupado em relativizar o valor da lei e, desse modo, enfrentava a rigidez da religião.
A fé deve ser libertadora, não castradora. Deve ser alimentada pelo amor e não pelo medo ou obrigação.
Foi o amor de Jesus que enfrentou a lei e a religião em João 8 quando salvou a mulher flagrada em adultério - que deveria, segundo a lei e a religião, ser apedrejada até a morte.
O amor e a fé são a mais pura verdade espiritual e, sabemos todos, que ao conhecermos a verdade, ela nos libertará (Jo. 8. 32).
Esse é o convite de Jesus - um convite para o amor a todos os que “estão cansados, enfastiados de religião”. Um convite a irmos até Ele. "Venham a mim! “
Ouso arriscar que a maior parte de nossas dores da alma resultam da pressão exercida por uma moralidade com viés religioso, uma forma de religião baseada no legalismo e regras de conduta espiritual pouco flexíveis.
Lembro da mulher do fluxo de sangue (Mc. 5, Mt. 9, Lc. 8) e vejo nela uma vítima da religião. Havia 12 anos que ela tinha uma hemorragia vaginal constante. Isso fazia dela uma mulher impura. Além dos bens que empregou tentando uma cura, podemos admitir que em 12 anos ela perdeu marido, família, amigos, tudo o mais, uma vez que nessa condição de impureza lhe restava o isolamento, uma vez que todos e tudo o que ela tocasse também se tornariam impuros.
Ao decidir enfrentar a multidão e tocar Jesus, a mulher, na verdade, decidiu enfrentar a lei e os seus preceitos. Ao se acotovelar no meio de todos, segundo a lei, ela tornou impuros todos aqueles que encostaram nela. Mais que isso: tornou impuro o Mestre que ela julgava ser capaz de libertá-la.
Você percebe? Antes de tocar Jesus, a mulher já se libertara de toda a opressão trazida e representada pela lei e pela religião.
Não acho difícil supor que sua doença tivesse um aspecto psicossomático e que representasse algo de sua culpa e da opressão da fé. Ao romper as barreiras que a prendiam, ela abriu caminho para a cura.
“Vocês estão cansados, enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja muito pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” (Mt. 11. 28-30).
Esse é o convite de Jesus para todos os que estamos em sofrimento, todos que sentimos o peso e a dor da lei e da religião. Não precisa ser assim. Ele veio relativizar a lei em favor da vida: “aprendam os ritmos livres da graça!”. Ele nos chama a sermos seus companheiros e, assim, aprenderemos “a viver com liberdade e leveza”.
Ainda haverá um fardo e um jugo, mas além de serem suaves e leves, teremos suas mãos para nos ajudarem em conduzí-los.
Não estaremos mais sós para enfrentar os pesos, as lutas e as dores que a vida nos coloca. Estaremos nEle, com Ele. Seremos seus companheiros, caminhando e trabalhando com Ele.
No ritmo da graça.
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